Integração lavoura-pecuária reforça sustentabilidade e descarbonização no arroz gaúcho

Publicado em 27/02/2026 10:01
Debate na Abertura da Colheita do Arroz destaca metas do Plano ABC+ RS, projeto RS14 do Irga e avanço de tecnologias para captura de carbono

A integração lavoura-pecuária em terras baixas foi o tema da última palestra realizada na Arena de Inovação da Abertura da Colheita do Arroz, em Capão do Leão. O debate, intitulado “Integração Lavoura-Pecuária em Terras Baixas: da produtividade à descarbonização”, reuniu representantes do governo, pesquisa e iniciativa privada para discutir políticas públicas, sustentabilidade e estratégias de intensificação produtiva com menor impacto ambiental.

Coordenador do Plano ABC+ RS na Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Jackson Brilhante destacou que a integração lavoura-pecuária é uma política de Estado consolidada. “Estamos na segunda versão do plano, que já tem 16 anos no Brasil e no Rio Grande do Sul. Já passamos por quatro governos, o que demonstra que é uma política de Estado”, afirmou.

Segundo ele, o Plano ABC+RS estabelece meta de expansão de um milhão de hectares com sistemas integrados até 2030. Atualmente, o Estado já soma mais de dois milhões de hectares com integração, posicionando-se entre os líderes nacionais. “O objetivo é reduzir emissões e aumentar eficiência. Produzir mais, gastando menos e com menor impacto ambiental”, resumiu.

A parceria institucional também foi reforçada com a assinatura de acordo de cooperação entre a Seapi e a Rede ILPF durante a Expodireto 2025. Para Andreza Cruz, coordenadora de projetos da Rede ILPF, o propósito é comum entre os elos da cadeia. “Todo mundo tem o mesmo objetivo: tornar a produção mais rentável, mais sustentável e com menor risco”, destacou.

No âmbito da pesquisa, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) apresentou o projeto Sistema Arroz RS14. O pesquisador Cleiton José Ramão explicou que a proposta visa elevar a produtividade da cultura para 14 toneladas por hectare, sem estimular aumento de área, mas promovendo diversificação. “O sistema integrado de produção mexe com toda a cadeia, da pesquisa à extensão rural, para que a informação chegue de forma clara ao produtor”, afirmou.

O projeto envolve manejo de solo, rotação de culturas, integração inverno-verão, uso racional de água e análise de custos, além de estudos de balanço e sequestro de carbono. “É um projeto agronômico, baseado em sistema e não apenas em insumos”, reforçou Ramão.

A Embrapa também destacou a importância do conceito de sistema integrado 365, que amplia o papel do animal na cadeia produtiva. A presença do ruminante, segundo os pesquisadores, contribui para a construção da fertilidade do solo e o aumento dos estoques de carbono. Estudos de longa duração no Uruguai mostram que áreas exclusivamente agrícolas tendem à redução de carbono no solo, enquanto sistemas com pastagens integradas apresentam incremento gradual.

Representando a iniciativa privada, Ricardo de Figueiredo, diretor executivo da NETZero Brasil, anunciou a chegada da empresa ao Rio Grande do Sul em parceria com o governo estadual e o município de São Lourenço do Sul. A proposta envolve a produção de biochar a partir da casca de arroz, promovendo remoção de carbono e geração de créditos de carbono. “Não adianta aplicar bioinsumos e continuar revolvendo o solo. O ambiente precisa estar adequado para a biota se desenvolver”, afirmou.

O biochar poderá ser utilizado em culturas como milho, soja e arroz, com potencial estimado para mais de 700 usinas no país. A iniciativa se insere no contexto de descarbonização do setor e geração de valor ambiental à produção.

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Fonte:
Federarroz

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