Lula quase nos mete na roubada do Rafale… Até a França acha o caça caro e inviável. Ou: “Nóis num gosta duzamericânu”

Publicado em 08/12/2011 07:42 785 exibições

Esta é mesmo do balacobaco. Leiam o que vai na VEJA Online. Volto em seguida:

Dassault poderá interromper produção do Rafale

A fabricante de aviões Dassault interromperá a produção do jato de combate Rafale, se continuar incapaz de vender as aeronaves no exterior. A afirmação foi feita nesta quarta-feira pelo ministro da Defesa da França, Gerard Longuet. “Se a Dassault não vender nenhum Rafale no exterior, a linha de produção será interrompida”, afirmou Longuet. Essa interrupção ocorreria após a França receber as 180 aeronaves que já encomendou. Segundo o ministro, o trabalho de manutenção da aeronave continuará sendo realizado.

O caça Rafale foi alvo de polêmica no Brasil no ano passado. O modelo era o preferido pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em negociação para reequipar a Força Aérea Brasileira (FAB). Lula, na ocasião, ignorou relatório do Comando da Aeronáutica, que avaliou o caça Gripen NG, da empresa sueca Saab, como o melhor para a renovação da frota, além de mais barato. Até agora, porém, o governo brasileiro não tomou uma decisão sobre a compra dos jatos. Devido ao aperto orçamentário, a presidente Dilma Rousseff afirmou por diversas vezes que a compra será postergada, ainda sem prazo.

Emirados Árabes
Com as negociações congeladas no Brasil, a Dassault apostou suas fichas nos Emirados Árabes - com quem vinha negociando desde 2008. Contudo, essa venda - que já era dada como certa pela companhia - também subiu no telhado. O príncipe da coroa de Abu Dhabi, o Sheikh Mohamed bin Zayed, que também é responsável pelas forças armadas do país, afirmou em novembro que as conversas não avançaram, e que as condições oferecidas pela empresa são “impraticáveis”.

Voltei
Pois é… É por isso que Nicolas Sarkozy, embora tenha o nariz do Cyrano de Bergerac, não pode ser considerado um romântico. É muito prático, né? O Brasil era a salvação da lavoura — digo, dos Rafales. A Força Aérea da França é o único cliente do avião… francês! O esperto Sarkozy contava com os sonhos de grandeza do Bananão… Não fosse Lula um falastrão, e a compra dos Rafales teria se efetivado na surdina. Nesse caso, a bazófia salvou os cofres públicos. E que se note: se os 200 Rafales franceses não são o bastante para assegurar a continuidade do caça, não seriam os 50 ou 70 aviões brasileiros que o fariam. Estaríamos comprando uma sucata.

Longuet disse mais: segundo ele, enquanto houve quase as 200 encomendas do Rafales, os americanos produziram 3 mil aeronaves F/A 18 Super Hornet, que também estava entre as opções consideradas pelo Brasil. Mas sabem cumé…Nóis nun gosta duzamericânu…Nóis é antiimperialista…

Por Reinaldo AzevedoO dia em que a Viva Rio, de Rubem César Fernandes, protestou contra a prisão de William, o do fuzil. E o que diziam os fatos, relatados em VEJA

Como todos vocês viram, William Oliveira, o preferido das estrelas e dos políticos, foi preso porque flagrado vendendo um fuzil de fabricação russa, avaliado em R$ 50 mil, ao traficante Nem. Desde que o blog existe, acuso a escandalosa convivência de algumas ONGs com o crime. As pessoas não gostam, ficam irritadas. No Rio, isso é mais freqüente porque vem de longe certo esforço de “poetização” do morro, que considero uma das formas mais refinadas — e canalhas — de crueldade dos ricos. Em 2005, o tal William foi preso, acusado de colaboração com o narcotráfico. No dia 25 de fevereiro daquele ano, na página da ONG “Viva Rio”, comandada pelo buliçoso antropólogo Rubem Cesar Fernandes, encontrava-se esta nota de protesto (fotografei a página para que não suma), com um miniabaixo-assinado. Reparem no tom.

Fórum Dois Irmãos faz pronunciamento sobre a prisão do líder comunitário da Rocinha
- 25/02/2005
Nós, que participamos do Fórum Dois Irmãos e do Conselho do Viva Rio, vimos nos pronunciar sobre a prisão de William Oliveira, Presidente da União Pró Melhoramentos dos Moradores da Rocinha. Acompanhamos de perto a crise vivida pela comunidade no último ano e podemos dizer que William tem sido uma liderança importante na busca de soluções positivas. Com coragem e discernimento incomuns, defende publicamente não apenas investimentos sociais, como também medidas de segurança que possam estabilizar a situação de forma duradoura. Acreditamos na Justiça e confiamos na lisura da investigação policial neste caso. Apelamos às autoridades responsáveis e à imprensa que considerem os danos causados por esta prisão não apenas a William e sua família (com filho recém nascido), mas também ao povo da Rocinha, que o elegeu em processo eleitoral exemplar e que, com ele à frente, manifestou-se contra a violência de modo que raramente se vê. A prisão preventiva de pessoa com endereço e trabalho certos e as conclusões precipitadas na opinião pública fazem mal a ele, às lideranças comunitárias em geral, à Rocinha e ao Rio de Janeiro.

Amaro Domingues - Líder Comunitário do Complexo da Maré
André Midani -   Empresário
André Urani - Diretor Executivo do IETS - Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade
Alfredo Luiz Porto Britto - Arquiteto
Antônio Carlos  Mendes Gomes -  Diretor  Executivo  do Sindicato da Indústria e Construção Civil do Rio de Janeiro - SINDUSCON
Antônio Felix -   Lider Comunitário na Região de Santa Cruz
Andres  Cristian Nacht - Presidente do Conselho de Administração da MILLS do Brasil Estruturas e Serviços Ltda.
Carlos Manoel Costa Lima -  Vice-Presidente da Federação Nacional dos Metalúrgicos
Eduardo  Eugênio Gouvêa Vieira Filho -  Empresário
Elysio Pires - Consultor de Comunicação e Marketing
Fernanda Carísio -  Diretora  do Sindicato dos Bancários  do Rio de Janeiro
Isabel Barroso Salgado - Técnica de Vôlei
Jorge Hilário Gouvêa Vieira - Advogado - Escritório de Advocacia Gouvêa Vieira
Luiza Parente - Professora de Educação Física / Ginástica Artística
Luis Roberto Pires -TV Globo - Gerente de Projetos Sociais
Milton Tavares - Associação Comercial do Rio de Janeiro
Rubem César Fernandes - Antropólogo - Diretor Executivo do Viva Rio

viva-rio-william

Pois é…

A nota é de 25 de fevereiro. No dia 12 de março, a edição nº 1896 de VEJA começava a chegar às bancas com uma reportagem sobre o rapaz! Ô revista encardida, essa, né?, como se diria lá em Dois Córregos. Sempre estragando a poesia da turma que aplaude o pôr do sol…

Lia-se, então, na reportagem:
Com a força das armas, o tráfico de drogas conquistou, nos últimos anos, o domínio sobre regiões inteiras das grandes cidades. No Rio de Janeiro, 1 milhão de pessoas que vivem em 700 favelas são submetidas a um regime tirânico. Esse avanço territorial tem várias causas, entre elas o arsenal de guerra dos bandidos, a falta de uma política de segurança eficaz e a corrupção policial. Mas, no dia 23 de fevereiro, a prisão do líder comunitário William de Oliveira jogou luz sobre uma face mais complexa e chocante desse fenômeno. Presidente da União Pró-Melhoramentos, a mais importante associação de moradores da Rocinha, a maior favela do Rio, William foi flagrado em escutas telefônicas com os chefes do tráfico local. Em uma das gravações, autorizadas judicialmente, o líder comunitário pede ao traficante Erismar Rodrigues, o “Bem-Te-Vi”, patrocínio para uma festa em comemoração ao aniversário da associação de moradores.

Pesa ainda contra William a suspeita de ter usado a entidade que preside para comprar aparelhos de radiocomunicação e repassá-los aos traficantes. Outra líder comunitária, Maria Luiza Carlos, também presa na operação policial, foi mais longe. Ex-presidente da mesma União Pró-Melhoramentos, “Madrinha”, como é conhecida, atuava como elo entre bandidos e policiais corruptos. Era de sua responsabilidade a entrega, de três em três dias, de uma propina de cerca de 2.500 reais. A prisão de William e Maria Luiza revela a deformação de uma estrutura que deveria agir em favor dos interesses comunitários, e não prestar vassalagem a bandidos. Estudos apontam que, no Rio de Janeiro, quase metade das associações de moradores sucumbiu à proximidade com o tráfico e hoje oscila entre a calada submissão e o apoio ostensivo ao crime organizado.
(…)
A revista também trazia um trecho da conversa em que William pede patrocínio para uma festa ao traficante Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi.
William -
 Vou fazer, dia 22, o aniversário da associação, 43 anos, lá na Curva do S.
Bem-Te-Vi - Vai fechar um show lá?
William - Vou, vou, vai ser no domingo. De 3 da tarde até meia-noite, a entrada é 1 quilo de alimento. Tô fechando a programação e quando tiver pronta eu vou falar contigo, pra ver o teu patrocínio aí, o que você pode me patrocinar.
Bem-Te-Vi - Que patrocínio? Pô, tá maluco? Minha “firma” tá quebrada. Tá ligado que tá quebrada a firma? Mas a gente fala alguma coisa, a gente pede alguma coisa a alguém, tá ligado?

VEJA teve acesso também à transcrição de conversas telefônicas entre Maria Luiza Carlos, antecessora de William na presidência da União Pró-Melhoramentos da Rocinha, e Bem-Te-Vi. Fica claro que ela servia de ligação entre traficantes de drogas e policiais corruptos.
Bem-Te-Vi -
 Manda eles ficarem no Largo da Macumba, e, se passar, não precisa dar tiro, não, que nós tá (sic) vendo tudo.
Maria Luiza - Eu vou passar para ele. Olha, eles estão mandando te perguntar se você não quer comprar um colete à prova de balas novinho.
Bem-Te-Vi - Tem aquele porta-pistola na frente do peito?
Maria Luiza - É esse mesmo.
Bem-Te-Vi ­ Quanto é?
Maria Luiza - Mil e quinhentos.
Bem-Te-Vi -
 Que é isso? Os amigos deles outro dia venderam um por 600, aí comprei mais vinte
(….)

Como reagiu Ruben César Fernandes, da Viva Rio, diante dessas evidências? Assim:
“Eu, pessoalmente, mantenho a minha opinião sobre o William mesmo depois da divulgação das conversas, que podem ser interpretadas de diferentes maneiras. Hoje, não há liderança comunitária dentro de favela que não fale com o tráfico”.

Pois é… Essas convicções de Rubem César acabaram metendo terceiros em roubadas, como foi o caso de um diretor da ONG  “Sou da Paz” (leia aqui)Outro que saiu em defesa de William foi o jornalista Zuenir Ventura. Os dois chegaram a participar de um debate sobre… meio ambiente!!! Na sua página na Internet, o “líder comunitário” cita o jornalista: “A cidade partida definida por Zuenir Ventura pode começar a ser unida a partir das nossas práticas.”
Nem diga!

Inversão total de valores
Dias depois da prisão de William, em 2005, o que mobilizou os descolados do Rio, sabem quem estava na defensiva, tendo de se explicar? O então secretário de Segurança, Marcelo Itagiba. As acusações contra William acabaram dando em nada, apesar das evidências. No ano passado, o site que anunciava que ele debateria meio ambiente com Zuenir apresentava o seu currículo:
“É presidente nacional do Movimento Popular de Favelas, vice-presidente do Fórum de Turismo da Rocinha e vice-presidente da Federação das Associações de Jacarepaguá, Barra, Recreio e Adjacências. É diretor jurídico e relações públicas da Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro. Morador da Rocinha, participa dos conselhos comunitários de segurança pública e do PAC.”

O evento se chamava “Rio de Encontros”. Várias páginas se produziram na Internet da mais pura e comovente poesia social!!!

Entre a conivência e a tolice dos abobados metidos a iluministas, quem, historicamente, paga o pato é o homem comum, o povo de verdade, aquele sem pedigree, que não aprendeu a falar as palavras-chave que encantam os bem-nascidos.

O crime organizado deve rir desses, como chamarei?, clowns!

Ah, sim: não adianta me chamar de reacionário, não, viu? Em primeiro lugar, não dou a mínima. Em segundo lugar, reacionário é ficar alimentando mitos e fortalecendo posições de “lideranças” que mantêm refém a população invisível, aquela que não debate com o Zuenir…

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:35

RESPOSTA A UM TRAPACEIRO INTELECTUAL QUE SE QUER DE CENTRO-DIREITA E QUE É SÓ UM PENSADOR “AD HOC”

Há certos tipos que ignoro. Há outros que merecem uma resposta. No caso que segue, recomendo ao rapaz não se apaixonar.

Há um senhor chamado Alberto Carlos de Almeida. Não é um cantor de iê-iê-iê. Quer dizer, mais ou menos. Ele se tornou mais ou menos conhecido com um livro chamado “A Cabeça do Brasileiro”. Deu alguns números a um fato óbvio, sobre o qual escrevo neste blog, COMO VOCÊS SABEM, há mais de seis anos e em outros veículos há uns 15: os brasileiros são mais conservadores do que muitos supõem. Muito bem! Foi convidado a dar uma entrevista ao programa Roda Viva. Fui um dos entrevistadores. Escrevi a respeito no dia 28 de agosto de 2008. Apanhou impiedosamente, menos de mim. Não mereço, claro, gratidão por isso. Eu me comportaria hoje do mesmo modo. As minhas convicções não mudam conforme o vento. Eu não ganho para pensar isso e aquilo. Porque penso isso e aquilo, não me falta emprego, entenderam? Na bancada, eu era o único entrevistador sem qualquer simpatia pela esquerda.

Muito bem! O tempo foi passando, e fui percebendo que o livro de Alberto Carlos, apenas correto, era bem melhor do que o caráter do autor. Certa manhã, ali pela antevéspera da campanha eleitoral de 2010, eu o encontrei no Aeroporto de Congonhas. Foi efusivo. Efusivo demais para quem, como eu, está sempre algo impróprio para a convivência antes das 14h. Ele também gosta de falar de perto, de muito perto. Isso me constrange, me incomoda. Bastam-me os sentidos da visão e da audição para uma convivência civilizada, eventualmente o tato, para o aperto de mão. Acho que o olfato deve ser guardado para mais intimidade. O paladar, então… O perdigoto é uma das maiores agressões que podem vitimar um ser humano. Cobriu meu trabalho de elogios. Disse que precisávamos conversar. “Claro, sim, vamos marcar…”, olhava eu para os lados, em busca de um socorro que não chegava. Finalmente se foi.

Entendi depois. Tinha sido chutado do PSDB, para quem trabalhava. Se eu escarafunchar um pouco, saberei mais detalhes, os motivos. Mas agora estou com um pouquinho de preguiça. Parece que tinha lá algumas propostas um tanto caras, que não foram assimiladas pelo caixa do partido. E eu com isso? Há alguns bobalhões que acreditam, e é possível que ele fosse um deles, que tenho alguma influência no partido. No caso, para ser explícito, talvez houvesse a crença de que eu poderia dar alguma idéia a José Serra, com quem converso, sim, como pede a minha profissão — e não só com ele! —, mas de quem não sou íntimo a ponto de me atrever a dar dicas ou sugestões. Tenho senso de ridículo.  Outros, com mais importância do que eu, já tentaram, hehe…

Basta, aliás, avaliar algumas posições históricas do líder tucano para constatar que temos divergências imensas. Os que pretendem me colocar, como faz certa canalha, como um de seus braços na Internet têm um duplo objetivo: a) atingir a minha independência — e eu escrevo apenas o que quero e sobre o tema que quero; b) atribuir a Serra, para atingi-lo, a responsabilidade por certas brigas que compro. Quanto à intimidade com os tucanos… Tenham paciência! O que tenho escrito no blog fala por mim. Sempre votei nele para qualquer cargo que tenha disputado? Sim! Apesar das divergências. É um fato público. Não preciso me esconder em certa patifaria que se faz de isenta. Mas sigamos.

Também critiquei Almeida em meu blog, sim. Chutado do PSDB, parece que ele decidiu pôr a sua expertise a serviço da desconstrução da candidatura Serra. Em agosto de 2010, ele previa a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno — e já se estava na reta final da eleição — por até 20 pontos de vantagem sobre a soma de todos os candidatos. REITERO: A POUCO MAIS DE UM MÊS DA ELEIÇÃO, ALBERTO CARLOS DE ALMEIDA, ABRAÇADO A SEU RANCOR, ACHAVA QUE DILMA OBTERIA 20 PONTOS A MAIS DO QUE TODOS OS CANDIDATOS SOMADOS. Bem, ele errou por mais de 20 pontos, não é? Houve segundo turno.

O rapaz que lidava com certa destreza com os números naquele livrinho se tornava um “inteliquitual” ad hoc. Como não é de esquerda — começo a desconfiar que é por indústria, como se dizia antigamente, não por convicção —, seduz alguns incautos. Sim, apontei o despropósito de sua análise em agosto mesmo! NÃO SOU DO TIPO QUE ESPERA O RESULTADO DAS URNAS PARA FORMULAR UMA TEORIA. Não sei para quem Alberto Carlos de Almeida trabalha hoje. Se escarafunchar, é fácil saber. O que sei é que está puxando o saco do senador Aécio Neves (PSDB-MG), a exemplo do que fez num artigo no jornal Valor Econômico, publicado na sexta-feira, de que só tive notícia hoje. Vivo tendo pegas com esquerdistas. Por que não um com quem se quer um “social-liberal”?

Em seu texto, ele se oferece como um grilo falante de Aécio, a quem chama de “carismático e agregador”. E resolve dar o caminho das pedras para a vitória em 2014. Atenção! Ele já sabia o caminho das pedras em 2010; é que não lhe deram ouvidos, entendem? No texto, Alberto Carlos diz com todas as letras: “mesmo nas condições mais adversas possíveis, o voto oposicionista no Brasil é capaz de mobilizar, no mínimo, 37% dos eleitores.” Grande mestre! Se esse é um dado da equação e considerando que Marina Silva aparecia nas pesquisas com algo em torno de 20%, como esse gênio da raça sustentava, então, que Dilma venceria no primeiro turno com mais de 20 pontos de vantagem sobre a soma dos demais candidatos? Que tamanho tem o 100% de Alberto Carlos? É que o rapaz se converteu num fazedor de teorias ad hoc. Basta encomendar, ele tortura os números até que eles confessem.

Como ele não tem, definitivamente, medo do patético, sustenta que o piso da oposição é 37% e que, então, o “carismático e agregador Aécio Neves” pode superá-lo tranqüilamente. Mas ele tem um senão — e, confesso, sinto vergonha alheia. Adverte o gênio da raça: “O principal obstáculo de Aécio para atingir esse desempenho é a eventual candidatura de Marina Silva (…) Aécio sabe disso e, não por acaso, Marina recebeu recentemente o título de cidadã mineira.”Huuummm… Como Marina é só uma bobinha da floresta, né?, trocou a sua candidatura por um título de cidadã mineira… Tentando puxar o saco do senador mineiro, Alberto Carlos o trata como mercador eleitoral de títulos de cidadania. Não creio, sinceramente, que Aécio esteja comprando os seus serviços.

Chupim de teorias alheias. Só de teorias?
O autor prossegue dando dicas. Modéstia às favas, sou eu o autor da “Teoria dos Três terços” do eleitorado brasileiro. Eu falei sobre ela neste blog pela primeira vez no dia 19 de julho de 2006. A página tinha apenas 25 dias. Atenção! Isso foi aqui. Trato do assunto há muito mais tempo. Qual é o ponto? Um terço do eleitorado vota no PT, um terço contra o PT, e o outro terço pode oscilar pra lá ou pra cá. Se vocês procederem a uma pesquisa no blog, encontrarão dezenas de textos a respeito.

Depois de prever a vitória de Dilma no primeiro turno por mais de 20 pontos sobre a soma dos demais, escreve agora o Alberto Carlos no Valor:
“A sociedade brasileira, quando se trata de eleição presidencial, é dividida entre os votos certos do PT e os votos certos do PSDB ou as idéias que ambos representam. Os dois partidos têm, cada um, pelo menos 40% de votos válidos certos. Isso significa que a eleição presidencial brasileira é definida pelos 20% de eleitores centristas.”

Ele dá uma ajustadinha nos números (e está errado, diga-se), mas essa é a minha tese, como se vê. É o que se chama batida de carteira intelectual, apropriação indébita descarada, vergonhosa. Ora, se ele tinha essa convicção, como afirmou aquela porcaria que afirmou? Eu só o contestei, então, sem medo de errar porque aquela era a MINHA CONSTATAÇÃO, A MINHA CONVICÇÃO. Não é possível que Aécio esteja pagando por isso. Não acredito. Calma que a apropriação indébita ainda não terminou.

Guerra de valores
Alberto Carlos também afirma que as oposições precisam construir valores mais à direita e coisa e tal, para confrontar o PT. Escreve ele: “É possível, sim, construir uma identidade de centro-direita no Brasil. A terminologia mais adequada seria mesmo a da identidade social-liberal. O eleitorado desse discurso, dessa visão de mundo, que é o eleitorado que não vota no PT, já assegura 40% dos votos em primeiro turno para quem defender esse credo.”

Atenção, eu tratei explicitamente deste assunto no dia 12 de outubro de 2006. Cito trecho: “Não temos sabido - especialmente os partidos políticos (ou, vá lá, ‘lideranças políticas’) que não comungam dessa escatologia autoritária [da esquerda] - fazer a devida guerra de valores. (…) Reparem a facilidade com que, hoje em dia, lideranças do PSDB e mesmo do PFL pretendem disputar com o PT valores que se dizem de centro-esquerda. Vejam a facilidade com que o ‘discurso do social’, sem que se especifique exatamente que diabo isso quer dizer, se torna pauta obrigatória dos partidos - ainda que esta “agenda” não respeite a lei”.

Na última edição da VEJA de 2010, escrevi um longo artigo, de quatro páginas, a respeito do assunto. Está aqui. Escrevo lá:
“Temos já um Brasil de adultos contribuintes, com uma classe média que trabalha e estuda, que dá duro, que pretende subir na vida, que paga impostos escorchantes, diretos e indiretos, a um estado insaciável e ineficiente. Milhões de brasileiros serão mais autônomos, mais senhores de si e menos suscetíveis a respostas simples e erradas para problemas difíceis quando souberem que são eles a pagar a conta da vanglória dos governos. É inútil às oposições disputar a paternidade do maná estatal que ceva mega-currais eleitorais. Os órfãos da política, hoje em dia, não são os que recebem os benefícios - e nem entro no mérito, não agora, se acertados ou não -, mas os que financiam a operação. Entre esses, encontram-se milhões de trabalhadores, todos pagadores de impostos, muitos deles também pobres!”

Qualquer semelhança com o texto deste senhor não é mera coincidência. A diferença é que eu escrevo bem, e ele, muito mal. Parece que Alberto Carlos de Almeida não respeita muito números com paternidade. Tampouco respeita a paternidade das idéias. Sigamos.

Ataque pessoal
Acima, forneço as evidências, com provas, de que estamos falando de alguém que fabrica teorias ad hoc, a depender do seu rancor, e que vai dispondo livremente de idéias e teses que outros formularam. No artigo em que puxa o saco de Aécio e fala sobre a necessidade de criar um pensamento social-liberal no Brasil, escereve ainda:
“Portanto, não se pode cair, por exemplo, na armadilha ultradireitista de Reinaldo Azevedo. Se fosse na França, ele seria ideólogo do movimento de Le Pen. Toda vez que o PSDB, ou aqueles ligados ao partido, defendem pontos de vista elitistas, se afastam da realpolitik brasileira e dão argumentos para seus adversários jogarem-nos no corner elitista e direitista. Foi esse o caso, por exemplo, do episódio da estação de metrô de Higienópolis. Aécio não é bobo, não cai nessa armadilha.”

“Ligado ao partido”? Quem está rebolando para o PSDB é Alberto Carlos, não eu. Só sou “ultradireitista” para os ultraidiotas, ultratrapaceiros, ultrapilantras, ultraprestadores de serviço, ultravigaristas, gente assim… Ele não poderia dizer, naturalmente, o que há de “ultradireitista” no meu pensamento porque não há. Sou apenas um defensor da Constituição. Este senhor repete o mantra da extrema esquerda para, como se nota, poder me bater a carteira de algumas idéias. É um troço asqueroso! Tivesse vergonha intelectual na cara — não tem! —, não faria alusão ao metrô de Higienópolis, uma canalhice inventada por setores do petismo para desgastar o governo Alckmin. Nunca existiu a hipótese de não se construir uma estação no bairro. O ponto escolhido, aliás, é, em termos imobiliários, ainda mais “nobre” do que o anterior. Ele mente. E está, para variar, tentando agredir São Paulo no texto em que rasga elogios a Aécio. Não creio que seja com o endosso daquele cujas glórias ele canta. Deve fazê-lo por voluntarismo gratuito.

Uma das formas de não debater o que o outro diz é criar pechas, atribuir-lhe coisas que não escreveu, não fez e não pensa. É uma das táticas canalhas das esquerdas para demonizar pessoas. Alberto Carlos não é de esquerda.

Alberto Carlos é um plagiador vulgar. E é bom ele se lembrar que outros trabalharam com ele na área de pesquisa e conhecem os seus métodos. Os meus também são conhecidos. Tenho hoje o blog, já tive uma revista — onde trabalhavam 21 pessoas — e já fui funcionário da Folha duas vezes. Em todos esses lugares, a minha reputação, que corresponde, felizmente, aos fatos, é de pessoa trabalhadora, dedicada a seu ofício, eventualmente desagradável porque diz sempre o que pensa.

Uma pergunta a Alberto Carlos: ainda está à procura de quem pague pelo seu iê-iê-iê ou já encontrou? Atacar o Reinaldo Azevedo, pelo visto, rende uns trocos.

Texto publicado originalmente às 21h24 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:33

Empresário petista e comunista defende o neocolonialismo chinês!!!

Existe uma dita página “independente” na Internet, onde só escrevem petistas, que reúne artigos de bambas ligados ao partido. As esquerdas brasileiras estão a merecer, de fato, um estudo. Vejam lá o outrora revolucionário Fernando Pimentel, hoje ministro de Dilma. O homem saiu na Prefeitura de Belo Horizonte e se tornou um consultor de salário milionário da noite para o dia. A história, como viram, é um tantinho enrolada. Mas volto.

Wladimir Pomar, esquerdistas de quatro costados, ex-militante do PC do B, hoje petista, escreveu um artigo defendendo, eu juro!, o imperialismo chinês! É!!! Ataca os “nacionalistas brasileiros” que estariam preocupados com a concorrência chinesa. Leia um trecho do seu texto. Volto depois:

” (…) o que mais espanta na análise de vários de nossos nacionalistas é sua visão de não diferir um til sequer do discurso norte-americano e europeu sobre o que chamam de projeto geopolítico e a geoeconômico chinês. Tal projeto estaria transformando a África, a Ásia e a América Latina em simples fornecedores de alimentos e matérias-primas. Em busca de minério de ferro e petróleo, a China teria ‘ocupado’ economicamente o Gabão e Angola, e se expandido pelo extremo sul da América Latina, ameaçando transformar o Mercosul em pura retórica.
A China estaria, assim, repetindo a estratégia do capitalismo do final do século 19: tornar a periferia mundial em fonte de matérias-primas e alimentos. Sua proposta seria neocolonizadora, um risco de ‘conto do vigário’. Os que se contrapõem a essa visão sobre a China seriam vendilhões da pátria, dispostos a entregar energia e alimentos para o neo-sonho imperial chinês. Em resumo, a China amarela passou a ser o inimigo principal para esses nacionalistas.”

Voltei
O texto é escandaloso porque isso que ele escreve ab absurdo, como se caricatura fosse, é mesmo verdade. A China, de fato, ocupou o Gabão e Angola e busca uma relação neocolonial com vários países. Aí o leitor meio desavisado pensa: “Pô, Reinaldo, o cara é um comunista, né? Vai defender a China mesmo…”. Como diria o Apedeuta nos velhos tempos, é “menas verdade” do que parece.

O leitor talvez não esteja lembrado de um post de 4 de julho deste ano. Atenção!Wladimir Pomar É UM EMPRESÁRIO. E LUCRA JUSTAMENTE COM A… CHINA! Essa defesa do neocolonialismo é, antes de tudo, uma questão de interesse pessoal. Anotem aí. São consultores de sucesso hoje no Brasil: José Dirceu, Antonio Palocci, Fernando Pimentel e Wladimir Pomar. Leiam trecho daquele post., Volto depois.
*
O negócio do momento é o socialismo de resultados!

Em nenhum país do mundo, com as prováveis exceções das máfias russa e chinesa, a esquerda se deu tão bem quando se meteu, como dizer?, com a economia de mercado como no Brasil. Em breve, os “radicais petistas” estarão fazendo seminários mundo afora sobre como se dar bem no capitalismo pregando o socialismo. Por que isso?

O Brasil tem uma verdadeira dinastia de “vermelhos”, uma família de “radicais autênticos”. O nome mais conhecido hoje é Valter Pomar, expressão da dita extrema esquerda petista. Ele tem sempre uma porcentagenzinha dos votos que lhe permite a fama de autêntico esquerdista e lhe garante o posto de Secretário de Relações Institucionais do partido. Entre 14 e 29 de maio, Pomar, o Valter, fez uma excursão política pela Espanha, França, Suécia e Inglaterra, com uma parada em Frankfurt, na Alemanha. Recebeu tratamento VIP do Itamaraty, coisa de autoridade mesmo!

Valter é filho de Wladimir e neto de Pedro, lendário dirigente comunista, morto durante o regime militar. E é Wladimir - nome que homenageia seu xará mais famoso, o Lênin - um dos protagonistas da reportagem abaixo, de Ricardo Balthazar, na Folha deste domingo. Vejam que mimo. Eu já começo a me encantar com o fato de um notório comunista ser “consultor de empresas”…
*
Na parede atrás da mesa de trabalho do consultor de empresas Wladimir Pomar, há uma fotografia que mostra seu pai apertando a mão do primeiro-ministro chinês Chu En-lai ao final de um encontro político, em 1971. O empresário Marco Polo Moreira Leite faz negócios com a China desde a década de 90, quando procurava produtos chineses para abastecer redes de varejo brasileiras e viveu perto de Pequim. Os dois trabalham juntos hoje em dia, abrindo portas no Brasil para um punhado de gigantes estatais chineses que querem entrar no país. Uma pequena empresa de comércio exterior que eles criaram há três anos, a Asian Trade Link (ATL), representa um consórcio interessado no trem-bala que ligará São Paulo ao Rio, uma indústria que quer vender turbinas para a hidrelétrica de Belo Monte e uma empresa que está de olho no petróleo do pré-sal.

“A China tem dinheiro e tecnologia”, diz Pomar. “Em vez de ficar com medo, o Brasil deveria ter políticas para atrair esses investimentos.” Pode parecer ambição demais para uma empresa tão nova, mas Pomar e Moreira Leite têm uma vantagem que poucos possuem nesse ramo: uma vasta rede de relacionamento que ajuda a abrir caminho no Brasil e na China.

Aproximação
Filho de um dirigente do PCdoB que foi morto pela polícia na ditadura militar, Pomar, 74, participou da fundação do PT e é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi o coordenador da primeira campanha presidencial de Lula, em 1989. Moreira Leite, 66, começou a trabalhar com Pomar em 2002. Lula estava prestes a assumir o poder e os amigos de Moreira Leite na China o procuraram. “Eles queriam muito se aproximar do novo governo”, diz o empresário.

Pomar levou o assunto a Lula, e a dupla recebeu dinheiro do governo para realizar seminários promovendo o comércio entre o Brasil e a China. Eles participaram da organização da primeira visita de Lula à China, em 2004. Na mesma época, Pomar apresentou à então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, o grupo Citic. A Eletrobras depois o contratou para construir uma usina termelétrica em Candiota (RS).

Pomar diz que evita tirar proveito de sua amizade com Lula para fazer negócios. Mas sabe como os chineses valorizam esse tipo de conexão. “Aprendi com eles que você precisa ter relações com todo mundo”, afirma Pomar. A ATL tem 13 sócios. Entre eles, estão o ex-vice-governador de Mato Grosso do Sul Egon Krakhecke, que é do PT e hoje é secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente. São sócios o deputado estadual Jailson Lima, do PT de Santa Catarina, e o ex-deputado federal Luciano Zica, que deixou o PT para entrar no PV.
(…)
Volto para encerrar
O herdeiro do empresário Wladimir Pomar é Valter Pomar — não sei se único. Além de secretário de Relações Internacionais do PT, é também secretário-executivo do Fórum de São Paulo, entidade que reúne as esquerdas da América Latina, muitas delas no poder.

Ocorre-me agora: como chefão do Fórum, Valter, o filho, pode ser um ativo e tanto para Wladimir, o pai, um consultor de empresas da… China!

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:31

Nos Emirados Sáderes – Um homem que não tem medo do ridículo e da gramática

Sabem aquela foto de Dilma Rousseff, sobre a qual escrevi muito aqui? Pois é. Emir Sader, o habitante solitário daquele país mental chamado “Emirados Sáderes”, escreveu o seguinte, em sua gramática sempre destemida e muito pessoal (envia-me um leitor):

“Que bom que uma foto como essa reflita um momento como esse, com essa cara de dignidade, enfrentando seus algozes, que escondem seus rostos!
Que bom que essa foto reflita a cara de uma militante depois de 22 dias e noites das torturas mais cruéis - de pau de arara, choque elétrico, afogamento e outras violências físicas -, como não se quebra a coragem de um ser humano que se decidiu a lutar contra as injustiças!”

Eu me dispenso de analisar a sintaxe de Sader porque desisti de contar com esquerdista alfabetizado faz tempo. Como essa gente fala e escreve mal, Jesus! Adiante. Em primeiro lugar, cumpre destacar que a foto é de novembro de 1970, e Dilma foi presa em janeiro. Acho que os torturadores não esperariam 11 meses para fazer o serviço sujo, não é? A lógica do porão era quebrar a resistência do preso o mais rápido possível. Na ânsia de cantar as glórias de sua heroína, Sader se esqueceu desse detalhe. Se Dilma foi torturada, não deve ter sido pouco antes de ir ao tribunal, que fazia sessões legais e públicas.

Mas essa é só a parte tolinha de sua baba amorosa. Há aquela moralmente complicada. Quer dizer que, se Dilma aparecesse toda estropiada — e seria o normal “depois de 22 dias e noites das torturas mais cruéis - de pau de arara, choque elétrico, afogamento e outras violências físicas” —, ela seria menos digna, é isso? Sader está dizendo que o torturado é o responsável por sua boa aparência? Os de têmpera firme ficam como Dilma, altivos, e os molerões se abatem?

A esquerda já foi melhor. Não muito, mas foi.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:29

No DF, a chanchada se junta à roubalheira! Quem vai ter a coragem de propor o certo: O FIM DA AUTONOMIA DO DF, UM ERRO HISTÓRICO???

Faz tempo que a sede do governo do Distrito Federal é um caso de Polícia. Na gestão petista, continua a ser, mais ganhou ares de chanchada. Ontem, um episódio estranhíssimo se deu. Leiam o que informa a Folha. Volto depois.

Por Felipe Coutinho:
O policial militar João Dias Ferreira, que apontou um suposto esquema de desvio de dinheiro público no Ministério do Esporte, foi pego ontem com R$ 159 mil na sede do governo Agnelo Queiroz (PT), ex-chefe da pasta.  Segundo o advogado de Ferreira, ele recebeu “inúmeras” propostas de pessoas ligadas a Agnelo e, anteontem, decidiu aceitar para poder filmar a entrega do dinheiro. De acordo com o advogado André Cardoso, o pagamento seria um “cala-boca” para que o policial não falasse das irregularidades no Ministério do Esporte e os desdobramentos do caso. “Ele resolveu então ir devolver o dinheiro e foi na secretaria de Paulo Tadeu [Governo], que é quem ele entende que foi a origem do dinheiro”, afirmou o advogado. O policial foi preso em flagrante ontem no Palácio do Buriti, sede do governo do DF, após agredir uma assessora de Paulo Tadeu - secretário e aliado de Agnelo.

O dinheiro jogado na mesa de servidoras da secretaria durante a confusão está sendo analisado pela polícia, que também vai investigar a origem dos R$ 159 mil. Segundo a assessoria do governador Agnelo Queiroz a motivação de Ferreira é “escusa e e despropositada”. “O secretário de Governo, Paulo Tadeu, não se encontrava no palácio durante o episódio. A segurança do Palácio do Buriti abriu procedimento para apurar como se deu o acesso de João Dias ao prédio”.  O policial foi solto após pagar fiança de R$ 2.000, por agressão e injúria com afirmações racistas. Segundo seu advogado, ele filmou a entrega do dinheiro. Ferreira é dono de duas ONGS que desviaram mais de R$ 3 milhões do Esporte durante as gestões de Agnelo e Orlando Silva - que caiu após as acusações.

Comento
Lembrem-se de que, até outro dia, Agnelo e João Dias, que o poupou de acusações, eram aliados. Parece que a coisa desandou.

Querem saber? A autonomia administrativa e política do Distrito Federal foi uma das grandes tragédias que aconteceram naquela região e no país. Já sei que vêm muitos protestos, mas esse é o fato.

Pior: não vislumbro solução. De tal sorte o aparelho público está contaminado pela corrupção, que o ruim, como se vê, só pode ser sucedido pelo pior. Quem, com coragem o bastante para pôr o dedo na ferida, vai propor o fim da autonomia do DF?

Estou pronto par ouvir o alarido! Fazer o quê? Depois de Agnelo, alguém tem alguma outra “boa idéia”?

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:27

Pimentel vai se enrolando… Ele diz ter recebido dinheiro de firma de bebidas, mas donos negam… Dilma deveria poupar o tempo dela e nosso e demitir logo!

Por Thiago Herdy, Fabio Fabrini, Letícia Lins e Cassio Bruno, no Globo:
O hoje ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), recebeu, em 2009, R$ 130 mil da ETA Bebidas do Nordeste, empresa que produz o refresco de guaraná Guaraeta em Paulista, na Região Metropolitana de Recife. Segundo Pimentel, sua empresa P-21 Consultoria e Projetos Ltda, de Belo Horizonte, teria sido contratada para “elaborar um estudo de mercado para a empresa” pernambucana. Porém, os sócios da empresa de bebidas e o seu administrador na época negam terem contratado o serviço.


Em entrevistas ao GLOBO no fim de semana e na última segunda-feira, Pimentel mencionou três clientes de sua empresa - Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Convap e QA Consulting - e omitiu a ETA Bebidas, na hora de somar os valores que recebeu até o fim de 2010. Os pagamentos da ETA a Pimentel foram feitos em duas parcelas, o primeiro de R$ 70 mil, em maio de 2009, e o segundo de R$ 60 mil, em julho do mesmo ano. Pimentel montou a consultoria logo depois de deixar a prefeitura, em 2009, e se desligou antes de virar ministro do governo Dilma.

“Ih, rapaz, esse negócio é muito estranho. É valor muito alto para o trabalho que a gente tinha. Tem alguma escusa, tentaram esconder alguma coisa”, disse Roberto Ribeiro Dias, que participou do quadro societário da ETA até 2010.

Aparentemente o plano de negócios que o ministro informa ter desenvolvido não foi bem sucedido: desde então, as atividades da empresa foram diminuindo, até que a ETA fosse vendida ao pernambucano Ricardo Pontes, no início deste ano. O slogan da empresa, no Nordeste, é “Guareta, naturalmente porreta!”. Hoje a ETA funciona num galpão numa rua discreta e sem saída, no município de Paulista, região Metropolitana de Recife, e está inoperante.

” Esses valores (pagos a Pimentel) não são compatíveis para o nosso negócio. O que a gente fazia de vez em quando era contrato de R$ 10 mil, R$ 15 mil para meninas fazerem propaganda em jogo do Sport com o Santa Cruz. A gente não tinha condições de fazer nada muito diferente disso”, diz Ribeiro Dias.

Firma atuava só no Nordeste, diz sócio
O GLOBO localizou nesta quarta-feira outro sócio de Dias na empresa de bebidas, Eduardo Luis Bueno, que disse desconhecer a prestação dos serviços de consultoria. “P-21? Fernando Pimentel?”, perguntou, querendo saber o valor que teria sido pago para a empresa do ministro. Ao ser informado que foram R$ 130 mil, Bueno respondeu: “Difícil”.

Bueno afirmou que a empresa funciona apenas no Nordeste e que levantaria informações sobre o assunto. Durante a tarde, novos contatos foram feitos com o empresário no escritório de sua outra empresa, a Unaprosil (que atua com produtos químicos), em São Paulo. Funcionários informaram que ele não estava no local e que não seria mais possível falar com ele.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:25

Sócio de Pimentel deixa cargo em prefeitura

Na Folha:
Sócio do ministro Fernando Pimentel na P-21 Consultoria, Otílio Prado entregou o cargo de assessor da Prefeitura de Belo Horizonte. Ele pôs sua cadeira à disposição na noite de ontem, após uma conversa com o prefeito Márcio Lacerda. Incomodado com a exposição sofrida com a revelação de que Otílio acumulava o cargo na prefeitura com a participação na consultoria de Pimentel, Lacerda aceitou, sob o argumento de que era uma decisão de foro íntimo. Otílio apresentará hoje seu pedido de exoneração. Sua situação se complicou desde que veio à tona a informação de que a P-21 recebeu R$ 400 mil de empresa que tem seu filho entre os sócios.

A QA Consulting, do filho de Otílio, teve contrato com uma empresa da Prefeitura, a Prodabel, durante a gestão de Pimentel na prefeitura, no valor de R$ 173,8 mil. Hoje a Prodabel é chefiada por Paulo Moura, ex-secretário de Governo do petista. Sob Moura, a Prodabel, responsável por processamento de dados, firmou contrato de um ano com a QA Consulting, em agosto de 2010, no total de R$ 15.700. Com esse valor, não é exigida licitação. Otílio Prado, filiado ao PSB, chegou à Prefeitura de BH pelas mãos do ex-prefeito Célio de Castro, no final dos anos 90, e se manteve no gabinete até ontem. Com Pimentel, que era vice de Castro e o sucedeu após sua morte, Otílio permaneceu no gabinete do prefeito e se tornou muito próximo do atual ministro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:23

TCU viu risco de prejuízo de R$ 300 milhões à Prefeitura de BH em convênio de Pimentel com a Fiemg, que, depois, virou sua “cliente”

Por Marcelo Portela, no Estadão:
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) firmou convênio com a Prefeitura de Belo Horizonte para a elaboração de projeto que, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), resultaria em prejuízo de mais de R$ 300 milhões aos cofres públicos. O convênio foi firmado em 2008, a 16 dias de terminar a gestão do hoje ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel - e pouco antes de ele se tornar consultor da Fiemg.

A iniciativa referia-se à revitalização do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. O acordo foi assinado em 15 de dezembro de 2008 e, pela federação dos empresários assinou seu presidente Robson Braga de Andrade, que hoje comanda a Confederação Nacional das Indústrias.

Em 1.º de janeiro de 2009, Pimentel passou o cargo ao seu apadrinhado político Marcio Lacerda (PSB). Ele montou, em seguida, a P21 - Consultoria e Projetos. Naquele mesmo ano, a Fiemg contratou a P21 - na qual Pimentel era sócio de seu ex-assessor Otílio Prado para prestar nove meses de consultoria, pelos quais o ex-prefeito recebeu R$ 1 milhão a Pimentel. Prado é hoje assessor de Marcos Lacerda,

Antes, porém, a prefeitura firmou convênio com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e lhe encaminhou o projeto elaborado pela Fiemg, para a licitação das obras. A iniciativa, porém, esbarrou no TCU: o ministro Raimundo Carreiro determinou em julho passado a interrupção do processo por constatar “irregularidades graves”. No total, seu custo chegava a R$ 837,5 milhões.

Inconformidades. Em sua avaliação do projeto, o ministro Carreiro diz terem sido detectados “os indícios de irregularidade” que “infringem os princípios constitucionais da economicidade e eficiência”. “O projeto de engenharia tal qual aprovado carrega o potencial de prejuízo aos cofres públicos que ultrapassa os R$ 300 milhões, em razão das inconformidades nos quantitativos, de distâncias de transporte incorretas, de sobrepreços e antieconomicidades nas soluções de engenharia”, diz a análise.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:21

Marqueteiro que comandou a derrota de Marta em SP vai cuidar da campanha de Haddad

Por Bernanrdo Mello Franco, na Aqui:
O PT escalou o publicitário João Santana para comandar a campanha do ministro da Educação, Fernando Haddad, na corrida à Prefeitura de São Paulo em 2012. Ele chefiou a propaganda petista nas vitórias de Lula e Dilma Rousseff nas últimas duas eleições presidenciais. Na capital paulista, atuou na derrota de Marta Suplicy em 2008, quando foi criticado por produzir uma peça que questionava a vida pessoal do prefeito Gilberto Kassab.

O marqueteiro se reuniu na segunda-feira com Lula, padrinho político de Haddad, e com o presidente do PT, Rui Falcão. A pauta oficial do encontro foi o novo programa de TV do partido, que vai ao ar hoje à noite. A oficiosa, a campanha do ministro. Santana e Haddad devem voltar a conversar nos próximos dias para estabelecer um cronograma de trabalho. Eles começaram a discutir a campanha em agosto, quando o publicitário aproveitou um encontro sobre o Pronatec, o programa federal de ensino técnico, para abordar o tema.

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

 às 6:19

Para Serra, grampo no PSDB é “gravíssimo”

Por Andrea Jubé Vianna, no Estadão:
A cúpula do PSDB e o ex-governador de São Paulo José Serra condenaram ontem a interceptação de linhas telefônicas do diretório do partido no Acre durante a campanha eleitoral de 2010, revelada ontem pelo Estado. Os líderes tucanos marcaram reunião na próxima semana, em Brasília, com o candidato derrotado ao governo daquele Estado, Tião Bocalon. Ele perdeu a eleição para o petista Tião Viana por uma margem apertada - cerca de 3 mil votos, ou 0,5% do total.

Em nota divulgada ontem, Serra considerou a denúncia “um fato gravíssimo, que precisa ser investigado a fundo”. Foram interceptados diálogos entre integrantes da coordenação nacional da campanha presidencial de Serra e funcionários do diretório do PSDB no Acre sobre estratégias, material de propaganda e agendas.

Segundo Serra, esse episódio soma-se a outros da mesma natureza, “como a quebra de sigilo fiscal na tentativa de usá-los como armas eleitorais”. Na campanha presidencial, o PSDB denunciou violações de sigilo fiscal de dirigentes do partido. Uma das vítimas da manobra foi Verônica Serra, filha do candidato tucano.

O Ministério da Justiça preferiu não se pronunciar sobre as denúncias, mas ressaltou que fornecerá as informações solicitadas pelo PSDB. O presidente do PSDB no Acre, deputado Márcio Bittar (RR), requereu ontem informações ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre as denúncias de escutas telefônicas no diretório estadual.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 23:59

CORREÇÃO – LEIAM NOTA DA ONG “SOU DA PAZ”

Publiquei um post intitulado “Doces promiscuidades que matam”, em que William de Oliveira, o sedizente “líder comunitário” da Rocinha, que foi preso acusado de venda de armas, aparecia na companhia de muitas personalidades — o que não quer dizer que estivessem envolvidas com ele, claro! Havia até ator americano… — e em que censurava o que chamei de promiscuidade das ONGs com, vamos dizer, “autoridades informais” dos morros.

Ali, informava que Denis Mizne, diretor do “Sou da Paz”, premiou William, em nome de outra ONG, a Viva Rio, por seu empenho em favor do desarmamento. Está errado. Recebo de Raquel Melo, coordenadora da entidade, a seguinte informação. Leiam. Volto em seguida.
*
Gostaríamos de esclarecer uma informação publicada em seu blog nesta terça-feira, dia 6 de dezembro, acerca do Instituto Sou da Paz.

Na nota com título ‘Doces promis6cuidades que matam’ o senhor afirmou que o Sou da Paz teria premiado William de Oliveira por empenho dele no desarmamento da comunidade carioca Rocinha.

No entanto, esta informação atrelada a primeira foto que ilustra a nota publicada está equivocada. O Sou da Paz não premiou esta pessoa, mas sim foi agraciado pelo Prêmio Segurança Humana 2004 pela Unesco e pela organização não governamental Viva Rio por sua atuação naquele ano na promoção da cultura de paz no Brasil. Nesta ocasião, o diretor do Sou da Paz, Denis Mizne, recebeu o prêmio das mãos de William. Como o senhor pode constatar no link:http://www.vivario.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=16&infoid=910&from_info_index=426

Voltei
Se vocês lerem o post original, verão que a nota da “Sou da Paz” não reproduz exatamente o que escrevi. Mas não faz mal! Estava errado mesmo. O importante é publicar a informação correta:
- Foi a Sou da Paz que recebeu o prêmio;
- o prêmio foi concedido pela Unesco e pela Viva Rio;
- Denis Mizne recebeu o prêmio das mãos de William de Oliveira.

É uma oportunidade para esclarecer outra vez: eu não acuso todas as ONGs de práticas criminosas, não! Existem, sim, as criminosas —- NÃO É O CASO DA “SOU DA PAZ”.

Há muito me incomoda certa visão ingênua de pessoas de bem que acabam caindo no conto de malfeitores, que posam de “líderes comunitários”. Acho que é preciso tomar mais cuidado.

Mizne, um homem decente, não merecia, evidentemente, receber o prêmio das mãos de alguém como William de Oliveira. E William não tem merecimento para fazê-lo.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 22:49

Promotoria vai investigar contratos da Prefeitura de Belo Horizonte

Por Eduardo Kattah, no Estadão:
Os contratos firmados pela Prefeitura de Belo Horizonte com duas empresas clientes da P-21 Consultoria e Projetos Ltda, comandada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel em 2009 e 2010, serão investigados pelo Ministério Público de Minas Gerais. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da capital mineira informou nesta quarta-feira, 7, que vai apurar os contratos que a construtora Convap e a empresa de informática QA Consulting Ltda, as clientes de Pimentel, firmaram com o Executivo municipal - que foi comandado pelo petista de 2003 a 2008.

A Convap contratou serviços da consultoria do ex-prefeito no período de fevereiro a agosto de 2010 e este ano - já na gestão do atual prefeito, Marcio Lacerda (PSB), aliado de Pimentel - integrou um consórcio que arrematou, em licitação, dois contratos com a prefeitura no valor total de R$ 95,3 milhões.

A QA Consulting pagou R$ 400 mil pelos serviços da P-21 logo após o petista deixar a prefeitura. De acordo com o jornal O Globo, a empresa, que tem como um dos sócios Gustavo Prado, filho do sócio de Pimentel na consultoria, Otílio Prado - que foi braço direito do atual ministro na prefeitura e continua como assessor de Lacerda -, pagou a primeira parcela dois dias depois de receber R$ 230 mil da HAP Engenharia.

Desde 2003, HAP firmou contratos que somam mais de R$ 200 milhões com a prefeitura. A construtora, junto com Pimentel, figura como ré em ação de improbidade administrativa e superfaturamento de obras, já acolhida pela Justiça Estadual. Segundo o jornal Folha de São Paulo, a QA Consulting havia firmado em agosto de 2005 contrato de R$ 173,8 mil com a Prodabel, empresa municipal de processamento de dados.

“Nós vamos abrir sim uma apuração porque a contratação (da QA Consulting) foi feita pelo município de Belo Horizonte, vamos analisar. E essa da Convap a gente vai abrir também para apurar se é possível identificar alguma forma de favorecimento”, disse ao Estado o promotor Eduardo Nepomuceno.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 22:46

Senado aprova projeto que fixa gastos do governo em saúde

Na Folha Online:

Por 70 votos a 1, os senadores aprovaram na noite desta quarta-feira projeto que regulamenta a emenda 29 e fixa os valores mínimos a serem investidos na área da saúde. O texto, que já havia sido aprovada pela Câmara, mantém a regra seguida atualmente pela União para cálculo dos recursos. De acordo com o projeto, o recurso deve corresponder ao valor empenhado no ano anterior acrescido da variação nominal do PIB (Produto Interno Bruto) nos dois anos anteriores.

Assim, para 2012, por exemplo, a União teria de aplicar o empenhado em 2011 mais a variação do PIB de 2010 para 2011. O projeto original estabelecia em 10% da receita corrente bruta o investimento a ser feito pela União, mas essa fórmula foi rejeitada no Senado. O governo, que desde o início foi contra a fixação da porcentagem, alega não ter como destinar tantos recursos (algo em torno de R$ 35 bilhões) ao setor.

Quanto aos percentuais a serem aplicados por Estados e municípios, o texto aprovado manteve 12% da receita corrente bruta para os Estados e 15% para os municípios. O projeto também define o que pode ser considerado gasto com saúde e evita que investimentos em saneamento, por exemplo, sejam incluídos no cálculo.

Segundo a Frente Parlamentar da Saúde, formada por deputados e senadores, isso deve injetar cerca de R$ 4 bilhões no SUS (Sistema Único de Saúde) já em 2012. Na votação de hoje, os senadores também rejeitaram a possibilidade da criação da CSS (Contribuição Social para a Saúde), defendida pelo líder do PT, Humberto Costa (PE). A arrecadação do tributo, segundo a proposta, seria destinado para a área da saúde, nos moldes do que previa a extinta CPMF.

O texto agora vai para sanção da presidente Dilma Rousseff. Com a votação desse projeto, o caminho fica livre para que os senadores analisem a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prorroga até 2015 a DRU (Desvinculação de Receitas da União), mecanismo que permite o Executivo aplicar livremente 20% do seu orçamento.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 22:22

“O Brasil ainda não é um estado plenamente democrático”

Marco Antonio Villa: "Quando a direita toma o poder, ela o exerce pela força. Quando é a esquerda, ela acha que precisa aparelhar o estado para governar" (Foto: Roberto Setton)

Marco Antonio Villa: "Quando a direita toma o poder, ela o exerce pela força. Quando é a esquerda, ela acha que precisa aparelhar o estado para governar" (Foto: Roberto Setton)

Num ambiente infestado de vigaristas intelectuais, de covardes, de trapaceiros, o historiador Marco Antonio Villa é uma das notáveis exceções. Sim, há outros intelectuais capazes de apontar algumas fraudes influentes, mas ficam calados. Ele tem a coragem de falar o que pensa. Fiz com ele uma das melhores entrevistas publicadas na antiga revista Primeira Leitura, em 2005. E que fique claro!  Recomendo os livros de Villa não porque concorde sempre com ele, mas porque reconheço nele um pensador independente. Leiam trechos da entrevista que ele concede a Bia Nunes na VEJA Online:

*
A prolixidade, a pouca ênfase nos direitos individuais e a dissociação entre o Brasil real e o legal. Essas são algumas das características comuns a todas as constituições brasileiras (sete ao todo, proclamadas de 1824 a 1988) que o historiador Marco Antonio Villa disseca em A História das Constituições - 200 anos de luta contra o arbítrio. O livro, que será lançado nesta terça-feira em São Paulo, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915), também apresenta o contexto histórico da época em que foram instituídas e conta algumas peculiaridades tipicamente nacionais. Um exemplo está na Constituição de 1891, que determinava que fosse colocada uma lápide em homenagem ao general Deodoro da Fonseca, que proclamou a República, na casa em que faleceu Benjamin Constant, um dos líderes do movimento republicano.

Em meio a livros de história, sociologia e ciências políticas, e a macaquinhos que vão até a varanda comer pedaços de frutas deixados pelos anfitriões, Villa conversou com o site de VEJA em sua casa na Serra da Cantareira, Zona Norte da capital. Crítico impenitente da corrupção que assola o Brasil, o historiador discorre sobre as razões que o levaram a escrever um livro sobre o tema e outras mazelas brasileiras. Entre elas figuram um Executivo autoritário, um Legislativo subserviente e um Judiciário que desrespeita a Constituição que jurou defender.

Por que o senhor resolveu escrever um livro sobre as constituições brasileiras?
Quando estava escrevendo a minha tese de doutorado sobre a Revolta de Canudos li a Constituição de 1891 e, ao pesquisar sobre o governo Jango, li a de 1946. Nas duas encontrei episódios curiosos. Ao estudar outros momentos da história, acabava lendo as constituições daqueles períodos e todas as vezes percebia algumas bizarrices, coisas que não faziam o menor sentido. Resolvi escrever um livro que desse uma visão de totalidade das constituições brasileiras, mostrando em que aspectos elas foram significativas, especialmente com relação aos direitos do cidadão. Também queria contar alguns absurdos. A de 1891, por exemplo, determinava que fosse colocada uma lápide em homenagem a Deodoro da Fonseca na casa em que faleceu Benjamin Constant. A de 1988 tem um artigo sobre a pesca das baleias e outro, sobre o ensino de história. Por que não matemática, geografia, português? Independentemente de serem importantes ou não, essas coisas não precisariam nem deveriam estar na Constituição.

Por que o Brasil teve tantas constituições?
As pessoas acham que é uma característica da América Latina, mas não é verdade. No México, por exemplo, a constituição em vigor foi promulgada em 1917. O problema é que temos a mania de querer refundar o Brasil. É como se estivéssemos falando a todo momento: “Agora o país vai pra frente!”. Li as constituições com o objetivo de tentar entender essas refundações. É por isso que, apesar de breve, o contexto histórico também está presente no livro. O texto constitucional não é produto do nada.

Qual a Constituição mais antiga do mundo? 
Sem contar a Constituição da Inglaterra, que é oral, a mais antiga é a norte-americana, de 1787. Do fim do século XVIII até hoje ela teve apenas uma dúzia de emendas. Temos a ideia de que para usufruir de um direito ele precisa estar na Constituição, mas isso não é verdade. Pode estar num código, numa legislação ordinária.

Como o senhor vê a relação entre o cidadão e o estado?
Sempre fortalecemos muito o estado. Quando acontece alguma reforma, ela é feita de cima para baixo. Nunca nasce da sociedade. Isso marca a nossa história e as várias correntes políticas. Quando a direita toma o poder, ela o exerce pela força. Quando é a esquerda, ela acha que precisa aparelhar o estado para governar. É um ponto de aproximação dos extremos: a dificuldade de conviver com a democracia. Tanto a direita quanto a esquerda não lidam facilmente com as diferenças, com as divergências e com a pluralidade, nem com a alternância de poder. Há sempre o desejo de se perpetuar. Getúlio Vargas queria ser candidato em 1937. Como não podia, optou pelo golpe que instituiu o Estado Novo. O Jango também, nas eleições que ocorreriam em 1965 se os militares não o tivessem deposto. Se existe um fio condutor nisso tudo é sempre uma questão do cidadão contra o estado. E o estado sempre vence.

Como o senhor enxerga o desempenho dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário?
O Judiciário é o pior deles. Ao mesmo tempo em que é cioso da sua autonomia, interfere na esfera dos outros poderes. No caso da união civil entre pessoas do mesmo sexo, o STF fez uma leitura ousada e inconstitucional da Constituição. Não estou entrando no mérito do que é certo ou não, mas é triste ver um país que tem como guardião da Constituição um poder que a desrespeita. No próprio plenário os ministros descumprem a Constituição. O estado laico foi adotado no Brasil em 1891, mas atrás da mesa do presidente do STF existe um crucifixo.

O senhor acredita que o Supremo vai julgar o caso do mensalão do PT em 2012?
Duvido que o julgamento aconteça em maio de 2012. No ano que vem, outros ministros irão se aposentar e teremos um Supremo totalmente escolhido por Lula e Dilma Rousseff. Aí sim vão julgar o mensalão. O sistema de nomeação dos ministros do STF, por meio de uma indicação do presidente da República, deveria ser modificado? A forma como são escolhidos os ministros do STF é a mesma desde que ele foi criado. O Executivo escolhe e o Senado referenda ou não o nome proposto. O problema é que nunca o Senado disse não. Isso mostra uma subserviência do Legislativo com relação ao Executivo e o pouco interesse do Legislativo em ter um Judiciário efetivamente independente. Raramente houve sabatinas que fizeram alguma coisa além de dar as boas vindas ao ministro escolhido. O caso de Dias Toffoli é um dos mais escabrosos. Ele foi reprovado em dois concursos públicos para juiz, não tinha qualquer especialização na área e se transformou em ministro do STF. Isso só existe no Brasil. Uma canetada do presidente da República colocar o advogado do seu partido na instância máxima da Justiça. Isso é uma brasilidade.

O que o senhor acha da Constituição de 1988? 
Apesar de prolixa e detalhista a Constituição de 1988 é a melhor que tivemos. Principalmente o artigo 5º, que trata das liberdades. É ele que não permite que haja censura. Mas existem coisas absurdas. Um exemplo é o vice-presidente da República assumir a Presidência toda a vez que o titular viaja para o exterior. Nada na Constituição determina que seja assim. É uma invenção e uma contradição. Um exemplo: Dilma está na África do Sul e assina vários acordos, porque ela é presidente. Ao mesmo tempo, Michel Temer também é presidente e, como tal, também pode assinar diversos acordos. Quem manda, então? Em 1962, quando o presidente João Goulart visitou John F. Kenedy, o deputado Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara, assumiu o posto e nomeou um novo ministério. Quando Jango voltou teve que renomear o seu ministério.

O senhor considera que vivemos uma democracia plena?
Mesmo hoje, com essa Constituição infinitamente melhor do que as outras, não vivemos num estado plenamente democrático. Se vivêssemos, nunca haveria tantas mazelas. Não teria havido por tanto tempo um Orlando Silva no Ministério do Esporte. É só comparar quantos artigos da Constituição são dedicados à preservação dos poderes e quantos são dedicados aos direitos dos cidadãos para constatar que o cidadão perde. É a predominância do estado com relação ao cidadão.

O PSD propõe uma nova Constituição. O que o senhor pensa disso?
Sou completamente contra. Primeiro, porque tenho receio que alguns direitos sejam retirados da Constituição. Além disso, porque sempre há o perigo do caudilhismo, um fantasma que ronda a América Latina e o Brasil. Hoje, a mobilização popular é muito pequena, há um desinteresse em discutir as questões do país e um individualismo excessivo. Corremos risco em relação às liberdades. Sempre existe uma tentativa de suprimi-las, como no caso da liberdade de imprensa. Quando se tem uma vitória eleitoral confortável, você acha que pode tudo. Isso é típico da América Latina, que tem muita dificuldade de conviver com a democracia. A constituição pode ter muitos defeitos, mas precisamos garantir a base dessa Constituição, especialmente o artigo 5º. Ele nos preserva da violência do estado.

(…)

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 22:02

PSDB pede que Comissão de Ética investigue Pimentel

Por Luciana Marques, na VEJA Online:
Os líderes do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), e no Senado, Alvaro Dias (PR), protocolaram nesta quarta-feira representação na Comissão de Ética Pública da Presidência da República contra o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Eles querem que o grupo abra um processo administrativo para apurar a conduta do ministro, cuja empresa prestou serviços de consultoria a uma companhia contratada pela prefeitura de Belo Horizonte. Há seis dias a Comissão de Ética Pública recomendou a exoneração do então ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Ele deixou o cargo no domingo.

Os tucanos também entraram com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo a abertura de inquérito civil para apurar suposto enriquecimento ilícito decorrente de tráfico de influência por parte do ministro Pimentel. O PSDB avalia que o caso do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci se parece com o do ministro do Desenvolvimento. Na época, o Ministério Público abriu inquérito civil contra Palocci diante da revelação de que ele multiplicou seu patrimônio ao prestar serviços de consultoria. A Comissão de Ética Pública da Presidência puniu o ex-ministro com uma censura ética em novembro.

“Passados pouco mais de cinco meses, a história se repete, agora com outro ministro deste governo, o senhor Fernando Pimentel”, afirmam os tucanos na ação.

Defesa
Governistas defenderam Pimentel nesta quarta-feira, entre eles, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele disse ter confiança “total” no ministro do Desenvolvimento. “Pessoalmente, tenho uma confiança muito grande no ministro Pimentel. Ele já prestou os esclarecimentos, são situações que obviamente não dizem respeito a sua atuação como homem público, mas como pessoa privada”, afirmou.

Suspeita
Reportagem de O Globo mostrou que a empresa de Pimentel e do sócio do petista, o atual assessor especial da prefeitura de Belo Horizonte, Otílio Prado, faturou 2 milhões de reais entre 2009 e 2010 em serviços de consultoria. Do total, 514 mil reais foram pagos pela Convap, uma empresa de engenharia que venceria, meses depois, duas licitações da prefeitura de Belo Horizonte, comandada por um aliado de Pimentel, Márcio Lacerda (PSB), no valor de 95,3 milhões de reais.

A empresa de Pimentel, a P-21, fechou ainda contrato no valor de 1 milhão de reais com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), em 2009, para consultoria econômica e em sustentabilidade. Outro contrato de Pimentel foi assinado com a QA Consulting, no valor de 400 mil reais, em fevereiro de 2011, para consultoria econômica.

Na edição desta quarta-feira, O Globo informa que o ex-sócio de Pimentel, Otílio Prado, continua na prefeitura de Belo Horizonte, em cargo de assessor especial do gabinete de Márcio Lacerda e com salário de 8,8 mil reais mensais.

Por Reinaldo Azevedo

07/12/2011

 às 21:57

Não parece, mas é um escândalo gigantesco. E de vários modos combinados

Ai, ai… A VEJA Online publica um texto cujo primeiro parágrafo é este (leiam com atenção). Volto em seguida:

“O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira, com ressalvas, os estudos que autorizam a publicação dos editais de leilão dos aeroportos. Após a análise do órgão, o relator, ministro Aroldo Cedraz, determinou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aumente os valores mínimos das outorgas dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos (em Campinas, no interior de São Paulo) e Brasília, que serão concedidos à iniciativa privada. Com a decisão, os lances mínimos serão majorados em até 914%.”

Voltei
Imagine, leitor amigo, uma concessão que estivesse sendo feita por um governo tucano à iniciativa privada e que o TCU decidisse majorar, num dos casos, em quase 1.000%. Os petistas e cutistas botariam a tropa na rua. A esta altura, já haveria uma penca de blogs e sites acusando os tucanos de vendilhões da pátria. Fizeram isso até quando não havia motivos, como se viu no caso da privatização da parte da Telebras que pertencia ao Estado.

Convenham: ou o TCU é maluco, ou é maluco quem estabeleceu os valores mínimos das outorgas. Uma diferença de 10%? Vá lá… De 20%? Huuummm… De quase 1.000? Aí já é um escárnio. Ou estávamos diante de uma das negociatas da década ou estamos diante de critérios aloprados do Anac ou do tribunal.

Assim caminham as obras da Copa do Mundo de 2014… Nesse ritmo, não sei não, as próximas gerações sentirão o peso de todo esse rigor técnico-moral.

Abaixo, o outro trecho do texto publicado na VEJA Online:

A mudança foi proposta porque o TCU avaliou que foram superestimados nos estudos básicos os valores dos investimentos que serão feitos nos três aeroportos nos próximos anos. Com uma necessidade de investimento menor, não haveria porque cobrar “barato” pelo direito de operar os aeroportos.

Novos valores
Para o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, o valor deve ser elevado em 65%, de 2,3 bilhões de reais para 3,8 bilhões de reais. Para o terminal de Brasília, o valor terá de ser aumentado em 914%, para 761 milhões de reais, ante os 75 milhões de reais sugeridos anteriormente. Já para o aeroporto de Viracopos, em Campinas, o TCU afirmou que o valor deve ser de 1,739 bilhão de reais, ante os 521 milhões de reais estimados anteriormente - um ajuste de 233%.

Próximos passos
Com a aprovação dos estudos, a Secretaria de Aviação Civil afirmou que os editais devem ser divulgados na próxima semana, já com os novos lances mínimos recomendados pelo Tribunal.

Por Reinaldo Azevedo

Claro, claro, eles vão tentar fazer uma leitura virtuosa do que vai abaixo. Leiam o que vai na própria página do IBGE:

Saldo da balança comercial pesqueira em 2010 é dez vezes menor que em 2006
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o saldo da balança comercial pesqueira, que abrange peixes, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos, tem se tornado cada vez mais negativo. No ano 2000, as exportações do setor representaram US$ 227,5 milhões, enquanto as importações somaram US$ 274,1 milhões, resultando em um saldo comercial negativo de US$ 46,6 milhões. O saldo viria a se tornar positivo entre os anos 2001 e 2005, mas a situação voltou a se inverter em 2006, quando o saldo ficou negativo em US$ 75,2 milhões. Essa diferença foi aumentando com o passar dos anos até se tornar dez vezes maior em 2010 (- US$ 757,2 milhões), quando as exportações somaram US$ 199,4 milhões e as importações totalizaram US$ 956,5 milhões.

Vejam tabela e gráfico. Volto em seguida.

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Voltei
Viram? Quando o ministério foi criado, o superávit no setor era de US$ 222.804.451. No ano seguinte, já havia baixado para US$ 175.330.847. Caiu para US$ 103.576.102… Em 2006, começou o déficit, que foi crescendo, até chegar a US$ 757.169.796…

Isso é que é eficiência, não? O governo do PT criou o Ministério da Pesca, e a gente assistiu a um desastre no setor no que diz respeito à balança comercial. “Mais gente começou a comer peixe, Reinaldo”. Entendo! Ainda bem que não se deu o mesmo com os outros setores que produzem alimentos, né?, ou o Brasil, em vez de acumular reservas, estaria de pires na mão.

E a produção?
Escreve o IBGE:
“Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, a produção nacional da pesca extrativa marinha foi de 484,6 mil toneladas em 2003, subindo gradativamente a cada ano até atingir 585,7 mil toneladas em 2009. Já a produção da aquicultura marinha (cultivo de organismos marinhos) caiu de 101,6 mil toneladas em 2003 para 78,3 mil toneladas em 2009″.

Pergunta-se: Ministério da Pesca para quê? Para produzir uma tragédia setorial? Quando menos, pode-se dizer que ele foi inócuo. Se duvidar, foi contraproducente. Até agora, a única coisa que essa pasta produziu foi escândalo: o pagamento indevido do tal “defeso” para apaniguados de políticos que, a exemplo de Luiz Sérgio, o ministro da Pesca, não sabem a diferença entre uma piaba e uma tilápia.

É uma piada! Dilma quer cortar ministérios? Eis um bom lugar para começar.

PS - Não posso deixar de lembrar. Caso essa estrovenga seja extinta, é preciso ver o que fazer com a mulher do terrorista Olivério Medina, que a então ministra Dilma Rousseff, de próprio punho, lotou no Ministério da Pesca, em Brasília. Vai ver ela cuida do setor no Lago Paranoá, que está cheio de tubarão.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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