PF esquiva-se de investigar o PT e o comitê de Dilma

Publicado em 21/10/2010 11:00
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PF esquiva-se de investigar o PT e o comitê de Dilma

Valter Campanato/ABr

 

O resultado parcial do inquérito do Fiscogate revela que a Polícia Federal é capaz de tudo, menos de investigar o PT e o comitê de campanha de Dilma Rousseff. Mais grave: o governo e o PT montaram uma operação para afastar a encrenca da quebra do sigilo fiscal de tucanos da campanha da pupila de Lula.

Nesta quarta (20), Brasília amanheceu sob o impacto da manchete daFolha: PF liga quebra de sigilo fiscal de tucano à pré-campanha de Dilma. Ainda pela manhã, numa entrevista improvisada, no Planalto, o próprio Lula aconselhou os repórteres a aguardarem pelos esclarecimentos da PF.

Segundo o presidente, a PF mostraria os fatos como eles são, não como as pessoas gostariam que eles fossem. À tarde, seguindo instruções do Ministério da Justiça, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa (na foto lá do alto) foi aos holofotes, como previra Lula.

"Não foi comprovada utilização [dos dados fiscais] em campanha política", disse Corrêa. A frase serviu de senha para uma outra entrevista. Presidente do PT e coordenador da campanha de Dilma, José Eduardo Dutra chamou de bicho o dossiê recheado com os dados ilegais.

Evocando as conclusões da PF, Dutra disse que caiu por terra qualquer tentativa de dar o formato de estrela a esse bicho. Acrescentou: Na verdade, o bicho tem perna, pena e bico de tucano. Acomodou o dossiê no colo do ex-governador mineiro e senador eleito Aécio Neves.

Com suas declarações, Lula, Corrêa e Dutra entraram em litígio com o óbvio. Vão abaixo os fatos que o Planalto, a PF e o PT se abstêm, convenientemente, de enxergar:

1Abril de 2010: A serviço do comitê de pré-campanha de Dilma Rousseff, os jornalistas Luiz Lanzetta e Amaury Ribeiro Jr. reuniram-se num restaurante de Brasília com o delegado aposentado da PF Onézimo de Sousa e arapongas da comunidade de informações.

2Maio de 2010: A revista Veja revelou a reunião do restaurante e o teor da conversa. Lanzetta e Amaury tentavam montar operação para espionar José Serra. Em entrevista, Onézimo confirmou a encomenda. Disse tê-la recusado. Contou que Lanzetta falava em nome de Fernando Pimentel (PT-MG), à época um dos coordenadores da campanha de Dilma.

Depois, em depoimento no Senado, Onézimo reafirmou o que dissera. Acrescentou um detalhe: na reunião, Amaury informara que dispunha de dois tiros fatais contra José Serra.

3Junho de 2010: A Folha noticiou que um dossiê com dados fiscais do dirigente tucano Eduardo Jorge circulou no grupo de inteligência do comitê de Dilma, integrado por Lazetta e Amaury. A revelação resultou na abertura do inquérito da PF.

Abriu-se também uma sindicância na Receita Federal. Já no alvorecer da apuração, dirigentes do fisco apressaram-se em dizer que não havia conotação eleitoral" nos vazamentos. Tudo não passava de um balcão de negócios, movido a propinas.

4Setembro de 2010: Reportagem de Veja informou que o grupo de inteligência do comitê de Dilma, desativado depois de virar manchete em maio, manuseara um papelório chamado Operação Caribe. Coisa de 40 páginas. Redigiu-as Amaury Ribeiro.

O documento continha os dados fiscais de familiares, amigos e partidários tucanos de José Serra. O rol incluía a filha do candidato, Verônica Serra. Ouvido, Amaury admitiu a autoria do trabalho. Alegou tratar-se de apuração jornalística, feita à época em que era repórter do diário Estado de Minas.

Na versão de Amaury, petistas invadiram o flat em que ocupava em Brasília, roubaram as informações de seu computador e converteram-nas em dossiê. Curiosamente, o petismo pagava a hospedagem do repórter. E Amaury não deu parte do roubo à polícia. Faltou-lhe nexo.

5Outubro de 2010: O tempo passou. Sobreveio o segundo turno. E nada das conclusões da PF. O governo programara-se para prestar esclarecimentos apenas depois da apuração final das urnas. Súbito, os resultados parciais do inquérito escalaram a manchete da Folha desta quarta (20).

O repórter Leonardo Souza revelou que um despachante de São Paulo admitiu à PF ter recebido de Amaury Ribeiro a encomenda da quebra de sigilo fiscal de oito parentes, amigos e companheiros de partido de José Serra. Amealhou R$ 12 mil.

Veio à luz também depoimento do próprio Amaury à PF. Reconheceu ter contactado o despachante. Coisa de setembro de 2009, época em que trabalhava no diário mineiro. Alegou que mirara em José Serra para proteger Aécio Neves. Por quê?

Descobrira que, a serviço de Serra, que disputava a vaga de presidenciável com Aécio, o deputado tucano e ex-delegado Marcelo Itagiba (RJ) perscrutava a vida do ex-governador mineiro. Não esclareceu se conversou com Aécio, que, em nota, negou enfaticamente vinculação com o malfeito.

Ao dizer que não foi comprovada utilização [dos dados] em campanha política, o diretor-geral da PF apaga da investigação todo o ano de 2010. Ao declarar que o bicho é tucano, o presidente do PT acomoda um manto diáfano sobre a ação do grupo de inteligência que o comitê de Dilma teve de desmontar às pressas.

A dupla deixa boiando na atmosfera uma série de interrogações. Por exemplo: Por que a PF não intimou para depôr o jornalista Lanzetta, o ex-coordenador Fernando Pimentel e o delegado aposentado Onézimo? Ainda que se admitisse, para efeito de raciocínio, a origem tucana das violações, quem converteu os dados ilegais em dossiê foi o comitê petista de Dilma, não o tucano Aécio Neves.

Num procedimento inusitado, o PT levou ao seu portal na web as explicações do delegado Alessandro Moretti. Escalado para falar aos jornalistas ao lado do diretor-geral Corrêa, ele discorreu sobre a investigação. Parou em 2009. Nada sobre a fase em que o bicho ganhou a vistosa forma de estrela ... 

 


Dilma abre onze pontos sobre o rival Serra, diz Ibope

Saiu mais uma pesquisa do Ibope. Informa que, no intervalo de uma semana, a vantagem de Dilma Rousseff sobre José Serra subiu de seis para 11 pontos.

De acordo com o Ibope, Dilma dispõe agora de 51% das intenções de voto, contra 40% atribuídos a Serra. 

Votos brancos e nulos foram contabilizados em 5%. Os eleitores indecisos somam 4%. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.

Na conta que inclui apenas os votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), Dilma vai a 56%. Serra, 44%. Diferença de 12 pontos.

Em sondagem divulgada há uma semana, o Ibope atribuía a Dilma 53% dos votos válidos. A Serra, 47%. A diferença era, então, de seis pontos.

Também nesta quarta (20), veio à luz pesquisa Sensus. Em nova evidência de que as pesquisas não falam a mesma língua, a diferença é bem menor: cinco pontos.

Para o Sensus, Dilma manteve-se estável. E Serra amargou ligeira queda. Para ela, 46,8%. Para ele, 41,85 %.

Na sondagem anterior do Sensus, Serra dispunha de 42,7%. Havia, então, um quadro de empate técnicos, já que a margem de erro é de 2,2 pontos.

O Sensus foi ao meio fio nos dias 18 e 19. O Ibope ouviu os eleitores entre os dias 18 e 20. Na melhor hipótese, um dos dois está errado. No pior cenário...

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Dilma para o Greenpeace: Eu não faço leilão político

Lula Marques/Folha

 

Ativistas do Greenpeace se infiltraram numa festa organizada para Dilma Rousseff receber o apoio de um pedaço do PV.

Sob gritos de fora tucanos, houve quem tentasse retirar de cena os penetras. Dilma não permitiu.

Ao discursar, a candidata foi Dilma foi por duas intrusas. Uma abriu a faixa: Desmatamento zero... Você assina embaixo? Outra levou à mesa papel e caneta.

Dilma abespinhou-se: "Não faço leilão político para ganhar apoio. Minha assinatura não vai em qualquer compromisso que botam na minha frente e dizem: 'Assina!'...

...Isso é desrespeitoso. Dilma declarou-se compromissada com a redução no desmatamento da Amazônia. Sua taxa é 80%, não zero.

Seja como for, foi alvissareiro descobrir que a assinatura de Dilma já não vai em qualquer papel que lhe colocam à frente.

No alvorecer da campanha, a candidata assinara um programa de governo que, levado ao TSE, procovara grita geral. Depois, disse que rubricara sem ler.

Terminada a pajelança de adesão dos verdes entre eles Zequinha Sarney (PV-MA)ficou no ar uma dúvida.

Não se sabe se os ambientalistas são o problema de Dilma ou se ela é que é o problema deles.

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Aécio Neves nega vínculo com repórter do Fiscogate

  Folha
Repudio com veemência e indignação a tentativa de vinculação do meu nome às graves ações envolvendo o PT e o senhor Amaury Ribeiro Jr..

Assim começa a nota divulgada nesta quarta (20) pelo ex-governador e senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG).

No texto, Aécio diz que não conhece e jamais manteve qualquer tipo de relação com o repórter Amaury Ribeiro.

Em depoimento à PF, cujo teor veio à luz nesta quarta, Amaury reconheceu ter encomendado os dados fiscais sigilosos de tucanos e familiares de José Serra.

Declarou que, na época da encomenda (outubro de 2009), trabalhava no jornal Estado de Minas. Agiu, segundo disse, para proteger Aécio.

Naquela ocasião, Aécio media forças com Serra pela vaga de candidato à Presidência pelo PSDB.

Na nota, Aécio escreve: a prática dos dossiês jamais fez parte da minha história política em 25 anos de vida pública.

Acrescenta: Quem deve explicações aos brasileiros é o PT, já envolvido anteriormente na violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo...

...E, agora, na quebra de sigilos fiscais de membros do PSDB. Vai abaixo a íntegra da nota de Aécio:

 

Repudio com veemência e indignação a tentativa de vinculação do meu nome às graves ações envolvendo o PT e o senhor Amaury Ribeiro Jr., a quem não conheço e com quem jamais mantive qualquer tipo de relação.

Tal prática jamais fez parte da minha história política em 25 anos de vida pública.

Como disse o senador Sergio Guerra, quem deve explicações aos brasileiros é o PT, já envolvido anteriormente na violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo e, agora, na quebra de sigilos fiscais de membros do PSDB.

Lamento profundamente que tais ocorrências contaminem um processo eleitoral que deveria ser marcado pelo debate de ideais e de avanços para o país.

Senador Aécio Neves.

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Fonte: Blog Josias de Souza (Folha)

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