Serra acusa governo Lula de substituir a produção nacional pelas importações

Publicado em 19/10/2010 21:41
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Serra diz que fará 'mudança ampla' na política econômica

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse nesta terça-feira, 19, no Rio de Janeiro, ao criticar a política cambial do governo, que adotará "uma mudança ampla" na economia caso seja eleito. Serra criticou a política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva, ao ser questionado sobre a questão cambial e o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) determinado pelo Ministério da Fazenda, numa tentativa de conter a queda do dólar frente ao real. 

"O governo atual é o responsável pela política econômica. Eles nos levaram a uma situação em que o consumo de produtos importados, no começo do governo Lula, que era de 12%, chegasse agora a 20%. Isso está substituindo a produção nacional", acusou o candidato, que se mostrou cético quanto às medidas adotadas pela equipe econômica. 

"É interessante ver agora o que o governo vai fazer. É responsabilidade dele. No meu caso, como presidente, a mudança vai ser muito mais ampla, do ponto de vista de política econômica, de equipe, de maneira de encarar a questão da economia e do gasto público", declarou ele, em rápida entrevista dada no Rio ao chegar ao escritório de Fernando Gabeira, do PV, que ontem formalizou o seu apoio ao tucano no segundo turno. 

"Eu não tenho nenhum chefe da Casa Civil que aprontou tudo o que a Erenice aprontou", diz Serra no JN

O candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, negou hoje (19) que tenha havido desvio de dinheiro em sua campanha e acusou o PT de trazer o assunto com o intuito de "nivelar todo mundo". Em entrevista ao "Jornal Nacional", da Rede Globo, o tucano afirmou que saberia e, que teria sido vítima, caso o engenheiro Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, tivesse desviado R$ 4 milhões arrecadados para a campanha do PSDB.

"O fato é que não houve o essencial, que é o desvio de dinheiro da minha campanha, porque eu saberia", afirmou o tucano. "Em todo o caso, nós seríamos a vítima." As denúncias de que o engenheiro teria desviado dinheiro para um suposto caixa 2 da campanha tucana foi publicada em reportagem da revista "IstoÉ". O ex-diretor da Dersa é investigado pela Polícia Federal (PF) na operação Castelo de Areia.

"O assunto volta, posto inclusive pelo PT, porque o que eles gostam de fazer é vir com ataques para nivelar todo mundo, como os escândalos da Casa Civil", criticou o tucano, em referência às denúncias de tráfico de influência que envolvem a ex-ministra Erenice Guerra. "Eu não tenho nenhum chefe da Casa Civil que aprontou tudo o que a Erenice aprontou", provocou o candidato.

Serra negou ainda que tivesse conhecimento de que Tatiana Arana Souza Cremonini, contratada como assistente técnica no governo de São Paulo, era filha do ex-diretor da Dersa. "Essa menina foi contratada, eu nem conhecia, para trabalhar no cerimonial", alegou Serra. "Eu só vim a saber que ela era a filha de um diretor de empresa muito depois."

O candidato do PSDB negou ainda que sua campanha tenha explorado o tema do aborto na disputa eleitoral. O candidato argumentou que o assunto surgiu não pela questão em si, mas pelo fato de a candidata do PT, Dilma Rousseff, ter mudado sua posição sobre o tema. "Eu sempre manifestei que sou contra a mudança da legislação sobre o aborto, eu nunca explorei a posição dela. Só que ela disse uma coisa e depois disse outra", afirmou.

Perguntado sobre o motivo de ter exaltado, nos últimos dias, a sua religiosidade, o candidato refutou que tenha adotado um discurso artificial. Serra alegou que sempre visitou igrejas durante a campanha e reafirmou ser católico. "Eu sou uma pessoa religiosa, não tem nada de forçado nesse sentido." De acordo com Serra, foi sua adversária, Dilma, que passou a visitar igrejas.

Perguntado, o candidato do PSDB explicou que pretende cortar cargos de confiança do governo federal, diminuir o investimento em subsídios que não sejam prioritários e reduzir o desvio de dinheiro público para viabilizar o aumento do salário mínimo para R$ 600, uma de suas principais promessas de campanha. 


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Fonte: O Estado de S. Paulo

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