Mercado de açúcar: UM OLHO NO MERCADO, OUTRO NO REAL

Publicado em 04/10/2014 08:28 206 exibições
por Arnaldo Luis Correa, da Archer Consulting

Depois da entrega de açúcar na expiração do contrato de NY com vencimento para outubro/2014 ocorrida nessa semana, em volume ao redor de 10.000 contratos - muito abaixo do que o mercado antecipara nas semanas que antecederam ao vencimento - o mercado futuro de açúcar em NY fechou nesta sexta-feira basicamente inalterado em relação à semana anterior. 

O mais curioso dessa entrega é que apenas 120.000 toneladas de açúcar tailandês acabaram sendo entregues (uma grande parte do açúcar de baixa qualidade que teria a bolsa como destino fora vendido para China antes do vencimento). O vencimento março de 2015 encerrou o pregão de sexta-feira cotado a 16.44 centavos de dólar por libra-peso. Os demais meses fecharam com ligeira queda em relação à semana anterior.

A volatilidade implícita nas opções de açúcar negociadas na bolsa de NY continua caindo. Com a expectativa de uma economia americana mais forte existe um sentimento generalizado de que as commodities terão uma árdua tarefa de se recuperarem do revés sofrido recentemente e com isso, na cabeça dos participantes do mercado, existe um limite para uma eventual valorização do açúcar. Exemplificando, no último trimestre as commodities se desvalorizaram fortemente. Apenas o café se livrou desse massacre, com alta de 22%. A soja caiu 29.1%, o farelo 28%, milho 21%, trigo 17.5%, óleo de soja 15.6%, petróleo 12.6%, açúcar 10% e por aí vai. Dólar forte não combina com preços altos nas commodities.

O futuro ex-ministro Mantega sinalizou que haverá aumento da gasolina em novembro. Com isso, eleva-se psicologicamente o suporte de preços do açúcar brasileiro para o mercado internacional, apoiando a ideia que devemos ter menos cana disponível para o açúcar no início da próxima safra. Assim, pela arbitragem dos dois produtos, o açúcar precisaria subir mais. Pelo levantamento da Archer Consulting, o preço justo da gasolina na bomba deveria ser de R$ 3,206 por litro, ou seja, temos uma defasagem de aproximadamente 11% em relação ao preço do mercado internacional. O aumento, se houver, não deve ultrapassar 5%.

A produção mundial de açúcar está estagnada há quatro anos. Tomem os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2014/2015 e comparem-os com a média das três safras anteriores. Houve um acréscimo de apenas 500.000 toneladas. Por esse mesmo critério, Tailândia cresceu 450.000 toneladas, México 400.000 toneladas e o resto do mundo 900.000 toneladas. Do outro lado, queda do Brasil em 700.000 toneladas e Rússia 600.000 toneladas. Agora, se a comparação se der somente com a safra 2009/2010 (5 anos atrás), a produção cresceu 22 milhões de toneladas, liderada por Índia 7.3 milhões, Tailândia 4.0 milhões, China 2.2 milhões e o resto do mundo com 5.2 milhões. Na queda, o destaque é a Austrália com 300.000 toneladas.

Com o consumo, os números são diferentes. Ele cresceu 6.8 milhões de toneladas usando o também o critério acima. China e Índia lideram com aumento de 2.1 milhões e 1.9 milhão de toneladas respectivamente. O resto do mundo completa o crescimento.

O resumo da ópera é que os fundamentos são construtivos e não podemos descartar uma melhora acentuada nos preços em centavos de dólar por libra-peso (via valorização do real caso alguém sério e comprometido com o Brasil seja eleito para a Presidência). Na hora de fazer o hedge é imprescindível que se observe o valor em reais por tonelada. Muitas empresas devem olhar com bons olhos fixações de preço que estejam por volta de R$ 950/1.000 por tonelada equivalente FOB. É mais coerente olhar essa relação do que simplesmente olhar os preços em centavos de dólar por libra-peso.

Um usineiro angustiado com a situação política no Brasil e assustado com as perspectivas da economia para 2015, desabafa em tom espirituoso: “Só não jogo tudo pro alto porque depois sou eu mesmo que tenho que catar”. 

O ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa promete devolver R$ 70 milhões que ele afanou dos cofres da empresa, após o acordo da delação premiada. Se ele que é um nanico admite devolver essa quantia vultosa, imagine quanto terá desfalcado o incógnito chefe dessa quadrilha criminosa. Vergonha. O Brasil é um país onde ser honesto é sinônimo de otário.

Neste final de semana os brasileiros vão às urnas para escolher seu candidato à Presidência da República numa das mais concorridas eleições de todos os tempos. No entanto, é preocupante para o cidadão de bem assistir a Dilma, nossa versão tupiniquim daquele boneco de madeira criado por Gepeto, subir nas pesquisas apesar de uma administração completamente desorganizada, sem plano de governo nem a menor vocação para resolver os problemas do país. O PT tem apenas projeto de poder para eternizar sua presença e tentar transformar o Brasil numa versão piorada da Venezuela ou de Cuba, com a criação de conselhos (sovietes) e o controle da mídia (censura). Tomara que o Brasil se livre dessa súcia de farsantes para sempre. Amém.

Um bom final de semana, 
Arnaldo Luiz Corrêa

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Archer Consulting

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