Modelo difundido pela Emater dobra produtividade do café no Paraná

Publicado em 06/11/2011 17:38 263 exibições

O município de Grandes Rios desenvolve uma nova cafeicultura, fruto do trabalho integrado entre o serviço oficial de assistência técnica e extensão rural, Associação dos Cafeicultores de Grandes Rios (Acafé) e Prefeitura local.

Com este apoio, os produtores estão investindo na produção de cafés de excelente qualidade e obtendo produtividades recordes que passam de 125 sacas de produto limpo por alqueire. 

Na propriedade do agricultor Adão Santo Daré, que num sítio de 12,7 hectares dedica 4,5 hectares para a cultura do café. Ele produz a média de 52 sacas por hectare com a expectativa de colher na próxima safra mais de 100 sacas. A média estadual é de 23 sacas por hectare. 

Na avaliação de Rubens Niederheitmann, a experiência que o secretário conheceu em Grandes Rios é exemplo do modelo de trabalho que o serviço oficial de extensão rural vem adotando em todo o Estado. “Nós queremos o nosso técnico mais próximo do agricultor. E essa ação que vimos aqui mostra bem isso. São propriedades de referência e que ajudam, de forma prática, no local, fazer a difusão de um modelo de produção que respeita o meio ambiente, gera renda e melhora as condições de vida das famílias assistidas”.
Nelson Menoli Sobrinho é o extensionista que presta assistência aos produtores e assessora a Associação dos Cafeicultores. Coube a ele explicar como está sendo obtido esse resultado. “Recomendamos aos plantadores, nas lavouras feitas no sistema semi-adensado, fazer a poda em partes dessa plantação. É poda de esqueletamento, que retira os ramos laterais, e a poda de decote, com corte do ponteiro da planta a uma altura de 1,7 metro. A finalidade é aproveitar 100 por cento o potencial produtivo da planta em uma safra, com produção zero no ano seguinte”.
Sem a aplicação dessa prática de manejo, a tendência é o cafeeiro produzir todos os anos. Porém, com boa produtividade num ano e baixa produção no outro.
O cafeicultor Adão Santo Daré reforça a tese apresentada por Menoli. “Hoje temos que trabalhar assim. Isso porque a mão de obra está cada vez mais escassa e cara. Além de ser vantajoso para o produtor, ajuda também o município liberando gente para trabalhar em outras áreas”, diz. Para ele, além aumentar a produtividade, o sistema recomendado pela Emater contribui com a melhoria da qualidade do café colhido.
Segundo Menoli, a proposta tecnológica traz vantagens para o produtor, mas por outro lado exige uma assistência técnica mais efetiva. “Isso para que o cafeicultor possa fazer um bom manejo das lavouras, trabalhar bem o procedimento de desbrota, manejar de forma adequada a fertilidade do solo e controlar de forma racional tanto pragas quanto doenças”. O extensionista usa a prática de manejo da fertilidade do solo para explicar melhor a importância desses cuidados. “Se faltar nutrientes no solo, a planta acaba consumindo reservas acumuladas nos ramos, folhas e raízes para nutrir os frutos em formação. Neste caso, comprometendo a brotação dos ramos produtivos após a poda e até inviabilizando as colheitas futuras”.
VISITA – Na visita à sede da Acafé, o secretário da agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, conheceu as várias iniciativas conduzidas pela organização assessorada pela Emater e que estão melhorando os resultados econômicos de seus 62 associados, e de pelo menos outras 180 famílias parceiras deles. A Associação foi criada em 1995, depois que uma geada forte, em 1994, motivou o fechamento do entreposto da Cocamar.
Na Associação, Ortigara conheceu o trabalho feito pelo Centro de Classificação Física e de Degustação que até o início deste ano era atendido exclusivamente pelo engenheiro agrônomo da Emater, Nelson Menoli Sobrinho, classificador e degustador oficial do Ministério da Agricultura. Agora, o extensionista conta com a ajuda de pelo menos outros oito produtores que, com a instrução do próprio Menoli, se tornaram também classificadores e degustadores depois de participar de um curso com duração de 250 horas. “Já estamos contabilizando os benefícios desse trabalho. Os produtores agora fazem a avaliação dos próprios lotes e de lotes de cafeicultores vizinhos. Com isso, fiquei liberado para outras atividades de assistência técnica. Como avanço, devemos destacar ainda a produção, pela primeira vez no município, de cafés tipo cereja descascado”, relata Menoli.
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Fonte:
Agência de Notícias do Paraná

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