Marina em Manaus acena novamente ao agronegócio; "vamos gerar empregos verdes"

Publicado em 21/09/2014 21:20 e atualizado em 22/09/2014 07:07 440 exibições
Na Amazônia, Marina diz que questão ambiental 'andou para trás'. Agenda da candidata do PSB tenta compensar a ausência na Cúpula do Clima (em veja.com)

Após desistir de participar da Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), encontro que reunirá grandes chefes de Estado em Nova Iorque na próxima semana, a candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, destinou a agenda deste domingo para visitar Manaus e proferir discursos voltados contra a política da presidente Dilma Rousseff na área ambiental

Mas Marina buscou mostrar-se flexível com o agronegócio, setor que tem conhecida resistência a ela, e afirmou que “há lugar para todos no Brasil”. “É possível crescer nesse setor que é o mais forte da nossa economia gerando empregos verdes e combatendo a degradação ambiental”, disse. Entre as propostas apresentadas, a candidata prometeu o aumento da proporção de energia renovável na matriz energética, a recuperação da vitalidade da produção de biocombustíveis e a implantação das concessões florestais com fins energéticos.

Na floresta – No evento deste domingo, Marina se sentiu “em casa”. A candidata pelo PSB deu início à agenda no Museu da Amazônia, área da floresta que reúne diversas espécies de árvores e exposições de animais da região. A candidata andou por entre as trilhas, ouviu explicações sobre as plantas e participou de ato ao lado de ambientalistas, que lhe entregaram uma série de reivindicações para o setor. Aos expositores, Marina foi apresentada como a “mulher da floresta”.

Em uma adaptação à Lei da Ficha Limpa, que proíbe a eleição de políticos condenados na Justiça, Marina aderiu ao movimento Ficha Verde, do qual também faz parte o candidato ao governo do Amazonas pelo PSB, Marcelo Ramos. “Tem o Ficha Limpa para combater a corrupção e tem o ficha verde para combater a degradação ambiental”, comparou.  

No Amazonas, Marina busca conquistar o eleitor manauara, que ainda tem preferência pela presidente Dilma. Esta foi a primeira – e possivelmente a última – agenda da candidata na região Norte do país desde que assumiu a disputa presidencial.

Para Marina, o governo da petista não deu sequência às conquistas obtidas enquanto ela esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente, como o plano de proteção para a Amazônia, o que levou o país a um retrocesso. Uma das principais defensoras da causa verde, Marina Silva cancelou a ida ao evento da ONU para priorizar seu projeto eleitoral.

"A atual presidente, a medir pelos retrocessos na agenda da conservação e do desenvolvimento sustentável, sinaliza que não acredita que as mudanças climáticas sejam efetivamente um problema real. No seu governo, ela adotou medidas que nos fazem andar para trás. O desmatamento da Amazônia voltou a crescer depois de dez anos de redução, iniciada na minha gestão no ministério", criticou a candidata.

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Marina também afirmou que o governo Dilma se omite em fazer parte do esforço global pela preservação ambiental. Segundo a ex-ministra, Dilma recusou-se a assinar um termo mundial de proteção das florestas. “Vários países, mais de trinta, vão ser signatários dessa declaração. O Brasil é um país mega florestal, não faz sentido o governo brasileiro não dar a sua assinatura e o seu compromisso de que irá preservar as nossas florestas”, afirmou.

Embora tenha criticado a postura da presidente sobre o evento, Marina desistiu de participar da conferência ambiental para dedicar-se à reta final da campanha. Em queda nas pesquisas, a equipe da socialista avaliou que a candidata não poderia abrir mão de três dias para dedicar-se a eventos que não estariam diretamente vinculados à eleição. Questionada pelo site de VEJA se não avaliava que sua presença seria importante para pressionar por mudanças nas políticas ambientais que defende, Marina disse que “não tem função institucional” e pode apresentar suas propostas “de qualquer lugar”.

Dilma trata como 'banal' erro do IBGE com dados da Pnad

Presidente diz que não 'parece' ter havido conspiração na falha em cálculo da desigualdade, mas prefere esperar investigação

Gabriel Castro, de Brasília
A presidente Dilma Rousseff

A presidente Dilma Rousseff (Ueslei Marcelino/Reuters)

A presidente Dilma Rousseff afirmou neste domingo que foi "banal" o erro do IBGE nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). Depois de divulgar que a desigualdade havia tido um ligeiro aumento em 2013, o órgão recuou na sexta-feira e refez os cálculos para concluir que o índice havia melhorado.

"O erro é um erro banal, de fácil detecção. Não tem uma conspiração de alguém que queria... Pelo menos é o que parece", disse ela, em entrevista concedida no Palácio da Alvorada. Dilma garantiu ainda que, com as duas comissões criadas para analisar a falha, o governo vai descobrir a causa do problema. "Eu acredito, em princípio, assim como vários diretores do IBGE, que houve um erro, e passou pela checagem. Agora, ninguém garante isso. Como ninguém garante, tem que investigar".

Segundo a presidente, o governo foi informado sobre os números da Pnad ao mesmo tempo que a imprensa.

Dilma também defendeu o uso do Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência da República, para dar entrevistas de campanha eleitoral. A petista disse que Lula e Fernando Henrique Cardoso também usaram o espaço. Ela comentou a posição do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, que vê uma vantagem indevida na prática."Eu respeito muito a posição do presidente do tribunal. Eu só quero lembrar que todos os meus antecessores usaram o palácio. Até, porque, caso contrário, eu serei uma sem teto. Eu não terei onde dar uma entrevista."

Dilma também afirmou que houve uma "confusão danada" com a interpretação da frase em que comentou o papel da imprensa, na última sexta-feira. Na ocasião, a presidente disse que não é papel da imprensa investigar. Neste domingo, ela afirmou que se referia às investigações oficiais, que só podem ser conduzidas pela polícia e pelo Ministério Público. "Ela (a investigação oficial) tem de fazer a prova. Se ela não fizer a prova, você não consegue condenar ninguém", afirmou.

Em centro nordestino no Rio, Aécio apela a Padre Cícero e alfineta Marina

Tucano afirmou que propostas da adversária são 'incoerentes'. E arriscou-se como repentista, entoando versos em memória ao avô Tancredo

Daniel Haidar, do Rio de Janeiro
Aécio Neves durante campanha no Rio de Janeiro - 21/09/2014

Aécio Neves durante campanha no Rio de Janeiro - 21/09/2014 (Futura Press)

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, visitou neste domingo o Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro, ao lado do cantor Fagner. Além de apelar a Padre Cícero, Aécio arriscou-se como repentista. E não deixou de lado as críticas à adversária Marina Silva, do PSB. O tucano afirmou que as propostas da ex-senadora são “incoerentes”, e que ela “não se preparou” para a disputa.

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Aécio citou a última tentativa do candidato a vice na chapa de Marina, Beto Albuquerque, de tranquilizar o agronegócio como um exemplo dessa contradição. No sábado, Albuquerque discursou a empresários do setor em Campinas. “A candidata não se preparou para essa disputa. Seu programa de governo apresenta um conjunto de incoerências que a todo dia se avolumam. Ontem mesmo o candidato a vice disse que propostas para agronegócio não são para valer”, criticou Aécio.

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O presidenciável tenta mostrar-se otimista com as chances de chegar ao segundo turno. E para tanto se apoia no crescimento registrado nas recentes pesquisas de intenção de voto. Pesquisas internas do PSDB apontam ainda crescimento de quatro pontos porcentuais de Aécio no Estado de São Paulo.

O tucano foi presenteado com uma imagem em madeira de Padre Cícero, a quem pediu: “A bênção Padre Cícero, me ajuda". Ao lado de dois músicos que se apresentavam no local, arriscou os versos: “Hoje eu não vim falar, hoje eu vim cantar, digo que não tenho medo, porque sempre sigo a trilha do meu velho avô Tancredo”.

No passeio, Aécio recebeu a comenda de cidadão nordestino do Estado do Rio de Janeiro. O diretor de cultura da Feira de São Cristóvão, Carlos Botelho, pediu ao candidato atenção para a cultura popular. Aécio respondeu que seu programa de governo prevê multiplicar por quatro o orçamento do Ministério da Cultura. Aos jornalistas, Aécio também lembrou que, se eleito, vai dar “ênfase grande” à desburocratização das pequenas e micro empresas e vai ampliar o limite para que empresas façam a declaração do Imposto de Renda pelo lucro presumido.

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veja.com

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