Senado dos EUA derruba projeto aprovado por deputados

Publicado em 29/07/2011 22:09 e atualizado em 30/07/2011 07:18 1011 exibições
edm veja.com.br e G1 (Globo)

O projeto de lei do deputado republicano John Boehner para a redução do endividamento do país, aprovado pela Câmara dos Representantes, foi rejeitado pelos senadores na noite desta sexta-feira. O placar ficou em 59 votos contrários à proposta e 41 à favor. A reviravolta, que levou apenas meia-hora para ocorrer, já era esperada, pois o Senado é controlado pelo partido democrata, que apóia o presidente Barack Obama.

Neste sábado, deve ficar pronta a análise final pela comissão de orçamento do Congresso (Congressional Budget OfficeCBO) do plano concorrente ao de Boehner: o realizado pelo senador democrata Harry Reid. Durante a semana, a CBO divulgou apenas uma prévia de sua apreciação. Trata-se de um passo fundamental para que o documento – que contempla uma elevação do teto da dívida por cerca de dois anos e que conta com o apoio da Casa Branca – siga para a apreciação dos senadores e, posteriormente, dos deputados. Segundo José Dante Parra, porta-voz do senador Reid, é possível que o projeto seja votado no sábado ou no domingo.

Ao longo da semana, enquanto o pacote de Boehner avançava de forma lenta e claudicante na Câmara, o plano concorrente estava parado. A proposta do senador democrata é considerada mais equilibrada pelos analistas, pois, além de exigir forte contingenciamento dos gastos públicos, como querem os republicanos, também não contempla a alta dos impostos, o que significa importante concessão democrata para a oposição. Desagrada ao partido republicano, no entanto, a insistência de Reid de concentrar os cortes nas despesas militares.

De acordo Parra, há três motivos para a relativa paralisia da proposta democrata ao longo da semana. Em primeiro lugar, era necessário aguardar o resultado da análise definitiva do plano pela CBO, que determina o quão realistas são os números que apresenta. O outro motivo para demora é que o partido do governo optou por esperar os resultados da votação do plano rival (de Boehner) para decidir como prosseguir. Por fim, os aliados de Reid tentavam convencer o maior número possível de republicanos a aderir a proposta.

Resultado na Câmara – O plano do líder John Boehner havia ido aprovado nesta sexta-feira pela Câmara, mas havia grandes chances de que fosse reprovado no Senado. “O processo de votação no Senado americano é complexo. Por este motivo, somente agora é que vamos decidir o que fazer”, disse Parra.

A medida é um indício – apesar da fala do presidente Obama na manhã desta sexta-feira de que “os partidos não estão a milhas de distâncias um do outro” – de que ainda há dificuldades para encontrar uma solução que possa ser aprovada por ambos os partidos.

O plano Reid – O plano do senador Reid contempla uma redução de custos que devem variar entre 2,2 trilhões de dólares e 2,4 trilhões de dólares ao longo da próxima década. A ideia do parlamentar é que o aumento do teto da dívida seja do mesmo valor que o corte de gastos, portanto também deve variar entre 2,2 trilhões de dólares e 2,4 trilhões de dólares. Este montante ainda seria suficiente para que os Estados Unidos não necessitem elevar novamente o limite de endividamento por, pelo menos, dois anos. Trata-se de uma clara estratégia democrata para impedir que um novo impasse sobre o Orçamento ocorra em período eleitoral, pois em 2012 haverá nova corrida presidencial nos Estados Unidos.

Popularidade de Obama cai para 40%

Desde morte de bin Laden, índice de aprovação de Obama diminuiu 12%

Lentidão do governo Obama em negociar aumento do limite da dívida levou Moody's a ameaçar corte da classificação americana

Queda de popularidade pode ser um reflexo do impasse envolvendo a dívida pública (Saul Loeb/AFP)

O índice de aprovação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, caiu para 40%, segundo uma pesquisa do instituto Gallup divulgada nesta sexta-feira. A queda de popularidade é um reflexo do impasse envolvendo a dívida pública e da situação econômica do país.

A margem de aprovação do líder americano esteve em 41% em diversas ocasiões desde que ele assumiu a presidência, em janeiro de 2009, mas era de 50% em 7 de junho. Desde a morte do terrorista Osama bin Laden, em maio, a popularidade de Obama caiu 12 pontos percentuais.

O percentual de pessoas favoráveis a Obama está próximo dos 41% que concordam com o presidente em seu gerenciamento da polêmica crise da dívida pública. 

Ainda assim, Obama apresenta números melhores do que os congressistas de seu partido, o Democrata, ou da oposição republicana. Uma pesquisa do Gallup atribui um apoio de apenas 18% ao desempenho do Congresso na gestão da crise da dívida.

Segundo a pesquisa desta sexta-feira, Obama é apoiado por 72% dos democratas, 34% dos independentes e 13% dos republicanos. Já 52% das pessoas ouvidas consideram a situação econômica do país medíocre, a maior porcentagem desde agosto de 2010. Para três quartos dos entrevistados, o panorama vai piorar, a maior porcentagem desde março de 2009. A pesquisa, que apresenta uma margem de erro de 3 pontos percentuais, foi feita em 27 de julho, e ouviu 1.007 adultos.

Obama perde mais de 33.000 seguidores do Twitter

Presidente usou a rede para defender o aumento do teto da dívida americana

Obama, em pronunciamento sobre o limite da dívida dos EUA

Obama, em pronunciamento sobre o limite da dívida dos EUA (JIM WATSON / POOL / AFP)

Em campanha cibernética, com mais de 100 tuítes em um único dia, para que a elevação do teto da dívida siga o projeto democrata, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, perdeu nesta sexta-feira mais de 33.000 seguidores no Twitter.

O presidente decidiu publicar apelos na rede social para que a população pressione os congressistas republicanos a chegar a um acordo bipartidário sobre a dívida. Após pedir que internautas ligassem, escrevessem e tuitassem para seus representantes republicanos, Obama passou a divulgar o perfil do Twitter de cada congressista em questão.

O perfil do presidente ainda é o terceiro mais popular do mundo – depois de Lady Gaga e Justin Beiber –, com quase 10 milhões de seguidores.


Entenda as consequências do calote americano e e como isso afetará o Brasil

Governo tem até 2 de agosto para conseguir ampliar teto da dívida do país.
Eventual calote dos EUA teria efeitos também para o mercado brasileiro.

Do G1, em São Paulo

O governo dos Estados Unidos está correndo contra o tempo para não colocar em risco sua credibilidade de bom pagador. Se até o dia 2 de agosto o Congresso não ampliar o limite de dívida pública permitido ao governo,  os EUA podem ficar sem dinheiro para pagar suas dívidas: ou seja, há risco de calote - que seria o primeiro da história americana.

A elevação do teto da dívida permitiria ao país pegar novos empréstimos e cumprir com pagamentos obrigatórios.

Em maio, a dívida pública do país chegou a US$ 14,3 trilhões, que é o valor máximo estabelecido por lei.

Isso porque, nos EUA, a responsabilidade de fixar o teto da dívida federal é do Congresso.

Um eventual calote do país que é considerado o pagador mais seguro do mundo teria efeitos também para o Brasil: por exemplo, encareceria o custo de financiamento para bancos e empresas brasileiras, valorizaria o dólar e aumentaria o preço dos importados, o que geraria inflação.

Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou em pronunciamento na Casa Brancaque a falta de um acordo que permita elevar o teto da dívida do país trará problemas sérios à economia. 

No Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que espera “sensatez” do governo e de políticos norte-americanos para solucionar o impasse sobre a negociação da dívida dos EUA

Entenda os pontos mais importantes das negociações.

Debate e negociações

Barack Obama participa de reunião com líderes do congresso para debater a elevação do teto da dívida. (Foto: Mandel NGAN/AFP)Obama em reunião com líderes
do congresso para debater o teto da dívida.
(Foto: Mandel NGAN/AFP)

O presidente Barack Obama e os demais representantes do governo têm lutado nos últimos dias para convencer o Congresso a ampliar o limite de envididamento permitido ao governo.

Cinco rodadas de conversações na Casa Branca não produziram nenhum acordo, mas geraram disputas partidárias. As negociações devem ser retomadas no fim de semana.

Essa negociação é comum no Congresso americano, onde ocorre de forma periódica desde 1917 (data em que foi estabelecido um limite legal para o endividamento do país). Desta vez, no entanto, a renegociação do teto da dívida enfrenta um impasse.

O que é a dívida dos EUA

Notas de Dólar (Foto: AFP)(Foto: AFP)

Assim como outros países  - inclusive o Brasil -  o Tesouro norte-americano emite no mercado financeiro papéis respaldados pelo governo para financiar as atividades do governo federal, como pagamento de funcionários e fundos de previdência.

No caso dos EUA, os  títulos são conhecidos como Treasuries, comprados por investidores do mercado financeiro que  são remunerados com juros: os títulos americanos são considerados os mais seguros do mundo e, por isso, atraem tantos investidores interessados em comprar seus papéis.

Para quem os EUA devem

Chinês conta notas de dólar perto de notas de iuan. (Foto: AFP)Chinês conta notas de dólar perto de
notas de iuan. (Foto: AFP)

Brasil, China, Japão, Reino Unido e os países exportadores de petróleo estão entre os maiores credores estrangeiros que detêm 32% dos títulos da dívida pública dos Estados Unidos.

Segundo os números do Departamento do Tesouro, a dívida pendente dos EUA somava, no último dia 30 de junho, US$ 14,3 trilhões, dos quais US$ 4,6 trilhões eram "pastas intergovernamentais" e US$ 9,7 trilhões eram dívidas nas mãos do público.

Os EUA devem somente ao Brasil a quantia de US$ 187 bilhões. O maior credor do país é a China, com US$ 1,1 trilhão, seguida pelo Japão com US$ 882,3 bilhões, o Reino Unido com US$ 272,1 bilhões e os exportadores de petróleo com US$ 211,9 bilhões.

Outros grandes detentores de bônus e títulos da dívida americana são os bancos radicados no Caribe, que acumulam títulos no valor de US$ 169 bilhões, Taiwan com US$ 155 bilhões, Rússia com US$ 151 bilhões, Hong Kong com US$ 135 bilhões e Suíça com US$ 107 bilhões

Por que a dívida está tão alta

Homem se apoia na parede da sede do Lehman Brothers em NY, em 15 de setembro de 2008. (Foto: Nicholas ROBERTS/AFP)Homem se apoia na parede da sede do Lehman
Brothers em NY, em 15 de setembro de 2008.
(Foto: Nicholas ROBERTS/AFP)

O alto nível de endividamento dos EUA ainda reflete, entre outros fatores, efeitos da "ressaca" da crise financeira desencadeadaem 2008 pela quebra do banco Lehman Brothers. Isso porque, em tempos de recessão, um país precisa de mais dinheiro para estimular a economia.

No caso dos EUA, o país emitiu mais papéis para ter dinheiro para evitar a falência de empresas e bancos em dificuldades, isentar  e reduzir alguns impostos, e pagar benefícios sociais como seguro-desemprego, mais necessários em épocas de demissões e cortes de pessoal.

A decisão de socorrer setores da economia que estavam em risco de falência endividou não só os EUA, mas de outros países que hoje enfrentam problemas com a dívida: Grécia, Irlanda e Itália, por exemplo.

Antes disso, os EUA já haviam gastado muito dinheiro ao longo dos anos para financiar guerras e ações militares. Iniciadas há quase dez anos, após os atentados de 11 de setembro de 2001, as operações norte-americanas no Afeganistão custam atualmente mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 3,1 bilhões) por semana aos cofres americanos, o que tem despertado cada vez mais críticas, tanto de republicanos quanto de democratas.

Obama X oposição

Barack Obama, em pronunciamento (Foto: Reuters)Barack Obama, em pronunciamento (Foto: Reuters)

Por trás da discussão em torno dos números da dívida, há uma disputa política entre parlamentares do governo e da oposição, como explica o economista Miguel Daoud, da Global Financial Advisor.

A oposição republicana, adversária política de Obama, exige que o aumento do limite seja vinculado a cortes maiores no orçamento americano dos que os desejados pelo governo democrata, com medidas como aumento de impostos e corte de benefícios sociais, que poderiam afetar a vida do cidadão americano comum.

"Como o Obama está prestes a começar uma campanha para reeleição, a oposição está exigindo cortes em setores da economia que vão afetar a popularidade do presidente", avalia Daoud. A popularidade de Obama está baixa nos EUA, embora tenha tido um fôlego temporário com a morte de Osama Bin Laden.

O presidente norte-americano, por outro lado, quer sair do impasse sem frear ainda mais a economia. Obama disse concordar com maiores cortes de gastos e quer que os republicanos aceitem algum aumento de impostos sobre os norte-americanos mais ricos. Eles recusam.

E se o teto da dívida não for elevado?
Segundo uma pesquisa do centro de estudos Bipartisan Policy Center (BPC), os gastos federais podem ter que ser reduzidos em até 44% em agosto. O governo federal tem cerca de US$ 306,7 bilhões em obrigações a pagar no mês, a partir do dia 3. No mesmo período, a estimativa é de que a arrecadação seja de US$ 172,4 bilhões, o que obrigaria o governo a priorizar pagamentos.

O estudo mostra que os recursos arrecadados seriam suficientes apenas para pagar os juros da dívida, os planos de assistência médica Medicare e Medicaid, a previdência social, seguro desemprego e contratos de defesa. Sem cortes nesses setores, não haverá dinheiro para manter as próprias estruturas de governo, como departamentos de Justiça, Comércio e Trabalho; pagar salários, exército, programas educacionais e de moradia para as classes mais baixas.

Fama em risco
A agência classificadora de risco Moody's anunciou nesta quarta-feira (13) que considerabaixar a nota da dívida dos Estados Unidos, que atualmente se encontra no melhor patamar possível, em "Aaa". O mesmo aviso foi dado pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P).

Na prática, isso significaria aos EUA , que atualmente são referência de pagamento seguro no mundo, e têm, na avaliação das agências de classificação, risco praticamente nulo de calote.

Reclamação da China

Hong Lei, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China. (Foto: AFP)Hong Lei, porta-voz do Ministério de Relações
Exteriores da China. (Foto: AFP)

A China, maior credor dos EUA com US$ 1,1 trilhão em bônus,  pediu que os Estados Unidos adotem medidas mais responsáveis a fim de proteger os interesses dos investidores nos títulos do Tesouro americano (Treasuries). 

"Nós esperamos que o governo norte-americano adote políticas responsáveis para proteger os interesses dos investidores", disse Hong Lei, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China.


O que isso tem a ver com o Brasil

Consumidores pesquisaram preços. (Foto: Daigo Oliva/G1)Consumidores pesquisam preços de eletrônicos.
(Foto: Daigo Oliva/G1)

Na avaliação do economista Miguel Daoud, da consultoria Global Financial Advisor, um eventual calote dos EUA teria impactos econômicos  no Brasil, que vive momento de dólar baixo e forte consumo de importados.

Encareceria o custo de financiamento para bancos e empresas brasileiras, que precisam captar dinheiro no exterior; valorizaria o dólar e aumentaria o preço dos importados, o que geraria inflação; causaria também, consequentemente, a necessidade de se aumentar ainda mais os juros para controlar os preços.

"Geraria inflação com o importados, resultaria em aumento juros e aumentaria a proporção dívida/PIB", estima Daoud que, embora não descarte essa hipótese, considera improvável que um acordo entre governo dos EUA e Congresso não seja alcançado.


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Fonte:
veja.com.br/G1

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2 comentários

  • Valter Antoniassi Fátima do Sul - MS

    Que pena em Obama,se a população americana fosse como a brasileira,seria muito simples,era só pegar umas aulinhas com o Lula em como elevar a popularidade e com meia duzia de conversa fiada ,chegaria logo aos 96% de aprovação...

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  • Petronilha Batista Muzambinho - MG

    e deixar jornalista e produtores sem dormir

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