O assassino do povo cubano e os assassinos do povo baiano

Publicado em 05/02/2012 11:33 e atualizado em 29/08/2013 15:52 1119 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Quando Lula e Jaques Wagner promoviam a baderna na Bahia. Ou: Práticas criminosas

Em julho de 2001, houve uma greve da Polícia Militar na Bahia, então governada pelo PFL. Eu dirigia o site e a revista Primeira Leitura. Critiquei severamente o movimento dos policiais nos termos de sempre nesses casos: “Gente armada não pode parar; quando um policial deixa de trabalhar, o bandido agradece, e o homem comum sofre”. Eu pensava isso sobre a greve da PM baiana em 2001 e penso o mesmo sobre a greve de 2012.  Mas e Lula? E Jaques Wagner?

“‘A Polícia Militar pode fazer greve. Minha tese é de que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a fazer greve.”

Que fala aí é Luiz Inácio Apedeuta da Silva, então pré-candidato à Presidência pelo PT. Seria eleito no ano seguinte para seu primeiro mandato. Naquela greve, sem o morticínio de agora, também houve arrastões, saques etc. Lula,  dotado daquela mesma moral e responsabilidades maiúsculas de Eduardo Suplicy tinha o diagnóstico sobre o que estava em curso no Estado. Leiam:
“Acho que, no caso da Bahia, o próprio governo articulou os chamados arrastões para criar pânico na sociedade. Veja, o que o governo tentou vender? A impressão que passava era de que, se não houvesse policial na rua, todo o baiano era bandido. Não é verdade. Os arrastões na Bahia me lembraram os que ocorreram no Rio em 92, quando a Benedita (da Silva, petista e atual vice-governadora do Rio) foi para o segundo turno (nas eleições para a prefeitura). Você percebeu que na época terminaram as eleições e, com isso, acabaram os arrastões? Faz nove anos e nunca mais se falou isso”.

Quanta ligeireza!
Quanta irresponsabilidade!
Quanta vigarice política!

Mas isso não é tudo, não. Um dos grandes apoiadores da greve de 2001 foi o então deputado Jaques Wagner, hoje governador do Estado. Informava o Globo Online de ontem:
Apontado como líder da greve dos PMs baianos, o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), soldado Marco Prisco, disse que o governador Jacques Wagner, quando ainda era deputado federal, participou com outros parlamentares do PT e de partidos da base do esquema de financiamento da paralisação dos policiais militares do estado em 2001. Ele acrescentou que o Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia, que tinha na direção o atual presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, alugou e cedeu, na época, seis carros para garantir a greve na Bahia, onde diz que foi preseguido e ameaçado de prisão pelo então governador carlista Cesar Borges. “O motorista que me levou para Brasília era um funcionário do sindicato, Nelson Souto. Na capital, foi recebido pelo então senador petista Cristóvam Buarque”, disse.
Prisco disse que, além de Jacques Wagner, teriam apoiado e contribuído para a greve de 2001 os parlamentares Nelson Pellegrino (PT), Moema Gramacho (PT), Lídice da Mata (PSB), Alceu Portugal (PCdoB), Daniel Almeida (PCdoB) e Eliel Santana (PSC). Segundo ele, a ajuda garantiu a estrutura necessária ao movimento, incluindo o fornecimento de alimentação para os grevistas.

Voltei
ISSO É O PETISMO, ESSE LIXO MORAL! Os petistas estavam financiando a greve por intermédio de um sindicato - que nada tinha a ver com a polícia, diga-se - e de seus parlamentares. Hoje, o governador Wagner vai à TV demonizar aqueles a quem deu suporte material quando estava na oposição. O tal líder sindical é o mesmo. Consta que é filiado ao PSDB, mas que vai rasgar sua ficha. Está descontente porque os tucanos não estão apoiando seu movimento - no que fazem muito bem!

Vejam lá que graça: até Sérgio Gabrielli, que depois se tornou o todo-poderoso da Petrobras e que vai fazer parte da equipe de Wagner, apoiava a greve dos policiais. Ora, se era para lutar contra o governo, que mal havia em deixar a população à mercê da bandidagem?

Crime como método
A esmagadora maioria dos petistas é socialista de araque. Essa gente gosta mesmo é do capitalismo, especialmente à moda brasileira, com esse estado gigantesco, que permite ao governo manter na rédea curta boa parte do empresariado. Isso é, além de tudo, muito lucrativo - escreverei mais tarde um artigo sobre o “modo Dilma” de privatizar aeroportos. Não sei como o caçador de “privatarias”, Elio Gaspari, ainda não se interessou pelo caso… Mas não quero mudar o foco. Voltemos.

Os “socialistas” do PT já renunciaram, e faz tempo!, à dimensão utópica do socialismo - não que ela seja grande coisa: também é criminosa. Mas é evidente que houve socialistas, e ainda os há, bem poucos, que realmente acreditavam estar lutando pelo reino da justiça e da igualdade e coisa e tal… Daquele socialismo, os petistas de agora conservam apenas a concepção autoritária de sociedade, gerida pelo partido. Em nome de sua construção e de seu fortalecimento, tudo é possível - muito especialmente o crime.

Eu diria mesmo que inexiste, infelizmente para os bem-intencionados, uma esquerda que não seja criminosa, ainda que alguns de seus militantes não tenham clareza disso. O melhor texto a relatar essa moral justificadora do mal é a peça “As Mãos Sujas”, de Sartre, depois convertido ao… comunismo!

Se o objetivo é conquistar o poder, anotem aí, não existe óbice moral para o PT “Ah, é assim com todo mundo…” Em primeiro lugar, é falso! Não é, não! Em segundo lugar, mas não menos importante: há muitos bandidos que exibem ao menos uma nesga de honestidade ao não tentar nos convencer de que aquilo que nos destrói é bom para nós.

Em 2001, o PT queria “o quanto pior, melhor” na Bahia porque isso fazia parte de seu projeto de poder. Em 2012, o PT quer “o quanto pior, melhor” em São Paulo porque isso faz parte do seu projeto de poder. O governo federal baixou no estado governado pelo petista Jaques Wagner para tentar impor um pouco de ordem. Os mesmos valentes tentaram meter os pés pelos pés em São Paulo para ver se impõem a desordem.

Por Reinaldo Azevedo

 

05/02/2012 às 6:27

O assassino do povo cubano e os assassinos do povo baiano

Vejam esta foto:

Jaques Wagner acompanhou Dilma Rousseff a Cuba quando a segurança pública da Bahia entrava em transe, com uma greve já decretada. Enquanto abraçava um notório assassino em Cuba, Raúl Castro, os assassinos do povo baiano se preparavam para agir.

Jaques Wagner acompanhou Dilma Rousseff a Cuba quando a segurança pública da Bahia entrava em transe, com uma greve já decretada. Enquanto abraçava um notório assassino em Cuba, Raúl Castro, os assassinos do povo baiano se preparavam para agir.

Por Reinaldo Azevedo

 

05/02/2012 às 6:25

Que parte do “bateu, levou” chocou os nobilíssimos coleguinhas?

Parece que nem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, gostou daquela mensagem de um militante do PSDB, que convoca os tucanos a enfrentar as esquerdas na base do “bateu, levou!”… Huuummm. Cada um na sua, né? Depois alguns tontos me chamam de tucano. Não mesmo!

Setores da imprensa fizeram biquinho. Posso fazer uma daquelas minhas perguntinhas que desorganizam o coro dos contentes? Que parte da expressão agride os bons sentimentos dos nobres coleguinhas? O “bateu” ou o “levou”? Não precisam responder. Já entendi.

As esquerdas “baterem” lhes parece coisa normal e aceitável. Inaceitável é que possam também “levar”, não é isso? Resumo: os adversários da sinistra têm de apanhar calados.

De resto, é óbvio que não se trata de confronto físico - a menos que a esquerdalha parta pra porrada. Ora, enfrentamento político é, sim, na base do “bateu, levou” - isto é, da articulação de uma resposta, coisa em que os tucanos, na média, são ruins de doer. O governo Collor não foi um desastre por causa dessa expressão, celebrizada pelo jornalista Cláudio Humberto, então seu porta-voz.

Reagir a ataques vis de adversários é uma obrigação.

Bateu, levou! Que mal há nisso. Em política, ruim é “Bateu, eu gamo!”

Por Reinaldo Azevedo

 

04/02/2012 às 5:59

LEIAM ABAIXO

 

IRRESPONSABILIDADE! SEU NOME É SENADOR SUPLICY, O HOMEM QUE ESTUPRA OS FATOS! OU: JÁ QUE SP JAMAIS TERÁ UM CARNAVAL COMO O DA BAHIA, PETISTAS PAULISTAS QUEREM AO MENOS COPIAR O MODELO DE SEGURANÇA PÚBLICA DAQUELE ESTADO;
Matarazzo, o retuíte, o ridículo e os hipócritas;
Então vamos ver quem é que faz exploração político-partidária da desgraça…;
Imaginem! PSTU faz campanha contra o Pinheirinho em… Santa Catarina! E com mentiras, é evidente!;
Agora vejam a Agência Brasil atuando como assessoria de imprensa do governo petista do Distrito Federal;
Filiado tucano faz a coisa certa, convoca militantes do partido a defender o governo do Estado, mas imprensa paulistana empresta à coisa ares de escândalo. Tucano só pode apanhar, nunca se defender!;
Yoani não obtém visto. Deve ser culpa do embargo americano e da prisão de Guantánamo, não é, Maria do Rosário? Não é, Dilma?;
VOLTO AO NOTICIÁRIO DA AGÊNCIA BRASIL: COMO UM ÓRGÃO OFICIAL DE NOTÍCIAS USA UM PESO E DUAS MEDIDAS! AQUI, A PROVA!;
Empresário deve depor sobre transações de ex-chefe da Casa da Moeda;
Com greve da PM, Salvador tem uma morte por hora;
Suplicy não vai cantar “Blowin’ in the Wind” para os PMs baianos? Vá lá, senador! Coragem, valente!;
Flagrantes do noticiário sobre a Bahia;
A pesquisa que o Estadão fez sobre a cracolândia, o que ela revelou e como a coisa foi noticiada;
As duas morais de Eduardo Suplicy: a de homem justo e a de petista;
EU ACHEI BOA A DECISÃO DO SUPREMO, COMO SABEM, MAS ELIANA CALMON CONCEDE UMA ENTREVISTA DE CONTEÚDO INFELIZ;
Aqui, eu lhes ofereço fatos, fotos e filme de uma reintegração de posse ocorrida no Acre, em julho, estado governado pelo PT. Este é o método do partido de Dilma e de Gilberto Carvalho;
O STF, o CNJ e a democracia. Ou: Escolhas certas por maus motivos e escolhas erradas por bons motivos;
Wagner é incompetente, sim, mas policial que saca a arma contra a população já m de lado: é bandido!

 

Por Reinaldo Azevedo

 

04/02/2012 às 5:51

IRRESPONSABILIDADE! SEU NOME É SENADOR SUPLICY, O HOMEM QUE ESTUPRA OS FATOS! OU: JÁ QUE SP JAMAIS TERÁ UM CARNAVAL COMO O DA BAHIA, PETISTAS PAULISTAS QUEREM AO MENOS COPIAR O MODELO DE SEGURANÇA PÚBLICA DAQUELE ESTADO

Desta vez o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi além de tudo aquilo de que ele próprio é capaz! Seu ataque covarde à Polícia Militar de São Paulo não tem como ser respondido na esfera legal porque ele se esconde atrás da imunidade parlamentar. Vale dizer: usa um valor sagrado da democracia para poder caluniar à vontade, para poder difamar, para poder injuriar. Acho que já escrevi isto aqui e repito: NUNCA INTEGREI O GRUPO DAQUELES QUE CONSIDERAM SUPLICY UM IDIOTA MANSO! Eu o considero um calculista relativamente perigoso. Se não foi além do que pretendia na carreira política - três mandatos consecutivos para senador por São Paulo não é, de todo modo, pouca coisa -, isso se deve, sim, àquele estilo de aparência apalermada, que ele não pode evitar. Mas que não seja confundido com idiotia. Ele tem método. É o único elogio, se é que é um, que lhe posso fazer.

Já tive a chance de lhe dizer isso pessoalmente no aniversário de um conhecido comum, a que ambos estávamos presentes. O senador tentou me puxar ali para um embate simpático e coisa e tal e, num dado momento da conversa, resolveu convocar a “personagem Suplicy, o abestado”. Com cordialidade, pedi que voltássemos à toada anterior que eu, definitivamente, não estava entre aqueles que se deixavam seduzir por suas representações. Imediatamente, ele recobrou o tom mais grave que convém a um senador da República. Sigamos.

Suplicy fez ontem um violento discurso no Senado contra a Polícia Militar de São Paulo. No auge da ignomínia, abordou um relato que teria sido feito por uma família a um representante do Ministério Público Estadual, acusando PMs de estupro. Abaixo reproduzo trechos de um texto publicado no Portal G1 só para que fique o registro. A acusação saiu em toda parte. No “moderno” jornalismo, basta que o Indivíduo A - SE FOR PETISTA OU DE ESQUERDA - diga que o Indivíduo B fez alguma coisa. Isso ganha a rede. O acusado que se encarregue de desmentir, de provar que é inocente. Não é preciso verificar se a história faz sentido, conversar com as supostas vítimas… Nada! AFINAL, EXISTE O TAL “OUTRO LADO”, QUE DISPENSA O JORNALISTA DE QUALQUER APURAÇÃO. “E aí? É verdade que o senhor é estuprador?”

Leiam trechos do texto do G1. Volto em seguida com questões de lógica elementar. Ao fim de tudo, vocês vão ver o que INFORMA o comandante-geral da PM. E ENTÃO SABEREMOS UM POUCO MAIS SOBRE SUPLICY.
*
Por Sandro Lima Do G1:
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou nesta sexta-feira (3), em discurso no plenário do Senado, que houve abuso sexual por parte de policiais militares na ação de desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos. O senador disse ter obtido as informações acompanhando o depoimento das vítimas ao Ministério Público do Estado de São Paulo nesta quarta (1º). Procurado pelo G1, o Ministério Público de São Paulo não confirmou até as 16h o depoimento ao qual se refere o senador Eduardo Suplicy. Mais tarde, na noite desta sexta (3), o comandante da PM, coronel Álvaro Camilo, deu entrevista coletiva e disse que não acredita nas denúncias devido a discrepâncias entre os relatos das supostas vítimas e dos policiais.

No depoimento, segundo o senador, as vítimas disseram que na noite de 22 de janeiro, no início da desocupação, vários policiais militares entraram em uma casa na região do Pinheirinho de modo “abrupto e violento” rendendo agressivamente um jovem de 17 anos e sua mulher, de 26 anos. Segundo o depoimento, havia seis pessoas na casa. De acordo com termo de declarações ao Ministério Público, cuja cópia o senador forneceu ao G1, os policiais renderam a mulher de 26 anos, a isolaram dos demais moradores da casa e a submeteram durante quatro horas a abuso sexual.

No documento, a vítima relata ainda que “durante o ataque foi retirada da casa e, segundo ela própria, mais uma vez seviciada no interior de uma viatura cinza, que identificou como sendo do grupamento Rota”. O adolescente de 17 anos, de acordo com o depoimento, “foi agredido fisicamente e psicologicamente” e ameaçado pelos policiais de “empalação com um cabo de vassoura untado de creme e pomada”. As vítimas mencionaram, segundo o documento, que “no decorrer dos fatos puderam identificar cerca de uma dúzia de policiais todos ostensivamente identificados como componentes do grupamento Rota”.

Os policiais, de acordo com o depoimento, “comeram a comida da casa, danificaram diversos objetos que guarneciam o imóvel, além de terem levado pertences e dinheiro que nada teriam a ver com qualquer atividade ilícita”. Suplicy disse que pediu aos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, proteção às vítimas.
(…)

Voltei
Quando o comandante-geral da PM relatar os fatos, vocês verão a enormidade do que fez Suplicy. Antes disso, vamos nos apegar apenas à lógica dos acontecimentos. Acho que vocês se lembram que não esperei a polícia americana demonstrar que Dominique Strauss-Kahn era inocente. É muito fácil reconhecer uma falácia. Ah, sim: essa história de o MPE não ter confirmado o relato do senador é para pegar trouxas. Sei como são as coisas porque já coordenei equipes de reportagem. Parlamentares e promotores combinam que vai vazar para a imprensa a informação. Como o meu compromisso é com você, leitor, conto como funciona. Ao MP pega mal fazer escarcéu com acusação tão grave sem ter uma miserável prova; a um senador política e moralmente inimputável, tudo bem! Adiante.

Vamos ver. Quer dizer que, numa operação tensa como foi a do Pinheirinho, 12 policiais puderam se dedicar durante quatro horas a sevícias sexuais. Lá fora, ameaça de confronto, correria etc. E os soldados ali, só ocupados no estupro coletivo. Todos os homens seriam da “Rota” - justamente a sigla mais temida pelos bandidos - e nem se ocuparam de esconder o rosto ou, sei lá, de não se exibir para a família. Ao contrário: praticaram o crime sabendo que, depois, poderiam ser identificados. Faz ou não faz sentido até aqui?

Vocês verão que essa família entrou em contado com a Polícia Civil (por outros motivos). Não se falou em estupro. O Pinheirinho era comandado pelo PSTU. Há vários advogados ligados à “causa” - inclusive o tal Aristeu, aquele que denunciou a existência de supostos mortos (eu até entrevistei uma “morta”…). Não se falou em estupro. Maria do Rosário, aquela que não vê ditadura em Cuba (nem enxerga as pessoas cegadas pelas polícias do Piauí, da Bahia e do Acre), despachou o Conselho Nacional de Direitos Humanos para o Pinheirinho para colher relatos. Não se falou em estupro. Preferiram outra vertente dramática: policiais teriam matado cachorros das crianças por pura maldade. Com bala de borracha? Com paulada? Não se viu nem corpo de gente nem de bicho. Moradores e militantes do Pinheirinho foram convocados a relata sua versão na Assembléia Legislativa. Não se falou em estupro.

Aí vem Suplicy. Com base no relato (suposto?) da vítima e dos três presos por tráfico, leva a denúncia ao Senado. Ainda que aquilo tudo lhe tivesse sido efetivamente dito, qual seria o comportamento de um homem responsável, de um político que se preza e que preza, então, as vítimas e uma instituição chamada “Polícia Militar”? Levar a denúncia, em sigilo, ao comando da PM, exigir a apuração rigorosa etc. Caso se constatasse que tudo era verdade, cobrar a devida publicidade. Caso se contatasse a mentira, como se verá, então não se macularia a honra de uma instituição e de seus homens.

Ocorre que o senador Eduardo Suplicy, o político, é um notório irresponsável. E não é de hoje. Com aquele seu ar apalermado, que sugere, vamos dizer assim, traços de idiotia clínica - É FALSA!!! - , vai liquidando reputações, destruindo instituições, esmagando pessoas. Faz campanha política. Ele queria as manchetes. E sabia que as teria porque boa parte do jornalismo é hoje um animal de estimação do PT, que nem lhe recolhe o cocô.

OS FATOS
Mais uma vez, por incrível que pareça, a Polícia Militar teve de provar o que não fez! Comecemos do básico. Existe, sim, uma denúncia feita ao Ministério Púbico Estadual e a Suplicy.

O que aconteceu?
1 - os policiais perseguiram quatro homens (um era o menor, de 17 anos) por tráfico de drogas;
2 - quando estavam para entrar na tal casa, os três maiores foram presos; com eles, drogas, dinheiro e uma espingarda calibre 12
3 - Atenção! Esses estão entre os denunciantes. A CASA NÃO FICA NO PINHEIRINHO, MAS NO CAMPO DOS ALEMÃES, QUE FICA PERTO DA ÁREA DESOCUPADA;
4 - A ação ocorreu às 3h30 do dia 23, e o Boletim de Ocorrência foi lavrado às 4h, embora, segundo a denúncia, as sevícias sexuais tivessem durado quatro longas horas;
5 - Havia uma advogada junto com os presos na delegacia. E ninguém disse uma miserável palavra sobre estupro.
6 - Como nada se disse na delegacia no próprio dia 23  - hoje já é dia 4 -, já não é mais possível fazer nem mesmo exame de corpo de delito, não é?

Chegamos a este ponto
Os jornais estão dando grande destaque à acusação de Suplicy, e as explicações do coronel Álvaro Camilo, comandante-geral da PM, entram a título de “outro lado”. E há até quem mostre certa indignação porque ele disse que não vai, não, afastar os policiais - no que faz muito bem! Não com uma denúncia feita nessas condições.

Sim, meus caros, chegamos ao ponto em que a palavra de três pessoas presas por tráfico de drogas vale muito mais do que a dos policiais militares. Mas com isso a gente até já estava meio acostumado. Ocorre que, como se vê, a história não poderia ser mais suspeita. E eis a Polícia Militar de São Paulo, uma das mais eficientes e disciplinadas do Brasil, obrigada a provar uma vez mais a sua inocência.

É o PT na área. É o senador Eduardo Suplicy já em ritmo de campanha eleitoral.

Eles não querem só a capital. Eles querem mesmo é governar São Paulo. Talvez seu projeto secreto seja implementar no Estado a qualidade administrativa, na área de Segurança Pública, que o governador petista Jaques Wagner implementou na Bahia.

*
Segue íntegra da nota da Polícia Militar

NOTA DE ESCLARECIMENTO
O Comando da Polícia Militar vem a público manifestar-se a respeito das denúncias apresentadas pelo Senador Eduardo Suplicy sobre supostos atos de violência e abuso sexual contra moradores em São José dos Campos. Nos últimos dez dias, a Polícia Militar tem sido alvo de acusações mentirosas relacionadas ao apoio prestado na ação judicial de reintegração de posse em Pinheirinho, na Cidade de São José dos Campos. São vários boatos de que crianças morreram, pessoas desapareceram, pessoas essas que depois foram localizadas, encontram-se muito bem e até concederam entrevistas desmentindo essas acusações.

A Polícia Militar é uma instituição séria, honrada, tem como princípio o respeito aos direitos humanos e pauta suas ações pela legalidade, sempre na defesa da vida, da integridade física e da dignidade da pessoa humana. Não passamos a mão na cabeça de maus policiais, somos firmes na depuração interna. Na realidade, o que temos é uma  ação que foi desenvolvida pela ROTA, durante a proteção à cidade de São José dos Campos - que sofria atos de vandalismo -, numa ocorrência de tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo.

Tudo aconteceu na madrugada do dia 23 de janeiro, no Campo dos Alemães, não em Pinheirinho. No local, três adultos foram presos e um adolescente, apreendido. Eles foram autuados em flagrante delito com uma espingarda calibre 12, mais de 2 quilos de maconha, 300 gramas de cocaína e 1.382 reais em dinheiro.

Chama a atenção que nem os três adultos nem o adolescente, ou mesmo  a advogada Aparecida Maria Pereira, que os acompanhava e figura no boletim de ocorrência como curadora do menor, tenham sequer mencionado qualquer abuso no ato da prisão, em São José dos Campos, só o fazendo agora, dez dias depois.

Repudiamos a forma como as denúncias foram feitas, mas não é por causa das mentiras de que a Instituição foi alvo que deixaremos de nos empenhar no esclarecimento sobre  mais essa acusação, ora apresentada pelo Senador Eduardo Suplicy. E fica o compromisso do Comando-Geral, em respeito ao cidadão e dentro da transparência que nos é peculiar, de voltar a público para divulgar o resultado dessa apuração. São Paulo, 03 de fevereiro de 2012

Por Reinaldo Azevedo

 

04/02/2012 às 5:45

Matarazzo, o retuíte, o ridículo e os hipócritas

Eu não fui propriamente petista - embora tenha sido, sim, filiado ao partido. Pertencia, como já contei, a uma corrente de esquerda e coisa e tal. Bem, uma das coisas que me fizeram mudar foi a sensação de vergonha mesmo, coisa que já percebia rara por lá no começo da década de 80.

Ontem, todos vocês viram, a conta no Twitter da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo retuitou uma mensagem em apoio a Andrea Matarazzo, pré-candidato tucano à Prefeitura - sim, eu gostaria muito de poder votar nele. É um homem competente e decente. Ponto! Matarazzo, obviamente, não autorizou o procedimento - e já digo por que escrevo “obviamente” - e fez o certo: chamou a Polícia para apurar responsabilidades, já que não é fácil saber quem usou a conta.

Ora, se alguém fez o que fez para “ajudá-lo, é um idiota - e a secretaria não é um bom lugar para trabalhar… Mas eu aposto em algo como sabotagem. Afinal, não havia como aquilo ser bom para ele. Os motivos? Estes que estamos vendo: a acusação de uso da estrutura da secretaria e coisa tal.  O evento, convenham, é quase bobinho. Não para o PT!

Só para que vocês percebam como o partido está babando, com sangue nos olhos para criar fatos em São Paulo, a bancada federal petista teve o desplante de emitir uma nota sobre este gravíssimo retuíte!!! Protocolou no Ministério Público Eleitoral um pedido de investigação de uso da máquina em favor de Matarazzo e ainda emitiu uma nota oficial em que se lê esta maravilha:
“Trata-se de grave irregularidade que requer a abertura de investigação judicial para apurar uso indevido, desvio ou abuso de poder econômico e de autoridade do secretário”.

Huuummm…

- A Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, a Secretaria-Geral da Presidência, o Ministério da Justiça e, ora vejam!, a própria Presidência da República se articulam hoje para atacar o governo de São Paulo. Mas um retuíte é algo sério demais para ser tolerado.
- A página da Presidência da República traz duas notas virulentas contra o governo de São Paulo e a Polícia Militar, assinadas pelo tal Conselho da Juventude. Mas um retuíte é coisa seria demais para ser tolerada.
- O site da revista de história da Biblioteca Nacional publica delinqüências contra o PSDB e um de seus líderes. Mas um retuíte e coisa séria demais para ser tolerada.
- A Agência Brasil entrevista um certo advogado que denuncia a falsa existência de corpos no Pinheirinho; a notícia se espalha. Era tudo mentira! Mas um retuíte é coisa séria demais para ser tolerada.
- A mesma Agência Brasil, dando seqüência ao proselitismo, explica por que reintegrações de posse feitas por um governo petista são diferentes (e mais sensatas, claro!) da que a feita pelo governo tucano, POR ORDEM DA JUSTIÇA. Mas um retuíte é coisa séria demais para ser tolerada.

Tenham a santa paciência! O que Matarazzo ganharia com aquele retuíte? Leva todo o jeito de ser sabotagem - pode, sim, ser decorrência da disputa interna do PSDB. Uma coisa é certa: gente que gosta dele é que não foi. Mas isso é o de menos agora.

Quero chamar a atenção de vocês é para a prontidão do PT. Vejam a rapidez da reação. Já estão em plena campanha: em Brasília, na cracolândia, no Pinheirinho, nos ministérios, na bancada federal, denunciando mortos inexistentes e estupros que não aconteceram.

Como sempre, o lobo está acusando o cordeiro de turvar as águas para justificar a própria delinqüência. Quem não tem moral não tem limites. É a moral dessa história.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 22:11

Então vamos ver quem é que faz exploração político-partidária da desgraça…

Um bobalhão me acusa de fazer exploração “político-partidária” da greve de PMs na Bahia. Uma ova! Em primeiro lugar, seria impossível porque não tenho partido. Ou tenho: o da lógica e da coerência. Como, já disse, sou contra greve de policiais em qualquer estado, pouco importa o governo, critico a da Bahia como critiquei a de São Paulo. QUEM TEM DE SE EXPLICAR SÃO OS PETISTAS, QUE NÃO DÃO BOLA NEM PARA AS PESSOAS QUE SÃO CEGADAS PELA POLÍCIA EM ESTADOS GOVERNADOS PELOS COMPANHEIROS.

Eu não uso um critério para o governo com o qual concordo e outro para aquele de que discordo. Sou de uma coerência até aborrecida.

E já que é para falar tudo, vamos lá. Em 2006, o estado de São Paulo foi atingido pela onda criminosa do PCC. Os petistas se solidarizaram com o governo ou com a polícia? Ora… Como estava na cara que Geraldo Alckmin, então governador, seria o candidato do PSDB à Presidência, desceram o sarrafo na gestão paulista. No horário eleitoral, Lula, então presidente, respondendo por um país que mata mais de 50 mil pessoas por ano, meteu a língua na política de segurança pública do Estado. Não gostavam dela, é preciso informar, nem o PT nem o PCC.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 21:15

Imaginem! PSTU faz campanha contra o Pinheirinho em… Santa Catarina! E com mentiras, é evidente!

Recebo do leitor “Álvaro” (vai sem sobrenome), de Santa Catarina, a seguinte mensagem. Leiam. Ainda voltarei a esse tema.

Reinaldo,
Acredite se quiser, mas os esquerdo-patos já chegaram aqui em Santa Catarina, mais precisamente, em Florianópolis. Meu filho acaba de chegar do terminal de ônibus (sim, um work class hero!) onde foi agressivamente abordado por uma tropa de agitadores do PSTU com panfletos denunciando mortes em PINHEIRINHO!!! Chegou a ser ameaçado quando se recusou a pegar o panfleto: “Abre o olho”. Foi instado a pegar folhetos mais três vezes, insistindo na recusa. Diante de tanta insistência dos militontos, respondeu a uma delas, que dizia “Tem gente morrendo lá!”: “Tem nada, isso é mentira”. Ao que ela retrucou: “Ah é? Então assista ao vídeo (xyz - inaudível). Não acredite na Globo, eles mentem!!!”. Ao fundo, ouviam-se, saído de um caminhão de som, frases criticando o governo de SP, Alckmin, o PSDB.

P.S. Meu filho é seu leitor diário, portanto, bem informado e infenso a doutrinações.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 20:31

Agora vejam a Agência Brasil atuando como assessoria de imprensa do governo petista do Distrito Federal

Publico, posts abaixo, um texto demonstrando como a Agência Brasil cobre a ação da polícia contra invasões num governo petista e como cobre num governo tucano. A diferença é escandalosa.  Muito bem! Leiam mais um texto da Agência, agora atuando como uma espécie de assessoria de imprensa do governo do Distrito Federal.

GDF refuta comparações entre desocupações na capital e ações de reintegração de posse em outros estados

Por Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O governo do Distrito Federal (GDF) refutou as comparações feitas por parlamentares e artigos divulgados na imprensa entre as desocupações feitas na capital e na região do Entorno com as ações de reintegração de posse ocorridas recentemente em outras unidades da Federação, como no caso Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos (SP).

A nota foi divulgada pela Secretaria de Governo poucas horas após o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Bruno Araújo (PE), ter cobrado, por meio de um ofício, informações da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, sobre as providências adotadas pela pasta para apurar “indícios de violação aos direitos humanos ocorridos durante a desocupação” de uma fazenda pertencente à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e localizada entre as cidades Sobradinho e Paranoá, no Distrito Federal. Enquanto a capital federal é governada pelo PT, o estado de São Paulo é administrado pelo PSDB.

Em nota, a Secretaria de Governo do DF reforça que as ações coordenadas pelo Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo integram a política de regularização fundiária do Distrito Federal, cujo território foi “marcado pela ocupação ilegal de terras públicas”. Ainda de acordo com o documento, essas ocupações resultaram “no crescimento desordenado de áreas que comprometeram a qualidade de vida e a preservação do meio ambiente” regional.

“Enfrentamos cotidianamente as intenções de grilagem de terras para interesses privados e especulação imobiliária. Nosso governo assumiu o compromisso de garantir a legalidade e o uso da terra pública para finalidades que atendam os interesses do bem comum”, diz a nota. A Secretaria de Governo destaca ainda que a reintegração de posse da fazenda de 360 hectares (o equivalente a 360 campos de futebol) pertencente à SPU, na última sexta-feira (27), foi feita pacificamente, “sem nenhum incidente com famílias, grupos organizados e movimentos sociais”.

A ação, contudo, resultou na derrubada de cerca de 500 barracos. Vinte e sete pessoas chegaram a ser presas por invasão de propriedade pública, mas foram soltas em seguida: uma mediante pagamento de fiança, as demais após assumirem o compromisso de comparecerem em juízo quando convocadas. A operação não contou com autorização judicial. Segundo o chefe da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Dema), delegado Hailton da Silva Cunha, por se tratar de uma “ocupação nova”, a polícia não precisa de mandado para desocupar a área a pedido da SPU.

Somente no mês de janeiro, o GDF determinou a derrubada de mais de 1,1 mil casas, barracos e abrigos construídos irregularmente em áreas públicas. De acordo com levantamento feito pela Agência Brasil, o número equivale a um terço do total de edificações removidas durante todo o ano passado, quando cerca de 3 mil construções foram destruídas. Sem questionar a necessidade de o governo combater a ação de “aproveitadores”, representantes de movimentos sociais cobraram do GDF uma política habitacional e de reforma agrária que contemple quem de fato precisa.

“Esse governo promove uma política habitacional de interesse social, que garante aos mais pobres o direito à moradia. São iniciativas de regularização de assentamentos precários, de construção de novas habitações e de requalificação de moradias, que demonstram o compromisso desse governo com os sem moradia”, destaca a nota do governo.

Edição: Lílian Beraldo

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 19:28

Filiado tucano faz a coisa certa, convoca militantes do partido a defender o governo do Estado, mas imprensa paulistana empresta à coisa ares de escândalo. Tucano só pode apanhar, nunca se defender!

A imprensa paulistana, claro!, trata com certo esgar de escândalo (a que ponto chegamos!) um e-mail enviado por um militante tucano a outros militantes tucanos convidando-os a defender o governo de São Paulo e o governador Geraldo Alckmin.

Onde já se viu? É um absurdo! Como podem os tucanos, agora, começarem a se defender dos ataques da extrema esquerda? Isso não se faz ! Tucano tem de apanhar calado! Os únicos com direito a se manifestar são os “companheiros” e os “camaradas”, ora! Alguém aí acha que e-mail de petista convocando petista seria notícia? Pois bem…

Leiam o que informa Daniela Lima, na Folha Online. Volto em seguida.

Um membro da executiva municipal do PSDB de São Paulo convocou mais de 800 filiados do partido na zona leste da cidade a “defender” o governador Geraldo Alckmin de manifestantes neste sábado, quando ele cumprirá agenda na região. “Vamos todos pra lá, tucanada. Bateu, levou e não tem conversa”, afirma Edson Marques, o tucano que assina o e-mail.  Ele compara Alckmin a Covas. “Foi assim que acabamos com a patifaria contra o Covas em 2000. Nos juntamos, mobilizamos a velha e aguerrida tropa de choque e partimos pro pau”, descreve o militante no e-mail.

A mobilização é uma resposta aos protestos organizados nas últimas duas semanas contra ações do governo no Pinheirinho, em São José dos Campos, na cracolândia e na USP (Universidade de São Paulo).  Segundo Marques, tucanos do Jardim Helena souberam que integrantes do PSTU, PSOL e PT organizavam protesto para a agenda amanhã. “Eles podem protestar, mas não vamos permitir que encostem um dedo no nosso governador. Se o fizerem, terão resposta a alrura”, disse.

O presidente municipal do PSDB, Julio Semeghini, disse que o e-mail enviado por Marques não representa a posição do partido. “É uma manifestação pessoal dele. Somos contra qualquer tipo de incitação à violência. Não queremos esse tipo de coisa”, afirmou.

Voltei
Se o mais “agressivo” da mensagem é o que vai na reportagem da Folha Online, cadê a “incitação à violência”??? “Violência” é o que têm promovido as seitas de extrema esquerda. Violência e mentira!

Até porque, esse negócio de “bater neles na ruas e nas urnas” é divisa de petista, de José Dirceu. Entendo que Semeghini não queira confronto físico. É o certo. Mas deixe que os petistas e as seitas extremistas se encarreguem de censurar a mensagem.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 19:17

Yoani não obtém visto. Deve ser culpa do embargo americano e da prisão de Guantánamo, não é, Maria do Rosário? Não é, Dilma?

O Brasil concedeu o visto para a blogueira cubana Yoani Sánchez, mas o governo cubano não lhe deu permissão para sair do país, como se vê pelo documento abaixo.

negativa-de-viagem-cuba

Pois é… Como diria a ministra Maria do Rosário, com aquela inteligência e perspicácia que a todos espantam, deve ser tudo culpa do embargo imposto pelos Estados Unidos. Ou, como quer Dilma, que não nos surpreende menos nos dons do pensamento, até que não se ponha fim à prisão de Guantánamo, como permitir que as pessoas sejam livres para ir e vir?

Como é mesmo o nome daquela professora de história da USP que afirmou que Dilma estava certíssima em não tocar no tema dos direitos humanos em Cuba? Ah, lembrei: Maria Aparecida de Aquino! Explique aí, acadêmica!

O Brasil, claro!, não vai querer se meter num assunto interno de outro país, certo? Só continuará a jogar dinheiro fora — “grande oportunidade de negócios”, querem alguns — sustentando uma ditadura decrépita e assassina.

Como sugeriu Dilma, o Brasil fez a sua parte; o resto era com os cubanos. Entendi. A blogueira pode entrar em nosso país desde que consiga sair do seu… Se ela fizer a mágica, o PT garante a generosidade.

Que gente!!!

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 18:37

VOLTO AO NOTICIÁRIO DA AGÊNCIA BRASIL: COMO UM ÓRGÃO OFICIAL DE NOTÍCIAS USA UM PESO E DUAS MEDIDAS! AQUI, A PROVA!

Escrevi alguns textos sobre a forma como a Agência Brasil cobriu os eventos do Pinheirinho, em São Paulo. Deu curso, país e mundo afora, à acusação de um advogado de invasores, segundo a qual haveria mortos e desaparecidos na operação. Tudo mentira. No dia seguinte, o repórter Alex Rodrigues escrevia nova reportagem, que parecia ser uma espécie de “outro lado”. A tônica era esta: “autoridades negam que haja mortos”. Ficava parecendo que era tudo matéria de opinião. Escrevi vários textos a respeito — um deles aqui.

O governo petista do Distrito Federal, em parceria com o governo federal, tem promovido sucessivas desocupações de áreas públicas. ATENÇÃO! COMO NÃO SOU O OPOSTO SIMÉTRICO DA AGÊNCIA BRASIL, DIGO COM CLAREZA: ESTÁ CERTO, É PARA IMPEDIR INVASÕES MESMO!

Mas peço que vocês leiam o texto do mesmo Alex Rodrigues, editado, se não me engano, pelo mesmo Aécio Amado, sobre as ações do governo petista. Vejam o tom. Um governo petista, ao combater invasores, está apenas aplicando a lei. Há uma certa apologia da produtividade: mais de 1.100 casas já foram derrubadas! Que bom!!! Tudo se faz também em defesa do meio ambiente. A ordem é tolerância zero. E se destaca que a autorização judicial é desnecessária porque as invasões são recentes.

E os invasores? Falam? Ora, pra quê? Claro que não!!! Se o caso é Pinheirinho, aí um advogado pode sair denunciando mortes, e isso vira reportagem. Sobre o governo companheiro, os invasores se tornam invisíveis. Uma autoridade até admite que há pobres entre eles, mas chama a atenção para a existência de aproveitadores. E no Pinheirinho? Ah, não! Ali todos eram vítimas da truculência policial. Segue o texto da Agência Brasil. Se as faculdades de jornalismo tiverem vergonha na cara, usam essa reportagem e as feitas sobre o Pinheirinho como exemplos evidentes de partidarização do noticiário. E houve uma outra ainda mais escandalosa. Vocês verão.

Distrito Federal intensifica ação contra invasões e derruba mais de 1,1 mil construções irregulares em apenas um mês

Por Alex Rodrigues, da Agência Brasil

Repórter Agência Brasil

Brasília - Somente no primeiro mês deste ano, o governo do Distrito Federal (GDF) determinou a derrubada de mais de 1,1 mil casas, barracos e abrigos construídos irregularmente em áreas públicas. Segundo representantes da administração pública ouvidos pela Agência Brasil, a ação é resultado da intensificação no combate a ocupações ilegais ao uso irregular do solo. O número representa um terço do total de edificações removidas durante o ano passado, quando cerca de três mil construções foram destruídas.

Além das 1,1 mil das moradias, também foram demolidos muros e removidos mais de 7,7 mil metros de cercas de arame farpado e tapumes que, segundo a Secretaria da Ordem Pública e Social do Distrito Federal (Seops), caracterizavam o parcelamento irregular de terras públicas. Boa parte das construções estava desabitada, mas algumas casas de alvenaria, de padrão médio e ocupadas, também foram fiscalizadas e demolidas.

Uma das últimas operações feitas pelo Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo do Distrito Federal ocorreu na cidade de Sobradinho, na última sexta-feira (27). Cerca de 500 habitações erguidas poucos dias antes, com madeira e lona, foram removidas de uma gleba de 360 hectares (o equivalente a 360 campos de futebol) de uma fazenda de propriedade da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que solicitou ao GDF que promovesse a reintegração de posse.

A operação resultou na prisão de 27 pessoas. Todas já foram colocadas em liberdade. Cerca de 150 das quase 500 famílias que estavam no local são ligadas à Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), entidade que questiona a legitimidade da ação do GDF e reivindica que a propriedade seja destinada ao programa de reforma agrária.

Mais 600 edificações foram derrubadas durante duas ações de retirada de famílias de imóveis irregulares na cidade de São Sebastião, nos últimos dias 20 e 23. No total, 59 pessoas foram detidas por invasão de terreno às margens da Rodovia DF-251, pertencente à Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap).

Segundo o chefe da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Dema), delegado Hailton da Silva Cunha, as operações resultam de orientação do governo do DF para que os órgãos locais “não tenham nenhum tipo de tolerância” em relação às “invasões’, que devem ser “extirpadas” já em sua fase inicial.

“É mais fácil atuarmos no começo, pois se deixarmos uma invasão destas se perpetuar, a legislação acaba tornando mais difícil a reintegração de posse depois de passado algum tempo”, disse o delegado à Agência Brasil. Ele destacou que, com o crescimento da ocupação, os transtornos sociais decorrentes da desocupação também são maiores.

Segundo Cunha, a polícia e o governo não necessitam de autorização do Poder Judiciário para retirar as pessoas das chamadas “ocupações novas” (segundo ele, aquelas com menos de um ano e um dia), caso da Fazenda Velha, da SPU. “Por isso, hoje, a ação do governo do Distrito Federal é quase imediata”.

O chefe da comunicação da Seops, major Carlos Chagas de Alencar, acrescenta que o GDF quer impedir o contínuo crescimento desordenado do Distrito Federal, onde, durante décadas, condomínios e até cidades surgiram sem qualquer planejamento, no rastro das ocupações. O major confirma que há, entre as pessoas retiradas das áreas desocupadas, quem de fato vivem em situação de pobreza, trabalhadores rurais que lutam por terras onde possam produzir. Mas há também, segundo ele, “meros aproveitadores”. Para Alencar, as prisões são necessárias para desestimular que as pessoas voltem a invadir áreas públicas.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 18:05

Empresário deve depor sobre transações de ex-chefe da Casa da Moeda

Por Maria Clara Cabral, José Erneto Credendio e Andreza Matais, na Folha Online:
José Martins, presidente da empresa responsável por fazer o relatório sobre as movimentações financeiras das “offshores” de Luiz Felipe Denucci, ex-presidente da Casa da Moeda, deve prestar esclarecimentos ao Congresso Nacional.

O DEM prepara requerimento para convidar o empresário a detalhar na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara a movimentação bancária de Denucci. A reportagem apurou que Martins está disposto a comparecer. Ele afirmou à Folha que toda a movimentação da financeira está registrada em sua contabilidade.

A WIT, companhia de Martins especializada em transferência de dinheiro com sede em Londres, registrou em documento que movimentou para Denucci e familiares U$ 25 milhões nos últimos três anos, quando ele já estava no comando da Casa da Moeda. O dinheiro, segundo o relatório, teria como origem “comissões” pagas por empresas fornecedoras da estatal.

Denucci foi exonerado no último sábado após ter chegado à Fazenda informação de que a Folha preparava reportagem sobre o caso. “É fundamental convidar o José Martins para trazer esclarecimentos sobre todo esse processo”, afirmou o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA).

Partidos da oposição já avisaram que vão apresentar também requerimentos de convocação e de pedido de informação ao ministro Guido Mantega (Fazenda). Reportagem da Folha revela que a Casa Civil e o PTB avisaram Mantega em agosto passado de que Denucci havia aberto “offshores” em paraísos fiscais. Antes disso, em 2010, o ministro também foi avisado de outras irregularidades envolvimento Denucci, mas o manteve no cargo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 18:01

Com greve da PM, Salvador tem uma morte por hora

Na : Veja Online:
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Pelo menos cinco lojas de eletrodomésticos foram saqueadas na madrugada desta sexta-feira em bairros centrais de Salvador por grupos de mais de trinta pessoas (Arestides Baptista/Ag. A Tarde/Folhapress)

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 17:35

Suplicy não vai cantar “Blowin’ in the Wind” para os PMs baianos? Vá lá, senador! Coragem, valente!

No post abaixo, reproduzi alguns flagrantes do noticiário sobre o caos na Bahia. Quando uma parcela ínfima — mas o suficiente para deixar o PT assanhadíssimo — da Polícia Civil de São Paulo decidiu paralisar suas atividades em 2008, escrevi o óbvio: gente armada não pode fazer greve. Mais: quando um policial pára de trabalhar, torna-se aliado objetivo de bandido. Se, como chegou a acontecer em Salvador, saca uma arma contra cidadãos comuns, aí já pratica banditismo mesmo. Eu me opus severamente àquela manifestação em São Paulo e me oponho, igualmente, à greve de PMs na Bahia, governada pelo PT.

Só que eu tenho um compromisso com os fatos. Em 2008, o governador José Serra estava em São Paulo, trabalhando normalmente, tentando contornar a situação. Era o seu papel. Jaques Wagner, com o movimento grevista já deflagrado, foi passear em Cuba, para atender, sei lá, a antigos reclamos íntimos. Ou como explicar?

Apanhei muito aqui porque já deixei claro que sou contra greve de qualquer funcionário público. A razão é simples: uma paralisação em empresa privada quase sempre (nem sempre…) é ruim para o patrão. O “patrão” do servidor ou de trabalhadores de concessionárias de serviços públicos é o povo, e quem mais sofre com a greve, nesse caso, são os pobres. O rico sempre dá um jeito. Na minha República, isso seria simplesmente proibido. Minha tese não tem a menor chance de prosperar, sei disso. Sigamos.

Cadê os deputados petistas para irem lá se solidarizar com os “companheiros soldados baianos”, como se solidarizaram em São Paulo com os policiais civis? Vá lá, Suplicy, cantar o seu rap do Racionais ou o seu “Blowin’ in the Wind”…

Entenderam como a coisa funciona? Quando há um adversário do PT no governo, os “companheiros” não querem nem saber: mandam a institucionalidade às favas e, se preciso, apóiam até greve de polícia. Quando quem está no poder é um deles, aí, obviamente, eles somem e, se preciso, dão apoio integral ao aliado. Não há estudante, cozinheiro ou índio cegados pela PM que os tirem do silêncio covarde e cúmplice.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 17:26

Flagrantes do noticiário sobre a Bahia

Leiam o que segue. Comento no próximo post:

Do jornal “A Tarde”, da Bahia:
“Os rodoviários pararam o transporte público de Feira de Santana nesta sexta por conta da onda de insegurança que assust6a a população da cidade desde esta quinta (2) às 13 horas. O comércio do município também amanheceu fechado. As poucas lojas que estão funcionando mantêm apenas uma porta aberta. A população evita sair de casa e as ruas estão desertas nesta sexta. Cerca de 50 policiais da Companhia de Ações Especiais do Litoral (Cael) reforçam o policiamento nas ruas. Um policial do Comando de Policiamento Regional Leste afirmou que a PM cogita a possibilidade de convocar homens do Exército para ajudar a manter a segurança na cidade.

Do jornal “A Tarde”, da Bahia:
“O comércio de Itabuna está parcialmente fechado nesta sexta-feira (3). Algumas lojas abriram a partir de 9 horas, mas mantêm apenas uma porta aberta. As ruas estão com pouco movimento nesta manhã. Apreensivos, comerciantes e representantes da CDL e Prefeitura, além do major Marcos Lemos, comandante do 15º Batalhão da PM, se reuniram para discutir a segurança na cidade. O comandante disse que os policiais estão trabalhando nos postos, mas que não há viaturas. Policiais grevistas estão impedindo a saída de viaturas do Batalhão. Representantes da CDL recomendaram os comerciantes a abrirem as lojas, mas atentos a possíveis ataques na cidade. Três eventos, que aconteceriam neste fim de semana, foram cancelados pela Prefeitura em decorrência da insegurança. São eles: a tradicional Lavagem do Beco do Fuxico e os shows de Harmonia do Samba e Parangolé.”

Na Folha Online:
“Com a greve da Polícia Militar, Salvador viveu uma madrugada de forte crescimento no número de assassinatos e de ataques ao comércio, nesta sexta-feira. O governador Jaques Wagner (PT) fará um pronunciamento, às 20h de hoje, em emissoras de rádio e TV.  Entre a 1h e as 6h45, 17 pessoas foram assassinadas, de acordo com a estatística divulgada pela Secretaria de Segurança Pública. No mesmo dia da semana passada, houve 13 homicídios ao longo de 24 horas. Ontem à noite, o músico da banda afro Olodum Denilton Souza Cerqueira, 34, voltava para casa em sua moto quando foi baleado por dois assaltantes no bairro da Mata Escura, onde vivia. O músico foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Ao menos cinco lojas tiveram os estoques saqueados no bairro da Liberdade, de acordo com relatos de comerciantes e moradores a rádios e televisão. A Polícia Civil diz que os donos das lojas ainda não haviam registrado as ocorrências até as 12h de hoje. Em um deles, bandidos usaram um carro para invadir uma joalheria e roubar joias em menos de um minuto. Oito pessoas participaram da ação, quebraram os balcões e limparam o mostruário. O roubo durou menos de 40 segundos, conforme o registro das câmeras de segurança exibido nos telejornais da Bahia.”

Do jornal “A Tribuna da Bahia”:
Policiais Civis não vão aderir à greve parcial da Polícia Militar. Eles garantiram em assembleia, realizada na manhã desta sexta-feira (3), que, pelo menos até março, fica descartada a possibilidade de paralisação. Carlos Lima, representante do Sindicato dos Policias Civis da Bahia (Sindpoc), a categoria se mostrou solidária à Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), que iniciou o movimento de paralisação dos policiais, mas não concordou com a paralisação conjunta neste momento. Uma das pautas que serão encaminhadas ao governo do Estado em março será o aumento do piso salarial da categoria para 10 salários mínimos.  

Do jornal “A Tribuna da Bahia”:
O governador Jaques Wagner fala nesta sexta-feira (3), às 20h, em cadeia regional de rádio e TV, sobre a situação da segurança pública no estado. Em seu pronunciamento, o governador reafirmará, com veemência, que o governo da Bahia está adotando todas as providências no sentido de assegurar o pleno estado de direito democrático, a segurança e a tranquilidade da população. O governador coordena, ao longo de todo o dia de hoje, as ações que vêm sendo tomadas pela Secretaria de Segurança Pública para por fim ao movimento de parcela da Polícia Militar.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 16:44

A pesquisa que o Estadão fez sobre a cracolândia, o que ela revelou e como a coisa foi noticiada

O Estadão foi contra a intervenção do Poder Público na cracolândia. Expressou essa opinião em editorial. O seu caderno “Metrópole” entrou numa verdadeira militância para demonstrar os erros da operação. Até aí, vá lá. Acho que veículos de comunicação podem fazer isso desde que os leitores sejam avisados e desde que opinião não seja tratada como informação. Pois bem.

O jornal traz hoje uma pesquisa feita pelo Instituto Informa. Vejam a síntese.

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Então… Vocês perceberam ali que 81% dos entrevistados “APROVAM TOTALMENTE” a “operação para coibir o tráfico de crack no centro”; outros 3,7% “APROVAM” (o instituto deve saber a diferença entre uma coisa e outra; eu não sei). Só 8%, somados, “reprovam” ou “reprovam totalmente”.

Mais: 67,7% “aprovam ou aprovam totalmente” a “forma com que a polícia está realizando a operação na cracolândia. Só 16,2% “reprovam ou reprovam totalmente”.

O jornal queria uma coisa, o povo quis outra. Acontece. É da democracia. Como resolver?

A pesquisa traz uma pergunta —  e havia uma parecida também no Datafolha — que dá o que pensar: “Em sua opinião, a operação policial na cracolândia resolverá o problema do tráfico?”

Que bom que a população não é besta. 67,9% dos entrevistados disseram que “não”. O Estadão, que, visivelmente apóia a chegada de UPPs a alguns morros do Rio, já indagou se a medida vai “acabar com o tráfico” na opinião dos cariocas? Não que me lembre. Se o fez, certamente não deu o resultado negativo — para a iniciativa do poder público — como principal destaque.

Ora, indagar se a retomada da cracolândia vai ou não acabar com o tráfico é o mesmo que perguntar se a blitz para coibir os bêbados no trânsito vai acabar com o problema do alcoolismo ou da irresponsabilidade de alguns motoristas.

Pior: há uma pergunta capciosa, cuja resposta é de todos conhecida e, mais do que isso, é parte óbvia da operação, a saber; “Você acha que a operação dispersou dependentes de drogas para outros bairros?” 77% disseram o óbvio: “sim”.

A proposta original, correta, era exatamente descaracterizar uma área da cidade como “reino dos drogados e traficantes”. Ali já não havia poder público. Traficantes foram presos. Muitos viciados decidiram aceitar o tratamento. Mas é evidente que os drogados não se desintegraram;  foram para algum lugar. O objetivo da operação era e é impedir que uma área da cidade seja sitiada.

Pois bem! Adivinhem qual foi a manchete de página do Estadão e do Estadão Online… “Cracolândia: 68% não acreditam em solução”. O Datafolha, reitero, trazia questões semelhantes, mas a manchete da Folha e a da página fizeram o óbvio: noticiar que a população apóia, por ampla maioria, a operação e a ação da polícia. Se não apoiasse, seria manchete também.

O Estadão segue, assim, na sua linha de apenas dar destaque a aspectos negativos para o Poder Público no que concerne à cracolândia, mesmo quando um fato, a sua própria pesquisa, contraria a sua militância. Um mau momento.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 15:39

As duas morais de Eduardo Suplicy: a de homem justo e a de petista

O senador Eduardo Suplicy é um homem justo. Por isso ele fez um longo discurso, nesta sexta, no Senado, sobre a desocupação do Pinheirinho, reproduzindo acusações de violência feitas por militantes políticos, muito especialmente os de seu partido.

O senador Eduardo Suplicy é um petista. Por isso ele se calou sobre a desocupação de uma área invadida em Brasiléia, no Acre, no ano passado, que deixou um índio cego e, segundo uma das moradoras da área, levou-a ao aborto.

O senador Eduardo Suplicy é um homem justo. Por isso ele pediu que o juiz que garantiu a reintegração de posse do Pinheirinho seja investigado pelo Conselho Nacional de Justiça.

O senador Eduardo Suplicy é um petista. Por isso ele não entendeu ainda qual é a função do Conselho Nacional de Justiça.

O senador Eduardo Suplicy é um homem justo. Por isso ele leu o relato do que chama de “vítimas do Pinheirinho”, feito, inclusive, por gente ligada a seu partido.

O senador Eduardo Suplicy é um petista. Por isso ele ignorou um estudante, uma cozinheira e um índio, que ficaram cegos de um olho em confrontos com as PMs, respectivamente, do Piauí, da Bahia e do Acre. Em dois dos estados (BA e AC), os petistas são governo; no PI, têm a vice-governança.

O senador Eduardo Suplicy é um homem justo. Por isso ele se preocupa com a desocupação ocorrida no Estado de São Paulo, determinada pela Justiça, governado pelo PSDB.

O senador Eduardo Suplicy é um petista. Por isso ele se calou sobre uma reintegração de posse ocorrida na semana passada no Distrito Federal, com o apoio de forças policiais do DF e da União. Eram terras públicas, não privadas.

O senador Eduardo Suplicy é um homem justo. Por isso ele se preocupa com o que considera excessivo uso da força da Polícia de São Paulo, estado que está em penúltimo lugar no ranking dos homicídios — a capital é aquela em que menos se mata.

O senador Eduardo Suplicy é um petista. Por isso ele se calou sobre nada menos de 17 assassinatos ocorridos nesta madrugada em Salvador, entre 1h e 6h45 da manhã. A Bahia é hoje, sob a gestão petista, um dos estados mais violentos do país. O índice de homicídios, na gestão petista, cresceu mais de 60%. Enquanto se desenhava uma greve da PM, o governador Jaques Wagner, do mesmo partido do senador justo, foi fazer turismo ideológico em Cuba.

O senador Eduardo Suplicy, em suma, como um petista típico, tem duas morais: a que usa para julgar os adversários e a que usa para proteger os companheiros. Uma das diferenças entre Pinheirinho e Brasiléia, dentre muitas, é que todas as denúncias feitas sobre a desocupação em São Paulo estão sendo apuradas. Já a desocupação do Acre sumiu do noticiário, e as vítimas não tiveram nem como fazer Boletim de Ocorrência.

O senador Suplicy, como homem justo e como petista — logo, como “petista justo” (???) — ainda se sai melhor defendendo gente como Cesare Battisti e seqüestradores de empresários. Nesse caso, aquelas suas duas condições se casam perfeitamente. Esse ainda é o seu maior feito como representante de São Paulo no Senado.

Por Reinaldo Azevedo

 

03/02/2012 às 15:05

EU ACHEI BOA A DECISÃO DO SUPREMO, COMO SABEM, MAS ELIANA CALMON CONCEDE UMA ENTREVISTA DE CONTEÚDO INFELIZ

Vocês sabem o que penso sobre os poderes do Conselho Nacional de Justiça e já me posicionei sobre a decisão de ontem do Supremo. Tenho pouco, ou nada, a acrescentar sobre o mérito. Peço a vocês que leiam a entrevista que Eliana Calmon, a corregedora do CNJ, concedeu a Gabriel Castro, da VEJA Online. Leiam. Volto em seguida:

Eliana Calmon: “O Judiciário não é dos juízes, é da nação”
Desde que falou sobre a existência de “bandidos de toga”, há três meses, a corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, transformou-se na principal personagem do debate sobre as atribuições do colegiado. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira, significa uma vitória para as teses defendidas pela jurista baiana de 67 anos, que também é ministra do Superior Tribunal de Justiça, no que diz respeito aos poderes do CNJ para investigar e punir juízes. Os ministros do STF consideraram que o órgão pode instaurar processos contra magistrados independentemente da atuação da corregedoria dos tribunais. A discussão até a decisão de ontem foi tensa e desgastante, mas Eliana Calmon diz ao site de VEJA que não guarda mágoas.

O STF ainda não encerrou totalmente o julgamento e, em um dos itens analisados, a AMB teve a argumentação aceita, naquele que diz que o CNJ só pode aplicar punições que estejam previstas na Lei Orgânica da Magistratura para casos de abuso de autoridade cometidos por servidores públicos. De forma geral, o saldo é positivo?
O saldo é positivo. Nós não terminamos o julgamento ainda, a liminar continua valendo. Vamos aguardar, na quarta-feira, o término do julgamento. Mas, de qualquer forma, pelo que já foi decidido, eu entendo que houve a vitória de duas teses de importância fundamental para a cidadania. A primeira é a publicidade dos julgamentos do conselho. A segunda foi em relação à competência do CNJ, que é concorrente e não subsidiária. Isto é muito importante. O resto é a cereja do bolo.

A senhora sai magoada dessa disputa?
Não. Eu tenho maturidade institucional suficiente para saber que, quando se discute politicamente - e nós estamos discutindo política pública -, não existe espaço para mágoas de Eliana Calmon. O que existe é: vamos zerar tudo para começar a aplicar a jurisprudência do STF. E enaltecer os bons magistrados, os bons juízes, que foram os grandes vencedores.

A senhora surpreendeu-se com a ministra Rosa Weber, que estava estreando e votou a favor do CNJ?
Ela me pareceu segura e se posicionou com as teses que eu defendia. No final, o ministro Marco Aurélio Mello fez algumas perguntas e houve uma certa confusão, mas isso é normal. Ela é uma neófita no Supremo, mas é uma julgadora experiente.

O Procurador-Geral da República arquivou nesta semana uma representação da Associação dos Magistrados Brasileiros em que a senhora era acusada de violação de sigilo funcional.
Eu fiquei, de início, um pouco assustada com essa acusação, mas depois eu disse: “Bem, eles estão jogando todas as fichas”. Não foi uma coisa boa nem para mim nem para eles. Eu não gostaria de comentar o assunto.

A senhora concorda com o presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, que disse não haver crise no Judiciário?
Concordo. Não existe crise. O que existe é a cultura velha e a cultura nova. Existe uma parcela da magistratura, e me parece pequena pelos apoios que eu tenho recebido, que está tentando manter uma velha cultura: a cultura do biombo, como diz o ministro Ayres Britto, a cultura de não corrigir o Judiciário publicamente e de sempre deixar que nós mesmos façamos as correções. É a cultura do CNJ subsidiário. A cultura nova diz o seguinte: “Todos estamos empenhados nas mesmas coisas”. O Judiciário não é dos juízes, é da nação. É dos jurisdicionados. Todos os segmentos da sociedade têm participação nele. E isso é que é bonito na democracia. Nesse julgamento, até pelos votos de teses contrárias nós tiramos lições.

A repercussão de algumas de suas declarações, especialmente a da frase sobre os “bandidos de toga”, mostra que Judiciário não está acostumado a debater seu próprio trabalho?
Nós estamos justamente abrindo o Judiciário para que ele seja questionado por todos que fazem uso deste poder. Aquela primeira entrevista e esses debates todos ajudam a abrir o Judiciário.

Voltei
Alguns magistrados, no Brasil, no Supremo e fora dele, falam demais. E isso vale também para a corregedora. NÃO GOSTO DO CONTEÚDO DE SUA ENTREVISTA. Há aí proselitismo, que não ajuda a levar paz para o Judiciário e só acirra os ânimos.

Diz Eliane haver um conflito entre uma espécie de nova e de velha ordens. Errado! Trata-se de recuperar uma ordem antiqüíssima e meio fora de uso: a do triunfo da lei. Ora, é claro que “o judiciário não é dos juízes, mas da nação”. Deixe a corregedora que nós, os cidadãos comuns, digamos isso. Ela não precisa se entregar a tanto. Fica parecendo que está em guerra contra grupos. Ainda que esteja ou que estivesse, que atue segundo os instrumentos legais de que dispõe e se abstenha do bate-boca.

Peguem o exemplo dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha etc. Entrevista de juiz é tão freqüente quanto cabeça de bacalhau e enterro de anão. Até juiz francês fica de bico calado! O judiciário francês não é, em suma, um filme francês. O nosso, às vezes, lembra uma chanchada: todo mundo quer sair desfilando com cacho de banana na cabeça, dançando o “chica-chica-bum”.

Julguem, senhores magistrados! Deixem a política para a sociedade e para os políticos! E isso vale também para as múltiplas associações de juízes.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

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