Frieza marca primeiro evento aberto ao público de Dilma

Publicado em 02/03/2011 02:04 417 exibições
Em contato com público durante anúncio de reajuste do programa Bolsa Família, em Irecê (BA), presidente só tira aplausos da plateia quando fala de Lula

Em seu primeiro contato direto com os eleitores depois de tomar posse como presidente do Brasil, no início da tarde desta terça-feira, 1º, em Irecê (BA), Dilma Rousseff conseguiu reunir uma plateia suficiente para encher o espaço dedicado ao evento, mas não empolgou o público. 

No ato, anunciou o reajuste do programa Bolsa Família e homenageou as mulheres brasileiras, no início do mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher (8 de março). O clima parecia o melhor possível. A plateia, formada por cerca de 2 mil pessoas, na maioria mulheres beneficiárias de programas sociais do governo, aguardava em clima de festa a chegada da presidente ao Gran Fest, principal casa de eventos de Irecê, cidade do semiárido baiano. 

Uma pancada de chuva ajudou a amenizar o calor típico da região. De camisa de manga comprida vermelha, Dilma chegou ao local ao meio dia, com uma hora de atraso. Antes de encontrar o público, conheceu dois ônibus do Expresso Cidadã, nos quais mulheres podem requisitar e atualizar documentos como identidade e CPF, além de talões de notas fiscais para trabalhadoras rurais.

Ainda abriu a Mostra de Grupos Produtivos de Mulheres Rurais, evento no qual artesãs expõem e vendem o resultado de suas produções em barraquinhas. A imagem da presença da presidente, exibida por telão para o público, foi suficiente para disparar séries de aplausos entre as pessoas que ocupavam o espaço. Já era possível perceber, porém, que Dilma não estava confortável com a situação. A presidente cumprimentava rapidamente as expositoras e mostrava impaciência com os numerosos pedidos por fotografias e abraços.

Celso Arnaldo: a histórica apresentação do PAC da Omelete no Mais Você provou que qualquer uma pode virar presidente

Por Celso Arnaldo Araújo

A presidente Dilma Rousseff é uma mulher extraordinária ─ quando nada, por ser a primeira a chegar à Presidência da República. Mas, estimulada por seus marqueteiros, costuma celebrar essa primazia alimentando publicamente o desejo fantasioso de ser vista como uma mulher comum, como se dissesse: “Se eu cheguei lá, qualquer uma pode chegar”.

Eleita presidente, e passada a fase inicial da muda, entrevistas a programas de grande audiência fazem parte dessa estratégia meio feminista, meio oportunista ─ e Hebe vem aí. Está dando certo. Depois do Mais Você de hoje, muitas espectadoras de Ana Maria Braga, sobretudo as das emergentes classes C e D que ainda não tinham ouvido a presidente falar, devem estar pensando em voz alta e até comentando com a vizinha: “Se ela pode, eu também posso”.

Sim, antes de cometer “o” omelete, a presidente Dilma, sem esforço algum, com uma espantosa naturalidade, respondeu a virtualmente todas as perguntas da apresentadora como se fosse uma mulher sem instrução ou um mínimo de traquejo fingindo ser presidente da República. João Santana deve estar orgulhoso dessa performance.

Exemplos? Logo no começo do vídeo: Ana Maria Braga observa que o governo Dilma está completando dois meses e pergunta a ela se sentiu o tempo passar:

“Sinceramente, não. Não, é, é, parece que começou ontem. Passa rápido. Sabe pur que que passa rápido? Purque cê trabalha, é, é, tem momento que ocê trabalha, entra muito cedo e sai muito tarde”.

Qual é a média de horas de trabalho da senhora?

“Não menos de 12. Nove e nove. Se começá às 10 vai mais tarde.

Até na carga horária a presidente quer se parecer com pelo menos 20 milhões de mulheres brasileiras que entram cedo e saem tarde ─ e que ainda têm uma casa e uma família para cuidar, o que não é seu caso. A diferença talvez seja a hora de pegar no trabalho. Começar o dia às 10 não é para qualquer uma ─ apenas para presidentes que só têm de entregar cinco mil creches e dois milhões de casas em quatro anos.

Foi uma entrevista “Mais Você”: cheia de momentos mágicos, históricos ─ como a cerimônia de passagem da faixa para a primeira mulher presidente, a que Dilma assiste novamente ao lado da apresentadora. Como foi, presidenta? Ela guardará essa lembrança para sempre ─ mas imaginem a desolação de seu biógrafo, daqui a uns 10 ou 15 anos, escutando a descrição feita a Ana Maria Braga, exatos dois meses depois do ato:

“Olha, é, é, é uma turbulência na hora, viu? Purque é uma, um momento muito especial purque cê tem sobre si todo o peso e a responsabilidade, é, por baixo daquela faixa tão levinha de seda, ocê tem a responsabilidade de dirigi um país. Aí eu pensei assim: chegou a hora, agora é a minha vez, porque tava o presidente Lula passano pra mim, né?”.

Além de ser a primeira mulher presidente, é a primeira a descobrir que a transmissão da faixa presidencial não é um momento comum e que, assim que a recebe de seu antecessor, um presidente passa a ter a responsabilidade de dirigir um país.

Momento emocionante a despedida de Lula, não presidenta?

“Assim eu tava muito comovida, purque ele tava ino embora, essa duplicidade. Eu tava chegano, mas ele tava saino e tamém eu fiquei triste por ele tá saino. Então tinha esses dois sentimentos ali”.

Uma beleza a Teoria Sentimental do Estado da presidente Dilma. Por ela, ficavam os dois na Presidência.

Mas, se o Mais Você com Dilma teve algum mérito, foi o de trazer, no final deste vídeo, a explicação definitiva sobre o esquisitíssimo “presidenta” com que a presidente encasquestou.

Vivos fossem, nem Houaiss nem Aurélio, diante dos demais 38 acadêmicos, Sarney incluído, teriam a capacidade de formular uma justificativa de gênero tão bem construída. Por que presidenta, presidenta?

“Prá enfatizá o fato de que era, eu sou a primeira mulher a sê presidente do Brasil. Eu não estou cometeno nenhuma barbaridade ao querer ser presidenta do ponto de vista da gramática. Mas, do ponto de vista do significado pras mulheres, o que eu quero enfatizá é o a – que é aquele que é o signo do feminino. Então é presidenta. E não é errado. Entre presidente e presidenta, eu acho que a primeira mulher tem a obrigação de ser presidenta, porque é uma obrigação com as mulheres deste país”.

Muito claro, mas vale a pergunta — qual é o signo da omelete? Porque “o” omelete de Dilma não mereceu a deferência de um “a”?

Dilma negou três vezes que faria o que fez


Em 27 de janeiro, no fim da entrevista em que prometeu 6 mil casas populares aos flagelados da Região Serrana do Rio, a presidente Dilma Rousseff resolveu deixar claro que as verbas do PAC permaneceriam intocadas. O falatório começa quando o vídeo atinge 1 minuto e 40 segundos: ”Nós não vamos… nós não vamos… vou repetir, assim, três vezes: nós não vamos contingenciar o PAC. Nós não vamos contingenciar o PAC”.

A mensagem embutia uma repreensão e um afago. O pito público alvejou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que confirmara na véspera a decisão de pisar no freio do Plano de Aceleração do Crescimento. O destinatário do agrado foi o ex-presidente Lula, que antes de deixar o cargo avisou que não admitiria qualquer corte no carro-chefe da campanha eleitoral.

Em 8 de dezembro, irritado com o enxugamento anunciado dois dias antes pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o padrinho revelou que já transmitira a ordem à afilhada: “Vocês estão vendo a minha fisionomia?”, desdenhou dos jornalistas que pareciam não saber quem mandava. ”Vocês acham que eu estou com ar de que vai ser cortado algum centavo do PAC?”.

Um mês depois de Dilma negar três vezes o que configuraria uma traição ao mestre, Miriam Belchior informou o tamanho da amputação no orçamento para 2011 do programa Minha Casa, Minha Vida: a mais vistosa vitrine do PAC sofreu um corte de R$ 5,1 bilhões. Sumido desde o começo da insurreição popular contra o amigo e irmão Muamar Kadafi, Lula não reapareceu para convidar algum jornalista a examinar-lhe a fisionomia. Dilma foi apresentar o PAC da Omelete no programa de Ana Maria Braga.

Depois da posse, ela revogou várias promessas da candidata. Agora começou a revogar o que prometeu a presidente. No Brasil Maravilha do cartório, o PAC vai muito bem.

(por Augusto Nunes,de Veja).

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Fonte:
O Estado de S. Paulo/Veja

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