China retira oficialmente embargo à carne bovina brasileira

Publicado em 16/11/2014 21:59 587 exibições
Acordo foi finalizado durante reuniaõ do G-20 na Austrália (Reuters)

SÃO PAULO (Reuters) - A presidenta Dilma Rousseff e o presidente chinês, Xi Jiping, assinaram protocolo para oficializar a liberação de venda de carne bovina para o mercado chinês, embargada desde 2012 devido a suspeita de registro de mal da vaca louca, ocorrido no Paraná.

O encontro ocorreu durante intervalo da reunião de Cúpula do G20, em Brisbane, na Austrália, na noite de sábado, pelo horário de Brasília, segundo comunicado da Presidência.

Em julho, o ministro da Agricultura, Neri Geller, disse que a China havia suspendido o embargo, após visita do presidente chinês ao Brasil.

Com o acordo bilateral, a expectativa do governo brasileiro é vender de 800 milhões de dólares a 1,2 bilhão de dólares de carne para China em 2015.

No encontro, foram tratados ainda avanços das relações entre os dois países no setor aéreo, como a venda de aeronaves da Embraer para a China.

O último encontro da presidenta Dilma com Xi Jinping ocorreu em julho, no Brasil, durante a realização da VI Cúpula do Brics em Fortaleza (CE).

Na sexta, Neri Gueller já anunciava o acordo das carnes direto de Pequim

O atual ministro da Agricultura, Neri Geller, que está em missão diplomática na China, após passar pela Arábia Saudita em uma negociação para derrubar o embargo à carne bovina brasileira, informava que o objetivo da viagem era abrir mercados para a proteína animal, assim como para o milho. Geller deixa claro que a intenção é trazer novas possibilidades para a produção excedente do centro-oeste, assim como a valorização da produção brasileira.

O acordo com a Arábia Saudita já está consolidado e em breve receberá carne de origem brasileira, aguardando apenas a resolução de trâmites legais para tornar a decisão oficial. Na China a situação também está prestes a acontecer (oficializado como o anuncio da Australia) em que o Brasil deixaria realizar embarques por Hong Kong, passando vender carne diretamente para Pequim. Segundo o ministro, a venda por Hong Kong eleva de 25% a 30% os custos de produção aos produtores brasileiros.

A expectativa é de que a partir de janeiro já haja embarque de cerca de US$ 300 a US$ 400 milhões em carne bovina com destino ao mercado chinês. O que representa um aumento imediato no consumo de grãos na ordem entre 1,5 milhões de toneladas a 1,8 milhões de toneladas. Para o ministro, a situação já está consolidada e o momento é de investimentos para o setor de proteína animal.

Milho

Em sua visita diplomática à China, o ministro também tenta o acordo para abertura de mercado para o milho brasileiro. O compromisso ainda não foi firmado e deverá se consolidar na próxima reunião que será realizada já no próximo sábado (15). Segundo Geller, a principal intenção deste acordo é trazer uma resolução de curto prazo para o excedente de produção de milho, que beneficiará principalmente o centro-oeste. Caso a decisão seja firmada, o Brasil passará a realizar o embarque não apenas da proteína, levando a produção de grãos brasileira a novas possibilidades.

Ministério

Geller também comentou sobre a possível saída do Ministério da Agricultura. O ministro se mostrou tranquilo com a situação e disse que não há nada resolvido quanto a esta questão. Em conversas com a presidente Dilma Rousseff deixou claro a agenda de prioridades do mistério. “Pode ser que fique, pode ser que não fique”, conclui o atual ministro. 

 

G20 compromete-se com crescimento maior; Rússia fica isolada

Por Lincoln Feast e Alexei Anishchuk

BRISBANE Austrália (Reuters) - Líderes do G20, grupo formado pelas principais economias do mundo, concordaram neste sábado em impulsionar o crescimento global, enfrentar as mudanças climáticas e reprimir a evasão fiscal, mas os laços entre o Ocidente e a Rússia atingiram uma nova baixa com a crise na Ucrânia.

O presidente russo, Vladimir Putin, deixou a reunião do G20 em Brisbane mais cedo, uma vez que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acusou a Rússia de invadir a Ucrânia e o Reino Unido alertou sobre um possível "conflito congelado" na Europa.

Várias nações ocidentais alertaram a Rússia sobre mais sanções se ela não retirar tropas e armas da Ucrânia.

"Eu acho que o presidente Putin pode ver que ele está em uma encruzilhada", disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron. "Se ele continuar a desestabilizar a Ucrânia haverá mais sanções, mais medidas".

Obama disse que o isolamento da Rússia era inevitável.

"Nós preferiríamos uma Rússia totalmente integrada com a economia global", disse em uma entrevista coletiva.

Antes de deixar a reunião do G20, Putin disse que uma solução para a crise da Ucrânia era possível, mas não elaborou.

"Hoja a situação (na Ucrânia), na minha visão, tem boas chances de resolução, não importa o quão estranho isso possa soar", disse Putin. Ele pulou um almoço de trabalho na reunião para sair mais cedo, citando o longo voo para a casa e a necessidade de descansar.

A Rússia negou qualquer envolvimento no conflito na Ucrânia que matou mais de 4 mil pessoas este ano.

Segurança e mudanças climáticas ofuscaram as conversas do G20 para impulsionar o crescimento econômico global na reunião, embora os líderes tenham assinado um pacote de medidas para adicionar 2,1 pontos percentuais extras para o crescimento global em cinco anos. (Reportagem adicional de Jane Wardell, Ian Chua, Matt Spetalnick e Matt Siegel em Brisbane).

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Reuters

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