Os cafetões ideológicos dos desgraçados. Ou: Haddad dá início a guerrilha eleitoral explorando tragédia social

Publicado em 15/01/2012 07:04 e atualizado em 05/08/2013 16:11 803 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Um grupo de bacanas e descolados, ligados a ONGs e a movimentos sociais, decidiu organizar um churrasco em protesto contra a ação da Prefeitura e da Polícia Militar na cracolândia. Segundo a PM, o evento reuniu ontem umas 200 pessoas entre viciados e deslumbrados. Os primeiros são suicidas; os outros são homicidas. Já chego lá. O leitor Allan Pinho, de São João do Miriti, no Rio, envia uma indagação interessante. leiam:

“Reinaldo, aqui no Rio, no combate à cracolândia da favela do Jacarezinho, inclusive com a internação compulsória, houve grande apoio da população, da grande maioria da imprensa, do Poder Judiciário, inclusive do MP [Ministério Público] e da DP [Defensoria Pública]. Por que em São Paulo não está tendo esse apoio? Qual a diferença entre Rio e São Paulo nessa situação?”

Boa questão, Allan! Essas mesmas correntes de opinião e entes apoiaram, de modo inequívoco, a instalação das UPPs e a retomada de alguns morros. Qual a diferença? No Rio, o PT é situação, e Sérgio Cabral é considerado um aliado estratégico pelo Palácio do Planalto. Não há ninguém, em Brasília, sabotando as ações do governo estadual, nem no Ministério Público, na Defensoria, nas ONGs ou nos movimentos sociais. Em São Paulo, o PT é oposição a Geraldo Alckmin (PSDB) e está tentando entender qual é a de Gilberto Kassab (opôs-se à sua gestão ao menos até a criação do PSD).

O PT é mesmo assim: pode apoiar ou sabotar uma determinada medida a depender de quem a implemente. Assiste-se, em São Paulo, a um movimento de caráter político, com apelo eleitoral. Amplos setores da imprensa já se alinham com a candidatura do petista Fernando Haddad à Prefeitura. Vai ver estão encantados com a competência demonstrada pelo rapaz no Ministério da Educação, em especial no Enem… Na Folha de hoje, o ainda ministro aparece classficando a ação em São Paulo de “desastrada”. Bem, ao menos as coisas ficam mais claras agora.

Eis a diferença, meu caro Allan! Como os petistas dominam boa parte das ONGs, dos movimentos sociais e têm forte presença nas redações, consegue emplacar a sua pauta. É o caso da tal “Churrascada da Gente Diferenciada - Cracolândia”. Estará hoje em todos os jornais, foi amplamente noticiada nos sites e portais e ganha, assim, uma visibilidade muitíssimas vezes superior à sua importância. Só para você ter uma idéia, o Estadão informa que foram comprados 18 quilos de carne e alguns frangos, assados em quatro grelhas. O Globo Online não economizou: alguém contou à reportagem que foram consumidos nada menos de QUINHENTOS QUILOS. Imaginem que estrutura não seria necessária para assar meia tonelada!

Ainda no Globo, lê-se a declaração de Patricia Cornils, de uma certa “Transparência Hacker”, segundo quem a idéia do churrasco foi de um morador de rua. É mentira! A história começou num site que defende a legalização das drogas chamado “Desentorpecendo a Razão”. Parece piada macabra, mas não é. Viciados em crack, que já não têm mais nada de seu a não ser o vício - vivem em função da pedra -, estão servindo ao proselitismo de um grupo que fala em “desentorpecer a razão”. Não havia mais do que 200 pessoas lá, incluindo dependentes que perambulam pelo local. Boa parte não gostou do movimento e preferiu se afastar. Alguns pobres desgraçados só queriam um pouco de pão e carne - quem poderá condená-los por isso? Animados mesmo estavam os Remelentos & as Mafaldinhas de classe média, muitos deles certamente consumidores “recreativos” de drogas, que depois voltariam para o conforto dos seus lares, rumariam para as suas baladas, retomariam a sua rotina “burguesa”, deixando para trás os andrajos humanos que só pensam na próxima pedra…

Os viciados em crack praticam o suicídio lento - na verdade, nem tão lento assim. Esses deslumbrados que foram lá fazer política são, queiram ou não, homicidas cordiais. Sob o pretexto de defender os direitos dos viciados, fazem, na prática, a apologia do vício. A maioria dos paulistas, dos paulistanos em particular, estou certo, apóia as medidas da Prefeitura e do governo. Mas essa turma não faz churrasco, não ocupa as ruas, não pertence a “coletivo” nenhum! E a minoria, então, acaba dando o tom da cobertura.

Uma das estrelas do evento de ontem foi ninguém menos do que o padre Júlio Lancelotti, aquele que não conseguiu dar uma explicação razoável para o fato de ter comprado um carro de luxo para um ex-interno da Febem que o chantageava. Ele é o chefão de uma tal “Pastoral do Povo de Rua” - boa parte dessas pessoas, todos sabem, é viciada em crack. Há anos este, vá lá, “religioso”, histórico militante ligado ao PT, organiza a resistência a toda e qualquer tentativa do Poder Público de intervir na área. Não por acaso, quando prefeita, Marta Suplicy (PT) ignorou o problema. Foi em sua gestão que a cracolândia passou definitivamente para o controle dos viciados, dos traficantes e das ONGs que diziam fazer por ali um trabalho de “redução de danos”. Um desses trabalhos, acreditem!, era distribuir cachimbos novos aos viciados sob o pretexto de que era mais higiênico e impedia a transmissão de doenças.

A cracolândia se transformou num enorme mercado de almas para a caridade à moda Lancelotti. Ao Globo, ele deu uma declaração assustadora. Já que é um padre da Igreja Católica (fazer o quê? Há dessas coisas…), ouso dizer que suas palavras são inspiradas, sim, mas pelo antípoda de Deus. Leiam:
“Uma manifestação como essa é tudo que ninguém esperava: o povo que vive na cracolândia comendo com pessoas de outros segmentos sociais. Isso é um sinal de que a sociedade muda se todo mundo puder comer junto, se a comida for suficiente para todos, se eu olhar para o outro como meu irmão. Se houver partilha, se todos tiverem direito ao pão, a cidade vai ser nova e diferente”.

É para estômagos fortes. O que é que “mudou” exatamente? Nada! A fala de Lancelotti traz o desastre moral que já está embutido no nome de sua pastoral: “Povo de Rua”. Não existe um “povo de rua” como categoria sociológica, política, antropológica ou religiosa. Aquele que está na rua vive um drama pessoal e familiar que pede uma solução. Na fala desse padre, os viciados da cracolândia se transformam num segmento social dotado de direitos específicos. Errado! São cidadãos, sim, submetidos às mesmas leis que regulam a vida das demais pessoas. Se estão doentes, têm de buscar ajuda. Mas não dispõem de licença especial, como privatizar o espaço público, por exemplo.

Noto em setores da imprensa paulistana um viés delirante, estúpido. Aqui e ali, percebe-se um esforço para transformar os viciados da cracolândia numa comunidade com valores próprios, como se houvesse por lá uma variante antropológica. Não há dúvida de que um sociólogo ou antropólogo conseguiria fazer fascinantes trabalhos descritivos sobre aquela “subcultura”, encontrando todos os mecanismos de poder e de organização que estruturam a sociedade dos não-viciados. Não há dúvida, e os jornalistas babam embevecidos quando diante de uma historieta, que se multiplicam  por lá manifestações de solidariedade e companheirismo. Não há dúvida de que os viciados têm sonhos, anseios, ambições, pequenas vaidades.

Pulsa, sim, senhores, a vida humana em meio àqueles escombros e andrajos físicos, morais, éticos… Por isso mesmo, cumpre ao Poder Público tomar uma medida drástica. E a primeira consiste em recuperar o território para dar combate ao tráfico, oferecendo, como está sendo feito, a oportunidade de tratamento aos viciados e prendendo os bandidos.

“E se os viciados não quiserem?” Bem, enquanto não há uma legislação que dê amparo à internação forçada, são livres para rejeitar ajuda, MAS, ATENÇÃO!, NÃO SÃO LIVRES PARA ESPALHAR A DESORDEM! Uma das faixas pregadas pelos organizadores do churrasco sustentava: “Nem criminoso, nem doente: usuário de drogas é cidadão”. Já o viciado Paulo Henrique Bispo, de 38 anos, pensa um pouco diferente: “A gente está doente e precisa de tratamento, não brutalidade”. Perceberam? Os proxenetas dos viciados, seus cafetões ideológicos, querem lhes emprestar uma voz política. Ocorre que muitos deles, no entanto, sabem-se doentes. O curioso é que tanto o discurso “sociologizado” como o “medicalizado” partem do princípio de que o dependente pode impor a sua vontade ao conjunto da sociedade. E não pode!

“A contrário do que dizem por aí, a operação não tem prazo para acabar. A polícia vai permanecer enquanto tiver necessidade. Vamos apoiar as próximas fases da operação, apoiar os agentes de saúde e de assistência social”. A fala é do secretário de Segurança de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto. Assim seja!

A região hoje conhecida por cracolândia precisa voltar a abrigar a churrascada da gente que não se diferencia: o homem comum, que não se droga, trabalha, estuda e luta para ter uma vida digna.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/01/2012 às 6:43

Alô, homem comum! Hora e fundar o Movimento dos Sem Ministério Público e Sem Defensoria

Um dos promotores que assinam o pedido de abertura de inquérito civil público para apurar o eventos da cracolândia é Maurício Antonio Ribeiro Lopes. É aquele senhor que, tendo recebido uma petição de moradores de uma área de Pinheiros para evitar a mudança de endereço de um albergue, não se contentou apenas em declarar improcedente o pedido. Ele também associou os moradores ao nazismo e ainda os acusou de racismo (aqui), encaminhando a petição para a delegacia que investiga esse crime!  Recebo de um dos moradores que enviaram aquele pedido o seguinte texto. Leiam. Volto em seguida.

Reinaldo,
sou um dos moradores de Pinheiros que foram chamados pelo Sr. Promotor de Justiça Dr. Antonio Maurício Ribeiro Lopes de “nazista”. Naquela ocasião, fomos comparados ao que de pior existiu na humanidade por esse Sr. que tem o poder de um promotor nas mãos, mas age como se tivesse o poder de um soberano. Arrogante como só ele sabe ser, quer passar a imagem de pai dos pobres, mais vive em (….); seus filhos devem estudar em bons colégios, ter uma vida privilegiada, digna do salário que ele recebe, pago inclusive, por aqueles cidadãos de bem que ele chamou de nazistas.

Quero que todos em minha cidade tenham boas condições de moradia e vivam com dignidade, mas faço uma pergunta a alguns dos leitores aqui que vivem em São Paulo: “Já passaram na porta de um albergue? Sabem os problemas que estes lugares trazem para suas regiões? E foi exatamente por este motivo que exercemos o nosso direito constitucional de enviar petições ao Estado. De cidadãos pagadores de impostos, passamos a bandidos da pior qualidade. Fomos procurados por todos os veículos de imprensa e, em todos os lugares, tivemos nossas declarações deturpadas com o viés sempre para o lado do PROMOTOR. O único que teve sensibilidade e fez nossa defesa na mídia com brilhantismo foi o REINALDO AZEVEDO, a quem devemos muito, e a VEJA, que fez uma excelente matéria com o perfil deste jurista polêmico que é o promotor.

Sabem qual é o nosso papel na sociedade? Temos que aceitar tudo e ficar de boca fechada! O Ministério Público, definitivamente, não está do lado do cidadão. Ora, se erramos ao enviar a manifestação o nobre Promotor, deveria ter nos chamado para conversar, pelo menos nos escutar e tentar diminuir o impacto que essa mudança de endereço do albergue causaria! Os moradores de rua precisam de um lugar DIGNO SIM, mas nós já estamos aqui, já moramos aqui, temos a nossa rotina. Tudo deve ser muito bem planejado e do jeito que estava acontecendo não ia dar certo!

O albergue ainda não abriu. Há 7 meses, a Prefeitura faz reformas no imóvel. Deveria ter sido inaugurado em outubro/2011, depois em dezembro/2011, agora em Janeiro/2012 e por enquanto nada! Espero que, ao menos, toda esta manifestação tenha servido para alguma coisa: que eles abram um albergue com uma boa qualidade para essas pessoas e que não atrapalhe a rotina dos moradores da Região!

Hoje eu digo que percebi da pior forma possível que a minha função como brasileiro é ficar quieto, ou então o Ministério Público vai me calar de um jeito ou de outro!

Voltei
Pois é, meu caro leitor… Você é apenas o cidadão que paga a conta! O homem comum já pode fundar o MSMPSD: Movimento dos Sem Ministério Público e dos Sem Defensoria!

Por Reinaldo Azevedo

 

15/01/2012 às 6:33

Enem – É mentira que MEC tenha alterado apenas duas notas de redação; já são 129!!!

Se vocês querem saber o rigor com que são corrigidas as redações do Enem, então fiquem com esta informação, publicada no Estadão:

Por Paulo Saldaña:
Ao contrário do que o Ministério da Educação (MEC) afirma, não foram apenas dois estudantes que tiveram alterada a nota da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O Estado teve acesso a um documento em que o órgão que faz parte do consórcio organizador do exame elenca 129 candidatos que tiveram notas retificadas em função de “erro material”. Questionado, o MEC confirmou os casos.

A lista foi entregue à Justiça Federal de São Paulo e consta do processo em que o estudante Michael Cerqueira de Oliveira, de 17 anos, pedia vista da prova. Oliveira teve a nota alterada de “anulada” para 880 - foi o primeiro caso de mudança de nota, colocando em dúvida o sistema de correção da redação do Enem. Na semana passada, o ministério confirmou que outro estudante, desta vez de Belo Horizonte, também teve a nota corrigida.

Os nomes dos dois estudantes constam da lista a que a reportagem teve acesso. O ofício n.º 3.351/2011 é intitulado como “Nova situação de participantes do Enem/2011″. No texto, consta que o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/Unb) “informa que, em função do erro material, os participantes do Enem/ 2011 listados abaixo tiveram sua situação ou nota alterada”. Na sequência, a lista com os nomes tem três páginas e meia. O ofício é endereçado ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), braço do MEC responsável pelo exame. O documento é de 30 de dezembro de 2011, antes do primeiro caso de alteração da nota da redação vir à tona.

De acordo com o ministério, as mudanças registradas no documento não vieram depois de ação judicial, com exceção do caso do paulista Michael Cerqueira de Oliveira. Todos seriam casos simples, de problemas de registro ou falhas no scanner. Nenhum caso seria de mudança de avaliação. O MEC não explicou, no entanto, porque insistia até agora que só havia duas alterações em notas por erro.

Prejudicada. A pasta afirma que todos os citados foram comunicados por telefone sobre a correção. Não é o que diz a auxiliar administrativa Noemia Damazio, de 62 anos, de Belo Horizonte. Quando as notas do Enem foram divulgadas, ela notou que sua redação havia sido zerada. Ligou para o Fala Brasil, serviço de atendimento do MEC, e foi informada de que sua redação havia sido entregue em branco. “Como podia estar em branco? Eu me dediquei ao texto, fui uma das últimas a sair.”

A candidata diz ter ligado outras vezes para o MEC e, atendida por várias pessoas, sempre recebeu a mesma resposta: não havia o que fazer. Como a informação era de que nada mudou, Noemia sequer se inscreveu no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que reúne a oferta de vagas das instituições de ensino superior que adotam o Enem como processo seletivo. “Meu sonho é cursar Direito, e nem pude concorrer. Mas ainda vou fazer.” Como não foi avisada, Noemia não sabia, até ontem, que havia sido beneficiada. Com a correção, ficou com 420.

Dos nomes citados na relação da Cespe, pelo menos nove são de candidatos de Minas Gerais, de acordo com levantamento da reportagem. Ainda há casos em Rondônia, Ceará, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. A possibilidade de erros em mais redações já havia sido revelado pelo Estado no dia 6 de janeiro, que transcreveu informação do próprio Inep sobre erro na correção de “alguns” alunos.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/01/2012 às 6:31

Mais Enem - Vejam mais uma vítima do baguncismo do ministério de Haddad

No Estadão:
Questionamentos sobre a redação marcaram as últimas edições do Enem, mas neste ano foi a primeira vez que o MEC assumiu ter alterado notas de candidatos e dado vista a correções. Assim que estudantes começaram a ter acesso ao espelho das avaliações, surgiram situações no mínimo curiosas. É o caso da estudante carioca Bianca Peixoto Lucema, de 19 anos. O primeiro corretor atribuiu 800 pontos em uma escala que vai até 1 mil. O segundo avaliador decretou que ela havia “fugido ao tema” e deu zero. O terceiro corretor atribuiu 440, a nota final.

Apesar de Bianca ter entrado com recurso na Justiça, a nota não foi alterada. E a página de correção encaminhada pelo MEC à estudante suscitou outra dúvida. Num trecho, o texto afirma que a nota dela é 680, e não 440. O MEC alegou que foi apenas erro de digitação, mas Bianca entrou com uma nova ação. A Justiça determinou então que a nota fosse corrigida para 680, o MEC recorreu, mas a juíza manteve a decisão sobre alteração - o que ainda não foi acatado pela pasta. Desolada, ela lamenta ter perdido a vaga em Medicina. “Consegui boas médias nas outras áreas, mas por uma injustiça vou ter de estudar mais.” A redação de Bianca foi encaminhada para quatro corretores independentes convidados pelo Estado para que avaliassem o texto. Todos utilizaram a matriz de competências adotada pelos corretores do Enem, assim como a mesma escala de notas (mais informações nesta página).

As notas dadas pelos convidados variaram entre 760 e 920 pontos. Na opinião do professor Benedito Antunes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o texto merece boa nota. “A redação revela abordagem pertinente do tema, ainda que parcial, e bom domínio da língua padrão.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

15/01/2012 às 6:29

Lobby de juízes impediu CNJ de pôr fim à farra das verbas milionárias

Por Fausto Macedo, no Estadão:
O lobby de associações de magistrados e a pressão dos tribunais puseram abaixo iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de editar resolução para pôr um fim na farra de desembolsos milionários à toga. Em 2011, “pelo menos duas ou três vezes”, sem êxito, o então conselheiro Ives Gandra da Silva Martins Filho levou a plenário uma proposta para disciplinar a liberação de pagamentos de verbas acumuladas. “Eu levei a matéria a plenário e pediram para adiar, eram pedidos de associações de magistrados e de Tribunais de Justiça, alguns presidentes de tribunais me procuraram colocando suas preocupações”, relata Gandra Filho. Aos 52 anos, ele é ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) desde 1999. Por dois anos exerceu a função de conselheiro do CNJ, entre julho de 2009 e junho de 2011.

Aqui e ali magistrados se rebelam à inspeção. Alegam que os valores lhes são devidos, por férias não desfrutadas, vencimentos pagos com atraso e outras situações. Em São Paulo descobriu-se a “turma do milhão”. São desembargadores que receberam quantias superiores R$ 1 milhão.

A tentativa de criar uma rígida norma para impedir privilégios e concessão de somas extraordinárias aos juízes foi tomada no CNJ depois do escândalo envolvendo onze magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, alguns aquinhoados com R$ 1,5 milhão, em 2008, mediante suposta fraude financeira. A proposta para evitar a reedição de episódios como os de Mato Grosso foi apresentada por Gandra Filho.

Qual era a sua proposta?
Eu pedia basicamente a adoção de duas medidas. A primeira, que os pagamentos ficassem limitados às verbas não prescritas, ou seja, créditos que estivessem contidos exclusivamente em um período de até cinco anos antes da solicitação. A segunda medida previa que não fosse contemplado apenas um pequeno grupo do tribunal. Eu coloquei: não tendo dinheiro para pagar os atrasados a todos, então que se dividissem equitativamente os valores disponíveis. Que não se concentrasse toda a verba só para pagar um grupo.

Por que o sr. estabeleceu prazo prescricional de cinco anos?
Qualquer demanda que se apresente perante o Judiciário contra a União deve obedecer esse prazo. A minha proposta era para que fosse obedecido o critério da prescrição. Acho razoável, justo.

O que o fez tomar essa iniciativa?
A preocupação maior no conselho surgiu a partir do processo de Mato Grosso. Eles (desembargadores) inflacionaram a folha dos atrasados, calcularam para aumentar demais, de forma a atingir valores bem altos, e só pagaram a um grupinho ligado à presidência do TJ. Foi um processo bastante complicado.

Por quê?
A presidência do TJ de Mato Grosso era dominada por maçons, havia uma cooperativa ligada à maçonaria. Vários magistrados receberam para emprestar à loja. Esse processo foi o principal problema. Alguns ganharam R$ 1,5 milhão. Nesse processo, do qual fui o relator, eu escrevi: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. É assim: primeiro vamos cuidar do nosso.

Que sanções foram aplicadas?
O Conselho Nacional de Justiça afastou os magistrados, mas providências de âmbito civil e penal são de competência de outras esferas, como o Ministério Público. Dez juízes foram afastados, mas o Supremo Tribunal Federal devolveu-os às suas funções e cargos, sem entrar no mérito. O STF entendeu que eles (os juízes) deveriam retomar suas atividades e que fossem julgados antes pelo próprio tribunal ao qual pertencem. Nesse contexto de um caso concreto é que surgiu a imposição, a necessidade de uma providência para disciplinar os pagamentos aos magistrados.

Por que fracassou a resolução para impor regras nos pagamentos?
Pelo menos duas ou três vezes, no ano de 2011, levei a plenário a proposta, mas sem êxito. Pediram para adiar, eram pedidos de associações de magistrados e de Tribunais de Justiça. Alguns presidentes de tribunais me procuraram colocando suas preocupações.

Quais preocupações?
Eles não queriam que limitássemos em cinco anos o prazo prescricional, sob argumento central de que o problema não é gerado pelo Judiciário. Alegavam que o Judiciário tem direito à verba, mas não tem caixa para pagar porque o Executivo não repassa. Vai passando o tempo, fica o débito e eleva os valores a níveis bem altos.

O que são verbas atrasadas a que os magistrados alegam ter direito?
Basicamente vantagens pessoais e pagamentos relativos a períodos de planos econômicos, quem não recebeu se sentiu prejudicado. Alegam, por exemplo, equiparações ao Ministério Público. Ninguém pode ganhar mais que ministro do Supremo. Mas deputados estavam ganhando com os auxílios mais que os ministros. Esses auxílios foram estendidos ao Judiciário. Outro problema era a forma de cálculos aplicada pelos tribunais. Veja, não estou criticando nenhum colega. Eu propus critérios, se a resolução vai emplacar ou não eu não sei.

O sr. insistiu em levar sua proposta à votação?
Eu queria votar o mais rápido possível. Nada melhor que parâmetros claros, até para respaldar os presidentes dos tribunais que são os ordenadores de despesas. Eu coordenava a Comissão de Eficiência Operacional e de Gestão de Pessoas, um setor que trata das questões relativas aos magistrados. Por mais que tentássemos não conseguimos votar. Entidades pediam para que estudássemos melhor, apresentaram muitas sugestões.

Por que o sr. não conseguiu?
Todas as vezes em que levei a matéria e coloquei em pauta não se quis votar. Alguns conselheiros achavam que devíamos votar, outros que a matéria ainda precisava amadurecer. Eu precisei contar com o apoio da Secretaria Orçamentária. Reconheço que as ponderações em sentido contrário são razoáveis. Os tribunais alegavam que sofriam restrições do Executivo, que os governos não repassavam as verbas orçamentárias. A proposta de resolução levantou muitos pontos polêmicos, todas as vezes que levei a plenário não conseguimos aprová-la.

Sem resolução específica como ficam os pagamentos milionários?
No meu modo de ver, quanto mais demora, pior fica. Uma resolução já resolveria, depois que se faça os ajustes, a calibragem. Melhor do que ficar sem nenhuma norma. Com o vácuo legal, nem o administrador tem a segurança necessária, nem o cidadão fica tranquilo. Vai questionar se aquele valor foi pago de acordo com a lei. Se o juiz tem que julgar e tem que ser justo no seu trabalho não pode ser questionado publicamente se está recebendo privilégios.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Ao contrário do que anteviu o Estadão, quem recuou foi o MP, não a PM. Ou: Numa democracia, lei e ordem são princípios libertadores

Faça um teste, leitor. Peça a seu amigo e vizinho que proceda da mesma forma. Fora os militantes petistas, que querem usar até os pobres desgraçados do crack na sua luta político-eleitoral, tente encontrar alguém que seja contra a RETOMADA - e não a “ocupação” - da região conhecida como cracolândia. Não existe! As pessoas razoáveis, a esmagadora maioria, são favoráveis ao triunfo da lei e da ordem, que não são reacionárias. Ao contrário: NUMA DEMOCRACIA, LEI E ORDEM SÃO PRINCÍPIOS LIBERTADORES.

Sem eles, a sociedade degringola; temos a luta de todos contra todos, e, acreditem, triunfará sempre o pior. E, claro!, como vimos, membros da Defensoria Pública e do Ministério Público decidiram, infelizmente, se alinhar com a desordem e com a ilegalidade sob o pretexto de proteger os direitos humanos. Saibam, leitores: sempre que alguém decidir que existe uma contradição entre uma área e outra, vocês estão diante de mistificadores, de gente que está disposta a transgredir a lei para, supostamente, fazer justiça. E acabará provocando ainda mais injustiça, mais sofrimento, mais dissabores.

O comando da Polícia Militar se reuniu nesta sexta com representantes do Ministério Público Estadual na sede do órgão. O encontro durou cinco horas. Ao contrário do que previu reportagem do Estadão, não houve recuo nenhum do governo e da Polícia Militar. Se houve mudança de posição, foi do Ministério Público, que, certamente informado do que pensa a maioria dos paulistas e dos paulistanos, resolveu recobrar a razão.

“Não estamos mudando de estratégia. O nosso objetivo é quebrar a logística do tráfico. Até agora, 70 pessoas foram presas por tráfico de drogas, e 37 mandados de prisão, cumpridos. A partir do próximo mês, vamos instalar naquela região três bases de policiamento comunitário para que se mantenha a segurança pública no local”, disse o coronel Álvaro Camilo, comandante da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

É o certo. Prestem agora atenção a esta fala:
“Hoje tivemos dados oficiais que mostraram a verdadeira dimensão da operação. Foi decidido que a PM continuará na Cracolândia. Nunca quisemos que de lá saíssem. A justificativa é de que havia necessidade de atuação por conta dos traficantes.” A fala é de Eduardo Valério, um dos quatro promotores que assinaram a abertura de inquérito civil público para apurar eventuais transgressões legais na apuração. Nota: quem DECIDIU que a PM fica foi o governador Geraldo Alckmin, não o Ministério Público, que não tem poder para isso. Valério disse mais: “Os esclarecimentos mostraram que não foi uma operação do nada. Havia um propósito. A área da saúde nos apresentou dados interessantes”.

É mesmo, é?

Valério e seus três companheiros decidiram abrir o inquérito faz dois dias. Redigiram um libelo acusatório contra a Prefeitura, o governo do Estado e a Polícia Militar. Mais do que isso: concederam uma entrevista coletiva em que, ora vejam!, evidenciava-se a desnecessidade de qualquer investigação. Afinal de contas, assumindo a condição de juízes, já tinham a sentença condenatória.

Os quatro promotores, Valério inclusive, não dispunham dessas informações? Tenham paciência! Ele afirma: “A justificativa [do governo e da polícia] é de que havia necessidade de atuação por conta dos traficantes”. Não me diga! Ele não havia conseguido intuir isso antes?

Valério faz outra afirmação que dá o que pensar: “Ficou acertado que o Ministério Público será informado de cada passo, para evitar o que aconteceu nesta semana, quando não sabíamos de nada por não termos sido informados sobre o que estava acontecendo”. Entendi errado, ou parece que há aí a expressão, ainda que na fase de recuperação, da vaidade ferida? Pergunta óbvia: o Ministério Público foi eleito pelo povo para governar São Paulo? Tudo aquilo de que não é previamente avisado será, então, em princípio, ruim e objeto de inquérito civil? O MP do Estado deu um golpe nas constituições estadual e federal, e só agora somos avisados?

Bem-vindo ao bom senso, promotor Valério! Não serei eu a rejeitá-lo no grupo, claro!, mas sempre digo tudo, ainda que alguns tantos se aborreçam. O senhor tenta me enganar que as informações que conseguiu agora lhe foram antes sonegadas??? Dou-me o direito de não acreditar nisso! Parece-me que Ministério Público, Defensoria Pública, a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos e setores da imprensa decidiram encostar o governo do estado e a polícia contra a parede. PERDERAM! PERDERAM PORQUE A POPULAÇÃO DE SÃO PAULO NÃO QUER SER SITIADA PELO CRIME!

Há pelo menos 15 anos a polícia deste estado apanha sistematicamente das mesmas forças organizadas. No período, o número de homicídios no Estado por 100 mil habitantes caiu quase 80%. QUEM SUSTENTOU A AÇÃO DA POLÍCIA NESSE TEMPO FOI O HOMEM COMUM, O CIDADÃO PAGADOR DE IMPOSTOS, NÃO ESSES ENTES QUE, REGIAMENTE PAGOS PELOS PAULISTAS, ATUAM ABERTAMENTE CONTRA SEUS INTERESSES, FLERTANDO CONSTANTEMENTE COM O CRIME SOB O PRETEXTO DE DEFENDER OS DIREITOS HUMANOS. POUCAS COISAS SÃO TÃO HUMANAS QUANTO METER UM TRAFICANTE NA CADEIA, GRANDE OU PEQUENO!

Saibam os homens de bem - sim, eles existem! Quem recuou foi o Ministério Público, não a Polícia Militar ou o governo do Estado.

E ainda temos, sim!, um defensor como Carlos Weis. Ele agora passou a defender que se peça um habeas corpus coletivo preventivo para que a Polícia Militar, calculem!, seja impedida de prender pessoas na Cracolândia. Até as forças que fazem oposição ao governo Alckmin em São Paulo acharam que ele está exagerando.

A população de São Paulo está tendo uma aula e tanto; está aprendendo o que promotores e defensores fazem de seu estupendo salário, pagos justamente por aqueles que ficam sitiados em suas casas, cercados por viciados e traficantes. Eu ainda não entendi por que alguns que se dizem “defensores dos direitos humanos” odeiam tanto o cidadão comum, o indivíduo que trabalha, que estuda, que se esforça para ter uma vida digna e espera do estado que lhe seja garantido ao menos o direito de ir e vir.

Aliás, a defesa desse direito é o mínimo que um leitor pode esperar também da imprensa, não é, Estadão?

Texto publicado originalmente às 21h20 desta sexta

Por Reinaldo Azevedo

 

14/01/2012 às 6:09

Lula manda PT avaliar proposta de aliança com Kassab

Por Bernardo Mello Franco, na Folha:
O ex-presidente Lula determinou ontem à direção do PT em São Paulo que marque uma reunião com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e leve a sério a sua proposta de indicar o vice na chapa do pré-candidato Fernando Haddad na sucessão municipal. A aproximação constrange os vereadores petistas, que fazem dura oposição ao prefeito desde o início da sua gestão, em 2006, e temem sofrer prejuízo eleitoral em caso de uma eventual aliança.

Representantes da bancada do partido na Câmara Municipal vão se reunir hoje com o pré-candidato para discutir a oferta de Kassab. Ontem, Lula recebeu três vereadores petistas na sede do seu instituto. Segundo o presidente da entidade, Paulo Okamotto, a ordem foi para baixar as resistências a à negociação com o prefeito. “Ele disse que a direção do partido precisa conversar com o Kassab e, recebendo esta proposta, deve analisá-la”, relatou Okamotto.

O presidente do diretório municipal do PT, Antonio Donato, lembrou que o partido aprovou uma resolução no ano passado comprometendo-se a fazer uma campanha de oposição ao prefeito.  “Nós somos oposição ao Kassab. Resoluções podem ser mudadas, mas ninguém propôs isso até o momento”, afirmou Donato. “Lula relatou a conversa com o prefeito e nos deixou à vontade para tomar qualquer decisão sobre a proposta, caso ela seja formalizada.” O líder do PT na Câmara, vereador Italo Cardoso, não escondeu o desconforto com a possibilidade de subir no palanque com Kassab: “Política tem dessas coisas…”

De acordo com ele, Kassab já procurou Haddad esta semana para debater a ideia. “O candidato terá um peso muito grande na decisão”, disse. O flerte de Kassab com Lula e com o governo Dilma Rousseff já provocava debates acalorados no PT antes do anúncio de que Haddad seria o candidato, em novembro. Os vereadores querem que a campanha adote um discurso de oposição radical ao prefeito, mas a cúpula petista prega moderação para preservar as alianças com o PSD em outros municípios e Estados. ato que formalizou sua escolha, Haddad prometeu ser um candidato de oposição. “O sentimento da militância do PT, expresso em congresso, é de mudança, e não de continuidade”, disse, no dia 11 de novembro.
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Por Reinaldo Azevedo

 

14/01/2012 às 6:07

…E a França não é mais “AAA”

Na VEJA Online:
A agência de classificação Standard and Poor’s (S&P) reduziu nesta sexta-feira a nota da dívida soberana da França, a segunda maior economia da zona do euro, em um grau, de ‘AAA’ para ‘AA+’. A informação foi confirmada pelo ministro da Economia, François Baroin, em entrevista ao jornal das 20 horas (horário de Paris) do canal 2. Ele declarou que o Palácio do Eliseu recebeu a notificação nesta tarde. “É uma meia surpresa”, admitiu.

Segundo fontes da diplomacia europeia e do governo francês, que pediram anonimato, Alemanha, Holanda, Bélgica e Luxemburgo não tiveram sua classificação alterada. A S&P já havia advertido, em meados de dezembro, que poderia rebaixar rapidamente a nota de vários países europeus. Sobre a França, especificamente, a agência alertou que o rebaixamento poderia ser em dois graus a partir de seu atual “triplo A”, a máxima nota de solvência.

A redução do rating pode ainda atingir outras nações. “Outros países (que também possuem essa classificação) podem ter a mesma sorte”, disse uma das fontes ouvidas, sem precisar quais países poderiam também ser rebaixados.

Para ministro francês, nada mudará
Ao canal 2, o ministro afirmou que a queda da nota francesa não foi uma catástrofe. Baroin frisou que o país está na direção certa para deter os impactos da crise e criticou a avaliação da agência de classificação de risco. “Não são as agências que fazem a política da França”, disse. Ele acrescentou que o governo francês não pretende anunciar um terceiro plano de austeridade fiscal.

Baroin também falou sobre a extensão da crise da dívida na zona do euro, que, segundo ele, é consequência das crises financeiras de 2008 e 2009. “Para salvar a economia mundial, há três anos, os estados colocaram em suas costas todo o fardo do déficit”, disse o ministro. Ele também afirmou não acreditar que a França reagiu tarde demais ante os indícios de uma crise generalizada - e disse que o país continuará colocando em prática as medidas de contenção de gastos já adotadas.

Oposição
Na tarde desta sexta-feira, políticos de oposição ao presidente Nicolas Sarkozy, como François Bayrou, Hervé Morin e Dominique Villepin, atacaram diretamente a política governamental da França. O ministro Baroin criticou essa resposta e retirou a responsabilidade de Sarkozy. “A questão da dívida é um problema europeu. A resposta vai ser europeia”, disse.

Fundo Europeu em risco
A agência de classificação de risco não comentou a redução da nota francesa. Segundo especialistas, a mudança da nota francesa pode ter um efeito dominó na zona do euro e afetar, inclusive, seu mecanismo de resgate, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), cujo triplo A é sustentado pela nota de seis países da união monetária: Alemanha, Áustria, Finlândia, França, Luxemburgo e Holanda. Em dezembro de 2011, a S&P já havia sinalizado que poderia rebaixar a nota do próprio fundo em até dois graus.

Euro desaba
O euro acelerou sua queda ante o dólar, chegando ao seu valor mínimo em 16 meses. Às 15h24 GMT (13h24 de Brasília), a moeda única europeia recuou para 1,2624 dólar, sua mínima desde agosto de 2010, contra 1,2816 dólar na quinta-feira às 22 horas GMT (20 horas de Brasília). Em meados de dezembro, a agência Moody’s reduziu em dois níveis a nota da dívida da Bélgica, para “Aa3″, sendo que o país manteve sua classificação “AA” pela Standard and Poor’s e “AA+” pela Fitch.

Por Reinaldo Azevedo

 

14/01/2012 às 6:05

Standard & Poor’s rebaixa notas de nove países europeus

Na VEJA Online:
A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou, nesta sexta-feira, os ratings de longo prazo das dívidas soberanas de nove países da União Europeia. A decisão foi anunciada em comunicado da agência enviado aos mercados e à imprensa internacional. Chipre, Itália, Portugal e Espanha tiveram suas notas reduzidas em dois graus - a avaliação da dívida portuguesa atingiu, inclusive, a categoria apelidada de ‘lixo’.

Foram cortadas em um grau as notas de Malta, Eslováquia, Eslovênia, Áustria e França - estes dois últimos países perderam o chamado ‘triplo A’, que é a melhor nota de solvência que existe. A S&P manteve os ratings de longo prazo da Bélgica, Estônia, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo e Holanda - mas os manteve em perspectiva negativa. O restante dos países saiu da zona de observação, onde estavam desde 5 de dezembro do ano passado.

O que esperar
A agência disse ainda que alguns países que foram rebaixados podem ter suas notas reduzidas mais uma vez em 2012 ou 2013. “Em nossa visão, as iniciativas tomadas pelos líderes europeus nas últimas semanas podem ser insuficientes para acabar completamente com o stress sistêmico na zona do euro”, apontou a S&P.

Reação
O Eurogrupo - que congrega os ministros das Finanças da zona do euro - reafirmou nesta sexta-feira sua firme determinação de fazer tudo o que for necessário para superar a crise da dívida, garantir finanças públicas sólidas e voltar ao caminho do crescimento e da criação de empregos.

Por Reinaldo Azevedo

 

14/01/2012 às 6:03

Reservatórios contra a seca estão abandonados em PE

Por Breno Costa e Andreza Matais, naFolha:
Reservatórios de água destinados a famílias que sofrem com a seca em Pernambuco estão abandonados em um terreno da estatal Codesvaf, em Petrolina (PE), base eleitoral do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho.A Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba) é vinculada ao Ministério da Integração. Os reservatórios, comprados dentro do programa Água para Todos, fazem parte das ações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), vitrine dos governos Lula e Dilma Rousseff.

Os 79 reservatórios que estão abandonados foram comprados em 2008, na gestão do então ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), e custaram R$ 403 mil. Eles têm capacidade para 5.000 litros de água. Nesse período, a família do ministro já exercia forte influência na Codevasf. Seu irmão, Clementino Coelho, ocupava o cargo de diretor na estatal. O então superintendente da companhia em Petrolina, Luis Frota, foi indicado pelo filho do ministro, o deputado federal Fernando Coelho (PSB-PE). Frota continua no cargo até hoje.

PROGRAMA
Os reservatórios abandonados fazem parte de um lote maior, de 205 peças compradas por R$ 1,3 milhão para serem instalados nas regiões de Petrolina e Montes Claros (MG). Destes, 97 foram destinados a Petrolina, mas apenas 18 foram instalados. Cinco meses depois da entrega, entre maio e junho daquele ano, a estatal contratou a empresa Poço Líder para, por R$ 1,1 milhão, realizar a instalação
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Por Reinaldo Azevedo

 

14/01/2012 às 6:01

Freio no CNJ é obstáculo para investigar indícios da venda de sentenças no País

Por Felipe Recondo, no Estadão:
Integrantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) temem que a barreira imposta dentro do próprio Judiciário - via liminares do Supremo Tribunal Federal - para a continuidade de investigações nos tribunais impeça a comprovação de indícios de venda de sentenças e enriquecimento ilícito de magistrados e servidores, no radar da Corregedoria Nacional de Justiça.

Conforme relatos de membros da Corregedoria ao Estado, o CNJ partiu para a série de inspeções em 22 tribunais, que começou pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, munido de denúncias de que magistrados teriam patrimônio incompatível com seus rendimentos, o que leva à suspeita de que estariam negociando sentenças.

A proibição de acesso aos dados da evolução patrimonial de magistrados e servidores e à folha de pagamento dos tribunais, imposta pelo STF, praticamente torna sem efeito o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que mesmo sem revelar a identidade de servidores ou magistrados, mostrou que R$ 855,7 milhões foram movimentados entre 2000 e 2010 de forma suspeita. As denúncias que chegaram ao CNJ, as investigações em curso e os alvos nessas inspeções aos tribunais são sigilosos e não são revelados.
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Por Reinaldo Azevedo

 

14/01/2012 às 5:59

OAB-RJ pede nome de quem movimentou R$ 282 milhões

Por Cássio Bueno, Flávio Freire e Marcello Ribeiro, no Globo:
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio (OAB-RJ), Wadih Damous, encaminhou nesta sexta-feira um ofício à presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Rio, Maria de Lourdes Sallaberry, pedindo explicações e a identificação do responsável por ter feito 16 movimentações financeiras no órgão, em 2002, totalizando R$ 282,9 milhões. No documento, Damous quer saber também a origem dos recursos. Esta operação foi considerada atípica pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) junto a outras de 369 juízes e servidores de tribunais no país, que somaram R$ 855,7 milhões entre 2000 e 2010. “Esses juízes e os servidores estão identificados. Já se sabe os nomes e o quanto movimentaram de dinheiro. No caso do TRT, é um absurdo. Precisamos identificar essa pessoa. É dinheiro público”, afirmou Damous.

O presidente da OAB-RJ lembrou que foi exatamente em 2002 o incêndio no prédio do TRT, que destruiu dois andares e cerca de 11 mil processos. À época, peritos da Polícia Federal e do Corpo de Bombeiros concluíram que o ato foi criminoso. “Pode ser coincidência ou não. Mas os advogados do Rio não querem mais um Lalau”, disse Damous, referindo-se ao ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, principal acusado de desviar recursos da construção do prédio do TRT de São Paulo.

Maria de Lourdes está de férias. Segundo a assessoria de imprensa do TRT-RJ, a presidente antecipou o retorno para a próxima segunda-feira, quando se pronunciará sobre o assunto. Dados do Coaf mostram ainda a movimentação de R$ 274 milhões em espécie, entre 2003 e 2010, feita por 1.016 integrantes do Judiciário. Os dados foram enviados no ano passado à corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon. A solicitação das informações, porém, foi feita em julho de 2009 pelo ministro Gilson Dipp, antecessor de Eliana no cargo.
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Por Reinaldo Azevedo

 

14/01/2012 às 5:57

TJ-SP identifica novo pagamento milionário

Por Fausto Macedo, no Estadão:
Mais um pagamento milionário a magistrado foi identificado no Tribunal de Justiça de São Paulo, maior corte do País. A informação foi divulgada pela presidência do TJ. Não foi revelado o nome do contemplado, que recebeu cerca de R$ 400 mil. É o quinto caso dessa natureza localizado desde que a corte se viu acuada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“São cinco casos mais graves”, declarou o desembargador Ivan Sartori, presidente do TJ paulista, referindo-se aos expedientes que deram amparo à liberação de dinheiro a título de créditos acumulados.

Em dois outros casos, anunciados há duas semanas, dois desembargadores receberam mais de R$ 1 milhão cada, entre eles o desembargador Roberto Bellocchi, ex-presidente do TJ. “Tivemos alguns créditos anômalos de antecipação de direitos, inclusive férias, que foram pagos parceladamente.”

Esses procedimentos relativos a desembolsos de R$ 400 mil a 5 beneficiários foram submetidos na quinta-feira ao Conselho Superior da Magistratura, colegiado que reúne o presidente da corte, o vice, o corregedor-geral e os presidentes de seções.
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Por Reinaldo Azevedo

 

14/01/2012 às 5:55

Tensão no Golfo faz Obama tentar contato direto com líder máximo do Irã

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
O presidente Barack Obama, por meio de um canal secreto de diálogo, advertiu o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que os EUA não tolerarão o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo comercializado no mercado internacional.

A informação, publicada na edição do New York Times de ontem, não foi confirmada oficialmente por autoridades em Washington e Teerã. Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado, disse, antes da publicação da reportagem, que houve contato direto com os iranianos na questão que envolveu os supostos planos de Teerã para assassinar o embaixador saudita em Washington. Ela não comentou, porém, a questão de Ormuz.

A advertência de Obama demonstra o quanto as ameaças iranianas são consideradas graves por Washington. Assim como o presidente, comandantes militares americanos disseram que o eventual fechamento de Ormuz ultrapassaria os limites do que seria aceitável pelos EUA.

Nas últimas semanas, Teerã tem feito repetidas ameaças de que poderia interromper o tráfego no estreito que separa o Golfo Pérsico do Oceano Índico, caso os EUA e seus aliados europeus sigam com a campanha para um embargo internacional ao petróleo iraniano, além de sanções a companhias que façam negócios com o Banco Central do Irã. O objetivo do Ocidente é frear o programa nuclear do Irã.

Segundo a consultoria de risco político Exclusive Analysis, em relatório enviado ao Estado ontem, “nos próximos meses, espera-se que o Irã continue ameaçando fechar o estreito, provocando alta no preço do petróleo. Essa, porém, é uma carta que o Irã não deve usar a não ser que seja alvo de uma campanha militar liderada pelos EUA e considere que a sobrevivência da república islâmica esteja em risco. O fechamento, neste momento, precipitaria uma ação americana e os iranianos seriam derrotados em semanas”.
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Por Reinaldo Azevedo

 

13/01/2012 às 18:59

Por que o Estadão decidiu liderar a cruzada contra a ação da PM na Cracolândia? Não sei! Mas que, ao menos, o faça com os fatos!

Por que o Estadão decidiu liderar uma espécie de cruzada contra a ação da Polícia Militar na Cracolândia? Não sei! O fato é que a coisa está em curso. Agora, fico com a impressão de que tudo tem de dar errado para que a opção editorial se justifique, mesmo quando dá certo. O jornal já escreveu um editorial confuso a respeito, o que é uma pena - aquela é uma página que costuma ter idéias claras, mesmo quando se discorda delas. A tese de fundo, se pode ser resumida, é a seguinte: até que não haja as condições ideais para a polícia agir, nada pode ser feito. Imaginem se a tese valesse para todos os casos. O Brasil seria o único país do mundo sem polícia repressiva; ela seria sempre preventiva. Esse debate renderia especulações interessantes: um país que precisasse apenas de polícia preventiva seria certamente uma tirania; basta pensar um pouquinho para descobrir por quê. Mas não vou especular sobre motivações. O jornal tem o direito de fazer as suas escolhas, desde que não distorça os fatos.

O Estadão chegou a noticiar em manchete que o governo federal teria pronto um plano para interferir na cracolândia. Até mesmo as funções da Polícia Militar estariam devidamente especificadas. Engraçado! Geraldo Alckmin, governador do Estado, nunca teve acesso à proposta, tampouco a Secretaria de Justiça, a de Segurança ou a Prefeitura de São Paulo. A razão é simples: o governo federal confessou depois que, de fato, não tem plano nenhum. Aquilo só existiu, infelizmente, numa reportagem de Bruno Paes Manso - a menos que a Secretaria Nacional de Direitos Humanos tenha decidido contar seu plano primeiro ao repórter e só depois a Alckmin… Seria um furo e tanto - se existisse…

Volta à carga
Hoje, Manso, em parceria com William Cardoso, volta à carga. Reitero: cada um faça a abordagem que bem entender e pense sobre o fato o que achar melhor. Veículos de comunicação têm o direito, e até o dever, de ter uma linha editorial. A do Estadão, em muitos temas, também é a minha. MAS OS FATOS SÃO OS FATOS SÃO OS FATOS. Seguem Manso e Cardoso em vermelho; comento em azul.

O desgaste da Polícia Militar nos dez primeiros dias de operação na cracolândia levou o comando da corporação a mudar a estratégia de ação na região. Como resultado, mais de 200 consumidores voltaram no fim da tarde de ontem a se aglomerar na Rua Helvétia, a 50 metros do local que concentrava usuários antes do começo da operação. Dezenas fumavam crack ao ar livre. O comandante-geral da PM, coronel Álvaro Batista Camilo, disse que, ao contrário do que vinha ocorrendo nos primeiros dias de operação, ontem a ordem era não intervir nos aglomerados, mesmo quando estivessem bloqueando a rua.
Infelizmente, a narrativa dos dois jornalistas resolveu jogar o lead no pé, e o que vai relatado acima não corresponde aos fatos. Houve, sim, um aglomerado de viciados na cracolândia, mas tinham sido reunidos por defensores públicos, que resolveram distribuir panfletos listando os “direitos” dos viciados, organizando uma espécie de resistência à ação da polícia. Essa era a notícia. Nunca antes na história do Brasil se viu algo assim. Só por isso os viciados estavam por ali. Não havia mudança de estratégia da polícia coisa nenhuma.
Mais: Manso e Cardoso ou o Estadão - ou todos eles - parecem achar “desgastante” tudo aquilo de que não gostam. Não há desgaste nenhum! Perguntem a qualquer pessoa da rua se ela é contra ou a favor a operação na cracolândia. As ruas até podem estar erradas, mas são elas que decidem o “desgaste” de uma determinada política.

Segundo ele, como as ruas da cracolândia são estreitas e de pouco movimento, não há necessidade de intervenção urgente. “Ali é diferente das Marginais, por exemplo, onde a polícia não pode deixar de atuar se fecharem o trânsito.”
Camilo disse que o plano a partir de agora é conversar e explicar aos usuários que eles não devem impedir o trânsito. Policiais foram orientados a só agir para impedir a ação daqueles que estiverem consumindo drogas em público e prender quem estiver traficando. “São pessoas que estão fragilizadas, que têm o direito de permanecer na rua se não estiverem cometendo nenhum tipo de crime”, disse o comandante-geral.

É mais uma peça do jornalismo que merece uma investigação acadêmica. Vamos ver. A operação sempre pretendeu, olhem que estupendo!, impedir o bloqueio das ruas, inibir o consumo aberto de drogas e prender traficantes. E isso está sendo feito, como todos sabem. Os números o comprovam. Manso e Cardoso, no entanto, dizem que houve uma mudança de estratégia. Ah, é? Qual? A polícia, agora, impede o bloqueio das ruas, inibe o consumo e prende traficantes. Ah, bom!!! Há um esforço brutal para caracterizar o insucesso de uma operação que não está dado pelos fatos.

A tolerância da PM com os aglomerados acabou desinibindo o consumo. Com dezenas de pessoas consumindo crack, sem o apoio do Policiamento de Choque e sem autorização para dar tiros borracha e usar bombas de efeito moral, não havia policial que se arriscasse a entrar no meio dos dependentes à noite para fazer cessar o consumo. “Sabe como eu me senti quando vim trabalhar? Algemada”, afirmou uma policial ao Estado, reclamando dos limites impostos pelo comando.
Isso aconteceu, sim! E se deu justamente no período em que os defensores públicos lideraram “a resistência” à polícia, conforme informei aqui ontem, em primeira mão.  Manso e Cardoso têm certa razão: com a PM impedida de fazer um trabalho mais firme de repressão, é claro que os consumidores se sentem mais à vontade, o que é bom para os traficantes. Sempre que, numa democracia, a polícia encontra limites para fazer seu trabalho LEGAL, quem ganha é o crime. De todo modo, não havia mudança de estratégia nenhuma. Os defensores decidiram liderar o fechamento da rua Helvétia, até que o governador Alckmin avisou: MANDARIA DESOBSTRUIR E PRONTO! Aí eles recuaram.

O agrupamento começou a crescer já por volta das 17 horas. E, pelo menos até a meia-noite, os viciados ainda não haviam sido incomodados pelos policiais. Nesse horário, era possível ver dezenas de brasas de cachimbo queimando em plena rua. E até o chamado “samba da pedra” - roda de pagode de usuários do local - já havia voltado às Ruas Dino Bueno e Barão de Piracicaba. Ao passar pelo local, um morador do bairro comentou em voz alta: “É a vitória dos noias”. Policiais assistiam a tudo de braços cruzados.
Vejam que espetáculo! Manso e o Estadão, críticos contumazes da operação, caracterizam, neste parágrafo, a polícia como omissa e derrotada.

Estado acompanhou a reclamação feita por um motorista de táxi aos policiais de uma viatura estacionada na Rua Dino Bueno. Ele avisava que às 20 horas os consumidores de crack já haviam bloqueado a Rua Helvétia. Duas mulheres e um homem da PM ouviram a reclamação e nada fizeram.
Nas grades da antiga rodoviária, barraquinhas de lona voltaram a ser formadas para abrigar os dependentes de drogas da fina garoa que caía na noite de ontem. O clima era de festa e alguns “noias” passavam gritando, como se celebrassem o retorno ao local.

Reitero: essa manifestação ainda era parte do circo armado pelos doutores da Defensoria.

Segundo os PMs que estavam na região, era importante evitar que os dependentes voltassem aos antigos esconderijos na Dino Bueno. Já na Barão de Piracicaba, 50 metros adiante, a ordem era não intervir. “Se você me disser que há alguém fumando e fizer essa denúncia, eu vou lá e prendo”, disse um sargento da PM quando a reportagem perguntou por que eles não estavam abordando os usuários.
Sempre destacando que repórteres e jornal já se manifestaram contra a ação da polícia, que fique claro!

Motivos
Autoridades culpavam principalmente os defensores públicos pela dificuldade de atuar na cracolândia. O secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, por exemplo, reclamou que grupos de defensores públicos passaram o dia incentivando consumidores de crack a permanecer no local. “Alguns são meus amigos, mas eles estão exagerando e dificultando o trabalho da PM”, criticou.
Já Camilo afirmou que no começo da tarde foi informado por policiais de que um grupo de quatro a cinco defensores havia se reunido na Helvétia para conversar com usuários de drogas. E até uma barraquinha teria sido montada para atendê-los, o que a Defensoria nega. Essa conversa com os defensores, segundo o comandante-geral da PM, pode ter sido o motivo do grande reagrupamento de viciados na rua.

Aqui serei um pouquinho mais duro: “Pode ter sido” uma ova! Foi!!! Defensores, liderados por Carlos Weis, estavam lá. Uma barraquinha “não teria sido montada” coisa nenhuma! Foi montada!!! Está tudo devidamente documentado. Lamento: o texto dos repórteres parece uma foto retocada! Repórteres e jornal têm todo o direito de achar que a operação é desastrada. Mas não têm o direito de tratar o fato como boato (a resistência dos defensores e a armação da barraca) e o boato como fato (o inexistente plano do governo federal).

A defensora pública Daniela Skromov, do Núcleo de Direitos Humanos da entidade, afirmou que defensores realmente “dialogaram” com usuários de droga. E explicaram a eles sobre direitos, incluindo o de ir e vir. Policiais também foram procurados para ouvir as mesmas explicações. “Conversamos sobre direitos. Não estamos estimulando ninguém a ficar lá”, disse ela.
Infelizmente, doutora, não é verdade! Se o seu objetivo é outro, então é o caso de conciliar intenção e gesto. Os panfletos distribuídos aos viciados são uma espécie de minimanual de resistência à polícia. Lendo-os, resta evidente a sugestão de que a polícia é uma potencial criminosa, e os viciados, apenas vítimas. O fato de o porte de droga para consumo não ser exatamente um crime não implica que o consumo esteja liberado

Hoje, a pressão sobre a atuação da PM na cracolândia deve continuar. Camilo vai ao Ministério Público conversar com os promotores que na terça-feira abriram inquérito para justamente investigar a operação policial na região.
Depois que os defensores desistiram da “resistência”, os grupos se desfizeram, embora existam sinais de que há pessoas -  é preciso identificar quem são esses agentes -  estimulando a “reocupação” da cracolândia por, como chamarei?, supostos viciados, que já articulam um discurso político. A polícia identificou a presença de um novo público tentando tomar conta da área. Estes seriam, deixem-me procurar as palavras, usuários de drogas conscientes!

Os traficantes aguardam ansiosamente para saber quem vai vencer a parada: a PM ou a Defensoria Pública. Adivinhem para quem eles estão torcendo.

Por Reinaldo Azevedo

 

13/01/2012 às 17:53

A “coitadinha” da cracolândia tinha 16 mil pedras de crack, uma pistola 380, 3,6 kg de cocaína, 3 kg de maconha e outras porcarias…

Vamos voltar à cracolândia, onde a Defensoria Pública escreve certamente as páginas mais abjetas de sua história. Informei ontem à noite que uma das principais traficantes que operam na área tinha sido presa com 12 mil pedras de crack. Era bem mais do que isso: 16 mil. Para se ter uma idéia do flagelo, é a quantidade, estima-se, que se consumia por lá em um único dia!

Jéssica Helena Martins Silva, de 25 anos, está longe de ser aquela coitadinha do proselitismo vigarista de alguns. Com ela, foram encontrados ainda uma pistola calibre 380,  3,6 quilos de cocaína, 3 quilos de maconha e 5 quilos de outras substâncias, até cafeína, utilizadas na preparação do crack.

Jéssica foi presa em seu carro, um Fiat Siena, em frente à sua casa, na Travessa Araçá de Coroa, na Vila Leme, região da Água Rasa, Zona Leste de São Paulo. Para não despertar suspeitas, ela sempre levava para o “trabalho”  - o seu “direito de ir e vir”, entenderam? - a filha de apenas um ano. Até o começo da manhã de hoje, a operação da PM na cracolândia já havia prendido 70 pessoas; 37 eram foragidas da Justiça.

Entenderam o ponto? Recuperar aquele território significa levar o estado a uma área que abriga bem mais do que desgraçados pelo vício: bandidos condenados se escondem entre os andrajos humanos e contribuem para manter sitiados os moradores da região central.

Por Reinaldo Azevedo

 

13/01/2012 às 16:55

Uma boa candidata para o PSDB em 2014: Dilma!

No post abaixo, comento as, por assim dizer, relações entre PSDB, ou parte dele, e o PT - ou parte dele. O Globo de ontem trouxe informações significativas. Alberto Goldman, ex-vice-governador de São Paulo e vice-presidente do PSDB, escreveu um texto de análise sobre o governo Dilma para ser assinado pelo partido. A análise passou por uma cirurgia plástica quando submetida à direção nacional, comandada por Sérgio Guerra, sob a supervisão da ala mineira.

Goldman havia classificado o governo Dilma de “medíocre, amorfo e insípido”. Os adjetivos foram vetados. É um sinal de que os tucanos - os que mudaram o texto ao menos - discordam. Acham que o governo Dilma não é medíocre, amorfo ou insípido.

O vice-presidente do PSDB se referiu à gestão da presidente como “nono ano do governo Lula”, numa crítica à sua, segundo ele, falta de identidade política. Nem pensar! Os que mudaram o texto discordaram e devem achar, pois, que a presidente tem, sim, sua própria marca, daí porque rejeitaram também a caracterização, para Dilma, de “fantoche”. Goldman lembrou as palavras da própria petista, segundo quem Palocci, por exemplo, deixou o governo porque quis, e a classificou de “tolerante com a corrupção”. Isso também não passou.

Goldman fez o elenco de insucessos do governo, chamando-os de “constrangedora sucessão de fracassos”. De jeito nenhum! Depois de submetido à linguagem tucanamente correta, o texto identificou  apenas “sérios problemas em diversas áreas”.

Excelente!

Vejam bem: todo mundo tem o direito de achar o que bem entender do governo Dilma, inclusive o PSDB, principal partido de oposição - por enquanto ao menos. O texto de Goldman pode ter sido reescrito ou porque os tucanos realmente não compartilham daquela visão crítica ou porque, o que é até mais provável, acham que é besteira ser duro com um governo popular, ainda que discorde dele.

Eis um problema interessante: se a oposição, mesmo discordando, não discorda nem quando discorda, quem haverá de fazê-lo? Em tese, não será a situação, né? O Brasil, no entanto, é tão, vamos dizer, esquisito, que o PMDB acaba criando mais dificuldades ao governo do que o próprio PSDB… Era assim na gestão Lula.

Depois de tantos cuidados, os tucanos deveriam considerar seriamente a hipótese de uma coligação com Dilma em 2014. O duro vai ser convencer o PT. Se não lhe for permitido malhar o Judas bicudo e de vôo pesado, sobra o quê?

Por Reinaldo Azevedo

 

13/01/2012 às 15:23

Ai, ai, lá vem aquela conversa de sofá entre PSDB e PT de Minas…

Tudo vai se desenhando para que PSDB e PT continuem amorosamente embolados em Belo Horizonte. Quem dá a liga é Márcio Lacerda, o prefeito do PSB, que concorre à reeleição. Segundo aquela metafísica em que alguns mineiros ainda insistem, oposição é coisa de gente atrasada. Uma parte considerável do PT, o comando, aposta que, estando enlaçado com os tucanos em Minas, diminui o teor de oposicionismo do PSDB, o que é verdade. O PSDB, por sua vez, afirma que, em Minas, conseguiu neutralizar o PT. É aquela situação surrealista em que duas pessoas estabelecem uma parceria para, supostamente, uma anular a outra. O dado engraçado é que ambas cantam vitória.  Quem está certo? Se não me engano, o PT caminha para 12 anos de poder na esfera federal, com chances estupendas de ficar pelo menos 16 e possibilidade razoável de que, com uma oposição como a que temos, não saia de lá nunca mais. Afinal, oposição é coisa de gente atrasada! Se e quando Aécio Neves for o candidato à Presidência da República pelo PSDB em 2014, será interessante indagar por que o PT é um bom parceiro para governar Belo Horizonte, mas ruim para continuar governando o Brasil. Segue texto do Estadão Online.
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PT pró-Lacerda prepara ato em Belo Horizonte

Por Marcelo Portela:
A ala do PT mineiro favorável a uma coligação com o PSDB em torno da reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), conseguiu uma vitória em cima dos correligionários que defendem a candidatura própria para disputar as eleições de outubro. O grupo pró-Lacerda marcou ato na sede municipal do partido nesta sexta-feira, 13, para apresentar as assinaturas necessárias para que a proposta de apoio ao socialista seja apresentada aos filiados.

A apresentação das assinaturas ocorre dois dias antes do prazo final para a apresentação de propostas para o pleito de outubro, definido pela direção nacional petista em 15 de janeiro para as capitais e cidades acima de 150 mil habitantes. No caso de Belo Horizonte, eram necessárias ao menos 15 assinaturas de integrantes da Executiva local para que a tese seja votada pelos integrantes do partido em 3 de março.

O aval para a apresentação da proposta de apoio é uma vitória sobre o grupo liderado pelo vice-prefeito Roberto Carvalho (PT), que defende candidatura própria e alianças apenas com partidos da base da presidente Dilma Rousseff, sem participação do PSDB, DEM ou PPS. O grupo chegou a fazer um abaixo-assinado que, segundo Carvalho, já tem mais de 2,5 mil assinaturas de filiados, integrantes de movimentos sociais e simpatizantes.

O vice-prefeito, porém, não considera ter sido derrotado e afirmou ser favorável aos debates que vão ocorrer até que as propostas sejam votadas. “Estou impressionado com a adesão maciça (ao abaixo-assinado), apesar da pressão que estão fazendo”, disse Carvalho, que garante não ter participação direta na iniciativa. “Mas o debate tem que ocorrer mesmo. A discussão é válida”, acrescentou Carvalho, que se disse confiante na vitória da proposta de candidatura própria em março.

A aliança em torno de Lacerda é defendida pela direção estadual do PT, com apoio da presidente Dilma, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. O presidente do diretório mineiro do PT, deputado federal Reginaldo Lopes, ressaltou ainda que a coligação “tem mais força política do que em 2008″. Na ocasião, Pimentel e o então governador Aécio Neves (PSDB) foram os principais articuladores da aliança, que foi rejeitada pelo grupo petista ligado ao ex-ministro Patrus Ananias. “Não conseguimos juntar tanto apoio quanto agora. Até o Patrus é favorável”, disse Lopes.

Por Reinaldo Azevedo

 

13/01/2012 às 14:57

Primos de Bezerra receberam R$ 1 milhão por terreno

Na VEJA Online:
A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), ligada ao Ministério da Integração Nacional, pagou 1 milhão de reais pela desapropriação de terras que pertenciam a primos do ministro Fernando Bezerra Coelho, informa reportagem publicada na edição desta sexta-feira do jornal O Estado de S.Paulo.

Os três pagamentos pela compra dos terrenos no interior da Bahia foram feitos em abril de 2011, quando o presidente interino da Codevasf era Clementino de Souza Coelho, irmão do ministro. Coelho foi exonerado do cargo nessa semana, após a denúncia de nepotismo ter vindo à tona. As terras pertenciam a primos de primeiro grau do ministro. Nilo Augusto Moraes Coelho e Silvio Roberto de Moraes Coelho receberam, cada um, 233.619,16 de reais. A empresa Imobiliária de Terrenos Rurais e Urbanos Ltda. (Itrul), que pertence a outros primos do ministro, foi remunerada, com 506.174,86 reais.

Os pagamentos pela desapropriação dos terrenos ocorreram três meses depois de Clementino de Souza Coelho assumir a presidência do órgão interinamente, em janeiro do ano passado. A companhia é subordinada ao Ministério da Integração Nacional, pasta assumida por Fernando Bezerra também em janeiro, após indicação do governador Eduardo Campos (PSB-PE).

De acordo com a Codevasf, os terrenos serão usados para a implementação de um programa de agricultura irrigável no Baixio de Irecê, no Vale do Médio São Francisco. O projeto prevê a irrigação de uma área de 59.375 hectares. Além dos familiares do ministro, há outros beneficiários da desapropriação.

Nilo Bezerra afirmou que sua família adquiriu parte das terras há mais de trinta anos e que falta receber uma parte do pagamento pela desapropriação. Ele argumentou ainda que a decisão do pagamento pelo terreno foi judicial. “Quem mandou pagar não foi o Clementino. Foi um juiz federal de Feira de Santana.”   O outro primo, Rafael de Souza Coelho, representante da Itrul, disse que a desapropriação prejudicou a família, que teve de questionar os valores na Justiça. Ele afirmou ainda não ter proximidade com o ministro nem com o ex-presidente interino da Codevasf.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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