Necessidade de Seguro Rural mais eficiente ganha protagonismo no agro diante de perdas causadas pelo clima

Publicado em 08/04/2026 16:42 e atualizado em 08/04/2026 18:01
Debate em Brasília destaca desafios do crédito rural, avanço dos eventos climáticos e necessidade de ampliar a proteção ao produtor.

Logotipo Notícias Agrícolas

Nesta quarta-feira, em Brasília, representantes do setor produtivo, autoridades públicas e instituições financeiras participaram do evento “Diálogo Setorial: Seguros, Crédito e Agronegócio”. O encontro reuniu diferentes elos da cadeia com o objetivo de discutir caminhos para fortalecer o financiamento rural, ampliar o seguro agrícola e reduzir riscos diante da intensificação dos eventos climáticos. A iniciativa buscou alinhar propostas técnicas à realidade do campo, considerando os desafios recentes enfrentados pelos produtores.

O foco central foi a construção de soluções estruturais capazes de garantir maior previsibilidade, sustentabilidade e acesso ao crédito. O debate ocorre em um momento de alerta para o agronegócio brasileiro, marcado pelo aumento da frequência e da intensidade das perdas relacionadas ao clima.

Evento CNSeg (2)

Segundo a CNseg, entre 2022 e 2024 foram registrados 67 eventos climáticos relevantes, com perdas econômicas estimadas em R$ 184 bilhões. Em 2025, com dados até junho, já foram identificados 10 eventos, que somam prejuízos de R$ 31 bilhões. Embora fenômenos associados ao excesso de chuvas — como tempestades, alagamentos e inundações — tenham se tornado mais frequentes, os eventos de seca seguem como os mais impactantes em termos econômicos.

Essas ocorrências atingem diretamente o campo, sobretudo por afetarem grandes áreas ao longo do ano. A região Sul concentrou a maior parte das perdas, enquanto o setor agropecuário foi o mais impactado em todas as regiões. Eventos de seca, geralmente associados à atividade rural, responderam por mais de 50% das perdas no Centro-Oeste, Sul e Nordeste. No Nordeste, a escassez hídrica também gera impactos relevantes ao setor público, ampliando os efeitos negativos sobre a economia regional.

Clima e risco pressionam o seguro rural

A distribuição das perdas por seca evidencia a gravidade do cenário: 66% no Nordeste, 61% no Centro-Oeste, 50% no Sul, 36% no Sudeste e 19% no Norte. O quadro reforça como o risco climático se tornou um fator determinante para a produção agropecuária. Na prática, o produtor rural precisa lidar não apenas com os custos operacionais, mas também com um ambiente de crescente incerteza.

Evento CNSeg (1)

No mercado segurador, os reflexos já são claros. Em 2024, as indenizações totais somaram R$ 60,4 bilhões, sendo cerca de 12% — ou R$ 7,3 bilhões — relacionados a eventos climáticos. No mesmo período, 15% das indenizações foram destinadas ao setor rural. Os números demonstram que o seguro já exerce papel relevante, embora ainda insuficiente diante da magnitude dos riscos.

O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou que o clima segue como o principal fator de incerteza no campo. “Diferentemente de outros países, o Brasil não enfrenta desastres como terremotos ou vulcões, mas o clima continua sendo o principal risco da produção rural”, afirmou.

Propostas buscam ampliar cobertura e reduzir custos

Entre as propostas apresentadas, a CNseg defendeu maior previsibilidade para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, com orçamento crescente e integração ao Plano Safra. A sugestão inclui vincular parte do crédito e dos auxílios públicos à contratação de seguro, fortalecendo a gestão de riscos.

Também foi proposta a ampliação da cobertura para pequenos e médios produtores, com metas progressivas para alcançar mais de 50% desse público. Outro ponto destacado foi a necessidade de modernização do seguro rural, com revisão do público-alvo, aprimoramento do monitoramento de riscos e maior transparência nas operações.

A redução do custo do crédito, por meio do reconhecimento do seguro como fator de mitigação de risco e, consequentemente, de juros, também foi apontada como prioridade. A padronização de produtos entre bancos e seguradoras surge como alternativa para tornar o financiamento mais acessível.

O presidente da Abag, Ingo Ploger, ressaltou a relevância do agronegócio para a economia brasileira e defendeu avanços em modelos mais adequados à realidade tropical. “É necessário avançar em modelos que considerem as especificidades da nossa economia e permitam maior previsibilidade e estabilidade para o setor”, afirmou.

Financiamento diversificado ganha espaço no debate

No painel sobre novos instrumentos de financiamento, especialistas destacaram que o crédito tradicional já não é suficiente para atender à demanda do setor. A ampliação das fontes, incluindo o mercado de capitais e operações privadas, foi apontada como essencial para sustentar o crescimento do agronegócio.

Ferramentas de gestão de risco de preços e proteção contra eventos climáticos também ganharam destaque. O presidente da Acrefi, Tadeu Silva, enfatizou a necessidade de diversificação. “A ausência de seguro adequado aumenta a instabilidade do sistema. Quando o risco não é mitigado, ele apenas se redistribui entre os agentes”, explicou.

Fabiana Perobelli, da B3, reforçou que o avanço do setor depende de tecnologia e ampliação de mercados. “É fundamental expandir o crédito e fortalecer o seguro climático. Para sustentar esse crescimento, é preciso ampliar os instrumentos financeiros e a capacidade de financiamento”, destacou.

Seguro rural ainda enfrenta desafios estruturais

No campo político, o debate abordou entraves como juros elevados, custos logísticos e acesso restrito ao crédito. O deputado e presidente da FPA, Pedro Lupion, chamou atenção para os impactos desses fatores na rentabilidade do produtor. “Precisamos de um seguro compatível com o tamanho da produção agropecuária brasileira”, afirmou.

A senadora Tereza Cristina reforçou o papel estratégico do seguro rural. A ex-ministra destacou que o modelo precisa evoluir junto com os avanços tecnológicos no campo. “O seguro oferece segurança ao produtor e aos financiadores, sendo essencial em uma atividade que funciona como uma indústria a céu aberto”, disse.

Já Glaucio Toyama, da FenSeg, ressaltou que o desenvolvimento do seguro rural depende de ação conjunta. “Esse desafio é coletivo e precisa ser enfrentado por toda a cadeia”, pontuou.

Caminho passa por integração e planejamento

O evento deixou claro que o futuro do agronegócio depende de uma atuação integrada entre crédito, seguro e políticas públicas. A criação de programas regionais, maior participação do setor privado e o desenvolvimento de novos instrumentos financeiros foram apontados como prioridades.

Outro ponto central é a necessidade de previsibilidade orçamentária para o seguro rural. A instabilidade nos recursos tem limitado a expansão da cobertura e reduzido a área segurada nos últimos anos.

Diante de um cenário marcado por mudanças climáticas e aumento de custos, o produtor rural precisa de ferramentas que garantam segurança e continuidade da produção. O debate em Brasília evidenciou consenso sobre a importância do seguro rural, mas também indicou a necessidade de avanços para ampliar o acesso e a eficiência do instrumento em todo o país.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Por:
Michelle jardim
Fonte:
Noticias Agricolas

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

Ao continuar com o cadastro, você concorda com nosso Termo de Privacidade e Consentimento e a Política de Privacidade.

0 comentário