Manejo integrado de pragas é tema de novo vídeo do SENAR

Publicado em 09/12/2014 10:41 761 exibições
Material produzido em parceria com a Embrapa ensina produtores a controlar a presença de pragas nas lavouras

Segundo a Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA), além das pragas que já atacam as lavouras brasileiras, existem aproximadamente 150 tipos exóticos que não ocorrem no Brasil, sendo que 10 delas têm grandes chances de se instalar nas plantações do País a qualquer momento, como Pulgão da soja, Mosca branca raça Q e Necrose letal do milho.

Para mostrar ao produtor rural o que pode ser feito para manejar a população de pragas e garantir uma lavoura sustentável e produtiva, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural e a Embrapa prepararam um vídeo técnico sobre Manejo Integrado de Pragas (MIP). O primeiro vídeo produzido pelo SENAR, e lançado no ano passado, teve como tema a Helicoverpa armigera, uma espécie de lagarta altamente destrutiva que pode atacar mais de 180 espécies de plantas e causou perdas bilionárias no território brasileiro, além de aumentar o custo de produção em até 20% nas lavouras de grãos.

Nesta última safra, novamente o setor se deparou com perdas na produtividade e aumento de custos, devido ao ataque de pragas de importância econômica como é o caso da Mosca branca e da lagarta Falsa medideira, ressalta o secretário-executivo do SENAR, Daniel Carrara. Diante desse contexto, complementa Carrara, o MIP integra diversas táticas de controle com o intuito de reduzir custos para o produtor e melhorar a eficiência do sistema produtivo, além de oferecer segurança alimentar através da garantia de prosperidade na safra.

“O aparecimento relâmpago e a evolução das pragas nas lavouras exige uma evolução na estratégia e na forma de manejo. Por isso, mais uma vez, o SENAR traz orientações e informações que auxiliam produtores e técnicos como colocar em prática alternativas para controlar o aparecimento de pragas nas áreas produtivas. Este também é o trabalho do SENAR: contribuir de forma direta para a resolução dos desafios do setor agropecuário”, declara Daniel Carrara.

O vídeo – que tem aproximadamente 16 minutos de duração – mostra que combater essas pragas e impedir que causem grandes prejuízos é possível sem utilizar somente novos defensivos agrícolas ou tecnologias de ponta. O mais importante para a defesa das lavouras, apontam os especialistas, é o manejo correto. O material chama a atenção para o fenômeno conhecido como resistência biótica, ou seja, a importância de um meio ambiente sadio que ofereça resistência ao surgimento e proliferação de organismos que causem o desequilíbrio populacional das espécies.

“No Brasil, nós já tivemos exemplos de impactos grandes na agricultura pela entrada de novas pragas como, por exemplo, o Bicudo do algodoeiro, a Mosca branca, a Ferrugem da soja e a Helicoverpa armigera. O Brasil reconhece 600 pragas como quarentenárias, isto é, são aquelas pragas que já foram estudadas e que a entrada delas causará um impacto muito grande. Dessas 600, nós temos 150 pragas nos países da América do Sul. Isso significa que as ameaças fitossanitárias estão cada vez mais eminentes”, alerta Marcelo Lopes da Silva, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

Cuidados permanentes
Para interromper o ciclo nocivo, o vídeo ensina que é preciso introduzir uma nova rotina na lida diária e seguir passo a passo o MIP. A base da ferramenta está nas informações sobre a biologia e a ecologia da praga, no monitoramento, no controle e nas condições do ambiente (agroecossistema). Os pilares do MIP são os tipos de controle que podem ser utilizados: cultural, biológico, comportamental, genético, varietal e químico. O vídeo também alerta para a necessidade da observação detalhada e diária das plantações, requisito básico para se aplicar o MIP, até mesmo antes do plantio. A correta identificação das espécies é igualmente fundamental, assim como observar a presença dos inimigos naturais das pragas, para isso são ensinadas formas de fazer a amostragem com a captura de insetos com armadilhas.

“Quando falamos em monitoramento estamos nos referindo a necessidade de fazermos amostragens frequentes dessas populações para sabermos se é chegado o momento em que essa população está causando prejuízo ou não. Quando ela está causando prejuízo, ela passa a ser considerada praga e aí a necessidade de se fazer controle e existem vários métodos”, ressalta o pesquisador da Embrapa Algodão, José Ednilson Miranda.

O objetivo da técnica, informa o material, não é eliminar as pragas, mas reduzir a sua população para abaixo do nível de controle. O conjunto de práticas do MIP, associado à manutenção dos inimigos naturais das pragas na plantação, favorece a volta do equilíbrio natural, que aumenta a resistência biótica e evita que novas pragas se estabeleçam. Outra recomendação é que o MIP deve ser um manejo territorial e agir como se todas as áreas de produção de uma determinada região fossem uma única propriedade rural. Somente com essa visão e estratégia será possível o controle das pragas que atacam e destroem as lavouras brasileiras.

“O MIP é uma ferramenta muito importante no processo de produção da nossa propriedade, pois através dele a gente consegue monitorar as populações de insetos existentes em cada cultura. A gente utiliza essa ferramenta para todas as culturas que a gente cultiva na nossa propriedade”, revela o produtor rural Carlos Alberto Moresco, no vídeo.

Assista ao vídeo:

https://www.senar.org.br/noticias/videos/manejo-integrado-de-pragas-mip

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Fonte:
Senar Brasil

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