Sabem que livrou o país de um recuo no PIB no 3º trimestre? O demonizado setor agroprecuário!

Publicado em 07/12/2011 07:09 648 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

Sabem que livrou o país de um recuo no PIB no 3º trimestre? O demonizado setor agroprecuário!

Pois é… Como diriam os ongueiros, né?, esses ruralistas sempre aprontando das suas! Foi o setor agropecuário que livrou o PIB brasileiro de um recuo no terceiro trimestre. Leiam o que informa a VEJA Online.

Por Ana Clara Costa:
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre foi nulo ante o trimestre anterior, segundo dados divulgados na manhã desta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número foi puxado por resultados pífios da indústria e do setor de serviços, que recuaram 0,9% e 0,3%, respectivamente, em relação ao segundo trimestre. O desempenho do setor agropecuário, no entanto, impediu que a economia do país retrocedesse no período, e avançou 3,2%. Em relação ao terceiro trimestre de 2010, o PIB cresceu 2,1%. Em valores correntes, a economia brasileira alcançou 1,05 trilhão de reais.

No acumulado de 12 meses, o crescimento da economia foi de 3,7%, enquanto o avanço em 2011 chega a 3,2%. Com base nesse número, a economia brasileira teria de crescer 0,6% no quarto trimestre para que as previsões do governo (de alta de 3,8%) fossem alcançadas. O Banco Central prevê uma expansão de 3,5% do PIB este ano, enquanto o mercado aguarda um avanço de 3,2%.

Segundo o IBGE, a queda da indústria foi puxada pela atividade de transformação, cujo índice de volume do valor adicionado recuou 1,4%. As demais atividades industriais registraram variações positivas em relação ao trimestre anterior: a extrativa mineral avançou 0,9%;  eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana acumulou alta de 0,8%; enquanto a construção civil cresceu 0,2% no período.

O setor de serviços, que vinha estimulando o crescimento da economia ao longo dos trimestres anteriores, enquanto a indústria já recuava,  também cedeu entre julho e setembro. A queda foi puxada pelo comércio (-1%), outros serviços (-0,5%) e serviços de informação (-0,3%).

O peso dos investimentos no PIB do trimestre também diminuiu. De acordo com o instituto, a taxa de investimento foi de 20% do PIB, inferior aos 20,5% registrados no mesmo trimestre do ano anterior. A taxa de poupança também teve redução, alcançando 18,8%, ante 19,6% no mesmo trimestre de 2010.

Gastos - Ainda de acordo com o IBGE, todos os componentes da demanda interna recuaram no terceiro trimestre deste ano: despesa de consumo da administração pública (-0,7%), formação bruta de capital fixo (-0,2%) e despesa de consumo das famílias (-0,1%). A contribuição positiva ao desempenho do PIB foi dada pelo setor externo, que registrou crescimento das exportações (1,8%) e redução das importações de bens e serviços (-0,4%).

Expectativa - O resultado divulgado nesta terça-feira não surpreendeu os economistas, que já aguardavam a estagnação econômica para o período. “O governo reconhece que a economia está em um processo de desaceleração muito grande e, por isso, passou a se apoiar tanto em consumo quanto em investimento”, afirma o economista Robson Gonçalves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ao se referir à redução de impostos anunciada pelo ministro Guido Mantega na última semana, como forma de reavivar o PIB.

Segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, a estagnação econômica do trimestre pode ser dividida em dois períodos. Entre julho e agosto, a queda na atividade foi decorrente da atuação do BC ao subir a Selic ao longo de todo o primeiro semestre. As medidas de restrição ao crédito e o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), acompanhados de um leque de medidas macroprudenciais criadas pelo Ministério da Fazenda no início do ano também influenciaram na desaceleração do PIB.

Já na segunda metade do trimestre, o agravamento da crise internacional teve impacto maior no desempenho da atividade, sobretudo diante de perspectivas cada vez mais deterioradas nas economias desenvolvidas, incluindo a China. Nesse período, o BC inverteu a trajetória da política monetária e passou a reduzir a taxa básica de juros, prevendo sinais de desaceleração. “Era necessário, no início do ano, desacelerar. Agora, o panorama se inverteu e é preciso corrigir o excesso de esfriamento que é visível”, diz Gonçalves, da FGV.

Por Reinaldo Azevedo

Senado aprova novo Código Florestal

Por Iara Lemos, no Portal G1:
Depois de mais de seis horas de discussão, o plenário do Senado aprovou, por 59 votos contra 7, o texto-base do projeto do novo Código Florestal. O texto analisado em plenário foi o finalizado pelo relator Jorge Viana (PT-AC), e já havia sido aprovado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado no final de novembro. Na comissão de Constituição e Justiça, o relator foi o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).

A votação foi concluída por volta das 23h10, após a análise de emendas (mudanças) ao texto-base. Do total apresentado, 26 foram acatadas e 56 rejeitadas. O texto agora seguirá para a Câmara, onde precisará ser apreciado novamente, uma vez que recebeu mudanças no Senado. Depois, o texto será encaminhado para sanção da presidente da República, Dilma Rousseff.

O relator da proposta, senador Jorge Viana (PT-AC), afirmou que das 78 emendas apresentadas, entre 15 e 20 devem ser incorporadas ao texto. Segundo ele, são emendas que “melhoram o texto”, mas não modificam o teor da proposta. Ao defender a proposta em plenário, Viana agradeceu o empenho dos parlamentares para a votação da matéria.

“Se não fosse a contribuição de cada senador e senadora, certamente, este posicionamento suprapartidário que estamos tendo aqui hoje não estaria acontecendo [...] Hoje o Senado pode estar ajudando o Brasil a virar uma página importante.”, disse Viana.

Mudanças no texto
Em maio, a base aliada na Câmara contrariou o governo e aprovou o Código Florestal com três pontos que o governo discordava: anistia a pequenos produtores que tenham desmatado áreas de reserva legal (mata nativa); a possibilidade de estados e municípios estipularem regras para produção em áreas de preservação permanente (APPs); e a manutenção de atividades consolidadas em APPs, como o cultivo de maçã e plantio de café.

O texto veio para apreciação do Senado, e passou pelas comissões de Constituição e Justiça e Meio Ambiente, antes de ser votado em plenário. O texto-base aprovado modifica pontos do texto que desagradavam aos ruralistas, tais como a conversão de multa apenas para pequenos agricultores e donos de terras com até quatro módulos fiscais autuados por desmatamento até julho de 2008. Com a nova redação, os benefícios passam a valer para grandes propriedades rurais que desmataram sem autorização ou licenciamento até julho de 2008.

O texto-base aprovado também traz ajustes no ponto que trata da recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APPs) - locais como margens de rios, topos de morros e encostas, considerados frágeis, que devem ter a vegetação original protegida.

Jorge Viana, que relatou o projeto, manteve o texto aprovado pela Câmara que determina a obrigação de recompor margens de rios em pelo menos 15 metros de mata ciliar para rios até 10 metros de largura, porém, estabeleceu que a obrigação, para propriedades com até quatro módulos fiscais, não poderá exceder 20% da área da propriedade.

Com a modificação, fica assegurada a todas as propriedades rurais a manutenção de atividades em margens de rios consolidadas até 2008. Para propriedades maiores que quatro módulos fiscais com áreas consolidadas nas margens de rios, os conselhos estaduais de meio ambiente estabelecerão as dimensões mínimas obrigatórias de matas ciliares, também respeitando o limite correspondente à metade da largura do rio, observando o mínimo de 30 metros e máximo de 100 metros.

Um governo que demite seis ministros por problemas éticos merece é vaia, não aplauso! E há um sétimo entrando na fila…

Eu estou aqui tentando saber qual é a diferença entre a “consultoria” de Antonio Palocci, ex-ministro da Casa Civil de Dilma (e da Fazenda, de Lula), e a de Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte e ministro da Indústria e Comércio. Confesso que aquilo a que cheguei me diz que a situação de Pimentel é ainda pior. Os dois deixaram seus respectivos postos e passaram a se dedicar à chamada “iniciativa privada”, área em que os socialistas do PT se mostram ases. Nunca antes da história destepaiz tantos esquerdistas foram tão hábeis nas artes do capital. Palocci, a exemplo de Pimentel, ainda não estava no governo quando arrumou os seus “clientes”, até hoje secretos. É bem verdade que era deputado, mas não foi demitido por isso, não! É que restou muito forte a suspeita de que fazia tráfico de influência.

Eis a chave da questão: traficar influência, isto é, vendê-la, colocá-la a serviço do enriquecimento pessoal. E que “influência” era essa? A de homem privado lidando com privados? Eis o busílis! Não! Pimentel passou a dar “consultoria” para empresas com negócios com a Prefeitura de que ele tinha sido o titular até havia outro dia. Mais: deixou lá um aliado, Márcio Lacerda — não exclusivamente seu, mas também seu. O PT ainda ocupa parte da máquina. Palocci tinha amigos na máquina federal, muito apreciados por seus clientes; Pimentel tinha quase subordinados na Prefeitura.

A exemplo de Palocci, também ele é hoje titular de uma pasta na qual seus ex-clientes seus têm interesses.

O governo dá sinais de preocupação, como informa hoje o Globo. Teme que Pimentel seja “a bola da vez”, mas convenham: a bola da vez será sempre aquele que faz por merecer entrar na fila. Se Pimentel queria prestar consultoria, tinha de ser logo com empresas com interesses da Prefeitura de Belo Horizonte? Há uma certo clima de “Não mexam com Pimentel! Aí já é demais!” Ora, por que não? Ele tem licenças especiais a outros não-concedidas?

Já há até um blog para defendê-lo. Amigo defendendo amigo é parte da vida privada. O ponto é que as esferas do Estado não podem ser palco de uma ação entre amigos. Cada um no seu quadrado.

O que incomoda mais
O que incomoda mais no caso Pimentel é que ele é um ministro da cota genuína de Dilma. Foi seu companheiro de militância — ou “de armas”, como diria José Dirceu. Quatro dos seis que caíram sob suspeita de corrupção (Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Orlando Silva e Carlos Lupi) eram herança do governo Lula. Palocci não era mais ministro, mas estava na cota do ex-presidente desde a campanha eleitoral, e Pedro Novais veio do Planeta Sarney.

Era como se Dilma não tivesse nada a ver com isso — ou com aquilo. Surgiu a “faxineira” intolerante com a sujeira. Ela seria, assim, uma espécie de face ética do antecessor. Se ele condescendia com qualquer lambança, ela se mostraria implacável com a corrupção, o que lhe rende dividendos, é inegável, especialmente em certo colunismo. No domingo, Gilberto Dimenstein não se conteve e mandou ver: “A queda do ministro do Trabalho não é apenas o resultado de uma postura da presidente Dilma Rousseff, disposta a correr riscos em sua base parlamentar e até na sustentação de Lula ou do PT, disparando contra ministros. Só esses fatos já a colocam na história como a presidente que mais mandou gente embora no primeiro escalão, por questões de moralidade, em tão pouco tempo. É uma serial killer.”

Confesso que não entendi o quer dizer aquele trecho em vermelhito. Provavelmente, nada. Mas deu para perceber que o jornalista considera que um dos grandes ativos de Dilma é ser “a presidente que mais mandou gente embora do primeiro escalão, por questões de moralidade, em tão pouco tempo”. Uau! Até parece que tinham sido todos nomeados pelo PSDB, né? Como houve a troca de governo, a presidente percebeu as lambanças dos adversários e botou todo mundo na rua!

Não! Esperem aí! Ela nomeou cada um dos seis ministros que caíram. Se o fez porque Lula a tanto a constrangeu, numa evidência de que não tinha autonomia, tanto pior. Ora, todos eles, exceção feita a Palocci e Novais, tinham sido, na prática, seus subordinados — era a gerentona. No caso de Lupi, então, nem se diga. Ambos foram militantes do mesmo partido. O “mérito” da Dilma que demite decorre do demérito da Dilma que nomeou. No caso do Ministério do Esporte, então, o que dizer? Os escândalos na pasta brotaram em meados do ano passado. Mesmo assim, Silva foi reconduzido.

Sabem o que há de curioso nesse negócio de exaltar Dilma pelas seis demissões que fez até agora? A suposição de que o governo não é dela; de que é uma espécie de estranha no ninho. É como se Lula continuasse a ser o presidente relapso, que tem uma gerente durona. Essa história já passou o limite do ridículo! UM GOVERNO OBRIGADO A DEMITIR SEIS MINISTROS SOB SUSPEITA DE CORRUPÇÃO, COM UM SÉTIMO ENTRANDO NA FILA, ESTÁ É COM UM GRAVE PROBLEMA, NÃO? Pode entrar para a história, sim, como um dos mais… corruptos da história. Merce ser vaiado, não aplaudido.

Vamos ver como vai se comportar a presidente no caso Pimentel. Este foi nomeado por ela, por sua vontade, está na sua cota pessoal. De Palocci, vamos ser claros, ela nunca gostou muito — nem quando ambos estavam na Esplanada dos Ministérios, e ela o acusava de ser um fiscalista sem imaginação. Como tratará Pimentel, este, sim, um verdadeiro “companheiro”?

Para encerrrar
Já notaram? Segundo isto que chamarei “O Paradoxo de Dimenstein”, o extremo da moralidade de Dilma seria demitir os 36 ministros sob a acusação de corrupção. Podre estaria mesmo é o reino da Dinamarca… Tenham Paciência!

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 7:05

Pimentel, o “consultor” 1 - Planalto começa a se preocupar

Por Gerson Camarotti, no Globo:
O Palácio do Planalto emitiu nesta terça-feira sinais de preocupação sobre as revelações de que o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, recebeu cerca de R$ 2 milhões em consultorias prestadas a empresas relacionadas com a prefeitura de Belo Horizonte, como mostram reportagens do GLOBO desde domingo. O núcleo do governo teme que Pimentel, ex-prefeito da capital mineira, “se torne a bola da vez”, com denúncias alimentadas, segundo crê a presidente Dilma Rousseff, pelo “fogo amigo” petista.

No Congresso, cresce a cobrança da oposição. Os líderes do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), e no Senado, Alvaro Dias (PR), pretendem aprovar nesta quarta-feira nas duas Casas requerimentos de convocação do ministro. Eles frisam que “as atividades do ministro têm fortes indícios de tráfico de influência e revelam um forte conflito de interesses”.  É importante que o ministro Pimentel possa ter a oportunidade de se explicar e mostrar que não houve tráfico de influência”, disse Nogueira.

Já o PPS protocolou pedido de explicações diretamente ao ministro: quer cópias dos contratos, quais serviços foram prestados pela empresa do ministro, a P-21, e os critérios usados para a prefeitura da capital mineira contratar a construtora Convap, uma das assessoradas pela consultoria de Pimentel.

“O ministro deve muitas explicações à sociedade. É preciso esclarecer em que circunstâncias ocorreram as consultorias, já que Pimentel se preparava para ser importante coordenador da campanha da então candidata Dilma Rousseff”, disse o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). No governo, a ordem é tentar esvaziar o noticiário sobre o tema. A determinação de Dilma é que Pimentel preste os esclarecimentos sobre o caso.

Para amenizar o desgaste político, integrantes do Planalto ressaltaram dois pontos: os valores recebidos por Pimentel nos dois anos em que ficou sem cargo público (entre 2009 e 2010) seriam compatíveis com a remuneração de consultor; e o fato de seu trabalho de consultoria estar limitado, até agora, a Belo Horizonte, sem relação com a eleição presidencial. Apesar disso, porém, ele tinha acabado de deixar a prefeitura de BH.

Pimentel e outros petistas convenceram o Planalto que ele é alvo do “fogo amigo” petista, principalmente do grupo do vice-prefeito de BH, Roberto Carvalho. Ele e Pimentel trabalharam para que o PT apoiasse a candidatura do hoje prefeito Márcio Lacerda (PSB). Agora, Carvalho quer ser candidato a prefeito em 2012, contrariando o desejo do grupo de Pimentel.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 7:03

Pimentel, o consultor 2 - Texto de contrato difere de versão de petista

Por Breno Costa, na Folha:
Uma empresa do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) recebeu ao menos R$ 500 mil para elaborar projetos a serem apresentados ao poder público por empresas associadas ao Ciemg (Centro de Indústrias do Estado de Minas Gerais). O contrato com as indústrias, mostrado à reportagem pela assessoria do ministro, contradiz a versão apresentada à Folhapelo próprio Pimentel anteontem, quando ele disse que não tinha trabalhado para as empresas, apenas para a entidade patronal.

O centro é braço da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) e tem mais de 900 associadas. Entre elas estão pesos-pesados da balança comercial, interessados em decisões ministeriais de Pimentel. Um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff no ano passado e amigo da presidente, Pimentel se tornou titular da pasta responsável por ações de financiamento a exportação e importação, e por fiscalizar a regularidade destas operações.

Anteontem, Pimentel afirmou que seus serviços foram prestados apenas em favor da Fiemg, sem relação com nenhuma empresa específica. Ontem, manteve sua versão. Mas o contrato firmado por sua empresa, a P-21 Consultoria Ltda., prevê “prestação de serviços na área de planejamento, consultoria econômica, financeira e tributária para as empresas associadas ao Ciemg, abrangendo os associados desta instituição que tenham como meta a intenção de apresentarem projetos regionais aos órgãos da gestão pública”.

Por Reinaldo Azevedo

CCJ aprova nova ministra do Supremo, uma “eterna aprendiz”

Por Felipe Recondo, no Estadão. Volto depois:
Com o PMDB de olho em solucionar o caso Jader Barbalho (PMDB-PA), barrado pela Lei da Ficha Limpa, e com a oposição disposta a desgastar a presidente Dilma Rousseff, a indicação de Rosa Maria Weber para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi aprovada ontem pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Foram mais de seis horas de sabatina e uma inquirição detalhada sobre Direito Penal que buscava desqualificar a escolha da juíza, que passou os 35 anos de carreira julgando processos trabalhistas. Apesar do desgaste, a indicação foi aprovada por 19 votos a 3.

Senadores de oposição fizeram dezenas de perguntas sobre minúcias de processos penais, temas espinhosos que dividem os próprios ministros do STF. Em vários momentos, Rosa evitou responder ou, na visão de senadores, demonstrou insegurança.

Em meio ao questionário repleto de pegadinhas, a ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) afirmou: “Penso que hoje em dia, tamanha a complexidade e o número de matérias, dificilmente alguém consiga abarcar todos esses temas”. “O que me fortalece a enfrentar esses desafios é que podemos estudar. Somos eternos aprendizes”, disse a nova ministra do STF, que vai substituir Ellen Gracie.

Em outro momento, ante uma sequência de perguntas do senador Pedro Taques (PDT-MT), Rosa ficou alguns segundos calada e depois disse aos senadores: “Sou ministra do Tribunal Superior do Trabalho. Se tiver a honra de ser aprovada para o Supremo, terei a preocupação de guardar a Constituição”.
(…)
Escrevi sobre a indicação no dia 8 de novembro.
 Por ora, nada a acrescentar. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 6:57

PSDB foi grampeado por PF no Acre

Por Andréa Jubé Vianna, no Estadão:
A Polícia Federal grampeou o comitê eleitoral do PSDB no Acre na campanha eleitoral de 2010. As escutas telefônicas às quais o Estado teve acesso revelam detalhes da campanha do candidato tucano ao governo, Tião Bocalon, como definição de agendas e requisição de material de propaganda. Até conversas com a coordenação nacional de José Serra à Presidência foram interceptadas.

A PF confirmou ontem que, de fato, um telefone do diretório do PSDB no Acre foi grampeado porque, segundo o órgão, estava em nome da deputada Antônia Lúcia (PSC-AC), alvo de inquérito por uso de caixa 2 e fraude eleitoral. Segundo a PF, muitas ligações para o comitê ou originárias desse número caíram na interceptação. Na versão da PF a escuta foi, portanto, indireta. A deputada nega que tenha cedido o telefone ao comitê. Antônia Lúcia (PSC-AC), hoje deputada federal, foi coligada aos tucanos e adversária do candidato Tião Viana (PT), governador eleito do Acre.
(…)

Reação
“É uma denúncia muito grave. Vamos reagir com certeza a qualquer grampo, a qualquer pretexto, no Acre ou em qualquer lugar. A Polícia Federal terá que esclarecer o seu papel nesse episódio”, disse o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE). O dirigente tucano afirmou que vai pedir esclarecimentos ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Por meio das interceptações, era possível monitorar a agenda de Tião Bocalon e acompanhar cada movimento do candidato.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 6:55

Investimento segue a indústria e cai

Por Alezandre Rodrigues, no Estadão:
Alinhados com a retração na indústria em meio ao freio da economia como um todo e à deterioração do cenário internacional, os investimentos recuaram pela primeira vez no terceiro trimestre deste ano desde a recuperação da crise financeira mundial iniciada em 2009. A formação bruta de capital fixo, indicador que reflete os investimentos físicos da economia, caiu 0,2% na passagem entre o segundo e o terceiro trimestres.

Depois de ter registrado crescimento nulo entre o terceiro e o quarto trimestres do ano passado, os investimentos repetiram uma alta de 1,3% nos dois seguintes, mas não conseguiram sustentar o desempenho entre julho e setembro diante da desaceleração do consumo e da queda de confiança com as repercussões da complicação da crise fiscal na Europa.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, o indicador mantém desempenho positivo com alta de 2,5%, mas bastante moderado em comparação com a sua trajetória recente, que chegou a registrar alta acima de 25% no início do ano passado. O índice dez vezes menor entre julho e setembro é o pior desde o terceiro trimestre de 2009, quando os investimentos caíram 9%.

Para o economista Antonio Corrêa de Lacerda, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC), as medidas de incentivo ao consumo do governo para estimular a indústria de transformação correm o risco de promover mais importação, se não vierem acompanhadas de medidas para melhorar a competitividade da indústria nacional e as condições para o investimento.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 0:56

Deputado apresenta a proposta da Lei Geral da Copa. É o samba-do-petismo-doido

O relator da Lei da Copa apresentou sua proposta. Olhem aqui: ainda que fosse uma bobagem proibir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios - não acho que seja! -, não cabe à Fifa mudar leis brasileiras. “Ah, se não fosse assim, a entidade não toparia fazer a Copa no Brasil…” Pois é.  Que isso ficasse claro desde o começo, não? Não estava.

O deputado Vicente Cândido (PT-SP) apresentou a sua proposta. Libera a venda de bebidas alcoólicas, contrariando a lei de vários estados. Também desrespeita a lei da meia entrada, que eu, pessoalmente, acho um absurdo. E daí que eu ache isso? É a lei! E eu sou legalista. No lugar, o petista propõe um mecanismo complicado que, já demonstrei aqui já demonstrei aqui, transfere ingressos reservados aos pobres para pessoas que poderiam pagar um preço mais alto.

A Lei Geral da Copa virou o samba-do-petismo-doido. Leiam o que informa a VEJA Online:

Por Gabriel Castro:
O relator da Lei Geral da Copa, Vicente Cândido (PT-SP), apresentou nesta terça-feira um relatório em que prevê a permissão da venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante o torneio esportivo. A medida atende a uma exigência da Federação Internacional de Futebol (Fifa), e vai de encontro a leis estaduais em grande parte do país. “Estará permitida a venda e o consumo de bebidas desde que isso seja feito exclusivamente nos bares, restaurantes e estabelecimentos similares em funcionamento nos recintos esportivos”, diz o substitutivo apresentado pelo relator.

Se for aprovado pela comissão, em votação prevista para a semana que vem, o relatório seguirá para votação em plenário e, depois, para o Senado Federal. O texto do petista também prevê que 300.000 ingressos serão comercializados pela metade do preço da categoria mais cara. O bilhete não deve ultrapassar os 50 reais. O desconto beneficiará idosos, estudantes, deficientes, indígenas e beneficiados pelo Bolsa Família.

Prêmio
A proposta ainda trata de um tema que não está ligado diretamente ao torneio de 2014: a concessão de um prêmio de 100.000 reais aos ex-atletas das Copas de 1958, 1962 e 1970. Aqueles que, entre esses campeões do mundo, estiverem em dificuldades financeiras terão ainda direito a um auxílio mensal de até 3.700 reais. A Lei Geral da Copa trata também de garantias comerciais à Fifa e aos patrocinadores do evento. E atribui à federação internacional a responsabilidade pelo credenciamento dos jornalistas que vão cobrir o torneio,  o que poderia evitar represálias por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a veículos críticos à gestão de Ricardo Teixeira.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 0:04

Lula diz estar ainda “desencarnando”. Então tá…

Eu me dediquei a alguns textos longos na tarde desta terça e deixei alguns registros de lado, mas vamos lá. Lula se encontrou com Dilma e disse que ainda está desencarnando. Confesso que essa metáfora já encheu um pouco o saco. Hora de arrumar outra.
*
Por Daniel Roncaglia, na Folha Online:
Quase um ano após deixar a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta terça-feira que ainda não “desencarnou” do cargo. Após se reunir com sua sucessora, Dilma Rousseff, em um hotel na zona sul de São Paulo, Lula deu uma rápida declaração aos jornalistas que o aguardavam no saguão do hotel. “Estou desencarnando ainda”, afirmou. A frase faz referência a umadeclaração que o próprio Lula fez no início deste ano, de que ficaria longe dos assuntos do governo para poder “desencarnar” do cargo.

Dilma está na cidade para participar de um evento na noite de hoje e aproveitou a viagem para encontrar Lula. De acordo com a assessoria da Presidência, que não divulgou o encontro, Dilma tinha uma “agenda privada” no período da tarde. Antes de encontrar Dilma no hotel, Lula, que está em tratamento contra um câncer na laringe, esteve em seu escritório no Instituto Lula, no bairro do Ipiranga (zona sul). Ele saiu do escritório por volta das 15h. Por volta das 19h30, o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o secretário de segurança do Estado, José Mariano Beltrame, também reuniram-se aos dois.

Por Reinaldo Azevedo

06/12/2011

 às 23:59

Paulinho, do PDT, partido de Lupi, quer ministro Pimentel, do PT, dando explicações à Câmara. Por que não?

É claro que o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, só está querendo se vingar um pouquinho e mandar uns recadinhos a mais para o governo. Problemas lá da base, da turma que divide o butim. O que importa: ele quer que o ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, dê explicações na Câmara sobre as suas “consultorias”.

Olhem cá, meus caros, eu estou pouco me lixando para as motivações subjetivas de Paulinho ou seus desejos de vingança. O fato é que o petista Pimentel tem, objetivamente, de se explicar, como qualquer outro. Ou petistas estariam acima dessas vulgaridades? Leiam o que informa Andreia Sadi na Folha Online.
*
Por Andreia SodiApós enfrentar a crise envolvendo o ex-ministro Carlos Lupi, pedetistas defenderam hoje que o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento e Indústria) explique à Câmara dos Deputados seu faturamento de mais de R$ 2 milhões com consultorias, entre 2009 e 2010.

Amanhã, o deputado federal João Dado (PDT-SP) disse que irá apresentar um convite na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara para que Pimentel esclareça as denúncias.

Prefeito de BH diz que contratos não têm relação com consultoria
Oposição pressiona mais um ministro a se explicar no Congresso

A informação sobre o faturamento foi revelada pelo jornal “O Globo”. O ministro nega haver irregularidades.

“Convocação é muito agressivo. Convite é melhor para deixar tudo transparente, como fez o Lupi”, disse o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP).

Paulinho e Dado falaram durante lançamento do livro comemorativo de 20 anos da Força Sindical, em Brasília. O evento contou com a participação do presidente interino do PDT, André Figueiredo (CE) e o deputado federal Brizola Neto (RJ).

O ex-ministro Lupi não apareceu. Ele deixou o Ministério do Trabalho no domingo após não conseguir explicar irregularidades em convênios assinados pela pasta.

Por Reinaldo Azevedo

AQUI, A PROVA DE QUE MARIA RITA KEHL USOU A TV CULTURA PARA ESPALHAR UMA MENTIRA SOBRE A POLÍCIA DE SP

Entre mim e Maria Rita Kehl, há muitas diferenças. Ela, todos sabem, é da esquerda chique — eu não sou; estou mais, fazendo uma graça, para a “direita que trabalha”. Outra diferença essencial é que, antes de falar, faço pesquisa, procuro os dados, busco números. Aquela senhora se contenta em falar o que lhe dá na telha. Seu compromisso não é com os fatos, é com sua militância. Claro, claro… Não é culpa sua se é chamada como entrevistadora num programa jornalístico. Ela vai lá fazer o que sabe: proselitismo infundado.

Maria Rita deve ignorar, mas existe uma coisa chamada Anuário Brasileiro de Segurança Pública, editado pelo… MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, ocupado por gente de seu partido. O link que vocês vêem aí é o do anuário de 2011, com números referentes a 2010.

Disse Maria Rita a FHC (ver posts abaixo): “A polícia de São Paulo, enfim, estado governado pelo seu partido, tem sido muito violenta e há muito tempo.”
Com reservas aqui e ali, sem saber, visivelmente do que falava e também sem ter dados, FHC acabou anuindo. Pois é. Se vocês acessarem o anuário, procurem a Tabela 9, na página 38. Ali, ficarão sabendo que as polícias Civil e Militar de São Paulo mataram, no ano passado, 510 pessoas, numa população de mais de 42 milhões de habitantes, o que representa 1,2 morte por 100 mil habitantes. A Polícia do Rio, onde o PT é base de apoio do governo, matou 855 pessoas, para uma população de 16 milhões de pessoas, o que significa 5,3 mortes por 100 mil habitantes. A senhora está entendendo como se toca o samba, dona Maria Rita?

Esta senhora, como se nota, lembra que São Paulo é governado pelo “partido de FHC”. E eu lembro que o PT, partido de Maria Rita, governa a Bahia pelo quinto ano. Em 2010, a polícia baiana matou 305 pessoas, ou 2,7 mortes por 100 mil habitantes, ou CENTO E VINTE E CINCO POR CENTO MAIS DO QUE SÃO PAULO.

Em 2010, o PT governava ainda o Acre, o Pará, o Piauí e Sergipe. Simplesmente inexistem dados dos três primeiros estados. Em Sergipe, os mortos são 0,8 por 100 mil. Ocorre que isso não diz tudo.

Em 2010, segundo dados do próprio governo federal, houve no Estado de São Paulo, 11,1 “Crimes Violentos Letais Interncionais (CVLI) por 100 mil habitantes (esse número, hoje, é inferior a 10, o que considerado pela ONU nível de violência não-epidêmico). Esses dados estão na tabela 8, página 36 do anuário. No Rio, foi de 28,8. A polícia do Rio matou 125% mais do que a de São Paulo; mesmo assim, o número dessa ocorrência foi 159% maior.

Vejam o índice de mortes violentas nos estados governados em 2010 pelo PT, da Dona Kehl:
- Bahia - 33,8%
- Pará - 36,6%
- Acre - 28,9%
- Sergipe - 38,2%
- Piauí - 7,8%

Só para registro: A categoria “Crimes Violentos Letais Intencionais” agrega as ocorrências de homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.

Não se trata de fazer campeonato de morte, não, mas de demonstrar que a petista Kehl falsifica a realidade quando transforma a Polícia de São Paulo numa máquina de matar. Os números não a autorizam. FHC certamente foi colhido de surpresa pela pergunta. Isso não desculpa sua resposta ruim. Se não tem os dados, melhor não falar nada. Esse negócio de condescender sempre com o interlocutor por educação, lhaneza e largueza intelectual é perigoso quando se é também um político. Colabora para dar razão a picaretas, a vigaristas que vão falando o que lhes dá na telha.

EU ESTOU DEMONSTRANDO QUE MARIA RITA KEHL ESTÁ ERRADA.

EU ESTOU DEMONSTRANDO QUE A TV CULTURA, SUSTENTADA PELO ESTADO E PELO BOLSO DOS PAULISTAS, FOI USADA PARA ESPALHAR UMA MENTIRA SOBRE A POLÍCIA.

EU ESTOU DEMONSTRANDO QUE, NUM PROGRAMA DE JORNALISMO, FALTOU RIGOR JORNALÍSTICO E SOBROU IDEOLOGIA VAGABUNDA.

São Paulo, o estado com a maior população do país, que concentra, mais do que qualquer outro, os problemas decorrentes das conurbações, que podem induzir a violência, tem índices de homicídio, segundo o próprio governo federal, superiores apenas aos pequenos Amapá, Santa Catarina e Piauí. E olhem lá… Neste estado, os registros de homicídios se fazem de maneira rigorosa.

Para encerrar: o estado que, de longe, é o mais bem-sucedido na redução do número de homicídios também foi aquele que teve o maior número de policiais mortos em serviço em 2010: 25. Por eles, Kehl não derrama uma lágrima nem de hipocrisia — talvez seja esta a única qualidade do seu pensamento: em sua confusão mental, ela deixa muito claro de que lado está.

E que fique claro: o ideal é que não morra uma só pessoa no confronto com a polícia. O ideal é que não morra um só policial no confronto com bandidos. Mas temos pela frente a enorme realidade. Um estado que reduz em 80% o número de homicídios em 12 anos está no caminho certo. E está no caminho certo fazendo o contrário do que sempre recomendou o partido da dona Kehl.

Não fosse, aliás, a redução do número de mortos em São Paulo, o governo Lula teria assistido a uma elevação do índice de homicídios em seus oito anos de governo. Por quê? Porque eles crescem quase no Brasil inteiro, em especial no Nordeste, e caem sistematicamente em São Paulo.

Lula deveria ser grato à polícia de São Paulo.

Estude, dona Maria Rita! O estudo ainda é a melhor maneira de não falar porcaria.

PS - Estou cantando e andando para o que dizem de mim os “descoletes” nas mesas de bar. Não sou doce de coco. Podem me detestar à vontade. A depender de quem odeie, é um favor. O fato é que é inútil me xingar. “Ai, como Reinaldo é agressivo!” Agressiva é a mulher do padre!!! Eu lido com dados. E detesto lacanagem!

Agressivo é usar o dinheiro público para mentir!

Por Reinaldo Azevedo

06/12/2011

 às 18:36

Ouça e leia: uma gravação em que o PCC deixa claro que é para matar policiais e tucanos e outra em que há a orientação para votar em petista

O hoje assessor do Ministério da Defesa José Genoino recorreu à Justiça para tentar tirar do ar estes textos publicados por VEJA e reproduzidos na VEJA Online. Foram publicados na edição de 16 de agosto de 2006. A Justiça, obviamente, negou o pedido. Dona Maria Rita Kehl deve achar que esta lembrança só poderia mesmo partir de alguém “de direita”, não é mesmo? Na campanha eleitoral de 2006, o PSDB não levou ao ar essas gravações. Bem, é dispensável dizer que eu as teria levado, sim! Até porque havia um Lula do outro lado acusando o governo de São Paulo de não cuidar direito da segurança pública. Aos textos.

*
Desde o primeiro ataque massivo do PCC em São Paulo, espalhou-se a notícia da existência de gravações telefônicas que revelariam uma suposta ligação da máfia dos presídios com políticos do PT. VEJA teve acesso a uma série de diálogos entre membros da organização criminosa, interceptados pela polícia, contendo referências ao PT e ao PSDB. Neles, fica evidente a simpatia do PCC pelo PT, bem como a aversão da organização pelo PSDB (foi na gestão tucana, em 2003, que o estado de São Paulo implantou em alguns presídios o temido RDD - Regime Disciplinar Diferenciado, que prevê isolamento rigoroso e é odiado pelos detentos). Nenhuma das conversas às quais VEJA teve acesso, no entanto, comprova a existência de elo entre o PT e o PCC.

“É XEQUE-MATE, SEM MASSAGEM”

Conversa entre dois integrantes não identificados do PCC interceptada às vésperas de um dos ataques em São Paulo

A: A chapa esquentou pra nóis, hein, irmão.

B: Por quê?

A: Olha o salve do dia aqui. Geral aqui, que eu acabei de pegar com o Cara Branca: “Todos aqueles que são civil, funcionário e diretores e do partido PSDB: xeque-mate, sem massagem. E todos os irmãos que se (incompreensível) será cobrado com a vida. Salve geral, dia 12/6″. Peguei ele meio-dia.

B: Fé em Deus. Você tá aí na quebrada, irmão?

A: Tô aqui na quebrada. Vem pra cá que nós vamos puxar esse bando. Eu vou arrumar um menino bom pra nóis derrubar esse baguio aí, tio.

B: Então, é o seguinte, irmão: vou ver se dá pra mim ir hoje praí.

A: Então, se não der, arruma umas ferramentas (armas) aí. Nem que seja uns oitão. Pra gente juntar o baguio aí e sair no bonde aí.

B: Tá. Firmeza

“É PRA ELEGER O GENOÍNO”

Maria de Carvalho Felício, a “Petronília”, então mulher de José Márcio Felício, ex-líder do PCC, transmite ao preso José Sérgio dos Santos, a quem chama de “Shel”, orientação repassada por um líder da organização sobre as eleições de 2002

Maria de Carvalho Felício: Ele mandou uma missão pro Zildo (piloto-geral de Ribeirão Preto). Vamos ver se o Zildo é capaz de cumprir.

José Sérgio dos Santos: Tá bom. Você quer passar pra mim ou dou particularmente pra ele?

Maria: Não, não. Ele quer festa (ataques) até a eleição. E é pra eleger o Genoíno. E, ser for o caso, ele vai pedir pro pessoal mandar as famílias não irem nas visitas pra votar, entendeu? Ele falou que um dia sem visita não mata ninguém. Ele falou: “Fica todo mundo sem visita no dia da eleição pra todo mundo votar pro Genoíno”.

Santos: Não, mas isso… Acho que todo mundo… A maioria das mulher de preso… Vai votar no Al? Nunca.

Maria: Então, é pra pedir isso. Se, por exemplo, a mulher vai, daí a mãe, a irmã tudo vota pro Genoíno. Se só a mulher que vota, então essa mulher não vai na visita e vota no Genoíno. É pra todo mundo ficar nessa sintonia: Genoíno.

Santos: E é dali que vem, né?

Maria: Isso. É o (incompreensível)

Santos: Tá bom.

Maria: Tá bom, então?

Santos: Tô deixando assim um boa-tarde aí. Se cuida agora. Vai descansar.
*

Quer ouvir a gravação, leitor? Clique aqui.

COMENTÁRIOS
Evitem, por favor, acusações. Os fatos falam por si.

Por Reinaldo Azevedo

06/12/2011

 às 18:18

A CONSPIRAÇÃO DOS MENTIROSOS NO RODA VIVA, A “EMISSORA TUCANA” A SERVIÇO DO PT

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi o entrevistado ontem do programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Na bancada de entrevistadores, os jornalistas Ricardo Gandour (Estadão), Sérgio Dávila (Folha) e Ancelmo Gois (O Globo). Pode-se gostar ou não do grupo, mas faz sentido, é evidente! Estavam também presentes a professora de história da USP Lilia Schwarcz — o sentido já começa a falecer — e a militante petista Maria Rita Kehl, que é a ausência completa de sentido.

Curioso! Há dias, Fernando Haddad, virtual candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, foi entrevistado no mesmo programa. Noticiou, então, o Painel, da Folha:
Chamada a entrevistar Haddad hoje no “Roda Viva”, Maria Helena Castro foi posteriormente desconvidada pela TV Cultura. A emissora disse à tucana, presidente do Inep na gestão FHC e secretária da Educação no governo de José Serra, que optou por ter apenas jornalistas na bancada.

Sim, isso aconteceu. E olhem que os petistas costumam acusar a Cultura de ser uma “TV tucana”, o que é uma piada grotesca. Não por acaso, como se vê na imagem abaixo, o site dos “Amigos do Presidente Lula” comemorou a decisão. Vejam. Volto em seguida.

amigos-do-presidente-lula

Para Haddad, só jornalistas. Para FHC, Lilia Schwarcz e Maria Rita Kehl. Adiante! E pouco me importa se ele concordou previamente com a bancada ou não. Por temperamento, se avisassem  que haveria um porco espinho na bancada, não faria restrição.

Jornalistas, tenham lá a visão de mundo que tiverem, têm de ter compromisso com os fatos. É a sua matéria-prima. Há muito tempo, no Brasil, setores da academia estão comprometidos com uma ideologia, uma visão de mundo. Se preciso, fraudam a história para justificar suas escolhas ou, eventualmente, para puxar o saco de uma corporação. Foi o que fez Lilia. No caso de Maria Rita, a coisa é mais grave. Ela é psicanalista, a “lacaniana” de plantão dos “descolados” do circuito Jardins-Vila Madalena. Com freqüência, e demonstrou isso outra vez no Roda Viva, não diz coisa com coisa, atrapalha-se na articulação de estruturas binárias. A razão é simples: quase sempre está militando e quase nunca está pensando. Estrelou o grande momento de “lacanagem” do Roda Viva.

Sigamos. Jornalistas ou não, as pessoas têm lá, reitero, sua visão de mundo, sua ideologia, suas convicções. É legítimo. Um mesmo fato pode ser visto segundo valores distintos. MAS MENTIR NÃO É ACEITÁVEL. Maria Rita e Lilia, no entanto, resolveram ignorar os fatos, atropelar a verdade, fraudar a história ao comentar os episódios da USP. A íntegra da entrevista está aqui. O trecho que vou transcrever (em vermelho) se encontra entre 1h20min e 1h23min.

Mário Sérgio Conti (mediador) - Ainda na questão “Educação”, mas menor (?), a Maria Rita quer fazer uma pergunta…

Curiosidade: como Mário Sérgio Conti sabia qual seria o tema da pergunta de Kehl? Estava previamente combinado?

Maria Rita - É uma pergunta dupla. Vamos ver se eu consigo juntar as pontas. A polícia de São Paulo, enfim, estado governado pelo seu partido, tem sido muito violenta e há muito tempo. Há uma certas apatia. Para dar um exemplo, que todo mundo conhece, depois dos ataques do PCC em maio de 2006, houve extermínio de gente, e crimes não esclarecidos até hoje, intimidação das famílias, enfim… Aí, de uma maneira um pouco mais banal, manifestações populares são reprimidas de uma maneira injustificada… Manifestações contra o aumento de ônibus com aposentados e estudantes… e muito reprimidas, sem necessidade. Então eu queria ver se dá para perguntar duas coisas paralelas: em primeiro lugar, como é que o senhor vê o movimento dos estudantes da USP, que não é exatamente contra a presença da polícia no campus, mas o modo como a polícia desrespeita direitos. E é universal a manifestação; não é que eles querem pra eles respeito, e não para a favela de São Remo, ali do lado. Mas tá sendo muito divulgava como uma manifestação de garotos mimados, ricos, que querem privilégios. Isso é um lado. Por outro lado, parece que não tem a ver, mas acho que tem, como é que o senhor encara a criação da Comissão da Verdade e os limites… E como é que é essa Comissão da Verdade e o que se pode esperar dela. Porque a polícia brasileira… O Brasil é o único país da América Latina que não apurou os crimes da ditadura militar e cuja polícia, hoje, mata mais do que matou durante a ditadura militar. Então tem aí alguma ligação…

Comento
Raramente assisti a tamanha manifestação de desonestidade intelectual. Maria Rita recorre à mentira em sentido clássico mesmo: os fatos dizem uma coisa, e ela, o avesso. E também mente por aquilo que omite, aí já é um troço um pouco mais elaborado. Num programa em que fez uma análise correta, serena, firme do governo Dilma, FHC deu uma péssima resposta porque essencialmente desinformada. Não vou transcrevê-la porque levaria tempo demais. Com ressalvas aqui e ali, acabou concordando com Maria Rita e, pois, endossando uma coleção de fraude factuais.

Vamos lá. Maria Rita está mentindo, e espero que ela não perca seu tempo me processando porque tenho aqui uma pilha de panfletos dos invasores da USP. A primeira reivindicação é “a PM fora do campus”, SIM, SENHORA!!! “Fora”, dona Maria Rita, mesmo no mundo da lacanagem, quer dizer “fora”; e “dentro”, “dentro”. Quem precisa negar um fato para justificar sua análise não passa de um picareta intelectual. Há outros absurdos em sua fala. Já chego lá. Quero agora me fixar um pouquinho em seu modo de pensar.

Além de militante petista — e era nessa condição que estava no Roda Viva —, Maria Rita é psicanalista. Consta que é lacaniana. Huuummm… A linguagem exerce, assim, papel importante no seu ofício. Releiam a sua fala. Diz que vai fazer uma “pergunta dupla”, seja lá o que isso signifique, para, depois, “juntar as duas pontas”. Em seguida, afirma que são “perguntas paralelas”. Maria Rita, então, tentará o que ninguém ousou até hoje: O CRUZAMENTO DAS PARALELAS. A primeira pergunta é sobre a USP; a segunda — “por outro lado, parece que não tem a ver, mas acho que tem” — é sobre a Comissão da Verdade. Entenderam??? “Por outro lado, parece que não tem a ver, mas tem…” É o que chamo linguagem da “lacanagem”. Estamos no meio de um tumulto mental, mas o propósito, é evidente.

Volto ao conteúdo de sua fala. Notem que há uma introdução que é mero discurso contra a polícia, que deveria processá-la. Ela está acusando uma instituição de ter cometido execuções extrajudiciais. Isso é coisa diferente de apontar grupos que cometem desmandos. Eles existem e estão sendo identificados e punidos. Para ela, existe uma ação deliberada. Está obrigada a provar, acho eu. “Extermínio de gente” uma ova! Houve o enfrentamento do crime organizado. Entre os dias 12 e 21 de maio de 2006, foram sumariamente executados nada menos de 59 policiais, com ataques a carros da PM, delegacias, postos policiais etc. Como se vê, essa grande humanista não disse uma vírgula a respeito. Na campanha eleitoral de 2006, como vocês se lembram, Luiz Inácio Apedeuta da Silva usou os ataques para tentar provar que a segurança em São Paulo estava fora do controle. Na prática, então, usava o PCC como um aliado eleitoral objetivo. O PCC, diga-se, já tinha mostrado simpatia pelo petismo (ver próximo post).

Maria Rita mente também quando afirma que a PM ataca “manifestações populares” de maneira injustificada — de resto, mero juízo de valor. Os confrontos que eventualmente acontecem se dão quando os manifestantes resolvem obstruir vias públicos ou quando, eles sim!, atacam a polícia. No dia 23 de maio de 2007, por exemplo, a tropa de choque da Apeoesp, os amigos de Maria Rita Kehl, entrou em confronto com PMs. Saldo: 22 feridos. Todos eram policiais.

A petista Kehl, na emissora que dizem “tucana”, transformou a Polícia Militar mais eficiente do Brasil — responsável direta por uma queda no índice de homicídios considerada exemplar até pela ONU — numa instituição assassina e repressora. Na sua fala, releiam, a PM sai como vilã, e o PCC como vítima.

No que diz respeito à USP, finalmente, não há um só direito sendo desrespeitado. Agora vamos à fala de LiliaLilia Schwarcz.

Lilia Schwarcz (1h22min) - Essa também não é uma questão de linguagem, ou seja, o que a imprensa pegou foi só o lado… A discussão de quais são… a autoridade da polícia no campus também é importante, né?

Acho que entendi essa soma de anacolutos e explícito espancamento da concordância verbal. A autoridade da PM no campus está clara. Dois policiais, apenas dois, flagraram três alunos fumando maconha e com uma quantidade da droga que não caracterizava apenas consumo. Ainda que assim fosse, é ilegal. Ponto! O problema é que essa gente fica divulgando a mentira de que PMs estão revistando a mochila de estudantes. Todos os que fazem essa “denúncia” são militantes de organizaões de extrema esquerda e estão comprometidos com a invasão da reitoria.

Lilia Schwarcz (1h24min) - O sr. não acha que teve uma questão de performance, também? Ou seja, porque em todos os lugares, não estou dizendo que deve se liberar na USP, mas que foi um contingente militar pra pegar dois garotos…

Pergunto: será que essas pessoas falam assim quando dão aula? Como é que os alunos acompanham o raciocínio? O sujeito e o predicado vivem em permanente divórcio. É mentira, professora Lilia! Dois soldados abordaram três maconheiros e pretendiam conduzi-los para fazer o termo circunstanciado. Até a direção da faculdade já havia sido acionada, e os próprios rapazes já haviam decidido acompanhar os policiais. Mas aí chegou a tropa de choque da extrema esquerda, inicialmente liderada pelo Sintusp, e os policiais foram cercados. ATENÇÃO! HÁ IMAGENS QUE COMPROVAM: A AGRESSÃO PARTIU DOS MANIFESTANTES. Mais: há sérios indícios de que o próprio flagrante fez parte de uma armação para criar um casus belli na USP. Os policiais receberam uma denúncia anônima de que os rapazes fumavam e portavam maconha. Cumpriram o seu dever. Mas o circo já estava preparado. Do nada, os “militantes” foram brotando.

Aí acontece outra coisa inusitada. Demonstrando certo enfado, falando como quem argumenta ab absurdo, Mario Sérgio Conti, o mediador do programa, procura arrematar a discussão, desqualificando até mesmo a resposta do entrevistado, que já ia mal, reitero, porque tendente a concordar, embora com reservas, com as empulhações que tinham sido ditas até ali pelos entrevistadores.

Mario Sérgio Conti - Uma invasão da PM num campus da USP! O senhor foi professor lá!

Invasão???
O povo de São Paulo paga o salário de Mário Sérgio Conti para que ele declare que a PM “invade” a USP, como se tivesse cometido alguma ilegalidade? É mentira! Havia uma determinação judicial para que se restabelecesse o estado de direito na universidade. Invasores eram os encapuzados; invasores eram aqueles que impediam o trabalho normal na USP; invasores ainda são os que impedem, com piquetes, que alunos e professores possam exercer o seu ofício.

Cada um tenha, reitero, sobre o episódio a opinião que quiser. Mas não dá para condescender com a mentira. Assim como a população não paga imposto para que a USP seja privatizada por meia-dúzia de vagabundos, também não sustenta a TV Cultura para que se minta no ar de forma tão escandalosa. Uma das funções do mediador, diga-se, é sempre zelar pela verdade. No caso, Conti resolveu engrossar o caldo da mistificação.

Ah, sim, dona Maria Rita! O estado de São Paulo tem hoje menos de 10 homicídios por 100 mil habitantes, realidade reconhecida até pelo governo do seu partido, o PT. Em 12 anos, a redução do número é de quase 80%. Chegou-se a esse número fazendo mais policiamento preventivo, prendendo mais e, em último caso, matando bandidos. Na Bahia, por exemplo, governada pelo seu partido, o índice de homicídios teve uma elevação escandalosa.

PS - Aviso dirigido: é inútil rosnar e mobilizar braços de aluguel para me atacar. Não dou a mínima. Nem me intimido. Podem vir quente que eu estou fervendo, hehe. De resto, eu tenho números que provam que estou certo (e ainda voltarei a eles) e que provam que vocês estão errados.

Por Reinaldo Azevedo

Delúbio Soares, o tesoureiro do mensalão, obedecendo, parece, à orientação de seu advogado, o petista Luiz Eduardo Greenhalgh — que gosta de pegar causas de heróis —, resolveu que a melhor defesa é o ataque. Já chego lá. Vamos lembrar antes algumas coisinhas.

Os petistas tentaram negar, inicialmente, a existência do mensalão. Numa entrevista ao programa “Roda Viva”, o então presidente da legenda, José Genoino, foi inequívoco: tudo mentira! Não admitiu nem mesmo o crime eleitoral. Encerrou sua performance lembrando a sua condição de ex-preso político e chorou. Todos ficaram comovidos, claro! No dia 17 de julho de 2005, numa entrevista ao Fantástico, Lula lançou a grande linha de defesa dos petistas, inventada por Márcio Thomaz Bastos: tratava-se de crime eleitoral, e todo mundo faz o mesmo. Surgiram, no entanto, evidências de compra até de partidos, com porteira fechada. A situação se agravava. No dia 12 de setembro, Lula se viu obrigado a fazer um pronunciamento oficial. Pediu desculpas à nação. É aquele filme em que, curiosamente, ele fica falando e olhando para o alto (observem), sei lá por quê. Vale a pena rever o Apedeuta admitindo a prática de atos “inaceitáveis”. Volto em seguida.

Voltei
Lula foi recuperando aos poucos sua popularidade. À medida que o tempo passava, começou um processo de revisão da história. Para tanto, entrou em campo o time da “Academia”, os petistas universitários. Liderados por Marilena Chaui, alguns “professores” inventaram a farsa de que a crise do mensalão era só uma tentativa de golpe das oposições, com o auxílio da “mídia”. No terreno da propaganda, Franklin Martins, ministro da Comunicação Social, mobilizou uma súcia de ex-jornalistas para difamar a imprensa que tem vergonha na cara. Os petistas se sentiram fortalecidos. E passaram a repetir em coro: “O mensalão nunca existiu”. As desculpas de Lula ficaram para trás. O Babalorixá de Banânia recorreu àquele expediente quando sua reputação estava indo para o ralo. Recuperado, voltou a demonstrar o temperamento agressivo de sempre. Ao deixar a Presidência, anunciou que uma de suas intenções era descobrir o que de fato aconteceu naquele período, sugerindo que tudo não passou de uma tramóia das… oposições!

Dias de hoje
Chegamos, assim, aos dias de hoje. Orientado por Greenhalgh, o advogado do terrorista Cesare Battisti, Delúbio Soares não só nega a existência do mensalão como canta o seu “Non, je ne regrette rien”. Ele não se arrepende de nada! Ao contrário, sente orgulho do que fez. Leiam o que informa Fabio Guibu na Folha Online. Volto em seguida.
*
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, acusado de ser um dos mentores do mensalão, disse ontem à noite em Recife (PE) que não se arrepende de nada do que fez e afirmou que não vai deixar de fazer política, seja qual for a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o caso. Segundo ele, ninguém enriqueceu e o ocorrido foi um “processo político”. “Vou falar em alto e bom som: não me arrependo de nada, dos cinco anos de isolamento, nada”, declarou Delúbio. “Parei de passear, de fazer as coisas, mas valeu muito e está valendo”, disse ele, referindo-se aos nove anos consecutivos do PT no comando do governo federal e do avanço do partido nos Estados e municípios.

Em debate sobre sua defesa no processo, realizado à noite no Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Pernambuco, Delúbio repetiu que o mensalão não existiu. Segundo ele, os R$ 55 milhões captados foram distribuídos a políticos do PT e partidos aliados para pagar dívidas de campanha. Delúbio é apontado pelo Ministério Público como o operador do esquema, denunciado pela Folha em 2005. Se condenado, pode pegar até 111 anos de prisão pelos supostos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

“Delúbio Soares não enriqueceu, os parentes de Delúbio Soares não enriqueceram. Meus pais continuam vivendo da mesma maneira que viviam antes”, afirmou. “E não conheço nenhuma pessoa que pegou esses recursos e botou no bolso”, disse. “Isso eu falo com tranquilidade. Não teve enriquecimento com ninguém, foi um processo da política.” No debate, promovido por dez diretórios municipais do PT no Estado, o ex-tesoureiro distribuiu às cerca de cem pessoas presentes uma cartilha com 77 páginas intitulada “A defesa de Delúbio Soares no STF” e um CD para a navegação automática no site e twitter do petista.

Ao lado dele, o advogado do partido Luiz Eduardo Greenhalgh defendeu o adiamento do julgamento, que deverá ocorrer no próximo ano. “Seria mais conveniente que o processo fosse julgado em ano não eleitoral, para que haja distanciamento das paixões políticas”, disse. Greenhalgh disse que recomendou a Delúbio que divulgue no país sua versão sobre o mensalão, porque considera sua única chance “escancarar o processo”. “O STF é isento, mas a opinião pública já está formada antecipadamente”, disse. Para o advogado, mostrar o processo e formar o que chamou de “massa crítica”, representa uma oportunidade de “consertar o impacto de um julgamento antecipado”. Delúbio disse que ao longo do processo foram feitas “matérias distorcidas” e que não concederá mais entrevistas até o final do caso.

O processo do mensalão, segundo Greenhalgh, tem cerca de 500 mil páginas em 400 volumes. Ele estima que o julgamento levará cerca de 30 dias para ser concluído. “A ação ganhou um caráter midiático, e o Brasil vai parar para ver”, declarou.

Encerro
Está tudo dito aí. Ainda que fosse verdade que ninguém enriqueceu, pergunta-se: crime que não enriquece ninguém — que serve para o fortalecimento de um partido e para que este ponha em prática um projeto de poder — deixa de ser crime? Eles não têm nenhum pudor e, por isso, não têm também limites. Tudo lhes é permitido.

Caberá ao Supremo definir que futuro espera o Brasil: se Delúbio e a turma forem absolvidos, fica combinado o compromisso preferencial das instituições brasileiras com o crime. É simples assim.

Por Reinaldo Azevedo

O dia em que um líder terrorista foi chamado por um ente do governo petista de “herói do povo brasileiro” e em que parte da imprensa escondeu todas as suas vítimas

Como vocês sabem, ninguém quer revanchismo no Brasil. Só temos pombas da paz. Essa gente só se interesse por “Justiça”. Ontem, e eu já havia tratado do assunto no blog, Carlos Marighella, chefe do grupo terrorista “Ação Libertadora Nacional” (ALN), foi homenageado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Declarou, então, a conselheira Ana Maria Guedes: “A Comissão da Anistia, em nome do Estado brasileiro, faz os mais sinceros pedidos de desculpas pelas atrocidades que foram cometidas contra o herói do povo brasileiro, Carlos Marighella”.

Em nome do Estado? Do povo? Podem me incluir fora dessa. A propósito: perguntem a alguém “do povo brasileiro” se sabe quem foi este senhor. É uma piada macabra. Leiam o texto que saiu publicado no Estadão Online, de Tiago Décimo. Volto depois.
*

No dia em que completaria 100 anos, o líder comunista Carlos Marighella (1911-1969) recebeu a anistia política da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. O evento foi realizado em Salvador, cidade em que Marighella nasceu, entre a tarde e a noite de hoje [segunda]. “Por unanimidade, a comissão declara anistiado político Carlos Marighella”, sentenciou o presidente da sessão, o vice-presidente da comissão, Egmar de Oliveira, no início da noite. A decisão foi tomada após a leitura do processo, por parte da relatora, conselheira Ana Maria Guedes. “A Comissão da Anistia, em nome do Estado brasileiro, faz os mais sinceros pedidos de desculpas pelas atrocidades que foram cometidas contra o herói do povo brasileiro, Carlos Marighella”.

O evento contou com a presença da viúva de Marighella, Clara Charf, de 86 anos, do filho do casal, o advogado Carlos Augusto Marighella, do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), do senador João Capiberibe (PSB-AP), de deputados como Emiliano José (PT-BA), autor do livro “Marighella: o inimigo número um da ditadura militar”, e de políticos de outros Estados, como o vereador de São Paulo Ítalo Cardoso (PT), autor do projeto que deu a Marighella o título de cidadão paulistano, no ano passado.

Bastante emocionada, Clara chorou algumas vezes durante o evento. “O reconhecimento da luta de Marighella pela liberdade e pela vida digna da população é uma vitória para o Brasil”, avalia. “A comissão resgatou a verdade da história e da luta dele. Por muitos anos, os governos mentiram, enxovalharam as pessoas para tirar do Estado brasileiro o peso dos erros. Esse processo acabou. A humanidade e o companheirismo sempre foram suas maiores características. Ele merece esse resgate”, acrescentou.

O líder comunista fez oposição a duas ditaduras, de Getúlio Vargas e dos governos militares. Foi preso três vezes, entre 1932 e 1945, foi eleito deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1945 e voltou à clandestinidade em 1948, quando o governo de Eurico Gaspar Dutra declarou o partido comunista como fora da lei. Marighella liderou os movimentos contrários à ditadura militar e participou da luta armada contra o governo. Chegou a ser considerado o principal inimigo do Estado brasileiro e foi morto, em 4 de novembro de 1969, por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), liderados pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, em uma emboscada na Alameda Casa Branca, em São Paulo.

“O que a gente viu hoje foi a desmistificação de todas as mentiras que se falaram, ao longo de muitos anos, sobre meu pai”, disse Carlos Augusto, que articula com o governo do Estado a criação de um memorial para seu pai, na Bahia. “Meu pai não era um terrorista, ele foi um herói, uma inspiração, por sua coragem, por seu senso de dever e responsabilidade. Eu estou há 40 anos lutando para que esta verdade surja. E este é um momento de glória e honra a quem, como Marighella, lutou por este País”, falou.

“Com a anistia, o Estado brasileiro reconhece como legítima a forma escolhida por Marighella para enfrentar o terrorismo imposto pela ditadura militar”, disse Egmar de Oliveira. “Estamos cumprindo o dever de iniciar o resgate da história de um lutador do povo brasileiro. Espero que a Comissão da Verdade possa apresentar à sociedade quem foram os que executaram, de forma covarde e brutal, Carlos Marighella. Não no sentido de revanchismo, mas para resgatar a verdade, para que ela não volte a acontecer”, disse.

Voltei
Não se trata apenas de um movimento de falsificação da história. Há também um trabalho de apagamento dos fatos. O texto do Estadão não faz menção ao fato de que Marighella era o chefe da ALN, que matou uma penca de pessoas, muitas delas sem qualquer ligação com a luta política. Também omite o fato de que ele foi o autor do “Minimanual da Guerrilha Urbana”, em que faz aberta e explicitamente a defesa do terrorismo e do assassinato de soldados. E, como é sabido, não ficou apenas na teoria. Abaixo, a lista de pessoas assassinadas pela ALN, sozinha ou em associação com outros grupos.

AS FAMÍLIAS DESSAS PESSOAS NÃO FORAM NEM SERÃO INDENIZADAS. A COMISSÃO DE ANISTIA EXISTE PARA CONCEDER BENEFÍCIOS SÓ A ESQUERDISTAS CONSIDERADOS VÍTIMAS DO REGIME MILITAR. Os mortos de esquerda são heróis. Os que não são perdem até o direito de ter um nome. Aliás, o fato desaparece.

Como se nota, o jornalismo brasileiro, com as exceções de praxe, tenta enterrar a memória. Vai aqui mais uma contribuição à Comissão da Verdade.

PESSOAS ASSASSINADAS PELA ALN, DO “HERÓI” CARLOS MARIGHELLA

- 10/01/68 - Agostinho Ferreira Lima - Marinha Mercante - Rio Negro-AM
No dia 06/12/67, a lancha da Marinha Mercante “Antônio Alberto” foi atacada por um grupo de nove terroristas, liderados  por Ricardo Alberto Aguado Gomes, “Dr. Ramon”, que, posteriormente, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN). Neste  ataque, Agostinho Ferreira Lima foi ferido gravemente, vindo a morrer no dia 10/01/68.

- 08/05/69 - José de Carvalho - Investigador de Polícia -  SP
Atingido com um tiro na boca durante um assalto a uma agência do União de Bancos Brasileiros, em Suzano, no dia 07 de maio, morreu no dia seguinte. Nessa ação, os terroristas feriram, também, Antonio Maria Comenda Belchior e Ferdinando Eiamini. Participaram os seguintes terroristas da ALN: Virgílio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Takao Amano, Ney da Costa Falcão, Manoel Cyrilo de Oliveira Neto e João Batista Zeferino Sales Vani. Amano foi baleado na coxa e operado em um “aparelho médico” por Boanerges de Souza Massa, médico da ALN.

- 22/06/69 - Guido Bone - soldado PM - SP
Morto por militantes da ALN que atacaram e incendiaram a rádio-patrulha RP 416, da então Força Pública de São Paulo, hoje Polícia Militar, matando os seus dois ocupantes, os soldados Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, roubando suas armas.

- 22/06/69 - Natalino Amaro Teixeira - Soldado PM - SP
Morto por militantes da ALN na ação acima relatada.

- 03/09/69 - José Getúlio Borba - Comerciário - SP
Os terroristas da ALN Antenor Meyer, José Wilson Lessa Sabag, Francisco José de Oliveira e Maria Augusta Tomaz resolveram comprar um gravador na loja Lutz Ferrando, na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São Luis. O pagamento seria feito com um cheque roubado num assalto. Descobertos, receberam voz de prisão e reagiram. Na troca de tiros, o guarda civil João Szelacsak Neto ficou ferido com um tiro na coxa, e o funcionário da loja, José Getúlio Borba, foi mortalmente ferido. Perseguidos pela polícia, o terrorista José Wilson Lessa Sabag matou a tiros o soldado da Força Pública (atual PM) João Guilherme de Brito.

- 03/09/69 - João Guilherme de Britto - solado da Força Pública - SP
(ver relato acima)

- 11/03/70 - Newton de  Oliveira Nascimento -  Soldado PM - Rio de Janeiro
No dia 11/03/70, os militantes do grupo tático armado da ALN Mário de Souza Prata, Rômulo Noronha de Albuquerque e Jorge Raimundo Júnior deslocavam-se num carro Corcel azul, roubado, dirigido pelo último, quando foram interceptados no bairro de Laranjeiras por uma patrulha da PM. Suspeitando do motorista, pela pouca idade que aparentava, e verificando que Jorge Raimundo não portava habilitação, os policiais ordenaram-lhe que entrasse no veículo policial, junto com Rômulo Noronha Albuquerque, enquanto Mauro de Souza Prata, acompanhado de um dos soldados, iria dirigindo o Corcel até a delegacia mais próxima. Aproveitando-se do descuido dos policiais, que não revistaram os detidos, Mário, ao manobrar o veículo para colocá-lo à frente da viatura policial, sacou de uma arma e atirou, matando com um tiro na testa o soldado da PM Newton Oliveira Nascimento, que o escoltava no carro roubado. O soldado Newton deixou a viúva, Luci, e duas filhas menores, de quatro e dois anos.

- 29/08/70 - José Armando Rodrigues - Comerciante - CE
Era proprietário da firma Ibiapaba Comércio Ltda. Depois de sua loja ser assaltada, foi seqüestrado, barbaramente torturado e morto a tiros por terroristas da ALN. Seu carro foi lançado num precipício na serra de Ibiapaba, em São Benedito, CE. Autores: Ex-seminaristas Antônio Espiridião Neto e Waldemar Rodrigues Menezes (que fez os disparos), José Sales de Oliveira, Carlos de Montenegro Medeiros, Gilberto Telmo Sidney Marques, Timochenko Soares de Sales e Francisco William.

- 14/09/70 - Bertolino Ferreira da Silva - segurança - SP
Morto durante assalto praticado pelas organizações terroristas ALN e MRT ao carro pagador da empresa Brinks, no Bairro do Paraíso, em são Paulo.

-15/04/71 - Henning Albert Boilesen - Industrial - SP
Ligado à Operação Bandeirantes, que combatia com métodos também ilegais as organizações de esquerda, foi assassinado, entre outros, por Carlos Eugênio da Paz (há depoimento deste senhor no blog). Participaram ainda dação os terroristas Yuri Xavier Pereira, Joaquim Alencar Seixas, José Milton Barbosa, Dimas Antonio Casimiro e Antonio Sérgio de Matos. No relatório escrito por Yuri, apreendido pela polícia, lê-se: “Durante a fuga, trocávamos olhares de contentamento e satisfação. Mais uma vitória da Revolução Brasileira”. Sobre o corpo de Boilesen, atingido por 19 tiros, panfletos da ALN e do MRT, dirigidos “Ao Povo Brasileiro”, traziam a ameaça: “Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são. Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore; o que importa é que eles sentirão o peso da JUSTIÇA REVOLUCIONÁRIA. Olho por olho, dente por dente”.

- 20/01/72 - Sylas Bispo Feche - Cabo PM São Paulo - SP
O cabo Sylas Bispo Feche integrava uma Equipe de Busca e Apreensão do DOI/CODI/II Exército. Sua equipe executava  uma ronda quando um carro VW, ocupado por duas pessoas, cruzou um sinal fechado quase atropelando uma senhora que atravessava a rua com uma criança no colo. A sua equipe saiu em perseguição ao carro suspeito, que foi interceptado. Ao tentar aproximar-se para pedir os documentos dos dois ocupantes do veículo, o cabo Feche foi metralhado. Dois terroristas, membros da ALN, morreram.

- 01/02/72 - Iris do Amaral - Civil - RJ
Morto durante um tiroteio entre terroristas da ALN e policiais. Ficaram feridos nesta ação os civis Marinho Floriano Sanches, Romeu Silva e Altamiro Sinzo. Autores: Flávio Augusto Neves Leão Salles (”Rogério”, “Bibico”) e Antônio Carlos Cabral Nogueira (”Chico”, “Alfredo”.)

- David A. Cuthberg - Marinheiro inglês - RJ
A respeito desse assassinato, sob o título “REPULSA”, o jornal “O Globo” publicou:
“Tinha dezenove anos o marinheiro inglês David  A. Cuthberg que, na madrugada de sábado, tomou um táxi com um companheiro para conhecer o Rio, nos seus aspectos mais alegres. Ele aqui chegara como amigo, a bordo da flotilha que nos visita para comemorar os 150 anos de Independência do Brasil. Uma rajada de metralhadora tirou-lhe a vida, no táxi que se encontrava. Não teve tempo para perceber o que ocorria e, se percebesse, com certeza não poderia compreender. Um terrorista, de dentro de outro carro, apontara friamente a metralhadora antes de desenhar nas suas costas o fatal risco de balas, para, logo em seguida, completar a infâmia, despejando sobre o corpo, ainda palpitante, panfletos em que se mencionava a palavra liberdade. Com esse crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas fronteiras para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado político contra jovem inocente, em troca da publicação da notícia num jornal inglês. O terrorismo cumpre, no Brasil, com crimes como esse, o destino inevitável dos movimentos a que faltam motivação real e consentimento de qualquer parcela da opinião pública: o de não ultrapassar os limites do simples banditismo, com que se exprime o alto grau de degeneração dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos”.
A ação criminosa foi praticada pelos seguintes terroristas, integrantes de uma frente formada por três organizações comunistas:
- ALN - Flávio Augusto Neves Leão Salles (”Rogério”, “Bibico”), que fez os disparos com a metralhadora, Antônio Carlos Nogueira Cabral (”Chico”, “Alfredo”), Aurora Maria Nascimento Furtado (”Márcia”, “Rita”), Adair Gonçalves Reis(”Elber”, “Leônidas”, “Sorriso”);
- VAR-PALMARES - Lígia Maria Salgado da Nóbrega (”Ana”, “Célia”, “Cecília”), que jogou dentro do táxi os panfletos que falavam em vingança contra os “Imperialistas Ingleses”; Hélio Silva (”Anastácio”, “Nadinho”), Carlos Alberto Salles(”Soldado”);
- PCBR - Getúlio de Oliveira Cabral(”Gogó”, “Soares”, “Gustavo”)

- 06/03/72 - Walter César Galleti - Comerciante - SP
Terroristas da ALN assaltaram a firma F. Monteiro S/A. Após o assalto, fecharam a loja, fizeram um discurso subversivo e assassinaram o gerente, Walter César Galetti, e feriram o subgerente, Maurílio Ramalho, e o despachante Rosalindo Fernandes.

- 09/09/72 - Mário Domingos Panzarielo - Detetive Polícia Civil - RJ
Morto ao tentar prender um terrorista da ALN.

- 27/09/72 - Sílvio Nunes Alves - Bancário - RJ
Assassinado em assalto ao Banco Novo Mundo, na Penha, pelas organizações terroristas PCBR, ALN, VPR, VAR-Palmares e MR-8. Autor do assassinato: José Selton Ribeiro.

- 21/02/73 - Manoel Henrique de Oliveira - Comerciante - SP
No dia 14 de junho de 1972, as equipes do DOI de São Paulo, como já faziam há vários dias, estavam seguindo quatro terroristas da ALN que resolveram almoçar no restaurante Varela, no bairro da Mooca. Quando eles saíram do restaurante, receberam voz de prisão. Reagindo, desencadearam tiroteio com os policiais. Ao final, três terroristas estavam mortos, e um conseguiu fugir. Erroneamente, a ALN atribuiu a morte de seus três companheiros à delação de um dos proprietários do restaurante e decidiu justiçá-lo. O comando “Aurora Maria do Nascimento Furtado”, constituído por Arnaldo Cardoso Rocha, Francisco Emanuel Penteado, Francisco Seiko Okama e Ronaldo Mouth Queiroz, foi encarregado da missão e assassinou, no dia 21 de fevereiro, o comerciante Manoel Henrique de Oliveira, que foi metralhado sem que pudesse esboçar um gesto de defesa. Seu corpo foi coberto por panfletos da ALN.

Por Reinaldo Azevedo

06/12/2011

 às 6:17

DOCES PROMISCUIDADES QUE MATAM

O que faz esta foto aqui?

william-denis
Já explico a imagem. Antes, algumas considerações. Um dos grandes acertos do filme “Tropa de Elite 1″ era demonstrar a conivência das ONGs com o narcotráfico, o que apelidei, brincando, de “Bonde do Foucault”. Depois, o bom diretor José Padilha ficou com medo de sua própria obra e fez o “Tropa de Elite 2″, aí para cantar as glórias de Marcelo Freixo, o deputado estadual do PSOL, que junta a luta meritória contra as milícias com os delírios psolistas. O rapaz é também um bravo do marketing pessoal. Muito bem!

Na semana passada, todos vimos, foi preso o sedizente líder comunitário da Rocinha William de Oliveira. Um filme mostra o rapaz — ele diz que não, mas fica difícil negar — vendendo um fuzil AK, de fabricação russa, para ninguém menos do que Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Na mesa, a dinheirama esparramada. No mercado negro, uma arma como aquela é avaliada em R$ 50 mil. William, acreditem, era funcionário do gabinete da vereadora Andre Gouvêa Vieira, do PSDB. Com ele, foi preso Alexandre Leopoldino da Silva, que compõe a equipe de zeladoria do Palácio da Guanabara, sede do governo do Rio. Tá bom assim?

Eu não esqueci da foto lá do alto não, já chego lá. Vamos avançar mais um pouco.

William era um queridinho das ONGs, dos políticos, dos artistas e dos “descoletes” do Rio. Vocês sabem como as celebridades andam interessadas no social e nas hidroelétricas nos últimos anos. Como a pobreza em São Paulo está mais na periferia, o exercício da demagogia solidária é mais difícil, rende pouca notícia. No Rio, a geografia da cidade e a da pobreza colaboram para criar a fantasia da integração. A miséria é vista, como já apontei aqui muitas vezes, como atração turística e como variante antropológica. Visita-se a favela como quem vai em busca da diversidade cultural num país estrangeiro. Quantos textos já escrevi a respeito neste blog desde junho de 2006? Devem chegar a uma centena.

A lista de políticos e celebridades que foram até William, um dos “líderes” da Rocinha, é mesmo impressionante. Vejam. Volto depois.

O então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e o governador do Rio, Sérgio Cabral
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A presidente Dilma Rousseff
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O tenista Guga
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O humorista Rafael Cortez
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O Senador Crivella (PRB-RJ)
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O ator Ashton Kutcher e o apresentador Luciano Huck
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O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo
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Voltei
Vocês viram direito, sim. Acima, temos ninguém menos do que o ministro da Justiça, responsável último pelo combate ao narcotráfico e ao tráfico de armas, de braços dados com o tal líder comunitário. Não que faltassem motivos para desconfiar dele. Informa a VEJA desta semana:
“Em 2005, durante o reinado de terror implantado pelo antecessor de Nem, William foi flagrado em uma constrangedora escuta telefônica. Em nome do chefão. instruía bandidos a deixar dois fuzis roubados do Exército em uma favela dominada pela facção rival. Ficou preso por nove meses, mas conseguiu ser absolvido sob a alegação de que pretendia apenas fazer com que se livrassem dos tais fuzis, evitando um banho de sangue na Rocinha - então na iminência de uma ação policial. A emenda foi tão disparatada quanto o soneto, mas todo mundo fez que acreditou. William seguiu livre e solto, colecionando amizades nos mais diversos círculos, de políticos a artistas. Um de seus três filhos tem Flora Gil, a mulher do cantor Gilberto Gil. como madrinha.”

Pois é…

Agora vamos à primeira foto
E o que é aquela primeira foto, que estava no site da Rocinha, mas desapareceu de lá? Vemos ali o presidente da ONG Sou da Paz, Denis Mizne, concedendo um prêmio a William, em 2004, por seu empenho no… DESARMAMENTO da Rocinha!!! A láurea foi concedida por outra ONG, a Viva Rio (falei dela ontem à noite, vejam lá).

Isto mesmo: o rapaz premiado pela Viva Rio por seu empenho no desarmamento foi preso porque flagrado vendendo um fuzil para “Nem”, o chefão do narcotráfico da Rocinha.

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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