Crise no Oriente Médio: Navio de guerra líbio localizado ao largo de Malta

Publicado em 22/02/2011 21:16 1095 exibições


Um navio de guerra da Líbia foi localizado ao largo de Malta e está a ser monitorizado pela marinha e pela força aérea italianas. A Al Jazeera avança que se trata de um navio militar, cujo destino é ainda desconhecido. A possibilidade de se tratar de uma deserção do comando de Muammar Khadafi está em cima da mesa.

Destino do navio é ainda desconhecido

Destino do navio é ainda desconhecido (Foto: Desmond Boylan/Reuters)

Essa foi pelo menos a opção tomada pelos pilotos de dois jactos de guerra, há apenas dois dias, depois de terem recebido ordens para disparar sobre os revoltosos civis. Acabaram por seguir para Malta, que está a funcionar como ponte entre a Líbia e a Europa, devido à proximidade da ilha com aquele país africano.

A Al Jazeera dá a notícia citando fonte da marinha italiana, que inclui na monitorização deste navio líbio a força aérea e a marinha de Malta. Ainda assim, a própria estação de televisão desmente esta parte das declarações, com base num relatório maltês publicado pelo site Times of Malta.

Aviões militares e helicópteros da Líbia aterrissam em Malta

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Onda de RevoltasDois aviões militares de combate e dois helicópteros civis, com sete pessoas a bordo, da Líbia aterrissaram inesperadamente nesta segunda-feira na ilha de Malta, segundo informaram testemunhas e fontes militares a agências de notícias.

Repórteres de jornais locais afirmaram que os jatos Mirage, para apenas uma pessoa, chegaram ao aeroporto internacional de La Valetta, capital de Malta.

Funcionários do aeroporto afirmaram ainda, sob condição de anonimato, que os dois helicópteros transportavam sete pessoas que seriam francesas. As autoridades estavam checando as identidades dos passageiros --apenas um apresentou passaporte.

 

Darrin Zammit Lupi/Reuters

 

Piloto da força aérea líbia caminha perto de jato Mirage que pousou no aeroporto internacional de Malta

Piloto da força aérea líbia caminha perto de jato Mirage que pousou no aeroporto internacional de Malta

Os helicópteros não contavam com a autorização de sair da Líbia, por isso suspeita-se de que tenham fugido desse país em função dos protestos que sacodem a região.

O gabinete do primeiro-ministro de Malta, Lawrence Gonzi, afirmou que não estava claro se os dois pilotos dos jatos pretendiam pedir asilo no pais. Inicialmente, eles pediram para abastecer.


Crise no mundo árabe

ONU convoca reunião de emergência sobre repressão líbia

Nesta terça, confrontos entre forças de segurança e manifestantes aumentaram

Trípoli: imagem da TV local mostra o movimento na Praça Verde

Trípoli: imagem da TV local mostra o movimento na Praça Verde (TV Líbia/AFP)

"As reivindicações de todos os povos árabes, que exigem reformas, desenvolvimento e mudança, são legítimas e compartilhadas no mundo árabe"

Amr Musa, secretário da Liba Árabe

Enquanto a repressão na Líbia segue ganhando força nesta terça-feira, principalmente após o reaparecimento do ditador Muamar Kadafi, a Organização das Nações Unidas (ONU) convoca uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir o caos que se instaurou pelo país, a pedido do embaixador adjunto da Líbia diante da ONU, Ibrahim Dabbashi, que garantiu que o general deve "deixar o poder o mais rápido possível" e que a comunidade internacional deve "evitar buscar refúgio em outro país".

O encontro segue-se a uma série de deserções por parte de diplomatas líbios - incluindo a delegação na ONU e o embaixador do país nos EUA -, que denunciaram a violência brutal usada pelo regime de Kadafi. A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, exigiu o início de uma "investigação internacional independente" sobre a repressão e pediu o "fim imediato das graves violações dos direitos humanos cometidas pelas autoridades líbias".

Ela ainda advertiu o governo de que "os ataques sistemáticos contra a população civil" podem ser considerados crimes contra a humanidade. "A brutalidade com que as autoridades líbias e seus mercenários atiravam com balas reais contra os manifestantes pacíficos é inadmissível", afirmou, em comunicado. "Neste momento, estou extremamente preocupada com a perda de vidas", completou, salientando que a comunidade internacional deve estar unida na condenação de tais atos e precisa adotar compromissos inequívocos para garantir que será feita justiça às milhares de vítimas da repressão. "O estado tem a obrigação de proteger o direito à vida, à liberdade e à segurança", concluiu.

Mustafa Ozer/AFP

Protestos: manifestantes pedem liberdade e o fim do regime de Kadhafi

Protestos: manifestantes pedem liberdade e o fim do regime de Kadhafi


Vítimas - 
Estima-se que o número de mortos nos conflitos até agora esteja em torno de 250, embora organizações não-governamentais afirmem que as vítimas possam passar de 400. Na segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse ter feito um apelo por moderação durante uma conversa de 40 minutos com Kadafi. "Pedi a ele que os direitos humanos e a liberdade de assembleia e discurso sejam totalmente protegidos. Instei a ele que pare a violência contra os manifestantes, e destaquei mais uma vez a importância de se respeitarem os direitos humanos daqueles manifestantes."

Apesar dos apelos, a repressão contra os manifestantes aumentou nesta terça. Aviões da Força Aérea bombardearam Trípoli no início da manhã, contando com a ajuda de mercenários. Logo depois, a fronteira com o Egito ficou sob controle das forças opositoras, de acordo com a TV Al Jazeera.

Esse ponto está sendo utilizado por egípcios que estão fugindo do país pela repressão do regime de Kadafi contra militantes da oposição - no total, 1,5 milhão vivem atualmente na Líbia. Segundo a emissora, a situação nesse ponto limítrofe, a 1.600 quilômetros da capital, é completamente caótica. Benghazi, a segunda maior cidade do país, e Al Bayda também estão tomadas.

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Fonte:
Reuters

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