Comissão da Verdade — Os arquivos demonstram o que Mino Carta fez em verões passados...

Publicado em 25/05/2012 10:31 e atualizado em 09/03/2020 09:14 1147 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Comissão da Verdade — Os arquivos demonstram o que Mino Carta fez em verões passados. Ou: O entusiasta da ditadura e da Oban

Paulo Henrique Amorim, o notório, de braços dados com Mino Carta, da mesma estatura, escreveu ao menos uma verdade na vida para exaltar o seu amigo, a saber:

“Como é de conhecimento do mundo mineral, quem fez a VEJA, quando podia ser lida, foi o Mino Carta. O Robert(o) lia a Veja na segunda feira, depois de impressa, porque o Mino não deixava ele dar palpite ANTES de a revista rodar.”

De fato, nunca houve dúvidas de que era Mino quem mandava. Era Mino quem decidia. A função de patrão, para ele, era pagar as contas de seu brilho incomparável.

Hoje Mino é um “progressista”, um verdadeiro guia a orientar o jornalismo de esquerda. E odeia VEJA, como é sabido. Cumpre, então, deixar claro quais eram as escolhas do chefe inconteste enquanto esteve no comando da revista — aquela na qual ele não deixava Roberto Civita dar palpite. Enquanto escrevo, assobio mentalmente: “Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei…”.

Na edição de 4 de fevereiro de 1970, a revista publicava uma reportagem, exaltada pelo diretor de Redação na Carta ao Leitor, devidamente assinada, sobre o famoso “roubo do cofre do Adhemar”. Na mesma edição, sob o pulso firme de Mino Carta, um outro texto detalhava os bastidores do desmantelamento dos grupos de esquerda.

Com o seu conhecido porte imperial e a notória intolerância com os que pensam de modo diferente — tanto é assim que não deixava nem mesmo o patrão dar pitaco na revista —, Mino cantou as glórias da Operação Bandeirantes, conhecida por torturar prisioneiros. Seguem alguns trechos verdadeiramente encantadores da obra deste que é hoje um oráculo do jornalismo que se quer “progressista” e de esquerda — desde que devidamente recompensado pelo estado, é claro.

Peço que vocês leiam atentamente estes dois trechos, um sequência do outro, em que Mino Carta exalta a eficiência da Oban. Volto em seguida:

mino-1-exaltando-a-oban

mino-2-exaltando-a-oban

Voltei
Como este mundo pode ser pateticamente engraçado! Duas das organizações que estão no radar deste Colosso de Rhodes do jornalismo no texto acima são  o Colina e a VAR-Palmares, justamente os grupos a que pertenceu Dilma Rousseff, que havia sido presa 20 dias antes da publicação da reportagem — 16 de janeiro.Em 1970, com Dilma na cadeia, Mino vestia uniforme e batia continência para “tranquilizar a nação”. Quarenta e dois anos depois, com Dilma na cadeira presidencial, Mino põe no peito a estrela do PT e…, bem, continua a bater continência para o poder. Que talento inigualável para servir!

Grave
Não deve lhes escapar um detalhe: Mino elogia a decisão da Oban, conhecida por torturar prisioneiros, de esperar algum tempo para anunciar as detenções. Será que ele não se perguntava por quê? Enquanto as prisões eram mantidas na surdina, o que será que ofereciam aos detidos? Sorvete Chicabon? Vocês merecem ler mais algumas coisas, tudo absolutamente disponível no arquivo digital de VEJA. Era o tempo em que Mino mandava!

Mino ironiza os presos
Leiam estes dois fragmentos na sequência. Na legenda da segunda imagem, explico as circunstâncias.

mino-3-sole-mio-ironia-com-presos

Como vocês leram, trata-se do relato de prisão por engano de um tenor. Teve de cantar para provar que falava a verdade. Mino achou a situação espirituosa e a usou como metáfora: afirmou que os presos pela Oban tiveram de “cantar música completamente diferente”. Como ele se acha dono de um humor sutilíssimo, deve ter achado um chiste engraçado. Está na edição de 17 de abril de 1969

Como vocês leram, trata-se do relato de prisão por engano de um tenor. Teve de cantar para provar que falava a verdade. Mino achou a situação espirituosa e a usou como metáfora: afirmou que os presos pela Oban tiveram de “cantar música completamente diferente”. Como ele se acha dono de um humor sutilíssimo, deve ter achado um chiste engraçado. Está na edição de 17 de abril de 1969


Mino faz o elogio da Junta Militar

Sempre sem consultar ninguém, na mesma edição de abril de 1969, o hoje principal representante do “progressismo” elogia a Junta Militar e suas graves responsabilidades, inclusive a adoção da pena de morte.

Sempre sem consultar ninguém, na mesma edição de abril de 1969, o hoje principal representante do “progressismo” elogia a Junta Militar e suas graves responsabilidades, inclusive a adoção da pena de morte.

Mino faz a apologia da democradura

Leiam os três textos em sequência. Na legenda do terceiro, explico as circunstâncias. Volto em seguida para encerrar.

mino-6-a-democradura-1

mino-7-democradura-2

Notem que todo o encadeamento dado pelo maior gigante do jornalismo de todos os tempos flerta abertamente com a ideia de que a democracia, nos moldes tradicionais, não é muito adequada à realidade brasileira. Até porque o país tinha outra urgência: combater a subversão. Mino nunca foi partidário da ditamole. Ele gostava mesmo era de uma democradura.

Notem que todo o encadeamento dado pelo maior gigante do jornalismo de todos os tempos flerta abertamente com a ideia de que a democracia, nos moldes tradicionais, não é muito adequada à realidade brasileira. Até porque o país tinha outra urgência: combater a subversão. Mino nunca foi partidário da ditamole. Ele gostava mesmo era de uma democradura.

Voltei
A alguns desses trechos, o jornalista Fábio Pannunzio já deu destaque em seu blogue. A ditadura de Mino Carta em VEJA, felizmente, chegou ao fim nos primórdios de 1976, quando a revista, apesar da censura ainda vigente, inicia seu esforço para exercer a sua vocação original, penosamente distorcida pelo cesarismo cartiano. Refiro-me à defesa dos valores que a transformaram na maior revista do país e numa das maiores do mundo: a defesa da democracia e do estado democrático e de direito.

Algumas pantomimas só prosperam hoje em dia porque o passado de certos gigantes morais fica debaixo do tapete. O arquivo digital de VEJA já está há tempos no ar. O Estadão acaba de lançar o seu. É chegada a hora de revermos o passado de certos “progressistas” que andam por aí. Vocês nem imaginam quantas são as supostas “referências morais do jornalismo” que serviram de escribas entusiasmados do golpe militar de 1964. Alguns deles, ora, ora, pediriam mais tarde indenização ao estado porque supostamente “perseguidos”. E hoje, curiosamente, tentam esconder esse passado defendedo a revisão da Lei da Anistia. Eu, por exemplo, sou diferente: levei borrachada, fui fichado e sou contra a revisão. Mundo engraçado, né?

E para que não reste a menor dúvida: a censura impedia, sim, a publicação de muita coisa, mas não obrigava a publicar elogios. Os feitos por Mino Carta eram coisa de coração, de vocação, de gosto, de adesão a uma causa. E, como ele sempre fez questão de deixar claro, nunca deixou ninguém “dar palpite”. Foi obra de autor, como não cansa de se autoelogiar.

Acho que vou tomar gosto por esse negócio de “Comissão da Verdade”…

PS:  Como sou um homem justo, noto que Mino tinha uma qualidade naquele tempo: chamava terroristas de “terroristas” e terrorismo de “terrorismo”.

Por Reinaldo Azevedo

 

25/05/2012 às 4:45

Lula, ora vejam, deixa claro ser ele o único líder do mundo mundial. E isso é pouco!!!

As palavras fazem sentido, certo? Mesmo quando, na boca de Lula, não fazem o mínimo sentido — em outro sentido, se é que me entendem. Não? Leiam o que informa oEstadão Online.  Explico em seguida:

Por Elizabeth Lopes:
Em meio ao acirramento da crise econômica europeia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva revela preocupação com a ausência de liderança hoje no mundo. “(Barack) Obama (presidente dos EUA) pensa nos americanos, (Angela) Merkel (chanceler alemã) nos alemães, cada um no seu mandato. O mundo não está pensando de forma globalizada”, advertiu o petista, em entrevista exclusiva, concedida nesta semana, à documentarista portuguesa Graça Castanheira e reproduzida nesta quinta-feira, 24, no site do jornal português O Público.

Na entrevista, Lula diz que “o pobre do povo grego” está pagando para bancos franceses e alemães e que a Europa não pode destruir a União Europeia. E destacou o fato de os países europeus terem ficado muito na dependência da Alemanha, que teve importância nessa unificação, “mas também foi a grande ganhadora desse mercado porque 70% de suas exportações são para a Europa”. Na sua avaliação, a crise da Grécia poderia ter sido resolvida há um ano “com poucos bilhões”. E frisou: “Eu gosto de fazer política. Temos de trabalhar para interferir na política mundial.”

Lula falou da China, que tem um papel importante, mas não pode viver uma crise, e dos Estados Unidos, que têm um papel igualmente importante, “só não podem é achar que fazem com o dólar o que querem”. E alfinetou: “O mundo fica à disposição do tesouro americano. Não é justo que a gente dependa do dólar.” Não faltou crítica também ao FMI: “O FMI é muito bom quando a crise é na Bolívia, mas quando a crise é nos EUA, o FMI não vale nada.”

Apesar de estar se recuperando do tratamento de combate a um câncer na laringe, Lula diz que não consegue descansar mais do que três dias seguidos: “Faz parte da minha genética, sempre fui habituado a trabalhar.” E falou do seu compromisso moral com o continente africano. “Não é possível que o século XXI não seja o século do continente africano e da América Latina.”
(…)

Voltei
Se tiverem paciência, leiam o resto. Eu disse que as palavras fazem sentido, certo? Lula estabelece um silogismo muito cultivado num país chamado Lulolândia, de que Lula é monarca, que tem como religião o culto ao deus Lula e como herói nacional um vulto histórico chamado Lula. E que silogismo é esse?

Um líder mundial precisa pensar em todo o mundo.
Obama só pensa nos Estados Unidos.
Logo, Obama não é líder mundial.

Dá para variar.

Um líder mundial precisa pensar em todo o mundo.
Merkel só pensa na Alemanha.
Logo, Merkel não é líder mundial.

Há a variação que está na raiz de todas as outras possibilidades:

Um líder mundial precisa pensar em todo o mundo.
Lula pensa em todo o mundo.
Logo, Lula é um líder mundial.

Mas ainda não é perfeito porque outros também poderiam se dedicar a esse exercício modesto. Então falta complementar a constatação aí com uma sentença: Lula é o único líder que pensa no mundo inteiro, o que faz dele o único líder verdadeiramente mundial.

Começou como diretor de sindicato. Era pouco.
Atropelou companheiros para presidir o sindicato. Era pouco.
Criou um partido. Era pouco.
Foi eleito presidente da República. Era pouco.
Quer-se agora o único líder mundial. E isso é pouco.
Lula ainda vai depor o Altíssimo.

Na entrevista, ele diz que trabalhar faz parte da sua genética.

Lula não tem culpa se nem todo mundo tem o seu senso de humor.

Texto publicado originalmente às 22h49 desta quinta

Por Reinaldo Azevedo

 

25/05/2012 às 4:43

O Rio assiste ao renascimento da esquerda festiva e do miolo mole. O queridinho da vez é Marcelo Freixo, do mesmo partido que liderou o caos em São Paulo

Lá vou eu parafrasear o ex-presidente mexicano Porfirio Díaz, que afirmou sobre seu país: “Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”. Na reta das eleições municipais, digo cá com os meus botões: “Pobre Rio, tão perto do Cristo Redentor e tão longe de uma solução!”. Por que isso?

Prêmio Jabuti do Miolo Mole: candidato do PSOL é o novo queridinho dos descolados

Prêmio Jabuti do Miolo Mole: candidato do PSOL é o novo queridinho dos descolados

Os descolados, descoletes, intelectuais alternativos, celebridades e “pessoas boas no geral” — incluindo cineastas, claro!, que sempre têm na ponta da língua um “projeto” para o Brasil — têm um novo queridinho: o deputado Marcelo Freixo, do PSOL, caracterizado como herói no filme “Tropa de Elite 2″. Sim, claro!, Freixo travou uma batalha meritória contra as chamadas milícias. “Meritória”, diria eu, na ponta, mas não nos fundamentos. As suas considerações sobre as razões do crime organizado no Rio não fogem à triste ladainha das esquerdas que acabaram contribuindo para que o Rio fosse sitiado pela marginalidade. Ainda voltarei a esse tema, estejam certos.

Muito bem! Chico Buarque — desta vez em companhia de Caetano Veloso — acaba de adotar a candidatura de Freixo à Prefeitura do Rio. Principal propagandista do PT — e, obviamente, de seus métodos —, o sambista agora adota um outro bibelô da esquerda. No Rio, continuar no petismo significa se jogar na cachoeira da Delta, de Sérgio Cabral. Não pega bem em certos endereços de Leblon, Copacabana e Ipanema. Nesses locais, geralmente de um por andar, há que se endurecer, ser socialista, mas sem perder jamais a ternura pela propriedade privada — ainda que com dor no coração.

Leiam o que informa Marcelo Gomes, no Estadão Online. Volto em seguida:
Eleitor tradicional do PT, o cantor e compositor Chico Buarque declarou, na noite da última terça-feira, 22, apoio à candidatura do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) à Prefeitura do Rio. A confirmação foi feita na casa do artista, no Leblon, Zona Sul da cidade, durante um encontro, organizado pelo também cantor e compositor Caetano Veloso, que já havia aderido à candidatura do PSOL. O PT não terá candidato próprio nas eleições de outubro. Porém, terá a vaga de vice na chapa do atual prefeito Eduardo Paes (PMDB) à reeleição. O vice de Paes será o vereador Adilson Pires, ex-sindicalista e atual líder do governo na Câmara Municipal.

Segundo Freixo, Chico entrou “de cabeça” na campanha e aparecerá no horário eleitoral na televisão. “É esse tipo de aliança, com pessoas comprometidas com o futuro do Rio e do País, que eu busco. É melhor que fazer alianças espúrias para aumentar meu tempo no horário eleitoral na TV em troca de cargos públicos. Vamos ter pouco tempo de TV, mas temos as redes sociais e, sobretudo, a militância”, disse Freixo.

Além de Freixo e Paes, já lançaram suas pré-candidaturas à Prefeitura do Rio a deputada estadual Aspásia Camargo (PV), o deputado federal Otávio Leite (PSDB) e o deputado federal Rodrigo Maia (DEM). A vice de Maia, filho do ex-prefeito César Maia, será a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), filha dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho.
(…)

Voltei
O PSOL, partido ao qual pertence Freixo — e do qual até Heloísa Helena teve de pular fora — é a legenda que comandou, ao lado do PSTU, a greve do Metrô em São Paulo. Atenção! O reajuste obtido pela categoria acabou sendo inferior àquele que a Justiça havia proposto. Mas a greve, que fez a cidade mergulhar no caos, era uma questão de honra para a legenda — embora seja um fato universalmente conhecido que o Metrô oferece uma das melhores estruturas de trabalho do país a seus funcionários. Ocorre que o PSOL é socialista, entendem?…

O partido lidera ainda — também ao lado do PSTU — uma campanha bucéfala contra o reitor João Grandino Rodas, da USP, única universidade da América Latina a integrar o ranking das 100 melhores do mundo. Há dias, o senador Randolfe Rodrigues, do PSOL do Amapá — destacado membro da CPI do Cachoeira e insuspeito de desvio direitista — reclamava da patrulha que passou a sofrer na legenda porque resolveu integrar um grupo de personalidades que tentam levar investimentos para o Amapá. Os psolistas consideram que isso é desvio burguês.

A luta de Freixo contra as milícias, sua cara de bom moço e aquele ar de coroinha que ele faz às vezes servem para disfarçar a natureza truculenta de seu partido quando envolvido nos tais movimentos sociais. Uma coisa é distinguir a sua atuação contra os trogloditas do crime organizado que se disfarçam de agentes da lei, outra, distinta, é ter respostas para a cidade.

A adesão a Freixo é uma espécie de reedição da esquerda festiva e do miolo mole, que não tem a menor noção do que está fazendo. De pronto, tenho uma pergunta a Chico Buarque e a Caetano Veloso, que, mais falastrão, poderia responder: se Freixo for eleito prefeito, deve ser ele a liderar uma greve nos transportes do Rio, nos moldes daquela que seu partido liderou em São Paulo, com todas as suas dramáticas consequências para os pobres?

E que ninguém me venha com a história de que o apoio ao indivíduo não implica apoio ao partido. Isso não existe na esquerda. Ele terá de governar com os seus. E o PSOL é justamente um pedaço que se descolou do PT porque acusou a nave-mãe de não aplicar, na prática, as palavras que tinha como princípio.

Encerro
“Ah, é assim, Reinaldo? E votar em quem?” Queridos, graças a Deus, não voto no Rio! E sei que a expressão do meu alívio não responde grande coisa. Os cariocas façam suas devidas ponderações. PSOL como resposta? No Rio ou em qualquer lugar, esse partido está mais para um problema, ainda que Freixo, pessoalmente, consiga lavar o caráter da legenda.

“Como a gente faz, Reinaldo, quando nenhuma solução é exatamente boa?” Vou lhes dizer o que eu faria: escolher o mal menor. Sabendo o que sei do PSOL e vendo o que o partido fez ontem na cidade, digo sem medo de errar: não é o mal menor! O resto é com os cariocas.

Texto publicado originalmente às 22h07 desta quinta

Por Reinaldo Azevedo

 

25/05/2012 às 4:41

Dilma deve frustrar os pilotos de pterodáctilos e vetar apenas pontos do Código Florestal; vamos ver quais. Ou: “Veta, Dilma” é sinônimo de “Fome, Dilma!” Ou: Os pobres que se danem! Vamos salvar o planeta!

Não há, e eu vou repetir isso quantas vezes se fizer necessário porque é verdade, nada de “ambientalmente incorreto” no novo Código Florestal. A afirmação é coisa dos cavaleiros do apocalipse de Marina Silva e de ongueiros em geral, financiados por um setor muito atuante do novo capitalismo: o das chamadas energias alternativas. Não obstante, a pressão política é grande, e os petistas vivem com os ditos movimentos sociais uma relação, digamos, dialética: deve-lhes uma espécie de vassalagem moral e os instrumentaliza contra adversários quando necessário. É bem verdade que chamar os ecologistas pançudos — que imaginam que comida nasce nas gôndolas do Pão de Açúcar — de “movimento social” é uma licença e tanto…

Muito bem! Não há nada de errado com o código. Pra começo de conversa, é mentira que haja lá anistia para desmatadores. Se a presidente Dilma Rousseff fizer o que eles pedem — e é bom lembrar que ela não pode fazer tudo sozinha nessa área —, 33 milhões de hectares hoje destinados à produção vão virar mato. Em artigo recente na Folha, a senador Kátia Abreu (PSD-TO), também presidente da CNA, escreveu:
“Será que é racional abrir mão de 33 milhões de hectares da área de produção de alimentos, que representam quase 14% da área plantada, para aumentar em somente 3,8 pontos percentuais a área de vegetação nativa do país? Essa troca não me parece justa com os brasileiros, pois corremos um alto risco de aumento no preço dos alimentos sem um ganho equivalente na preservação ambiental. Reduzir 33 milhões de hectares nas áreas de produção agropecuária significa anular, todos os anos, cerca de R$ 130 bilhões do PIB (Produto Interno Bruto) do setor. Para que se tenha uma noção do que representam 33 milhões de hectares, toda a produção de grãos do país ocupa 49 milhões de hectares.”

“Como? Você recorre a dados levantados por uma liderança do setor agrícola?” Sim!!!  Sabem o que é fabuloso? Ninguém se atreve a contestar os números. Faz-se de conta que eles não existem. Até parece que o novo código não manterá o país no primeiro lugar no ranking da conservação da vegetação original.  61% do território brasileiro segue e seguirá intocado. Que outro país do mundo oferece tanto à conservação?

“Veta, Dilma!”; “Fome, Dilma!” 
A turma que hoje grita “Veta, Dilma” está pedindo, na prática, “Fome, Dilma!”, “Comida mais cara, Dilma”, “Menos produção, Dilma!”. Ora, vamos ver como anda o mundo — e espero que a presidente não acredite na fantasia de palanque de que o país está “300% preparado para a crise”. Não está.

Vamos ver. A economia chinesa está em desaceleração clara — o que significa um tombo em boa parte das commodities brasileiras. A Europa está em transe. Não se conhecem os efeitos exatos do desastre da Grécia, mas, se o país realmente abandonar a Zona do Euro, a turbulência não será pequena. Os EUA já receberam sinal de alerta de uma possível recessão em 2013. “300% preparados para a crise?” Não! 300% envolvidos na crise — 100% para cada um desses fatores…

A economia já está emperrada. O pacote incentivando o consumo, considerado temerário e irresponsável por 11 entre 10 economistas (o próximo a se inteirar do assunto endossará os outros 10), tenta criar mais uma bolha de consumo para atravessar dias difíceis… A equação está desandando. Há gente influente a afirmar que o Brasil já viveu o seu auge; teria iniciado a trajetória de declínio — sem que tenha aproveitado a bonança para fazer as reformas necessárias…

É nesse cenário que esses irresponsáveis vêm propor um tombo na produção agropecuária brasileira para que o país possa fazer bonito na “Rio+20″, dando provas de bom comportamento no tribunal dos países industrializados? Ah, tenham a santa paciência! Fosse o Código Florestal um vale-tudo em favor da produção, vá lá! Mas essa é uma mentira escandalosa.

Dilma vai vetar, sim
Dilma vai vetar, sim, pontos do Código Florestal. Vamos ver quais. Segundo apurou este blog, e espero que as fontes estejam certas, não deixará as coisas como estão porque seu partido, afinal, deve vassalagem moral ao onguismo nacional e internacional. Mas também ficará distante do que pedem os malucos financiados.  O país fatalmente perderá área de produção para “as florestas” — o que é de um absurdo sem-par! —, mas não será o desastre que aquela turma do miolo mole e os pilantras cheios da grana reivindicam.

A presidente está tomando o cuidado, ao menos, de ouvir todos os setores envolvidos, também os da produção. Informações não lhe faltam. Se fará ou não a coisa certa, aí vamos ver. Michel Temer, vice-presidente, confirmou nesta quinta que, conforme o esperado, haverá vetos. Mas, tudo indica, a expectativa dos pilotos de pterodáctilos — “veta tudo” — não se cumprirá.

Texto publicado originalmente às 16h40 desta quinta

Por Reinaldo Azevedo

 

25/05/2012 às 3:45

PT e PMDB fazem pressão, e relator revê quebra de sigilo da Delta nacional

No Estadão:
Em sessão tumultuada, em que dois dos três depoentes optaram por ficar calados e em alguns momentos beirou a baixaria, o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), deu sinais ontem de que desistiu de defender a imediata quebra de sigilo da Delta Construções em nível nacional.

 Acordo entre PT, PMDB e PSDB adiou para próxima terça-feira, dia 29, a votação de requerimentos com a abertura das contas da Delta e a convocação de três governadores supostamente envolvidos com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Cunha está sendo pressionado por PMDB e PT para poupar a empreiteira nas investigações e evitar a aprovação de requerimento a favor do fim do sigilo. Para voltar atrás, o relator argumentou que a Operação Saint-Michel, cujas apurações deverão chegar nos próximos dias à CPI, já abriu as contas da Delta nacional.

A Saint-Michel foi deflagrada pelo Ministério Público do DF, como continuidade da Operação Monte Carlo. “A Saint-Michel já fez a quebra de sigilo. Quero ver o que existe nessa operação”, disse Odair. “O papel da Delta deve ser investigado, mas com método e análise para fazer a quebra de sigilo.” Ele disse que analisará os autos da operação até terça-feira, dia da sessão administrativa da CPI. Só então decidirá se pedirá a quebra do sigilo.

Acordo entre lideranças do PT, PMDB e PSDB evitou a votação ontem de requerimento com a quebra de sigilo da Delta e de convocação de três governadores: o tucano Marconi Perillo, de Goiás; o petista Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, e do Rio, o peemedebista Sérgio Cabral.

A estratégia dos governistas é tentar aprovar na terça apenas a convocação de Perillo. Requerimento de autoria do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), apoiado pela maioria da CPI, pede preferência para a votação da convocação de Perillo. Os aliados, sobretudo petistas, alegam que as provas de envolvimento de Perillo com Cachoeira são incontestáveis, daí a urgência para convocar o tucano. Agnelo e Cabral também são alvo de pedidos de convocação, mas estão sendo blindados porque a maioria da comissão é de partidos aliados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

25/05/2012 às 3:41

Rede de laranjas da Delta atuava também no Rio de Janeiro

Por Cássio Bruno e Maiá Menezes, no Globo:
A rede de laranjas que alimentava, com o dinheiro da Delta Construções, o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira não é exclusiva de Goiás e se estendeu ao Rio, sede da empreiteira. Os sócios de duas empresas que sacaram dinheiro da Brava Construções — apontada como fantasma pela investigação da operação Monte Carlo, da Polícia Federal —, são moradores de áreas pobres da cidade e dizem desconhecer por que aparecem como donos das firmas. A Zuk Assessoria Empresarial e a Flexa Factoring Fomento Mercantil, de acordo com a Federal, têm o mesmo endereço, no Centro do Rio, onde há apenas um escritório. As duas empresas eram sediadas lá entre 2008 e 2011, mas nunca funcionaram de fato. Sacaram, juntas, R$ 521 mil.

A auxiliar de serviço gerais Cristina Lacerda de Almeida, de 41 anos, aparece como sócia da Flexa Factoring, que recebeu da Brava Construções R$ 119.442,27. Moradora do Encantado, Zona Norte, Cristina disse ao GLOBO nunca ter ouvido falar da Flexa nem dos recursos. Desempregada há um ano, mora com a mãe e os quatro filhos num casebre alugado por R$ 150 por mês. Ela conta que perdeu identidade e CPF há cinco anos, mas não registrou o fato na delegacia. “Fiquei surpresa. Nem sei o que falar. Minha ficha não caiu. Acompanho pouco o caso (Cachoeira). Para ser sincera, nem quero ver mais isto na televisão. Sei que tudo vai acabar em pizza”, disse Cristina.

Sócios tiveram sigilo bancário quebrado
Outra que figura como sócia da Flexa Factoring é Tatiana Correia Rodrigues, de 26 anos. Moradora do Encantado, ela vive numa vila. O aluguel, segundo o pai dela, que não se identificou, está atrasado há cinco meses. Tatiana está desempregada há três. Com medo, não deu entrevista. “Ela está abalada. Estamos desorientados. Minha filha perdeu os documentos há quatro anos e assinou documentos que não lembra o que eram. Tenho certeza que não tem nada a ver com isso”, afirmou o pai de Tatiana.

Já Maria Aparecida Corrêa, de 40 anos, moradora de um conjunto habitacional na Piedade, Zona Norte, é sócia da Zuk Assessoria Empresarial, que recebeu da Brava Construções R$ 401.887,04. Ela disse ter assinado procuração e reconhecido firma há quatro anos, quando trabalhava em uma padaria. O documento foi dado a uma pessoa que prometeu conseguir um financiamento - a que nunca mais viu. “Fui burra e idiota. Eu queria sair do aluguel e dar uma vida melhor para a minha filha. Fui na confiança porque ele era cliente da padaria e, depois disso, ele desapareceu.” Aparecida é auxiliar de serviços gerais e recebe R$ 640. O marido, autônomo, não tem salário fixo. ” Nem sei quem é Cachoeira. Nunca ouvi falar de empresa. É horrível. Minha conta está no vermelho.”

O outro sócio da Zuk é Edivaldo Ferreira Lopes, que mora em Leopoldina (MG). Parentes dele, que vivem no Rio, negam participação. “Ele é ajudante de caminhão e pobre. Devem ter usado os documentos para ele ser laranja”, afirmou a cunhada Germana Ramos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

25/05/2012 às 3:35

Receita do PT com empresas em 2011 soma R$ 51 milhões

Por Catia Seabra e Breno Costa, na Folha:
Vitaminada após a eleição da presidente Dilma Rousseff, a arrecadação do PT com doações cresceu no ano passado 353% em comparação a 2009, ano não eleitoral. Em 2011, a receita do partido com contribuições chegou a R$ 50,7 milhões. Dois anos antes, foi de R$ 11,2 milhões, segundo prestações de contas à Justiça Eleitoral. Em 2007, o PT havia arrecadado apenas R$ 4,2 milhões. AFolha não comparou os dados com os de anos eleitorais pois neles as doações e gastos vão além da manutenção da máquina partidária.

A lista de doadores de 2011 apresentada pelo PT inclui diversas empresas com interesses no governo federal. Principal empresa da holding J&F, a alimentícia JBS destinou R$ 2,9 milhões à sigla, a quarta no ranking de doadoras. A JBS tem como sócio o banco público BNDES e sua holding tem parcerias com fundos de pensão públicos na área de celulose. Hoje, a J&F é gestora das ações e potencial compradora da empreiteira Delta, alvo da CPI do Cachoeira.

Procurada, a empresa disse que, apesar de registrado no dia 3 de março do ano passado, R$ 2 milhões do total correspondem à colaboração para a campanha eleitoral de 2010, encerrada em outubro. O grupo também doou cerca de R$ 1 milhão ao PMDB, que, segundo a prestação, arrecadou R$ 2,8 milhões. Segundo o TSE, a Andrade Gutierrez foi a maior doadora do PT, com R$ 4,7 milhões. Também doaram ao menos R$ 1 mi cada o grupo WTorre, a Estre Ambiental e a Minerva SA. Todos dizem que as doações são legais.

O PSDB recebeu doação de seis empresas, de R$ 2,4 milhões.

Por Reinaldo Azevedo

 

24/05/2012 às 20:58

STF nega pedido para impedir que Barbosa julgue mensalão

Por Felipe Seligman, na Folha Online:
O STF (Supremo Tribunal Federal) negou por unanimidade um pedido feito pela defesa do publicitário Marcos Valério para impedir o ministro Joaquim Barbosa, relator da ação, de julgar o mensalão. Foi a segunda vez que os advogados de Valério, apontado como o operador financeiro do esquema, tentaram inviabilizar a participação de Barbosa no julgamento. A primeira foi negada monocraticamente por Cezar Peluso, quando ainda era presidente do tribunal.

Nesta quinta-feira, o tribunal analisou um recurso contra aquela decisão de Peluso e, em julgamento que durou menos de dez minutos, entendeu que não há motivos para declarar o impedimento de Barbosa. Valério argumentava que o ministro adiantou posição sobre ele, quando o Supremo julgou o recebimento da denúncia do mensalão mineiro, em 2009, no qual o publicitário também é acusado de ter participação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

24/05/2012 às 20:42

Direção Nacional do PT manda democracia interna às favas e cancela prévias em Recife; afinal, candidato preferido da cúpula perdeu a disputa…

Que coisa!

Se o PT não existisse, jamais deveria ser inventado… Na madrugada, escreverei a respeito do PT de Recife. Quem conseguir mexer e depurar aquele lodaçal entenderá um pouco mais do PT nacional. Leiam o que informa Bernardo Mello Franco, na Folha Online. Na madrugada, conto os bastidores da tentativa de golpe.

A Executiva Nacional do PT anulou nesta quinta-feira (24) o resultado das prévias realizadas para escolher o candidato que concorrerá à Prefeitura de Recife (PE). A nova votação será realizada no dia 3 de junho com os mesmos candidatos: Maurício Rands, deputado federal licenciado, e João da Costa, atual prefeito da cidade. A primeira votação foi marcada por acusações de irregularidades de ambas as partes. A realização de uma nova prévia foi proposta por Paulo Frateschi e aprovada por dez a três. A cúpula do PT mandará uma comissão de cinco integrantes para supervisionar o processo em Recife. “Queremos chegar a um ambiente mais tranquilo e realizar a nova votação sem apelo ao judiciário”, disse o presidente estadual do PT em Pernambuco Pedro Eugênio.

No último domingo (20), Costa venceu a disputa interna no partido para ser lançado como candidato pela sigla. A diferença entre os dois foi 513 votos. Rands então recorreu da decisão ao diretório nacional e acusou Costa de ter usado a máquina da prefeitura e de “judicializar” a disputa. O atual prefeito da capital pernambucana obteve na Justiça o direito de cerca de 13 mil militantes –que tinham pendências com o partido– de participarem das prévias. “Foi violada a democracia interna dos trabalhadores. Isso o PT não aceita”, afirmou Rands à Folha ontem.

Por Reinaldo Azevedo

 

24/05/2012 às 19:31

Greve no Metrô — A direção do Sindicato dos Metroviários e quem pertence a qual partido. Ou: O PT dançando na boquinha do caos

Publiquei ontem um post afirmando que a direção do Sindicato dos Metroviários é comandada por uma parceria entre o PSTU e o PSOL. Aí começaram a chover protestos e desmentidos, com ofensas várias, como de hábito. Eu estaria mentindo. É? Vamos ver!

Antes que avance, uma observação. Eu não afirmei que é ilegal ser sindicalista e ter filiação partidária. Eu afirmei, e sustento, que é asqueroso atrapalhar a vida de milhões de pessoas só para impor uma pauta partidária em ano eleitoral.

Ah, então eu estaria mentindo quantas às filiações? Bem, resta pegar a lista pública dos partidos e confrontar com a direção do sindicato. O resultado é este:

1. Altino de Melo Prazeres Júnior - Presidente - PSTU
2. Sérgio Renato da Silva Magalhães (Carioca) - Vice-presidente: PSOL
3. Paulo Roberto Veneziani Pasin - Secretário Geral - PSTU/PSOL (aparece nas duas listas)
4. Alexandre Carvalho Leme - Secretaria de Relações Intersindicais - PSTU
5. Ciro Moraes dos Santos - Secretaria de Imprensa e Comunicação - PSOL
6. Marisa dos Santos Mendes - Secretaria de Assuntos da situação da Mulher - PSTU
7. Raimundo Borges Cordeiro de Almeida Filho - Secretaria de Organização - PC do B
8. Ronaldo Campos de Oliveira (Pezão) - Secretaria de Formação Sindical - PSOL
9. Vânia Maria Gonçalves - Secretaria de Assuntos da Discriminação Racial - PSOL
10. José Carlos dos Santos - Secretaria de Finanças - (como é um nome muito comum, aparecem vários nas listas de filiados do PSTU, PCdoB, PSOL e PT). Não dá para saber se um deles é o do sindicato.

Não foram encontrados nas listas de filiação:
1. Antonio Takahashi - Secretaria de Assuntos Jurídicos
2. Carlos Estevam Santa Cruz (Chacal) - Secretaria de Assuntos Previdenciários
3. Fernanda Valeska Barbosa Cavalcante - Secretaria de Assuntos Socioeconômicos e Tecnológicos
4. José Alexandre Roldan Rodrigues - Secretaria de Esporte, Lazer e Cultura
5. José Ivan Spinardi - Secretaria de Assuntos de Saúde e Condições de Trabalho
6. Messias Justino dos Santos - Secretaria de Administração, Patrimônio e Pessoal
7. Narciso Fernandes Soares - Secretaria de Políticas Sociais

Voltei
É isso aí. Não resta dúvida sobre quem está no comando. Ontem, Altino de Melo Prazeres Júnior concedeu entrevistas afirmando que não era filiado a partido nenhum. Seria um homônimo seu o da lista do PSTU, mesmo com esse nome nem tão comum assim?

Reitero: ter filiação política não é crime. Parar a cidade para atender aos ditames do partido, entendo, é crime moral, quando menos. Desrespeitar decisão da justiça, aí já é crime em sentido literal.

PT na boquinha do caos
O PT já tinha marcado para hoje, na esperança de que a greve durasse mais tempo, um encontro setorial para debater justamente a suposta falta de investimento em Metrô. Funciona assim: a extrema esquerda faz o serviço sujo, e os petistas entram faturando com a “reflexão”…

Petista fazendo digressões sobre Metrô é piada de cínicos. À frente da cidade, Marta não investiu um centavo na área — zero! As administrações petistas ou da base aliada Brasil afora ignoraram a questão. Tanto é assim que investimentos em metrô são feitos, e de maneira muito pouco ousada, pelo governo federal. No momento, o serviço está em greve em cinco capitais.

Por Reinaldo Azevedo

 

24/05/2012 às 19:11

De volta

Demorei um pouco para voltar porque estava cuidando aqui de algumas coisas, à sua maneira, deliciosas, que ajudam a botar certas histórias e certas reputações em seu devido lugar. Amanhã cedo, vocês vão se esbaldar. Verão que agora colaboro com a “Comissão da Verdade”, hehe. A madrugada será longa e produtiva. Ao próximo post, em instantes.

Por Reinaldo Azevedo

 

24/05/2012 às 16:56

A imprensa e a qualidade dos heróis de ontem e de hoje

O sociólogo Demétrio Magnoli escreve no Estadão e no Globo de hoje um artigo que merece ser lido, pensado, debatido. Fez a síntese perfeita destes dias — e de dias passados.

Os bons companheiros De “caçador de marajás” Fernando Collor transfigurou-se em caçador de jornalistas. Na CPI do Cachoeira seu alvo é Policarpo Jr., da revista Veja, a quem acusa de se associar ao contraventor “para obter informações e lhe prestar favores de toda ordem”. Collor calunia, covardemente protegido pela cápsula da imunidade parlamentar. Os áudios das investigações policiais circulam entre políticos e jornalistas — e quase tudo se encontra na internet. Eles atestam que o jornalista não intercambiou favores com Cachoeira. A relação entre os dois era, exclusivamente, de jornalista e fonte —algo, aliás, registrado pelo delegado que conduziu as investigações.

 

Jornalistas obtêm informações de inúmeras fontes, inclusive de criminosos. Seu dever é publicar as notícias verdadeiras de interesse público. Criminosos passam informações — verdadeiras ou falsas — com a finalidade de atingir inimigos, que muitas vezes também são bandidos. O jornalismo não tem o direito de oferecer nada às fontes, exceto o sigilo, assegurado pela lei. Mas não tem, também, o direito de sonegar ao público notícias relevantes, mesmo que sua divulgação seja do interesse circunstancial de uma facção criminosa.

Os áudios em circulação comprovam que Policarpo Jr. seguiu rigorosamente os critérios da ética jornalística. Informações vazadas por fontes diversas, até mesmo pela quadrilha de Cachoeira, expuseram escândalos reais de corrupção na esfera federal. Dilma Rousseff demitiu ministros com base nessas notícias, atendendo ao interesse público. A revista em que trabalha o jornalista foi a primeira a publicar as notícias sobre a associação criminosa entre Demóstenes Torres e a quadrilha de Cachoeira — uma prova suplementar de que não havia conluio com a fonte. Quando Collor calunia Policarpo Jr., age sob o impulso da mola da vingança: duas décadas depois da renúncia desonrosa, pretende ferir a imprensa que revelou à sociedade a podridão de seu governo.

A vingança, porém, não é tudo. O senador almeja concluir sua reinvenção política inscrevendo-se no sistema de poder do lulopetismo. Na CPI opera como porta-voz de José Dirceu, cujo blog difunde a calúnia contra o jornalista. Às vésperas do julgamento do caso do mensalão, o réu principal, definido pelo procurador-geral da República como “chefe da quadrilha”, engaja-se na tentativa de desqualificar a imprensa — e, com ela, as informações que o incriminam.

O mensalão, porém, não é tudo. A sujeição da imprensa ao poder político entrou no radar de Lula justamente após a crise que abalou seu primeiro mandato. Franklin Martins foi alçado à chefia do Ministério das Comunicações para articular a criação de uma imprensa chapa-branca e, paralelamente, erguer o edifício do “controle social da mídia”. A sucessão, contudo, representou uma descontinuidade parcial, que se traduziu pelo afastamento de Martins e pela renúncia ao ensaio de cerceamento da imprensa. Dirceu não admitiu a derrota, persistindo numa campanha que encontra eco em correntes do PT e mobiliza jornalistas financiados por empresas estatais. Policarpo Jr. ocupa, no momento, o lugar de alvo casual da artilharia dirigida contra a liberdade de informar.

No jogo da calúnia, um papel instrumental é desempenhado pela revista Carta Capital. A publicação noticiou falsamente que Policarpo Jr. teria feito “200 ligações” telefônicas para Cachoeira. Em princípio, nada haveria de errado nisso, pois a ética nas relações de jornalistas com fontes não pode ser medida pela quantidade de contatos. Entretanto, por si mesmo, o número cumpria a função de arar o terreno da suspeita, preparando a etapa do plantio da acusação, a ser realizado pela palavra sem freios de Collor. Os áudios, entretanto, evidenciaram a magnitude da mentira: o jornalista trocou duas — não 200 — ligações com sua fonte.

A revista não se circunscreveu à mentira factual. Um editorial, assinado por Mino Carta, classificou a suposta “parceria Cachoeira-Policarpo Jr.” como “bandidagem em comum”. Editoriais de Mino Carta formam um capítulo sombrio do jornalismo brasileiro. Nos anos seguintes ao AI-5, o atual diretor de redação da Carta Capitalocupava o cargo de editor de Veja, a publicação em que hoje trabalha o alvo de suas falsas denúncias. Os editoriais com a sua assinatura eram peças de louvação da ditadura militar e da guerra suja conduzida nos calabouços. Um deles, de 4 de fevereiro de 1970, consagrava-se ao elogio da “eficiência” da Operação Bandeirante (Oban), braço paramilitar do aparelho de inteligência e tortura do regime, cuja atuação “tranquilizava o povo”. O material documental está disponível no blog do jornalista Fábio Pannunzio (http://www.pannunzio.com.br/), sob a rubrica Quem foi quem na ditadura.

Na Veja de então, sob a orientação de Carta, trabalhava o editor de Economia Paulo Henrique Amorim. A cooperação entre os cortesãos do regime militar renovou-se, décadas depois, pela adesão de ambos ao lulismo. Hoje Amorim faz de seu blog uma caixa de ressonância da calúnia de Carta dirigida a Policarpo Jr. O fato teria apenas relevância jurídica se o blog não fosse financiado por empresas estatais: nos últimos três anos, tais fontes públicas transferiram bem mais de R$ 1 milhão para a página eletrônica, distribuídos entre a Caixa Econômica Federal (R$ 833 mil), o Banco do Brasil (R$ 147 mil), os Correios (R$ 120 mil) e a Petrobrás (que, violando a Lei da Transparência, se recusa a prestar a informação).

Dilma não deu curso à estratégia de ataque à liberdade de imprensa organizada no segundo mandato de Lula. Mas, como se evidencia pelo patrocínio estatal da calúnia contra Policarpo Jr., a presidente não controla as rédeas de seu governo — ao menos no que concerne aos interesses vitais de Dirceu. A trama dos bons companheiros revela a existência de um governo paralelo, que ninguém elegeu.

Por Reinaldo Azevedo

 

24/05/2012 às 15:51

O silêncio dos arapongas — “Foi a primeira vez que vi um silêncio absoluto dado pela voz de comando da quadrilha”, afirma Kátia Abreu

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
Confirmando a estratégia jurídica de permanecer em silêncio para evitar a autoincriminação, os arapongas Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá, e Jairo Martins de Sousa optaram por não responder as perguntas dos parlamentares naquele que seria o depoimento deles à CPI do Cachoeira, no Congresso Nacional. “Foi a primeira vez que vi um silêncio absoluto dado pela voz de comando da quadrilha”, ironizou a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). “Carlinho Cachoeira é um chefe de quadrilha eficiente”.

No início da sessão da comissão de inquérito, após acordo costurado pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), deputados e senadores aprovaram requerimento do senador Pedro Taques (PDT-MT) para que fossem finalizados antecipadamente os depoimentos daqueles que não quisessem falar à comissão. “Na reunião passada da CPI, Carlinhos Cachoeira exerceu o direito constitucional ao silêncio. O processo legal da CPI foi cumprido. Não podemos transformar essa CPI em um circo”, opinou Taques ao defender a dispensa dos depoentes.

Antes daquele que poderia ser o depoimento de Dadá, o advogado Leonardo Gagno, que integra a defesa do araponga, disse que são ilegais as interceptações telefônicas em que aparecem o ex-sargento da Aeronáutica. Dadá é especialista em gravações e, na organização de Carlinhos Cachoeira, seria uma espécie de coordenador da área de inteligência, recebendo pelas informações que Cachoeira queria saber.

“As interceptações telefônicas são ilegais, sem fundamento e também o inquérito da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, teve origem a partir de uma denúncia anônima”, opinou Gagno. “A principal estratégia da defesa é para anular as provas. Se anularmos as escutas, todas as provas derivadas dele também ficam contaminadas, como uma fruta em uma árvore envenenada”, explicou o advogado, que negou que Dadá tivesse acesso privilegiado à Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).

“Dadá só abastecia Cachoeira com informações e recebia por isso. É uma atividade lícita”, resumiu a defesa. “Ele não tem condição nenhuma de fazer grampos telefônicos. Nunca foram da arapongagem. Isso foi uma alcunha que criaram para eles”. Gagno também é advogado de Jairo Martins e disse que o araponga, que também se recusou a responder às perguntas da CPI, era contratado para apurar, a pedido de Cachoeira, reportagens e informações.

Por Reinaldo Azevedo

 

24/05/2012 às 15:37

Delegado da PF que investigou o mensalão em mensagem a este blog: “Reinaldo, a PF é um órgão do Estado, não do governo; pode confiar”

Escrevi um post ontem em que afirmo que, na média, no Brasil, os grampos substituem a investigação e que alguns larápios acabam se dando bem na Justiça em razão da falta de provas consistentes, embora os saibamos… larápios. Luiz Flávio Zampronha, delegado da Polícia Federal, contesta essa minha afirmação em comentário enviado ao blog, que reproduzo abaixo, na íntegra. Zampronha foi o delegado que investigou o mensalão. Ele encerra sua mensagem afirmando: “Reinaldo, a Polícia Federal busca fazer seu trabalho da melhor forma possível. Não se trata de órgão de governo, mas de Estado, pode confiar”.

Agradeço a colaboração do delegado — que, de fato, sempre me pareceu empenhado em fazer corretamente o seu trabalho — e fico satisfeito por tê-lo entre os leitores. Segue a íntegra de seu comentário.

Como vocês sabem, a divergência, neste blog, desde que civilizada, como é o caso, é não só aceitável como bem-vinda. É parte deste trabalho.
*
Reinaldo,
Várias provas foram produzidas durante as investigações realizadas pela PF no âmbito da Operação Monte Carlos, além das interceptações telefônicas realizadas com ordem judicial e supervisionadas pelo Ministério Público Federal.

Dentre elas, podem-se citar diversas filmagens (vídeos) de fatos mencionados nos áudios, tais como encontros, reuniões, salas de jogos em funcionamento etc. Entretanto, destaca-se no conjunto probatório o rastreamento do dinheiro movimentado pelos investigados, tendo por base o afastamento do sigilo bancário concedido pela Justiça (prova material), quando foi possível verificar a movimentação de recursos em contas de empresas de fachada (fictícias) sem qualquer relação com operações comerciais normais.

Do mesmo modo, nas diversas buscas e apreensões realizadas, foi recolhida documentação probatória dos fatos em investigação.

A interceptação telefônica é uma técnica de investigação mundialmente consagrada, sendo, na verdade, indispensável quando a polícia se depara com crimes que ocorrem em lugares fechados, tais como gabinetes de empresas, e nos quais os mentores dificilmente se envolvem pessoalmente na execução dos atos, mas apenas repassando ordens e comandos para seus subordinados.

Reinaldo, a Polícia Federal busca fazer seu trabalho da melhor forma possível, não se trata de órgão de Governo, mas de Estado, pode confiar.
Luiz Flávio Zampronha

Por Reinaldo Azevedo

 

Eis as universidades federais criadas pelo ApeDELTA, que ganha títulos de “Doutor Honoris Causa” a baciadas. Chegou a hora de fazer um raio-x do grande milagre. Ou: Acorda para a realidade, oposição!

Quando Luiz Inácio ApeDELTA da Silva recebeu uma baciada de títulos de Doutor Honoris Causa — de todas as universidades públicas do Rio —, fez um discurso escandalosamente mentiroso. Apontei aquias suas falácias. Entre outras indelicadezas com a verdade, multiplicou por dois o número de universitários do país. Há alguns anos, tenho escrito que em poucas áreas se mente com tanta desenvoltura como no ensino superior — justamente o setor que, em tese, concentra a elite intelectual do país. Como isso é possível? Ora, as nossas universidades, especialmente nos cursos de humanidades, reúnem mais comunistas do que Pequim, Pyongyang e Havana juntas… Dominam o aparelho universitário e ajudam a levar a farsa adiante.

Muito bem! Uma das grandes obras de Fernando Gugu Haddad, sob os auspícios do ApeDELTA, seria a gigantesca expansão das universidades federais. Há muita pilantragem na conta, é verdade, mas é fato que algumas instituições foram criadas. Em quais condições, no entanto, elas operam? Vejam este vídeo sobre o campus Rio Paranaíba, da Universidade Federal de Viçosa. Volto depois:

Voltei
Eis aí. Inaugurou-se um novo campus da Universidade Federal de Viçosa (que Lula conta como uma nova instituição) sem acesso por asfalto, sem iluminação e esgoto tratado — na Universidade Federal Rural de Pernambuco, em Garanhuns, a, perdoem-me a crueza, merda corre a céu aberto. Os depoimentos também deixam evidente a carência na estruturação técnica do corpo docente.

Nessas horas, o que tende a dizer o lulo-petismo? “Ah, não havia nada lá. Ao menos nós fizemos alguma coisa!” Foi mais ou menos esse o sentido das declarações de Aloizio Mercadante (ver posts abaixo), que substituiu Haddad. Para ele, essa infraestrutura deficiente é só a “dor do parto”. Qualquer pessoa do mundo chamaria de desleixo e falta de planejamento.

A greve
Estão em greve 70% das universidades federais do país. O assunto quase não é notícia. No ano passado, os institutos federais de ensino (também os de nível técnico) ficaram parados quase cinco meses. Poucos se interessavam pelo assunto. Por quê? Fácil de responder. Porque são os intelectuais e as ONGs petistas que hoje pautam boa parte dos veículos de comunicação. O partido também é majoritário nas associações e sindicatos de professores. Se os pelegos petistas não conseguiram impedir o movimento, é porque a situação, com efeito, não é das melhores — embora eu insista que a greve, nesses casos, prejudica, na verdade, os alunos. Servidores públicos deveriam pensar meios simbólicos de fazer seu protesto chegar à sociedade. Bem, essa é outra questão. Volto ao ponto.

As mentiras da era Lula-Haddad começam a chegar ao grande público. Aos poucos, estamos vendo como se fez a propalada expansão do ensino superior federal. Uma aluna de veterinária da Universidade Federal do Tocantins me manda a seguinte mensagem:
“O problema de infraestrutura é grave. No meu curso de Medicina Veterinária, a gente tem muitos problemas com aula prática. Como pode um estudante de veterinária sem aula prática de anatomia, radiologia, citologia e por aí vai? O governo abre cursos e não dá condição nenhuma de o professor ensinar e de o aluno aprender. E a gente é obrigado a ouvir essa ladainha desses políticos! É revoltante!!!!”

Henrique, um professor, escreve:
“Sou professor de um curso criado pelo REUNI e sou testemunha da falta de planejamento e do descaso na criação de cursos. A Universidade criou o curso sem ter a infraestrutura e os professores necessários. Temos mais professores contratados do que efetivos (concursados), e não há perspectiva de novas vagas. Não temos laboratórios, e a primeira turma irá se formar sem nunca ter feito práticas básicas da área. A seleção exclusivamente feita pelo ENEM não seleciona. Nossos alunos entram sem saber resolver uma mísera equação de 1º grau, e a taxa de reprovação é alta, levando ao abandono. Mas, na propaganda do governo, tudo parece perfeito. Só olhando de perto para ver o quanto se festeja uma mentira.”

A leitora Vera L. informa:
O retrato do Hospital do Fundão, ligado à UFRJ, é o retrato do governo do PT. Os médicos residentes andam à cata de pacientes para poderem ESTUDAR! A UFRJ abriu uma faculdade de medicina em Macaé SEM hospital de referência para os alunos que serão futuros médicos! Agora, eles vêm de Macaé para o Hospital do Fundão, onde há falta de TUDO, principalmente de pacientes, por falta de infraestrutura. As universidades federais do governo do PT só existem funcionando nas PROPAGANDAS do MEC a PREÇO DE OURO, PAGAS com NOSSO DINHEIRO. Lá TUDO funciona.
Os Hospitais Federais do RJ NUNCA antes tão precários. Há uns 10 anos, todos eram referência de bom atendimento. (…) Enquanto a USP se torna uma das melhores universidades do MUNDO, as federais nas mãos do PT estão em petição de miséria. Esse é o JEITO PT de governar que ELES querem para São Paulo, com Haddad de candidato. Que Deus livre SP dessa tragédia”

Pior: voltem lá ao vídeo do campus da Universidade Federal de Viçosa: a infraestrutura que serve à universidade entrou no radar do clientelismo, das emendas parlamentares, dos arranjos políticos…

Se vocês tivessem estômago, valeria frequentar algumas salas de debate dos professores sindicaleiros do ensino superior… Sabem onde está localizado, para eles, o centro do mal do ensino superior do país? Acertou quem respondeu “São Paulo”, muito particularmente a USP, onde radicaloides e boçalides repetem o mantra: “Fora Rodas”. Fernando Haddad, com a competência demonstrada até aqui, é um dos que gostam de falar do suposto “autoritarismo” vigente nas universidades estaduais paulistas. Essa gente tem mesmo é um pacto contra a competência e contra a verdade.

Os números
No discurso dos títulos a baciadas, Lula afirmou que chegou ao governo com 6 milhões de universitários e que, hoje, eles serim 12 milhões. Mentira! Segundo o Censo Universitário, no fim de 2010, assinado por Haddad, havia 6,37 milhões de estudantes no terceiro grau — 14,7% estão na modalidade “ensino à distância”, que tem virado, no Brasil, uma “picaretância”. Disse ter criado novas universidades federais. Mentira também! Deve chegar, no máximo, à metade. Algumas “universidades novas” são campi avançados ou divisão de instituições anteriores. Em 2010, as universidades públicas brasileiras formaram 24 mil estudantes A MENOS do que em… 2004!

As universidades federais brasileiras mais incharam do que cresceram. Lula e Haddad foram criando alguns puxadinhos e puxadões Brasil afora, sem oferecer as condições mínimas necessárias para um ensino de qualidade. As mentiras têm sido reproduzidas por aí, com base em releases distribuídos por assessorias de comunicação.

É chegada a hora de visitar os campi dessas novas “universidades federais” criadas por Lula e Haddad e saber como funcionam. Vamos ver como estão seus laboratórios, bibliotecas e salas de aula, conhecendo também os docentes, seu regime de trabalho e sua qualificação intelectual e técnica.

Já conhecemos os milagres de Lula. Agora só falta conhecermos a verdade.

Por Reinaldo Azevedo

 

24/05/2012 às 4:30

Greve no metrô — Esquerdas não têm a menor vergonha de levar a cidade ao caos e de punir os trabalhadores. Enquanto milhões sofriam nas ruas, elas comemoravam

A greve de parte dos metroviários e dos trabalhadores da CPMT, que levou o caos a São Paulo por algumas horas, demonstra a que ponto pode chegar a irresponsabilidade política de grupo de extrema esquerda e — sim, senhores! — do PT. Considerado o acordo a que se chegou, inferior ao que a Justiça havia inicialmente proposto (e sobre aquela base a empresa tentava negociar com o sindicato), resta evidente que se tratou de uma greve política, realizada em ano eleitoral. Há o caldo de cultura, e há os protagonistas.

Comecemos por estes. O sindicato é dirigido pelo PSTU e pelo PSOL — consta que, na diretoria, há pessoas de outros partidos. Mas são esses dois que determinam o rumo da entidade. É a mesma parceria que dirige o DCE da USP, com os resultados que a gente já viu. Ocorre que a greve — que nunca houve — na universidade acaba sendo irrelevante para o funcionamento da cidade. Com os transportes, é diferente. Essa gente pode produzir, como produziu, o caos. O dano, diga-se, foi bem menor do que o perigo. Situações assim podem sair do controle.

Incapaz de ser reconhecida pela sociedade como seu legítimo representante — o PSTU não tem representação parlamentar federal; a do PSOL é mínima —, a extrema esquerda domina alguns aparelhos sindicais e os utiliza para, literalmente, chantagear maiorias. Atua assim na USP e, como constatamos, no Metrô. Nessas entidades, é mais fácil “chegar ao poder”. Sindicatos são o que são, não importa se ligados à CUT ou a essas outras agremiações: meros aparelhos partidários, dominados por minorias. Ali, podem impor a sua vontade.

Enquanto milhões de trabalhadoras e trabalhadores tiveram de esperar três, quatro, cinco horas para voltar às suas casas ou para chegar ao emprego, o que fazia a diretoria do Sindicato dos Metroviários? Comemorava o “sucesso” da paralisação e a alta adesão ao movimento. Um deles chegou a chamar a greve de “histórica”. PSTU e PSOL foram os protagonistas. O caldo de cultura foi dado pelos petistas.

Lideranças do PT, a começar do pré-candidato do partido à Prefeitura, Fernando Haddad, têm se referido a um suposto “apagão” dos transportes em São Paulo — o que é balela. Há dias, discursando no Senado, Marta Suplicy (SP) chegou a comparar o acidente havido numa das linhas aos atentados terroristas de Madri e Londres. Na capital paulista, houve 49 pessoas feridas sem gravidade. Na Espanha, morreram 198; na Inglaterra, 52. Foi um discurso irresponsável. Há um óbvio esforço para jogar a população contra o metrô. Mesmo lotado como é, trata-se, de longe, do melhor e mais eficiente do Brasil.

O curioso é que há greve de metrô em cinco capitais: Belo Horizonte e Recife (há 10 dias) e Natal, Maceió e João Pessoa (há 9). Nessas cidades, o serviço é administrado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que é federal. Como é ainda incipiente, pouco mais de 500 mil pessoas são afetadas — em São Paulo, de 5 milhões a 6 milhões só no metrô! No caso daquelas cidades, como a greve vai bater às portas do Palácio do Planalto, não aparece petista para se “solidarizar com os trabalhadores”.

Volto a São Paulo
O Ministério Público Estadual disse que vai apurar a eventual exploração política da greve. Eventual? Ela não poderia ser mais escancarada. Também quer saber por que o sindicato não cumpriu o que ordenou a Justiça do Trabalho, que determinou que 100% dos trens circulassem nos horários de pico e 85% nos demais horários.

Pois é… Nessas coisas, eu não sou paz e amor, não! Justiça descumprida, abre-se o caminho para punições exemplares. O Metrô tem de identificar os líderes de uma prática ilegal, abusiva, e colocá-los na rua, demiti-los. Quem não honra acordos com a Justiça não pode prestar um serviço essencial à população.

Não estivesse o país corroído pelo corporativismo, greves em setores essenciais seriam simplesmente proibidas. E pronto! Ninguém é obrigado a trabalhar numa empresa pública ou numa concessionária que prestam serviços essenciais. Assim, se quer exercer o “direito de greve”, que procure outro setor da economia.

Houve, sim, manifestações de protesto e de revolta, mas não contra o governo do estado, como queriam os brucutus. Ela se voltou mesmo contra os grevistas. O governo, agora, tem de divulgar a folha de pagamento do Metrô. Os usuários e a sociedade têm o direito de saber se os trabalhadores da empresa vivem em tal penúria que foram levados, coitadinhos!, a ferrar a vida de milhões de paulistanos.

PS — O PSTU é o partido que liderou a chamada “resistência” no Pinheirinho e que engabelou os moradores da área, fazendo-os crer que a desocupação — uma ordem judicial que tinha ser cumprida — não aconteceria. Se bem se lembram, o partido chegou até a treinar uma “tropa de choque” própria para enfrentar a polícia. Essa gente não tem voto, é irrelevante, mas pode ser perigosa. Os que jogaram a cidade no caos têm de ser legalmente responsabilizados.

Por Reinaldo Azevedo

 

24/05/2012 às 3:31

Haddad se encontra hoje com militância gay do PT: ela quer “kit gay” nas escolas e travestis dando aula

Por Ricardo Chapola, no Estadão:
Enquanto o tema homofobia vem sendo tratado com cuidado na campanha do pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, a militância gay do partido inicia uma pressão interna para a incorporação de propostas de combate à discriminação sexual na plataforma de governo do ex-ministro.

Líderes do núcleo LGBT do PT se reunirão com Haddad hoje no diretório municipal para apresentar ideias de combate ao preconceito na capital paulista. “Nós não abriremos mão desta conduta”, garantiu Marcos de Abreu Freire, coordenador do grupo LGBT da Central Única de Trabalhadores (CUT) e pré-candidato da sigla à Câmara Municipal.

O assunto vem sendo abordado com extrema cautela pela cúpula petista desde a polêmica do chamado o kit anti-homofobia — elaborado pelo Ministério da Educação durante a gestão de Haddad e cuja distribuição em escolas foi cancelada depois de protestos de lideranças religiosas.

Dentre as propostas que serão apresentadas hoje, o núcleo LGBT do partido pedirá que Haddad resgate e adote o projeto engavetado pela presidente Dilma Rousseff nas escolas.

Se agregar essas demandas, Haddad terá a difícil tarefa de conciliá-las com as exigências feitas por lideranças religiosas nas costuras de eventuais alianças. “É uma questão que é possível convergir”, minimizou o chefe da coordenação da pré-campanha e presidente do PT municipal, vereador Antonio Donato. Os líderes da militância asseguram que não vão admitir que propostas sejam moeda de troca nas negociações.
(…)
Eixos
As propostas pregam o combate à homofobia em cinco eixos da administração: na educação, na cultura, na saúde, no transporte e no trabalho. Em educação, por exemplo, o grupo propõe uma campanha de incentivo a professores transgêneros nas salas de aula, além da adoção do kit gay - como ficou conhecido o material do MEC. Na área da saúde, o texto sugere o uso do nome social no SUS. Freire quer ainda que a criminalização da homofobia vire bandeira da campanha.

Por Reinaldo Azevedo

 

24/05/2012 às 3:29

Ameaça põe em alerta Consulado de Israel em SP; Hezbollah teria planejado um atentado com apoio do Irã

Por Eugenio Goussinsky, no Estadão:
O governo israelense, com base em informações sigilosas, alertou o Consulado-Geral de Israel em São Paulo para a possibilidade de um atentado do grupo extremista libanês Hezbollah na capital paulista. A representação diplomática entrou em estado de alerta.

A informação foi dada ao Estado pelo cônsul israelense, Ilan Sztulman, que confirmou ter recebido instruções de seu governo para reforçar a segurança nos arredores do consulado e nas instituições judaicas paulistas. Ele mesmo declarou ter alterado a rotina e cancelado compromissos por motivos de segurança. “Estamos temerosos e com cautela. Tomamos medidas de precaução extrema no trabalho do consulado e de entidades da comunidade judaica”, disse ontem o diplomata, que está no cargo desde 2010.

Sztulman afirmou que o governo brasileiro já foi informado sobre a possibilidade de um ataque terrorista e reforçou a segurança nas fronteiras, nos portos e nos aeroportos.

“Temos indícios de que o Hezbollah pretende retomar ataques na América Latina. O Brasil é um dos países que correm risco. Quando me dão o alerta, não dizem o que é exatamente. As fontes de informação são sigilosas. Recebi informações sobre um risco maior, com um pedido de providências para aumentar a segurança.”

O andar ocupado pelo consulado, em um edifício na zona sul paulistana, está sob intensa vigilância. Para entrar no local, blindado por uma porta de vidro na entrada principal, é necessário passar por detalhada revista, que inclui a utilização de detector de metais em cada objeto pessoal - incluindo agasalhos, cinto e canetas. Não é permitido o ingresso com mochilas ou sacolas, nem mesmo na sala de segurança. Aparelhos eletrônicos ficam retidos e só podem ser retirados no momento da saída.

Na semana passada, o jornal italiano Corriere della Sera destacou que fontes de alto escalão do governo israelense confirmaram a chegada de membros do Hezbollah, com apoio do Irã, à América do Sul. Segundo a reportagem, a Bolívia e a Colômbia seriam outros possíveis alvos.

Para reafirmar seu temor, Sztulman lembrou os atentados nos anos 90 lançados contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires, que deixou 29 mortos, e a entidade judaica Amia, que matou 85 pessoas. Israel e EUA atribuem as ações ao Hezbollah e afirmam que o grupo recebeu apoio financeiro do Irã, que nega as acusações.

Apesar das suspeitas do Ministério Público argentino, as investigações não foram concluídas. “Antes dos atentados também era difícil acreditar que o Irã realizaria um ataque em um país soberano”, afirmou o cônsul.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Tags:
Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

0 comentário