Grãos: Preços altos não são eternos, diz Bunge

Publicado em 29/12/2010 08:27 598 exibições

As pressões que impulsionaram as cotações internacionais dos grãos ao maior patamar em dois anos não vão diminuir por pelo menos um ano, mas o elevado nível atual dos preços dos alimentos não veio para ficar. É o que afirma o brasileiro Alberto Weisser, CEO da trading americana Bunge, a respeito da crescente preocupação em torno da inflação dos alimentos, principalmente em países emergentes como China, Índia e México.

Segundo o executivo, o atual quadro de aperto entre a oferta e a demanda mundiais de grãos deverá persistir no próximo ano. "Pelos próximos 12 meses veremos volatilidade dos preços", afirmou em entrevista concedida em White Plains, Nova York, onde está a matriz da multinacional. Considerando uma temporada normal no Hemisfério Sul e depois um ciclo de recuperação no Hemisfério Norte, Weisser estima que os preços começarão a voltar ao normal em 2012.

O índice de preços de alimentos da FAO, o braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, atingiu no mês passado níveis só vistos pela durante o pico da crise global de 2008, e representantes do órgão consideram que as cotações ainda podem aumentar mais.

O Rabobank, banco holandês com forte atuação no setor de agronegócios, prevê problemas sérios caso a demanda por matéria-primas para rações animais aumente em mercados como China e Índia enquanto a região do Mar Negro permaneça como uma exportadora não confiável.

Weisser não acredita, contudo, que os atuais patamares de preços perdurarão no longo prazo. Segundo ele, ainda há terras e água disponíveis para a produção de grãos no mundo. Com o bushel do milho (25,2 quilos) acima de US$ 6 e o bushel de soja (27,2 quilos) perto de US$ 14 [na bolsa de Chicago], os maiores níveis em dois anos, disse o comandante da Bunge, os agricultores do Brasil, por exemplo, provavelmente plantarão mais, ampliando a oferta.

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Valor Online

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