Trump publica imagem de si mesmo com Jesus enquanto críticas do governo ao papa continuam
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Por Helen Coster
NOVA YORK, 15 Abr (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta quarta-feira uma imagem, aparentemente gerada por inteligência artificial, de Jesus abraçando-o, dois dias depois de ter excluído uma publicação que provocou críticas de que o presidente republicano havia se comparado a Jesus.
A imagem, republicada na conta de Trump no Truth Social, mostra Trump de olhos fechados, encostando a testa na de Jesus, que aparece em uma pose semelhante. A postagem original tinha a legenda: "Eu nunca fui um homem muito religioso... mas não parece que, com todos esses monstros satânicos, demoníacos e que sacrificam crianças sendo expostos... Deus pode estar jogando sua carta Trump!".
A repostagem de Trump acrescentou a legenda: "Os lunáticos da esquerda radical podem não gostar disso, mas eu acho que é muito bonito!!!".
Trump chegou a postar, nesta semana, uma imagem que o retratava como uma figura semelhante a Jesus. A publicação provocou críticas generalizadas ao presidente republicano e, posteriormente, ele a excluiu.
Trump, que não frequenta uma igreja regularmente, tem um grande contingente de eleitores cristãos em sua base, inclusive católicos. Ele tem tido desavenças com o papa Leão, o primeiro líder da Igreja Católica nascido nos EUA e um crítico declarado da guerra que começou com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã.
Trump reiterou suas críticas ao líder religioso na noite de terça-feira. Em uma publicação separada no Truth Social, Trump pediu que "alguém, por favor, conte ao papa Leão" sobre os assassinatos de manifestantes pelo Irã e que "o Irã possuir uma bomba nuclear é absolutamente inaceitável".
Na noite de terça-feira, o vice-presidente JD Vance, que se converteu ao catolicismo em 2019, disse que o papa estava errado ao afirmar que os discípulos de Cristo "nunca estão do lado daqueles que antes empunhavam a espada e hoje lançam bombas" e acrescentou que "é muito, muito importante que o papa seja cuidadoso quando fala sobre questões de teologia".
Leão disse em resposta às críticas anteriores de Trump que ele não tinha "nenhum medo" do governo Trump e que continuaria a se manifestar. Em um discurso contundente na segunda-feira em Argel, ele denunciou as potências mundiais "neocoloniais" que, segundo ele, estavam violando o direito internacional, sem apontar países específicos.
RESPOSTA MAIS BRANDA
A resposta online à publicação de Trump nesta quarta-feira foi mais discreta do que a indignação que acompanhou sua publicação anterior sobre Jesus.
No entanto, figuras importantes na área da política e do catolicismo continuaram a se manifestar sobre os desentendimentos do governo com o papa.
Na manhã desta quarta-feira, os Cavaleiros de Colombo, com sede nos EUA, a maior fraternidade masculina católica do mundo, publicaram no X uma declaração de seu cavaleiro supremo, Patrick Kelly, defendendo o papa.
"O papa Leão sempre pediu paz, diálogo e moderação em um mundo marcado pela guerra e pelo sofrimento", diz a declaração. "As palavras do santo padre não são pontos de discussão política -- elas são reflexos do próprio Evangelho."
O presidente republicano da Câmara dos Deputados, Mike Johnson, disse em uma coletiva de imprensa que as críticas ao papa eram esperadas depois que o líder religioso entrou em "águas políticas".
Johnson disse que ficou "um pouco surpreso" com as falas do papa sobre "'aqueles que se envolvem em guerra, que Jesus não ouve suas orações' ou algo assim".
"É uma questão muito bem estabelecida na teologia cristã", disse Johnson. "Há algo chamado doutrina da 'guerra justa'."
Johnson parecia estar se referindo a um discurso proferido pelo papa Leão em 29 de março na Praça de São Pedro, quando o pontífice disse: "(Jesus) não ouve as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita, dizendo: 'Ainda que vocês façam muitas orações, eu não as escutarei: suas mãos estão cheias de sangue'", citando uma passagem bíblica.
(Reportagem de Helen Coster em Nova York; reportagens adicionais de Brad Brooks no Colorado, Monica Naime na Cidade do México, David Morgan em Washington e Christine Soares em Nova York)
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