Mercado de café: EQUILÍBRIO AMEAÇADO

Publicado em 04/12/2011 09:36
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting


As compras desenfreadas dos americanos durante o final de semana pós Thanksgiving (Ação de Graças), junto com a reunião dos ministros da economia dos países da zona do euro que aconteceu na terça-feira, e rumores de ajuda do FMI, fez com que os mercados acionários iniciassem a semana em forte alta – ainda que na prática nenhum plano ou operação tenha sido confirmado na Europa.

Então na quarta-feira um fato concreto ajudou os investidores a crer que os líderes dos países “desenvolvidos” estão se esforçando para juntos encontrarem um caminho que amenize a crise. A medida tomada em conjunto entre os bancos centrais dos Estados Unidos, Europa, Japão, Inglaterra, Suiça e Canadá, em diminuir a taxa de swap em 50 pontos básicos a partir do dia 5 de dezembro, na prática barateia o custo de tomar empréstimos em dólar, em um momento que há sede por dólares americanos. No fim não há uma mudança estrutural, pois estão tratando os sintomas da doença apenas.

De qualquer forma o resultado foi uma forte alta dos índices de ações entre 7% e 10% em cinco dias, enquanto os índices das commodities subiram entre 2.65% e 3.21%.

O café também tentou pegar carona no ânimo, mas falhou tecnicamente em romper os US$ 240 centavos por libra e encerrou a semana com queda de US$ 4 por saca na bolsa de Nova Iorque. Por outro lado São Paulo ganhou US$ 3.80 por saca e Londres subiu US$ 3.24 por saca.

Os participantes internacionais do mercado de café têm sido céticos com notícias do Brasil que apontam uma próxima safra abaixo de 55 milhões de sacas. 

Eu acho que entre alguns motivos, a previsão de uma safra 12/13 que poderia ser maior do que 60 milhões de sacas, segundo vários analistas, fez com que a bolsa tenha caído para o intervalo de negociação entre 220 e 240 centavos. Desta forma se há ajustes a serem feitos que reduzam o potencial da safra, que parece ter acontecido por conta de uma fixação da florada menor do que esperada dado dias frios da primavera, o mercado futuro em algum momento vai ter que refletir isto. 

Escrevemos neste espaço algumas vezes que mesmo que a safra fosse de 60 milhões de sacas o volume não seria excessivo, mas apenas serviria para compor parcialmente os estoques para uma 13/14 safra menor. O quadro simplesmente sairia de um aperto que estamos vivendo para um equilíbrio, frágil por sinal. Se de fato a safra 12/13 for 5 a 7 milhões de sacas menor do que o esperado, não gerará excedente necessário para o próximo ciclo de baixa, ou seja os preços devem voltar a subir. O problema é que de fato o número final só será sabido ao fim do ano safra, quando o volume exportado mais o volume consumido forem computados, e talvez o que seja mais chato é que a bolsa de Nova Iorque ainda tem os malditos certificados servindo de âncora, o que não deixa os preços “livres” para refletir completamente a situação do físico.

Os altistas adoraram as revisões divulgadas na semana, claro. Já os baixistas dizem que da mesma forma que eram exageradas estatísticas para uma produção muito maior do que 60 milhões de sacas, agora se exagera dizendo ser próxima de 50 milhões. Os mais comedidos querem aguardar fevereiro e março de 2012 para emitirem sua opinião, e estes podem ser ajudados pela bolsa estar disfuncional no momento.

Talvez teimosamente dado o quadro de equilíbrio de oferta e demanda, e incertezas quanto a uma “bumper-crop” (super-safra) em 12/13, acho arriscado estar vendido neste mercado. Como o real recuperou, e o nível de vendas de origens não será nada assustador, a continuação da maré de otimismo no cenário macroeconômico pode dar uma força para que Nova Iorque volte acima de US$ 250 centavos.

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos,
Rodrigo Costa* 

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Fonte:
Archer Consulting

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