Código Florestal – Entreguem a agricultura e o meio ambiente para certa antropologia, e terminaremos todos alegres antropófagos

Publicado em 18/10/2011 10:28 780 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

Código Florestal – Entreguem a agricultura e o meio ambiente para certa antropologia, e terminaremos todos alegres antropófagos

O texto foi publicado ontem na Folha de S. Paulo. Quando o li, na madrugada, pensei: “Quero escrever a respeito”. Depois acabei atropelado pelo noticiário sobre o Ministério do Esporte, e a coisa lá me ficou pelo caminho. Mas não resisto. Começo com a minha graça, mas é coisa muito séria: se deixarmos as escolhas sobre produção de alimentos e preservação da natureza para certa antropologia, acabaremos todos antropófagos, mas conciliados com o meio ambiente. Será um momento lindo. Voltaremos às nossas origens tupinambás, e os europeus mandarão seus novos Hans Stadens pra cá para narrar a nossa saga e descrever os nossos exotismos. Mas vamos à reportagem, de Claudio Angelo, da Folha, que segue em vermelho. Comento em azul.

Cientistas sobem o tom contra novo Código Florestal
Em sua manifestação mais dura sobre a reforma do Código Florestal, as principais sociedades científicas brasileiras adjetivam partes do texto em análise como “injustificado” e “inconstitucional”. A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e a ABC (Academia Brasileira de Ciências) entregaram na semana passada a senadores propostas para embasar as mudanças na lei. Para elas, a ciência não foi levada em conta no relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), aprovado em maio no plenário da Câmara. Entre as 18 assinaturas do documento há pesos-pesados como a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, Carlos Nobre, secretário de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Tatiana Sá, ex-diretora-executiva da Embrapa. Para eles, o maior entrave à expansão da agricultura não é a legislação ambiental, mas “a falta de adequação” da política agrícola do país.

Então vamos ver. Segundo entendi, os cientistas não têm argumentos novos. Eles decidiram mudar a ênfase, como se a dureza da linguagem lhes desse agora a razão que não tinham antes. Daí terem “subido o tom”. O que vai acima tem uma premissa: o texto de Aldo Rebelo teria partido do princípio de que existe uma contradição ente legislação ambiental e produção agrícola. É falso. Ao contrário. O relatório busca sempre a conciliação. Não só isso: ele prevê a recuperação de áreas desmatadas. Mas o bom mesmo vem agora. Vejam como a ignorância pode ser convicta.

Para os cientistas, um aumento marginal na produtividade pecuária -com medidas simples, como erguer cercas e fazer o manejo de pastos- liberaria 60 milhões de hectares para a agricultura. “Continua no Senado essa falácia de que não há espaço para preservar e produzir alimentos”, disse Luiz Martinelli, da USP de Piracicaba. “Como é que eu vou dizer para a Europa não subsidiar sua agricultura quando a gente queima tudo sem nenhuma eficiência? É um tiro no pé.”
Essa falácia existe só na cabeça dos ditos cientista. Como é bom falar sem números, ir jogando dados, assim, ao léu, né? Como, afinal, eles são “cientistas”, ninguém vai se ocupar de fazer algumas continhas e operar minimamente com a lógica. Faz sentido. Quando foi a última vez que a antropóloga Manuela Carneira da Cunha, por exemplo, viu um pé de couve? Vamos lá. A agropecuária ocupa, no Brasil, 329.941.393 de hectares; desse total, 98.479.628 são áreas de preservação dentro das propriedades. Sim, vocês entenderam direito: os proprietários rurais brasileiros preservam 29,84% das terras que constam, oficialmente, como destinadas à agropecuária. Como o Brasil tem 851 milhões de hectares, isso significa que agricultura e pecuária ocupam apenas 27,2% do território brasileiro (231.431.765 milhões de hectares). Estudos mais recentes falam em 27,7%.

Pois bem: segundo esses valentes, erguer cercas e fazer manejos de pastos liberaria 60 milhões de hectares para a agricultura. Deve ser gostoso ser irresponsável ostentando o título de doutor. Ninguém cobra nada do bruto. Isso corresponderia a 26% da área hoje efetivamente ocupada pela agropecuária. Então vamos ver: dadas a demanda do mundo por alimentos e a dificuldade para se conseguir terras, esses gênios da raça estão afirmando que os proprietários rurais aproveitam mal mais de um quarto da sua propriedade??? Falam uma porcaria desse tamanho e nem ficam corados!

Mais ainda: desmatar para arrancar madeira e não plantar nada é coisa fácil; qualquer pistoleiro faz — geralmente, debaixo do nariz de Ibama. Agora, desmatar para preparar a terra para  cultivo dá um trabalho danado. É preciso NÃO TER A MENOR IDÉIA DO QUE SE ESTÁ FALANDO PARA SUSTENTAR, como sugere o documento, que o proprietário rural, então, opta pelo mais caro e mais difícil — desmatar e preparar a terra — do que pelo mais barato e mais fácil: erguer cercas e fazer manejo de pastos. Isso é um fantasia ridícula!

Mas quem me encantou mesmo foi Luiz Martinelli, da USP de Piracicaba. Releiam o que ele diz: “Como é que eu vou dizer para a Europa não subsidiar sua agricultura quando a gente queima tudo sem nenhuma eficiência? É um tiro no pé.” Ele estava de pé quando disse isso ou de joelhos para os seus juízes europeus? Europa? Ora, doutor, veja o estudo que seus amigos do Greenpeace encomendaram para o Imazon e para o Proforest, da Universidade Oxford. Escrevia respeito. Ali está a área de floresta de 11 países — alguns deles são aqueles de que o senhor tem medo. Também se especifica o que é floresta replantada e o que é floresta original. O Brasil tem 61% de suas áreas naturais preservadas! Nenhum dos países estudados tem Área de Preservação Permanente (APP), por exemplo. Segue o quadro. Não se deixem impressionar por Japão e Suécia: num caso é montanha vulcânica; no outro é gelo…

País
% do territ.
c/ floresta
Floresta
original
Floresta
replantada
Tem
APP?
Holanda11%0%100%Não
R.Unido12%23%77%Não
Índia23%85%15%Não
Polônia30%05%95%Não
EUA33%92%08%Não
Japão69%49%41%Não
Suécia69%87%13%Não
China22%63%37%Não
França29%90%10%Não
Alemanha32%52%48%Não
Indonésia52%96%04%Não

As entidades também pedem que as APPs (áreas de preservação permanente), como margens de rios, sejam restauradas na íntegra, posição mais “ambientalista” que a do governo, que aceitou flexibilizar sua recomposição. Os cientistas exigem, ainda, que o Senado elimine do texto a menção à “área rural consolidada”, que permite regularizar atividades agropecuárias em APPs desmatadas até 22 de julho de 2008. Segundo eles, a Constituição diz que “não há direito adquirido na área ambiental”.
Vamos colocar as coisas nos seus devidos termos. Restaurar “áreas na íntegra” significa que áreas destinadas à agricultura há 200, 300 anos teriam de ceder lugar ao mato, diminuindo a área plantada. Da forma como querem esses valentes, milhares de catarinenses ou gaúchos, por exemplo, terão de abandonar suas propriedades. A propósito: Manuela Carneiro da Cunha deveria pedir a remoção do Cristo Redentor e de todas as favelas do Rio. Um está no topo de morro; as outras, nas encostas. Por que o preconceito contra proprietários rurais apenas? Princípio é princípio, ora…

“Nosso livro anterior dava dados, mas não fazia afirmações tão contundentes”, disse Carneiro da Cunha, aludindo a documento divulgado no semestre passado.
Não! Não dava os dados essenciais, dona Manuela. A conta que vocês fazem sobre a liberação de 60 milhões de hectares é uma das coisas mais alopradas que já li.

Expoente da antropologia, Carneiro da Cunha afirma que os senadores precisarão tratar um tema espinhoso sem acordo: a isenção de reserva legal para propriedades de até quatro módulos fiscais (medida equivalente a até 400 hectares na Amazônia). “Quatro módulos não é o mesmo que agricultura familiar. É uma pegadinha.” Ela diz esperar que o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), relator do código em três comissões, seja “persuadido por argumentos convincentes”.
Pegadinha é a batatada dos cientistas. O texto da Folha atribui ao texto de Aldo o que não está lá (leia a (íntegra). Não existe “isenção de reserva legal para propriedades de até quatro módulos” porcaria nenhuma! Vamos ler o que está escrito? Vamos ver o que diz o Parágrafo VII do Artigo 13:
“Nós imóveis com área de até quatro módulos fiscais que possuam remanescentes de vegetação nativa em percentuais inferiores ao previsto no caput, a Reserva Legal será constituída com área ocupada com a vegetação nativa existente em 22 de julho de 2008, vedadas novas conversões par uso alternativo do solo”.

Para quem sabe ler, está tudo claro. Os proprietários de ATÉ quatro módulos estão isentos de REFLORESTAR ou de participar de programa de compensação ambiental em razão das áreas já ocupadas até 22 de julho de 2008. MAS NÃO PODERÃO CONVERTER NOVAS ÁREAS além dos limites estabelecidos pelo Código.

Eis aí: mais uma vez, cientistas e imprensa dizem o que lhes dá na telha sobre o texto de Aldo Rebelo, como se ele não estivesse escrito. Quem ler a proposta vai ver que a regularização de propriedades em áreas hoje consideradas de preservação permanente obedece a critérios e a ações de compensação ambiental. A tal anistia que essa gente condena também não está no texto. É mentira! Nada menos de 10 artigos no Capítulo VI trata das condições para a regularização da propriedade. O capítulo VII estabelece até limites e regras para a indústria usar produtos da floresta.

Não há nada parecido com o Código Florestal Brasileiro, mesmo o de Aldo Rebelo, que esses valentes combatem, no mundo inteiro. Não há um só país, ZERO, que tenha coisa parecida com “Área de Preservação Permanente” do modo como se quer fazer por aqui. E não há um só país no mundo em que se reivindique a diminuição da área plantada para recriar florestas. Seria uma sandice! No caso de um país que tem 61% do seu território praticamente intocado, essa reivindicação parece ser um pouco mais do que loucura. Acho que já esbarra mesmo no mau-caratismo.

Para começo de conversa, ESSA GENTE PRECISA PARAR DE ESCONDER O TEXTO DE ALDO REBELO, ATRIBUINDO À PROPOSTA O QUE NÃO ESTÁ LÁ.

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2011

 às 5:05

O PT decide profissionalizar os “Camisas Negras” que patrulham a Internet

Alguns bananas ainda me perguntam por que veto na área de comentário aqueles que chamo “petralhas”. Porque eles não são leitores! São militantes — alguns em nome do que consideram “ideologia”; outros a soldo mesmo. A Folha de hoje traz uma notícia que demonstra, ora, ora, que sempre estive certo. Leiam. Volto em seguida.

PT treina “patrulha virtual” para atuar em redes sociais

O PT vai montar uma “patrulha virtual” e treinar militantes para fazer propaganda e criticar a mídia em sites de notícias e redes sociais como Twitter e Facebook. O partido quer promover cursos e editar um “manual do tuiteiro petista”, com táticas para a guerrilha na internet. A ideia é recrutar a tropa a tempo de atuar nas eleições municipais de 2012. “Vamos espalhar núcleos de militantes virtuais por todo o país”, promete o petista Adolfo Pinheiro, 36, encarregado de apresentar um plano de ação amanhã ao presidente da legenda, Rui Falcão.

Os filiados serão treinados para repetir palavras de ordem e usar janelas de comentários de blogs e portais noticiosos para contestar notícias “negativas” contra o PT. “Quando sai algo contra um governo petista, a mídia faz escândalo, dá página inteira no jornal. Temos que ir para cima”, diz Pinheiro. “Nossa única recomendação é não partir para a baixaria e manter o nível do debate político”, afirma ele. Mais Aqui.

Voltei
Ah, a gente sabe como eles são educadinhos! Uma verdadeiras normalistas! Eu sei as barbaridades que recebo aqui cotidianamente. Não poupam nada: o que imaginam ser a sua vida pessoal, a de sua família, tudo… Se surgisse um tumor novo na minha cabeça a cada vez que eles fazem esse voto, nódulos nasceriam uns sobre os outros…  Eis aí: não lhes basta aparelhar o estado; precisam aparelhar também a Internet.

Já fazem isso hoje. Como manter a mediação de comentários é caro e complicado, os portais, inclusive os dos grandes jornais, têm deixado a coisa correr solta. Não há uma só notícia positiva sobre adversários do PT que não seja imediatamente depredada. TENTAM FAZER ISSO NO MEU BLOG TAMBÉM. Eu os chuto daqui. Eles voltam e insistem porque são loucos por mim. Não conseguindo emplacar as suas bobagens, vão falar mal de mim nos blogs da esgotosfera.

Acima, escrevo dois textos sobre a moral esquerdista. O que os leva a ser policias da rede? Ora, a certeza de que têm uma missão e de que aqueles que não estão com eles se alinham com o mal e com o atraso. No passado, mandavam passar fogo; hoje, tentam o caminho da difamação.

Se os portais insistirem em não mediar os comentários, passarão a ser máquinas de divulgação das verdades eternas do PT. Os simples de coração dirão: “Ora, os demais partidos que façam o mesmo”. Isso mudaria o quê? Em vez de o leitor comum ser esmagado pelos militantes de um partido, será esmagado pelos militantes de vários.

Uma vez fascistas, sempre fascistas, não importa os meios de que disponham. O PT decidiu profissionalizar os Camisas Negras que patrulham a Internet.

Por Reinaldo Azevedo

Os ladrões com ideologia são ainda piores do que os outros

O PMDB deveria reclamar de preconceito!

As evidências de malandragem no Ministério do Esporte são maiores e bem mais graves do que aqueles que determinaram a queda do Ministro do Turismo, Pedro Novais, e do ministro da Agricultura, Wagner Rossi. E, no entanto, nota-se um cuidado muito maior do próprio governo ao tratar do caso. Por quê? Se formos levar em conta o volume de recursos, então, o esquema que havia no Turismo vira brincadeira de criança. Desde 2003, o programa Segundo Tempo liberou quase… R$ 800 milhões!!! O PCdoB pode não ter obtido sucesso em fazer a revolução socialista. Mas é inegável que o partido conseguiu um jeito de distribuir a renda ao menos entre os seus.

Insisto: por que Dilma foi quase fulminante nos outros casos e enrola tanto com o Ministério do Esporte? Como prova um dos posts abaixo, VEJA evidenciou o esquemão já em 2008. No fim de 2010, ainda no governo do Apedeuta, as coisas se agravaram. Mesmo assim, a então presidente eleita manteve Orlando Silva na pasta. Agora, como se nota, o próprio ministro é engolfado pelos fatos. No fim das contas, há aquela má consciência de sempre: a corrupção promovida por um partido de esquerda, ainda que apenas nominalmente de esquerda, seria diferente da de um outro, que não carrega esse pedigree.

Eis aí uma das evidências, que se dá no terreno moral, a explicar por que todos os regimes socialistas, sem exceção, se tornaram ditaduras violentas e corruptas. Os esquerdistas se dão, mesmo!, todos os direitos e transformam suas vilanias e malandragens em atos de resistência política. Afinal de contas, eles têm um nobre propósito, não é?, que a direita não teria: a igualdade entre os homens. Em nome desse valor abstrato, eles podem praticar todas as safadezas concretas.

E ai daquele que denunciar! Se o fizer, só pode estar interessado em prejudicar a nobre luta dos valentes em defesa do bem, do belo e da justiça social. Como se consideram monopolistas da virtude e da caridade, suas teses dispensam demonstração. Eles estão sempre certos porque são naturalmente bons, e seus adversários estão sempre errados porque naturalmente maus, de sorte que o mal praticado por um esquerdista é bem, e o bem exercido por um opositor seu, um mal.

Isso demonstra quão genial foi George Orwell — que era simpático, na origem, às teses socialistas — no livro 1984, publicado em 1949. Ali aparecem (na versão para o português) a “novilíngua” (as palavras querem dizer o contrário do seu sentido de dicionário) e o “duplipensar”: por esse método, alguém pode pensar uma coisa e, ao mesmo tempo, o seu contrário. É a essência moral das esquerdas. Trotstky, o mais inteligente da geração de revolucionários russos de 1917, escreveu em 1936 o livro “Moral e Revolução”, em que fala de duas morais, a que serve e a que não serve aos bolcheviques: “A Nossa Moral e a Deles”. Trata-se de um dos textos mais indecentes jamais escritos. Falo com mais cuidado sobre esse monumento ao amoralismo num longo post, abaixo deste.

É evidente que nem o PT nem essa turma do PCdoB que está agarrada às tetas do Ministério do Esporte querem revolução social, socialismo ou algo parecido. Isso hoje daria uma trabalheira danada, ainda que fosse viável, e haveria o risco de eles perderem seus privilégios. Não há o menor risco de o “comunismo”, na versão conhecida, voltar a ser influente no mundo. O mesmo, no entanto, não se diga sobre ditaduras. Isso é outra coisa. Evento recente em São Paulo (o do promotor que denunciou como “nazistas” moradores que se opõem à mudança de endereço de um albergue) demonstra que a idéia de um estado dominado por esses “monopolistas do bem”, que submeta o conjunto da sociedade às suas vontades (ainda que num regime de economia de mercado) é, sim, possível. Pior: dá para criar a mímica da democracia numa ditadura.

Fui um pouquinho longe para falar sobre a moral particular dos esquerdistas? Fui, sim! O que estou evidenciando é que aquela canalha que fica na rede defendendo larápios se acha superior aos defensores de larápios de outras legendas. Afinal, eles seriam herdeiros da velha moral revolucionária, compreendem?

No fundo, como lembrou Padre Vieira no “Sermão do Bom Ladrão”, citando São Basílio Magno, esses ladrões são piores do que os outros. Aqueles, ao menos, roubam correndo algum risco; estes roubam sem temor nem perigo.

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2011

 às 5:09

Que eles defendam seus criminosos! Não tenho criminosos a defender!

Há momentos, caras e caros, em que a gente consegue dizer sobre um tema o que realmente queria dizer; em que o produto do nosso esforço se casa com a nossa intenção. Consegui isso, a meu juízo, num artigo intitulado “TEXTOS DE FORMAÇÃO - A NOSSA MORAL E A DELES”, publicado no dia 2 de dezembro de 2009.

Qual era a circunstância? José Roberto Arruda, então governador do Distrito Federal, havia sido pego com a boca na botija. Eu pedi para Arruda, que era do DEM, o que sempre pedi para petistas pegos em flagrante: punição. Os petralhas, acostumados a defender os seus bandidos, não se conformavam que eu não apoiasse Arruda. Então resolvi colocar alguns pontos dos “is”. Hoje, quando vemos o PCdoB acossado por denúncias e quando os “camaradas” se organizam na rede para denunciar uma suposta conspiração contra os “progressistas, parece-me bom voltar àquele artigo. Quem já o conhece, creio, tende a relê-lo com algum prazer. Como, de 2009 para cá, o site ganhou milhares de leitores novos, é provável que muitos não o tenham lido ainda. Acho que é um artigo que serve para pôr as coisas no seu devido lugar. Avaliem vocês.
*
Embora tudo o que esteja em curso seja uma porcaria e indique um mosaico de misérias morais das mais diferentes origens, confesso que, intelectualmente, momentos assim são importantes porque nos permitem recuperar alguns princípios. Mal comecei e sei que vem um longo texto pela frente. Em um dos meus livros,“Máximas de Um País Mínimo“, há um Reinaldo Azevedo bastante concentrado, sintético.  Aqui, vocês sabem, não temo me estender o quanto for necessário. Pretendo que seja um daqueles artigos  que chamo “textos de formação”, que marcam posição - só não acrescento o adjetivo “doutrinária” porque meu partido tem um homem só. Mais de 11 mil toques. Vocês vão encarar?

A canalha não se conforma que eu defenda a expulsão de José Roberto Arruda do DEM e seu impeachment. Juízes de minhas vontades secretas, dizem os petralhas que o faço apenas para afetar uma independência que eu não tenho, o que, desde logo, revela um juízo da realidade típico desses asnos. Porque não sou de esquerda, como eles dizem ser, então estaria impedido de pedir a punição imediata de desmandos praticados por um não-esquerdista - já que não ouso considerar Arruda expressão da “direita”. Tomam-me segundo os critérios com que medem a si mesmos. Ou os petralhas não saíram em defesa de seus mensaleiros, acusando uma grande conspiração para depor o “presidente operário”?

Quem não se lembra de Marilena Chaui e Wanderley Guilherme dos Santos, “intelectuais do PT” - o que é um oximoro clamoroso -, a acusar a tentativa de golpe de estado quando se propôs a investigação do mensalão petista? Em recente entrevista, Lula reforçou a tese do golpe, negou a existência do crime e ainda sugeriu que Marcos Valério foi plantado no PT pelo PSDB só para desestabilizar seu governo.

Entendo, pois, a reação da canalha que fica infeliz porque não me sinto minimamente compelido a defender Arruda: eles defendem os seus bandidos com desenvoltura ímpar e não compreendem que aqueles a quem consideram adversários não defendam os “deles”. Não conseguem enxergar a política senão segundo a ótica do crime. E acreditam que os supostos crimes dos oponentes justificam as suas próprias trapaças. SÃO UNS MONSTROS MORAIS. E NÃO É DE HOJE.

Muito pessoal
Cabe espaço para alguma confissão - já que estamos neste papo muito pessoal, mesmo envolvendo milhares de pessoas. Fui trotskista dos 14 aos 21 anos mais ou menos. Posso não me orgulhar, mas também não cabe ficar falando de arrependimentos. Havia as circunstâncias e as escolhas que fiz com o entendimento que tinha do mundo à época. Mas acho que bem cedo percebi o mau cheiro que exalava daquele pântano moral. Curiosamente, o livro que me tirou daquela bagaceira também ética foi escrito por um deles - ainda hoje considero o mais inteligente entre eles. Refiro-me a Moral e Revolução, escrito por Leon Trotsky. Tinha lido o troço, pela primeira vez, ali pelos 16 anos e achei do balocobaco. Era tudo o que eu queria - enfim, um sujeito que pensava a moral segundo a sua dimensão prática. Na cegueira militante, pareceu-me tão óbvio que SÓ se pudesse pensar a questão da moral segundo a perspectiva aplicada, isto é, da moral revolucionária, que senti o conforto dos estúpidos. A meu favor e contra mim, eu só tinha a minha juventude.

Quando voltei àquele texto, já um tanto desiludido em razão de opções conjunturais do grupo ao qual eu era ligado, dei-me, então, conta do horror. Trotsky escrevera em 1936 - e vejam em que período! - um dos livros mais odiosos das esquerdas em qualquer tempo, verdadeiro libelo do amoralismo, e aquilo, embora ele próprio o negue no livro, não distinguia o trotskismo do stalinismo.

Mais do que isso: restava evidente que Stálin, o grande inimigo de Trotsky, operava com os mesmos critérios, com a diferença de que havia sido mais hábil na aplicação do amoralismo. EM SUMA, TROTSKY, PERSEGUIDO POR STÁLIN (ATÉ SER ASSASSINADO EM 1940), ERA UMA VÍTIMA PRÁTICA DE SUA PRÓPRIA TEORIA. E ambos haviam bebido na mesma fonte: Lênin - o pai primitivo de todos os amorais contemporâneos.

Aonde você quer chegar, Reinaldo?
Mas por que lembrar agora o texto Moral e Revolução? Por que esse tanto de memória pessoal? Porque foi no que pensei quando a onda dos canalhas veio bater na minha praia, inconformados que eu não fizesse com Arruda o que eles certamente fariam com qualquer um de seus bandidos e mensaleiros. A explicação é simples. NÃO SOU HERDEIRO INTELECTUAL DA MORAL REVOLUCIONÁRIA. POSSO ATÉ SER DE CERTA MORAL GUERREIRA, BRIGO MUITO. MAS JAMAIS TRAPACEIO OU ME ESFORÇO PARA ELIMINAR O OUTRO. DESDE QUE ELE JOGUE AS REGRAS DO JOGO DEMOCRÁTICO.

Não partilho da tese, e tenho ojeriza intelectual a quem se vê nesse papel, de que uma vanguarda se assenhora (a variante “assenhoreia” é muito feia…) da história e passa, então, a comandá-la em nome de qualquer uma dessas ilusões que se vendem por aí: bem comum, bem da humanidade, novo homem, nova civilização - antigamente, falava-se em “socialismo”, “sociedade sem classes” e afins. A PERSPECTIVA QUE COMBATO HOJE, SEM DÚVIDA, ESTÁ PLASMADA COM MAIS CLAREZA NO PETISMO. Não que o partido sonhe com um socialismo à moda daquele havido no século 20. É claro que não! São petistas, mas não são burros. Conservam da visão bolchevista a idéia do partido autoritário, centralizador, gestor do futuro. E trazem consigo aquela velha moral.

Eu não preciso defender Arruda porque, afinal, ele estaria mais próximo do meu campo ideológico. NOTEM BEM: ESTE É UM OLHAR DAS VELHAS ESQUERDAS - E DAS NOVAS TAMBÉM - DO PROCESSO POLÍTICO. Petista precisa defender José Dirceu, José Genoino, Lula… Eu não preciso defender, e não defendo, Arruda. Porque não criei uma moral para mim e para os meus e uma outra moral para eles e para os seus.

Quando Lula afirmou que, no Brasil, Cristo faria um acordo com Judas para governar, não estava apenas expressando uma estupidez religiosa - já que Judas não simboliza o “outro”, o “adversário”, mas a traição; ele estava também expressando a sua filiação a um pensamento político, malgrado sua ignorância exemplar, que tem história. Leiam um trecho que transcrevo de Moral e Revolução. Neste ponto, Trotsky está combatendo, calculem!, um grupo minoritário de esquerda que havia censurado o uso da mentira e da violência como armas políticas (segue em vermelho).

Mas a mentira e a violência por acaso não são coisas condenáveis “em si mesmas”? Por certo, como é condenável a sociedade dividida em classes que as engendra. A sociedade sem antagonismos sociais será, evidentemente, sem mentira e sem violência. Mas não é possível lançar uma ponte para ela senão com métodos violentos. A própria revolução é o produto da sociedade dividida em classes, da qual ela leva necessariamente a marca. Do ponto de vista das “verdades eternas” a revolução é, naturalmente, “imoral”. Mas isso significa apenas que a moral idealista é contra-revolucionária, isto é, encontra-se a serviço dos exploradores.
Está claro, não? A síntese poderia ser esta: se as classes sociais existem, então tudo nos (aos socialistas) é permitido. Como se nota acima, qualquer brutalidade que os revolucionários viessem a cometer seria responsabilidade dos fatores antecedentes que levaram à revolução. Ora, não preciso conduzir nenhum de vocês pelo braço, como Virgílio fez com Dante nos círculos do inferno, para que se reconheça ali a moral dos petistas, que os levou a defender o mensalão e os mensaleiros. Eles tinham um objetivo, e o que fizeram de detestável para alcançá-lo deveria ser creditado na conta do inimigo. Num texto eivado de horrores, destaco mais um:

O meio não pode ser justificado senão pelo fim. Mas também o fim precisa de justificação. Do ponto de vista do marxismo, que exprime os interesses históricos do proletariado, o fim está justificado se levar ao reforço do poder do homem sobre a natureza e à supressão do poder do homem sobre o homem.
Tentando ser espertinho ao jogar com a máxima maquiavélica, Trotsky apenas lhe acrescenta mais horror. A pergunta desde logo óbvia é esta: e quem julga se os meios A ou B conduziram mesmo àquele fim edificante. Stálin não teve dúvida: “Deixem que eu julgo!” E mandou meter uma picareta na cabeça de Trotsky. ELE FOI ASSASSINADO PELA REVOLUCIONÁRIA MORAL BOLCHEVIQUE, NÃO PELA IDEALISTA  MORAL BURGUESA.

Mas, então, tudo é permitido àquele que se julga na vanguarda da história e do processo revolucionário? Deixemos que Trotsky responda:
Isto significa então que, para atingir este fim, tudo é permitido? - perguntará sarcasticamente o filisteu, demonstrando que não entendeu nada. É permitido, responderemos, tudo aquilo que leve realmente à libertação dos homens. Já que este fim não pode ser atingido senão por via revolucionária, a moral emancipadora do proletariado tem necessariamente um caráter revolucionário. Como aos dogmas da religião, esta moral se opõe a todos os fetiches do idealismo, gendarmes filosóficos da classe dominante. Ela deduz as normas de conduta das leis do desenvolvimento social, isto é, antes de tudo, da luta de classes, que é a lei das leis.

Está claro? Qualquer que seja o horror, alegue tratar-se de uma moral emancipadora, libertadora, de caráter revolucionário. E o próprio Trotsky pergunta, como se fosse dúvida de um moralista idiota qualquer: “São permitidos todos os meios? A mentira, a falsificação, a traição, o assassinato”. Responde:
São admissíveis e obrigatórios apenas os meios que aumentam a coesão do proletariado, inflamam sua consciência com um ódio inextinguível a  toda forma de opressão, ensinam-lhe a desprezar a moral oficial e seus arautos democráticos, dão-lhe plena consciência de sua missão histórica e aumentam sua coragem e sua abnegação. Donde se conclui, afinal, que nem todos os meios são válidos.

A conclusão do parágrafo é própria de um grande vigarista, uma vez que os únicos meios não-válidos seriam, então, os que não conduzissem ao fim pretendido. Mas a indagação sempre se refere, ora bolas, ao fim. Logo, para Trotsky - e para as esquerdas de modo geral - TODOS OS MEIOS SÃO VÁLIDOS: a mentira, a falsificação, a traição, o assassinato…

Também eu, a exemplo de Trotsky, acredito que existem a moral “deles”, das esquerdas, e a “nossa”. Eles, porque se julgam líderes de um “projeto”, de um amanhã sorridente - ou que nome tenha assumido a vigarice revolucionária - acreditam que todos os meios lhes são lícitos, permitidos, convenientes. Eu, pobrezinho, já tenho uma moral mais “burguesa”, sabem?, mais “idealista”, que advoga a universalidade de certos direitos e do bem de certos procedimentos. Não acho, por exemplo, que se deva condescender com a mentira, com a falsificação, com a traição, com o assassinato…

E nem com o mensalão. Com o de ninguém. Quando dona Marilena Chaui e sua vassoura teórica inventaram que denunciar o mensalão do PT era golpe, estava apenas recorrendo à moral torta de que nos fala Trotsky, aquela, segundo a qual, se o “objetivo é revolucionário” (e os petistas acreditam mesmo que estão fazendo revolução), então todos os procedimentos, todos os meios, são válidos porque se tornam também revolucionários, já que imantados por aqueles propósitos grandiosos, cheios de amanhãs sorridentes.

Eu, com a minha moral burguesa, acho que mensalão de Arruda é só um caso de polícia.

Em suma, o fato de aqueles petistas não terem vergonha na cara não me convida a perder a minha vergonha também. Que eles defendam seus criminosos! Não tenho criminosos a defender!

Arremate em 18 de outubro de 2011
O mesmo vale para a turma do PCdoB.

Por Reinaldo Azevedo

Cabo Anselmo na TV em tempos em que militantes do PCdoB não fazem guerrilha, mas assaltam a lancheira das crianças

Perguntam-me se assisti ontem à entrevista de Cabo Anselmo no Roda Viva. Mais ou menos; o bastante para saber que ele se mostrou disposto a colaborar com a Comissão da Verdade se convidado, desde que ela não seja um tribunal de um lado só. Então não vai colaborar, hehe, porque será um tribunal, moral ao menos, esquerdista. Também afirmou que agentes que atuaram na repressão aos movimentos de esquerda ainda estão na ativa e que muitos sindicalistas colaboraram com o governo militar. Segundo disse, só começou as suas atividades de agente na década de 70. Negava, assim, a tese conspiratória de que a revolta dos marinheiros já era parte do plano golpista. Não vi tudo. Não sei se lhe perguntaram se algum atual esquerdista de ilibada reputação colaborou mais do que sabemos…

O que fazia Cabo Anselmo ali? De algum modo, servia às teses do suposto martírio esquerdista. Diante dos jornalistas e da indignação unânime, quase sempre contida, estava o delator-símbolo, o elogio da traição! Um telespectador chegou a associá-lo a Calabar. Nas vezes em que houve certa tentativa de ofensa moral por ele ter sido quem foi e ser quem é — não se disse arrependido —, a tensão dramática se desfez porque, para que ele se indignasse, seria preciso que operasse com os mesmos valores daqueles que o entrevistavam. E ele não opera.

Cabo Anselmo agora pra quê? Sei lá eu! O que sei é que a entrevista, certamente agendada há tempos, se deu num momento interessante e funcionou, à revelia das intenções, como um contraponto irônico ao noticiário dos últimos dias. Um dos temas de que irá se ocupar a Comissão da Verdade é a Guerrilha do Araguaia, promovida pelo PCdoB. Enquanto falava o suposto verdugo daquelas supostas doces ilusões revolucionárias, pensava cá comigo que o PCdoB está agora ocupado em explicar por que os lanchinhos servidos pelas ONGs que recebem a grana do Ministério do Esporte é tão caro! Militantes do partido que tentou fazer a revolução camponesa no Brasil estão assaltando lancheira de infantes.

Terminada a entrevista com Cabo Anselmo, tratado como o horrível inimigo dos humanistas comunistas, a TV Cultura levou ao ar uma entrevista de Gorbachev, o sujeito que deu fim à União Soviética, ao terror comunista e à herança de Stálin — aquele mesmo Stálin que continua a ser um herói na história contada pelo PCdoB.

Ainda bem que o Brasil não depende da certa “intelligentsia” para progredir. Avança apesar dela. Como sempre. Registrem aí: sempre que se tenta construir um passado heróico para as esquerdas brasileiras, indiretamente se está justificando algumas de suas safadezas presentes.

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2011

 às 5:01

PCdoB denuncia uma espécie de conspiração; vai ver é da base aliada…

Ah, sim: uma das linhas de defesa — e de ataque — dos comunistas do Brasil na rede sustenta que ninguém se importava com o Ministério do Esporte enquanto ele não estava envolvido com as grandezas da Copa do Mundo. Só agora o interesse teria sido despertado.

Vamos ver.

Num post abaixo, demonstro que VEJA denunciou o esquema de desvio de recursos no começo de 2008. Então a afirmação, no que diz respeito à imprensa séria, é falaciosa. Mas suponho que o PCdoB possa estar querendo dizer mais: gente do próprio governo, então, estaria interessada em tomar o doce do partido. Ah… Eles, que são governistas, que se entendam. Isso me parece uma acusação dirigida aos petistas e cercanias — à base governista em suma.

Uma coisa é certa: a imprensa que cumpre o seu papel não está interessada na verba do Ministério do Esporte. Se alguém está, deve ser algum aliado do governo. Assim, se houver conspiração, Orlando Silva que procure entre os seus pares.

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2011

 às 4:59

De 2004 a 2010, entidades sem fins lucrativos receberam R$ 23 bilhões dos cofres do governo federal

Por Catarina Alencastro e Carolina Brígido, no Globo:
O volume de recursos repassados do governo federal para entidades sem fins lucrativos vem aumentando ano a ano. De 2004 a 2010, as ONGs receberam dos cofres públicos um total de R$ 23,3 bilhões. Nesse período, os repasses aumentaram 180%. Além das ONGs, os partidos também entram no bolo das entidades sem fins lucrativos que recebem recursos governamentais. E tiveram, no período, um aumento crescente da verba embolsada, passando de R$ 112,6 milhões em 2004 para R$ 160 milhões no ano passado.

A Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que este ano tudo indica que haverá um decréscimo nos repasses. A projeção para 2011, levando em conta a média mensal, é de R$ 4,1 milhões. O órgão chama atenção, ainda, para o fato de que o universo de entidades sem fins lucrativos é bem mais amplo que o de ONGs, pois inclui, por exemplo, fundações de apoio a universidades e fundos, inclusive o partidário.

A entidade sem fins lucrativos que figura no topo do ranking desde 2006 é a Fundaçâo Butantan, que produz vacinas e imunizantes amplamente usados pelo governo. Só em 2010 o Butantan recebeu R$ 879 milhões. Outras que estão sempre entre as entidades que mais recebem dinheiro público são a Fundação de Seguridade Social (Geap), a Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPDQ), a Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Sincrotron e a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto.

Verba do fundo partidário também cresce
Além das ONGs, a cada ano a parcela de dinheiro público que compõe o Fundo Partidário engorda. Neste ano, estão previstos gastos de R$ 265,3 milhões - que, se forem realmente investidos, constituirão um recorde. Até 24 de agosto deste ano, saíram R$ 119 milhões dos cofres públicos para financiar os partidos. O Fundo Partidário também é composto por valores pagos em multas pelos próprios partidos à Justiça Eleitoral. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2011

 às 4:57

Governo cobra de ONGs R$ 26,5 milhões por desvios no Esporte

Por Dimmi Amora, na Folha:
A cobrança para devolução de dinheiro de contratos irregulares de ONGs e governos com o Ministério do Esporte soma R$ 26,5 milhões. Ao todo, 67 convênios da pasta são considerados irregulares pela CGU (Controladoria-Geral da União), sendo que os acordos feitos diretamente com Estados e municípios somam R$ 3 milhões. Segundo o órgão, responsável por analisar os processos, os pedidos de restituição de verbas repassadas pela pasta cresceram 5.020% nos últimos cinco anos, de R$ 44 mil para R$ 10 milhões. Entre as irregularidades apontadas estão compras superfaturadas, entrega de lanches em quantidades abaixo da prevista e contratação de empresas com sócios ligados às próprias ONGs que receberam recursos do ministério.

Em um dos casos, a CGU descobriu que um equipamento foi comprado com preço 2.700% acima do mercado. Em outro, técnicos apontaram que o governo pagava por kits de lanches com caixas de 200 ml de leite, mas elas tinham apenas 100 ml.Em 2006, a CGU encaminhou pedidos de devolução de dinheiro de dois convênios do Esporte, que, juntos, somavam R$ 43,6 mil. Em 2010, foram 25 convênios tidos como irregulares, num total de R$ 10,3 milhões. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2011

 às 4:55

João Dias, autor da denúncia contra ministro do Esporte, é policial rico e temido pelo poder; ficou milionário depois que se ligou ao grupo de Agnelo Queiroz, o petista que governa o DF

Por Jailton de Carvalho, no Globo:
O soldado da Polícia Militar João Dias Ferreira bate no peito e fala grosso contra o ministro do Esporte Orlando Silva da mesma forma que vinha fazendo nas últimas semanas contra o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Ex-militante do PCdoB de Orlando Silva e dono de duas ONGs voltadas ao esporte, João Dias se tornou um dos policiais mais ricos e temidos de Brasília. Com um arquivo no qual constariam vídeos e papéis de conteúdo explosivo, o soldado enfrenta os superiores, escapa de investigações e ainda indica apadrinhados para cargos no governo Agnelo. “O João Dias afirma ter provas que demonstram tudo o que diz”, afirmou o advogado Michael Roriz de Farias.
(…)
Depois que ingressou nas fileiras do PCdoB, João Dias passou a comandar duas ONGs - a Federação Brasiliense de Kung-Fu e a Associação João Dias de Kung-Fu -, fez convênios com o Ministério do Esporte, durante a gestão de Agnelo, e montou duas academias de ginástica. Atualmente, mora numa mansão em condomínio fechado, com três carros importados na garagem: um Camaro, um Volvo e uma BMW. Patrimônio bem acima do rendimento mensal de um soldado brasiliense, em torno de R$ 4,5 mil por mês.

O poder de fogo de João Dias pareceu mais evidente quando ele, de um blog que mantém na internet, chamou Orlando Silva de “bandido” . Mas a influência do soldado é antiga. Uma das mais eloquentes demonstrações se deu em agosto. Pouco mais de um ano depois de passar cinco dias preso sob a acusação de desviar R$ 3,2 milhões do programa Segundo Tempo, João Dias emplacou o afilhado Manoel Tavares na BRB Seguros, a corretora do Banco Regional de Brasília, um dos cargos mais cobiçados do governo local.

Antes de ir para a seguradora, Tavares passou alguns meses, também por indicação de Dias, como diretor da Companhia de Planejamento do Distrito Federal, outro cargo cobiçado. A perda da indicação não implicou em diminuição de poder. Logo depois da demissão de Tavares, o ex-presidente da Codeplan Miguel Lucena foi escalado para “acalmar” o soldado. “Ele estava indócil”, contou Lucena a um interlocutor depois do encontro em que tentava evitar a cólera do soldado. Lucena não teve sucesso na missão. Menos de dois meses depois, João Dias começou a cumprir parte das ameaças que vinha fazendo e, em blog e entrevistas, disparou contra o governador e Orlando Silva. Aqui.)

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2011

 às 4:53

Orlando Silva tem de sair

Leia editorial do Estadão:

Por sua extrema gravidade, não basta que se investigue a fundo a denúncia de que o ministro do Esporte, Orlando Silva, do PC do B, se beneficiou pessoalmente do desvio de recursos do programa Segundo Tempo, criado para promover atividades esportivas com crianças e adolescentes pobres. O programa foi terceirizado para organizações não governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta - e, claro, dirigidas por gente do partido do ministro. A acusação, divulgada no fim da semana pela revista Veja, deixou Orlando Silva sem condições de continuar no cargo. Ele pediu à Polícia Federal que investigue o caso, que certamente acabará nos tribunais. Mas, no âmbito da política, o princípio da presunção de inocência não se aplica nem se pode esperar que sentenças transitem em julgado. O ministro precisa sair não apenas para não ter a sua autoridade cada vez mais desgastada, que é o que costuma acontecer nessas circunstâncias, mas sobretudo para poupar a presidente Dilma Rousseff de novas atribulações no campo minado da corrupção - bem agora que o Esporte ganhou uma projeção sem precedentes, com os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 no País e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, dois anos depois.

Em fevereiro último uma série de reportagens deste jornal revelou que o Segundo Tempo era uma mina de ouro para o PC do B, graças justamente aos convênios da pasta com entidades ligadas à sigla, realizados sem licitação. Somente em 2010 o aparelhado Ministério desembolsou R$ 30 milhões em transferências - em mais de um sentido - do gênero. Ao que tudo indica, o contubérnio começou com o antecessor de Orlando Silva, Agnelo Queiroz, que se elegeu governador do Distrito Federal (DF) depois de trocar o PC do B pelo PT. Comissões de 20% que teriam sido pagas ao partido da foice podem ter somado ao longo da era Lula cerca de R$ 40 milhões. Mas os “comunistas” não guardavam tudo para si. Teriam ajudado a cobrir gastos da campanha do presidente, em 2006, diz o policial militar (PM) e ex-militante do PC do B João Dias Ferreira. Em abril do ano passado, ele foi preso na Operação Shaolin, da Polícia Civil do DF, por suspeita de participação no desvio de R$ 1,99 milhão repassado pelo Ministério dos Esportes, mediante dois convênios, à Associação João Dias de Kung Fu.

Ferreira é o principal acusador de Orlando Silva. O ministro alega que o PM se voltou contra ele porque o Ministério pediu ao Tribunal de Contas da União que investigasse os convênios com as suas ONGs e as obrigasse a devolver ao erário R$ 3,16 milhões. Pode ser. Mas pode ser também porque o ministro e o partido, diferentemente do que lhe teriam prometido, o deixaram entregue à própria sorte nas investigações da Shaolin. Não foi a primeira vez, nem será a última, que a vingança acaba expondo os podres do governo e da política. À Veja, Ferreira confirmou que o Segundo Tempo servia para favorecer correligionários e irrigar as finanças do PC do B - mas a denúncia bombástica foi outra. Um comparsa do policial, o motorista Célio Soares Pereira, contou ter recolhido dinheiro de quatro entidades ditas sem fins lucrativos que recebiam verba do programa e que o entregou ao ministro Orlando Silva dentro da garagem do Ministério, numa caixa de papelão. “Eram maços de notas de 50 e 100 reais.”

Para embolso pessoal ou caixa 2 de partidos, desvios de recursos de convênios entre a administração pública e ONGs de fachada - não raro constituídas para esse fim, instaladas em endereços fictícios, em nome de laranjas - são talvez o maior dos ralos por onde escorre dinheiro do contribuinte. Como notou ontem no Estado o colunista José Roberto de Toledo, em 2010 o governo destinou R$ 5,4 bilhões a 100 mil ONGs, ante R$ 1,9 bilhão em 2004. Esses gastos têm crescido mais do que as transferências para Estados e municípios. Ironicamente, de início se esperava que a participação dessas entidades, além de engajar a sociedade na implementação de políticas públicas, ajudaria a combater o burocratismo, o desperdício - e a corrupção.

A leniência do governo Lula com a bandalheira transformou uma colaboração em princípio saudável numa gazua. Mesmo assim, até agora ninguém tinha acusado um ministro de receber dinheiro vivo de um convênio de promoção social.

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2011

 às 4:51

Ministério deu aval para ONG suspeita, de militante do PCdoB, captar R$ 3 milhões

Por Julia Duailibi e Daniel Bramatti, no Estadão:
O Ministério do Esporte anunciou neste ano que não renovaria o convênio com a entidade Pra Frente Brasil (antiga Bola Pra Frente), da ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues, mas autorizou a ONG a captar quase R$ 3 milhões por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.

Entre julho e agosto, a pasta permitiu que a entidade buscasse os recursos com empresas para implementar três projetos, Esporte pra Todos I, II e III. As companhias que colaborarem têm como contrapartida desconto no Imposto de Renda.

As autorizações foram dadas após o Tribunal de Contas da União (TCU) anunciar, em abril, que investigaria a entidade por suspeita de irregularidade em convênios firmados com o ministério para realizar o programa Segundo Tempo. Reportagem do Estado publicada em fevereiro mostrou que a ONG cobrava taxa de intermediação das prefeituras para implantar o projeto.

Karina Rodrigues é vereadora em Jaguariúna, interior paulista, pelo PC do B, mesmo partido do ministro Orlando Silva. Quando o caso veio a público, a vereadora disse que cobrava das prefeituras para pagar a contrapartida ao Ministério dos Esportes. Além das autorizações concedidas em 2011, a pasta também permitiu que a entidade captasse no ano passado R$ 854 mil para o programa Domingos Felizes.

De acordo com registro do ministério, ainda não foram feitas captações significativas. Elas ocorrem geralmente no final do ano. quando as empresas têm dados mais concretos de seus resultados e de quanto podem dar.

No ano passado, o ministério repassou cerca de R$ 30 milhões a ONGs, muitas ligadas a aliados do PC do B. Das 443 entidades, prefeituras e empresas que receberam recursos do programa Segundo Tempo em 2010, a Bola pra Frente abocanhou a maior parcela: R$ 13 milhões. Em 2009, ficou em segundo no ranking, com R$ 8,5 milhões. Os recursos caíram a zero em 2011. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2011

 às 20:51

“Ministro propôs acordo para me calar”, diz policial

Por Leandro Colon, no Estadão:
Em entrevista exclusiva ao Estado nesta segunda-feira, 17, o policial militar João Dias Ferreira contradiz a versão do ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), sobre o encontro entre os dois. Ferreira afirma que Orlando propôs, pessoalmente numa reunião em março de 2008 na sede do ministério, um acordo para que o esquema de corrupção na pasta envolvendo o Programa Segundo Tempo não fosse denunciado. O ministro diz ter se encontrado com Ferreira apenas uma vez, entre 2004 e 2005, para discutir convênios das entidades dirigidas pelo policial com o ministério.

Ferreira deu detalhes do encontro que diz ter tido com o ministro do Esporte em março de 2008. “O acordo era para que eles tomassem providências internas, limpassem meu nome e eu não denunciaria  ao Ministério Público”, afirmou. “O encontro foi na sala de reunião dele, no sétimo andar do ministério”, disse. Neste encontro, o policial disse que negociou com o ministro a produção de um documento falso para selar o acordo, já que o ministério cobrava cerca de R$ 3 milhões de suas entidades. “Nessa reunião com o Orlando, eles falaram em produzir um documento sem data. Ele foi pré produzido e consagrado. A reunião foi em março , mas eles colocaram um documento com data de dezembro de 2007 dizendo que eu encerrava o convênio. É um documento fraudado”, disse.

Duas semanas depois do encontro com Orlando, já em abril, uma nova reunião foi feita no ministério, desta vez sem a presença do ministro. Essa conversa, segundo o policial, ocorreu numa sexta à noite, e contou com dirigentes da pasta aliados do ministro. Ele diz ter gravado este encontro. O ministro afirmou no sábado ter encontrado o policial uma só vez entre 2004 e 2005, quando era secretário-executivo da pasta na gestão de Agnelo Queiroz à frente do ministério. “Foi a única vez que encontrei essa pessoa”, disse o ministro, em entrevista no México. Segundo o policial, esse encontro mencionado por Orlando jamais ocorreu. “Essa reunião que ele diz ter feito comigo nunca aconteceu. Não existe essa reunião. O ministro faltou com a verdade”, disse Ferreira. “O ministro esteve comigo uma vez, em março de 2008, para fazer um acordo com o pessoal dele para eu não denunciar o esquema”, disse.

Leia trechos da entrevista que será publicada nesta terça-feira na versão impressa de O Estado (mais Aqui):
O ministro Orlando Silva diz que se encontrou só uma vez com você, entre 2004 e 2005, na gestão do ex-ministro Agnelo Queiroz. É verdade?
 
Essa reunião que ele admite nunca aconteceu. Não existe essa reunião. O ministro faltou com a verdade. Ele esteve comigo uma vez para fazer um acordo com o pessoal dele para eu não denunciar o esquema.

Quando foi essa reunião?
Em março de 2008, estava toda a cúpula. Foi no ministério, no sétimo andar, na sala de reuniões do Orlando.

Por que houve essa reunião?
Eles já tinham proposto um acordo e eu disse que só admitia na presença do Orlando para ele homologar. E eu disse na reunião que descobri todas as manobras, a ligação dos fornecedores. Eles começaram a dizer que estávamos irregular a partir do momento que a gente não pagou os 20% iniciais e não admitiu os fornecedores que eles indicaram. Fomos rebeldes.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2011

 às 20:37

Dilma: “Isso não é uma decisão do ministro Orlando”

A presidente Dilma Rousseff está em Pretória para participar da cúpula Índia-Brasil-África do Sul. E comentou o escândalo que colhe o Ministério do Esporte. Disse confiar no ministro, que todos são em princípio inocentes e coisa e tal. É o regulamentar.

Mas uma fala da presidente deixa claro que Orlando Silva já era, ainda que continue no cargo. Comentando exigências da Fifa, que reivindicou a mudança de leis brasileiras para realizar aqui a Copa do Mundo, afirmou a presidente:
“Eu acredito que essa é uma questão que o governo federal está acompanhando de perto. Eu estive em Bruxelas, vocês anunciaram isso, com um representante da Fifa e, naquela circunstância, deixei a ele claro que o governo não ia alterar - isso não é uma decisão do ministro Orlando (Silva) -, em nenhum momento, nenhuma legislação que beneficiasse a população brasileira. Eles, inclusive, na ocasião, para mim, concordaram”.

Vamos ver. O Brasil tem mesmo uma porção de leis estúpidas — e a da meia-entrada é uma delas. Mas não é a Fifa quem vai cuidar disso, certo? Uma presidente da República ter de anunciar que a legislação brasileira não será alterada por uma entidade privada é de um ridículo tal que quase se perde na esfera do inimaginável. É o ponto a que Orlando Silva, com a sua clarividência, nos levou. Ainda outro dia essa mesma exigência lhe foi feita, e ele piscou. Agora vem Dilma para assegurar: “Não é ele quem cuida disso.” Bem, cuida, então, exatamente do quê?

PS - Quanto à questão em particular, vamos ficar atentos. Tenho cá as minhas desconfianças de que se tentará dar um jeito de “seguir a lei” e, ao mesmo tempo, contentar a Fifa. Isso só será possível, no caso das entradas, com muito dinheiro público na jogada: a meia-entrada seria garantida, e o governo (ou governos) inteiraria o resto. A alternativa seria elevar os ingressos a preços extorsivos.

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2011

 às 19:39

Dirceu acha que não se deve dar bola para gente processada… É mesmo?

O consultor de empresas privadas e “chefe de quadrilha” (segundo a Procuradoria Geral da República) José Dirceu, que teve o mandato de deputado cassado por corrupção, saiu em defesa de Orlando Silva, ministro do Esporte, o que só piora, obviamente, a situação de Silva.

O Zé, que já teve duas caras — a sua e a outra, de quando estava na clandestinidade (não sei de qual das duas descende a de hoje) — também tem duas morais: com uma, julga a si mesmo; com a outra, julga terceiros.

O homem que recebe autoridades do governo em quartos de hotel, uma espécie de versão para a administração pública do “rendez-vous”, não gostou da reportagem de VEJA. Ele também detestou aquela em que aparece ao lado de figuras do alto escalão da administração, em um gabinete clandestino, conspirando contra o governo do seu próprio partido… Essa VEJA, viu!?, vou lhes contar… Sigamos.

O ainda poderoso chefão do PT ficou escandalizado que se tenha dado bola a alguém como o PM João Dias Ferreira, militante do PCdoB, que chegou a ser conviva do próprio ministro. Assim se referiu o Zé ao PM:
“Tem uma denúncia de um cidadão que está sendo processado, acusado de desvios. Estranho é que a matéria em vez de ser sobre o PM é sobre o ministro. A matéria devia ser sobre o escândalo de desvio de recursos do qual o PM está sendo acusado. O ministro não está sendo acusado de nada. As acusações do PM são testemunhais, ele tem que comprovar isso.”

HEEEINNN???

Quer dizer que um sujeito processado pelo STF por formação de quadrilha e corrupção ativa acha que não se deve dar bola a João Dias — cuja ONG recebeu dinheiro do programa Segundo Tempo — porque este está sendo processado?

Ora, por que Dirceu, ele próprio, está falando? Por que Dirceu, ele próprio, está sendo ouvido pela imprensa? Por que Dirceu, ele próprio, tem o topete de manter um site? Por que Dirceu, ele próprio, acha que é um bom juiz dessa causa e da própria imprensa? Por que o processado José Dirceu não cala, então, as bocas (a que tem e a que já teve?).

Ou o processado José Dirceu se acha muito superior ao processado João Dias Ferreira só porque é Dirceu?

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2011

 às 17:13

Por que VEJA incomoda tanto os ética e moralmente maldotados? Ou: Revista denunciou as falcatruas no Esporte há quase quatro anos!

Não há um só indivíduo ética e moralmente maldotado que goste da VEJA. Faz sentido! Comentei, posts abaixo, que o Estadão já tinha publicado uma série de reportagens sobre os desmandos no Ministério do Esporte no fim do ano passado e começo deste ano. É verdade! Foi mesmo uma série de fôlego. A VEJA, a revista que causa indignação nos tais sujeitos ética e moralmente maldotados (é a minha expressão politicamente correta para “safados”) denunciou as falcatruas, ATENÇÃO!, em 5 de março de 2008 — há três anos e sete meses! Leiam o texto. Está tudo ali. Volto depois.

*
O Ministério do Esporte coordena um dos programas mais bem-intencionados do governo Lula. Nos últimos cinco anos, 439 milhões de reais foram investidos no Segundo Tempo - um projeto que busca tirar das ruas crianças e jovens em situação de risco, oferecendo atividades esportivas e alimentação. Oficialmente, o programa atende 1 milhão de pessoas em todos os estados. Para implementar as ações e garantir a execução do projeto, o ministério selecionou 200 entidades filantrópicas sem fins lucrativos, as conhecidas organizações não-governamentais (ONGs). Uma bela parceria entre setores da sociedade, se a esperteza política e os aproveitadores de sempre não se unissem à empreitada. O resultado é que, além dos jovens, o programa Segundo Tempo tem ajudado também comunistas e amigos do PCdoB, o partido que comanda o Ministério do Esporte, a encher os bolsos de dinheiro. Sem controle ou nenhuma fiscalização, ONGs escolhidas a dedo receberam repasses milionários, simularam a criação de núcleos de treinamento, registraram alunos-fantasma, fraudaram as prestações de contas e surrupiaram parte dos recursos que deveriam ajudar crianças carentes.

VEJA teve acesso ao resultado de uma investigação realizada pela polícia de Brasília, e encaminhada à CPI das ONGs, no Senado, sobre a atuação de algumas entidades que receberam milhões para executar o Segundo Tempo. É uma amostra singular da farra em que se transformaram as chamadas parcerias do governo com o terceiro setor. O Ministério Público também investiga casos de entidades que receberam recursos e nem sequer existiam. Outras usavam falsos cadastros de alunos para fazer de conta que realizavam o trabalho. Apenas quatro entidades da periferia de Brasília - Associação João Dias de Kung Fu, Federação Brasiliense de Kung Fu, Associação dos Funcionários do Ceub e Associação Gomes de Matos - receberam 4,7 milhões de reais do Ministério do Esporte. Depoimentos colhidos de funcionários e ex-funcionários mostram como o dinheiro era desviado. Os donos das ONGs orientavam seus monitores a percorrer escolas públicas e colher assinaturas de estudantes para simular uma lista de freqüência nos cursos que não existiam. Recebiam o dinheiro, com–pravam notas fiscais frias para justificar as despesas e embolsavam a diferença - quase tudo. Além das histórias de fraude em comum, há mais um detalhe curioso que une as ONGs selecionadas pelo Ministério do Esporte em Brasília: elas são comandadas por pessoas ligadas ao PCdoB ou a militantes do partido. Coincidência? Talvez, mas improvável.

A suspeita é que uma parte do dinheiro desviado pelas ONGs, além de enriquecer alguns, ainda seja usada para abastecer campanhas políticas dos comunistas. Em Brasília, para onde foram destinados 71 milhões de reais do Segundo Tempo, donos de entidades se converteram ao comunismo depois de assinar os convênios com o ministério e alguns até disputaram eleições representando o PCdoB. Não por coincidência, logo no início, quando começaram as fraudes, o ministro encarregado do programa era Agnelo Queiroz, do PCdoB, que tem a capital como base eleitoral. As ONGs brasilienses, à época, receberam mais dinheiro que quaisquer outras no Brasil, apesar de a cidade registrar indicadores sociais invejáveis. Agnelo deixou o ministério para concorrer a uma vaga no Senado, sempre contando com o apoio camarada dos donos das ONGs milionárias. Em 2006, o ministro não foi eleito, e em seu lugar assumiu Orlando Silva, também do PCdoB, que redistribuiu os recursos, dessa vez privilegiando São Paulo, talvez por coincidência sua base eleitoral.

Orlando Silva admite que não havia critérios objetivos para escolher as ONGs e que também eram frágeis os mecanismos de controle sobre a destinação dos recursos e a execução do programa. A falta de fiscalização provocou situações absurdas, como a contratação de um acusado de pedofilia como monitor de crianças na periferia de Brasília. “Não podemos criminalizar as ONGs. Só que, para segurança do estado, é melhor firmar parcerias com os governos e estamos fazendo isso”, explica o ministro. O problema é que uma boa parte dos recursos públicos destinados às crianças do Segundo Tempo já foi expropriada, o Ministério do Esporte não tem a mínima idéia de onde foi parar o dinheiro e, ao que parece, também não tem muita disposição em descobrir. Até agora, apenas uma denúncia que se tornou pública foi encaminhada à Controladoria-Geral da União para apuração. Membros da CPI das ONGs reclamam que, além da má vontade do ministério, há enorme dificuldade em investigar o programa Segundo Tempo no Congresso. “O senador Inácio Arruda, relator da comissão, foi indicado ao cargo para blindar os comunistas”, diz o senador Alvaro Dias, do PSDB. Inácio Arruda, do PCdoB do Ceará, rebate: “É um escárnio. Não vou nem comentar”.

Voltei
Como se vê, VEJA denunciou a roubalheira e o desvio de recursos há quase quatro anos. Orlando Silva prometeu tomar providências… A reportagem de ontem do Fantástico demonstrou em que pé estão as coisas… Só para que vocês não se confundam: Agnelo Queiroz, antecessor de Orlando Silva, é hoje governador do Distrito Federal pelo PT. Ele mudou de partido. À época, ele era do PCdoB. Mudou de legenda, mas não de hábitos. Ou melhor: juntou ao padrão ético que já tinha o apuro que lhe foi fornecido pelo petismo.

Síntese
Os safados não gostam de VEJA, mas os honestos gostam.

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2011

 às 16:50

Não adianta a canalha tentar invadir o blog; aqui não entra! Ou: PCdoB está se preparando para se vingar de… Krushev?

“Rá, rá, rá”…
“Quá, quá, quá”…
“Oinc, oic, oinc”…

Este sou eu imitando a vagabundaiada.

Os empregadinhos a soldo que atuam na rede agora resolveram dar pinta aqui no blog também. Não publico! Como não conseguem defender Orlando Silva ou negar as evidências de fraude no Ministério do Esporte, então preferem acusar “a mídia”.

E há os que ameaçam: “Você vai ver o que vem por aí!!!”

É mesmo? O que é que vem por aí? O que será que o PC do B está preparando como reação ao “golpe da mídia”?

Será que os stalinistas finalmente vão se vingar dos ataques feitos por Krushev no XX Congresso do Partido Comunista Soviético, em 1956, já que, até hoje, 55 anos depois, o partido não admite os crimes de Stálin? Querem mexer com o meu veio humorístico? Querem que eu diga o quê? Que o partido justifica crimes não é de hoje? Que é especialista em acusações fraudulentas, daí defender, 70 anos depois,  os Processos de Moscou?

Vão ameaçar a Vovozinha Vermelha!!!

Aliás, taí: ocorreu-me agora uma coisa. Alguém imagina uma vovozinha comuna, tratando com carinho os camaradas netinhos? Mais seguro dar uma cestinha de doces ao Lobo Mau, hehe.

Não dá! Representantes da finada, porém milionária, UNE, mero aparelho do PC do B, resolveram sair em defesa de Orlando Silva. Até aí, né?, estão defendendo o seu. Mas precisam ter um mínimo de compostura. O que querem que eu diga? Que estamos diante de uma questão com cheiro de aristocracia familiar?

Orlando é cunhado de Gustavo Petta, ex-presidente da UNE (de 2003 a 2007). Com o cunhadão no ministério, Petta foi secretário de Esportes e Lazer de Campinas (2009 a 2010), integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo federal, membro do Conselho Nacional de Juventude e participou da organização da III Conferência Nacional do Esporte (2010). No Brasil, até o “comunismo” se mistura ao familismo. Daniel Iliescu, atual presidente da UNE, com essa ascendência certamente romena, sabe bem o que é comunismo familiar-hereditário: Nicolae Ceausescu tentou criar uma monarquia comunista na Romênia… Acabou mal.

Esses caras que tomem tenência! Se não estão moralmente aparelhados para saber a diferença entre dinheiro público e privado, entre os interesses do país, os do partido e os seus próprios, que tentem encontrar ao menos um pouco de senso de ridículo.

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2011

 às 16:01

Vamos com calma aí: VEJA avança ao trazer testemunho de alguém que atuou em esquema e acusa Orlando Silva; que ministério fosse um lamaçal, isso era de conhecimento público

Em certas circunstâncias, recorro a uma fala de Macunaíma como um bordão: “Ai, que preguiça!” Vamos com calma aí: o centro da reportagem da VEJA desta semana não está na evidência de falcatrua no Ministério do Esporte. O busílis é outro. O que a revista traz de fundamental é o testemunho de alguém que pertenceu ao esquema a afirmar que o chefe da quadrilha é o próprio ministro. Que o Ministério do Esporte fosse uma pasta vetada a menores, ah, isso era sabido.

Mesmo antes da reportagem de VEJA, é impressionante que Orlando Silva ainda estivesse no cargo. O Estadão, em grande parte por obra do excelente repórter Leandro Colon, já esmiuçou as falcatruas da pasta e do programa Segundo Tempo de maneira detalhada, meticulosa, inquestionável. Provou também que o ministério tinha virado caixa do PCdoB.

Reproduzo abaixo um texto de uma série a evidenciar escândalos em cascata, publicado no dia 19 de fevereiro.

Cercado por fraudes, Segundo Tempo turbina caixa e políticos do PC do B

Por Leandro Colon:
Principal programa do Ministério do Esporte, comandado por Orlando Silva, o Segundo Tempo, além de gerar dividendos eleitorais, transformou-se num instrumento financeiro do Partido Comunista do Brasil (PC do B), legenda à qual é filiado o ministro. A reportagem do Estado foi conhecer os núcleos do Segundo Tempo no Distrito Federal, em Goiás, Piauí, São Paulo e Santa Catarina. A amostra, na capital e região do entorno, no Nordeste mais pobre ou no Sul e no Sudeste com melhores indicadores socioeconômicos, flagrou o mesmo quadro: entidades de fachada recebendo o dinheiro do projeto, núcleos esportivos fantasmas, abandonados ou em condições precárias.

As crianças ficam expostas ao mato alto e a detritos nos terrenos onde deveriam existir quadras esportivas. Alguns espaços são precariamente improvisados, faltam uniformes e calçados, os salários estão atrasados e a merenda é desviada ou entregue com prazo de validade vencido. No site do ministério, o Segundo Tempo é descrito como um programa de “inclusão social” e “desenvolvimento integral do homem”. Tem como prioridade atuar em áreas “de risco e vulnerabilidade social”, criando núcleos esportivos para oferecer a crianças e jovens carentes a prática esportiva após o turno escolar e também nas férias.

Conferidas de perto, pode-se constatar que as diretrizes do projeto, que falam em “democratização da gestão” foram substituídas pelo aparelhamento partidário. A reportagem mostra, a partir deste domingo, 20, como o ministro Orlando Silva, sem licitação, entregou o programa ao PC do B. O Segundo Tempo está, majoritariamente, nas mãos de entidades dirigidas pelo partido e virou arma política e eleitoral. Só em 2010, ano eleitoral, os contratos com essas entidades somaram R$ 30 milhões.

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2011

 às 15:43

Serra diz que governo vira “central de corrupção” ao não descentralizar verbas

No Globo Online:
Em meio às denúncias contra o ministro dos Esportes, Orlando Silva, acusado de receber dinheiro de propina na garagem do ministério , o ex-governador José Serra aproveitou para criticar a forma centralizadora do governo petista. Segundo ele, o governo se transforma numa “central de corrupção” ao não entregar recursos a estados e municípios responsáveis por programas como o “Segundo Tempo”, alvo das denúncias que atingem o ministro. “Mas a gestão federal petista fez tudo ao contrário: recentralizou ao máximo as ações apoiadas pelo governo federal, na ânsia de manipular e obter faturamento político-eleitoral. Mais ainda: a centralização facilita o loteamento da administração federal, pois fortalece, abre ou cria novas áreas de domínio para oferecer aos parceiros nas lambanças. Ou por outra: o governo acaba se tornando uma central de corrupção”, disse Serra, em seu blog.

“Um programa como esse “Segundo Tempo” deveria, obviamente, ser de caráter municipal ou, no máximo, estadual. Bastaria o governo federal entregar os recursos para as outras esferas de governo e, naturalmente, estabelecer algum tipo de controle sobre sua aplicação. Poderia até fixar uma certa contrapartida dos estados e municípios - governadores e prefeitos aceitariam fazê-lo, com grande facilidade”, emendou o tucano.

Segundo o ex-governador, o repasse de verbas para estados e municípios não evitaria, por si, desvios e propinas, “mas os dificultaria em razão de um cruzamento de controles feitos por esferas distintas”. “Haveria, ao menos, mais fiscalização e, estou certo, mais eficiência”. (íntegra do post de Serra aqui).

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2011

 às 15:37

Ou bem acusador de Orlando Silva também fala no Congresso, ou oposição deve se negar a ouvir apenas ministro. Parlamento não é circo do oficialismo

A oposição quer o ministro do Esporte, Orlando Silva, prestando esclarecimentos em comissões da Câmara e do Senado. Certo! Ele tem de ser convocado mesmo. Mas é preciso tomar cuidado. Ou se convida também o policial João Dias Ferreira, ou a ida do ministro ao Congresso se transforma em pantomima oficialista, quiçá em palanque.

“Ah, mas como chamar alguém que já foi preso para depor no Congresso?” Se o próprio ministro recebeu o homem em gabinete e se a instituição que ele dirigia foi considerada pela pasta apta a gerenciar alguns milhões do programa Segundo Tempo, é certo que ele tem algo a dizer, não?

Aliás, está na hora de a oposição endurecer nessas coisas: ou bem os governistas aprovam também requerimentos para ouvir o policial, ou as sessões em que Orlando Silva vai falar têm de ser esvaziadas; caso só o ministro seja chamado, os oposicionistas devem cair fora, deixar que os governistas fiquem lá se defendendo e se lambendo uns aos outros. Afinal, será mesmo uma farsa.

Se for o caso, os oposicionistas chamam João Dias para falar em outro lugar, nem que seja fora do Congresso — ou, então, em algum gabinete —, com a imprensa presente. O governismo transformou a ida de autoridades ao Congresso em mero ritual do oficialismo. Parlamentares da base abrem mão da prerrogativa de que dispõe o Legislativo para pedir esclarecimentos ao Executivo e atuam só como tropa de choque.

Em suma: ou bem João Dias também é convocado, ou a oposição se nega a ouvir apenas o ministro, aproveitando para denunciar a farsa oficialista. O Congresso não é um circo do governismo.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Prezado Reinaldo e equipe, tem muitos numeros a reconsiderar:Grãos: Planta-se no Brasil MENOS de 38 milhões de hectares de área fisica. Nas estatisticas aparecem 48 milhões por que eles SOMAM soja e trigo por exemplo no sul do pais que ocupam o mesmo hectare. Idem cevada, centeio, azevém, triticale, etc... Idem áreas irrigadas no Centro do País, cultivadas mais de uma vez por ano. Idem milho safrinha cultivado no mesmo hectare onde havia feijão, amendoim ou soja no mesmo ano. Também a Cana, o café, todos os eucaliptos, pinus, fruticultura e horticultura somam MENOS de 20 milhões de hectares, portanto a soma da agricultura dá menos de 58 milhões de hectares ou seja 6,8% dos 851 milhões de hectares do Brasil. Parece-me que o total de zonas urbanas no país atinge mais do que isto!

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