Na VEJA: Votação de Aécio puxará a Bovespa nesta segunda-feira

Publicado em 05/10/2014 22:51 756 exibições
por Geraldo Samor, do blog VEJA MERCADOS

A Bovespa deve abrir em forte alta nesta segunda-feira depois de Aécio Neves ter tido uma votação dramaticamente melhor do que o esperado no primeiro turno.

Vários investidores — incluindo grandes nomes do mercado — haviam jogado a toalha na última semana em face à força que a Presidente Dilma Rousseff mostrava nas pesquisas.Aécio Neves

Vai ser uma segunda-feira de arrependimento para eles — e de ânimo redobrado para os investidores que querem mudanças na economia, principalmente um maior combate à inflação, gastos públicos mais disciplinados, e a retomada de uma agenda de reformas.

“A Bolsa estava precificando a possibilidade de nem haver segundo turno,” diz um gestor do Rio. “Agora as probabilidades do resultado final são outras.”

“Os gestores brasileiros erraram feio a leitura do fenômeno Marina,” disse o gestor de um fundo sediado em Nova York que viaja ao Brasil com frequência.

A mesma reação da Bovespa deve acontecer no câmbio: o real deve avançar contra o dólar nesta segunda, devolvendo parte dos ganhos da semana passada, quando o dólar chegou a 2,50.

Todas as atenções das mesas de operação estarão voltadas para a decisão de Marina Silva de declarar (ou não) apoio a Aécio. Mas as próximas semanas prometem ser voláteis. Depois de uma segunda-feira marcada pela euforia, o mercado deve colocar no preço o “choque de realidade” de que Aécio ainda tem muito trabalho a fazer antes de conseguir a vitória que realmente importa.

Foi um domingo eivado de simbolismo. O eleitor reduziu a estatura do PT nacional e tirou a família Sarney do poder no Maranhão depois de cinco décadas, mas, na matemática do mercado, o dia pode ser resumido assim: apenas sete pontos percentuais separam Arminio Fraga da cadeira de Ministro da Fazenda.

Por Geraldo Samor

Aécio na reta final. E com algo em torno de 34%. Institutos de pesquisa estão surpresos. Acho que o povo não

Pois é… Há uma grande diferença entre a população ter um chilique só para contrariar institutos de pesquisa e estes institutos errarem feio. Foi o que aconteceu. Ora, o povo, que se saiba, não é dotado de nenhuma anomalia só para contrariar pesquisadores, não é? Assim, em vez de os jornalistas saírem por aí a dizer que a população surpreendeu, seria mais correto afirmar que os institutos erraram. E não erram pouco. Foi um erro cavalar.

Com 95% dos votos apurados, o tucano Aécio Neves tem 34,08% dos votos válidos, contra 41,14% da petista Dilma Rousseff. Marina Silva tem 21,19%. Ora, o que disseram ontem Datafolha e Ibope sobre votos válidos? O primeiro instituto previa 44% para Dilma, 24% para Aécio e 22% para Marina. O Ibope dava 27% para o senador mineiro, 24% para a candidata do PSB e 46% para a petista.

Querem recuar um pouquinho? No dia 2 de outubro, três dias antes do pleito, o Ibope previa 22% para o tucano, que terá, quase 10 pontos a mais. E antevia 47% dos válidos para Dilma, que vai ter uns cinco ou seis a menos. Atenção! Três dias antes da eleição, o Ibope previa uma diferença entre Dilma e Aécio de 25 pontos. Será em torno de 5 ou seis.

Desculpem! Não venham me falar em mudança de opinião da população de última hora. Isso é erro mesmo! No mínimo! Mais: coisas assim não são irrelevantes, não é? Desanimam a militância, destroem palanques, criam dificuldades para arrecadar recursos. Convenham: Aécio era dos poucos tucanos que acreditavam que poderia chegar ao fim. E chegou! 

Por Reinaldo Azevedo

 

O PT APANHADO DE CALÇAS CURTAS: Lula, Dilma, o PT e mais muita, muita gente terão que engolir Aécio no 2º turno — e não vai ser nada fácil derrotá-lo

(Fotos: Marcos Fialho/Folhapress :: Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress)

Aécio está no segundo turno, nos calcanhares de Dilma, com uma diferença abissalmente inferior à que previam os institutos de pesquisa, os adversários — e alguns aliados (Fotos: Marcos Fialho/Folhapress :: Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress)

Os institutos de pesquisa de intenção de voto estarão, a esta altura, à beira da falência moral.

Onde está a esmagadora vitória de Dilma Rousseff, provavelmente no primeiro turno?

Onde está o massacre a que seria submetido o candidato tucano, Aécio Neves?

Onde está a derrota de Aécio em São Paulo, onde a esta altura em que escrevo ele já livra VINTE PONTOS à frente da presidente no maior colégio eleitoral do país?

Onde está a pose do PT?

Onde está a pose de Lula?

Com sua arrogância de coronel da República Velha, Lula menosprezou há algumas horas o candidato Aécio Neves, dizendo que prefere tê-lo no segundo turno do que ver sua tutelada enfrentar a ex-senadora Marina Silva, candidata do PSB.

Estava implícito na jactância do Deus do lulalato o sonho de que seria uma moleza enfrentar o ex-governador de Minas.

Pois bem, amigos do blog, contra quase tudo, e contra quase todos — inclusive aliados que o abandonaram vergonhosamente no meio do caminho –, Aécio se manteve de cabeça em pé, foi à luta, prosseguiu fazendo uma campanha intensa, subiu de tom para bater na roubalheira e na incompetência existentes dentro do governo e o resultado aí está: faltando 13% de votos para ser apurados em todo o país neste momento, o tucano passou dos 31 milhões de votos (mais da metade acima do que Marina obteve em seu celebradíssimo desempenho no primeiro turno de 2010) e está a apenas CINCO PONTOS PERCENTUAIS de Dilma.

Que vitória no primeiro turno, que nada!

Lula, Dilma e o PT, aliados sem-vergonha que não fizeram seu papel, boa parte da imprensa, jornalistas que se fingem de neutros, blogueiros estatizados e muita, muita gente mais vai ter que engolir Aécio no segundo turno.

Dilma vai ver o que é bom para tosse ao enfrentar um adversário mais competente, mais carismático, mais jovem, melhor orador, que tem diante de si o vasto telhado de vidro do governo lulopetista — e que, enfim, encontrou o tom certo de fazer campanha.

(por Ricardo Setti)

AÉCIO NEVES, ao votar: a mudança exigida pela sociedade passa “essencialmente” pela derrota do PT

Aécio vota acompanhado da mulher, Letícia Weber, e dos candidatos ao Senado, Antonio Anastasia (esq.), e ao governo de Minas, Pimenta da Veiga (Foto: Douglas Magno/AFP)

Aécio vota acompanhado da mulher, Letícia Weber, e dos candidatos ao Senado, Antonio Anastasia (esq.), e ao governo de Minas, Pimenta da Veiga (Foto: Douglas Magno/AFP)

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, votou pouco antes das 11 horas deste domingo no Colégio Estadual Central, em Belo Horizonte, e disse que sua subida nas pesquisas de intenção de voto na reta final da disputa não o coloca como “zebra” ou “azarão” na corrida presidencial.

O tucano, que está numericamente à frente de Marina Silva (PSB), embora ainda na margem de erro, fez uma análise da campanha e prometeu reverter o atual favoritismo da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT). “Vou fazer uma bicicletada no segundo turno”, afirmou o candidato ao arriscar, momentos antes da votação, dar voltas em uma bicicleta elétrica fornecida por um apoiador. “Não sou nem azarão nem zebra. Sou um determinado, um brasileiro que não desiste nunca”, disse.

Aécio votou acompanhado da mulher Letícia Weber e do candidato do PSDB ao governo mineiro Pimenta da Veiga e foi amplamente assediado no caminho até a seção eleitoral.

Posou para fotos e foi recebido com gritos de apoio. Mais cedo, acompanhou a votação do candidato ao Senado, Antonio Anastasia, e do próprio Pimenta.

Após deixar o Colégio Estadual Central, no bairro de Lourdes, na capital mineira, o presidenciável tucano disse que, mesmo quando ainda amargava a terceira colocação, com 15% das intenções de voto, não havia perdido a esperança de chegar ao segundo turno.

Ele destacou que houve uma “reviravolta” no quadro eleitoral com a morte do candidato do PSB Eduardo Campos, em um acidente aéreo, e com a consequente substituição do pessebista pelo nome de Marina Silva.

Na avaliação de Aécio, essa alteração de candidatos, aliada ao cenário de tragédia, pode ter levado o eleitor de grandes colégios eleitorais a ter optado por Marina em um primeiro momento e só ter definido realmente seu voto nos momentos finais das eleições.

“Nunca perdi a confiança na nossa possibilidade de chegar ao segundo turno e não chegamos ainda. Vamos aguardar com muita humildade, registro isso de forma muito enfática. Temos pesquisas e sinalizações, mas o que vale é o que vai ser apurado a partir das 5 horas da tarde”, afirmou.

De acordo com o candidato, a mudança exigida pela sociedade nas manifestações de junho do ano passado passa “essencialmente” pela derrota do PT, mas também pela reversão do quadro de baixo crescimento econômico e controle da inflação.» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

Segunda carta aberta a Marina Silva

Prezada Marina,

Não deu dessa vez. Novamente você ficou naquela marca expressiva de 20% do eleitorado. Entendo que dessa vez, ao contrário de 2010, o gosto de derrota é maior, pois houve, segundo as pesquisas, uma chance relevante de um segundo lugar, para disputar com a presidente no segundo turno. Houve equívocos que você e sua equipe saberão avaliar melhor do que eu.

Escrevi uma primeira carta aberta a senhora, apelando para que fosse candidata, justamente para impedir uma vitória no primeiro turno do PT, o que seria terrível para o país. Esse papel foi cumprido. Escrevo uma nova carta agora, com um apelo diferente: não fique neutra uma vez mais. O Brasil não merece tal postura.

Sua trajetória foi toda no PT, e isso foi inclusive usado pelo candidato tucano para lembrar aos eleitores quem é a verdadeira oposição ao projeto de poder lulopetista. Mas é inegável que sua campanha adotou tons claramente de oposição. Você se apresentou como opção à polarização entre PT e PSDB, só que o verdadeiro alvo foi o governo Dilma, como sabemos.

Em economia, setor fundamental para o país, sua equipe flertou abertamente com o projeto tucano. Eduardo Giannetti da Fonseca e Andre Lara Resende poderiam, ambos, compor o quadro de conselheiros de Aécio Neves. Em entrevista recente, a senhora declarou respeito profundo a Arminio Fraga, futuro ministro da Fazenda em eventual governo Aécio. Suas bandeiras incluíam a autonomia do Banco Central e o respeito ao tripé macroeconômico, o que lhe rendeu inclusive ataques pérfidos do PT.

O que me remete ao principal: como candidata com chances concretas de derrotar o PT, a senhora teve a chance de verificar como seus antigos aliados jogam baixo, sujo, mostram-se dispostos a “fazer o diabo” para se perpetuar no poder. Não há mais como alegar ignorância em relação aos métodos imundos dos petistas.

Aécio lhe atacou sim, mas com argumentos, e com respeito. Fez seu papel de candidato em corrida eleitoral, procurando destacar apenas quem tinha mais preparo, a melhor equipe, o histórico com mais experiência e quem realmente fazia oposição tradicional ao PT. É do jogo, ao contrário do que fez João Santana, o marqueteiro imoral de Dilma.

Portanto, prezada Marina, creio que pesa sobre sua cabeça um dever moral de cidadã brasileira que quer o melhor para o país, para a nossa democracia. Não é possível manter para sempre o discurso neutro contra a polarização. Tal discurso saiu derrotado nas urnas. O povo brasileiro terá que escolher entre PT ou PSDB, eis a realidade que se impõe. E espera de você uma escolha, um lado.

Em países europeus, partidos com viés ambientalista costumam ter poucas chances majoritárias, mas exercem influência com seus votos nos programas de governo. Eis sua função conquistada com seus milhões de votos hoje. Ser uma espécie de “fiel da balança”. Qual dos candidatos tem mais afinidade com um modelo de democracia sólida, com apreço institucional, com viés social-democrata?

Não restam dúvidas de que é o PSDB de Aécio Neves. O PT se mostrou um partido com forte ranço autoritário, intervencionista ao extremo, incompetente e arrogante, que se associa ao que há de pior mundo afora. Um partido que elogia os mais nefastos ditadores do planeta, ou que pede diálogo com terroristas fanáticos que degolam cabeças inocentes.

A magnitude de sua candidatura não lhe permite uma decisão acovardada de avestruz, como se não estivesse em jogo a sobrevivência da nossa própria democracia. Sua obrigação moral, Marina, é tomar partido, é ajudar a guiar seus eleitores na direção daquilo que é claramente o melhor para o país: a alternância de poder, para desaparelhar a máquina estatal, renovar os quadros técnicos, colocar no comando do país gente mais capaz, preparada, com uma visão de mundo mais democrática e aberta.

Faço aqui meu apelo, Marina. Demonstre ao povo brasileiro que está à altura dessa responsabilidade cívica. Tenho esperança de que você não cometerá o mesmo equívoco que cometeu em 2010.

Obrigado,

Rodrigo Constantino

Tags:
Fonte:
veja.com

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, as recentes proibições de comercialização de pesticidas de longa duração para o controle de pragas, como o cupim, está trazendo dor de cabeça no meio político.

    Normalmente os materiais usados nestes casos não são de boas qualidades e, os desvios de verbas (comissões) para a assinatura dos contratos para o fabrico de “postes” apresentou um elevado aumento, devido à elevação na demanda, aumento desordenado do número de unidades “fabricadas”. O tratamento contra cupim foi deixado de lado e, deu no que deu! Alguns postes estragaram antes do uso e, o “poste” fincado no planalto de Brasília já dá sinais de degradação.

    TACA-LHE PAU AÉCIO !

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

    0