Fumicultores liberam empresas para comercialização de tabaco em Santa Catarina

Publicado em 25/02/2011 11:28 e atualizado em 25/02/2011 12:22 914 exibições
Movimento fez com que empresas fumageiras reabrissem as negociações com os produtores.
Depois de nove dias de manifestações, protestos e inúmeras reuniões fumicultores decidiram liberar as empresas para que comercializem o produto. A decisão foi tomada dia 23 por volta das 19hs depois que a Comissão de Fumicultores do Sul de Santa Catarina foi recebida pelas empresas fumageiras, onde foi apresentada e negociada a pauta de reivindicações.

Dentre os termos acordados as empresas se comprometeram em melhorar a classificação na correia seguindo a portaria do Ministério da Agricultura, não debitar da estimativa do produtor caso ele não concorde com a classificação podendo este retornar com seu produto para negociar novamente, revisão de estimativa de produção, possibilidade de renegociação das dívidas com as empresas fumageiras e liberação de parte do dinheiro. As empresas Alliance One e a Universal Leaf Tabacos não concordaram com a assinatura do protocolo de 10% de reajuste. Além dos itens acima as empresas se comprometeram em reunião realizada em Florianópolis no dia 22 em comprar toda a safra contratada; pagamento em quatro dias úteis; pagamento do frete e do seguro da carga; aval dos financiamentos; fornecimento de insumos e assistência técnica e fiscalização da classificação por órgãos oficiais e o acompanhamento da classificação das entidades que assinaram o acordo.

MOVIMENTO TROUXE CONQUISTAS IMPORTANTES PARA TODOS OS FUMICULTORES
Segundo os organizadores esta manifestação iniciada pelos fumicultores em São João do Sul que contou com o apoio de sindicalistas e políticos forçou a reabertura das negociações por parte das empresas fumageiras, resultando numa reunião com a Comissão Interestadual dos Produtores de Tabaco realizada com as federações dos três estados na sede da FETAESC em São José na grande Florianópolis onde um dos assuntos da pauta foi à mobilização realizada pelos produtores no Sul do Estado. ”Fizemos o que tínhamos que fazer, conseguimos mobilizar todas as empresas, fazer com que em caráter de urgência as negociações fossem retomadas” comenta Davide Tomazi Tomaz, presidente dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Tuvo/Ermo.

Ainda segundo o diretor existe uma expectativa muito grande de que o acordo seja cumprido pelas empresas principalmente no quesito classificação, valorizando o trabalho dos fumicultores que com renda garantida podem quitar seus débitos junto às fumageiras e junto ao comércio da região que depende direta e indiretamente desta classe de agricultores. “Este movimento mobilizou a imprensa que sempre foi nossa parceira fiel, fez a sociedade discutir, repensar a situação destes agricultores, foi um movimento pacífico, com encaminhamento funcional, organizado e democrático. Famílias inteiras até com criança de colo mantiveram-se unidas, ficaram durante todos estes dias sem o conforto da suas casas para mostrar a sociedade quanto são importantes no contexto sócio-econômico de seus municípios, da região, do estado e deste país” completa Davide.

Ainda segundo os organizadores as empresas terão acompanhamento periódico do movimento sindical, da CIDASC e dos próprios fumicultores e caso o acordo seja descumprido e o grupo assim decidir qualquer uma das empresas poderá ser fechada a qualquer momento, tornando o movimento ainda mais forte.

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Revista Folha Rural

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