Exportação de petróleo do Brasil despenca em maio com imposto e maior uso doméstico
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A exportação de petróleo do Brasil em maio está em ritmo que indica que os embarques do país podem cair pela metade em relação ao mês anterior, com um imposto de exportação limitando os volumes, assim como uma maior demanda para produção doméstica de combustíveis, de acordo com dados do governo e avaliações de integrantes do setor à Reuters.
O imposto de exportação foi uma das maneiras encontradas pelo governo do Brasil para lidar com a disparada de preços do petróleo decorrente do conflito no Irã.
Ao reter mais o produto internamente, beneficiando as refinarias locais, a medida impacta os embarques brasileiros em momento de produção recorde da commodity no país, que estava atendendo a demanda adicional de nações como China e Índia, também atingidas pelas interrupções no transporte no Estreito de Ormuz.
Até a terceira semana de maio, a média de embarques de petróleo do Brasil recuou 52%, para 216,7 mil toneladas por dia útil, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o que colocaria o país no caminho para fechar o mês com um total de cerca de 4,5 milhões de toneladas.
Isso se compara com 8,2 milhões de toneladas exportadas em abril e 9,5 milhões de toneladas em maio do ano passado, segundo dados da Secex.
"Todo mundo fugindo do imposto...", disse uma fonte do setor de petróleo, na condição de anonimato, ao ser questionada sobre a queda nos embarques apontada nos dados de exportação do governo.
O Brasil instituiu um imposto de exportação de petróleo de 12% em março, como parte de um pacote para atenuar os efeitos de uma disparada dos preços internacionais do petróleo, impulsionados pelas interrupções na oferta devido à guerra dos EUA e Israel contra o Irã.
O imposto foi implementado temporariamente como forma de se compensar, por meio de maior arrecadação, renúncias fiscais ligadas a combustíveis, para manter os preços sob controle. Além disso, visa estimular a produção de derivados de petróleo no país.
A disparada dos preços do petróleo, que apareceu nos valores de exportação do Brasil em maio, com uma alta de 58% pela média diária até a terceira semana do mês, foi insuficiente para compensar a queda do volume. Em divisas, os embarques brasileiros da commodity somaram US$152 milhões ao dia, baixa de 24%, segundo dados da Secex.
"Com o preço em alta, não precisa ser gênio para imaginar que as empresas estão segurando as exportações", afirmou uma das fontes, comentando sobre o impacto da taxa.
IMPACTO DO CONSUMO
Outra pessoa com conhecimento das operações da Petrobras, principal produtora de combustíveis do Brasil, lembrou que a companhia está com o fator de utilização (FUT) da capacidade de refino próximo de 100%.
"O FUT subiu, mais petróleo sendo processado internamente. Se as refinarias demandam mais, em tese sobra menos para exportar, né?", disse, na condição de anonimato.
Para o analista de inteligência de mercado da StoneX Bruno Cordeiro, grande parte do recuo nas exportações acaba sendo motivado pelo crescimento do consumo doméstico de petróleo, principalmente a partir de março, com a Petrobras buscando garantir o abastecimento de derivados.
"Essa movimentação aconteceu principalmente pelas refinarias da Petrobras... vimos aumento expressivo da produção de diesel e querosene de aviação, que são os produtos em que o Brasil tem maior exposição ao exterior", disse ele, lembrando que o consumo de diesel está aquecido com impulso do agronegócio e da indústria de transformação.
Cordeiro afirmou ainda que "pode ser que os produtores podem estar destinando maior parte do volume para o mercado doméstico, para evitar essa taxação". "No entanto, acho que esse movimento é mais cenário de esforço das refinarias domésticas para garantir o fornecimento... o que acaba resultando em um menor excedente exportável de petróleo bruto."
O Brasil vinha ampliando as exportações de petróleo, na medida em que vem obtendo recordes de produção com novas plataformas em operação nos campos do pré-sal.
A produção de petróleo do Brasil registrou recorde pelo segundo mês consecutivo em março de 2026, ao atingir 4,25 milhões de barris por dia, alta de aproximadamente 17% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da agência reguladora ANP.
Já a exportação de petróleo do Brasil atingiu o segundo maior volume da história em março deste ano, com 10,1 milhões de toneladas, ficando apenas atrás de março de 2023, segundo dados da Secex, antes que os impactos das medidas do governo fossem sentidos.
A queda nos embarques projetada para maio acontece após a Justiça ter suspendido uma liminar, obtida pelas petroleiras Shell, TotalEnergies, Equinor, Petrogal e Repsol Sinopec, que as isentava do imposto de exportação.
A estatal Petrobras não questionou na Justiça a taxa de exportação, com sua presidente-executiva, Magda Chambriard, afirmando que a alta dos preços do petróleo ajuda a mitigar o impacto do imposto.
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