Cheiro de pizza!!! - Ministro Lewandowski diz que penas do mensalão vão prescrever

Publicado em 14/12/2011 08:59 413 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

O estranho conceito de moralidade de Dilma Rousseff

Na semana passada, o presidente do PT, Rui Falcão, afirmou que, “por sua história”, o ministro Fernando Pimentel “está acima de qualquer suspeita”.

Há uns 15 dias, o notório governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, disse que “a palavra do governador vale como prova”.

Ontem, foi a vez de Dilma Rousseff inovar o bestialógico político ao se referir a Pimentel: “O governo só acha o seguinte: é estranho que o ministro preste satisfações ao Congresso da vida privada, da vida pessoal passada dele. Se ele achar que deve ir, ele pode ir. Se ele achar que não deve ir, ele não vai”. E emendou que ele tem de prestar satisfações sobre assuntos de governo apenas.

A presidente acaba de inovar o conceito de moralidade pública. Quando um sujeito põe os pés num ministério, larga para trás o seu passado. Já seria uma consideração bastante exótica ainda que Pimentel fosse consultor, sei lá, de uma rede de padarias. Mas não! É evidente que, a exemplo de Antonio Palocci, pôs a sua condição de homem público a serviço de interesses privados, com o agravante de que um de seus clientes tinha negócios com a Prefeitura de Belo Horizonte, onde ele mantém uma óbvia rede de influência. Seu sócio na “consultoria”, diga-se, exercia lá cargo de confiança. Demitiu-se depois que o escândalo veio à tona.

Dilma se esforça para dar a impressão de que a consultoria de Pimentel é aquilo que não é: mera relação entre entes privados, que não guarda qualquer relação com o dinheiro público — que segue sendo público, note-se, ainda que seja municipal. O conceito de moralidade, que deve pautar um ministro de estado, parece ser um pouco mais rigoroso do que esse esboçado pela Soberana.

A presidente pode aproveitar a reforma ministerial que deve fazer no começo do ano para nomear para o ministério da deputada Jaqueline Roriz. Afinal, a acusação que pesava contra ela era anterior à sua eleição. Pode-se dizer que se tratava de algo relacionado à sua sua “vida privada”. Foi a sua absolvição, diga-se, que levou o Conselho de Ética a mudar de prática: agora, eventos acontecidos até cinco anos da eleição podem, sim, resultar em cassação de mandato. Dilma deve achar excesso de rigor.

A manutenção de Pimentel como um dos coordenadores da campanha eleitoral e a sua posterior nomeação para o ministério já foram decisões um tanto acintosas de Dilma Rousseff. Afinal, era ele o chefe da tal equipe de “pré-campanha”, coordenada por Luiz Lanzetta, que foi flagrada tentando montar um dossiê contra José Serra. E quem estava naquele grupo? Justamente o ex-jornalista que agora virou herói dos petralhas com o seu explícito analfabetismo moral — entre outros analfabetismos. Chega a ser constrangedor. Não é mesmo melancolicamente engraçado que Pimentel, o “consultor”, esteja na pré-história do tal livro delirante, que incendeia a libido dos petralhas?

A excitação se explica! Eles estão tentando se explicar há pelo menos seis ministros, não é mesmo? E poderiam ser oito. O governo do Distrito Federal, por sua vez, já se tornou, literalmente, um caso de polícia. Estavam precisando de algo que os reunisse. Por que não, então, recorrer à lama, a exemplo do que fizeram com a falsa lista de Furnas, tentando incriminar inocentes?

Dinheiro público
Há uma dimensão nessa história toda que precisa ser explicitada. A rede criminosa organizada para caluniar, difamar, injuriar, levantar falsas evidências, mentir É FINANCIADA COM DINHEIRO PÚBLICO. Há dias, numa cerimônia sobre direitos humanos, Dilma fez juras de amor à imprensa livre — e é bom que assim seja porque, de fato, a Constituição não lhe permite criar qualquer embaraço ao trânsito das informações.

Mas é preciso que se fique atento: o subjornalismo financiado pelo governo federal, por alguns governos estaduais e por estatais constitui uma ameaça a direitos fundamentais. Afinal, recursos públicos são mobilizados para que uma súcia de delinqüentes — todos expulsos das grande empresas de comunicação em razão dos métodos que empregavam — ataque os “inimigos do regime”. Promovessem, vá lá, o debate de idéias, o confronto ideológico, já não seria nada recomendável, mas talvez fosse tolerável. O que se tem é outra coisa: trata-se de uma gangue organizada pelo aparelho de estado para atacar os inimigos “do partido”. Só Stálin fez melhor…

Reitero: poucas coisas na República brasileira foram tão viradas e reviradas como as privatizações, inclusive pela arapongagem petista. Se algo tivesse havido de irregular, o PT teria botado a boca no trombone. Lula passou oito anos desconstruindo a imagem de FHC na base do puro proselitismo. Lembro-me que os petistas, na oposição, chegaram a propor uma CPI para investigar 45 (!) casos de corrupção. Durante as campanhas eleitorais, os tais 45 sempre voltam à tona e são mantidos em sites da canalha petralha. Pensem um pouco: por que, então, no poder, esses homens ilibados não deram um jeito de punir os responsáveis?

Modus operandi
Eis aí. Estamos diante de um modus operandi. “A máquina” está em ação. De um lado da peleja, os inimputáveis, os acima de qualquer suspeita, os que só dão explicações se quiserem; do outro, as vítimas dessa máquina, alimentada, reitero, com dinheiro público.

Por Reinaldo Azevedo

14/12/2011

 às 6:57

Cheiro de pizza - Lewandowski diz que penas do mensalão vão prescrever

Por Fernando Rodrigues, na Folha:
Réus do mensalão terão as penas prescritas antes que o julgamento esteja concluído. O escândalo é de 2005 e não há ainda prazo para finalizar o processo no Supremo Tribunal Federal, diz o ministro Ricardo Lewandowski. O mensalão tem 38 réus e está à espera do voto do ministro-relator, Joaquim Barbosa. Em seguida, Lewandowski terá incumbência de revisar o processo. Só então poderá ser marcado um julgamento pelo plenário do STF.

“Terei que fazer um voto paralelo ao voto do ministro Joaquim. São mais de 130 volumes. São mais de 600 páginas de depoimentos. Quando eu receber o processo eu vou começar do zero. Tenho que ler volume por volume porque não posso condenar um cidadão sem ler as provas”, disse Lewandowski em entrevista à Folha e ao UOL. Indagado se dificilmente o mensalão seria concluído em 2012, respondeu: “Sim, porque eu não posso, não tenho uma previsão clara”.

Como há réus primários, corre-se então o risco de que as penas para muitos ali sejam prescritas? “Sem dúvida nenhuma. Com relação a alguns crimes não há dúvida nenhuma que poderá ocorrer a prescrição.” Quando um réu é primário, a pena imputada pode ser menor em relação a um criminoso com ficha suja. Entre os crimes que podem caducar, disse Lewandowski, está o de formação de quadrilha.

No processo original do mensalão, 24 pessoas eram denunciadas por formação de quadrilha, crime para o qual a pena pode ser de um a três anos de reclusão. “[Alguns] podem não ser punidos. Mas essa foi uma opção que o Supremo Tribunal Federal teve que fazer com que todos os réus fossem julgados no mesmo processo. Se apenas aqueles que tivessem foro privilegiado, exercendo mandato no Congresso fossem julgados no STF, talvez esse problema da prescrição não existiria por conta de uma tramitação mais célere.” Na ocasião, o ministro se manifestou pelo desmembramento do processo.

Como o caso está em curso, não é possível saber quais os crimes imputados que irão prescrever. É necessário primeiro saber se serão condenados e a extensão das penas. Se os que são acusados por formação de quadrilha receberem penas de apenas dois anos de reclusão, essa punição já estaria prescrita agora.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

14/12/2011

 às 6:55

A casa da mãe-Dilmona - Presidente manda demitir peemedebista da Caixa para conter disputa com o PT. Isso é que é gestão técnica!

Por João Domingos, no Estadão:
A presidente Dilma Rousseff decidiu pôr um fim à disputa política entre PT e PMDB pelo controle da Caixa Econômica Federal. Informada ontem de que a estatal vive um clima de conflagração, Dilma Rousseff decidiu autorizar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente da Caixa, Jorge Hereda, a demitirem o vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da instituição, Flávio Cleto, apadrinhado de líderes peemedebistas.

Dilma, no entanto, fez uma ressalva, visando a preservar as boas relações com o PMDB: a demissão será revertida se Cleto desistir de alimentar as brigas internas entre os diretores da Caixa.

Hoje ele é o representante da estatal no Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), cujo mandato termina dia 17. O vice-presidente quer ser reconduzido ao conselho, mas não tem recebido sinais de que isso ocorrerá.

Flávio Cleto entrou na Caixa pelas mãos do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um aliado de conveniência do Planalto: se está satisfeito, briga como nunca por todos os projetos de interesse do governo; se está contrariado, faz de tudo para atrapalhar qualquer votação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

14/12/2011

 às 6:53

Nova ministra do STF é aprovada sob críticas

Por Márcio Falcão, na Folha:
Sob críticas de que não tem experiência suficiente, Rosa Maria Weber teve sua indicação para o STF (Supremo Tribunal Federal) aprovada ontem pelo Senado. Ela recebeu 57 votos favoráveis, 14 contrários e uma abstenção. Os senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Demóstenes Torres (DEM-GO) disseram que a nova ministra não demonstrou ter notório saber jurídico, requisito constitucional exigido para o cargo.

Logo após a sabatina de Weber no início do mês, alguns congressistas já haviam comentado nos bastidores que ficaram com uma má impressão da ministra. Ontem, durante a votação, Taques, que é ex-membro do Ministério Público Federal, disse que ela deixou várias perguntas sem resposta durante a sabatina.”Não cabe ao indicado do STF chegar na sabatina e afirmar que vai estudar determinados temas. A Constituição exige de ministro notório conhecimento jurídico.” Demóstenes reforçou o discurso. “A rejeição não é pelo fato de ser amiga da presidente. De alguma forma tem que ter proximidade, mas ela não deu conta de ser sabatinada.”A reportagem não localizou Weber ontem.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

14/12/2011

 às 6:51

Sérgio Cabral, um democrata transparente, quer limitar acesso de deputados a dados do governo

Por Italo Nogueira, na Folha:
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para tentar restringir o acesso de deputados a informações sobre a administração estadual. Por meio de uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade), ele pretende modificar o artigo da Constituição estadual que obriga o governo a responder requerimentos de informação feitos por “qualquer deputado”.

Cabral pretende limitar as solicitações às comissões da Assembleia Legislativa, controladas por sua base aliada. Na ação, proposta na semana passada, Cabral diz que alguns deputados “têm insistido em requerer informações a diversos órgãos e autoridades estaduais, maculando não só a harmonia institucional, mas criando embaraços à rotina administrativa”. A ação de Cabral ocorre duas semanas depois de o governo sancionar a Lei de Acesso a Informação, que autoriza a qualquer cidadão pedir dados da administração sem qualquer justificativa. Cabral alega ser inconstitucional permitir a qualquer deputado formular os requerimentos. No Congresso, qualquer parlamentar pode formular o requerimento. O mesmo ocorre em São Paulo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2011

 às 22:39

Pimentel não tem obrigação de ir ao Congresso, diz Dilma

Por Felipe Bächtold, na Folha. Na madrugada, volto ao assunto:
A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira que o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) não tem obrigação de ir ao Congresso falar sobre seus ganhos como consultor antes de entrar no governo. A base governista derrubou hoje convite para que ele falasse ao Senado sobre suspeitas de tráfico de influência. Entre 2009 e 2010, o ministro foi sócio da empresa P-21 Consultoria e Projetos. “O governo só acha o seguinte: é estranho que o ministro preste satisfações ao Congresso da vida privada, da vida pessoal passada dele”, disse Dilma.

Ela acrescentou: “Se ele achar que deve ir, ele pode ir. Se ele achar que não deve ir, ele não vai”. Para a presidente, o ministro só é “obrigado” a se manifestar no Legislativo sobre “assuntos do governo”. Dilma está em Porto Alegre, onde entregou máquinas para prefeituras e anunciou uma ponte que ligará a cidade à parte sul do Estado. Questionada sobre quem será indicado para ministro do Trabalho, cargo que era ocupado por Carlos Lupi, ela pediu que os jornalistas aguardassem e ficassem “calmos”.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2011

 às 22:32

Serra prega aliança contra o PT em 2012

Na VEJA Online:
O ex-governador  de São Paulo José Serra (PSDB-SP), defendeu uma aliança do seu partido com “aliados frequentes” para enfrentar o PT na disputa pela prefeitura de São Paulo em 2012. O tucano referia-se ao grupo do atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD), que já manifestou reiteradas vezes sua disposição em buscar aliança com os tucanos. Serra participou da inauguração de uma sala na liderança tucana da Câmara que recebeu o nome de Artur da Távola, em homenagem ao senador Paulo Alberto Monteiro de Barros, falecido em 2008.

“Em São Paulo haverá dois lados na eleição: o nosso lado e o do PT. O Lula disse, antes de ficar doente, que o PT deveria trabalhar, unir os diferentes para enfrentar os antagônicos. Não sou habitualmente seguidor do pensamento do Lula, mas, nesse caso, eu sou. Nós temos que ter uma aliança em São Paulo porque essa eleição vai ter dois lados, não vai ter três”, disse Serra.

Na segunda-feira, o prefeito Gilberto Kassab disse no Rio de Janeiro que seria “uma honra” apoiar José Serra na corrida pela prefeitura de São Paulo. “A cidade de São Paulo ganharia (com Serra como prefeito). É uma das pessoas mais qualificadas que o país tem. E São Paulo ter a oportunidade de ser mais uma vez governada por José Serra é um prestígio que poucas cidades têm”, disse.

Fernando Pimentel
O tucano comentou ainda a situação do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que tem sido questionado por causa de sua atividade como consultor entre 2009 e 2010. Serra afirmou que é preciso dar a Pimentel o mesmo tratamento oferecido a Antonio Palocci, que deixou a Casa Civil após suspeitas de tráfico de influência por meio de consultorias enquanto estava fora do governo.

“Não se pode ter dois pesos e duas medidas. O caso do Pimentel é semelhante ao do Palocci. É uma questão de coerência. É como se houvesse ministro de primeira e de segunda classe, ministro acima do bem e do mal e outros que são passíveis de toda sorte de investigação. Para mim, essa história da faxina é um mito”, afirmou o tucano.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2011

 às 21:54

A QUADRILHA EM DOIS TEMPOS: À MARGEM DO ESTADO E DENTRO DELE

Só um recadinho aos tolos: se e quando eu quiser, comento atos praticados por criminosos que, em países com uma Polícia Federal e um Judiciário um pouquinho mais ágeis, já estariam curtindo uma temporada na cadeia. Não costumo dar bola para o subjornalismo pendurado nas tetas do governo federal e das estatais. Conheço bem os métodos da canalha. Tirem deles o dinheiro oficial para ver se conseguem se sustentar…

Essa escória é um tipo relativamente novo, que surge junto com a chegada do petismo ao poder. De modo mais agressivo e organizado, passou a atuar depois do mensalão. Inventou-se a tese do “golpe da mídia”. Era a senha para justificar a formação de um eixo criminoso, composto por ex-jornalistas convertidos em lobistas, negociantes e esbirros de políticos enrolados com a Justiça. O dinheiro que os sustenta, reitero, é público.

Quem viu a imprensa séria dar bola para o Dossiê Cayman, uma fraude fabulosa, viu coisa pior do que isso que está em curso agora. Com a Inernet ainda nos seus primórdios, a calúnia se espalhava mais lentamente. Também naquele caso, o material criminoso estava recheado de supostos “documentos”. Essa gente conta com a militância dos bucéfalos, como sempre, e com a ignorância dos crédulos.

Qual é o jogo da canalha? Amontoar uma batelada de acusações sem fundamento e depois sair cacarejando: “Por que não responde? Por que não responde?” Quem cai na sua conversa acaba refém de seus métodos. É como se Marcola ou Fernandinho Beira-Mar resolvessem fazer um dossiê contra as ações da polícia.

ATENÇÃO!
- AS PRIVATIZAÇÕES FORAM VIRADAS DO AVESSO, INCLUSIVE PELOS PETISTAS!
- SE HAVIA IRREGULARIDADES, POR QUE O SENHOR LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA NÃO ACIONOU A POLÍCIA FEDERAL? POR QUE NÃO TORNOU PÚBLICAS AS SUPOSTAS FRAUDES?
- SE HAVIA, COMO DIZEM, EVIDÊNCIAS CONTRA TUCANOS, POR QUE NÃO AS TROUXERAM A PÚBLICO OFICIALMENTE?

A resposta é simples: porque não havia nada!

Não por acaso, as campanhas eleitorais do PT nunca se concentraram nas supostas fraudes. Preferiram o embate ideológico. As estatais, passaram a dizer, foram vendidas “a preço de banana”, outra estupidez. Segundo o TCU, “preço de banana” era o das concessões de aeroportos definidos pelos petistas. Foi necessário elevar o preço mínimo, em um dos casos, em quase MIL POR CENTO!!!

Sai, canalha!
Essa gente acha que caio no truque. Há vagabundos que, num comentário, falam a linguagem de sempre dos jumentos. No seguinte, com o mesmo IP, chegam mansinhos: “Pô, Rei, você deveria comentar tal coisa; afinal, os petralhas estão…” Vão pastar!

Acompanhei no detalhe o massacre a que foi submetido o então secretário-geral da Presidência do governo FHC, Eduardo Jorge Caldas Pereira. No caso, os petistas ainda estavam na oposição e contavam com o auxílio da facção petista do Ministério Público. Passados alguns anos, constatou-se que não havia uma só prova contra ele, um só indício, nada! Tudo era apenas parte de um projeto de poder. Tratava-se apenas de uma “conspiração dos éticos”, como aqueles que estão na capa da VEJA desta semana, tramando, por telefone, recibos falsos para incriminar inocentes. A canalha petralha chamaria àquilo tudo “prova”.

Se e quando quiser, falo do que eu quiser, ficou claro? Eu não preciso recorrer ao mundo do crime para “bombar” o meu blog. Os meus leitores decentes me bastam. Os indecentes que passam por aqui o fazem porque querem e contra a minha vontade. E o favor que sempre podem me fazer é ficar longe. Falta de chute no traseiro é que não é. Houvesse um mata-burros eletrônico, eu o adotaria.

Havendo algum leitor eventualmente desconfiado, que não tem muita certeza se aquela gente é criminosa ou não, se está a serviço do poder de turno ou não, uma dica prática: vejam quem lhes paga o salário, verifiquem se conseguiriam manter suas revistinhas ridículas e seus blogs e sites bisonhos SEM O DINHEIRO DAS ESTATAIS. Se a resposta for “não”, vocês terão chegado a uma conclusão.
- já houve a escuta que resultou nas acusações fantasiosas sobre as privatizações;
- já houve o Dossiê Cayman;
- já houve o falso dossiê contra Eduardo Jorge;
- já houve o caso dos aloprados:
- já houve o dossiê contra FHC e Ruth Cardoso (calculem!), feito na Casa Civil;
- já houve o arapongagem da pré-campanha de 2010 por aquela turma chefiada, então, pelo “consultor” Fernando Pimentel;
- já houve a invasão do sigilo fiscal de tucanos e de familiares do candidato do PSDB à Presidência;
- há agora a retomada das acusações sobre as privatizações, tão falsas e estúpidas quanto aquelas feitas há mais de 10 anos.

Antes, tratava-se de uma quadrilha que operava à margem do estado. Hoje, trata-se de uma quadrilha que se aproveita das benesses do estado. Quando FHC estava no poder, o governo se esforçava para vencer a oposição. Os lugares se inverteram, e o PT se organiza para eliminar a oposição. Não por acaso, há eleições no ano que vem.

Nomes de quadrilheiros e das obras saídas de suas entranhas continuam vetados. Se e quando eu decidir citá-los, então cito. Quanto à imprensa, é bom lembrar que, não faz tempo, uma súcia tentou meter jornalistas na cadeia simplesmente porque faziam o seu trabalho.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2011

 às 20:38

Há petistas sempre ocupados em duas coisas: em castigar inocentes por crimes que não cometeram e em praticar os próprios crimes

O esforço organizado de petistas e seus asseclas e esbirros é um só: criminalizar inocentes e inocentar criminosos. Ainda agora, como sabem, a rede suja está organizada na Internet para dar curso a uma das maiores canalhices de que se tem notícia no submundo da política. Pois bem

Reportagem de capa da VEJA desta semana flagra petistas forjando recibos falsos para imputar a inocentes crimes que não cometeram. Padre Vieira, no Sermão do Bom Ladrão, criticava larápios que estavam sempre ocupados em duas coisas: em castigar crimes e em cometê-los. Não imaginava que surgiria um tipo novo: petistas. Muitos deles estão ocupados em duas coisas: em inventar crimes inexistentes para castigar inocentes e, claro!, em cometê-los. Leiam o que vai na VEJA Online:

PSDB e DEM pedem punição de petista por “Lista de Furnas”

Por Gabriel Castro:
PSDB e DEM pediram nesta terça-feira à Procuradoria-Geral da República (PGR) que investigue o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG). A edição desta semana de VEJA mosta como o parlamentar, em conluio com o colega Agostinho Valente (hoje sem mandato), encomendou a Lista de Furnas - um documento forjado em 2006 para ligar oposicionistas a um inexistente esquema de desvios na estatal no governo Fernando Henrique. O objetivo era fragilizar parlamentares oposicionistas durante a crise decorrente do escândalo do Mensalão e influenciar o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios.

“Quem tem maioria não pode tudo não. A minoria tem direitos, vai exercê-los e fatos ilegais serão coibidos por nós à altura”, diz o presidente do DEM, José Agripino Maia. O partido também deve entregar uma representação por quebra de decoro contra o deputado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Diálogos
VEJA teve acesso a conversas gravadas pela Polícia Federal (PF) com autorização judicial, no primeiro semestre de 2006. Elas evidenciam que o estelionatário Nilton Monteiro - preso em outubro deste ano por forjar notas promissórias - agiu sob os auspícios dos deputados Rogério Correia e Agostinho Valente (hoje no PDT) com o objetivo de fabricar a lista. Há diálogos seguidos entre Monteiro e Simeão de Oliveira, braço direito de Rogério Correia.

Os dois discutem os padrões das assinaturas de figuras importantes da oposição naquele momento, como o líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia, do DEM, e o então líder do PSDB, Antônio Carlos Pannunzio. Em troca das falsificações, Monteiro, além de receber pagamento diretos, exigia a liberação de recursos em bancos públicos. É o que demonstram as gravações.

A Lista de Furnas era uma espécie de planilha com valores supostamente repassados a campanhas eleitorais de parlamentares e governantes de oposição durante o pleito de 2002. O Caixa 2 seria comandado por Dimas Toledo, então comandante da estatal.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2011

 às 19:38

Deputado pede que PGR encaminhe ao STJ pedido de prisão de Agnelo

Do Portal G1:
O deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR) protocolou nesta terça-feira (13) um pedido de prisão do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e do irmão dele Ailton Carvalho de Queiroz na Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento, que também foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), lista uma série de denúncias contra o governador do DF, como o suposto enriquecimento ilícito de irmãos de Agnelo.

Em nota, o GDF afirmou que o pedido “trata-se de oportunismo da oposição vindo de um partido que, este sim, esteve envolvido em um dos maiores escândalos políticos ocorrido recentemente no Distrito Federal, desvendados pela operação Caixa de Pandora.” O pedido será analisado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que vai decidir se encaminha a denúncia para o STJ.

De acordo com o deputado federal, a suposta tentativa de suborno do policial João Dias na semana passada justifica a prisão cautelar de Agnelo. Dias foi o autor das denúncias que levaram à saída de Orlando Silva do Ministério do Esporte.

Na quinta (7) ele foi preso após se envolver em uma confusão na sede do governo do DF, acusado de agredir um policial e duas servidoras públicas. Dias afirmou que foi ao Buriti devolver R$ 200 mil que teriam sido levados em sua casa na noite anterior por um “emissário do governo”.

A prisão do irmão de Agnelo seria justificada pela suposta ameaça a um jornalista. “A ameaça desferida ao repórter Claudio Dantas Sequeira evidencia que Ailton Carvalho de Queiroz demonstra ser pessoa perigosa, cuja prática sugere tendência em obstar a instrução criminal, a aplicação da lei penal e possivelmente praticar crime de coação no curso do processo”, diz o deputado no documento.

No sábado, Agnelo jpa havia saído em defesa do irmão. “Passou dos limites o que o crime organizado no Distrito Federal está fazendo. São ataques bárbaros à minha pessoa, agora à minha família. Só faltam me abater fisicamente. Vou processar o meio de comunicação que se presta a uma patifaria dessas, inclusive seu escriba. Vou tomar todas as medidas legais”, disse o governador.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2011

 às 19:04

Os números da violência e a farsa da campanha do desarmamento

Escrevo este post em homenagem a todos aqueles que, enfrentando as correntes da mistificação politicamente correta e de cretinismos ideológicos, fazem a coisa certa, ainda que, olhem que estupendo!, sejam criticados por isso. Escrevo este post, em suma, em homenagem àqueles que preferiram salvar vidas a aderir ao proselitismo fácil que toma conta do debate sobre segurança pública.

Divulgaram-se ontem dados do Ministério da Saúde, segundo os quais morreram 35.233 pessoas vítimas de armas de fogo em 2010, o que corresponde a 70,5% dos 49.932 homicídios do país. Luiz Paulo Barreto, secretário-executivo do Ministério da Justiça, afirmou ao jornal O Globo: “Houve uma redução de 11% no número de homicídios entre 2004 e 2010. Conseguimos quebrar a linha ascendente, mas, para mudar essa realidade, para reduzir os números, é preciso reforçar a Campanha de Desarmamento para a sociedade civil, aumentar a fiscalização nas ruas e o policiamento nas fronteiras.” Lia-se ainda:
“Segundo dados do Ministério da Justiça, entre 2004 e 2010, a Campanha do Desarmamento, criada a partir do Estatuto do Desarmamento, recolheu, em todo o país, quase 1 milhão de armas. Este ano, em sete meses, foram entregues 35 mil armas. O Brasil tem pouco mais de 2.860 postos de recolhimento. ‘Ter aumentado a capilaridade do programa, ter feito com que as indenizações, entre R$ 100 e R$ 300, fossem pagas em 24 horas, além de termos permitido que as entregas fossem anônimas foram medidas importantes. O anonimato fez com que 91 fuzis fossem entregues este ano’, conta Barreto.”

Voltei
Sim, há escolhas na fala de Barreto que são de natureza ideológica e, entendo, perniciosas, perigosas mesmo. Mas deixo isso para o fim. No momento, quero lidar apenas com números. Há várias bases de dados sobre segurança pública. Vou escolher uma que o governo que o sr. Barreto representa considera certamente confiável: O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2011 (com dados até 2010), editado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O doutor aponta uma queda de 11% no número de homicídios no Brasil e acha que isso se deve, principalmente, à campanha do desarmamento… É mesmo? E fala das armas recolhidas no período. Os números indicam que ele poderia escolher outra coincidência qualquer. As chuvas por exemplo. Ou o consumo de carboidratos… Atenção para a tabela que segue, extraída do anuário. Refere-se ao que chamam “Crimes violentos Letais Intencionais” (homicídio doloso, latrocínio e crime seguido de morte). Comparem-se dados de 2006 com os 2010! Atenção! Houve um aumento de ocorrências por 100 mil habitantes em 14 estados, a saber:

Crimes Violentos. Letais Intencionais - por 100 mil habitantes
Estado20062010
CE21,828,2
DF25,226,9
MT2931,3
PB22,838,8
PR26,3*32,9
RO32,937,3
SE28,838,2
TO16,919
AL54,570
AC24,528,9
AM21,123,9
BA27,433,8
PA34,436,6
RN26,530,1

*Dado de 2007

No período, reduções importantes no número de ocorrências se deram em São Paulo, onde os mortos por 100 mil passaram de 15,4 para 11,1 (hoje, menos de 10); em Pernambuco, de estratosféricos 52,6 para 38,1, e no Rio, de 38 para 28,8 — ainda quase o triplo de São Paulo.

O doutor Barreto deveria nos explicar por que, em 14 unidades da federação, o tal desarmamento não provocou a redução de homicídios. Deveria também deixar claro que a queda de 11% no número de homicídios entre 2004 e 2010 se deve, basicamente, a São Paulo e Rio. Nos dois casos, há uma política de enfrentamento da violência — diferentes, sim, entre si, mas que NÃO ESTÃO CETRADAS NA FRAUDE PUBLICITÁRIA DO TAL DESARMAMENTO.

O caso mais virtuoso, internacionalmente reconhecido, é São Paulo. Em 2002, o estado tinha 38 mortos por 100 mil habitantes. Hoje, esse número é inferior a 10, uma redução de mais de 73%. Por causa da campanha do desarmamento? Isso é de um ridículo atroz! NÃO! POR CAUSA DA EFICIÊNCIA DA POLÍCIA E PORQUE, EM SÃO PAULO, ESCOLHEU-SE PRENDER BANDIDO. O Rio, por exemplo, pode botar uma UPP em cada favela — o que não acontecerá — e não atingirá a marca paulista se a bandidagem continuar solta (a menos que ela migre para estados vizinhos). Houve, sim, no estado, uma redução importante porque houve um aumento do policiamento, mas o número ainda é escandaloso.

Há casos que são espantosos. Segundo o Mapa da Violência, em 2002, a Bahia, por exemplo, tinha 13 homicídios por 100 mil habitantes. Em 2007, já havia chegado a 25,7. Em 2010, foram 33,8.

Fim dos mitos
Os números sobre a violência no Brasil servem justamente para desmistificar essa cascata cretina sobre a campanha do desarmamento. Eu também acho que o desejável é não ter armas. Mas fundamental é que os bandidos, que não costumam entregar seus “instrumentos de trabalho” para o estado, não as tenham. O que é preciso, como se faz em São Paulo, é que os usuários desses objetos estejam em cana e que a polícia atue com eficiência.

As pessoas que, de boa-fé, entregam as armas que têm ao estado certamente não estavam pensando em usá-las para impor a sua vontade aos outros. Os que têm esse objetivo não cedem ao apelo do Ministério da Justiça. Atribuir, ainda que de maneira oblíqua, a redução discreta do número de homicídios às campanhas do desarmamento corresponde a pegar carona em feitos alheios e a deixar de reconhecer o método que realmente funciona: polícia reprimindo crime e bandido na cadeia.

Há uma média de 50 mil homicídios por ano no Brasil. Em números absolutos, é o país em que mais se mata (ao menos entre os que têm estatísticas mais ou menos confiáveis); está certamente no alto da tabela em números relativos. É uma carnificina! Não obstante, somos obrigados a ouvir essa conversinha mole de desarmamento e o ataque sistemático, às vezes acompanhado de uma verdadeira conspirata, contra aqueles que fazem um bom trabalho na área.

O outro mito que foi por água abaixo é aquele que procura relacionar violência com pobreza ou estagnação da economia. O índice de homicídios explodiu no Nordeste, por exemplo, região que mais cresceu nos últimos anos. O fato de toda área violenta ser pobre não implica que toda área pobre seja violenta. Só é quando essa pobreza condiciona a omissão do poder público e a impunidade. O que desestimula a ação de bandido é o policiamento preventivo eficiente e o temor que o vagabundo tem de ser pego. Sem isso, se ele não tiver um revólver, esmaga a cabeça de sua vítima, se preciso, com uma bíblia. A síntese da tese do Ministério da Justiça poderia ser essa: desarmando cidadãos de bem, a violência cai!

Anotem aí: enquanto o Ministério da Justiça estiver preso a essa ladainha que só reproduz a voz de algumas ONGs do miolo mole — algumas são parceiras objetivas do crime —, o Brasil continuará a matar 50 mil pessoas por ano, mais do que qualquer guerra. Ocorre que esse discurso é confortável. Com ele, José Eduardo Cardozo só precisa gastar alguns milhõezinhos com agências de publicidade.

E, finalmente, um conselho aos petistas: em nome da segurança dos brasileiros, busquem aprender com a Polícia de São Paulo em vez de se meter em conspiratas para difamá-la.


Por Reinaldo Azevedo

Fernando Pimentel, o ministro consultor, apareceu na TV há dois dias afirmando que, se for convocado, vai, sim, prestar esclarecimentos ao Congresso. Homem de fibra e coragem! Os mais perspicazes prestaram atenção à Oração Subordinada Adverbial Condicional: “Se for convocado”… Para tanto, é preciso passar pela tropa de choque do governo. Quando Dilma quer a cabeça de um ministro, o governo faz corpo mole, e o vivente acaba dando o seu depoimento. Aconteceu com Carlos Lupi e Orlando Silva, por exemplo. Se o sujeito se estoura, melhor. Caso se dê bem, fazer o quê? No caso de Pimentel, antigo aluno da Escolinha de Marxismo da Professora Dilma,  a Soberana não quer correr riscos. Pimentel, claro!, vai ao Congresso SE convocado. Mas não será. Leiam o que informa Luciana Marques, na VEJA Online:

Depois de uma manobra governista, a Comissão de Meio Ambiente do Senado rejeitou, nesta terça-feira, convite para que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, prestasse esclarecimentos sobre sua empresa de consultoria. Foram oito votos contra o depoimento e cinco a favor. O requerimento foi assinado pelo líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR).

O Planalto mandou um recado nesta segunda-feira aos governistas para que barrassem qualquer tentativa da oposição de aprovar pedido de depoimento de Pimentel no Congresso Nacional. Para a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o ministro já deu explicações “satisfatórias” sobre o caso.

“Temos, em primeiro lugar, o apoio da presidente”, disse Ideli. “A impressão que temos é que as explicações têm sido satisfatórias, não havendo necessidade de levar o assunto ao Congresso”. Pairam sobre Pimentel suspeitas de tráfico de influência após a revelação de que o ministro faturou pelo menos 2 milhões de reais com sua empresa de consultoria, a P-21, entre 2009 e 2010.

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2011

 às 16:32

Tucanos de alta plumagem chamam Pimentel de “amigo”; PT devolve a gentileza chamando PSDB de “nau sem rumo” e sugerindo que partido é a fonte de todo mal

O PSDB se uniu menos nas críticas a Fernando Pimentel do que a outros ministros do governo Dilma enrolados em histórias sem explicação — não, ao menos, no mundo do decoro. A razão é simples e foi explicitada pelo governador de Minas, o tucano Antonio Anastasia, e por seu antecessor, senador Aécio Neves. O primeiro afirmou que Pimentel “é amigo, além de ser mineiro”. O segundo disse que seu partido tem de dar “crédito” ao ministro. Faz sentido. Em Belo Horizonte, eles se aliaram na disputa pela prefeitura. Seria a “política pós-Lula”. “Pós-Lula” por quê? Ele está aí firme e forte. E espero, de verdade, que se cure plenamente.

O PT demonstra, agora, que consegue ser grato. A Executiva Nacional do partido chegou a um consenso e redigiu uma “resolução” recheada de mistificações e cretinismos sobre a crise internacional, o neoliberalismo, aquela conversa de sempre. A íntegra está aqui.

No que diz respeito ao PSDB, escrevem os petistas o que segue em vermelho. Comento cada parágrafo:
Ao reconhecer que “é mais fácil falar do futuro do Euro do que o do PSDB”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu a profunda crise programática do neoliberalismo brasileiro. Descreveu a nau sem rumo em que se converteu o principal partido da oposição conservadora do país. Se o Brasil ainda estivesse sob o jugo dos tucanos estaria arremetido no turbilhão da crise internacional, com milhões de desempregados e se veria face a novas privatizações e ameaças à soberania nacional.
Num documento recheado de boçalidades, esse parágrafo talvez chegue ao ponto máximo. Os tucanos nunca foram nem são neoliberais. O Brasil só não sente os piores efeitos da crise, qualquer pessoa razoável sabe disto, em razão de medidas adotadas durante o governo FHC. Lula, o próprio, sugeriu que os EUA deveriam fazer um “Proer”, referindo-se ao programa de reestruturação de bancos implementado aqui e que foi combatido pelos petistas quando na oposição. O Brasil só entrou com força na economia da informação por causa das privatizações, que eles combateram também. Não houve uma só medida adotada, que hoje colabora com a relativa estabilidade da economia, que não tenha despertado a sua reação mais feroz. A verdade é outra: se Lula tivesse vencido em 1989, 1994 ou 1998, aí sim o Brasil estaria ferrado. Numa entrevista, ele chegou a reconhecer que não estava preparado…

Isto não significa que devamos subestimar a oposição, que conta com forte apoio na mídia e no Congresso, em setores do grande empresariado, dirige governos importantes e, mesmo sendo minoritária na sociedade, possui bases eleitorais significativas. Sua ação, no entanto, hoje se desenrola no plano das denúncias sem coragem de assumir suas concepções econômicas e sociais que são da mesma natureza daquelas geradoras da crise internacional.
Lá vem o tal apoio da “mídia”, uma ladainha mentirosa que só serve para que eles defendam seus criminosos. Os leitores e eleitores de São Paulo sabem como a tal “mídia” se comporta em relação ao PT. Fernando Haddad, pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, aparece no Datafolha com, no máximo, 4% das intenções de voto. Já há textos flertando abertamente com a sua vitória no primeiro turno. Pode acontecer? Pode! Tudo pode acontecer. Hoje, não há elementos pra isso. E daí?

Uma das maneiras de enfrentar a direita é contribuir para aprofundar os esforços que o governo Dilma vem fazendo para aperfeiçoar a democracia. São significativos os avanços com a sanção da Lei do Acesso à Informação e a criação da Comissão da Verdade, cujas investigações poderão apoiar a busca por justiça a que têm direito as famílias das vítimas da repressão.
Direita? Que direita? Desde quando o PSDB é um partido “de direita”? Quem dera fosse… O parágrafo é especialmente safado porque pretende, de modo oblíquo, ligar seus principais adversários  à ditadura. O processo de indenizações às vítimas (e, sobretudo, às supostas vítimas) do regime militar se deu no governo tucano. O relator da lei que institui a Comissão da Verdade foi um senador do PSDB.  FHC é que foi cassado pelos militares, não Lula.

Há na oposição quem acredite que pode ser poupado da máquina de moer reputações mobilizada pelo PT. Então tá! Como resta evidente, os “companheiros” não têm nenhum receio de apelar ao crime e a criminosos para fazer valer a sua vontade e a sua versão.

O PT lidera um governo que foi obrigado a demitir seis ministros em razão de lambança com dinheiro público — há mais dois merecendo a distinção… Não obstante, emite uma resolução em que se coloca como a grande âncora moral do processo político. Enquanto isso, uma variante do crime organizado no subjornalismo e na Internet, com o patrocínio de estatais, faz a festa no chiqueiro.

Por Reinaldo Azevedo

As coisas acabaram saindo bastante baratas para o agora ministro Fernando Pimentel. Era ele o chefe de Luiz Lanzetta, lembram-se? Lanzetta comandava a equipe de comunicação da “pré-campanha” de Dilma Rousseff que foi flagrada tentando montar — que novidade! — um dossiê contra José Serra. Havia até arapongagem metida no imbróglio. Descoberto, o grupo se desfez, e Lanzetta foi, oficialmente ao menos, demitido. Depois entrou em ação a bandidagem associada que violou o sigilo fiscal de tucanos e de familiares do então candidato do PSDB à Presidência. Antes, em 2006, cumpre lembrar, os aloprados tinham tentado incriminar Serra com o falso dossiê da Saúde, o tal dos aloprados. Em todas essas circunstâncias, é bom deixar claro, atuavam veículos de comunicação a soldo.

A maioria das personagens envolvidas com o dossiê dos aloprados pertencia ao entorno de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, embora ele, claro!, não soubesse de nada. Hamilton Lacerda, o homem que conduzia a mala do dinheiro — R$ 1,7 milhão —, era assessor pessoal de Aloizio Mercadante, que disputava o governo de São Paulo. Lacerda afastou-se do partido, mas já está de volta. Mercadante é um dos ministros de Dilma (Ciência e Tecnologia) e candidato a assumir a Educação no lugar de Fernando Haddad.  Pimentel, o chefe da turma do Lanzetta, também ganhou assento na Esplanada. Até agora ninguém foi punido nem por um crime nem por outro. Ao contrário, os figurões acabaram promovidos.

O crime, no PT, acaba sempre compensado, e isso vai estimulando a imaginação da turma, que, então, vai se metendo em rolos sempre maiores. E nada revela mais a natureza do partido do que esses dossiês: por intermédio deles, bandidos se tornam acusadores de pessoas inocentes!

reportagem de capa da VEJA desta semana não deixa a menor dúvida sobre os métodos empregados pela quadrilha. Para se safar da acusação do mensalão, forjaram uma lista de doações de recursos irregulares e fabricaram recibos. No auge da ousadia, as falsificações foram entregues ao Supremo como “provas” contra políticos que pertenciam à base do governo FHC. Eis a “lógica” com que operam: bandidos são acusadores; inocentes são acusados. Tentam arrastar as pessoas de bem para a lama para que, lá, sejam obrigadas a se explicar sobre falsas imputações. Há sempre os trouxas que acreditam e os canalhas que fingem acreditar.

Muito bem! O Estadão de hoje informa que Pimentel, o ministro que se nega a dar explicações no Congresso, usava a sede de sua “empresa”, a P-21, para fazer encontros políticos. Não me digam! Convenham: ninguém tinha levado mesmo muito a sério essa história de “consultoria”, certo? E quem era um dos freqüentadores do lugar? Ora, Luiz Lanzetta, aquele mesmo do dossiê da pré-campanha…

Não explicou nada
Várias vozes do Planalto passaram esta segunda-feira a dizer que o caso está encerrado. Segundo Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, a presidente considerou os argumentos de Pimentel convincentes. É mesmo? No post abaixo, há a coleção das perguntas que o ministro até agora não respondeu. Vai ver a curiosidade de Dilma não é assim tão grande… Nota: Ideli, então senadora, era interlocutora da turma que tentava criar as falsas provas de Furnas.  Também foi recompensada, certo?

Dos seis ministros que caíram por causa de lambanças, só um apresentava evidências inequívocas de enriquecimento pessoal:  Antonio Palocci, justamente o petista do grupo. Não estou livrando a cara dos demais, não. Estou me apegando àquilo que se sabe. E agora há Pimentel. Em razão dos vínculos que mantinha com a Prefeitura de Belo Horizonte, seu caso é ainda mais grave do que o de seu colega de partido. Não obstante, Dilma considera que, desta vez, está tudo explicadinho. Os outros que caíram não eram de sua turma — a relação com Palocci nunca foi uma maravilha.

Mas é diferente com o “companheiro de armas”, aquele que aprendeu com ela os primeiras rudimentos (e mais não poderia ser…) de marxismo… A “professora” foi de tal sorte eficiente em caracterizar as tramóias do capital que o discípulo se tornou… consultor! É bem verdade que o leque de apoios a Pimentel vai além dos muros do governismo e alcança a cúpula do PSDB de Minas…

O Brasil que tenha paciência!

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2011

 às 6:41

AS PERGUNTAS QUE NÃO QUEREM CALAR E QUE PIMENTEL NÃO QUER OU NÃO PODE RESPONDER

No Globo:
Embora aliados afirmem que o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, já prestou todos os esclarecimentos a respeito de suas atividades como consultor, desde a última quinta-feira, ainda há pontos que o ministro não explicou:

PROGRAMAS
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) informou que Fernando Pimentel, então ex-prefeito de Belo Horizonte, foi contratado, por meio da P-21 Consultoria e Projetos Ltda., para propor programas de desoneração tributária e desenvolvimento ao governo federal. Quais foram esses programas?

NOMES
A Fiemg informou que Pimentel deu “orientação aos técnicos e colaboradores para elaboração e desenvolvimento de conteúdos”. Quem são os técnicos e colaboradores que trabalharam sob sua orientação?

CONTRATO VERBAL
Por que negócios de R$ 514 mil, R$ 400 mil e R$ 130 mil foram feitos sem contratos formais e apenas verbais?

RESULTADOS
Que garantias de prestação do serviço o então ex-prefeito Fernando Pimentel dava?

SERVIÇO PRESTADO
E por que o ministro não apresenta a comprovação dos serviços prestados, já que confirma ter recebido todos os valores publicados pelo GLOBO?

ETA
Por que o ministro omitiu ao jornal O GLOBO ter prestado serviços à ETA Bebidas Ltda., na hora de somar os valores recebidos com sua atividade de consultoria, quando o caso veio à tona?

DOADOR
O ministro conhece Eduardo Luis Bueno, sócio da ETA Bebidas e acusado por doação ilegal de recursos na campanha eleitoral de 2006? Se sim, desde quando e como se conheceram?

PERNAMBUCO
Para prestar serviços à ETA, o então ex-prefeito de BH viajou a Pernambuco para conhecer detalhes do mercado de refresco de guaraná no Nordeste? Ou prestou o serviço a partir de Belo Horizonte?

CONTATOS
Na última quarta-feira, O GLOBO contactou todos os donos da ETA desde a fundação, que negaram conhecer o ministro Pimentel. No dia seguinte, a empresa divulgou nota confirmando a contratação e informou que ninguém daria mais entrevistas. Quem são os diretores da ETA com quem o então ex-prefeito de Belo Horizonte afirmou ter mantido contato telefônico durante a prestação de seus serviços de consultoria?

NOS EUA
Quem é o ex-dono da ETA que o ministro Fernando Pimentel afirma estar vivendo nos Estados Unidos?

FATURAMENTO
O ministro sabe dizer qual era o faturamento médio da ETA quando prestou consultoria?

INDICAÇÃO
Quem é o dirigente da Federação das Indústrias de Pernambuco que o ministro Pimentel afirmou, em entrevista à “Folha de S. Paulo”, ter indicado seu trabalho aos donos da ETA?

QUITAÇÃO
O então ex-prefeito de Belo Horizonte orientou a construtora Convap - para quem afirma ter prestado consultoria tributária - a pagar a dívida de quase meio milhão de reais em taxas e tributos da empresa com a prefeitura de Belo Horizonte?

Por Reinaldo Azevedo

13/12/2011

 às 6:37

Em sede de “consultoria”, Pimentel encontra políticos; homem envolvido em arapongagem contra Serra também freqüentava escritório

Por Marcelo Portela e Bruno Boghossian, no Estadão:
O escritório da P-21 Consultoria e Projetos, empresa do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), foi usado como quartel-general da campanha do petista ao Senado em 2010. A sede da empresa, em um luxuoso prédio do bairro de Lourdes, área nobre na região centro-sul da capital mineira, abrigou encontros com aliados e reuniões com o núcleo de sua candidatura.

O local não era o comitê oficial da campanha, que funcionava na Avenida Afonso Pena, também na região centro-sul de Belo Horizonte. Era neste endereço que Pimentel recebia prefeitos do interior interessados em aderir a sua campanha ao Senado. Também era onde adeptos da candidatura petista faziam reuniões para definir as estratégias oficiais para a disputa.

Era na sede da P-21, no entanto, que Pimentel se reunia com alguns dos principais articuladores da candidatura. Entre os frequentadores “assíduos” estava, por exemplo, o jornalista e consultor Luiz Lanzetta, proprietário da Lanza Comunicação e amigo do atual ministro.

Lanzetta ganhou notoriedade nacional quando foi obrigado a deixar a campanha presidencial de Dilma Rousseff devido a denúncias de que ele se encontrava com arapongas ligados a serviços secretos do governo federal encarregados de produzir dossiês contra tucanos. O mesmo caso também levou Pimentel a se afastar temporariamente da campanha presidencial.

Um funcionário que trabalhava no edifício onde funciona a sede da P-21 no período da campanha confirmou que aliados políticos de Pimentel frequentavam o escritório, depois de identificá-los em fotografias. Além de Lanzetta, ele afirmou ter visto no prédio o deputado federal Virgílio Guimarães e o secretário de Obras e Infraestrutura da Prefeitura de Belo Horizonte, Murilo Valadares - que está no cargo desde a gestão de Pimentel no Executivo municipal.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

A mentira do consultor de araque rasga a fantasia do traficante de influência

Desde que a procissão indecorosa começou, os pecadores pendurados nos andores não se limitam a jurar inocência amparados em álibis mais fantasiosos que discurso de Dilma Rousseff: para confundir a plateia, também culpam meio mundo. Algum assessor trapalhão, a mídia golpista, a oposição demotucana, a elite reacionária, o fogo amigo, adversários impiedosos, inimigos do povo em geral e, em particular, loiros de olhos azuis ─ a lista dos culpados cresceu tão espetacularmente que, até o fim de semana, só estavam fora a CIA e FHC. Depois da entrevista de Fernando Pimentel publicada pela Folhaneste sábado, falta apenas a sigla americana. Fernando Henrique Cardoso entrou na relação dos acusados no meio da  amistosa conversa entre o  jornalista Fernando Rodrigues e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Para provar que o que andou fazendo em 2009 e 2010 é a mesma coisa que o ex-presidente faz, Pimentel revelou o que ouviu há dias do amigo e cliente Robson Andrade, que contratou seus serviços de “consultor” quando comandava a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. “O Robson me deu um exemplo interessante de 2010, quando estava na Fiemg”, começou a história contada pelo atual presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Esteve lá o Fernando Henrique. Passou a manhã, conversou, tomou café, não me lembro se almoçou. Cobrou oitenta mil reais pela conversa, pela consultoria. E foi pago”.

Até as máquinas de café das redações sabem que FHC nunca exerceu o ofício que transformou José Dirceu em milionário, enriqueceu Antonio Palocci e, depois de garantir-lhe a boa vida, ameaça tirar o emprego de Pimentel. (Garotas de programa se apresentam como “modelo e atriz”. Todo figurão do PT que cai na vida de traficante de influência se disfarça de “consultor”). Como o silêncio do entrevistador endossou a enormidade, o conto do vigário foi em frente: “O Larry Summers esteve lá outro dia, acho que foi na CNI, e cobrou 150 mil dólares para ficar um dia lá”. Para o ex-prefeito, tanto o ex-presidente da República quanto o ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos ─ “o Larry Summers” ─ são meros colegas de ofício. E não tem motivos para invejá-los: para apressar a falência de uma fábrica de refrigerantes pernambucana, por exemplo, Pimentel ganhou o dobro do que teria recebido FHC para melhorar a cabeça do empresariado mineiro.

Papo de 171, cortou nesta segunda-feira o ex-presidente com um esclarecimento publicado pela jornalista Renata Lo Prete, da Folha, na nota de abertura da seção Painel. “Eu cobro por palestras”, corrigiu FHC. “Não recebi da Fiemg o referido montante nem qualquer outra remuneração, pois não fiz palestras lá. Devem ter-se enganado de pessoa”. À comparação fraudulenta, portanto, Pimentel havia adicionado uma mentira deslavada. Dessa fusão, paradoxalmente, resultou a verdade que desmoralizou a farsa: ao comparar-se a Fernando Henrique e Larry Summers, o “consultor” Pimentel confessou que não fez nada parecido com o que se chama de consultoria. Não produziu documentos, não redigiu análises, não fez sugestões por escrito, não escreveu uma escassa e mísera linha. Só conversou sobre negócios em curso ou em gestação. Conversou com os clientes e sabe Deus com quem mais.

Deus e Robson Andrade, berram as justificativas esboçadas pelo empresário e amigo para o contrato que permitiu a Pimentel embolsar R$ 1 milhão da Fiemg. “Quanto vale um dia de conversa com uma pessoa que tem um conhecimento estratégico sobre como trabalhar com o governo, discutir ações tributárias, ações de crescimento nas indústrias, de desenvolvimento?”, perguntou e respondeu o ex-presidente da Fiemg. O problema é que esse Pimentel familiarizado com as catacumbas federais só surgiu um ano depois, quando virou ministro. Em 2009, era mais um ex-prefeito, com um currículo que Nelson Rodrigues acharia árido como três desertos. Pois conseguiu subtrair da Fiemg o equivalente a 13 palestras de Fernando Henrique e sete de Larry Summers. Ou cinco apresentações de Lula.

O Pimentel palestrante jamais valeu mais que R$ 10 por hora. Ganhou um dinheirão para fazer outra coisa ─ em 2009 e sobretudo depois de janeiro de 2011. Poderia ter até cobrado bem mais. Nunca será caro um traficante de influência que faça direito o serviço encomendado.

11/12/2011

 às 16:13 \ Direto ao Ponto

Um monumento ao cinismo: seis meses antes de inaugurar o mensalão, Lula promete combater os corruptos

“O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo”, fantasia Lula no começo do vídeo de 1min19 que reproduz um dos melhores-piores momentos do discurso de posse, lido no Congresso em 1° de janeiro de 2003. Segundos depois, o orador promete acabar com a “cultura da impunidade”. A turma que lota o plenário da Casa dos Horrores aplaude de pé. Com um sorriso de Mona Lisa que não ensaiou, Marisa Letícia bate palmas. Hasteado atrás da primeira-dama, Antonio Palocci sublinha os aplausos com o rosto sério de quem jamais estupraria o sigilo bancário de um caseiro nem derraparia no tráfico de influência. Segue o palavrório. A câmera volta a passear por Marisa Letícia e Palocci enquanto o presidente parte para a citação da frase que José Dirceu repetia de meia em meia hora antes que se descobrisse tudo: “Ser honesto é mais que apenas não robá e não deixá robá”, ensina. É preciso também “aplicar os recursos públicos com transparência”.

Nomeado para chefiar a Casa Civil, Dirceu virou chefe de quadrilha e aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal. Depois do guerrilheiro de araque, Lula instalou no quarto andar do Planalto a afilhada Dilma Rousseff, que aumentou a produção da fábrica de dossiês, e Erenice Guerra, quadrilheira que fundou a Casa Vil ─ desmoralizada de por Palocci, o reincidente que já escapou duas vezes da cadeia. O inventor do Brasil Maravilha também ornamentou o primeiro escalão com um buquê de prontuários que incluiu Carlos Lupi, Silas Rondeau, Edison Lobão, Humberto Costa, Walfrido dos Mares Guia, Anderson Adauto, Benedita da Silva, Alfredo Nascimento, Wagner Queiroz, Wagner Rossi, Orlando Silva e Saraiva Felipe, fora o resto.

Discursos de posse costumam ser incorporados ao acervo do Museu da República. Revisitado nove anos depois, o trecho do falatório capturado pelo vídeo implora pela transferência para o Museu da Era da Mediocridade ─ mais precisamente para a ala do cinismo, onde poderá descansar ao lado de outras abjeções produzidas pelo sumiço da vergonha. Seis meses antes de 1° de janeiro de 2003, o Padroeiro dos Pecadores havia inaugurado o esquema do mensalão na reunião clandestina em ficou acertada a entrega de R$ 4 milhões ao PL de Valdemar Costa Neto, vulgo Boy. Participaram do encontro que fixou o preço do apoio ao candidato do PT o próprio Lula, José Alencar, José Dirceu e Boy.

No dia em que o novo presidente prometeu combater os corruptos, estava tudo pronto para a institucionalização da roubalheira impune.

(por Augusto Nunes)
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Blog Reinaldo Azevedo

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