Defensivos com patentes recuperam espaço

Publicado em 04/05/2011 07:59
Capitalizado, beneficiado pelo clima e com perspectivas de que seus rendimentos continuem em alta nas próximas safras, o agricultor brasileiro está elevando os investimentos em tecnologia nas lavouras. Um dos termômetros dessa tendência é o segmento de defensivos agrícolas, onde as vendas de produtos com patentes - conhecidos por "especialidades" e comercializados sobretudo pelas grandes multinacionais instaladas no país - reagiram em 2010 no país e ganharam espaço dos genéricos tanto em movimentação financeira quanto em volume comercializado.

Levantamento realizado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), entidade que representa as companhias de especialidades e de genéricos - também chamados de "pós-patente" -, mostra que os produtos com patentes vendidos representaram 58% do faturamento do segmento, que no ano passado foi de US$ 7,3 bilhões. Em 2009, quando as vendas somaram US$ 6,6 bilhões, as especialidades tiveram uma fatia seis pontos percentuais menor, de 52%.

"Quando o produtor está mais capitalizado, ele opta pela especialidade. São produtos com uma tecnologia superior à dos genéricos e em períodos de dólar em baixa passam a ser ainda mais atraentes", afirma Ivan Amancio Sampaio, gerente de informação do Sindag.

Em uma análise mais simplista, a queda da participação dos genéricos na receita do ramo poderia ser justificada pela redução dos preços de alguns produtos, especialmente o glifosato. Essa avaliação justificaria a fatia menor e, teoricamente, elevaria o volume dos genéricos adquiridos pelos agricultores no ano passado. O estudo revela, no entanto, que os genéricos também perderam espaço no volume dos produtos comerciais vendidos.

No ano passado, foram consumidas no Brasil 790,8 mil toneladas de produto comercial - princípio ativo com a adição de solventes, fixadores entre outros produtos químicos. Desse total, 27% foram de defensivos vendidos sob patentes, ficando os genéricos com os 73% restantes. Já no ano anterior, o volume total foi de 725,5 mil toneladas, das quais 19% foram de especialidades e 81% de genéricos.

Situação semelhante ocorre quando se compara a venda dos princípios ativos, a matéria-prima principal para o defensivo comercial. Foram vendidas no ano passado 342,6 mil toneladas de produto, sendo 19% de produtos ainda com patentes e 81% já sem a restrição. Em 2009, a divisão foi de 85% para os genéricos e apenas 15% para as especialidades.

Até mesmo a Associação Brasileira dos Defensivos Genéricos (Aenda) - entidade que representa as companhias de genéricos - reconhece que os recentes avanços em produtividade obtidos pela agricultura brasileira estimulam os produtores a buscar novas tecnologias. "As recentes reavaliações realizadas pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] também retiraram do mercado genéricos importantes e conhecidos, caso do Endosulfan [inseticida] e da Cihexatina [acaricida]", afirma Tulio Teixeira de Oliveira, diretor executivo da Aenda.

Segundo Oliveira, a entrada no Brasil de genéricos vindos especialmente da China e da Índia é outro fator que explica a queda na participação desse tipo de produto no faturamento do setor. Com o dólar em baixa a importação é favorecida, o que acaba fazendo com que as empresas instaladas no país reduzam os preços para tentar não perder espaço para as concorrentes.

Aliado à pressão de preços na indústria dos genéricos e à busca por novas tecnologias, outro fator que levou o produtor a procurar mais as especialidades no ano passado foi a resistência a alguns defensivos. Para Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) - entidade que representa as empresas de produtos com patentes -, as novas pragas e doenças que surgem na agricultura levam o produtor a buscar outras alternativas.

"O que vale na agricultura é a relação de troca, que está favorável ao produtor devido aos preços das commodities. Quando isso acontece, o agricultor tende a cuidar melhor de sua lavoura e correr menos riscos", afirma Daher.

Do ponto de vista dos negócios, a expectativa é que as especialidades continuem ganhando espaço. Líder no mercado de defensivos no Brasil, atuando tanto no segmento de especialidades quanto de genéricos, a suíça Syngenta acredita que a tendência será mantida. "Quando o produtor tem contato com a tecnologia mais avançada, dificilmente ele volta para a antiga, mesmo que os preços das commodities recuem. Ele passa a fazer a conta pelo tento que a planta fica protegida e não olha mais apenas para o valor do produto", afirma Alexandre Gobbi, diretor de marketing no Brasil.

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Fonte:
Valor Econômico

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