Algodão: Desde fevereiro, preço cai 17%; colheita começa no Cerrado

Publicado em 18/06/2014 12:17 508 exibições

O clima firme em praticamente todo o Cerrado brasileiro tem favorecido a colheita de algodão, que avança aos poucos em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia e Minas Gerais. Pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, indicam que, como o volume colhido ainda é pequeno, algumas algodoeiras programam iniciar o beneficiamento da pluma somente no final de junho ou início de julho, quando deve haver maior volume de algodão em caroço à disposição. Nesta temporada, segundo a Conab, a produção nacional deve ser de 1,672 milhão de toneladas, colhidas em 1,1 milhão de hectares e contando com o ganho de 3,5% da produtividade (1.515 kg de pluma por hectare) frente à safra anterior.

A temporada 2014/15 dos Estados Unidos, que entrará no mercado internacional no final de 2014, também será maior – o crescimento atualmente estimado pelo USDA é de 16,5%. Porém, no agregado, os dados mais recentes do USDA apontam queda de 1,9% da produção mundial, projetada em 25,2 milhões de toneladas. Para o consumo, a instituição norte-americana indica avanço de 2,2% em relação ao ano safra anterior, chegando a 24,45 milhões de toneladas.

Apesar disso, as transações mundiais têm sido reajustadas para baixo e estão, agora, previstas pelo USDA em 7,7 milhões de toneladas, 13,4% menores que as da temporada anterior, configurando-se no menor volume transacionado desde a safra 2008/09. Isso seria reflexo de compras 40,7% menores por parte da China, que se limitariam a 1,7 milhão de toneladas, também o menor volume desde 2008/09. Quanto às exportações, o USDA aponta que somente o Brasil pode ter crescimento em relação ao volume embarcado no ano safra 2012/13. Segundo a nova estimativa, iriam para o exterior 718 mil toneladas da pluma brasileira.

No mercado doméstico, as cotações da pluma se mantêm em queda; desde o início de fevereiro, já recuaram cerca de 17%, passando de quase R$ 2,30/libra-peso para a casa de R$ 1,90/lp – Indicador CEPEA/ESALQ, tipo 41-4, posto em SP capital. Em junho, especificamente, o Indicador cai 0,72%, fechando nessa terça-feira a R$ 1,9140/lp. 

Nos últimos dias, pesquisadores do Cepea relatam que as variações negativas foram discretas, aliviadas pelo maior interesse de indústria principalmente do Nordeste, mas continuam refletindo a perspectiva de maior oferta interna nas próximas semanas e de quedas das cotações internacionais devido ao maior estoque disponível e às menores compras da China. Além disso, como as quedas na paridade de exportação e nos contratos futuros na Bolsa de Nova York (ICE Futures) não têm favorecido a realização de novos contratos de exportações, algumas tradings disponibilizam novos lotes ao mercado interno, o que também pressiona as cotações.

Nesse contexto, vendedores se mostram flexíveis, com exceção dos cotonicultores com lotes de boa qualidade (41-4 para melhor), que se mantêm retraídos aguardando melhora da demanda pelo tipo de pluma que detêm. No geral, a liquidez no mercado interno continua baixa, e os negócios efetivos têm envolvidos volumes pequenos.

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Cepea

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