China x EUA: Após eleições americanas, cenário ainda favorece soja do Brasil

Publicado em 07/11/2018 13:10 e atualizado em 07/11/2018 13:41
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O que o resultado das eleições de meio mandato muda para o agronegócio norte-americano? Até este momento, nada, segundo explicam os especialistas. Apesar de os democratas terem vencido na Câmara, no Senado os republicanos conseguiram a maior parte das cadeiras - o resultado foi 51 x 45 - e mantém o presidente ainda bem representado e com forte poder. 

Eleições EUA 2018 - Câmara

Gráfico mostra resultado das eleições para a Câmara nos EUA - Fonte: Bloomberg

Eleições EUA 2018 - Senado

Gráfico mostra resultado das eleições para o Senado nos EUA - Fonte: Bloomberg


"Apesar de algumas anomalias, fica muito claro que o presidente manteve seu formidável domínio no país agrícola, e que a nação está mais profundamente dividida ao longo da divisão urbano-rural do que nunca", escreveu Brian Barth no portal Agriculture.com.

Em sua conta no Twitter, Trump disse: "Tremendo sucesso nesta noite. Obrigado por tudo". Mais tarde, por volta de 14h30 (horário de Brasília), ele fará seu primeiro pronunciamento sobre estas eleições e o mercado já especula sobre sua reação. 

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Entre os governos estaduais, a maioria definida também foi pelos republicanos, 25 contra 22 de democratas. A mair parte dos estados do Corn Belt elegeram governadores do partido Republicano, com exceção de Illinois, Wisconsin, Minnesota e Kansas. 

Eleições EUA 2018 - Governadores

Gráfico mostra resultado das eleições para os Governos de Estado nos EUA - Fonte: Bloomberg

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Para a agricultura, portanto, as mudanças são limitadas e o foco se mantém sobre a guerra comercial entre China e Estados Unidos. "As novas eleições não irão tirar o poder de Trump em aprovar ou cortar qualquer acordo econômico com a China. O poder da caneta de Donald continua sendo temido pelos agricultores norte-americanos", explica o analista de mercado da ARC Mercosul, Matheus Pereira.

Assim, se mantém aberta a questão de um acordo entre os dois países e mantido o sentimento de que o Brasil se manterá como principal fornecedor de soja para a China. Entretanto, os olhos do mercado e de seus participantes se voltam agora para o encontro do G20 que acontece na Argentina no final do mês. 

Lá, Trump e Xi Jingping voltam a se encontrar para uma nova rodada de conversas e um dos principais itens da pauta é a disputa comercial. 

"A incerteza sobre como as eleições podem afetar a guerra comercial com a China deverá ser tópico de muita conversa ainda até o final do mês, quando acontece a reunião do G20", diz o analista sênior de mercado do portal internacional Farm Futures, Bryce Knorr. 

Produtores americanos e Donald Trump

Um estudo feito pela Purdue University e o CME Group mostra que, apesar da intensa disputa comercial que feriu o agronegócio norte-americano, mostra um certo otimismo entre os produtores rurais dos EUA. 

De acordo com a pesquisa, esse otimismo parte de uma melhor expectativa sobre o acordo com a China e também sobre as cultura do milho e e do trigo no ano que vem. "O acordo feito recentemente com o México e o Canadá, anunciado no começo de outubro, traz pelo menos um alívio em relação às preocupações dos produtores com seu lucro", mostra a pesquisa. 

Dessa forma, as expectativas já indicam que em 2019, nesse ambiente, os produtores americanos deverão cultivar menos hectares de soja, ampliando sua área destinada aos demais grãos. Dois terços dos agricultores pesquisados planejam reduzir seu espaço destinado à oleaginosa em mais de 10%. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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