Na FOLHA: Alérgica, Marina tem dieta restrita devido a doenças do seringal

Publicado em 18/09/2014 06:13 1016 exibições
por NATUZA NERY e MARINA DIAS, da FOLHA DE SÃO PAULO

Marina Silva voltou a passar fome.

A candidata do PSB já não sofre a privação da infância, quando, certo dia, teve de dividir um ovo (e um punhado de farinha e sal) com sete irmãos. O caso foi narrado em seu programa de TV veiculado nesta terça-feira (16) como argumento de que nunca acabará com o Bolsa Família.

A dieta da ex-ministra do Meio Ambiente, sem dúvida, melhorou. Mas está longe do ideal. Nos últimos dois dias, Marina não consegue disfarçar a voz rouca e os sinais de cansaço. Ela perdeu três quilos depois que a morte de Eduardo Campos, em 13 de agosto, levou-a a assumir a cabeça de chapa pelo PSB.

Na última semana, a agenda carregada deixou espaço para apenas uma refeição por dia. Reclamou de fome.

Assessores buscaram a ajuda de uma nutricionista para reforçar sua alimentação. Querem reduzir o ritmo de sua agenda eleitoral. Não se esquecem de uma lancheira com frutas para a candidata.

Mas a presidenciável não tem conseguido sequer repor as calorias que perde no seu acelerado ritmo de campanha. Nesta semana, visitou quatro Estados em dois dias. Uma pessoa, em média, perde 1.200 calorias apenas dormindo. No caso de Marina, nutricionistas estimam um gasto diário total de 2.400.

  Editoria de Arte/Folhapress  

RESTRIÇÕES

A candidata sofre de sérias restrições alimentares resultantes de uma coleção de doenças adquiridas antes dos 16 anos no seringal Bagaço, onde cresceu, a 70 km da capital acriana, Rio Branco.

Lá, teve malária por cinco vezes; leishmaniose, uma, e hepatite, três. Remédios para curar parte da extensa lista de enfermidades geraram outro efeito colateral: contaminação por mercúrio.

Se, no passado, dividiu um ovo com os irmãos, hoje Marina já não pode comer nem clara nem gema.

Não bebe leite nem iogurte. Não come queijo, manteiga, doce de leite ou qualquer outro laticínio. Camarão, frutos do mar, carne de vaca, carne de porco, soja e derivados também estão excluídos de sua dieta. Nem mesmo gergelim é permitido.

O que sobra: peixe de rio, frango, feijão, arroz integral, alface (desde que sem tempero), mandioca, milho (sem ser de lata) e frutas.

Os alimentos só podem ser cozidos com água e sal.

Nada disso é por convicção natureba. Marina foi aprendendo a evitar muitos alimentos por ter graves alergias.

Em um compromisso de campanha, passava com aliados perto de uma barraquinha de venda de camarão quando o cheiro do crustáceo fechou sua glote. A candidata teve de abandonar imediatamente o local.

Essa, aliás, era uma semelhança que ela dividia com Eduardo Campos. Também alérgico, o pernambucano teve uma séria intoxicação após ingerir camarão.

Outra ocasião de campanha e outro mercado deram à candidata a oportunidade para uma "desforra" alimentar. Numa banca que vendia bijus, assessores a abasteceram de uma quantidade que foi devorada em velocidade assustadora.

Feito sem manteiga, o biscoito leva açúcar suficiente para suprir, se consumido em abundância, necessidades calóricas de emergência.

PEGADA HOLÍSTICA

Quando a candidata é convidada para algum almoço ou jantar de trabalho, sua equipe se apressa em enviar um cardápio com recomendações em negrito e letras maiúsculas. No campo destinado à sugestão do que beber, só um item: água morna.

Há mais de um ano, Marina decidiu seguir as orientações de um homeopata. Ou, como definiu um assessor, "um médico holístico com pegada mais naturalista".

Com fortes dores no nervo ciático, ela resolveu deixar de beber água fria ou gelada, por recomendação do médico Mauro Carbonar.

Tradicionalmente empregada pela medicina oriental, a prescrição não é adotada exclusivamente por alternativos. Água morna ajuda a relaxar as cadeias musculares e melhora as articulações.

De lá para cá, ela não sai de casa sem levar uma garrafa térmica.

ROGÉRIO GENTILE

Campanha negativa

por ROGÉRIO GENTILE

A campanha de Dilma começa a enfrentar um dilema. Após 15 dias de intenso bombardeio, a estratégia do medo, que teve o mérito de estancar o que o próprio PT chamava de "furacão Marina", dá sinais de esgotamento.

A candidata do PSB, de fato, parou de crescer nas pesquisas, mas não houve o tal efeito Russomanno. Em 2012, Celso Russomanno era líder na disputa para prefeito de São Paulo com larga vantagem (tinha 35% em meados de setembro contra 21% de Serra e 15% de Haddad). Submetido a duas semanas de ataques, derreteu e nem foi para o segundo turno.

A propaganda massiva de Dilma conseguiu habilmente tirar a reeleição do foco das discussões. Num momento em que a economia patina e um novo escândalo atinge o governo, o país parou de refletir sobre o governo do PT e passou a debater se Marina é a candidata dos banqueiros, se ela pretende acabar com o Bolsa Família e o pré-sal e se o seu destino será semelhante ao de Collor.

O problema para Dilma é que a campanha negativa aparentemente começou a produzir um efeito contrário. Segundo a última pesquisa do Ibope, divulgada terça (16), a tendência de recuperação da presidente foi estancada (está com 36%), e Marina manteve-se no patamar de 30%. Aécio subiu de 15% para 19%

Parar de bater, no entanto, mesmo que o Datafolha confirme na sexta (19) o tal efeito colateral dos ataques, é uma opção bastante arriscada para o PT, já que Marina continua empatada com Dilma na simulação de segundo turno (Marina tem 43% contra 40% de Dilma), sendo que na nova fase da eleição não haverá mais a abissal diferença de tempo de TV entre as candidatas. Marina, hoje quase uma candidata nanica no horário eleitoral, terá os mesmos 10 minutos de exposição de Dilma e, provavelmente, conseguirá sair das cordas.

A impressão que fica, cada vez mais, é a de que Dilma dependerá de uma bala de prata para seguir no Planalto em 2015. Mas ela existe?

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Fonte:
Folha de S. Paulo

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