Centro-sul: Agricultura depende de migrante rural. Produtores afirmam falta de mão de obra local

Publicado em 14/06/2010 08:57 1397 exibições
Segundo produtores, não há mão de obra local suficiente; colheita de laranja paga em média R$ 800 por mês. Governos de SP e MG prometem acabar com corte manual de cana até 2017; café emprega 800 mil migrantes
Sem o migrante rural temporário não seria possível a colheita simultânea do café, da laranja e o corte da cana no centro-sul, dizem os produtores, porque não haveria oferta local suficiente.
A colheita do café começou em maio e, segundo estimativa do presidente do Conselho Nacional do Café, Gilson Ximenes, ocupará cerca de 800 mil trabalhadores oriundos de outros Estados. É, de longe, o setor que mais emprega mão de obra rural temporária.

A colheita se estende até setembro. Minas responde por metade da produção nacional, que neste ano deve chegar a 50 milhões de sacas, e atrai não só trabalhadores das áreas pobres do próprio Estado (vales do Jequitinhonha e do Mucuri) e do Nordeste, como do rico Paraná.

A oferta de boias-frias pelo Paraná se explica pelo histórico da atividade cafeeira no Estado, que foi o maior produtor até meados dos anos 70. Após a grande geada de 1975, houve uma política de erradicação de cafezais no Estado; a produção migrou para outros Estados, como Minas e Bahia, mas a tradição se manteve entre os trabalhadores.

Terra Roxa, no oeste paranaense, é um exemplo. Desde 2005, a prefeitura organiza a ida de trabalhadores para o Triângulo Mineiro; paga metade do custo do transporte e o fazendeiro, a outra metade.

Cana
A safra da cana no centro-sul vai de abril a novembro. São Paulo empregará 140 mil pessoas nesta safra. Segundo a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), 56 mil vêm de outros Estados.
É o trabalho rural mais árduo. Os governos de São Paulo e de Minas Gerais prometeram erradicar o corte manual até 2017, o que vai criar um novo desafio para as regiões fornecedoras da mão de obra rural: o desemprego.

Laranja
A colheita da laranja acontece de maio a dezembro e ocupa a mão de obra que não foi absorvida pela cana. São Paulo concentra 80% da produção nacional. Itápolis (a 330 km da capital paulista) é o maior produtor mundial da fruta e recebe cerca de 1.500 trabalhadores de Pernambuco, Piauí e Alagoas.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais local, Avelino Cunha, 70% dos trabalhadores não têm carteira assinada e ganham por produção, o que dá uma remuneração média de R$ 800 por mês. Ainda é forte a atuação de intermediários na contratação.

O presidente da Associtrus (Associação Brasileira dos Citricultores), Flávio Viegas, calcula que 15 mil trabalhadores rurais saem de outros Estados para a colheita.

Segundo ele, o setor passa por redução dos pequenos e médios produtores e concentração em grandes empresas. O número de produtores baixou de 30 mil para 8.000 nos últimos 15 anos.

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Fonte:
Folha de São Paulo

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