Exportações do Agronegócio perdem fôlego

Publicado em 19/11/2014 14:36 108 exibições

Cepea, 19 – Desta vez, a notícia que vem do agronegócio não é boa: o faturamento das exportações deste competitivo setor da economia brasileira deve se retrair em 2014. Índices calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostram que os volumes embarcados estão menores e que os preços devem se manter estáveis ou também apresentarem redução comparativamente a 2013. As informações dos últimos doze meses já mostram que a perda de divisas chegou a quase a 4,3% do faturamento do setor. Na parcial deste ano, o maior peso para o resultado negativo vem do setor sucroalcooleiro, que apresenta queda tanto em volume exportado quanto dos preços recebidos pelos exportadores na comparação com o mesmo período de 2013. Na mesma condição estão o milho e o suco de laranja. 

Conforme pesquisadores do Cepea, essa queda nas vendas externas do setor ocorre pela primeira vez desde o ápice da crise financeira mundial, que afetou o resultado de 2008. “No entanto, naquele momento, apenas o volume cedeu; os preços se mantiveram em alta, cenário diferente do que corre em 2014, quando os dois componentes do faturamento externo (preço e volume) recuam”, contextualiza Geraldo Barros, professor da Esalq/USP e coordenador do Cepea. 

Com tais resultados, a equipe Cepea alerta que o faturamento do agronegócio em 2014 deve ficar um pouco abaixo do recorde obtido em 2013, ainda que não haja expectativas de quedas expressivas de preços até o fim de 2014. O professor Geraldo Barros explica que a safra nos principais países produtores encontra-se definida para este ano e que a demanda por alimentos deve continuar firme, puxada principalmente pela China.

NÚMEROS – Os índices de exportação do Cepea, da Esalq/USP, captaram a queda de quase 15% do volume embarcado e de 7,15% da receita (em dólares) em setembro comparativamente a setembro do ano passado. Quando a análise é feita abrangendo os nove meses do ano e também os últimos 12 meses, comparativamente a igual período anterior, se repetem os resultados negativos em volume e faturamento. 

De janeiro a setembro de 2014, exportadores receberam US$ 77 bilhões, o que significa 2,5% a menos que no mesmo período de 2013; a redução do volume neste comparativo foi de 5,5%. No acumulado dos últimos 12 meses, o faturamento de US$ 99 bilhões indica retração de 4,3% frente aos 12 meses anteriores, com queda de 4,6% da quantidade. 

Pesquisdores do Cepea informam que, embora no agregado o cenário tenha sido de queda das exportações agro, alguns produtos mantiveram crescimento de volume embarcado, no comparativo dos primeiros nove meses de 2014 com igual período de 2013, como café, madeira, soja em grão, carne bovina, farelo de soja, carnes de aves, óleo de soja e celulose. Em termos de preços externos (em dólares), as carnes bovina e suína, o farelo de soja, as frutas e o etanol apresentaram aumento. No entanto, o fator determinante para a elevação da atratividade – preço em dólares vezes taxa de câmbio (R$/US$) – da exportação desses produtos foi a desvalorização da moeda nacional, concentrada entre julho e setembro de 2013. Para o suco de laranja, soja em grão, carne de aves, madeira, açúcar, óleo de soja e milho, no entanto, o câmbio não foi suficiente para manter a atratividade das exportações, ou seja, os preços em Real ficaram menores que os da média de jan-set/2013.  

Os dados do Cepea mostram que, desde o ano 2000, o agronegócio brasileiro tem aumentado sua participação no mercado internacional de alimentos, puxado pelo crescimento contínuo do volume exportado, da ordem de 230% na comparação das médias do ano 2000 e dos nove primeiros meses de 2014. Os preços externos também apresentam tendência de alta desde o início da série (ano 2000), com leve reversão desse movimento durante a crise de 2008 e também mais recentemente, a partir de 2011. 

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Cepea

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1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    A euforia do aumento de venda de carnes para a China deve ser analisada com critérios. A principio as exportações para aquele país apenas deixarão de ser feitas através dos intermediários como Hong Kong em represália, todavia convém precaver-se. Vendas à Vista é o recomendado. Lembram-se de uns 10 anos atrás quando "devolviam" Navios carregados de soja sob a alegação de grãos contaminados com fungicidas? [Realmente há agricultores que vendem ao comércio as sobras de sementes. Aquele tratamento realizado pelo produtor das sementes, não tem nenhum inconveniente para o consumo, aliás um dos produtos utilizados é até o principio ativo de vermífugos aqui no Brasil mas serviu de pretexto para ameaçar a devolução, que nao foi concretizada porque os brasileiros deram um desconto de 60% no preço...] Eles tem 5 mil anos de experiência em comércio!

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