'Não entraremos em recessão', diz Dilma sobre a crise global

Publicado em 10/08/2011 23:19 212 exibições
'Vamos preservar nossas forças produtivas e empregos', disse a presidente. Dilma Rousseff participou de evento em São Paulo ao lado de ministros. As informações são do Portal G1, da Globo.

A presidente da República, Dilma Rousseff, afirmou, na noite desta quarta-feira (10), em discurso para empresários do setor de construção civil, que o Brasil não está imune a uma crise internacional, mas que não entrará em recessão.

"Quando digo, em nome do governo brasileiro, que não entraremos em recessão, não é uma bravata", afirmou a presidente, durante o 83º Encontro Nacional da Indústria da Construção, em São Paulo.  

"Nosso posicionamento diante da crise não é recessivo. Temos um objetivo: vamos preservar nossas forças produtivas, nossos empregos e a renda de nossa população. Isso não elimina que usemos iniciativas no sentido de nos proteger do ponto de vista financeiro e cambial", completou Dilma.

Ela disse que o Brasil precisa e irá reagir, demonstrando, com números, que o país evoluiu desde a crise financeira de 2008.

A presidente citou que, naquela época, o Brasil tinha US$ 210 bilhões de reservas e que agora tem US$ 350 bilhões. Afirmou também que o país passou de R$ 53 bilhões de contratação em programas habitacionais para R$ 125 bilhões.

"Aprendemos, por essa nossa experiência, que momentos de crise são momentos de oportunidade quando somos capazes de enfrentar a crise naquilo que ela tem de mais perverso", afirmou, citando que, em 2008, o Brasil optou por reagir à crise fortalecendo o mercado interno e investindo em crescimento.

"Naquela época, os países do mundo usaram mecanismo para superar. Alguns pegaram recursos fiscais e de orçamento e entregaram para os bancos e salvaram os bancos e deixaram seus consumidores, sua população endividada com o subprime sem apoio e resgate. Nós saímos da crise porque apostamos no consumo, no crescimento."

Dilma afirmou acreditar que a crise que se avizinha deverá durar mais do que a anterior, ocorrida em 2008, mas ressaltou que o Brasil terá "uma trajetória sistemática de crescimento econômico" graças ao esforço da sociedade - empresários, contribuintes, acadêmicos.

"Hoje somos um país maduro, experiente e capaz de resistir. Este momento que estamos vivendo e também todo o tempo em que durar essas turbulencias internacionais – que tudo indica, por falta de liderança política, por falta de clareza de medidas – podem durar um pouco mais do que o que aconteceu em 2008 e 2009. O governo tem certeza disso, com as nossas medidas e recursos que temos, a iniciativa, o esforço e a garra de vocês, sairá melhor do que entrou."

Na cerimônia, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, também discursou e disse que o Brasil  não está imune a uma crise internacional.

"O Brasil está preparado, mas não somos imunes e não ser imune significa redobrar esforço para defender o mercado interno para manter a estabilidade que esse país conquistou. O Brasil navegará nesse mar turbulento e encontrará saídas. Temos à frente uma timoneira segura e uma tripulação competente. O Brasil é maior do que a crise, vamos superá-la", disse.

Além de Pimentel, Dilma participou do evento ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Helena Chagas (Comunicação Social) e Miriam Belchior (Planejamento), do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda.

Guerra cambial e mercado interno 
Dilma responsabilizou medidas tomadas por outros países pela crise e apontou a guerra cambial como uma das conseqüências de medidas externas. Ela prometeu proteger a indústria nacional e o mercado interno e afirmou ser contra a ideia de transformar países com economias fortes em "economias de serviço".

“No processo de combate à crise, muitos países usaram métodos que levaram a um fluxo imenso de dinheiro que afetou economias como a brasileira que não tinham a menor responsabilidade por essa crise. Foi esse volume monstruoso de dinheiro que levou à chamada queda cambial elevando o valor das moedas, principalmente no nosso caso, do real, e reduzindo o valor do dólar. Ao mesmo tempo, somos ameaçados por uma enxurrada de produtos decorrentes do fato de que os mercados dos países desenvolvidos estão deprimidos e esses produtos têm que buscar onde ser consumidos."

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Fonte:
G1 (Globo)

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