Na FOLHA: Ex-diretor da Petrobras entrega políticos em delação premiada

Publicado em 05/09/2014 20:09 1434 exibições
Na Folha de S. Paulo e veja.com

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa deu o nome de 12 senadores, 49 deputados federais e um governador na parte de sua delação premiada que trata de políticos, segundo a Folha apurou. Os envolvidos seriam de três partidos, ainda de acordo com a apuração da reportagem: PT, PMDB e PP.

Folha não teve acesso ao documento que cita os nomes dos parlamentares.

Costa dizia na cela em que está preso na Polícia Federal em Curitiba (PR) que não teria eleições neste ano se ele revelasse tudo o que sabe.

Os políticos receberiam, segundo Costa, 3% do valor dos contratos da Petrobras na época em que ele era diretor de distribuição da estatal, entre 2004 e 2012.

O depoimento chegou no começo desta semana ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que o ministro Teori Zavascki homologue o acordo.

Delação premiada ou colaboração com a Justiça é a figura jurídica que prevê a redução de pena quando um réu fornece informações que possam esclarecer outros crimes.

  Pedro Ladeira - 10.jun.2014/Folhapress  
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa durante depoimento na CPI da Petrobras no Senado
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa durante depoimento na CPI da Petrobras no Senado

Costa decidiu fazer uma delação premiada no último dia 22, depois que a Polícia Federal fez buscas em empresas de suas filhas, de seus genros e de um amigo dele, todas no Rio de Janeiro. Em uma das empresas, a Polícia Federal encontrou indícios de que Costa tem mais contas no exterior.

Em junho, a Suíça comunicou as autoridades brasileiras de que Costa e seus familiares tinham US$ 23 milhões em contas secretas naquele país. O ex-diretor havia negado à polícia que tinha recursos no exterior.
A existência das contas na Suíça foi o motivo alegado pelo juiz federal Sergio Moro para decretar a prisão de Costa pela segunda vez, em 11 de junho.

Costa também estava em pânico com a perspectiva de ser condenado a mais de 30 anos de prisão.

A delação do ex-diretor da Petrobras é sigilosa e o teor de todos s depoimentos não foi revelado até agora.

Folha revelou que a prioridade dos procuradores da Operação Lava Jato era descobrir como o esquema de desvio na Petrobras alimentava políticos e como as empreiteiras operavam para fazer os recursos chegaram até os parlamentares.

Costa foi responsável pela obra mais cara da Petrobras, a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cujo preço final pode ultrapassar R$ 40 bilhões. Segundo a Polícia Federal, os contratos eram superfaturados e o sobrepreço era repassado pelas empreiteiras ao doleiro Alberto Youssef. O doleiro, por sua vez, cuidaria da distribuição do suborno aos políticos. (Folha de S. Paulo)

NA VEJA, coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

Sábado é o mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório: Paulo Roberto Costa, o delinquente alojado por Lula na diretoria da Petrobras, começou a contar o que sabe

capavejaIndicado pelo deputado mensaleiro José Janene, do PP paranaense, foi por vontade do presidente Lula que o engenheiro Paulo Roberto Costa assumiu, em 2004, a cobiçadíssima diretoria de Abastecimento e Refino da Petrobras. Nos oito anos seguintes, dele dependeu a aprovação de negócios que movimentam cifras formidáveis, como o aluguel de plataformas e navios, a manutenção de gasodutos e a construção de refinarias.

Desenvolto, hábil e ágil, o homem que Lula chamava de Paulinho usou o cargo para tecer uma vasta rede de corrupção que juntou funcionários da estatal, grandes empreiteiros, figurões do Senado e da Câmara, ministros, dirigentes de vários partidos e especialistas em lavagem de dinheiro. Mantido por Dilma Rousseff no alto comando do que se tornou uma usina de maracutaias, o executivo gatuno acumulara uma fortuna de impressionar petroleiro do Texas ao deixar a Petrobras em 2012.

Em março, quando gastava em paz o produto da tunga, ar a Petrobras em 2012, Paulo Roberto Costa foi preso pela Polícia Federal sob a acusação de integrar a quadrilha chefiada pelo doleiro Alberto Yousseff. Nesta semana, depois de fechar um acordo de delação premiada, começou a contar o muito que sabe. Daqui a poucas horas, os leitores de VEJA terão acesso às revelações já em poder da PF e do Ministério Público.

Além de reiterar que sábado é mesmo o dia mais cruel para gente com culpa no cartório, o primeiro lote de patifarias avisa que vem aí um escândalo de dimensões semelhantes às do mensalão.

Petrobras: delação premiada de ex-diretor já conta com mais de 30 parlamentares envolvidos

Deu no EstadãoO ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, citou pelo menos 32 deputados e senadores, um governador e cinco partidos políticos que receberiam 3% de comissão sobre o valor de cada contrato da Petrobrás firmados durante sua gestão na diretoria de Abastecimento da estatal petrolífera.

Desde sexta feira, 29 de agosto, Paulo Roberto está depondo em regime de delação premiada para tentar obter o perdão judicial. Ele é alvo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que desmantelou um grande esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na Petrobrás. São depoimentos diários que se estenderam por toda semana. O número de políticos citados foi mencionado por Paulo Roberto nos primeiros depoimentos, mas pode crescer até o final da delação.

Paulo Roberto relatou a formação de um cartel de empreiteiras dentro da Petrobrás, em quase todas as áreas da estatal. Partidos políticos eram supostos beneficiários de recursos desviados por meio de comissões em contratos arranjados. E exemplificou: “Todo dia tinha político batendo em sua porta”. Num depoimento, ele citou uma conta de um “operador do PMDB” em um banco europeu.

Queremos nomes! Já são mais de 30 parlamentares envolvidos, de 5 partidos diferentes. Todas as grandes empreiteiras do país estariam envolvidas nos esquemas de desvio também. É muita gente graúda, muito tubarão poderoso. O homem é um “arquivo vivo”, uma bomba explodindo. Sua proteção policial tem de ser total, pois sua vida corre perigo.

O que era amplamente suspeitado agora ganha corpo na boca de um importante ex-diretor no epicentro da corrupção na estatal, pois cuidava da área de abastecimento. Transformaram a Petrobras em uma imensa teta a ser ordenhada pelos “amigos do rei”, com vontade.

Estamos falando de uma caixa-preta na maior empresa do país, responsável por algo como 10% do PIB nacional. Quem cuida do “nosso” petróleo? De quem é esse petróleo afinal? Do povo brasileiro é que não é, como fica claro.

O Pastor Everaldo pode ser um liberal convertido às pressas ou até por conveniência, mas justiça seja feita, foi o único que tocou no cerne da questão: só mesmo privatizando a empresa para colocar um fim em tanto abuso.

A Petrobras precisa ser “desratizada” com urgência. É gente demais pendurada em suas tetas, corroendo suas estruturas feito cupins. A empresa já possui uma das maiores dívidas do planeta! Deve ser despolitizada logo. A solução paliativa é tirar o PT do poder, pois o partido não inventou a corrupção, mas a expandiu muito. A solução definitiva é privatizá-la mesmo, para deixá-la longe dos tentáculos pegajosos e vorazes dos oportunistas de plantão.

Rodrigo Constantino

Um acidente com cara de presságio: o palanque ambulante caiu na Bahia

Foto: Margarida Neide/Ag. A Tarde/Folhapress

Foto: Margarida Neide/Ag. A Tarde/Folhapress

ATUALIZADO ÀS 16H40

Licenciado do emprego de camelô de empreiteiro para caprichar no papel de animador de comício, Lula aproveitou a escala em Salvador, nesta quarta-feira, para engordar o monumental acervo de bravatas, bazófias, vigarices e tapeações eleitoreiras. Primeiro, o Exterminador do Plural contou que escolheu Dilma Rousseff, em 2010, porque só o neurônio solitário conseguiria enfrentar a marolinha a que se referiu na Bahia como “uma crise econômica sem precedente na história mundial”. Em seguida, canonizou a sucessora pela consumação de dois milagres: “manter os emprego e estabilizar a inflação”.

“Ninguém está crescendo mais que o Brasil, a não ser quatro países e que pertencem ao G20″”, mentiu o fabricante de postes antes de recomeçar a guerra do eu contra eles.  ”Tudo que eles têm medo é saber que, a Dilma eleita, eles fica dizendo: ‘Dilma vai ser reeleita para ficar mais quatro ano e depois vem um tal de Lula e vai ficar mais quatro?’ Uma coisa eu digo para vocês: em 2018, eu vou estar com 72 anos. Enquanto eu tiver força para brigar por esse país, eu não vou permitir que aqueles que não fizeram nada pelo Brasil em 500 anos voltem”.

Zanzando pelo palco, ocorreu-lhe a má ideia de cumprimentar a turma na fila do gargarejo. Acabou caindo do palanque, como sugere a foto. Ou caindo no palanque, como mostra o vídeo abaixo. Tanto faz. A crescente repulsa ao PT, captada por todas as pesquisas eleitorais, avisa que a queda de Lula foi mais que um acidente. Foi um presságio.

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Folha de S. Paulo + VEJA

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