Marina e a pulsação do planeta no Fórum social

Publicado em 30/01/2012 07:56 e atualizado em 26/07/2013 17:18 1351 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

(Por Bernardo Mello Franco, na Folha): 

A ex-presidenciável Marina Silva usou o Fórum Social em Porto Alegre para tentar romper o isolamento, se contrapor ao governo Dilma Rousseff e buscar apoio para uma nova candidatura ao Planalto em 2014. Em ritmo de campanha, participou de sete debates e divulgou seu movimento “Nova Política”, embrião do partido que, segundo aliados, pretende fundar para disputar a Presidência de novo. Nas falas, fez várias referências aos “quase 20 milhões de votos” que recebeu em 2010, pelo PV.

A ex-senadora admitiu, na sexta-feira, a intenção de concorrer em nome do lema da sustentabilidade. “Se para ele continuar sendo relevante for necessário sair em 2014, eu peço a Deus que me dê coragem para fazer de novo, porque não é fácil enfrentar uma batalha como essa”, afirmou. Ela pediu que os movimentos sociais pressionem Dilma a vetar as mudanças no Código Florestal e criticou o governo ao cobrar propostas para a Rio+20. “O Brasil precisa definir qual é a sua posição.” Sem partido e sem mandato, Marina teve ajuda do empresário Oded Grajew, um dos organizadores do fórum, que participou de ao menos três debates ao seu lado.

PULSAÇÃO DO PLANETA
Em meio a ambientalistas, hippies e outras tribos, a ex-senadora passou por momentos de constrangimento. Uma das palestras terminou com um pedido da mediadora para que a plateia fizesse silêncio e fechasse os olhos para sentir a “pulsação do planeta”. Marina manteve os olhos abertos. Em fevereiro, ela viajará pelo Nordeste para fundar novos núcleos de seu movimento com a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL).

Por Reinaldo Azevedo

 

Do capítulo “aulas de bom e de mau jornalismos” - Polícia Militar do PT deixa mais uma pessoa cega de um olho, agora uma cozinheira da Bahia

Vejam esta foto.

cozinheira-cega

Essa mulher estava num show do Olodum, no Pelourinho, em Salvador, no dia 22. Houve lá uma confusão, a Polícia Militar interveio, ela foi agredida por policiais e ficou cega do olho esquerdo. A Bahia é governada pelo figurão petista Jaques Wagner.

Agora vejam lá o meu título. É claro que estou forçando a barra. Estou imitando o mau jornalismo que os petistas fariam se isso tivesse acontecido em São Paulo.

Até agora, Maria do Rosário não falou nada!
Até agora, Gilberto Carvalho não falou nada!
Até agora, Dilma Rousseff não falou nada.

O tal Paulo Maldos e seu anel de tucum também vão ficar fora dessa história.

Em menos de um mês, é a segunda vez que a Polícia Militar sob o comando de progressistas deixa uma pessoa cega. A outra vítima é o estudante Hudson Silva, da Universidade Federal do Piauí, num protesto contra a elevação da tarifa dos ônibus em Teresina. O estado é governador pelo PSB e pelo PT.

estudante-cego1

Também no caso de Hudson, Maria do Rosário havia se calado.
Também no caso de Hudson, Gilberto Carvalho havia se calado.
Também no caso de Hudson, Dilma Rousseff havia se calado.

Não conheço as circunstâncias de uma ocorrência e de outra. Lamento as conseqüências. Mas é preciso responsabilidade.

O que eu sei?
Fosse em São Paulo, as duas ocorrências seriam destaque em todos os telejornais. Como se deram em estados governados por companheiros, não se diz uma vírgula.

Fosse em São Paulo, Fábio Konder Comparato, Márcio Sotello Felippe e Sérgio Salomão Shecaira já teriam redigido uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Não é a defesa dos direitos humanos que torna toda essa gente asquerosa, mas a defesa seletiva. Vai ver que os cegados pelas polícias dos “companheiros” o foram por bons motivos.

Imaginem uma ocorrência como essa no Pinheirinho… Graças a Deus, não aconteceu!

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 20:46

A uma estudante bravinha do PSTU: “Go into the light, Arielli! There is peace and serenity in the Light”

Ah, já que eles querem mais publicidade, podem contar comigo. Eu adoro expor os seus métodos! Revejam esta foto. É aquela moça que decidiu “argumentar” com Andrea Matarazzo, secretário da Cultura do estado de São Paulo e um dos pré-candidatos tucanos à Prefeitura da Capital, na inauguração da nova sede do MAC-USP.

miitante-descontrolada1 

Cheguei a pensar, como escrevi num post, tratar-se de outra estudante, que havia feito uma convocação para o protesto. Mas fiz a correção, a saber:
“A convocação mais entusiasmada para o ato está na página de Rafaela Martinelli, aluna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e moradora do Crusp. É publicidade que ela queria, não? Aqui está. É daquela turma contrária à presença da PM no campus, entenderam? Cheguei a pensar que fosse ela.”

Otorrinolaringologistas e pesquisadores do palato do país inteiro enviaram mensagens ao blog querendo saber quem é ela. Matéria de curiosidade científica. Não sei bem por quê. Agora sei. Trata-se, na verdade, de Arielli Tavares Moreira, que já está nos blogs de esquerda orgulhando-se, pelo que se vê, de seu ato. Ela é militante do PSTU, diretora do Centro Acadêmico das Letras da USP e dirigente da Assembléia Nacional dos Estudantes Livres. Essa tal “Assembléia”, de que vocês, provavelmente, nunca ouviram falar, pretende ser uma UNE alternativa… Alguém dirá: “Que bom!” Atenção, é uma dissidência pela esquerda, entenderam?

O Centro Acadêmico das Letras é aquele que “decretou” greve de estudantes numa assembléia manipulada e acabou desmoralizado pelos próprios alunos, que tiveram de “ocupar” o prédio da faculdade, que havia sido interditado pelos truculentos. O filme com o “Occupy Letras - Versão do Bem” segue abaixo. Revejam depois.

São dois exemplos da democracia de que Arielli gosta. Num dos sites em que ela se mostra orgulhosa do seu feito, diz sobre Matarazzo (segue como está no original):
“[O secretário] apontou o dedo pra mim e me chamou de ‘mal-educada’. De fato, para a ideologia burguesa, hipocrisia é sinônimo de educação, e dizer a verdade sem meia palavras não é de bom tom. Tomado pelo ímpeto professoral de quem insiste em dar ‘aulas de democracia’, ele continuou se aproximando e me chamando de mal-educada. Em seguida um de seus assessores conseguiu convencê-lo a entrar no carro, e ele foi embora.”

Pô, estou gostando de Matarazzo cada vez mais. A exemplo de Mário Covas, não aceita ser ofendido de graça por gente que não respeita parâmetros mínimos de civilidade. Ah, sim: eu não afirmei que Rafaela ou Arielli eram filiadas ao PT. Escrevi que uma das páginas que a primeira acompanhava era a da “Corrente Marxista do PT”

PS - Não sei que idade tem esta jovem senhora. Eu era da Convergência Socialista quando tinha 15… A Convergência resultou no PSTU. Pois é… Há 35 anos, eu já não argumentava com as amígdalas linguais e achava que mais importantes eram as amígdalas cerebelosas…

PS2 - Por favor, espalhem este post. Arielli acha que isso é bom pra ela, pelo visto. E eu acho bom para Andrea Matarazzo, o meu candidato à Prefeitura de São Paulo.

PS3 - Arielli faz questão de assinar o seu feito — deve contar pontos na escala da militância —, e eu também faço. Atenção, o nome dela é Arielli, tá, pessoal? Ela acha que, “para a burguesia, hipocrisia é sinônimo de educação”. Entendi. Vai ver, para a turma de Arielli, “educação é que é sinônimo de hipocrisia”. Por isso ela decidiu ser tão sincera!

Queridos comentaristas, sem ofensas para a moça. Só palavras doces. Vamos repetir a anãzinha (oopps! A verticalmente prejudicadinha) Tangina, sobre a “boa luz”, ao tentar salvar Carol Ann em Poltergeist:

“Cross over children. All are welcome. All welcome. Go into the Light. There is peace and serenity in the Light.”

Sim, o PSTU é o partido que mandava no Pinheirinho…

Por Reinaldo Azevedo

 

IMPRENSA PATRULHADA E SERVIL! VEJAM ESTE FILME SOBRE PINHEIRINHO

A imprensa, e vocês sabem muito bem quais são as exceções, não?, está sob patrulha e é servil aos valores do partido dominante. Por isso omite de seus leitores, internautas e espectadores informações básicas.

Os “leninistas” do Pinheirinho cobravam uma “taxa” dos moradores. Pior do que isso: os moradores tinham de “comprar” as casas e barracos — e pagavam a, vamos dizer, “porcentagem-revolução” para os “companheiros” que mandavam ali.

A imprensa de São José dos Campos está acompanhando tudo no detalhe e tem sido simplesmente ignorada pela chamada “imprensa nacional”, que prefere veicular seus supostos bons sentimentos em vez de se ater aos fatos. Vejam isto.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ah, agora entendi o anel do homem de Carvalho…

No post anterior, publico algumas fotos de Paulo Maldos, assessor de Gilberto Carvalho, presente à desocupação do Pinheirinho. Vejam a satisfação com que ele exibe a tal bala de borracha. Chamo ali a atenção para aquele anelzinho escuro, que vejo nas mãos de muitos “progressistas”. Leitores me alertam que está tudo explicadinho na Wikipedia. Seria um sinal de adesão à Teologia da Libertação — que costumo chamar de “Escatologia da Libertação” — ou, mais amplamente, a seus valores. Vocês verão a explicação.

Entendo. Já vi, acho que vi, o tal anelzinho nas mãos de jornalistas também. Pergunta óbvia: isso não significa, de saída, a evidência de compromisso e comprometimento com um grupo, não com a isenção?  Em que isso é diferente da exposição do emblema ou logo de um partido?

Segue transcrição do que  vai na Wikipedia:

Anel de tucum é um anel feito da semente de tucum, uma espécie de palmeira nativa da Amazônia. É utilizado por fiéis cristãos como símbolo do compromisso preferencial das igrejas, especialmente da Igreja Católica, com os pobres.

O anel tem sua origem no Império do Brasil, quando jóias feitas de ouro e outros metais nobres eram utilizados em larga escala por membros da elite dominante para ostentarem sua riqueza e poder. Os negros e índios, não tendo acesso a tais metais, criaram o anel de tucum como um símbolo de pacto matrimonial, de amizade entre si e também de resistência na luta por libertação. Era um símbolo clandestino cuja linguagem somente eles compreendiam.

Mais recentemente, a utilização do anel de tucum foi resgatada por fiéis cristãos, especialmente adeptos da teologia da libertação, com o objetivo de simbolizar a aliança das igrejas com os pobres e oprimidos da América Latina, especialmente por fiéis católicos após o Concílio Vaticano II e as Conferências Episcopais de Medellín e de Puebla.[1]

Anel de Tucum e Bíblia Edição Pastoral.O anel de tucum foi tema de documentário homônimo dirigido por Conrado Berning em 1994. No filme, o bispo católico Dom Pedro Casaldáliga, um dos entrevistados, explica da seguinte maneira a utilização do anel:

” Este anel é feito a partir de uma palmeira da Amazônia. É sinal da aliança com a causa indígena e com as causas populares. Quem carrega esse anel significa que assumiu essas causas. E, as suas conseqüências. Você toparia usar o anel? Olha, isso compromete, viu? Muitos, por causa deste compromisso foram até a morte. “

Embora o anel de tucum, tenha sido originalmente criado para simbolizar o matrimônio entre escravos e índios, atualmente, em meios cristãos, o anel é usado para representar a preocupação com causas populares, e pela igualdade. Católicos tradicionalistas por sua vez, especialmente devido a forte ligação entre os usuários do anel de tucum e a teologia da libertação, consideram que este “é uma ostentação de pobreza. E ostentar virtude é vaidade que anula toda virtude. Usar isso, para demonstrar amor aos pobres, mais é demagogia do que virtude. Se alguém é realmente pobre, deve praticar essa pobreza e o desprezo das riquezas, sem ostentação, porque se não é pura vaidade e desejo de ser considerado pobre e bom. Isso é orgulho mascarado de pobreza”.

O anel e a estrovenga na mão de Maldos

O anel e a estrovenga na mão de Maldos

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 18:09

Por que o assessor de Gilberto Carvalho tem essa estrovenga na mão e exibe esse ar de perversa satisfação?

Vejam esta foto:

paulo-maldos-quatro

Foi publicada na edição de sábado do Estado. Este que aparece aí é Paulo Maldos, assessor do ministro Gilberto Carvalho. Isso que ele tem na mão, que exibe por aí como um troféu nas mais variadas circunstâncias (vocês verão), é uma bala de borracha que, segundo ele, o atingiu durante a reintegração de posse do Pinheirinho.

A imagem NUNCA DIZ MAIS DO QUE MIL PALAVRAS. A imagem pode sintetizar milhões delas, que, ainda assim, precisam ser ditas e escritas para que tenhamos ainda mais clareza do objeto tratado.

Olhem a cara de Maldos.
Insatisfação?
Indignação?
Dor?
Fúria?
Rancor?
Revolta?

Não!
O nome do que se vê acima é prazer!
Se, agora, fosse o caso de evocar Freud, teria de visitar os meandros do masoquismo — o homem que se afeiçoa ao instrumento que o machuca. Mas é bom deixar o doutor de lado. Isso está mais para Marx — um Marx mixuruca, mas está. Aquele rosto que se vê ali é de vitória. Voltem lá. O que fazem aqueles olhos voltados sabe-se lá para onde? Ele posa para o fotógrafo, mas mira uma outra coisa. Nota à margem: também ele exibe aquela aliança ou anel preto, que vejo nas mãos de muitos “progressistas”. O que significa? Não tenho a menor idéia. Vai ver esquerdistas nascem com predisposição para anéis pretos… Se alguém tiver alguma explicação melhor…

Já que ninguém perguntou, então pergunto eu: o que fazia Maldos em plena madrugada de domingo, lá no Pinheirinho? “Ah, estava lá para proteger a população”, poderiam responder o militante e o ingênuo. Mas proteger do quê? “Ora, Reinaldo, da reintegração de posse!” Ah, havia a decisão da reintegração, certo?, de cumprimento obrigatório pela Polícia Militar? Então Carvalho e Maldos sabiam que ela iria acontecer, como sabiam os tais “líderes” do Pinheirinho, mas engabelaram os moradores, mantendo-os na ignorância.

Eis aí. Parece que o objetivo era mesmo usar o lombo dos pobres em benefício de uma causa política.

Ora, todo mundo sabe que uma operação de ocupação envolvendo três mil pessoas (nem 9 mil nem 6 mil) tende mesmo a ser conflituosa, especialmente quando há a disposição para reagir à ação da polícia. Ainda assim, não houve o esperado “massacre”.

Pergunto: o que distingue, nesse caso, o trabalho de Maldos do de um agitador qualquer? Em que ele se diferencia de um agente infiltrado, disposto a investir no quanto pior, melhor? Carvalho falta com a verdade de modo absoluto ao afirmar que estavam em curso “negociações”. Não estavam mais! Isso a juíza já deixou claro de modo insofismável. Elas já haviam sido encerradas. Também estava definida a incompetência da Justiça Federal para cuidar do caso.

Os moradores do Pinheirinho, em suma, estavam à mercê de oportunistas, que se prepararam para o banho de sangue que não houve. E a operação “de resistência”, àquela altura, estava sendo coordenada, como se vê, pelo gabinete de Gilberto Carvalho, assim como o de Maria do Rosário comandou a tentativa de sabotagem à retomada da área em que ficava a cracolândia — essa operação apoiada por 82% dos paulistanos.

Este Maldos ser apresentado como uma vítima ou herói do Pinheirinho é evidência da degradação intelectual de consideráveis setores do jornalismo. E não que ele tente disfarçar, não é mesmo? Ele posou (Emir Sader escreveria “pousou”) para outras fotos. Numa delas, não resiste e ri a pregas soltas, como se diria em português castiço, sempre com a estrovenga na mão.

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Por Reinaldo Azevedo

 

Mais um pouco sobre a anunciada luta do PT com os evangélicos. Há teoria que explica a convocação de Gilberto Carvalho

Há gente que ficou um tanto surpresa com a intenção do PT, anunciada por Gilberto Carvalho — o homem mais poderoso no partido, depois de Lula — de disputar com os evangélicos a adesão da chamada “classe C”. Outros ainda dizem que estou forçando a barra e coisa e tal… Forçando a barra por quê? As palavras são de Carvalho, não minhas. De resto, tenho um certo histórico de acerto no que diz respeito ao partido, não é? Ainda me orgulho de ter escrito em 2002 que, se eleito, Lula seria mais, digamos assim, “conservador” na economia do que José Serra. Já disse que não acho que o PT seja “socialista” à moda antiga; ele é autoritário (à moda antiga ou moderna…). Mas sigamos.

Não há surpresa nenhuma! O objetivo do PT sempre foi se estabelecer como partido único. Isso não implica proibir ou exterminar pela via cartorial as outras legendas. O esforço é para torná-las irrelevantes. E tem sido bem-sucedido. Um de seus segredos é não ter princípios. Vale tudo para conquistar o poder e nele se manter. Querem um exemplo? Se os petistas fizerem uma aliança com Kassab, vão protegê-lo na campanha eleitoral. Se não fizerem, vão atacá-lo. Eles acham o prefeito bom ou mau? Depende… Ele estará de que lado?

Os entes políticos estão devidamente domesticados. Na imprensa, a presença já é grande, mas a crítica ainda resiste, daí o esforço de cooptação. Lula tentou o método da censura. Não deu certo. Então se vai por outro caminho: criar e sustentar a “imprensa amiga”. Está em curso. Não é o suficiente. É preciso, diz Carvalho, levar a “mídia independente” (leia-se: estatal) para os pobres que entram no mundo do consumo.

Ocorre que os evangélicos têm uma forte presença nessas fatias da população. Além da crença em Deus, há um conjunto de valores que constitui as igrejas, muitos deles opostos ao petismo. E isso explica por que, ainda que aliado a muitas correntes evangélicas hoje, o PT as considere, no médio prazo, forças a serem vencidas. Está tudo na teoria. Gramsci explicou direitinho. Ao explicar o que deve ser “O Partido” na sociedade, que ele chama “Moderno Príncipe”,  escreveu:
“O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.

Isso significa que também a religião só será virtuosa ou criminosa na medida em que servir para aumentar o poder do partido ou para se opor a ele. O cristianismo que se opõe ao aborto, por exemplo, se contrapõe ao PT, ao Moderno Príncipe. E é preciso vencê-lo. Uma das forças que movem a crença evangélica — o incentivo ao esforço pessoal, que não fica à espera das doações do estado — também é hostil ao “mercado de almas” onde o PT fisga os seus “fiéis”.

Há correntes evangélicas que se aproximaram do governo em busca de benefícios, especialmente na área de telecomunicações. Nesse caso, a religião é usada apenas como pretexto para bons negócios. Aquelas que realmente se ocupam da fé e dos valores cristãos estão na mira da turma que não pode admitir a existência de uma outra igreja que não “o partido”.  

Por Reinaldo Azevedo

 

Rita Lee entra em surto, é detida e liberada. Chamem a Maria do Rosário, o Gilberto Carvalho, a Dilma Rousseff, o Paulo Teixeira…

Leiam o que informa Marcus Preto, na Folha Online. Volto depois:
A cantora Rita Lee, 67, foi liberada após prestar depoimento e assinar um boletim de ocorrência numa delegacia de Aracaju (SE). Ela foi detida por policiais ao fim do último show de sua carreira, no Festival Verão Sergipe. Ao avistar policiais na plateia, a cantora declarou que não os queria em sua apresentação. “Vocês são legais, vão lá fumar um baseadinho.” O imbróglio começou no meio do show, quando a cantora afirmou ter visto membros de seu fã clube, que viaja trás dela pelo Brasil, sendo agredidos pelos policiais. Tendo se aproximado do palco, os policiais foram xingados pela cantora de “cavalo”, “cachorro”e “filho da puta”. “Sobe aqui”, dizia Rita a eles, desafiando-os. Ela fez o show até o final, quando foi levada à delegacia.

O boletim de ocorrência foi tipificado como “desacato e apologia ao crime ou ao criminoso (art. 287 do Código Penal)”. “A sensatez falou mais alto no momento, por isso a polícia não parou o show”, disse o tenente-coronel Adolfo Menezes, responsável pelo policiamento do show. A ex-senadora e hoje vereadora de Alagoas Heloisa Helena (PSOL) chegou à delegacia antes de Rita e para assinar o B.O. como testemunha a favor do caso. No mesmo boletim Rita disse que” não tem nata a relatar a cerca dos fatos no noticiário, justificando apenas que todo o ocorrido se deu como uma reação emocional, provocada pela ação truculenta desnecessária”.

O governador Marcelo Déda (PT), que assistiu à apresentação, disse ter testemunhado “um espetáculo deprimente” por parte de Rita. “A polícia não tinha feito nenhum tipo de ação que justificasse [a atitude da cantora]“, declarou Déda. Para o governador, a cantora tentou colocar o público, estimado em 20 mil pessoas pela organização, contra os policiais, o que poderia levar a uma “confusão generalizada”, segundo ele.

No Twitter, Beto Lee, filho de Rita, protestou: “A policia de Aracaju levou minha velha para a delegacia. Bando de frouxo”. A própria cantora tuitava ao lado dos policiais: “Tô indo p/ a delegacia…a polícia d Aju ñ gosta d mim mas Sergipe gosta, estou dentro do carro, eles estaaoentravv [sic]“. Pelo microblog, o cantor Lobão também se manifestou: “Mas era soh o que faltava…prender a Ritinha eh de última!”.

Voltei
O que eu tenho a dizer? Ou o remédio da Rita Lee acabou ou que ela precisa trocar de substância. Tem todo jeito de ser um surto. Imaginem se milhares de, sei lá, 5% de uma platéia estimada em 20 mil pessoas decidissem partir pra cima de policiais, pais de família que estão lá fazendo o seu trabalho. Poderia acontecer uma tragédia.

O Beto Lee acha que a polícia é composta por um “bando de frouxos”. Que vá lá pessoalmente e repita os impropérios da mãe, cara a cara, a policiais, para mostrar como age um não-frouxo. Lobão acha “de última”? Por quê? Ele já demonstrou várias vezes ser contra a impunidade dos políticos. Eu também sou. É, no entanto, a favor da impunidade e da irresponsabilidade dos artistas??? Talvez se possa dizer em favor de Rita Lee que não está em seu juízo perfeito. Bem, então seu lugar não é o palco.

Eu estou com 50 já. Acho que a única vantagem de ir envelhecendo é ganhar alguma sabedoria. Rita Lee está recusando esta também. Está na hora de começar a ouvir, sei lá, Bach talvez. Tomando leite com chocolate. Tenham paciência!

Agora outro aspecto
Imaginem um roqueiro velho, já gozando da condição de inimputável, sendo preso pela POLÍCIA DE SÃO PAULO por rigorosamente estes mesmos motivos. Aquela gente de sempre, aliada de Déda, sairia dizendo que o governo de São Paulo militarizou a USP, a cracolândia, o Pinheirinho e o rock!!!

Eduardo Suplicy, com a agilidade costumeira, correria à delegacia para cantar um rap dos Racionais… Paulo Teixeira emitiria um manifesto em parceria com a turma do Desentorpecendo a Razão… Aquela canalha a soldo do governo federal e das estatais, que se finge de jornalista, gritaria “censura”! Os vigaristas que dão plantão nas redes sociais fariam um escarcéu dos diabos.

Mas, sabem como é, foi a “polícia do PT”. Se um estudante que ficou cego de um olho num protesto no Piauí não comove o coração dessa gente, é provável que a detenção de Rita Lee também não mobilize ninguém.

E deixo claro…
Tendo tudo acontecido como se relatou acima, tinha de ser presa mesmo! A PM de Sergipe está certa! Eu sou contra a impunidade para políticos, para petistas, para artistas, para ricos, para pobres, para brancos, para pretos, para homens, para mulheres, para héteros, para gays, para leigos, para padres, para pastores,  para católicos, para evangélicos, para onívoros, para vegetarianos… Só livro a cara das crianças e dos idiotas clínicos. E, ainda assim, acho que as crianças precisam ser educadas, e os idiotas clínicos, tratados.

Ah, sim, Lobão: perguntaram a De Gaulle por que ele não mandava prender Jean-Paul Sartre, que fazia agitação maoísta no pré-maio de 1968 —  não chegava a chamar a polícia de “filha da puta” ou a incentivar o linchamento de policiais. “Não se pode prender Voltaire”, teria dito o presidente.

Entendi, Lobão. Rita Lee é nosso Voltaire!

Por Reinaldo Azevedo

 

O fim melancólico e desbocado de Rita Lee

Critiquei severamente ontem Rita Lee pelo absurdo protagonizado em Sergipe. Vejam lá. Observei também que, fosse em São Paulo, alguns bestalhões estariam acusando o governo de “militarizar” o rock. A irresponsabilidade desta senhora é espantosa. Fim melancólico.

Por Reinaldo Azevedo

 

Para historiador, rigor de Dilma é “pura fantasia”

Por GAbriel Manzano, no Estadão:
A ideia de que a presidente Dilma Rousseff é uma boa gestora, como anunciam seus aliados e indicam as pesquisas de opinião, “decorre não de seus méritos, mas da baixa consciência política dos cidadãos”, afirma o historiador Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Para ele, “não faz sentido considerar boa gestora uma presidente que está permanentemente em conflito com sua própria equipe, afastando auxiliares e, ao mesmo tempo, deixando de ir até o fim na apuração das denúncias”.

Essa mistura de má gestão com alto prestígio ocorre, segundo ele, “porque o Brasil é um país que foge inteiramente dos parâmetros”. A participação política dos cidadãos “é mínima e vive de espasmos, depois dos quais tudo volta logo à rotina”, acrescenta. Villa entende que, à parte o ato formal de se votar em eleições, a democracia “ainda está muito longe de se consolidar no País”.

Dizer que a presidente é uma grande gestora, diz ele, “é apenas mais uma invenção do PT”. Sua visão do petismo é que, assim como o partido inventou a falsa ideia de que foi o primeiro partido de trabalhadores, agora inventou que Dilma é uma grande gestora. “O PT tem conseguido construir sua própria história política, porque é o partido das invenções”, conclui.

Villa menciona desde iniciativas “importantíssimas” que foram para a geladeira, como o trem-bala, até projetos prioritários como a construção de creches, que praticamente não saiu do papel, além do ritmo lento do Minha Casa, Minha Vida, como “exemplos de uma gestão confusa e ineficaz”, que deixam claro que “sua fama de boa gestora é só propaganda”. A entrega das creches “revela, se não o desinteresse, a incapacidade do governo, e a construção de casas vai aos trancos e barrancos. Mas, do outro lado, o BNDES repassou bilhões a grandes empresas, para iniciativas nem sempre prioritárias”.

O historiador descreve como “pura fantasia” a ideia de que Dilma é “muito rigorosa” nas cobranças. “Se fosse, já teríamos gente punida, e a punição tornada pública, na leva das demissões por escândalos que atingiram seis ministérios.” Ao contrário, o que se viu, conclui, foram “elogios incabíveis aos demitidos” nas cerimônias de troca.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma, a mãe durona e incompetente. Ou: Relação de brasileiros e de imprensa com o governo nunca foi tão infantilizada! Freud complica!

Sugiro aos leitores que façam depois uma pesquisa na área de busca do blog, à direita da foto deste escriba (preciso trocar, agora que deixei a cabeleira crescer…) com as palavras “creche Dilma primeiro ano” (sem as aspas). Vejam lá o resultado. Venho fazendo a conta do estelionato eleitoral da presidente desde… bem, desde fevereiro do ano passado, e ela estava apenas no segundo mês de mandato.

No dia 22 de fevereiro do ano passado, escrevi um texto intitulado “Dilma, o dividendo, o divisor e o quociente do estelionato eleitoral”, de que reproduzo um trecho (em azul):
Dilma prometeu entregar 3,288 quadras esportivas em escolas neste ano. No dia 1º de janeiro, isso significava 9,01 por dia. Como não se fez nenhuma, agora, já são 10,5. Também garantiu construir 1.695 creches só em 2011 - 5 mil até 2014. São 5,42 creches a cada um dos 313 dias que faltam para encerrar o ano. Também neste ano, asseverou que seriam feitos 723 postos de policiamento comunitário -2,31 por dia agora. Unidades Básicas de Saúde seriam 2.174 neste ano: 6,95 por dia a partir de hoje. E, claro, há as UPAs, aquelas capadas pela metade: agora há 313 dias para entregar 125 unidades: 0,4 por dia.
Ao fim desta terça, Dilma terá deixado de entregar:
- 10,5 quadras;
- 5,42 creches;
- 2,31 postos policiais;
- 6,95 Unidades Básicas de Saúde;
- 0,4 UPA

Dilma ruim de serviço
Os petralhas ficavam sempre muito bravos. “Como? Você já está cobrando?” Ora, parodiando Camões, para tão grande obra, tão curto o mandato, não é? Como demonstrei no dia 26 de setembro do ano passado, Dilma é muito ruim de serviço. E não é de hoje. Toda a infra-estrutura brasileira, que patina no atraso, especialmente portos, aeroportos e estradas, estava sob o seu domínio no governo Lula. Desde quando ministra, ela sempre FOI MUITO COMPETENTE EM CRIAR A FAMA DE QUE É COMPETENTE. E assim foi avançando…

A imprensa, no geral, é fascinada por essa imagem da “Dilma mandona, que faz e acontece”. O Estadão de domingo fez uma edição particularmente interessante. Na página A4, lia-se: CEO do governo”, Dilma escala Gerdau para cobrar ministros e definir metas. Deixo para a ironia da história o fato de ser um empresário o homem encarregado, no Partido dos Trabalhadores, de cobrar eficiência dos companheiros… A matéria seguinte, na página A8, tinha este título:Broncas em público, rotina do Planalto. Éramos então informados de que Dilma não se constrange em fazer os ministros passar carão. Dá bafão mesmo! Huuummm… A terceira reportagem a abrir uma página de política, na A10, informava: Governo fecha 1º ano sem concluir nenhuma creche. Entendo.

Com qual Dilma você fica, leitor? Com a que sai distribuindo pitos, que chama o Poderoso do Bairro Peixoto para puxar a orelha de todo mundo, ou com aquela nossa velha conhecida, que promete a enormidade de 1.695 creches só no primeiro ano — 6 mil em quatro anos!!! — e que encerra 2011 sem entregar um miserável prédio de pé? Com a que prometeu acrescentar dois milhões de casas àquele milhão do programa “Minha Casa, Minha Vida” ou com a Dilma de verdade: tudo o mais constante, os três milhões de unidades só serão entregues daqui a uns 20 anos?

Talvez seja o nosso lado sentimental, não sei… Quem sabe haja algo de coletivamente edipiano nessa relação… O fato é que a imprensa, na média, é fascinada por homens sensíveis e por mulheres enérgicas. Sempre se apreciou em Lula o seu lado meio bonachão, um tanto amoroso, tendente ao confessional — tudo devidamente estudado e calculado pelo marketing petista. Mas ele sempre foi muito convincente no papel. Chora com impressionante facilidade. Há, curiosamente, algo de feminil em sua personalidade rascante. Já na Soberana se apreciam as supostas características que fogem ao estereótipo feminino: autoritária, ríspida, durona. E tudo faz um enorme sentido.  Não por acaso, os homens aderiram a Dilma antes das mulheres… Saudade da autoridade materna: “Lavou as mãos, moleque? Tomou banho? Limpou as orelhas? Chacoalhe bem o pipi depois de fazer xixi pra não sujar a cuequinha…”

A relação da média dos brasileiros e de amplos setores da imprensa com o governo nunca foi tão infantilizada, desde o primeiro mandato de Lula. Até o jornalismo tende a hostilizar os políticos movidos pelo racionalismo e por cálculos frios. Prefere a abordagem amorosa, extremada, seja o afeto do pai generoso (Lula), seja o rigor da mãe cobradora (Dilma). Nesse ambiente, dane-se a eficiência. Convenham, nas famílias, esse não é um critério de aceitação ou rejeição…

Isso tudo explica por que se escreveram quilômetros de texto ironizando o “FHC intelectual”, mas sempre pareceu um crime fazer blague com a ignorância afirmativa e propositiva de Lula.  

Por Reinaldo Azevedo

 

O cotidiano surrealismo da Cidade Maravilhosa - Explosão de bueiro no Rio deixa um morto e dois feridos

Por Cecília Ritto, na VEJA Online:
A explosão de um bueiro na zona portuária do Rio de Janeiro deixou uma pessoa morta e duas feridas na manhã desta segunda-feira. As informações são da Secretaria de Defesa Civil do estado. Equipes do Corpo de Bombeiros estão no local. O incidente foi registrado na Avenida Rio de Janeiro, próxima do início da Avenida Brasil, na altura do armazém 30, por volta das 10h. O trabalhador morto foi identificado como Rafael Martins de Souza, 35 anos. Os feridos foram Paulo Bento Pereira, 52 anos, e Carlos Ribeiro, também de 52. Ambos foram encaminhados para o hospital Souza Aguiar, centro do Rio.

Um dos feridos teve o braço imobilizado. Outro apresentava uma fratura exposta. Ainda não há informações sobre os nomes das vítimas. O bueiro - a tampa de uma galeria pluvial - foi arremessado para o alto.  O presidente da Companhia Docas, que administra o porto, Jorge Mello, afirmou que uma das hipóteses considerada para o acidente é a presença de óleo na galeria pluvial. As três vítimas faziam uma operação de solda na região. “Tem muito óleo na galeria, isso pode ter gerado uma fagulha”, disse Mello.

Os feridos e o funcionário que morreu integravam uma equipe da empresa Triunfo, que opera no porto e presta serviço para várias companhias, entre elas a Petrobras. No local do acidente há forte cheiro de óleo diesel. O presidente da Docas reforçou que o acidente não tem relação com as concessionárias Light, de energia, e CEG, de distribuição de gás. As duas empresas, depois de uma série de explosões na cidade, tornaram-se vilãs para esse tipo de episódio, e assinaram termos de ajuste de conduta para reduzir os riscos de explosões desse tipo. As operações no porto, na altura do acidente, foram paralisadas para que sejam investigadas as causas do acidente.

Até então, o caso mais grave decorrente da explosão de um bueiro aconteceu em junho do ano passado, em Copacabana. Um casal de turistas americanos foi gravemente ferido. Sara Nicole Lowry, de 28 anos, teve 80% do corpo queimado e ficou cerca de dois meses hospitalizada. O marido dela, David McLaugheim, teve queimaduras em 35% do corpo. No mesmo bairro, já em 2011, outra explosão fez a tampa do bueiro atingir um táxi. Uma cratera abriu-se na via e causou pânico entre os pedestres e motoristas.

A Companhia Docas divulgou o seguinte comunicado:
“A Companhia Docas do Rio de Janeiro informa que ainda são desconhecidas as causas do acidente na manhã desta segunda-feira no armazém 30, na área de operação da Triunfo Logística, no Porto do Rio. Segundo as primeiras informações, trabalhadores portuários faziam no local um serviço de solda quando um bueiro de águas pluviais existente nas proximidades explodiu. O trabalhador morto foi identificado como: Rafael Martins de Souza, 35 anos. Outros dois feridos, Paulo Bento Pereira, 52 anos e Carlos Ribeiro, também de 52, foram encaminhados pela ambulância do Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) ao hospital Souza Aguiar, centro do Rio.” 

Por Reinaldo Azevedo 

 

R$ 6,4 mi em doações do CNJ a tribunais desapareceram

Por Leandro Colon e Felipe Seligman, na Folha:
Uma investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) descobriu que em torno de R$ 6,4 milhões em bens doados pelo órgão a tribunais estaduais desapareceram. Relatório inédito do órgão, a que a Folha teve acesso, revela que as cortes regionais não sabem explicar onde foram parar 5.426 equipamentos, entre computadores, notebooks, impressoras e estabilizadores, entregues pelo CNJ para aumentar a eficiência do Judiciário.

A auditoria mostra ainda que os tribunais mantêm parados R$ 2,3 milhões em bens repassados. Esse material foi considerado “ocioso” pelo conselho na apuração, encerrada no dia 18 de novembro. O CNJ passa por uma crise interna, envolvendo, entre outras coisas, a fiscalização nos Estados, principalmente os pagamentos a magistrados. A conclusão da auditoria revela que o descontrole no uso do dinheiro pelos tribunais pode ir além da folha de pagamento.

Diante da situação, o CNJ decidiu suspender o repasse de bens a quatro Estados: Paraíba, Tocantins, Rio Grande do Norte e Goiás. Os três primeiros estão com um índice acima de 10% de bens “não localizados”, limite estabelecido para interromper o repasse. Já o tribunal goiano, segundo a auditoria, descumpriu regras na entrega de seus dados. Além desses quatro, a investigação atingiu outros 12 Estados que, numa análise preliminar, também apresentaram irregularidades.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 6:37

Datafolha: 22% apróvam governo Kassab; para 38%, é regular

NaFolha:
O prefeito Gilberto Kassab (PSD) mantém o menor índice de popularidade de seu segundo mandato, mostra o Datafolha. De acordo com pesquisa realizada nos dias 26 e 27 de janeiro, 22% dos eleitores aprovam a atual gestão. O resultado mostra uma oscilação dentro da margem de erro (três pontos percentuais, para mais ou para menos) em relação à última pesquisa, feita em dezembro, quando 20% dos entrevistados avaliaram seu governo como ótimo ou bom.

A aprovação ao prefeito vinha em curva descendente desde julho de 2010, quando 42% dos entrevistados avaliavam seu governo positivamente. Como a variação entre os resultados de dezembro e de janeiro está dentro da margem de erro, não é possível afirmar se essa tendência se inverteu. A reprovação à gestão Kassab também permaneceu estável: 37% dos eleitores consideram seu governo ruim ou péssimo, contra 40% na pesquisa anterior. Os que veem sua administração como regular são 39% em janeiro, ante 38% no mês passado.

Os resultados só não são piores que os registrados pelo prefeito entre maio de 2006 e março de 2007, quando a aprovação a seu governo não passou de 16%. A melhor avaliação da gestão Kassab aconteceu durante a campanha eleitoral que o reconduziu ao cargo, em 2008. Na semana seguinte ao primeiro turno, 61% dos eleitores avaliavam seu governo como ótimo ou bom.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 6:35

Esporte pagou quase R$ 5 mi em 2011 por consultoria sobre estatal extinta

Por Fábio Fabrini e Iuri Dantas, no Estadão:
O Ministério do Esporte pagou R$ 4,65 milhões no ano passado, sem licitação, para a Fundação Instituto de Administração (FIA) prestar um serviço curioso de consultoria: ajudar no nascimento de uma estatal que foi extinta antes de funcionar. Criada em agosto de 2010 para tocar projetos da Olimpíada do Rio de Janeiro, a Empresa Brasileira de Legado Esportivo Brasil 2016 só durou um ano, no papel: há cinco meses foi incluída no Plano Nacional de Desestatização (PND), para ser liquidada.

 Conforme o Portal da Transparência, caberia à FIA desenvolver estudos para “apoiar a modelagem de gestão da fase inicial de atividades da estatal”. O Esporte fez os pagamentos do contrato em dez parcelas. A primeira e mais cara, de R$ 1,1 milhão, foi transferida à fundação em 4 de março do ano passado. Até 4 de agosto, quando o Conselho Nacional de Desestatização recomendou a inclusão da estatal no PND, foram mais quatro repasses, totalizando R$ 2,4 milhões.

Mesmo após a decisão e o anúncio de que a Brasil 2016 será extinta, a FIA recebeu mais R$ 1 milhão em cinco parcelas, as quatro últimas graças a dois aditivos ao contrato, firmado em 2010. Um deles prorrogou o contrato por quatro meses e o outro corrigiu o valor original em R$ 901 mil. Os desembolsos só cessaram em 27 de dezembro, quatro meses e 23 dias depois de iniciado o processo para dissolver a estatal. Segundo o Esporte, a prorrogação foi para cobrir serviços distintos, sem vinculação com os estudos para criar a empresa pública.

A decisão de extinguir a Brasil 2016 foi tomada após tratativas com o Ministério do Planejamento, com a justificativa de que já havia estrutura suficiente para cuidar da Olimpíada do Rio. Criada por decreto em agosto de 2010, a estatal nunca chegou a ter sede ou empregados, embora o conselho administrativo - formado por oito altos funcionários federais, entre eles a ministra Miriam Belchior (Planejamento) e o ex-ministro Orlando Silva (Esporte) - tenha se reunido algumas vezes.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

O comentário de Nelson Breve, diretor-presidente da EBC, enviado a este blog

Na semana passada, fiz críticas aqui ao trabalho da Agência Brasil, divisão da EBC, a empresa pública, federal, de comunicação. Acusei partidarismo e mau jornalismo na cobertura do caso Pinheirinho. Nelson Breve, diretor-presidente da EBC, enviou um comentário ao blog. Já trabalhamos juntos, como contei aqui,há coisa de uns 20 anos. Tínhamos um relacionamento cordial, amigo. Breve enviou um comentário ao blog. Só publico agora porque quis me certificar de que a mensagem era mesmo de sua autoria. Como ele estava de férias — parece que retorna ao hoje às atividades normais —, a confirmação demorou um tantinho. Segue o comentário. Volto em seguida.

Caro Reinaldo,
estou de férias há quase duas semanas com minha filha e fiquei desconectado até ontem, quando me informaram resumidamente os acontecimentos. Pedi apuração rigorosa. Você me conhece e sabe que não compactuo com o mau jornalismo. Assim que tiver o relato detalhado, lhe passarei todas as informações para que forme melhor juízo. Peço apenas que não julgue precipitadamente, principalmente usando os termos ofensivos que encerram a nota acima. Respeitosamente,
Nelson Breve

Voltei
Acho positivo que Breve tenha tomado a iniciativa de pedir uma apuração dos fatos ocorridos na Agência Brasil, que a levaram a emprestar a sua credibilidade a “não-fatos”, atropelando todos os procedimentos técnicos razoáveis do jornalismo. E é também decente que tenha se preocupado em deixar isso claro. Vamos ver. Nos comentários, recomendo que nos concentremos na necessidade de corrigir o mau procedimento.

Como deixei claro, o Nelson que conheci, com efeito, não compactuaria com o mau jornalismo — e o Reinaldo que ele conheceu, ele sabe, também não. Fica tudo no passado, reitero, porque não nos falamos há uns 20 anos. Nem eu nem ele temos por que nos envergonhar do nosso passado profissional. Breve me conheceu na chefia de uma redação com uns 100 jornalistas, num ABC em que o petismo já era hegemônico. Sabe os critérios profissionais com os quais operava e opero ainda. Ele era candidato a repórter no jornal. Dados seu texto, perfil e formação, achei que o melhor para ele e para o jornal seria a edição. E assim foi. Ambos morávamos em São Paulo e vínhamos para casa, com freqüência, no mesmo carro, já no começo da madrugada. Mantínhamos, no percurso, uma conversa fraterna e animada.

Muito bem! Bati duro, sim — não em Breve, mas na empresa que está sob sua direção, chamando a sua responsabilidade. A Agência Brasil cometeu uma falha gravíssima, de que tratei aqui e aqui. Sei como são as coisas. Assim como eu não podia, na chefia de uma redação com uma centena de pessoas, responder por todos os textos publicados, não creio que Breve possa ser individualmente responsabilizado pela barbeiragem cometida pela Agência Brasil. A menos que, uma vez caracterizada e evidenciada, ela reste sem a devida reparação; nesse caso, então, uma escolha estará sendo feita.

Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 6:50

Nós e a juíza que honra o estado de direito e a democracia

Publiquei ontem aqui a excelente entrevista da juíza Márcia Mathey Loureiro, que deu a sentença de reintegração de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos. Se você ainda não assistiu, ouso dizer que é obrigatória. Há muito não via um juiz no Brasil se expressar com tamanha clareza e com argumentos tão cristalinos em defesa do estado democrático e de direito. E, por isso, eu e muitos leitores a elogiamos bastante.

Sim, queridos, ocorre-me que o nosso entusiasmo tem um quê — ou muitos “quês” — de absurdo e até de melancólico. Vivemos dias em que uma juíza se expressando em defesa da lei e dos fundamentos da Constituição da República Federativa do Brasil nos conduz ao aplauso. Isso significa que algo em nós está a dizer que Márcia Mathey Loureiro pode estar mais para a exceção do que para a regra.

Não creio que já tenhamos chegado a esse ponto. Ainda há muitos juízes em Berlim, sim. Infelizmente, são poucos os que não temem a patrulha e deixam clara a sua subordinação ao aparato legal do país — um país que é, afinal de contas, uma democracia.

Entusiasmamo-nos tanto com a meritíssima porque, não faz tempo, vimos uma tal Associação de Juízes Pela Democracia (como se pudesse haver uma “pela ditadura”…) a sustentar, numa nota, que há, sim, homens que estão acima da lei. Segundo os valentes, estão nessa condição aqueles que lutam pela justiça social. Entende-se, pois, que, estando um “herói” da causa acima dos limites legais,  rigorosamente tudo lhe é permitido.

Ah, social! Quantos crimes se cometem em seu nome!!!

Por Reinaldo Azevedo

 

30/01/2012 às 6:47

De novo o Rio e as bobagens do sentimento nativista. Ou: chamemos o certo de “certo” e o errado de “errado”

Fiz, sim, uma dura crítica ao desempenho do governo do Rio — especialmente do governador Sérgio Cabral — no caso dos desabamentos dos três prédios. Não retiro nem matizo uma miserável palavra e creio que outras tantas devam ser acrescentadas, como farei. Antes, no entanto, são necessárias algumas considerações.

É uma tolice, uma bobagem, afirmar que critiquei “o Rio”. Não! Eu reprovei o comportamento de Cabral e classifiquei de desastrada a ação de resgate das vítimas, com retroescavadeiras operando no canteiro poucas horas depois da tragédia. É um procedimento inaceitável. Mais: faltaram peritos para orientar o trabalho, o que poderia ser vital para se chegar às causas do desastre. Diz-me um engenheiro que o modo como quebra uma viga, o retorcimento da ferragem e até o tomanho dos escombros são pistas essenciais do que aconteceu.

Em nenhum momento sugeri que a população do Rio não sabe votar. Se o sujeito, porque eleito, tem de ficar imune à crítica — ou, então, se estará atacando a maioria que o escolheu —, instituamos a ditadura por intermédio das urnas. É o sonho dourado dos totalitários.

Sugiro a alguns exaltados fluminenses, especialmente a alguns cariocas, e a uns tantos críticos contumazes do Rio que deixem de bobagem. Infelizmente, dadas a baixa qualidade da fiscalização e a corrupção da máquina pública, em todas as esferas, o que se viu pode acontecer em qualquer cidade. Mas é preciso reconhecer a particularidade quando diante de uma. Carregar corpos de vítimas junto com entulho é uma manifestação brutal de incompetência. Ela não revela nada do povo do Rio. Isso é besteira. O tratamento dispensado ao caso é que expõe a blindagem dos governantes locais, o que considero ruim para a cidade e para o estado.

Qualquer profissional de imprensa e qualquer leitor sabem que evento idêntico em São Paulo levaria os governantes locais para o corredor polonês. Não se trata de culpar esse ou aquele pelo desabamento. Trata-se de reconhecer uma operação desastrada de salvamento, de que os fragmentos de corpos no entulho são provas cabais. Em nenhum país do mundo se decreta não haver mais chance de resgatar vítimas com vida depois de 24 horas. E se fez isso no Rio. Sob o silêncio cúmplice da imprensa, que também não estranhou aquelas absurdas retroescavaderias no local já nas primeiras horas de quinta-feira.

Clima de “Estamos todos juntos”
O Rio, infelizmente, tem assistido a uma seqüência de eventos trágicos. Imediatamente, as TVs convocam a rede de solidariedade, o que é compreensível e correto. Mas isso não pode se confundir com inibição da crítica e da cobrança — e ouso dizer que isso está, sim, acontecendo. Reparem que não há, na grande imprensa, a fala de um só especialista em resgate. A história dos corpos despedaçados nos entulhos é tratada como uma fatalidade, um dano marginal, coisa própria a operações dessa natureza. E isso simplesmente não é verdade.

O Rio vem de uma sucessão de governos realmente desastrados e desastrosos. Sérgio Cabral, muito em razão da supervalorizada — e também pouco questionada — implementação das UPPs, conseguiu operar acima do padrão histórico. Entendem muitos formadores de opinião na cidade — e pode até ser que tenham razão; não debato isso — que as eventuais alternativas podem ser piores. Ok. Isso, no entanto, não deve impedir de se caracterizar o erro como um “erro”, ou quem perde é a população.

Regionalismo, meus queridos, para atacar ou para se defender, é sempre um argumento burro. Eu não estou dizendo que a imprensa carioca deva detestar o Rio, assim como a paulista, ou boa parte dela, detesta São Paulo. Ao contrário: deve amá-lo ainda mais. E uma boa maneira de fazê-lo é chamando o erro de “erro” e o acerto de “acerto”. O fato de Anthony Garotinho criticar Cabral não deve tornar Cabral imune à crítica até de quem não é Anthony Garotinho, não é mesmo?

Para encerrar: ilações feitas na imprensa estrangeira de que o desabamento pode indicar risco para os que forem aos estádios na Copa são, claro!, exageros estúpidos. Mas não venham me dizer que o exemplo escancarado de ineficiência no resgate deveria ter sido ignorado. Afinal, é o estado brasileiro que responde pela segurança do evento, não? 

Por Reinaldo Azevedo

 

O PT, que dá a oposição como liquidada, estuda agora um futuro confronto com os evangélicos

O fato mais importante da semana passada se deu na sexta-feira, em Porto Alegre. Seu protagonista é Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e olhos, ouvidos e mão — pesada! — de Luiz Inácio Lula da Silva no governo. Carvalho é o homem que guarda os arcanos petistas, os seus segredos, os seus porões. Depois do Babalorixá de Banânia, é quem mais conhece o partido. Transita em todas as esferas, especialmente no mundo sindical — e o sindicalismo nunca foi para pessoas de estômago fraco. O de Carvalho é de avestruz. Não por acaso, ele foi o principal articulador do PT nos eventos pós-morte de Celso Daniel. Foi quem organizou a reação do partido e determinou o papel que cada um deveria desempenhar. Tinha sido braço-direito do prefeito. Segundo irmãos de Celso, confessou-lhes que levava malas de dinheiro do esquema de corrupção de Santo André para o PT — no caso, para José Dirceu. Ambos negam, é evidente. Mas volto.

O evento mais importante foi a palestra de Carvalho a militantes de esquerda no Fórum Social de Porto Alegre. É aquele evento que contou, na sua fase palaciana, com a presença do terrorista e assassino Cesare Battiti, a quem os petistas deram guarida. Para Carvalho, no entanto, “terrorista” é a polícia de São Paulo… Esse foi o trecho politicamente mais delinqüente de sua fala, mas não foi o principal.

 Depois de confessar que o governo quer criar uma mídia estatal para a chamada “classe C” — que, seguindo Carvalho, não poderia ficar à mercê da mídia conservadora —, ele avançou: é preciso fazer uma disputa ideológica com os líderes evangélicos pelos setores emergentes!

Uau! Não pensem que isso é feito assim, na louca, sem teoria — nem que seja uma teoria aprendida, não exatamente lida. Esse pensamento de Carvalho tem história.

Os petistas, embora não o digam em público, consideram que a oposição está liquidada. Conversei dia desses com um intelectual petista que se mostrava, até ele, escandalizado com a incapacidade da oposição de articular o discurso conservador para se opor ao suposto “progressismo” do PT. Ele também estranhava o que vivo estranhando aqui: será o Brasil a única democracia do mundo com medo dos eleitores que estão mais à direita no espectro político? Pelo visto, sim! Lá na suas tertúlias, os petistas chegam a zombar dessa covardia.

Notem, a propósito, que os únicos momentos em que demonstram realmente alguma aflição e põem as suas hordas na rua é quando temem que a população adira ao discurso da ordem: então mobilizam seus bate-paus para confrontos com a polícia. Assim, podem sair gritando: “Fascistas!” Se e quando a oposição souber falar essa linguagem de modo eficiente e moderno, o PT pode ter problemas. Mas a aposta dos companheiros é que isso não vai acontecer. Tucanos, por exemplo, são reféns de sua “ilustração”.

A outra força
A força que o partido teme é justamente a religiosa. E, no caso, não é a Igreja Católica que os preocupa. Embora tenha cooptado o PRB — o partido da Igreja Universal do Reino de Deus, do auto-intitulado “bispo” Edir Macedo, dono da Record —, o PT sabe tratar-se de uma vistosa, mas pequena parte dos evangélicos. Seguindo os passos da teoria gramsciana, o “partido” tem de se consolidar como um “imperativo categórico”, de modo que toda ação concorra para fortalecê-lo. Mesmo os movimentos de crítica e reação hão de estar subordinados a este ente. Haver organismos, entidades, grupos ou religiões que cultivem valores fora do abrigo do partido é inaceitável.

Os “pensadores” do PT querem começar a criar as condições para limitar ou anular a influência das igrejas evangélicas especialmente nas questões relativas a costumes. O projeto petista se consolida é com a completa laicização da sociedade, sem espaço para a moral privada ou de grupo. Teses como descriminação do aborto, legalização das drogas, união civil de homossexuais, proselitismo sexual nas escolas (nego-me a chamar de “educação” o tal kit gay, por exemplo) tendem a encontrar resistência. E as vozes que lideram essa resistência costumam ser justamente as dos evangélicos. Setores da Igreja Católica também reagem, sim, mas sabemos que a Santa Madre está infestada de esquerdistas de batina (ou melhor: sem batina!).

Ora, conjuguemos as duas propostas de Carvalho, feitas no Fórum Social: ele quer o estado produzindo “informação” para a classe C justamente para disputar almas com os evangélicos. O PT chegou à fase em que acredita que pode também ser “igreja” — e seu “deus”, como se sabe, é o Apedeuta… Os petistas ainda não engoliram o recuo que tiveram de fazer em 2010, no debate sobre o aborto, por causa da pressão dos cristãos.

Os cristãos evangélicos entraram no alvo de médio prazo do PT. Cuidem-se ou serão também engolidos.

Por Reinaldo Azevedo

 

ESTA MULHER HONRA A JUSTIÇA BRASILEIRA! ESTA MULHER HONRA O BRASIL! APLAUSOS PARA ESTA MULHER, QUE SE OPÕE À BARBÁRIE DE UM PAÍS SEM LEI

Eu detesto covardes!
Eu detesto demagogos!
Eu gosto dos que gostam do estado de direito!

A juíza Márcia Mathey Loureiro, que determinou a reintegração de posse da chamada área do Pinheirinho, é corajosa. E SUA CORAGEM NÃO ESTÁ EM AFRONTAR A LEI, MAS EM SEGUI-LA.

A juíza Márcia Mathey Loureiro não afronta a Justiça que é de todos para exercer noções particulares de justiça em busca do aplauso fácil.

A juíza Márcia Mathey Loureiro gosta do estado democrático e de direito. E não se acovarda. E dá uma lição à presidente Dilma Rousseff: barbárie é o estado sem lei, presidente! E dá uma lição a Gilberto Carvalho: ação terrorista é o seqüestro da Constituição, meu senhor!

Assistam à notável entrevista concedida por ela DEPOIS da reintegração de posse do Pinheirinho. Ela não foi se esconder debaixo da cama. Ela deu a cara AO ESTADO DE DIREITO E À DEMOCRACIA, sem temer as hordas fascistóides da desqualificação. Assistam à sua entrevista. Volto em seguida.

Voltei
“Eu não poderia dizer que o particular tem de fazer as vezes do poder público e providenciar moradia pra diminuir o déficit habitacional”

Não conheço outras decisões da juíza nem seus outros juízos. Se o que vemos acima é o padrão, o Brasil que Márcia Mathey Loureiro tem na cabeça é uma democracia de direito, tanto quanto o Brasil de Gilberto Carvalho é uma ditadura, onde leis são cumpridas de acordo com as conveniências.

Sua entrevista também deixa claras todas as providências que foram tomadas para a desocupação — omitidas, como vocês sabem, pela esmagadora maioria da imprensa. Também resta evidente que a desocupação tem sido debatida desde julho. Sucessivas reuniões não resultaram em acordo, e não havia proposta nenhuma para a área — MUITO MENOS DO GOVERNO FEDERAL, como sugeriu, mais uma vez contrariando os fatos, o sr. Gilberto Carvalho.

Espalhem este post e este fato:
COM MÁRCIA MATHEY LOUREIRO, O ESTADO DE DIREITO TEM FUTURO NO BRASIL. COM GILBERTO CARVALHO E DILMA, ELE SÓ TEM PASSADO!

Por Reinaldo Azevedo

 

ANDREA MATARAZZO HONRA A DEMOCRACIA BRASILEIRA E ENFRENTA BURGUESOTES TRUCULENTOS, QUE FORAM COMBATIDOS POR POBRES DECENTES DE CIDADE TIRADENTES

O secretário de Cultura do Estado, Andrea Matarazzo (PSDB), um dos pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo, inaugurou ontem de manhã o MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea-USP) no espaço em que funcionava o antigo Detran, na região do Ibirapuera. Um grupo de 30 manifestantes de extrema esquerda resolveu fazer um protesto violento ao fim do evento. Manifestavam-se contra a retomada da cracolândia pelo estado de direito (que tem o apoio de 82% dos paulistanos), a desocupação do Pinheirinho, o policiamento na USP etc. O grupo cercou o secretário, que não se deixou intimidar — e esse é o caminho. Vejam esta foto de Robson Ventura, da Folhapress. Ainda voltarei a ela.

andrea-matarazzo-enfrenta-fascistas

Os marqueteiros de fundo de quintal logo dizem: “Oh, dedo em riste?” Com gente malcriada, que não sabe o que é democracia e que faz da ofensa argumento, é dedo em riste, sim! Vocês já verão por quê. Matarazzo comentou a agressão:
“Era um momento de festa para a cidade, temos orgulho de presentear São Paulo com a nova sede do MAC. Jamais esperava que politizassem o evento, e não há como encarar o que ocorreu de outra forma: foram atos de truculência. Fui agredido fisicamente durante a manifestação, e esse é o limite da democracia. Ninguém pode tirar o direito do outro de ir e vir, era apenas isso que eu tentava fazer. Essas pessoas não têm a mínima noção do que é cidadania. Também me preocupei com a segurança de todos que comemoravam conosco um marco para a cidade”.

A cidade está dizendo nas pesquisas o que acha desses truculentos.

Agora a foto
Quem é aquela mulher, agora por outro ângulo, aquele em que ela parece mais cordata, suave, pronta para o diálogo? Vejam.

miitante-descontrolada

Talvez tenha confundido Matarazzo com seu dentista ou com seu otorrinolaringologista… A convocação mais entusiasmada para o ato está na página de Rafaela Martinelli, aluna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e moradora do Crusp. É publicidade que ela queria, não? Aqui está. É daquela turma contrária à presença da PM no campus, entenderam? Cheguei a pensar que fosse ela. Não dá para saber. Entre os temas que acompanha, está a “Corrente Marxista do PT”. Huuummm… Entendi tudo.

O mais interessante do evento, no que diz respeito à política, é que havia um grupo de jovens militantes do PSDB vindos de Cidade de Tiradentes, uma região pobre de São paulo, que enfrentaram os burguesotes radicalizados.

Este será o confronto de 2012 em São Paulo:
Entre quem quer a cracolândia e quem não quer.
Entre quem quer estado de direito e quem não quer.
Entre quem quer a bagunça e quem não quer.

É preciso convidar o leitor e o eleitor a fazer uma escolha.

Por Reinaldo Azevedo

 

29/01/2012 às 7:53

NA CABRALÂNDIA - A BARBEIRAGEM NO RIO: DERAM PRIORIDADE À REMOÇAO DE ENTULHO, NÃO À PROCURA DE SOBREVIVENTES. OU: MARKETING FORA DE CONTROLE

Reproduzi ontem trechos de três notícias na Folha sobre o desabamento dos prédios no Centro do Rio. Todos os títulos abriam com a palavra “Cabralândia”. Alguns leitores, talvez fãs do governador Sérgio Cabral (PMDB), reclamaram: eu o estaria culpando! Não!, Não pelo desabamento! Ao contrário até: eu me oponho à ligeireza com que setores da imprensa, especialmente de São Paulo, metem o microfone na boca de autoridades para que expliquem determinadas ocorrências que podem, muitas vezes, ser frutos, sim, da desídia do Poder Público, mas que se arrasta por anos, e as autoridades de turno não são pessoalmente responsáveis por ela. É claro que lhes cabe encaminhar soluções. Mas é preciso haver ponderação. O que me choca e me escandaliza no caso do Rio é outra coisa, e vou deixar tudo muito claro.

O Rio não é a primeira cidade do mundo a assistir a desabamentos. Volta e meia, cidades são sacudidas por terremotos — o nosso “sismo” costuma ser a incompetência mesmo, né? Assisti na televisão, com torpor, antes mesmo de se completarem 24 horas da tragédia, à ação de retroescavadeiras. Não sou especialista no assunto. De jeito nenhum! Eu não sei conduzir nem automóvel; imaginem, então, uma estrovenga daquelas… Mas não sou idiota. Costumo usar a lógica elementar para me conduzir no dia-a-dia. Essas máquinas fazem um barulho infernal. Se sobreviventes houvesse por ali, o ronco do motor e a gritaria no canteiro da tragédia abafariam seus gemidos. Procurem as imagens das primeiras horas de terremoto no Japão, na Turquia e até no Irã. O trabalho é manual. Essas máquinas entram muito depois.

Vejam as retroescavadeiras. A reportagem remete ao trabalho ao longo daquela quinta, dia 26, horas depois dos desabamentos, ocorridos na noite do dia 25. E as máquinas já estavam lá. Consta que se fazia um momento de silêncio, todos apuravam os ouvidos. Ninguém escutando nada, aquelas manoplas entravam em ação, com a delicadeza que se supõe… Ocorre que havia pessoas soterradas, que ainda podiam estar vivas — por que não?

Leiam isto:
“Passadas as primeiras 24 horas em que a gente manteve a esperança de encontrar sobreviventes, agora a gente lida com outra realidade de admitir que realmente os corpos que vão ser resgatados não têm mais possibilidade de sobrevida”.
A fala é de Sérgio Simões, coordenador da Defesa Civil. Procurei material a respeito. Em ocorrências assim, não há protocolo que estabeleça prazo tão curto. Pesquisem: há casos de pessoas que sobrevivem por uma semana porque tiveram a sorte de ficar numa bolha de ar, que recebia ou água da chuva ou de um encanamento estourado. Os salvamentos dessa natureza são sempre dramáticos e rendem histórias impressionantes porque não existe a regra do “desabou, matou”. Decretar o fim das esperanças depois de 24 horas me parece um despropósito, uma precipitação, com todo o respeito ao profissional em questão.

O horror, o horror
Ora, dada a maneira como as coisas se conduziram, alguém estranha que um corpo tenha sido encontrado junto com os entulhos? Agora leio que os cães vão procurar mais cinco, que podem ter tido o mesmo destino. Desculpem! Não quero, não, fazer proselitismo com a tragédia, mas isso é inaceitável! Um único, o caso já comprovado, demonstra a estúpida imperícia da operação. Cabe toda sorte de especulação, e a mais óbvia é esta: “Estaria mesmo morta aquela pessoa quando a máquina tocou em seu corpo?” É muito provável que sim! Ainda assim, há o decoro necessário com os mortos e o respeito devido às suas respectivas famílias, que à dor da perda vêem se somar essa forma de vilipêndio de cadáver. Pouco me importa o partido do governador Sérgio Cabral ou do prefeito Eduardo Paes. Que a coisa não andou bem por lá, aquele corpo o evidencia. E pedaços de outros cadáveres já apareceram no entulho. Isso para não falar do roubo — o nome é esse — de bens e pertences dos usuários dos prédios. Tenham paciência!

Referi-me a “Cabralândia” porque poucos governantes gostam de viver numa bolha de fantasia como Sérgio Cabral — e colabora para tanto, é fato!, parte considerável da imprensa carioca. Eu já vi este governador chorar porque o Congresso votou uma redivisão dos royalties do petróleo que eu também acho injusta com o Rio — já escrevi a respeito. Eu já vi esse governador liderar uma passeata de milhares de pessoas, convocando, assim, seus sentimentos nativistas por causa do óleo… Vá lá. Mas por que Cabral, de forma sistemática, organizada, metódica, deliberada, se ausenta sempre que uma tragédia colhe a cidade ou o estado? Eu nem recomendaria que ele fosse irrigar com lágrimas os corpos dos soterrados da região serrana, do Morro do Bumba ou agora dos prédios do Centro. Preferiria, na verdade, que ele não tivesse chorado por causa do petróleo (uma reação, assim, um tanto mômica…). O fato é que ele costuma sumir nessas horas.

É possível que leis falhas da Prefeitura e omissões variadas tenham concorrido para a tragédia. É, sim. Mas, ao menos, o prefeito Eduardo Paes se mostrou presente desde as primeiras horas. É assim que se faz. E é assim que Cabral deveria fazer. Eu sei que ele não resgataria corpo nenhum, mas também não é ele que responde pela alegria do Carnaval, não é? Mas sempre está presente.

Assessoria destrambelhada
A assessoria de Cabral anda um tanto destrambelhada. Jornalistas e internautas nas redes sociais cobravam: “Onde ele está?” O governo divulgou a agenda e aproveitou a oportunidade para fazer uma espécie de propaganda dos feitos do herói. Leio o seguinte texto no Globo Online (em vermelho). Volto em seguida.

A assessoria do governador Sérgio Cabral esclareceu pontos sobre a sua agenda desde o dia da tragédia:
A respeito da agenda do dia 26, a assessoria informa que “às 17h, o governador estava em agenda pública no Complexo do Alemão para troca de Comando da Força de Pacificação, com o ministro Celso Amorim, o secretário José Mariano Beltrame, o Comandante do Exército e demais autoridades. O governador falou sobre a troca de comando e sobre o desabamento em pronunciamento. Em seguida, em entrevista à imprensa, respondeu perguntas sobre o desabamento”.

No dia seguinte, segundo a assessoria, por decisão do governador, foi suspensa a participação “em agenda festiva de entrega de 68 viaturas para as Defesas Civis e Guardas Municipais de Itaperuna, Italva, Laje do Muriaé, Santo Antônio de Pádua e Sapucaia, municípios atingidos pelas chuvas de janeiro de 2012 Recebeu os prefeitos no gabinete do Guanabara no mesmo horário, mas as viaturas foram entregues pelo secretário de Governo, devido ao desabamento”.

A assessoria informa ainda que foi cancelada e adiada a agenda do dia 26, sobre a assinatura do termo de adesão ao programa de combate ao crack, onde estariam presente ministros, “devido ao momento do Rio por conta do desabamento”.
Segundo a assessoria, o governador também cancelou e adiou a inauguração da ponte estaiada, com a presença da presidente Dilma Rousseff, na sexta, dia 27.
A assessoria informa ainda que, no primeiro momento da tragédia, o governador foi informado pelo coronel Sérgio Simões, secretário de Defesa Civil, e enviou secretários para dar suporte ao trabalho:
“O governo está e se faz presente com as ações imediatas, que têm a coordenação do governador”.

Voltei
Bem, avaliem vocês mesmos se havia ou não tempo para dar uma passadinha no local da tragédia. O que parece é que Sérgio Cabral acha que o governador fica bem nas imagens de cartão postal, nas festas e nas solenidades em que aparece oferecendo benefícios ao povo. Ninguém pode condená-lo por isso, claro! Ocorre que, nem tão de vez quando, há deslizamentos, soterramentos, desabamentos, enchentes… E ele governa o estado também nessas horas. Ou não? Abstendo-se, as coisas acabam resultando no mal adicional que se viu na região serrana: depois das chuvas e dos soterramentos, vieram a roubalheira, a incompetência e a paralisia.

Acreditem: um dia ainda iremos nos espantar com os métodos empregados para “resgatar” as vítimas dos prédios que desabaram. O Rio precisa parar de aceitar passivamente que determinados sítios se transformem em cemitérios naturais.

Está na hora de a imprensa carioca ser um pouco mais severa com Sérgio Cabral. Isso não vai prejudicar a Copa do Mundo e a Olimpíada. Pode até ajudar. O espírito crítico não significará falta de amor ao Rio. Pode ser justamente o contrário.

Por Reinaldo Azevedo

 

29/01/2012 às 7:51

O PT perdeu esta parada! 82% dos paulistanos apóiam ação da PM na cracolândia. Povo gosta de lei e ordem; quem acha a bagunça uma fatalidade da democracia é intelectual pé-de-chinelo

A Folha publica hoje uma pesquisa Datafolha que evidencia que nada menos de 82% dos paulistanos concordam com a ação da Polícia Militar na Cracolândia. É mesmo, é? Algum leitor deste blog está surpreso? Quando classifico de “extrema minoria” esses burguesotes radicalizados — muitos deles usuários declarados de drogas — que vão queimar carne e neurônios da antiga cracolândia, há quem reclame: “Que preconceito!” Preconceito??? Se 82% estão de um lado, chamo de minoria os que estão do outro. Podem se manifestar? Ora, podem, sim, desde que não agridam direitos constitucionais, como o de ir e vir — que era desrespeitado justamente pelos antigos usurpadores daquela região da cidade. Ao contrário do que disseram alguns promotores, alguns defensores públicos, alguns militantes de ONGs que são proxenetas morais dos viciados e certos “intelectuais dos narcóticos”, a Polícia Militar levou o estado democrático e de direito à antiga cracolândia. É fácil demonstrar: hoje, na região há mais ou há menos artigos da Constituição e do Código Penal sendo respeitados? Para respondê-lo, atenção!, é preciso pensar também nos moradores do Centro que não eram e não são consumidores de drogas. São apenas a esmagadora maioria!!!

O PT perdeu! Os proxenetas morais perderam! A esquerda incrustada no Ministério Público e na Defensoria perdeu.

Achei um tanto curioso o lead da Folha porque, ou as palavras têm um sentido que não coincide com o do dicionário, ou há ali uma não-correspondência entre o texto e a realidade. Está escrito:
“O bate-boca entre pré-candidatos do PT e do PSDB à Prefeitura de São Paulo sobre a operação da Polícia Militar na cracolândia não encontra eco entre os eleitores. Ouvidos pelo Datafolha na quinta e na sexta, 82% dos paulistanos concordam com a ação da PM para tentar desbaratar o tráfico e o consumo de crack na região central de São Paulo.”

Como não??? Calma lá! O que não encontra “eco entre os eleitores” é a posição adotada pelo PT e por seu pré-candidato, Fernando Haddad, ora essa! Partido e agora ex-ministro atacaram a operação da cracolândia. Os tucanos a apoiaram de maneira clara e aberta, muito especialmente Andrea Matarazzo, em que pretendo votar, que aceitou fazer o debate. E com razão também particular para tanto: é um antigo defensor de uma intervenção firme na área e sempre enfrentou as falanges comuno-fascistóides da desqualificação. Que história é essa de “não encontra eco”???  O texto dá a entender que, nesse particular, estão todos em desconexão com a população e com o eleitor. E, obviamente, não é verdade. Aliás, no que diz respeito à Cracolândia, Haddad resolveu confrontar até os que têm o PT como partido de preferência: 83% apóiam a ação da PM; entre os tucanos, 90% — nos dois casos, acima da média da cidade. Outro que atacou a ação da polícia foi o neopeemedebista e ex-um-monte-de-coisas Gabriel Chalita.

Sabem, né?, sempre é preciso chamar os “especialistas” para iluminar o debate. O sociólogo Renato Sérgio de Lima, secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, opina: “O paulistano gosta desse tipo de polícia que impõe mais rigor. Mas é necessário que ela seja controlada e transparente, para evitar abusos”. Huuummm… Não entendi… Nas outras cidades, a população prefere uma polícia menos rigorosa? Sim, claro, “controlada e transparente”! E não há “mas” nenhum, Lima! As polícias pouco rigorosas é que costumam ser opacas e descontroladas…

Aí vem o “cientista político Fernando Abrucio: “O uso político da ação na cracolândia vai exigir muito cuidado. A classe média vai aplaudir porque considera que o problema está sendo enfrentado. Mas quanto tempo dura esse efeito midiático, de uma cracolândia limpa? Além disso, é preciso ver se os viciados não vão se espalhar, o que provocaria um efeito negativo”.

O uso de um cortador de unhas exige cuidado, ou se fica sem a ponta do dedo. Embora a fala de Abrucio tenha muitas interrogações e afirmações oblíquas, entende-se que ele considera que a classe média apóia a operação mais do que os pobres — o que é mentira — e que a aprovação decorre da “operação midiática”, o que também é mentira: boa parte da imprensa paulistana atacou a decisão do governo e da Prefeitura. “Operação midiática” foi a que setores da imprensa, petistas e vagabundos da Internet promoveram CONTRA a PM. Quanto ao resto, dizer o quê? Os “viciados” já se espalharam, e é bom que tenham se espalhado. A intervenção naquela região não tinha o objetivo de acabar com o vício! Era necessário interromper o fluxo contínuo de drogas, oferecendo, como está sendo feito, chance de tratamento a quem quer se tratar. O objetivo era devolver a região à Constituição! E como a polícia de São Paulo é aquela “do rigor”, não uma espalha-bandido, traficantes foram presos.

Não é trouxa
A pesquisa evidenciou que a população é menos trouxa do que supõem alguns quase intelectuais. Dizem que os viciados — que a imprensa chama “usuários” — vão buscar drogas em outro lugar 82% dos entrevistados; 57% acham que não é possível acabar com o tráfico e o uso de crack. Viram? As pessoas não se iludem, não! Elas sabem que não é a PM que faz alguém deixar de ser viciado ou que o tráfico sempre vai existir. MESMO ASSIM, APÓIAM A PM NA CRACOLÂNDIA PORQUE NÃO QUEREM SER MOLESTADAS NEM POR TRAFICANTES NEM POR VICIADOS.

Os únicos que acham que viciados têm o direito de importunar a vida dos não-viciados, juntando-se em hordas, são intelectuais pés-de-chinelo, que estão longe das cracolândias, moram em bairros seguros e não hesitam, como é o certo, em discar o 190 quando ameaçados.

Achar uma nova causa
Os petistas tentam desesperadamente fazer do Pinheirinho uma causa porque não estão conseguindo ganhar a opinião pública. Tentaram com os desordeiros da USP. Não deu! Tentaram com a cracolândia. Não deu! Agora têm a nova causa. Desta vez, vêem até com o peso-pesado (eticamente, peso-leve) Gilberto Carvalho, que decidiu partir para o terrorismo político.

Sim, trata-se de uma tramóia eleitoral. Que cada partido e cada líder seja devidamente ligado à sua obra!

Por Reinaldo Azevedo

 

29/01/2012 às 7:49

Polícia do PT de Agnelo e Dilma expulsa 70 famílias de área da União, derruba 450 barracos dos miseráveis e prende 29 excluídos

O que vocês acham do texto acima? E como analisam este pobre homem escoltado pela “força bruta”? O que pensam desta linguagem, incluindo a do título? Vejam a foto. Volto em seguida.

PM acompanha invasor durante a retirada: Agefis derrubou moradias com a ajuda de três tratores

PM acompanha invasor durante a retirada: Agefis derrubou moradias com a ajuda de três tratores

 

Esse é mais um exercício que faço para evidenciar como é fácil distorcer a realidade com dados extraídos da realidade. É claro que carrego nas tintas. Imito o procedimento empregado pelos petistas e por certo subjornalismo a soldo. Abaixo, reproduzo uma reportagem do Correio Braziliense de ontem. Como vocês vão notar, tratava-se de uma invasão ilegal. E não existe estado democrático e de direito sem o cumprimento da lei. Leiam o texto do Correio. Volto em seguida.

Por Antonio Temóteo:
Uma megaoperação do Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo do Governo do Distrito Federal removeu 70 famílias e destruiu 450 barracos de uma invasão na Fazenda Sálvia, de propriedade da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério do Planejamento e Gestão. O latifúndio de 306 hectares, localizado na DF-330, entre Sobradinho e Paranoá, estava ocupado desde a última sexta-feira por invasores que se diziam interessados em participar de um programa de reforma agrária.

Na última quarta-feira, a SPU pediu ao Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo que interviesse na área para remover a invasão. Os trabalhos, coordenados pela Secretaria de Ordem Pública e Social (Seops), começaram às 9h50. Um grupo de 450 homens, formado por policiais militares, civis e federais, fiscais da Agência de Fiscalização do DF (Agefis) e da SPU e bombeiros foi destacado para a retirada.

Os servidores da Agefis derrubaram os 450 barracos e tiveram o auxílio de três tratores. Caminhões do Serviço de Limpeza Urbana do DF (SLU) retiraram o lixo do local. Apenas uma mulher grávida passou mal, mas foi socorrida pelos bombeiros e levada para o Hospital Regional do Paranoá. Ela e o bebê passam bem.

Prisões
Durante a desocupação, a Delegacia do Meio Ambiente (Dema) prendeu 29 pessoas acusadas de invadir com intenção de ocupar terras da União, crime descrito no artigo 20 da Lei nº 4.947, de 1966. As penas para quem comete o delito são de seis meses a três anos de prisão. Cada um dos acusados poderá responder em liberdade, caso uma fiança de R$ 1 mil seja paga. Três pessoas também responderão pelo crime de desacato a autoridade, descrito no artigo 331 do Código Penal. As penas são de seis meses a dois anos.

O agricultor José Pereira Gonçalves, 48 anos, estava em um assentamento em Brazlândia com a mulher e dois filhos e, desde a última sexta-feira, fez um barraco na Fazenda Sálvia. Natural do Maranhão, José diz que gostaria de dar uma vida melhor para os filhos por meio do trabalho na lavoura. “Não quero nada de ninguém. Queria só um pedaço de chão para plantar, mas, como não deu certo, vou esperar uma oportunidade. O governo tinha de ajudar quem precisa. Essa terra está parada”, lamentou.

A agricultora Maria Silva, 39 anos, estava acampada na Fazenda Sálvia com a irmã, Rita Silva, 45. As duas são paraibanas e vieram para Brasília na esperança de conseguirem ser incluídas em um programa de reforma agrária. “A situação é precária no nosso estado. Viemos para cá em busca de um lugar para viver bem. Essa fazenda podia ser dividida entre o povo, mas ninguém consegue nada de graça”, disse.

Voltei
“Ah, mas não houve violência!” Não porque não houve resistência. A reportagem não diz. Não está claro se a Justiça foi acionada. Parece que não! As forças policiais se encarregaram do assunto. E se note que é terra da União. Foi o Ministério do Planejamento quem pediu que os invasores fossem retirados. Invasão em terra do governo, não! Gilberto Carvalho só apóia invasão de propriedade privada!

Ora, troquem-se as personagens. Estivesse no poder um governo do PSDB ou do DEM, e os petistas estariam lá, “mobilizando” os invasores e indagando: “Mas para onde serão levadas essas pessoas? É justo impedir que tenham as suas casas?” Cadê os deputados petistas? Cadê aquele “secretário” de Gilberto Carvalho???

O que é asqueroso na maioria dos petistas, obviamente, não é o que eles dizem ser apreço pelos “direitos humanos”; asqueroso é seu apreço seletivo. Até agora, nem Maria do Rosário nem Carvalho não se interessaram pelo estudante do Piauí que ficou cego de um olho no choque com a Polícia Militar do Estado, comandada pelos companheiros petistas e pelo PSB.

Por Reinaldo Azevedo

 

29/01/2012 às 7:47

Gilmara, agora com imagem. E olhe o Aristeu aí, gente, a demonstrar uma noção muito particular de direito

Sabem a Gilmara, que entrevistei aqui, dada como “morta” (junto com marido e filho) pelos esquerdopatas e mentirosos compulsivos? Então… Ela foi entrevistada pela TV. No vídeo abaixo, vocês vêem também o “Aristeu”, aquele que falou à Agência Brasil e ajudou a espalhar país e mundo afora a história dos supostos homicídios… Vejam. Volto depois.

Voltei
Então… Aristeu foi desautorizado pela OAB de São José dos Campos como se sabe. E não é que o homem ficou bravo, está cheio das valentias? Vejam como ele evoca a sua condição de militante dos direitos humanos. O que isso tem a ver, Aristeu, com os “não-fatos”?

Mais estupefaciente: um morador foi atendido no serviço médico e, como já demonstrei aqui, concedeu entrevista ao jornal “O Vale” depois da desocupação do Pinheirinho. Segundo Aristeu, está sumido. Digamos que sim: e daí? Por que esse tom do doutor entre o desafio, a desconfiança e a denúncia? Estaria a polícia, o governo do Estado ou a Prefeitura obrigados a dizer onde está o homem? Por quê? O que quer Aristeu? Que esses três entes PROVEM QUE NÃO TÊM NADA COM ISSO?

Onde Aristeu aprendeu essa noção de direito? Por que não escreve uma tese sobre “Prova Negativa”, defendendo que todo acusado pelos “movimentos sociais” é obrigado a provar que é inocente? Ora… Quantas vezes é preciso ser desmoralizado pelos fatos?

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

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