Com real cada vez mais valorizado, estrangeiro espera alta do IOF após eleições

Publicado em 04/10/2010 18:04
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Analistas apontam grande diferença entre os juros do Brasil e dos países desenvolvidos e tendência mundial de enfraquecimento do dólar como motivos da força do real

O real seguirá pressionado até o resultado das eleições no segundo turno, acreditam estrategistas da City londrina. Eles avaliam que o governo não deve adotar medidas mais efetivas para conter a valorização cambial antes de 31 de outubro, data do segundo turno. Após esse prazo, os estrangeiros já se preparam para a possibilidade de alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Os especialistas são unânimes em apontar os motivos para a força recente do real: o grande diferencial de juros entre o Brasil e os países desenvolvidos e a tendência internacional de enfraquecimento do dólar.

Como está cada vez mais claro que o Federal Reserve terá de voltar a imprimir dinheiro para salvar a economia dos Estados Unidos, a divisa norte-americana não encontra forças de sustentação externa. Os investidores se veem atraídos pela rentabilidade oferecida nos mercados emergentes, especialmente o Brasil, que tem registrado desempenho considerado sólido. Basta lembrar que os juros nos EUA seguem perto de zero.

Autoridades do governo brasileiro já se pronunciaram várias vezes sobre a possibilidade de usar novas medidas para conter o câmbio. Os estrategistas estrangeiros, no entanto, descartam qualquer novidade mais efetiva antes do resultado das eleições. "O real vai continuar pressionado porque o mercado percebeu que ficou mais difícil fazer algo agora", disse Henry Stipp, estrategista da administradora de recursos Threadneedle.

Os estrangeiros já estão, inclusive, com o espírito preparado para um aumento do IOF, como sinalizado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em recente visita a Londres. Como existem questionamentos sobre o uso do swap cambial reverso, a medida considerada mais provável é exatamente a alta do imposto sobre capital estrangeiro, atualmente em 2%, avalia Stipp.

Os especialistas consultados pela Agência Estado afirmaram que uma medida desse tipo já está no radar e não será vista como surpresa. "Meirelles foi muito específico sobre o assunto aqui em Londres", lembrou Luis Costa, estrategista do Citigroup.  Não que a ferramenta seja vista com bons olhos no exterior. Investidores usam todas as oportunidades para reclamar e, desde que a cobrança foi definida, há cerca de um ano, o descontentamento é geral. "Se o IOF subir, a reação será negativa, como foi da primeira vez", disse o chefe de estratégia global do HSBC Asset Management, Philip Poole.

Os estrategistas também questionam a eficácia da medida. "O IOF maior não terá muito impacto sobre o câmbio porque o real continuará atrativo e os recursos seguirão fluindo para o Brasil", afirmou Kevin Daly, estrategista da Aberdeen Asset Managers.  Stipp, da Threadneedle, argumenta que o imposto pune exatamente os investidores que melhoram o perfil da dívida pública brasileira, pois os estrangeiros compram os títulos de vencimento mais longo.

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Fonte: O Estado de S. Paulo

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