Preços agrícolas sobem menos no IGP-M

Publicado em 14/12/2010 07:49 236 exibições
A primeira prévia do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) de dezembro mostrou pequeno avanço, tendo passado de 0,79% em novembro para 0,83% este mês. Apesar da alta, o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros, avalia que o resultado já mostra a possibilidade de redução da pressão sobre os preços.

"Embora o número ainda não tenha diminuído em relação à primeira prévia de novembro, a composição do índice sugere a possibilidade de uma desaceleração do IGP", disse Quadros. Os dados que corroboram essa teoria são os principais fatores de elevação dos preços no atacado nos meses anteriores: os produtos agropecuários. As matérias-primas agropecuárias, que estavam com alta de 3,75% no mês passado, subiram 2,5% em dezembro. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registrou variação de 0,97%, no primeiro decêndio de dezembro, abaixo do 1,02% de alta no mesmo período do mês passado. A alta dos agrícolas caiu de 2,9% para 1,39%

Em grande parte, o recuo nos preços de alimentos foi provocado pela soja, principal produto do IPA, ao lado do minério de ferro. Ambos têm peso de 4,48% sobre o índice. A soja registrou alta de 7,08% no mês passado, e agora teve avanço bem menor, de 1,96%.

A soja é fortemente influenciada pelo mercado internacional, "que em novembro estava agitado, com muito comprador de commodity", segundo o economista da FGV. Outro fator de pressão sobre o IPA, e que perdeu força em dezembro, foi a carne bovina, que estava com alta de 6,01% em novembro e agora avançou apenas 0,9%.

A alta era decorrência de um retorno mais forte para as exportações brasileiras, ao mesmo tempo em que havia escassez de bois, devido à seca e à crise, que levou a um menor volume de investimentos. Por isso, em 12 meses, a variação dos bovinos é de 40,91%. Agora o movimento começa a se abrandar.

Como os preços ao consumidor demoram mais para reagir, agora que o IPA começa a se desacelerar, o IPC acelera o ritmo de alta. No período, o índice avançou 0,69%, bem acima dos 0,39% registrados no mês anterior. Seis das sete classes de despesa componentes do índice registraram elevação na taxa de variação, mas o destaque foi a alimentação, que passou de 0,85% para 1,43%.

A alimentação foi responsável por cerca de 60% de todo o avanço do índice, mas Quadros lembrou que, com os produtos agropecuários desacelerando para o produtor, a tendência é que, mesmo levando ainda algum tempo, isso chegue ao consumidor.

Fora da alimentação, um dos destaques de redução de ritmo foram os combustíveis. A gasolina passou de 1,35% para 0,55% e o álcool combustível, que tinha atingido alta de 7,91% no mês passado, avançou 2,46%. No entanto, segundo Quadros, não há motivo ainda para comemorar. "Até que se tenha nova safra de álcool, pode ser que o preço volte a se acelerar, porque a safra é só lá para abril ou maio. E pode haver ainda uma pressão sobre os transportes. É comum que, antes de entrar na safra, ainda haja novos repiques", disse.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) apresentou, no período, taxa de 0,28%, acima de novembro, quando foi de 0,22%. O índice, que representa o custo da mão de obra, apresentou alta de 0,36%, ante 0,39% de novembro.

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Fonte:
Valor Econômico

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