Mercado de açúcar: REELEIÇÃO DE DILMA, AVANÇO OU RETROCESSO?

Publicado em 27/10/2014 04:30 181 exibições
por Arnaldo Luis Correa, da Archer Consulting

O mercado de açúcar em NY fechou a semana em queda entre 18 e 27 pontos em função de uma desvalorização mais acentuada do real em relação ao dólar. O vencimento março/2015 encerrou a sexta cotado a 16.38 centavos de dólar por libra-peso. Pouca atividade no mercado físico (umas 200 mil toneladas, entre as quais negócios para outubro com desconto de 110 pontos) em função da paralisia que parece ter tomado a todos por conta dessa enorme polarização política nunca vista na história recente do País. Pelo menos isso trouxe alguma coisa de bom para uma sociedade que majoritariamente só discutia - com essa obstinação - sobre futebol e novela. Hoje há famílias estremecidas e amizades sendo cortadas por causa de preferências políticas.

O valor negociado no FOB coloca o açúcar equivalente a aproximadamente 860 reais por tonelada. Muito apertado para as usinas e ainda um pouco melhor do que o hidratado.

Os números divulgados pela UNICA sobre a moagem acumulada até a primeira quinzena de outubro apontam um total de 480.8 milhões de toneladas de cana moída. Nas últimas seis safras do Centro-Sul, a primeira quinzena de outubro representou ao final de cada safra, entre 75% e 88% do volume total. Tirando os extremos, temos 80%, o que colocaria esta safra em 600 milhões de toneladas. De jeito nenhum!! O consenso parece girar em torno de 550-560 milhões de toneladas com a percepção de que vamos ter várias usinas encerrando a moagem mais cedo do que se esperava. Vai ser uma safra atípica. E para o ano que vem? Alguns números começam a pipocar aqui e ali. De 550 a 570 milhões de toneladas.

O Brasil escolheu neste domingo Dilma Roussef por estreita margem para continuar governando o País pelos próximos 4 anos. A eleição chega ao seu final com uma denúncia grave publicada pela revista Veja que chegou às bancas nesta sexta-feira, por parte do doleiro Alberto Yussef, que está preso na Policia Federal em Curitiba, e declara no seu processo de delação premiada no esquema de corrupção que envolveu a Petrobrás, que tanto Dilma quanto Lula sabiam de tudo. É muito cedo para arrazoar sobre onde isso vai desaguar. O fato é que 2015 será um ano politicamente tumultuado após as eleições mais apertadas da história da jovem democracia brasileira.  Uma eventual comprovação das acusações poderá detonar um explosivo processo de impeachment da candidata  reeleita. Vamos sentir saudades de 2014.

Os efeitos da reeleição de Dilma para o setor ainda são uma incógnita, mas é de bom tom que se tenha pouco entusiasmo com o que ela poderá apresentar num segundo mandato. Quem não fez nada em quatro anos, certamente fará nada nos próximos. O que é mais preocupante é a apreensão que o mercado internacional pode ter com mais quatro anos de governo petista. Dilma, em um dos seus discursos sem sentido, disse que para trazer a inflação a 3% teria que aumentar os juros para 15% ao ano. Uma parvoíce sem tamanho mas que afasta eventuais entradas de recursos nesse momento. Ou seja, para um setor que desesperadamente busca dinheiro lá fora para saldar seus compromissos e serviços de uma dívida que ultrapassa os R$ 60 bilhões, a permanência de Dilma é um soco no fígado.

Uma eventual agitação política (se houver impeachment) pode afugentar capital novo e elevar o risco do Brasil. Alguns economistas apostam em dólar acima dos R$ 2,6000 até o final do ano. O mercado internacional do petróleo em baixa, com queda no mês de 12.6% alivia a distorção que havia entre o preço internacional e o preço na bomba, portanto um eventual aumento de preço na gasolina após eleição poderia ser descartado. A menos que o ex-ministro em exercício Guido Mantega resolva distribuir afabilidades para o setor. Um eventual recrudescimento do câmbio nos níveis projetados pelos economistas receosos, pode pressionar o açúcar em NY para abaixo de 15 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos.

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Archer Consulting

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