Presidente Dilma, levante e governe! Já passou da hora! Ou: Incompetência e imprudência

Publicado em 10/02/2012 07:58 e atualizado em 09/08/2013 16:54 1147 exibições
por Reinaldo Azevedo, de v eja.com.br

Presidente Dilma, levante e governe! Já passou da hora! Ou: Incompetência e imprudência

A presidente Dilma Rousseff, a Cleópatra do Paranoá, ficou mal-acostumada com o jornalismo dos Crodoaldos Valérios, que a cobrem de elogios muito especialmente por sua enorme capacidade de não fazer nada, de manter tudo mais ou menos como está para ver como é que fica. Não vai aqui juízo severo demais ou excessivamente generalista. Dilma teve de demitir sete ministros de estado sob suspeita de corrupção. Sim, aplausos a ele que os demitiu! Mas, se for o caso, vaias a ela, que os nomeou! Ou esse detalhe há de passar despercebido para que a vocação para o elogio não se deixe contaminar pela realidade? Chamo a atenção para este fato porque Dilma no papel de ombudsman do governo Dilma, como tenho apontado, pode seduzir os mordomos subservientes e fiéis, mas tem lá seus limites, não? Essa absurda mobilização de Polícias Militares, que lança na insegurança milhões de brasileiros, está dizendo com todas as letras: “Presidente Dilma, levante e governe! Já passou da hora”. Volto a esse ponto depois de algumas outras considerações.

Dilma cresceu uma média de dez pontos na aceitação popular no curso das sete demissões — “Ah, essa resolve!” O jornalismo especializado em fazer perfis (ai, que preguicinha!) não cansa de exaltar a mulher austera, que dá broncas em público, que quer monitorar tudo online, que não aceita respostas enroladas… Sei, Dilma não aceitaria como ministra a Dilma que cuidava dos aeroportos, que cuidava da transposição dos São Francisco, que cuidava das estradas, que cuidava das obras da Copa… A presidente, em suma, sempre foi craque em criar a fama de que era craque. É o Dadá Maravilha da política, só quem se o humor.

Então não vimos a soberana num canteiro de obras da transposição do São Francisco, em Pernambuco, a dar pitos nas empresas privadas e, se vocês perceberem bem, até no Exército? Todo mundo parecia culpado pelo atraso, menos o dono da obra — e o dono da obra é o governo. É o governo Dilma. Antes dela, era o governo Lula, sob a supervisão de… Dilma!!! Vejo, um tanto escandalizado, até o caso da Casa da Moeda se descolar da presidente. Que há algo de muito errado por ali, não se duvide. Mais uma vez, Dilma está brava porque o ministro Guido Mantega não a teria informado o suficiente da real situação do tal senhor que tinha uma empresa no exterior que movimentava fortunas.

As casas do “Minha Casa Minha Vida” são muito engaçadas porque não têm teto, não têm nada, e não se pode fazer xixi ali… Tudo empacado no trocadilho. Das quase 1.700 creches prometidas para 2011, não houve uma só, uma miserável, que saísse do papel. Se a popularidade, no entanto, cresceu dez pontos porque “essa resolve”, então que tudo siga como está.

Um dia essa tática daria com os burros n’água. E deu! Deu porque, imprudente, essa gente decidiu se comportar como vivandeira, dando piscadelas na porta de quartel e insuflando os espíritos de homens armados. Tudo começou com o Apedeuta lá no Distrito Federal, como já demonstrei aqui, teve seqüência com a PEC 300 e ganhou fôlego na campanha eleitoral de… Dilma Rousseff! Sim, sua campanha sugeriu que, com ela, a tal proposta que iguala os salários dos policiais militares e bombeiros do Brasil ao que se paga no Distrito Federal seria aprovada. PROCUREM NA INTERNET. UM DOS INTERLOCUTORES COM AS LIDERANÇAS DAS POLÍCIAS FOI NINGUÉM MENOS DO QUE MICHEL TEMER. E não duvide: se a proposta for votada no Congresso, será aprovada.

Só que abriria um rombo brutal no caixa dos estados, que seria repassado para a União. E, então, SEGUINDO A TÁTICA DE NÃO GOVERNAR, DE EMPURRAR COM A BARRIGA, a Rigorosa do Chapadão mandou que a base aliada fosse empurrando a coisa com a barriga. A insatisfação dos quartéis foi crescendo, crescendo, crescendo… E assumiu seu contorno mais dramático, até agora, na Bahia, justamente o estado governado pelo chefe das vivandeiras, Jaques Wagner, notório apoiador de greves policiais no passado.

A Horrorizada do Alvorada
Dilma agora se diz “horrorizada” com a forma que assumiu a greve. Ora… A Horrorizada do Alvorada está estranhando o quê? Como diz o povo, quem muito brinca com fogo acaba chamuscado. Como previu o Apedeuta no célebre discurso em que deitou falação pelos cotovelos, a reivindicação de espalharia pelo Brasil. E se espalhou. Onde esteve, nesse tempo, Gilberto Carvalho, o tal ministro dedicado à interlocução com “os movimentos sociais”, que comandou, no Planalto, a campanha de demonização do governo de São Paulo e da Polícia Militar em particular, uma das mais eficientes e disciplinadas do país? O homem sumiu.

Dilma não tem de se “horrorizar”. Tem é de tomar providências. Em algum momento, vai ter de dizer que não há dinheiro para aprovar a PEC 300 — e terá de ser com todas as letras —, ou, então, vai ter de optar por um rombo de impacto difícil de imaginar e jogar nas costas da União o custo da equiparação. E será uma operação complicadíssima. Ainda que o governo federal decidisse repassar um “X per capta” para cada policial, haveria um debate infindável sobre o contingente de cada estado. Em suma: Lula abriu a Caixa de Pandora, um deputado da base aliada ficou estimulando os monstrinhos a sair de lá, e a campanha eleitoral de Dilma resolveu considerá-los bons espíritos… Eis aí. Como no mito, Soberana, só a esperança ficou escondida lá no fundo…

 Levante e governe, Rainha dos Canteiros de Obras Paradas! Desta vez, não vai dar para levar no bico.

Coragem, Esplendorosa da Classe C!
Não! Eu absolutamente não endosso, Esplendorosa da Classe C, os métodos a que estão recorrendo os policiais militares. Como já escrevi aqui uma centena de vezes — aliás, meu primeiro texto contra greve de policiais é de 1991, justamente por causa de uma paralisação na Bahia (uma das que Jaques Wagner apoiou) —, gente armada não pode se meter nesse tipo de movimento. Eu sou contra greve de funcionários públicos. Em março de 2010, os petistas da Apeoesp, associação de professores da rede estadual de ensino em São Paulo, promoveram uma greve com queima de livros em praça pública, depredação de patrimônio e confronto com a PM. Dilma não só usou o evento para demonizar o seu adversário eleitoral, José Serra, como recebeu a presidente do sindicato que havia prometido “quebrar a espinha do ex-governador”, assegurando que ele não seria eleito presidente. Foi tão escancarado o uso eleitoral da greve que o sindicato foi multado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Dilma expressou o seu apoio e ainda acusou a PM de recorrer à violência contra os professores, o que era mentira. Em 2008, como todos sabem, deputados petistas, PT e CUT apoiaram a GREVE ARMADA de uma minoria de policiais civis. Um deles chegou a disparar um tiro, ferindo um oficial da PM.

Militantes da Apeoesp queimam livros em praça pública em março de 2010. A candidata Dilma recebeu a líder com pompa e ainda atacou o governo de SP

Militantes da Apeoesp queimam livros em praça pública em março de 2010. A candidata Dilma recebeu a líder com pompa e ainda atacou o governo de SP

 

Por que o espanto, agora, da Horrorizada do Alvorada? Não! Eu não apóio as greves das PMs, não! Ao contrário. Acredito que já é mais do que tempo de o país votar uma Lei Antiterrorismo que puna com severidade aqueles que, em nome de suas reivindicações, direitos ou o que supõem ser direitos, coloquem em risco a segurança coletiva. Então veja, Soberana do Planalto, como sou duro e a convido a ser antipática, seguindo a Constituição e propondo uma lei. É bem verdade que isso vai acabar ferindo susceptibilidades de alguns de seus caros aliados, não é? Mas governar também tem lá seus ônus…

Serão assim tão hábeis?
A estréia do PT no mundo da severidade se dá de um modo um tanto estabanado. Qualquer pessoa razoavelmente prudente seria levada a considerar que a prisão do cabo bombeiro Benevoluto Daciolo, no Rio, corresponderia a apagar fogo com gasolina. Nas gravações entre o líder da greve na Bahia e um interlocutor, parece que fica clara a combinação de um ato de sabotagem. No caso de Daciolo, convenham, é discutível. Afinal, ele é líder de uma categoria. Se a sua atuação sindical é permitida, por que não as articulações e conversas?

Atenção! Eu acho que precisamos de leis mais claras para disciplinar tudo isso. Estou entre aqueles que não vêem ambigüidade nenhuma no que já há: greve de PMs é proibida. Mas há quem ache que as coisas estão sujeitas a interpretações e coisa e tal. O governo federal, com a base que tem, vai ter de cuidar do assunto. Consegue aprovar o que quiser — inclusive a lei antiterror. Dito isso, vamos ao que se tem hoje: diga-se o que se disser, o cabo Daciolo não foi além — a menos que haja falas que não vieram a público — do que dizem as lideranças de categoria em todos os estados em que há mobilização.

Dada a radicalização na Bahia, dados os ânimos exaltados, dada a sensação de humilhação que as lideranças dizem estar sentindo, quem vazou a conversa de Daciolo, criando as circunstâncias para a sua prisão, NÃO PASSA DE UM AMADOR. Comentei aqui com Dona Reinaldo: “Essa prisão é uma tolice. Agora é que a greve no Rio vai sair”. E saiu. Espero que tenha desfecho menos trágico e que logo seja revogada. O fato é que faltou uma visão estratégica.

A Indignada da Praça dos Três Poderes e a anistia
Dilma fará melhor se governar mais e falar ainda menos. Também as suas considerações, em plena efervescência do movimento, contra a anistia a policiais que cometeram crimes são contraproducentes. É a tal síndrome da ombudsman. Basta que se diga favorável ao cumprimento da lei. Até porque não convém ficar cutucando esse negócio de que a anistia é inaceitável para criminosos, não é? Posso apostar que essa não é uma boa vereda para os atuais donos do poder…

A ordem tem de ser restaurada. O problema que teve início com uma Medida Provisória do Apedeuta e que chegou a ser peça da campanha eleitoral de Dilma Rousseff — não adianta negar! — hoje se volta contra a população, que é quem está, de fato, arcando com as conseqüências. Desta vez, Dilma não pode ser apenas a Indignada da Praça dos Três Poderes.

O governo Dilma colhe os frutos do rebolado na porta de quartel. O que se tem como resultado? Nunca antes na história destepaiz, depois da redemocratização, se viram tantos homens das Forças Armadas nas ruas. Os “companheiros” fizeram a caca, e agora foi preciso chamar os homens de verde. A sorte é que a cascata de esquerdistas durante a Constituinte não prosperou, e a Carta autoriza, sob certas condições, que as Forças Armadas também cuidem da ordem interna. “Reacionários” como eu sempre defenderam esse princípio. Os “progressistas” é que eram contra…

Coragem, Venturosa do Deitado em Berço Esplêndido! Levante e governe!

Por Reinaldo Azevedo

 

10/02/2012 às 2:23

Policiais e bombeiros do Rio decretam greve a partir desta sexta

Na Cinelândia, cerca de três mil policiais e bombeiros reunidos em assembleia: greve decidida por votação simbólica para início à 0h da sexta-feira 10 de fevereiro (Marcos Michael)

Na Cinelândia, cerca de três mil policiais e bombeiros reunidos em assembleia decretam greve a partir desta sexta, dia 10 (Foto: Marcos Michael)

 

Na VEJA Online:
Os policiais militares, policiais civis e bombeiros reunidos na Cinelândia, no centro do Rio, estão em greve desde a 0h desta sexta-feira. Os líderes do movimento garantem que vão manter o efeitvo de 30% nas ruas, como determina a legislação. Os salva-vidas prometem manter o serviço, mas vão trabalhar à paisana. “Os policiais fora de serviço deverão permanecer dentro de seus quartéis durante a paralisação”, afirmou o cabo Wellington Machado, do 22º Batalhão de Polícia Militar, escolhido como porta-voz do movimento. Os familiares estão convidados a ficar juntos com os aquartelados. 

A greve foi aprovada em uma consulta simbólica aos cerca de 3.000 manifestantes - estimativa do comandante do 5º BPM (Praça da Harmonia), coronel Amauri, que estava no local a trabalho. A oficialização do movimento ocorreu pouco antes das 23h30 com uma queima de fogos. Logo em seguida, os grevistas passaram a gritar palavras de ordem contra o governador do estado. “Greve geral, a culpa é do Cabral”, diziam.

Os organizadores estimaram o público em 5.000 pessoas. Os policiais rejeitaram a proposta de antecipação de aumento aprovada na Assembleia Legislativa do Rio pela manhã. Além da reivindicação salarial - a principal delas o piso de 3.500 reais para a categoria -, os manifestantes passaram a exigir a libertação do cabo bombeiro Benevoluto Daciolo, preso na noite de quarta-feira. A manifestação atraiu menos gente do que esperavam os líderes do movimento. Representantes das três categorias, ao longo da semana, chegaram a dizer que pretendiam reunir 100 mil pessoas na Cinelândia.

A decisão oficial foi postergada até quase meia-noite como uma última chance para que o governador Sérgio Cabral recebesse os manifestantes. Esse era o prazo que os grevistas tinham estabelecido também para a libertação de Daciolo, cuja prisão preventiva foi decretada pela Justiça na noite desta quinta-feira. O compromisso dos líderes do movimento, segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Fernando Bandeira, é de manutenção dos serviços essenciais - o que significa, por exemplo, que nas delegacias apenas o plantão seja mantido, com paralisação dos trabalhos internos e de investigação.

Ameaças
Apesar da promessa de movimento ordeiro e de manitenção dos serviços essenciais, na manifestação da Cinelândia ficaram evidentes ações que podem jogar a população contra os policiais. Um carro do próprio Sinpol exibia uma faixa com uma mensagem alarmando a população: “Evitem transitar pelas ruas a partir desta sexta-feira”. E, assim como em Salvador, surgiu o grito de comemoração pelo estrago que pode ser feito ao carnaval. “O carnaval acabou, o carnaval acabou”, gritavam alguns grupos, usando uma melodia conhecida de estádios de futebol.

Com a greve no Rio, entra em ação o plano do governo do estado, de garantir a segurança nas ruas com auxílio de 14.000 homens do Exército e 300 agentes da Força Nacional de Segurança. A ajuda foi decidida pela manhã, em uma reunião com o comandante militar do Leste, general Adriano.

A estratégia usada pelo governo do estado para enfraquecer a aglomeração surtiu resultado. Comandantes de unidades dos bombeiros mantiveram os militares no quartel - entre eles o Quartel Central, que em 2011 foi invadido por manifestantes. No Batalhão de Operações Especiais, o comando determinou que às 20h todas as equipes se apresentassem, para a tropa de elite estar apta a responder em uma situação de descontrole do momento. No entanto, uma das equipes se recusou a patrulhar a região da Cinelândia.

O protesto na Cinelândia teve algumas doses de comoção. O ponto alto nesse sentido foi a declaração da mulher do bombeiro Daciolo, Cristiane, que declarou ter orgulho de ser da família de um bombeiro.

Guerra de informação
O palanque armado na Cinelândia se transformou também em uma espécie de central de boatos. Entre eles, os de exoneração de comandantes e até de demissão do comandante-geral da PM - todos desmentidos. A participação em massa de representantes de outros estados não ocorreu.

Por Reinaldo Azevedo

 

10/02/2012 às 2:21

Após reunião, Associação dos Oficiais da PM decide não aderir à greve na Bahia

Na Folha Online:
Depois de seis horas de reunião, 205 oficiais da Polícia Militar da Bahia resolveram não aderir à greve. Foram 54 votos a favor e 151 contra a paralisação. O tenente-coronel Edimilson Ferreira, presidente da Associação de Oficiais da Polícia Militar, afirmou que “a população já sofreu demais” por conta da greve que já dura 10 dias. A Associação conta com 1.700 membros, e um mínimo de 340 agentes deveriam votar, representando 20% do total. Mesmo assim a votação foi considerada legítima, por se tratar de uma convocação extraordinária.

O comando-geral da PM deverá se encontrar com o governador Jaques Wagner durante o mês de março, em data ainda a ser definida, para discutir temas pendentes, como melhoria salarial e condições de trabalho. Sobre a paralização no Rio de Janeiro, já confirmada, Ferreira afirmou que “infelizmente há uma orquestração em todo o Brasil”. Sobre as gravações do ex-policial Marco Prisco, divulgadas pelo “Jornal Nacional”, da TV Globo, ele disse acreditar que elas realmente mancham a reputação da PM. “Isso vai ficar como uma cicatriz, mas a organização tentará reconstruir a imagem de novo”, afirmou.

Prisco foi flagrado por escutas telefônicas incentivando atos de vandalismo no Estado. Em uma das escutas, um interlocutor de Prisco identificado como David Salomão dizia que iria “queimar viatura” e “duas carretas” na rodovia Rio-Bahia. O ex-policial foi preso na manhã de ontem após deixar a Assembleia, junto com outro líder grevista, Antônio Paulo Angelini. Muitas das pessoas presentes na assembleia estavam irritadas. “Há realmente muita insatisfação na corporação”. O principal motivo seria o não cumprimento de alguns benefícios prometidos por Jaques Wagner em 2009. “A corporação tem essa mágoa”, disse Wagner.  Apesar disso Ferreira aponta que agora o objetivo é uma reconciliação: “Os oficiais vão ficar do lado do governo para recuperar a imagem da PM”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

09/02/2012 às 19:50

Filme não combate a AIDS coisa nenhuma! Faz é propaganda de um estilo de vida. O erro é mais grave do que parece

O erro do Ministério da Saúde, no filme exibido no post abaixo, não tem nada a ver com a questão do sexo dos parceiros. O seu erro, brutal, escandaloso, incorrigível, é de outra natureza. E já falei a respeito algumas vezes. Vejam a frase que sintetiza a peça publicitária: “Na empolgação, rola de tudo, só não rola sem camisinha”.Epa! Se existe camisinha, então tudo é permitido? Acho que não. Trata-se, mais uma vez, de uma pregação irresponsável. Vejam a narrativa: há ali a aceitação tácita —  mais do que isso: o incentivo — do sexo entre pessoas que acabaram de se conhecer.

Ora, a AIDS não é a única doença que se pode contrair da intimidade total entre não-íntimos. A camisinha é só uma barreira física. O que realmente pode combater a doença são as interdições morais. A palavra assusta os ignorantes e os idiotas porque associam o termo “moral” ao “moralismo” como sinônimo de uma vida de hipocrisias e interdições. Não se trata disso.

Se uma campanha oficial considera normal, aceitável e até desejável que pessoas que acabaram de se conhecer terminem na cama, então não haverá camisinha que dê jeito. Se ela estiver à mão, bem; se não estiver, bem… Pesquisem a respeito. Uganda tem o programa mais eficiente da África de redução da AIDS. A camisinha é só o terceiro item de uma tríade, que virou política oficial: abstinência sexual, fidelidade no casamento e, sim, a borracha.

Não, não sou doido. Imaginem se o governo pé-na-jaca faria uma campanha pela abstinência… Sou realista. Mas eu aposto: até que a política oficial for de incentivo ao sexo irresponsável, como é esse filme, nada feito. Não por acaso, e vocês podem achar os dados na Internet, de fontes confiáveis, a contaminação pelo vírus voltou a crescer entre homossexuais, especialmente os mais jovens, com escolaridade que já lhes permite saber como se dá o contágio.

E por que é assim? Porque o Ministério da Saúde entrega essas campanhas não a médicos, não a estudiosos do comportamento, mas a militantes da causa. E os militantes sempre confundem o combate à AIDS com o que chamam “preconceito”. Há ainda um outro fator: o coquetel anti-AIDS está levando muita gente a considerar que a doença é só um mal crônico, que tem controle. E, obviamente, não é. Consta que os efeitos dos medicamentos ainda são bem desagradáveis e impõem consideráveis restrições às pessoas em tratamento.

Não! O meu problema com esse filminho infeliz não tem nada a ver com o fato de serem dois rapazes a se pegar. Ainda que fossem heterossexuais vivendo a mesma situação,  a mensagem continuaria torta, continuaria errada.

Enquanto for esse o parâmetro, o combate à AIDS continuará a custar uma fortuna aos cofres públicos e será uma espécie de enxugamento de gelo. Com tudo o que já se sabe da doença, o contágio deveria ser hoje uma exceção, própria apenas das últimas franjas de desinformação do Brasil mais atrasado. E, no entanto, não é assim.

Esse filme, pouco importa se veiculado em canal aberto ou fechado, não serve para combater a AIDS, mas para fazer propaganda de um estilo de vida. De um péssimo estilo de vida se o objetivo é combater uma doença sexualmente transmissível. Se alguém duvidar, basta olhar os dados sobre o contágio. O Estado fornece hoje camisinha, remédio, informação, tudo de graça. Mais um pouco, vira babá de genitálias. O Estado só não tem como fazer a escolha moral em lugar do indivíduo. Se bem que o nosso está fazendo. E faz uma péssima escolha.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/02/2012 às 19:40

Ministério da Saúde põe no ar e depois retira filme com carícias homossexuais para falar sobre uso de camisinha

Da Agência Brasil. Comento no post seguinte:
O Ministério da Saúde retirou do Portal sobre Aids, Doenças Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais, que o órgão mantém na internet, um vídeo com cenas de um casal homossexual trocando carícias em uma boate. O filme fazia parte da campanha de prevenção a doenças transmissíveis por relações sexuais lançada para o carnaval deste ano.

De acordo com a assessoria de imprensa do ministério, o vídeo foi feito para ser exibido exclusivamente em locais fechados, que recebem público homossexual, e não deveria ter sido disponibilizado na internet. Segundo o ministério, a postagem do vídeo no portal foi “um equívoco”.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse na quarta-feira (8) que está na fase final de produção uma peça audiovisual para ser exibida nas TVs abertas, que mantém a estratégia do governo de priorizar, na campanha deste ano, o público homossexual. A campanha de prevenção para o carnaval foi lançada na semana passada e tem como alvo jovens de 15 a 24 anos, sobretudo gays.

O aumento da incidência da aids nesse grupo foi 10,1%, conforme dados divulgados pelo governo federal no fim do ano passado. Em 2010, para cada dez heterossexuais com aids, havia 16 homossexuais soropositivos. Em 1998, a relação era de dez para 12.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/02/2012 às 18:27

PT trata os potenciais aliados Kassab e Fruet como “cães tolerados pela gerência”. Ou: Aqui está a razão de o Brasil ser um país rico com um povo ainda muito pobre

Vejam o post abaixo, em que petistas batem a cabeça por causa da eventual aliança com Gilberto Kassab, do PSD. Ali vai resumida uma boa parte dos desacertos do Brasil. A senadora Marta Suplicy (PT-SP) era o que se pode chamar de “candidata natural” do PT ao cargo. O que é um “candidato natural”? É aquele que representa a vontade da maioria do partido na esfera da disputa (nacional, estadual ou federal), que tem uma aceitação ao menos razoável do eleitorado (era o caso) e que tem experiência para o cargo (e Marta tem, o que não quer dizer gostar de suas opções). Minha simpatia por ela é negativa, abaixo de zero. Mas era a candidata natural. Ponto. Veio Lula e deu o dedaço: “Será Haddad”. Como o nome da “democracia interna” do PT é Lula, o candidato é o ex-ministro da Educação.

Os petistas, vocês sabem, são treinados para infernizar a vida dos adversários e para sabotar mesmo a sua administração. Mas também têm experiência em engolir brasa. Marta engoliu mais ou menos. Há dias, escreveu um artigo na Folha, um pouco em martês, um pouco em psicologês, sobre o ressentimento e a necessidade de superá-lo… Entendi. Ela ainda não superou.

Os petistas plantaram na imprensa que ela ainda não entrou na campanha, uma forma de tornar público o descontentamento com a sua atuação. Depois de esmagada por Lula, que foi lhe minando os apoios, querem-na agora disciplinada, fazendo campanha para aquele que tentou roubar dela até os CEUs — Haddad anda sugerindo que foi ele quem viabilizou a idéia. Até quando petista bate a carteira de petista trata-se de bateção de carteira, né? Eles não têm limites, todos sabem.

Muito bem! Uma ala considerável da direção do PT, a começar de Lula, quer a aliança com Gilberto Kassab. Todos os envolvidos nessa conversa devem saber por quê. Marta, pelo visto, considera difícil a composição. Compreendem-se com clareza os motivos objetivos: na esfera municipal, foram ela e sua turma que comandaram a operação de desgaste da gestão Kassab. Como justificar a aliança? Terão de subir no mesmo palanque, não? Atenção! Eu estou entre aqueles que acham a gestão de Kassab muito melhor do que a opinião que se consolidou a respeito dela, mas eu não sou petista, certo?

À sua maneira, nesse imbróglio, certamente discordando da opinião que Marta tem da administração de Kassab, ela me parece aquela que conserva ainda alguma coerência. Considero a aproximação de Kassab com o PT uma mudança de rumo, de lado ou o que quiserem. Não foi o eleitorado petista que lhe deu o mandato da maior cidade do país. Ao contrário: este o queria longe da Prefeitura. E os petistas lhe deram combate duro ao longo de seis anos.

Vejam o que diz o Jilmar Tatto, ex-secretário de Marta e novo líder da Câmara, agora discordando da antiga chefe:
“Se o Kassab fizer uma autocrítica, não vejo problema na aliança. Acho um pressuposto muito ruim a idéia de recusar apoio”.
ENTENDERAM? SEGUNDO TATTO, OS PETISTAS NÃO PRECISAM EXPLICAR A ALIANÇA COM KASSAB. É KASSAB QUEM TEM DE PEDIR DESCULPAS POR SEU PASSADO, CONFESSAR QUE ANDOU ERRADO, QUE ESTAVA NO MAU CAMINHO E QUE AGORA DESCOBRIU A VEREDA DA VIRTUDE. Segundo Tatto, Kassab pode se juntar àquela gente boa do PT desde que renegue a sua história. Aí, então, ele passa a ser defendido pelo partido. Que tal este texto: “Serra nunca foi meu pastor. Meu pastor é Lula!” Não foi, então, assim que o petismo passou a abraçar notórios inimigos? Já postei aqui dois vídeos com dois Lulas: um em que o Apedeuta trata Roseana Sarney e seu pai aos pontapés e outro em que a cobre de elogios, transformando-a em heroína.

Para os petistas, em suma, o único defeito que um político pode ter é não se subordinar ao petismo. Não é por acaso que Lula seja aliado hoje de Fernando Collor e do próprio Sarney, mas continue a hostilizar FHC. Certamente não é o critério moral que conta, certo?

Caso a aliança saia mesmo, não vejo a hora de ouvir Kassab fazendo seu ato de contrição e seu batismo de fogo, sendo considerado, então, um neoconvertido. Vamos ver as más companhias do passado que ele terá de conjurar e com quem estará de braços dados. O ato poderia ocorrer naquela região de São Paulo chamada Tattolândia. Ou naquele terreno que vai abrigar o “Memorial da Democracia”…

Finalmente, Fruet
A indignidade petista é de tal sorte que o deputado André Vargas (PT-PR) defendeu assim, para a banda paulistana do partido, a união do seu partido com o atual prefeito:
“É isso mesmo. Em Curitiba, nós fazemos aliança com Fruet e, em São Paulo, vocês aceitam Kassab”.
Vamos ver se deixo claro por que é um procedimento nojento. Fruet é um ex-tucano. Desentendeu-se com o grupo do governador Beto Richa e deixou o partido, migrando para PDT, que pertence à base do governo. Disputará a Prefeitura de Curitiba com o apoio petista. O que Vargas quer dizer é o seguinte:
“Eu sei que vocês, petistas paulistanos, desprezam Kassab; nós também desprezamos Fruet. Mas, assim como vamos apoiá-lo aqui, aceitem o apoio do outro lá. Afinal, o nosso único interesse é derrotar tucanos. E, para isso, vale tudo”.

Atenção! Eu não acho que a aliança de Kassab ou Fruet com o PT conspurque a moralidade petista porque penso que aliança nenhuma seria capaz de fazê-lo. Se alguém pode ter a honra manchada aí, certamente não serão os petistas, se é que me entendem…

Ocorre que os próprios petistas tratam os possíveis aliados como uma gente nojenta, que se tolera por questões meramente táticas, cuja presença incomoda, ainda que possa ser eventualmente necessária. Se curitibano, eu jamais votaria em Fruet, mesmo não tendo, até agora, nada contra ele. Ao contrário: sempre me pareceu um parlamentar correto. Se vai se juntar com petistas, bem, isso significa admitir um método — método que rejeito absolutamente. Se ele e Kassab não se importam em ser tratados pelos petistas como “cães tolerados pela gerência”, para usar uma imagem de Fernando Pessoa, não serei eu a me importar por eles; que se virem com sua própria reputação.

Logo, não escrevo este texto para que ambos mudem idéia. Sigam firmes no seu propósito, e que o eleitorado lhes seja leve. Eu escrevo este texto para evidenciar que esse tipo de procedimento, de todos os envolvidos nessa mistura, é o melhor retrato dos desacertos do Brasil. Isso explica em boa parte por que, com efeito, temos um país rico com um povo ainda muito pobre.

Eis a política vivendo o seu estado de miséria.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/02/2012 às 17:44

Marta diz que só entra em campanha de Haddad depois de PT decidir se estará ou não unido a Kassab

Leiam o que vai abaixo. Se preciso, façam-no de nariz tapado. Recende aos piores hábitos da política brasileira e ao que pode haver de mais nefasto. Comento no próximo post.

Por Vera Rosa, no Estadão Online:
A senadora Marta Suplicy (PT-SP) considera um ‘pesadelo’ a possibilidade de aliança, em São Paulo, entre o candidato petista Fernando Haddad, e o PSD do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Marta desistiu da disputa em São Paulo, a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas até agora não entrou na campanha de Haddad. “Eu tenho o direito de não mergulhar de cabeça e aguardar a decisão do meu partido sobre a aliança. Preciso ser muito cuidadosa, porque senão corro o risco de acordar num palanque de mãos dadas com Kassab”, disse Marta. “Estou vendo um esforço grande para a coligação, mas isso me parece muito complicado.”

A senadora participou nesta quinta-feira, 9, da primeira parte da reunião do Diretório Nacional do PT, que ocorre em Brasília, na véspera do aniversário dos 32 anos do PT. À saída do encontro, Marta não escondeu o mal-estar com as conversas a respeito de uma dobradinha com Kassab, defendida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta de aliança, feita por Kassab, divide os petistas, mas, se for levada adiante pelo PSD, deve ser aprovada pelo Diretório Municipal do partido, apesar das resistências. O argumento é que todo o sacrifício deve ser feito para conquistar São Paulo.

Ex-secretário de Marta quando ela foi prefeita, o novo líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), discordou da avaliação da senadora. “Se o Kassab fizer uma autocrítica, não vejo problema na aliança. Acho um pressuposto muito ruim a idéia de recusar apoio”, afirmou. Tatto pediu “muita paciência” ao PT, disse que nada está fechado e defendeu a parceria com o PMDB para vice na chapa liderada por Haddad. Hoje, o pré-candidato do PMDB à sucessão de Kassab é o deputado Gabriel Chalita.

Ao lado de Tatto, o deputado André Vargas (PT-PR) foi na mesma linha. “É isso mesmo. Em Curitiba, nós fazemos aliança com Fruet e, em São Paulo, vocês aceitam Kassab”, afirmou Vargas, numa referência ao pré-candidato do PDT à Prefeitura de Curitiba, Gustavo Fruet.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/02/2012 às 17:31

O poder, as piscadelas para a oposição, o adesismo oportunista e os princípios

Leiam trechos do artigo de José Serra no Estadão de hoje, intitulado “A era do oportunismo” (íntegra aqui).
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As últimas semanas trazem acontecimentos reveladores de um aspecto peculiar da “luta política” no Brasil, como a entendem o PT e o governo que ele lidera. Poderia ser resumido em dois conceitos: o relativismo como ideologia e a tática de recolher dividendos políticos sem se envolver diretamente, tirando, como se diz, a castanha do fogo com a mão do gato.

A moral da fábula do macaco esperto, que, faminto, mandava o bichano recolher as castanhas das brasas, esteve visível nos sucessivos movimentos na USP. A chamada extrema esquerda desencadeou ações violentas, e o petismo saiu a criticar a “falta de diálogo” e a “falta de democracia”, que supostamente estariam na raiz dos distúrbios.

De olho no voto moderado, o PT não quer para si os ônus do radicalismo ultraminoritário, mas pretende sempre recolher os bônus de apresentar-se como a solução ideal para evitar essa modalidade de movimento político. Como se, em algum lugar do mundo ou momento da história, o extremismo, de direita ou de esquerda, tivesse sido contido apenas com diálogo e negociação. É um discurso conveniente, pois se apresenta como alternativa “racional” de poder. Uma vez lá, os tais movimentos serão cooptados na base da fisiologia e, se necessário, da repressão. Os críticos exigirão “coerência”, e o partido fará ouvidos moucos.
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Se o adversário cumpre a lei, é acusado [pelo PT] de “criminalizar os movimentos sociais”; quando um deles cumpre a mesma lei, então são eles a criminalizar. Assim, os PMs em greve na Bahia governada pelo PT são chamados de “bandidos”. Cadê o exercício do entendimento, a tolerância? Em São Paulo, em 2008, o PT ajudou na organização de uma marcha de policiais civis grevistas em direção ao Palácio dos Bandeirantes - marcha que, felizmente, não atingiu os objetivos sangrentos almejados.

Em estados governados pelo petismo e aliados, são rotineiras as reintegrações de posse, mas, quando precisa acontecer em São Paulo, por exemplo, a mando da Justiça e sempre sob a sua supervisão, o PT - e eis de novo a história das castanhas - cavalga o extremismo alheio para denunciar inexistentes violações sistemáticas dos direitos humanos. Nunca ofereceu uma possível solução ao problema social específico, mas apresenta-se incontinenti quando sente a possibilidade de sangue humano ser vertido e transformado em ativo político.
(…)
Essa amoralidade essencial estende-se às políticas públicas. Em 2007, quando governador de São Paulo, aflito com o congestionamento aeroportuário, propus ao presidente Lula e sua equipe a concessão à iniciativa privada de Viracopos, cujo potencial de expansão é imenso. Nada aconteceu. Na campanha eleitoral de 2010, a proposta de concessões foi satanizada. Pois o novo governo petista adotou-a em seguida! Perdemos cinco anos! E adotou-a privatizando também o capital estatal: o governo torna-se sócio minoritário (49% das ações) e oferece crédito subsidiado (pelos contribuintes, é lógico) do BNDES. Tudo o que era pra lá de execrado passou a ser “pragmatismo”, “privatização de esquerda”.
(…)
A oposição, a despeito de notáveis destaques individuais, confunde-se no jogo, dado o seu modesto tamanho, mas também porque alguns são sensíveis aos eventuais salamaleques e piscadelas dos donos do poder. Um adesismo travestido de “sabedoria”.
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Não sou o único que pensa assim, mas sou um deles: política também se faz com princípios, programa e coerência. E disso não se pode abrir mão, no poder ou fora dele.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/02/2012 às 16:41

Janira, a vivandeira do PSOL, faz hoje o que Jaques Wagner fez em 1991 e 2001; o Brasil precisa de uma Lei Antiterror para punir os dois

No post abaixo, vocês lêem trecho da entrevista da deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ), que claramente insufla a greve das polícias militares. Num dado momento, ela delira, sonhando, quem sabe?, com a revolução: “Se num ensaio de mobilização que agora aconteceu, houve uma crise institucional, imagine se houvesse organização”. Ela quer a organização, que fique muito claro. Logo…

Ainda são, sim, obscuras as circunstâncias em que essas gravações foram feitas e divulgadas. No bojo de qual investigação da Polícia Federal? Quem estava sendo investigado? Qual era a operação? Janira é uma parlamentar. É preciso que fique claro que não era ela a monitorada. Ou a coisa muda de patamar: de um Estado que assiste a greve de policiais para um Estado policial. Dito isso, sigamos.

A irresponsabilidade da deputada Janira é assustadora, mas explicável. Afinal, ela é do PSOL, não é? Os militantes desse partido investem no “quanto pior, melhor” onde quer que estejam, especialmente nas universidades. No Rio, o partido tem um bom garoto- propaganda: o também deputado estadual Marcelo Freixo. Leva adiante um combate meritório contra as milícias e os desmandos da polícia, o que não quer dizer que não diga uma porção de bobagens. Mas virou o queridinho de atores descolados da Globo — que acabam, em último caso, fazendo campanha para o PSOL. E o PSOL faz isso que a gente vê.

- A greve da PM da Bahia não é contra Jaques Wagner, por mais irresponsável que ele tenha sido (e foi!!!). É contra o povo baiano.
- Uma greve da PM do Rio não seria contra o faroleiro Sérgio Cabral, mas contra o povo fluminense. E o mesmo se diga sobre os outros sete estados em avançado estágio de mobilização.

Mas e daí? Dona Janira, a “Vivandeira dos Vermelhos”, não está nem aí. Que importa que tenham morrido quase 150 pessoas em nove dias na Grande Salvador? Que importa que o mesmo pudesse acontecer no Rio? Ela está naquela categoria que considera que isso será sempre culpa dos outros ou dano colateral.

Eu sou favorável a que se façam duas coisas: a) que se apurem com rigor as circunstâncias, sim, da gravação feita pela Polícia Federal e de sua divulgação; é uma questão que interessa ao estado de direito; b) que esta senhora seja, ao menos, denunciada ao Conselho de Ética da Assembléia. O que ela fez não tem desculpa! Precisa ter o mandato cassado. É, por enquanto, o que dá para fazer.

Lei antiterrorismo
Que fique claro: isso que fez a tal Janira no Rio não é muito diferente do que fizeram os parlamentares do PT em São Paulo. Se insuflaram a greve da Polícia Civil em 2008, participando mesmo de sua organização, como a psolista, isso não sei porque não há gravações. Que tenham apoiado a greve de servidores armados, isso é um fato. Já mostrei aqui que a CUT, braço sindical do PT, emprestou total solidariedade ao movimento. Mais: Janira repete, com um pouco mais de comprometimento, o comportamento do então deputado Jaques Wagner em 1991 e 2001. O deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), que ontem lotou um avião da FAB para dar apoio ao governador, fez o mesmo há 11 anos. Agora candidato à Prefeitura de Salvador, virou um legalista.

O Brasil precisa, isto sim, de uma Lei Antiterrorismo, que só não é votada porque os petistas, associados a esquerdistas menores, não deixam. Precisa da lei para se proteger de ameaças externas e internas. O país já prendeu terroristas com notórias ligações com a Al Qaeda e teve de soltá-los. Já escrevi a respeito algumas vezes. Ora, por mais irresponsáveis que Lula, Dilma e Wagner tenham sido —  E FORAM —, é inadmissível que milhões de pessoas sejam feitas REFÉNS —  e a palavra é essa—  de homens armados. Foi o Estado que lhes botou uma arma na cintura. Antes disso: foram eles que se apresentaram para essa função, conhecendo todos os riscos e dificuldades. Não vivemos numa sociedade de castas profissionais. Ninguém nasce policial; as pessoas se tornam policiais por vontade.

Isso quer dizer que devam ser impedidas de reivindicar? Claro que não! Mas há limites. E O LIMITE QUE NÃO PODE SER ATINGIDO, MUITO MENOS ULTRAPASSADO, É AMEAÇAR A PAZ DAQUELES QUE JURARAM PROTEGER.O que é que há? É evidente que militares não podem fazer greve e não é menos evidente que as leis que temos são insuficientes para coibi-las. Mas não adianta! A companheirada não quer saber de lei antiterror, não! Até porque ela atingiria alguns de seus caros aliados. Há táticas de ação do MST, por exemplo, que facilmente se enquadrariam num texto minimamente decente a respeito.

Concluindo
O atual movimento das Polícias Militares, reitero, tem uma origem: Medida Provisória 426, assinada pelo Apedeuta (aquela sobre os vencimentos da PM do Distrito Federal) e PEC 300, de Arnaldo Faria de Sá. Ganhou impulso com a campanha eleitoral de Dilma Rousseff, que passou a acusar abertamente o adversário José Serra de ser contra a proposta, sugerindo que era a favor. Eleita, passou a sabotá-la. Tudo isso se deu num caldo de cultura de estímulo — de petistas e esquerdistas associados —  à movimentação sindical de policiais militares. E chegamos ao ponto de hoje: forças armadas e sindicalizadas sem uma legislação que responde ao risco.

Tumo somado, mais uma obra da companheirada.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/02/2012 às 15:45

Vejam as vastas emoções e pensamentos imperfeitos da deputada que insufla greves de PMs

O cabo Benevenuto Daciolo, que articulava o movimento dos policiais no Rio e que estava na Bahia, conversando com as lideranças de lá, está preso. A Polícia Federal divulgou o conteúdo da gravação de uma conversa sua com a deputada estadual Janira Rocha, do PSOL do Rio. A deputada, protegida — em princípio ao menos — pela imunidade parlamentar está solta. Infelizmente. Leiam o que informa Italo Nogueira, na Folha Online. Volto no próximo post.

A deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) - a mulher que conversava com o cabo Benevenuto Daciolo em gravação divulgada ontem (8) pelo “Jornal Nacional” - afirmou que pretendia garantir a anistia dos líderes grevistas na Bahia.  No diálogo divulgado, ela afirma estar “errado fechar a negociação [na Bahia] agora antes da greve do Rio”. Segundo Rocha disse à Folha, ela diz que uma greve no Rio mudaria a “correlação de forças” e obrigaria os governos a anistiarem os militares que iniciaram a paralisação. “Disse a ele que, se o objetivo é garantir os dirigentes, o que está certo, não é a melhor coisa negociar nesse momento. A correlação de força não está favorável. Se houver greve no Rio e em outros Estados, a correlação de forças muda e fica mais fácil garantir a liberdade dos dirigentes”, disse ela, na manhã desta quinta-feira.

A deputada afirmou ser favorável ao direito de greve dos policiais e bombeiros militares. Ela disse, porém, que ainda não há organização nacional da categoria. “Se num ensaio de mobilização que agora aconteceu, houve uma crise institucional, imagine se houvesse organização”, disse ela. Rocha criticou o fato de, por ser parlamentar, ter conversa telefônica gravada. “Vamos querer uma explicação”. Daciolo foi preso administrativamente na noite de ontem ao desembarcar no Rio, acusado de incitar o movimento. Depois foi transferido para o presídio de Bangu 1. A mulher dele afirma que ele estava na Bahia a pedido da Justiça Militar para ajudar a negociar fim da greve.
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Folha - Qual era o objetivo desse contato?
Janira Rocha -
 O Daciolo me procurou antes de viajar para a Bahia. Ele disse: “Deputada, recebi um convite do juiz da Auditoria Militar Barroso Filho para ir à Bahia tentar ajudar na intermediação do processo de negociação”. Perguntou o que achava. Disse a ele que achava legal, que tinha que ir tentar ajudar no processo. De lá ele me ligou e disse: “O processo de negociação está difícil. Eles não conseguem chegar num acordo. O que foi mais divulgado foi uma proposta que dariam uma parcela da gratificação pedida pelos policiais em novembro e o restante até 2015. Mas não avançaram nenhum milímetro em relação a não criminalização e não prisão dos dirigentes [sindicais]. Achamos que essa proposta é ruim. O que a sra. acha?”. Esse trecho eles tiraram da gravação [divulgada]. Disse a ele que, se o objetivo é garantir os dirigentes, o que está certo, não é a melhor coisa negociar nesse momento. A correlação de força não está favorável. Se houver greve no Rio e em outros Estados, a correlação de forças muda e fica mais fácil garantir a liberdade dos dirigentes. Então, disse a ele, que ele ajudava mais vindo para o Rio, organizando a base no Rio, do que na Bahia.

Quando a sra. fala, na gravação, que não é vantagem negociar lá, antes de deflagrar a greve aqui, a sra. se referia em relação a não criminalização dos dirigentes?
Sim, porque o governo [baiano] em nenhum dos cenários de negociação anistiava os líderes. Se o objetivo é esse, tem que estabelecer uma nova correlação de forças. Em outros momentos eu conversei com eles também. Estou deputada, mas sou dirigente do movimento sindical. Eu venho do movimento sindical, essa é a minha base social. Então represento aqui dentro o interesse dessas categorias.

Mas essa era uma negociação em outro Estado. Não há contradição em interferir na negociação em outro Estado que não o Rio?
São negociações de trabalhadores. Existe uma articulação nacional desses trabalhadores, eu conheço e já lutei com essas pessoas antes. Milito há 32 anos no movimento social. Não vejo contradição nenhuma. O trabalhador da Bahia é o mesmo do Rio e de outros Estados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Assembléia é desocupada, mas greve continua na BA; oito outros estados em alerta. Eis o custo da demagogia de Lula e da campanha eleitoral de Dilma

Os policiais militares desocuparam a Assembléia Legislativa na Bahia, mas, por enquanto, a greve continua. Em nove dias, já são 146 homicídios na Grande Salvador. Como afirmo aqui desde o primeiro dia, o número evidencia que algo de muito errado se passa com a política de segurança do governador Jaques Wagner (PT), com ou sem greve. O problema está longe de ser resolvido. Além da Bahia, há forte mobilização em outros oito estados: Rio, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Alagoas. Um bobão aí afirmou que fico criticando Jaques Wagner, mas ignoro a razão real da mobilização: a PEC 300. Ignorante é ele! Fui o primeiro a tratar deste assunto agora e antes. Escrevi a respeito anteontem e, mais importante, tratei do assunto no dia 10 de novembro de 2010.

Relatei em detalhes quem armou esse gatilho. O principal responsável é o senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Ao assinar a MP 426 reajustando os vencimentos da PM do Distrito Federal — a conta cai nas costas da União —, armou um evento público, com milhares de pessoas e, na prática, incitou os policiais do Brasil inteiro a pedir equiparação com o DF. Republico o vídeo.

Prestem atenção a cada palavra do demagogo. Reconheceu que a reivindicação se espalharia Brasil afora, alertou que alguns estados não teriam condições de arcar com o custo, mas também deixou claro que ele próprio seria um militante da causa. O deputado Arnaldo Faria de Sá achou uma boa idéia a equiparação e mandou ver na PEC 300 sem levar em consideração o que isso significaria no caixa dos estados. Alertado, introduziu um mecanismo que joga na conta da União o que os estados gastarem a mais com a equiparação. Aí foi a vez de o governo federal refugar e passar a trabalhar contra a PEC 300.

Mas atenção! Na campanha eleitoral, já demonstrei naqueles dois textos, a turma ligada a Dilma Rousseff, a exemplo de Jaques Wagner, passou a fazer proselitismo na porta de quartel e espalhou Brasil afora que Serra era contra a PEC 300 — sugerindo-se, pois, que Dilma era a favor.

Jaques Wagner não foi o único petista a dar piscadelas para gente armada, não! O elemento principal da agitação tem nome:  Lula. Dilma tem culpa subsidiária, uma vez que sua campanha deu a entender que, com o PT, a PEC 300 teria futuro. Ora, tão logo chegou ao poder, a Soberana passou a mobilizar a sua base no Congresso para boicotá-la.

É assim que se arma uma grande confusão. E é assim que o povo paga o pato pelas bobagens feitas por políticos. A greve na Bahia, com seus quase 150 mortos só na Grande Salvador em nove dias, é o chamado “custo demagogia”. Lula, Dilma e os petistas no geral decidiram se comportar como vivandeiras. Deu nisso aí.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/02/2012 às 14:08

A era dos analfabetos cheios de opinião

Publiquei, como se pode comprovar, um monte de comentários de pessoas que não concordam comigo na questão do aborto. Mas vetei, sim, outros tantos. Não é raro que alguém venha choramingar:
“Mas eu não falei palavrão, segui as regras dos comentários…”

É? Ocorre que muita gente esquece de seguir uma regra essencial: CONTESTAR O QUE ESCREVI, NÃO O QUE NÃO ESCREVI.

Vejam o caso do post anterior, em que faço uma breve reconstituição histórica do binômio “cristianismo-aborto”, tendo como referência o livro de um sociólogo, devidamente citado.  Isso NÃO É um texto religioso! Eu APENAS estou contestando a tese segundo a qual o cristianismo se opõe ao aborto porque discrimina as mulheres. EU ESTOU DEMONSTRANDO QUE ISSO É UMA FARSA.

Mais ainda: encerro o artigo deixando claro que não é preciso ser cristão para ser contra a legalização do aborto. Digo com todas as letras que não é preciso acreditar que o corpo humano é sagrado; basta que se considere o corpo “morada do Homem”.

Aí vem uma dizer que tento “impor aos outros minha religião”. Tento? Com o meu blog??? Eu sou governo por acaso?

Uns tontinhos, certamente “desinstruídos” por alguns professores esquerdopatas,  mais ignorantes do que eles próprios, escrevem coisas como:
“Só pra ver se eu entendi: A religião, no caso o cristianismo, protegeu as mulheres da humilhação, do sofrimento e da morte? Cara, isso deve ser alguma piada. Você é muito ingênuo ou muito mal intencionado, não sei qual seria pior.

O cretino acha “uma piada”, mas não diz por que é uma piada!
O bestalhão é só interrogativo e exclamativo. Não contesta nada, não argumenta. Ele só quer se indignar. Outra, ensandecida, tenta jogar no meu colo a Inquisição e todas as violências cometidas pela Igreja, como se eu negasse uma coisa ou outra, esquecendo-se que o combate às religiões matou muito mais. Em 30 anos, a China matou mais gente no Tibete do que a Inquisição em alguns séculos. Isso perdoa a violência da Igreja naquele caso? Não! Isso é apenas um fato.

De resto, eu não me oponho à legalização do aborto, já disse, “apenas” porque sou cristão. Meus textos não entram no mérito da fé, minha ou dos outros.

Finalmente, escrevi um artigo demonstrando a falácia, ontem ou hoje, dessa conversa de que a legalização do aborto é uma medida de proteção às mulheres. Errado! Ontem e hoje, a prática discrimina as mulheres. O silêncio covarde das ditas “feministas abortistas” sobre os abortos seletivos na China diz bem qual é sua moral profunda.

Sim, publico pensamentos divergentes aqui, como a área de comentários evidencia. Mas é preciso opinar sobre o que está escrito, em vez de me atribuir o que não escrevi para, então, responder. Aí não dá! Ninguém vai distorcer o que penso com a minha ajuda.

Por Reinaldo Azevedo

 

O ABORTO COMO EXPRESSÃO DA LIBERTAÇÃO DA MULHER NÃO É APENAS UMA FRAUDE MORAL, É TAMBÉM UMA MENTIRA HISTÓRICA. O ABORTO SEMPRE FOI E É CONTRA AS MULHERES!

Já escrevi dezenas de textos demonstrando por que o aborto é moralmente injustificável. Neste artigo, quero desmontar algumas falácias históricas. Os que, como este escriba, são contrários à legalização, ganham referências e argumentos novos. Os que não se convencerem, quando menos, podem tentar melhorar os próprios argumentos.

Em dezembro de 2006, escrevi para a VEJA uma longa resenha, que acabou sendo publicada como “matéria especial”, do livro “The Rise of Christianity: a Sociologist Reconsiders History”, do americano Rodney Stark, hoje já traduzido: “O Crescimento do Cristianismo: Um Sociólogo Reconsidera a História”, publicado pela Editora Paulinas. Leiam-no, cristãos e não-cristãos. A íntegra do texto está aqui. Eu me lembrei de livro e resenha ao ler as declarações da nova ministra das Mulheres, Eleonora Menicucci, que considera o aborto uma espécie, assim, de libertação das mulheres, especialmente das mais pobres. Esse também foi o teor de muitos comentários que chegaram, alguns com impressionante violência. Houve até uma senhora que afirmou que eu deveria ser “executado”. Por quê? Bem, entendi que é porque não concordo com ela. Pelo visto, em nome de suas convicções, ela não se limitaria a eliminar os fetos. Nos dias de hoje, melhor ser tartaruga.

Boa parte dos que me atacaram de modo impublicável — sim, há comentários de leitores que discordam de mim — revela, na verdade, um preconceito anticristão, anticatólico em particular, que chega a assustar. Dá para ter uma idéia do que fariam se chegassem ao poder. Estão de tal sorte convictos de que a religião é um mal que chegam a  revelar uma semente missionária. Se o estado pelo qual anseiam se concretizasse, aceitariam a tarefa de eliminar os “papa-hóstias” e os evangélicos em nome do progresso social. Constato, um tanto escandalizado, que a defesa incondicional do aborto, em muitos casos, é só uma das manifestações da militância anti-religiosa. Há nesses espíritos certa, como chamarei?, compulsão da desmistificação. Por que alguns fetos não poderiam pagar por isso, não é mesmo?

Mas volto àquela magnífica tese do “aborto como expressão a libertação das mulheres”. Retomo parte daquela resenha para que se desnude uma mentira. Vamos a um breve passeio pelos primeiros séculos do cristianismo para que possamos voltar aos dias de hoje.

Em seu magnífico livro, Stark, que é professor de sociologia e religião comparada da Universidade de Washington, lembra que, por volta do ano 200, havia em Roma 131 homens para cada 100 mulheres e 140 para cada 100 na Itália, Ásia Menor e África. O infanticídio de meninas — porque meninas — e de meninos com deficiências era “moralmente aceitável e praticado em todas as classes”. Cristo e o cristianismo santificaram o corpo, fizeram-no bendito, porque morada da alma, cuja imortalidade já havia sido declarada pelos gregos. Cristo inventou o ser humano intransitivo, que não depende de nenhuma condição ou qualidade para integrar a irmandade universal. CRISTO INVENTOU A NOÇÃO QUE TEMOS DE HUMANIDADE! As mulheres, por razões até muito práticas, gostaram.

No casamento cristão, que é indissolúvel, as obrigações do marido, observa Stark, não são menores do que as das mulheres. A unidade da família era garantida com a proibição do divórcio, do incesto, da infidelidade conjugal, da poligamia e do aborto, a principal causa, então, da morte de mulheres em idade fértil. A pauta do feminismo radical se volta hoje contra as interdições cristãs que ajudaram a formar a família, a propagar a fé e a proteger as mulheres da morte e da sujeição. Quando Constantino assina o Édito de Milão, a religião dos doze apóstolos já somava 6 milhões de pessoas.

Se as mulheres, especialmente as mulheres pobres, foram o grande esteio do cristianismo primitivo, Stark demonstra ser equivocada a tese de que aquela era uma religião apenas dos humildes. O “cristianismo proletário” serve ao proselitismo, mas não à verdade. A nova doutrina logo ganhou adeptos entre as classes educadas também. Provam-no os primeiros textos escritos por cristãos, com claro domínio da especulação filosófica. Mas não só. Se o cristianismo era uma religião talhada para os escravos — “os pobres rezarão enquanto os ricos se divertem” (em inglês, dá um bom trocadilho: “the poor will pray while the rich play“) —, Stark demonstra que o novo credo trazia uma resposta à grande questão filosófica posta até então: a vitória sobre a morte.

Nos primeiros séculos do cristianismo, a fé se espalhou nas cidades — não foi uma “religião de pastores”. Um caso ilustra bem o motivo. Entre 165 e 180, a peste mata, no curso de quinze anos, praticamente um terço da população do Império Romano, incluindo o imperador Marco Aurélio — o filme Gladiador mente ao acusar seu filho e sucessor, Cômodo, de tê-lo assassinado. Outra epidemia, em 251, provavelmente de sarampo, também mata às pencas. Segundo Stark, amor ao próximo, misericórdia e compaixão fizeram com que a taxa de sobrevivência entre os cristãos fosse maior do que entre os pagãos. Mais:  acreditavam no dogma da Cruz e, pois, na redenção que sucede ao sofrimento. O ambiente miserável das cidades, de fato, contribuía para a pregação da fraternidade universal: os cristãos são os inventores da rede de solidariedade social, especialmente quando começaram a contar com a ajuda de adeptos endinheirados e, nas palavras de Stark, “revitalizaram a vida nas cidades greco-romanas”. Os cristãos inventaram as ONGs - as sérias.

Falácias
Não, grandes bocós!!! O cristianismo, na origem, é a religião da inclusão, da solidariedade e da vida. E A INTERDIÇÃO AO ABORTO — VÁ ESTUDAR, DONA ELEONORA!!! — CONFERIU DIGNIDADE À MULHER E PROTEGEU-A DA HUMILHAÇÃO E DA MORTE, bem como todos os outros valores que constituem algumas das noções de família que vigoram ainda hoje. Isso a que os cretinos chamam “família burguesa” é, na verdade, na origem, a família cristã, muito antes do desenvolvimento do capitalismo. O cristianismo se expandiu, ora vejam, como uma das formas de proteção às mulheres e às crianças.

Qualquer estudioso sério e dedicado sabe que não é exatamente a pobreza que joga as crianças nas ruas — ou haveria um exercito delas perambulando por aí. Se considerarmos o número de pobres no Brasil, há poucas. O que lança as crianças às várias formas de abandono — inclusive o abandono dos ricos, que existe — é a família desestruturada, que perdeu a noção de valores. Não precisamos matar as nossas crianças. Precisamos, isto sim, é cultivar valores para fazer pais e mães responsáveis.

Morticínio de mulheres
Vi há coisa de dois dias uma reportagem na TV sobre a dificuldade dos chineses de arrumar uma mulher para casar. Alguns pagam até R$ 19 mil por uma noiva. É uma decorrência da rígida política chinesa de controle da natalidade, que impõe dificuldades aos casais que têm mais de um filho. Por razões culturais, que acabam sendo econômicas, os casais optam, então, por um menino e praticam o chamado aborto seletivo: “É menina? Então tira!” Nesse particular, a China é certamente o paraíso de algumas das nossas feministas e de muitos dos nossos engenheiros sociais, não é? A prática a que se chama “libertação” por aqui serve para… matar mulheres! Repete-se, assim, o padrão vigente no mundo helênico. Não dispondo da ultrassonografia, muitas meninas eram simplesmente eliminadas ao nascer. E se fazia o mesmo com os deficientes. A China moderna repete as mesmíssimas brutalidades combatidas pelo cristianismo primitivo — com a diferença de que tem como perscrutar o ventre.

Os abortistas fazem de tudo para ignorar o assunto. Mas é certo que, nos países que legalizaram o aborto, o expediente é empregado para eliminar os deficientes e, sim, para impedir o nascimento de meninas, ainda hoje consideradas economicamente menos viáveis do que os meninos. Ainda que isso fosse verdade apenas na China — não é —, já estaríamos falando de um quarto da humanidade.

Que zorra de humanismo vigarista é esse que estabelece as precondições para que uma vida humana possa ser considerada “intocável”? Se não querem ver no corpo humano a morada de Deus, a exemplo dos cristãos, que o considerem, ao menos, a morada do “Homem”.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/02/2012 às 5:39

Há menos de dois anos, Lula descia o sarrafo nas privatizações. Em quais? Em todas!!!

Ok, todo mundo sabe como é essa gente e conhece as falácias de seu discurso. Mas não custa, à luz das privatizações dos aeroportos, com 80% de financiamento do BNDES para empresas estrangeiras — não estou criticando, não; os petistas é que deveriam fazê-lo se tivessem um pouquinho de vergonha na cara —, ouvir trecho do discurso do Apedeuta em março de 2010, ano eleitoral, em Cubatão. Volto depois.

Voltei
Voltei só para chamar a atenção para uma mentira factual dentro da mentira política: JAMAIS HOUVE QUALQUER TENTATIVA DE PRIVATIZAR O BANCO DO BRASIL. Quanto às outras mentiras… Bem, que verdade restou no discurso petista?

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

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