Silvio Santos oferece SBT e Baú como garantia para empréstimo de R$ 2,5 bi

Publicado em 10/11/2010 16:48
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O empresário Silvio Santos deu como garantia para obter empréstimo praticamente todo seu patrimônio empresarial. Para conseguir os R$ 2,5 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), entraram 44 empresas subordinadas à holding SS Participações, entre elas o SBT, sua participação no banco PanAmericano, a Jequiti, a Liderança Capitalização e o Baú da Felicidade.

O valor contábil de todas as empresas é de R$ 2,7 bilhões. O empréstimo foi feito para salvar o PanAmericano, após fraude que causou prejuízo de R$ 2,5 bilhões.

A modelagem se deu por meio de emissão de debêntures privadas (titulo de empresa que rende juros) por parte da holding, obrigada a mudar seu status de "Limitada" para "S/A".

O grupo Silvio Santos terá dez anos para pagar o empréstimo. Ele terá, no entanto, três anos de carência, até iniciar o primeiro pagamento semestral.

O empréstimo não terá juros, apenas correção pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado).

Segundo o presidente do conselho do FGC, Gabriel Jorge Ferreira, o empresário Silvio Santos se dispôs a vender todas essas empresas se for preciso para saldar o empréstimo.

"Nunca vi um empresário fazer isso. Se colocar nessa situação", afirmou Ferreira.

O FGC foi criado em 1995 para ressarcir os depositantes em caso de quebra de bancos. Em 2005, o fundo passou também a comprar carteiras de instituições com problemas de liquidez, papel que, depois, assumiu durante a crise de 2008. O socorro, por meio de empréstimo, é inédito na história do FGC. Ferreira justificou a operação afirmando que, se o fundo tivesse de bancar os compromissos dos depositantes, teria um desembolso de R$ 2,3 bilhões.

Segundo Ferreira, se não emprestasse o dinheiro, o banco sofreria intervenção e posterior liquidação. Nesse caso, teria de cobrir R$ 2,3 bilhões para os segurados.

Com a operação, além de manter o banco funcionando, o FGC tem agora um ativo de R$ 2,5 bilhões que serão pagos corrigidos pela inflação.

Ações de banco PanAmericano desabam quase 30% na Bovespa

A ação preferencial do banco PanAmericano sofre perdas de 27,6%, sendo negociada por R$ 4,90, no pregão desta quarta-feira da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Esse ativo é alvo de mais de R$ 60 milhões em negócios. Nos últimos 30 dias, a média de transações com o papel foi inferior a R$ 1 milhão.

Ontem à noite, o PanAmericano informou que o Grupo Silvio Santos (o principal acionista) fará um aporte de R$ 2,5 bilhões no banco. A empresa justifica a medida ao informar que foram 'constatadas inconsistências contábeis'.

De acordo com comunicado do banco ao mercado, o aporte será feito por meio de operação financeira contratada com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

"O aporte destina-se a restabelecer o pleno equilíbrio patrimonial e ampliar a liquidez operacional da instituição, de modo a preservar o atual nível de capitalização, em virtude de terem sido constatadas inconsistências contábeis que não permitem que as demonstrações financeiras reflitam a real situação patrimonial da entidade. Assim, os ajustes que estão sendo realizados nesta data não resultarão em perda patrimonial, vez que estão sendo cobertos integralmente pelo citado aporte", informou o banco. A diretoria do PanAmericano foi substituída.

CAIXA

Em novembro de 2009, a Caixa Econômica Federal anunciou a aquisição de 35,54% do capital do banco Panamericano, de propriedade de Silvio Santos Participações Ltda. A operação foi contabilizada em R$ 739,2 milhões e envolve a aquisição da participação acionária representativa de 49% do capital social votante e de 20,69% das ações preferenciais do PanAmericano.

A negociação foi aprovada pelo Banco Central em julho deste ano, no último passo para a finalização da operação.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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