Pesquisadora brasileira que ajudou no boom de grãos do país vence prêmio mundial
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Por Marcelo Teixeira
NOVA IORQUE (Reuters) - A microbiologista brasileira Mariangela Hungria, cuja pesquisa ajudou agricultores do país a aumentar drasticamente a produção de grãos, recebeu o World Food Prize 2025, um prêmio mundial da área de alimentos, informou nesta terça-feira a fundação sediada em Iowa responsável pela premiação.
Hungria é pesquisadora há mais de 40 anos na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), onde trabalha com sementes e tratamentos de solo que permitem que as plantas obtenham nutrientes por meio de bactérias, um desenvolvimento particularmente importante para as culturas de soja.
Seu trabalho ajudou o Brasil a aumentar a produção de soja de cerca de 15 milhões de toneladas métricas na década de 1980 para mais de 170 milhões de toneladas hoje, tornando o país o maior produtor e exportador mundial da commodity.
"Sempre me interessei em tornar viável o uso de materiais biológicos na agricultura comercial", disse Hungria à Reuters.
O bom crescimento da soja requer muito nitrogênio para a planta, mas utilizar fertilizantes químicos à base de nitrogênio era caro para os agricultores brasileiros e significava que o país ficava muito dependente de fertilizantes importados, disse ela.
Hungria isolou cepas de uma bactéria do solo chamada rizóbio e desenvolveu uma maneira de inoculá-la nas sementes de soja usadas no Brasil. As cepas ajudaram as plantas de soja a extrair mais nitrogênio do solo, impulsionando seu crescimento.
Desde então, a solução se tornou difundida e é usada em mais de 40 milhões de hectares dos cerca de 48 milhões de hectares de plantações de soja do Brasil.
Hungria também desenvolveu outras soluções biológicas, incluindo o uso de cepas da bactéria Azospirillum brasilense para aumentar o tamanho das raízes em culturas como milho, permitindo que as plantas alcancem áreas mais profundas em busca de umidade ou nutrientes.
O uso de produtos biológicos na agricultura cresceu rapidamente nos últimos anos, à medida que os consumidores exigem cada vez mais alimentos produzidos com menos produtos químicos.
A pesquisadora receberá US$500.000 de prêmio. O World Food Prize foi criado por Norman E. Borlaug, um agrônomo norte-americano que desenvolveu soluções para aumentar a produção agrícola.
(Reportagem de Marcelo Teixeira em Nova York)
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