Entenda por que a estiagem voltou a castigar a produção agropecuária do RS

Publicado em 10/01/2012 07:46 e atualizado em 10/09/2013 17:10 675 exibições
por Polibio Braga (RS)

- O governador em exercício do RS, Beto Grill, e o ministro da Agricultura, Mendes Filho, foram a Santo Antonio das Missões para anunciar medidas dos governos federal e estadual. O governador Tarso Genro ainda não deu sinal de vida, porque não quer interromper suas férias paradisíacas em Cuba. 

Até o início da tarde desta segunda-feira, 106 municípios gaúchos já se consideravam em estado de emergência ou calamidade em função da seca.

. A Defesa Civil do RS tabulou 460 mil pessoas prejudicadas diretamente em suas atividades no campo.

. A Emater continua insistindo em prejuízos irreversíveis de R$ 2,8 bilhões, mas somente as perdas com as safras de milho (3 milhões de toneladas), soja (2 milhões de toneladas) e arroz (1 milhão de toneladas), calculadas pelo preço de mercado de cada grão, chegam de fato a R$ 16,5 bilhões. Leia como ficarão as safras (números em milhões de toneladas, 2010/2011 e 2011/2012, pela ordem):

- Soja: 12 (10, com viés de quebra maior)
- Milho: 5,8 (3)
- Arroz: 9 (8)
- Trigo: 2,7 (2)
- Outros: 530 mil  (400 mil)

. Os governos estadual e federal mandaram autoridades para Boa Vista das Missões, nesta segunda-feira, para assinar atos oficiais de declaração de estado de calamidade e anunciar medidas de amparo às regiões mais prejudicadas.

. Este problema de estiagem prejudicando profundamente a produção agropecuária no RS é recorrente.

. Por pura sorte, as últimas cinco safras não enfrentaram dificuldades climáticas rigorosas e por isto registraram resultados extraordinários. 

. O RS, antes disto, só conseguia boas safras por dois anos seguidos ? no máximo. 

. Governos federal, estadual e municipal jamais conseguiram articular-se para valer, com o objetivo de implementar obras portentosas de acumulação de água, visando encontrar alternativa real de solução para a eventual falta de chuvas no verão, como ocorre em 2012. 

. Os empreendedores privados também vacilaram ao longo de dezenas de anos.  

. Saiba como foram as safras nos últimos quatro governos:

- Governo Tarso Genro (2011) ? 29/23 
- Governo Yeda (2007 a 2010) ? 23 / 22,2 / 22,1 e 25.
- Governo Rigotto (2003 a 2006) ? 20,7 / 17,7 / 12,8 e 20,4.
- Governo Olívio (1999 a 2002) ? 18,1 / 17,3 / 19,5 e 14,6. 

Governo estadual do PT acabou com a secretaria da Irrigação e paralisou obras das novas barragens

Não existe uma só personalidade gaúcha ligada à produção agropecuária que ignore que a economia primária gaúcha só terá salvação quando conseguir acumular água para enfrentar as estiagens do verão.

. Isto significa abundância de barragens, açudes e cisternas, além de canais de distribuição e aspersão nas lavouras (irrigação).

. Um programa deste tipo é calculado em bilhões e não em milhões de reais.

. Governo algum pensou em usar bilhões em obras públicas do gênero no RS.

. Governos e empreendedores privados raramente fizeram o dever de casa.

. O governo Yeda Crusius foi o único que criou uma secretaria estadual da Irrigação, chamou para ela o técnico mais completo da área, Rogério Porto, e implementou um ambicioso programa para irrigação.

. Faltou tempo para ir adiante.

. O governador Tarso Genro acabou com a secretaria, parou as obras da barragem de Taquarembó (120 milhões de m3 em Dom Pedrito com Lavras) com 60% das obras prontas e reduziu o ritmo de Jaguari (Lavras com São Gabriel) de igual porte. O RS tem apenas seis barragens construídas pelos governos ao longo de 250 anos, três das quais no governo Simon. 

Quebrou outra indústria gaúcha de calçados. Desta vez foi a Doublex, de Estãncia Velha

Os 80 trabalhadores  não conseguiram nem entrar na fábrica nesta segunda-feira. A Doublex tinha fábricas também em Boa Vista do Buricá, Horizontina e Humaitá.

Doux, Montenegro, continua agonizando

Continua agonizando a Doux, de Montenegro. Ela enfrenta novo corte de fornecimento de frangos e suínos. 

. Os produtores queixam-se de repetidos calotes.

Uruguai não tem importância para comércio exterior brasileiro

Não tem a menor importância para a pauta de exportações brasileira o comércio com o Uruguai, que receberá a segunda missão do governo gaúcho em um ano (leia a seguir mais informações).

. No ano passado, o Brasil exportou US$ 2,2 bilhões e importou US$ 1,7 bilhão. Isto representa menos de 1% das trocas internacionais brasileiras em 2011. 

. Nos últimos cinco anos, a balança comercial beneficiou uma única vez o Uruguai. Em 2010, o superávit uruguaio chegou a US$ 40 milhões. 

- O RS só perde com o Uruguai, que enfia no Estado produtos que concorrem conosco, sobretudo arroz e carne.

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Blog Polibio Braga

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