Ele e ela, por Renata Lo Prete (Painel)

Publicado em 17/09/2010 06:16
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As horas finais de Erenice Guerra na Casa Civil evidenciaram as resistências que a ministra, elevada ao cargo a pedido da antecessora, Dilma Rousseff, despertava em quadros do governo historicamente próximos ao presidente. Vários lulistas instalados no Planalto colecionaram atritos com Erenice. Agora, nos bastidores, sentem-se à vontade para relatá-los.
Ao longo da jornada eleitoral, a "turma" de Lula tem prevalecido sobre a de Dilma. Depois do afastamento de Fernando Pimentel, o comando da campanha ficou nas mãos de pessoas ligadas ao presidente, ainda que bem relacionadas com a candidata.


A breveRomero Jucá (PMDB-RR), derrubado da Previdência com 122 dias de cargo, foi o único a durar menos do que Erenice no ministério de Lula. Ela caiu após 170 dias na Casa Civil.

Companhia 1 O chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, esteve com o ministro Franklin Martins na casa de Erenice pela manhã, na reunião "preparatória" do pedido de demissão levado mais tarde ao Planalto.

Companhia 2 Quando os dois chegaram à residência oficial, ela estava com o filho Israel, protagonista das denúncias que a derrubaram, e com o marido, José Roberto Camargo Campos.

Deu Além da sucessão de notícias negativas, a paciência de Lula com Erenice foi se esgotando porque ela, no dizer de um auxiliar do presidente, "queria ir pra briga".

Sondagem Gilberto Carvalho chegou a conversar com Miriam Belchior sobre a perspectiva de ela herdar a pasta. Foi a ele que a petista, ex-mulher de Celso Daniel, disse temer se tornar alvo.

Susto José Dirceu, cuja loquacidade preocupa o comando da campanha de Dilma, tinha marcado entrevista coletiva ontem em Foz do Iguaçu (PR). Desmarcou.

Pelados na sauna Os três representantes da EDRB que participaram em, 10 de novembro passado, de reunião na Casa Civil para tratar de negócio intermediado pelo filho de Erenice, afirmam que foram orientados a entrar na sala sem celular ou outro equipamento que pudesse registrar a conversa.

Clementina Quando Aloizio Mercadante disse, no debateFolha/Rede TV! entre os postulantes ao governo de SP, que o eleitor precisa escolher candidatos sérios e não "desperdiçar o voto" para deputado, um petista na plateia reprovou: "Não pode falar mal do Tiririca. Ele vai carregar todo mundo aqui". No PR e coligado ao PT, o palhaço deve ter votação recorde.

Tá vendo? A campanha de Mercadante tenta associar Geraldo Alckmin (PSDB) ao candidato a deputado Ney Santos (PSC), suspeito de ligação com o PCC. Foto do tucano ao lado do candidato ilustra o site do PT.

Trilhos Questionado na rádio CBN sobre as críticas do secretário José Luiz Portella (Transportes Metropolitanos) à falta de investimento no metrô em gestões anteriores, Alckmin não escondeu o desconforto com o aliado.

Conta outra De Aloysio Nunes (PSDB), que concorre a vaga no Senado por São Paulo, sobre o candidato do PSB ao governo estadual: "Se o Paulo Skaf é socialista, eu sou hare krishna".

tiroteio


"A queda da sucessora de Dilma Rousseff demonstra que o verdadeiro Bolsa Família deste governo rolava na Casa Civil."
DO DEPUTADO JOSÉ CARLOS ALELUIA, candidato ao Senado pelo DEM-BA, sobre as revelações que resultaram na carta de demissão de Erenice Guerra.

contraponto

Fora do script

Nos anos 80, quando deputado, Moreira Franco (PMDB-RJ) fez sessão na Câmara em homenagem ao Flamengo. Pelo PDT, falou Agnaldo Timóteo (RJ):
-Hoje eu não vou discursar. Vou só cantar. Cantar o hino maravilhoso do Flamengo: "Ei de torcer, torcer, torcer. Ei de torcer até morrer, morrer, morrer...".
Depois de cantar o hino todo e não receber um único aplauso, Timóteo reclamou com Moreira:
-Gente sem educação. Ninguém aplaude...
-Lógico! Você cantou o hino do América!

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Fonte: Folha de S. Paulo

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