Retrospectiva Cepea - Algodão: Demanda prevaleceu e preços seguiram firmes no ano

Publicado em 05/01/2011 15:16 578 exibições

Em 2010, as expectativas que pairavam sobre o setor desde início do ano se confirmaram, com preços do algodão em pluma atingindo máximas históricas nos mercados interno (em termos nominais) e externo. O ano foi marcado pela demanda firme e restrição de oferta, favorecendo a redução dos estoques de passagem que, por sua vez, chegaram à menor relação estoque/consumo dos últimos 15 anos. O crescimento da demanda foi reflexo do avanço da economia mundial até de forma relativamente mais rápida do que agentes esperavam, enquanto a redução da oferta esteve relacionada à menor área cultivada e redução da produtividade em alguns importantes países produtores.

Desde o início de 2010, os preços seguiram em alta nos mercado interno e externo. Ainda em janeiro, o preço do algodão em pluma no Brasil atingiu o maior valor nominal desde meados de fevereiro de 2007, ou seja, de 35 meses – conforme dados do Cepea. Enquanto que naquele ano a expectativa de safra recorde levava a um movimento baixista, em janeiro de 2010, o interesse de compra por parte de algumas indústrias e a expectativa de menor produção, tanto no Brasil quanto no mundo, eram os fundamentos de alta no País.

Porém, em fevereiro/10, as cotações de algodão em pluma no Brasil pareceram ignorar os fortes aumentos observados no mercado externo. Enquanto os baixos estoques mundiais e a boa demanda sustentavam os preços na ICE Futures (Bolsa de Nova York) e o Índice Cotlook A (Liverpool), no Brasil, as negociações envolveram apenas pequenos lotes, limitando possíveis repasses das altas. Além disso, a maior disponibilidade de pluma de qualidade inferior e o interesse de alguns produtores em liquidar estoques dificultaram aumento nos preços.

Mas, já em seguida, as cotações voltaram a mostrar reação, devido ao maior interesse comprador. Segundo pesquisadores do Cepea, os baixos estoques das indústrias no período de entressafra fizeram com que muitas unidades voltassem a ficar ativas. Preocupadas com a disponibilidade da pluma inclusive no período de safra no Brasil, no final do primeiro trimestre de 2010, indústrias consultadas pelo Cepea buscaram efetivações antecipadas para recebimento da pluma da safra 2009/10.

Somente em maio os preços do algodão em pluma caíram no mercado brasileiro, interrompendo o movimento de alta. Conforme pesquisadores do Cepea, naquele período, a pressão veio tanto da retração de alguns compradores como pelo maior interesse de produtores em liquidar estoques, especialmente com a intensificação da colheita no Cerrado brasileiro. Isso porque, em maio, a safra de Goiás e de Mato Grosso do Sul começou a se juntar à oferta da Bahia, reforçando a argumentação de compradores, que ofertavam menores cotações.

Porém, novamente a felicidade de compradores durou pouco, com preços retomando o ritmo de alta em junho. Nem mesmo a intensificação da colheita e o beneficiamento da pluma conseguiram segurar o movimento de alta no correr do mês, prevalecendo os baixos estoques e a demanda firme. Além disso, produtores consultados pelo Cepea restringiram a oferta da pluma da nova safra, aguardando definições sobre volumes que efetivamente seriam produzidos. A seca que ocorreu no Centro-Oeste resultou em produção abaixo da estimada inicialmente. Assim, produtores seguiram cumprindo basicamente contratos já fechados, incluindo os que envolviam troca por insumos.

No início do segundo semestre de 2010, compradores estiveram mais cautelosos em novas negociações, na expectativa de que os preços pudessem ceder com o avanço da colheita. Com isso, as reações foram menos expressivas em julho, segundo dados do Cepea.

Já em agosto os preços do algodão em pluma registraram expressiva alta no mercado brasileiro, mesmo com o avanço da colheita. Pesquisadores do Cepea indicam que o impulso veio da demanda, que superou a oferta do produto no mercado spot. Isso ocorreu porque muitas têxteis não fizeram estoques e/ou contratos antecipados suficientes para o andamento dos trabalhos de manufatura, aguardando para comprar naquela época da safra – quando, normalmente, os preços tendem a cair. No entanto, a oferta da pluma no mercado spot seguiu baixa e, como esses compradores tinham necessidade imediata da pluma, aceitaram os maiores valores pedidos por vendedores.

A demanda por algodão no Brasil e no mundo se acirrou no segundo semestre de 2010, devido aos baixos estoques. No Brasil, a necessidade de compra das indústrias superava a disponibilidade de produto para comercialização, levando o setor a buscar alternativas na importação. Já em setembro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) liberou a importação de 250 mil toneladas de algodão no período de outubro/10 a maio/11 sem a Tarifa Externa Comum (TEC), mas praticamente sem efeito sobre amenização de altas.

Dados da Conab apontaram que a produção da safra 2009/10 foi de 1,194 milhão de toneladas, diminuição de 1,6% frente à temporada 2008/09. Esse recuo, segundo a Conab, deveu-se principalmente à expressiva redução de área na região Nordeste e à menor produtividade no Centro-Sul, devido ao clima desfavorável. A quebra na produtividade em Mato Grosso, maior produtor nacional, foi de 14,6%. Já na Bahia, com condições climáticas favoráveis, a produtividade teve aumento de 16,6%.

Quanto às exportações, de janeiro a dezembro de 2010, o Brasil embarcou 512,5 mil toneladas de algodão em pluma, volume 1,5% maior que o do mesmo período de 2009.

Entre o último dia de 2009 e 27 de dezembro de 2010, o Indicador CEPEA/ESALQ – 8 dias para pagamento – teve expressiva alta de 114,86%, fechando a R$ 2,9147/lp, valor recorde. Na parcial de dezembro, o Indicador subiu 8,69%.

No mercado internacional, o primeiro vencimento da Bolsa de Nova York (ICE Futures) subiu 93,24% na parcial do ano, com o contrato Mar/11 fechando a US$ 1,4576/lp no dia 27. Já o índice Cotlook A teve aumento de 123,9%, fechando a US$ 1,7565/lp no mesmo período. No ano, o Real valorizou ligeiros 3,1% frente ao dólar. Mesmo assim, a paridade de exportação calculada pelo Cepea, FOB Paranaguá, teve alta de 134,81%, para R$ 2,6881/lp até o dia 23.

 

 

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Fonte:
Cepea

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