SOBRE CREDIBILIDADE (da imprensa) - editorial do ESTADÃO deste domingo

Publicado em 17/08/2014 10:10 e atualizado em 18/08/2014 07:56 910 exibições
+ FOLHA DE S. PAULO: Com medo de Marina, PT prefere Aécio no 2º turno...

O que define a importância de um veículo de comunicação, daquilo que podemos chamar genericamente de Imprensa - inclusive com sua extensão na internet -, importância essa traduzida em quantidade e qualidade de leitores, ouvintes e telespectadores? A resposta é simples e óbvia: credibilidade. A mídia impressa e a programação jornalística de emissoras de rádio e de televisão só conquistam leitores, ouvintes e telespectadores na medida em que esse público acredita que lhe estão sendo oferecidas notícias e informações corretas e opiniões relevantes e úteis.

A credibilidade de um veículo de comunicação resulta da avaliação feita pelo público de sua capacidade de apurar e de divulgar notícias com isenção e objetividade, prestar informação precisa e confiável sobre assuntos de interesse e oferecer opinião fundamentada sobre questões relevantes, sejam opiniões divergentes que ajudem a esclarecer temas controversos, seja a opinião própria do órgão de comunicação, esta claramente exposta em espaço editorial claramente definido.

Leia a íntegra do Editorial no site do Estadão.

Na Folha: Com medo de Marina, PT prefere Aécio no 2º turno

Equipe de Dilma define eventual disputa com ex-senadora como 'zona nebulosa'

Petistas acreditam que candidata do PSB pode superar tucano já nas primeiras pesquisas; PSDB revê estratégias

Com a entrada de Marina Silva no lugar de Eduardo Campos na chapa liderada pelo PSB, interlocutores do comitê da candidatura petista e do Palácio do Planalto preveem dificuldades no tom do discurso que a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) à reeleição adotará contra a ex-senadora.

Para manter a linha do "nós contra eles'', que vem sendo usada pela petista desde o início da corrida presidencial, aliados de Dilma ouvidos pela Folha admitem preferir enfrentar Aécio Neves (PSDB) em um eventual 2º turno a encarar uma "zona nebulosa e imprevisível'', como definem o enfrentamento com Marina.

Antes do acidente aéreo que matou Campos na última quarta (13), petistas tentavam circunscrever a disputa entre "esquerda e direita", polarizando com o PSDB e isolando o PSB, terceiro lugar nas pesquisas. Aécio era o segundo colocado, atrás de Dilma.

Leia a notícia na íntegra no site da Folha de S. Paulo.

 no blog de lauro jardim, de veja.com / Eleições 2014

Pesquisa em mãos

Marina: sob os holofotes

Marina: colocada como candidata em pesquisa

Apesar do discurso de que só pensaria na substituição de Eduardo Campos depois do seu enterro, o PSB encomendou uma pesquisa telefônica com 30 000 entrevistas já na quinta-feira passada.

No levantamento que vai balizar a decisão do partido, Dilma Rousseff aparece em primeiro lugar, seguida de Marina Silva um pouco à frente de Aécio Neves – ou empatada, considerando a margem de erro.

Na simulação de segundo turno, Marina ganha de Dilma – mas também em cenário de empate técnico.

Por Lauro Jardim

 

BOLETIM DA EMPIRICUS: 

Afinal, Marina é amiga ou não do mercado?

A impressão a seguir é um resumo do que temos ouvido de investidores, representantes de empresas listadas e gestores de recursos em geral:

Marina é uma incógnita em alguns pontos, mas a percepção inicial do mercado é de que traz uma equipe econômica gabaritada e seus conselheiros estão mais à direita do que a situação. Além disso, teria de aceitar alguns termos do PSB para a efetivação de sua campanha (e vice-versa), o que amenizaria as suas posições mais radicais. Também agrada o fato de ela ter defendido o tripé econômico em evento junto a representantes do mercado de capitais.

 

OPINIÃO DE REINALDO AZEVEDO, DE VEJA.COM:

Marina Silva, a viúva enlutada e indevida do Brasil

Marina chega neste sábado à cada da família Campos: chegou de preto, como viúva

Marina chega neste sábado à casa da família Campos: de preto, como viúva

Marina Silva já é a candidata do PSB à Presidência. E, como é evidente, existe uma onda a seu favor, ainda que nascida da tragédia. De resto, não dá para ignorar: os deuses da floresta a premiaram com um impressionante senso de marketing — chega perto de rivalizar com o do próprio Lula. Em alguns aspectos, pode-se dizer que ela leva certa vantagem: é mais, como direi?, “sensível” do que seu antigo chefe e diz coisas bem mais abstratas e incompreensíveis, o que sempre desperta no ouvinte a suspeita de que pode estar enxergando o que ninguém ainda vê. Renata, a mulher de Eduardo Campos, recolheu-se num decoroso silêncio. Marina ficou com o papel de viúva. Li na Folha, de novo, neste domingo, que foi a outra, com uma roupa floral, quem consolou uma Marina vestida de preto neste sábado. Que coisa! A minha origem é ainda mais pobrezinha do que a da ex-senadora, sabem? Meu sensor antidemagogia dispara nessas horas.

Não tenho paciência, desculpem os encantados, com Marina! O reino que me interessa é deste mundo. E o que não é requer a intervenção de um Ser superior à líder da Rede, a quem não reconheço o papel de intercessora. Repudio o seu comportamento e o seu ar de vestal, como se ela fosse feita de um barro diferente daquele que faz os outros políticos. Não é.

Eu não sei, por exemplo, e ninguém sabe, do que ela vive e quem sustenta o aparato — que não é pequeno! — que a acompanha. Há tanto tempo sem legenda, flanando por aí, a questão é pertinente. Fosse outro, o jornalismo investigativo já teria se ocupado de apurar. Como é Marina, não se toca no assunto. Imaginem se algum outro candidato à Presidência da República tivesse um banqueiro — ou uma banqueira… — pra chamar de seu. Ela tem. O que nos outros seria pecado é, em Marina, tratado como virtude.

A líder do tal Rede, já apontei aqui num post de maio de 2011, é a nossa vestal. Logo será carregada numa liteira. Constituiu-se, com o beneplácito de boa parte da imprensa babona, numa figura notavelmente autoritária da política. Como esquecer o seu comportamento durante a votação do Código Florestal? A nossa Entidade da Floresta — que só não faz milagre no Acre — sempre se negou a confrontar suas ideias com as de seus oponentes — preferindo ameaçar a Terra e o país com o apocalipse. Contou, para isso, com o apoio de ONGs fartamente financiadas por dinheiro vindo do exterior e de colunistas que não distinguiam e não distinguem um pé de feijão de erva daninha. Caso se dissesse a alguns deles que “o povo pede alho”, eles o mandariam comer bugalho…

Certa de que a “mídia” amiga seria eficiente em matar o novo Código Florestal, relatado então pelo agora ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Marina se limitou a dizer “não” ao texto. Como o debate avançou, apelou aos universitários. Aí, a até então omissa SBPC resolveu fazer o seu relatório recheado de elogios à agricultura brasileira (que remédio?), mas alertando para o apocalipse que viria se a proposta fosse aprovada. A iniciativa não vingou.

Como sabe ou pode saber o leitor, as vestais romanas, virgens sem mácula, eram encarregadas de manter aceso o fogo sagrado. Gozavam de grande prestígio. Os altos dignitários de Roma lhes confiavam segredos, e elas costumavam ser chamadas para dirimir conflitos e apaziguar dissensões. Excepcionalmente, podiam abandonar seu templo e desfilar pela cidade em sinal de protesto se considerassem que uma grave ameaça pesava sobre o Estado romano.

Foi o que fez Marina naquele 2011. As ONGs resolveram carregar a nossa vestal até o Palácio do Planalto para um encontro com o então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Ela reivindicava no tapetão o que não conseguira no debate político: o adiamento da votação do relatório. Aldo havia debatido o seu texto país afora. Marina preferiu fazer a cabeça dos ditos “formadores de opinião”. A democracia brasileira tem uma instância chamada Congresso. Ela preferiu os carregadores de liteira das ONGs ao Parlamento. É parte do que chama “nova política”. Não me serve.

O problema é que Marina, eu já escrevi umas 800 vezes, é a outra personagem inimputável da política brasileira. Só perde para Lula. Ambos são beneficiados pelo preconceito de origem às avessas. Como vieram “do povo”, não se questionam seus propósitos. Seriam depositários de uma espécie de verdade ancestral. Note-se, a título de ilustração, que, quando ela deixou o governo, falou-se de seu conflito com Dilma, não com Lula…

A ex-senadora tem um método: se perde o debate nas instâncias consagradas para decidir um embate, apela, então, à galera. Fez isso no PV, onde aonde chegou, de mala e cuia, para ser candidata em 2010, conhecendo as regras. Disputou a eleição deixando claro, sempre!, que era maior do que o partido. Terminada a peleja, deu início ao esforço para depor a direção da legenda. Como foi derrotada nas instâncias internas — cujas regras ela prometeu acatar quando se filiou —, foi para o debate público, certa de que não precisaria ter razão para conquistar adesões. Não tinha e as conquistou. A direção do PV foi tratada como vilã, mas ela não conseguiu o que queria. Caiu fora. Começou, então, a criar a Rede.

Quer o quê?
O cerne da postulação de Eduardo Campos, convenham, era um tanto confuso. O então candidato insistia na tese de que nada havia de errado no lulismo e que Dilma é que havia se distanciado do bom caminho. Como acertava em alguns diagnósticos parciais que fazia, sua candidatura foi bem recebida. Se não dava para entender o conjunto, havia partes que faziam sentido.

E Marina Silva? Por quanto tempo mais não se vai perguntar, afinal de contas, o que pretende para o Brasil a viúva enlutada e indevida?

Por Reinaldo Azevedo

 

Providência divina

Quando alguém deveria estar em um local de acidente, mas por algum acaso qualquer se livra dele, a sensação de ser um predestinado e ter sido agraciado com uma mão divina salvadora é grande. Podemos pensar em alguém que estaria no lugar em que um terremoto destroçou a vida de centenas de pessoas, mas teve de voltar antes para casa por um motivo qualquer. Ou alguém que ia pegar um voo, mas na última hora teve outro compromisso, ou se atrasou no engarrafamento e perdeu o voo.

Ainda que compreensiva a sensação de que, por um motivo muito especial e divino, a pessoa sobreviveu ao que deveria ter sido seu destino trágico, tal postura de creditar a Deus o desejo pessoal de salvá-la sempre me pareceu um tanto cruel. Com os outros, que não tiveram a mesma sorte. Quer dizer, então, que era o desígnio divino acabar com aquelas vidas, pois não tinham mais “chamado” algum para realizar por aqui?

Falo, claro, do tom um tanto messiânico que Marina Silva adotou, ainda muito abalada pela perda do companheiro de chapa:

Durante o voo, com duração aproximada de três horas, Marina leu o salmo 23 da bíblia — que traz os dizeres “o Senhor é meu pastor, e nada me faltará” — e foi lacônica ao ser questionada sobre os rumos que serão tomados pelo PSB após a morte de Campos:

— Tenho senso de responsabilidade e compromisso com o que a perda de Eduardo nos impõe — disse, sem dar espaço para tratar das discussões com os socialistas.

Marina também comentou sobre o seu sentimento em relação ao acidente, e o fato de não ter embarcado naquele voo para seguir para Santos, como estava previsto:’

— Penso que existe uma providência divina em relação a mim, ao Miguel, a Renata e ao Molina — disse ela, segurando forte na mão da repórter, sinalizando que não pretendia mais falar sobre o assunto.

Haveria uma providência divina contra o avanço do jovem e promissor candidato Eduardo Campos, então? Quem atribui à vontade de Deus ter sido salvo por “milagre” está também atribuindo ao desejo do mesmo Deus ter eliminado os demais, que não tiveram a mesma sorte na tragédia.

Muitos acreditam exatamente nisso, e têm todo o direito de fazê-lo. Mas sempre me pareceu algo até insensível para com os que morreram. Prefiro adotar a angustiante, ainda que mais realista noção de que “shit happens”, ou seja, o acaso existe.

No mais, como escreveu Merval Pereira hoje, o motivo de Marina não ter entrado naquele avião foi bem mais comezinho:

Marina já deu o seu tom, ao afirmar que foi a “providência divina” que a tirou do avião, e que tem “compromisso com a perda que Eduardo nos impõe”. Na verdade, a razão de não estar no avião fatídico é bem mais prosaica e humana: ela não queria encontrar o deputado Márcio França (PSB), candidato a vice do governador tucano Geraldo Alckmin (coligação a que ela se opunha em SP) e que esperava o grupo em Santos.

Mas sem dúvida esse ar místico que envolve a ex-senadora dará à campanha o tom de escolhida pelo destino para presidir o país. Se se confirmarem as informações preliminares, Marina ganha força política para comandar uma campanha que será em tudo diferente da de 2010. Ela terá a apoiá-la partido mais bem estruturado do que era o PV, mas em compensação não terá unidade partidária no comando da campanha.

Marina já adotava uma postura um tanto messiânica, de salvadora da Pátria, de quem conversa diretamente com Deus e segue seu “chamado” para mudar o país. Agora, estará mais convencida ainda de que tudo ocorreu exatamente como tinha de ocorrer, para que ela, boicotada pelo governo Dilma e o PT para não ter como disputar as eleições, o faça em condições especiais, com estrutura partidária maior, mais tempo de TV e a forte comoção popular que a trágica morte de Eduardo Campos causou.

Mas deixemos Deus fora disso. O estado é laico, e na democracia o que vale é a vontade dos eleitores mesmo. Crer em providência divina para colocar Marina como nossa presidente é um equívoco enorme. Afinal, se Deus fosse de fato brasileiro e estivesse tão interessado em nossas eleições, o PT jamais teria permanecido no poder por 12 longos e penosos anos!

Rodrigo Constantino

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Fonte:
Estadão + Folha + Veja

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