Procurador-geral avisa que investigação do mensalão continua mesmo depois de terminado julgamento em curso.

Publicado em 26/09/2012 07:37 e atualizado em 04/06/2013 16:34 909 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Provocações de Lewandowski – O exemplo infeliz

Nesta quarta, Ricardo Lewandowski está abusando do seu temperamento provocador. O comportamento coincide — se existe correlação ou relação de causa e efeito, não sei — com o acirramento de ânimos da tropa de choque de José Dirceu, que agora acusa o STF de não seguir o devido processo legal. Hoje, veio à luz um manifesto de supostos “intelectuais” e “artistas” em defesa do Zé. O alvo é o tribunal.

Muito bem! O ministro revisor resolveu fazer a sua leitura do que seja “lavagem de dinheiro”. Ok. Tem o direito de fazê-lo. A sua interpretação ignora o caput da Lei 9.613. Mas ele, convenha-se, não é o único a fazê-lo. 

Ocorre que, mais uma vez, aproveitando-se, ele deixou claro, da presença de alunos de direito, resolveu dar uma de professor — e alguns de seus alunos reais, já revelei aqui, não têm exatamente uma boa memória de sua atuação.

O Professor Raimundo do Supremo decidiu dar um exemplo para demonstrar que nem todo crime que envolva dinheiro supõe lavagem — coisa, aliás, que ninguém afirmou. E evocou o caso do sujeito que tomou uns aperitivos e, flagrado pela polícia, suborna o guarda. Com ar de quem tinha acabado de dizer alguma coisa óbvia, perguntou: “O guarda que recebeu o dinheiro pode ser acusado de lavagem?”

Não, ministro! Isso não é lavagem. Lewandowski é craque em usar um argumento “ab absurdo” para tentar ridicularizar a tese alheia e provar a sua própria. A Lei 9.613, senhor ministro, releia-a (ver transcrição do trechos no post anterior), fala na dissimulação ou ocultação do recebimento de dinheiro e estabelece os crimes anteriores que podem caracterizá-la. Entre esses crimes anteriores, está lá o Inciso V, a saber:
“V – [crime] contra a Administração Pública, inclusive a exigência, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, de qualquer vantagem, como condição ou preço para a prática ou omissão de atos administrativos”

Pergunto: é um caso de “crime contra a administração pública”? O exemplo de Lewandowski é infeliz e procura banalizar as práticas de um articuladíssimo sistema criminoso. O exemplo é absolutamente descabido.

Por Reinaldo Azevedo

 

Barbosa cede a provocação, vai além do razoável e dá asas ao provocador

O julgamento evolui para o bate-boca. Ricardo Lewandowski recheia o seu voto de pequenas provocações, e, infelizmente, Joaquim Barbosa cede a todas.

Ao comentar a atuação de Emerson Palmieri, tesoureiro do PTB, Lewandowski resolveu ignorar alguns depoimentos, que estão nos autos, indicando que ele tinha controle do dinheiro que circulava pelo PTB, inclusive o irregular.

Barbosa se abespinhou. E o fez, com efeito, em termos impróprios para um ministro, questionando a competência e o rigor do outro. Eu posso fazer isso. Ele não pode. Marco Aurélio e o próprio Ayres Britto acabaram dando socorro a Lewandowski, que exibia um ar compungido. Num dado momento, ameaçou até interromper o seu voto… E acabará fazendo isso se a ficha de Barbosa não cair. E mais um dia precioso se perderia.

Por Reinaldo Azevedo

 

Lewandowski expõe, de modo impróprio, a vida privada de uma moça que nem é ré no processo para negar a o mensalão

Ricardo Lewandowski abusa de outro expediente: ser analista do próprio voto. Não só redigiu um voto extensíssimo como se regozija em fazer exercícios metalinguísticos, explicando-o, dando suas motivações. E, volta e meia, afirma fazer isso porque, afinal, trata-se da vida das pessoas, e ele, muito pudoroso, precisa tomar cuidado e coisa e tal.

Muito bem! Mesmo assim, não viu nenhum problema, hoje, em expor a vida privada de uma moça, que não é ré, e que teria sido amante de um político já morto do PTB. Ela não estava sendo julgada ali. O morto, por óbvio, também não. E por que a citação? Porque parte da dinheirama irregular teria sido usada para comprar um apartamento para ela.

Com o exemplo, ele próprio deixou clara a intenção: descaracterizar a suposição de que a dinheirama ilegal tinha apenas o fito de comprar votos de parlamentares — coisa na qual ele não acredita.

Lewandowski expôs a vida privada de uma secretária para, no fim das contas, negar o mensalão. Cuidado, como se vê, ele toma só com os réus. Quem não é réu pode ser tratado como a Geni.

Por Reinaldo Azevedo

 

Por que a maioria dos mensaleiros cometeu, sim, crime de lavagem de dinheiro, ao contrário do que sustenta Lewandowski. Quem diz isso é a lei, não sou eu

Por que o tribunal perdeu bem uns 40 minutos? Vamos lá. Os réus acusados de lavagem de dinheiro estão sendo julgado pela Lei 9.613, de 1998. Em 2012, foi aprovada uma outra, a 12.683. No link acima, é possível saber o conteúdo das duas leis. O que distingue as duas leis? Basicamente, é o seguinte: a anterior estabelecia o rol de crimes antecedentes que caracterizavam o crime posterior: lavagem de dinheiro. A redação do Artigo 1º é esta.

Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de crime:
I – de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins;
II – de terrorismo;
II – de terrorismo e seu financiamento; (Redação dada pela Lei nº 10.701, de 9.7.2003)
III – de contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado à sua produção;        IV – de extorsão mediante sequestro;
V – contra a Administração Pública, inclusive a exigência, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, de qualquer vantagem, como condição ou preço para a prática ou omissão de atos administrativos;
VI – contra o sistema financeiro nacional;
VII – praticado por organização criminosa.
VIII – praticado por particular contra a administração pública estrangeira (arts. 337-B, 337-C e 337-D do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal). (Inciso incluído pela Lei nº 10.467, de 11.6.2002)
Pena: reclusão de três a dez anos e multa.
§ 1º Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens, direitos ou valores provenientes de qualquer dos crimes antecedentes referidos neste artigo:

Muito bem! E como ficou esse texto na Lei 12.683, de 2012? O que caracteriza a lavagem de dinheiro? Isto:
Art. 1º – Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.

Qual é a grande diferença? A lei se tornou muito mais severa. Notem que não há a lista de crimes antecedentes que caracteriza a lavagem de dinheiro. Basta que o recurso decorra de infração penal.

Qual é o ponto?
Qual é o ponto que tem dividido os ministros? Uma parte entende que o recebimento escamoteado do dinheiro pelos políticos faz parte do próprio crime de corrupção passiva. Puni-los também por isso seria um caso de “bis in idem”: punir duas vezes pelo mesmo crime. Vamos ver. A nova lei se tornou bem mais severa, como se nota. Qualquer crime pode ser considerado antecedente para a lavagem de dinheiro.

Muito bem! Mas do que se cuida dos casos em votação no Supremo? Há duas considerações importantes:
1) É o caput do Artigo 1º da Lei 9.613 que permite enquadrar boa parte dos mensaleiros no crime de lavagem de dinheiro. Digamos, para ficar num caso importante, que João Paulo Cunha tivesse ido ele mesmo receber o dinheiro no Banco Rural, de cara limpa, ou que o dinheiro tivesse sido transferido para a sua conta. Mas foi isso o que aconteceu? Não! Mandou a própria mulher receber em seu lugar. O dinheiro foi sacado da conta da SMP&B em nome da SMP&B. E como o caput da lei define lavagem? Assim:
“Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de crime:”

O sr. João Paulo e a maioria dos parlamentares recorreram ou não à “ocultação e à dissimulação de valores?” Ora… Não é preciso evocar aos incisos do Artigo 1º da lei para que fique caracterizada, nesse caso, a lavagem.

Mas aí vem o pulo do gato — manco! — da argumentação de Lewandowski: “O caput estabelece que o dinheiro tinha de ter origem, direta ou indireta, do crime, e os que recebiam dinheiro não tinham como saber que a origem era ilícita”. Ah, não? Então vamos à questão 2 da minha exposição.

2) Domínio do fato – Será que os recebedores do dinheiro não tinham como saber da origem criminosa do dinheiro? Por que toda aquela maquinaria para fazer o dinheiro transitar? Como lembrou Ayres Britto, há duas perguntas possíveis: uma é esta: “havia como o réu saber da origem ilegal?” A outra é definitiva: “Como não saber, naquelas circunstâncias, que o dinheiro era ilegal?”

Ora… Peguemos o caso do peemedebista José Borba. Ele foi, sim, pessoalmente ao Banco Rural receber o dinheiro, mas se negou a assinar o recibo. Teve de esperar a chegada da secretária Simone Vasconcelos para assinar o documento em seu lugar. Está caracterizada ou não a “ocultação e dissimulação”? A letra da lei fala por si.

Transformar o dinheiro em ativos lícitos é só uma especificação do crime de lavagem, previsto no parágrafo 1º da mesma lei, a saber:
§ 1º Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens, direitos ou valores provenientes de qualquer dos crimes antecedentes referidos neste artigo:
I – os converte em ativos lícitos;
II – os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em depósito, movimenta ou transfere;
III – importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos 
verdadeiros.

Os mensaleiros que recorreram a terceiros ou a dissimulação para receber o mensalao cometeram também lavagem de dinheiro. E isso está no caput da lei pela qual estão sendo julgados.  Os ministros que estão entendendo que não, parece-me, decidiram ser bastante severos com Marcos Valério, seus sócios e com os banqueiros, mas estão começando a ficar de coração mole com os políticos. A lei da lavagem, velha ou nova, pode até não ser boa. Mas os ministros estão lá para aplicá-la.

Por Reinaldo Azevedo

 

Procurador-geral avisa que investigação do mensalão continua mesmo depois de terminado julgamento em curso. Há mais coisa! Lula é acusado de favorecer banco

Por Vinicius Sassine, no Globo:
O fim da ação penal número 470, no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), significará a conclusão de apenas uma etapa do julgamento do mensalão. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que pretende destravar outras frentes de investigação após o veredicto sobre os réus julgados pelos ministros do STF. O término do julgamento está previsto para o fim de outubro. “Do contexto da ação penal 470 surgiram diversas outras ações, em São Paulo, Minas Gerais e algumas coisas na Procuradoria-Geral da República. Assim que terminar esse julgamento, haverá um esforço para dar andamento a essas ações”, disse Gurgel ao GLOBO, no intervalo da sessão plenária no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A denúncia central do mensalão resultou em outro inquérito que tramita no próprio Supremo. O procedimento tem o número 2.474 e corre em segredo de Justiça. Com 77 volumes, está na fase de investigação policial e ainda não resultou em denúncia por parte do procurador-geral. O inquérito é um desdobramento da ação penal 470, e foi aberto para apurar novos sacadores de dinheiro das empresas de Marcos Valério, considerado o operador do mensalão.
(…)
As mesmas suspeitas levaram o Ministério Público Federal em Brasília a acionar na Justiça Federal, por improbidade administrativa, o ex-presidente Lula. Segundo a denúncia do MP, de 2011, Lula favoreceu o BMG e buscou a “autopromoção” quando enviou cartas a aposentados e pensionistas oferecendo crédito consignado. O ex-ministro da Previdência Amir Lando também é réu no processo.

Reportagem publicada pelo GLOBO no último dia 15 mostrou que a denúncia principal do mensalão resultou em mais 45 processos que tramitam no próprio STF (como é o caso do inquérito nº 2.474), na Justiça Federal no DF e em quatro estados — Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo — e no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, em São Paulo. São mais 80 réus, que ficaram fora da denúncia formulada pela PGR e que passaram a ser investigados pelo MP em outras instâncias. Somados os 38 acusados que começaram a ser julgados pelo STF em agosto, o mensalão tem 118 réus país afora, como mostrou a reportagem.

Por Reinaldo Azevedo

 

Gilmar Mendes faz o certo e critica nota de Dilma, que contesta relator do mensalão

Mariângela Gallucci, no Estadão:
Em novo sinal da tensão que envolve o Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do julgamento do mensalão, o ministro Gilmar Mendes criticou nesta terça-feira, 25, a decisão da presidente Dilma Rousseff de divulgar uma nota oficial após ter sido citada na semana passada no julgamento da ação penal 470. “O depoimento dela vale como todos os outros. Não é assim que se diz na República?”, indagou Mendes.

“Imagine se cada vez que um tribunal tiver de se debruçar sobre depoimentos tiver de buscar a interpretação autêntica do depoente. Imagina o que vai representar isso”, disse o ministro para jornalistas. “Vocês imaginam quantos depõem na CPMI, inquéritos policiais, perante o juiz e agora alguém diz que o que o relator disse não é exatamente. Isso vai anular o julgamento?”, questionou. “Isso é apenas um acidente nesse processo”, disse o ministro depois de participar de uma sessão de julgamento nas turmas do STF.

Na semana passada, ao sustentar a tese de que ocorreu compra de votos no Congresso, o relator do processo, Joaquim Barbosa, citou depoimento dado por Dilma em 2009 à Justiça no qual ela afirmou que ficou surpresa com a rapidez na votação do marco regulatório do setor elétrico.

Na época do depoimento, Dilma era ministra chefe da Casa Civil. Mas no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha ocupado o Ministério de Minas e Energia. No julgamento, Joaquim Barbosa defendeu a punição de políticos acusados de envolvimento no esquema, como Roberto Jefferson, que foi o delator do mensalão.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

Irmão de Genoino, aquele do assessor com dólares na cueca, cansou! Ele quer controlar a mídia por bem ou por mal

O deputado José Guimarães (PT-CE), aquele cujo assessor, um pobre-coitado, foi flagrado com a cueca recheada de dólares, está bravo. Leiam o que informa Daniel Carvalho, na Folha. Volto depois.

Em vídeo publicado no site do PT, o deputado federal José Guimarães (PT-CE), irmão do réu do mensalão José Genoino, disse que depois das eleições o partido retomará o debate sobre a regulamentação da mídia, “quer queiram, quer não queiram”. Segundo o congressista, o partido está sendo alvo de uma “ação orquestrada” dos meios de comunicação. “Passadas as eleições, nós do PT vamos tomar uma medida quer queiram, quer não queiram. É a regulamentação da questão da comunicação no país. Vamos ter que enfrentar esse debate porque foi além do limite”, declarou.

Publicado no sábado, o vídeo é uma resposta à reportagem da revista “Veja” que atribuiu ao empresário Marcos Valério afirmações sobre a atuação de Lula no mensalão. Guimarães ganhou destaque nacional em 2005, quando seu então assessor foi detido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com R$ 200 mil numa mala e US$ 100 mil escondidos na cueca.

O caso, no auge da crise da mensalão, foi o estopim da saída de Genoino da presidência nacional do PT. No vídeo Guimarães faz um apelo aos militantes: “Temos que mobilizar a militância, fazer um apelo aos democratas deste país porque a mídia não pode ser partido político”.
(…)

Voltei
Uuuiii… Que medo! Daqui a pouco ele sai por aí fazendo quebra-quebra. Mas eu gostei mesmo foi do motivo alegado: ele só quer controlar a mídia porque, disse ele, o PT seria alvo de uma “ação orquestrada” Ah, bom! Pensei que sua intenção fosse intimidar toda a imprensa, mas não é. A que fala bem do PT pode continuar a fazer normalmente o seu trabalho. Não sei se entenderam a sutileza…

Texto originalmente publicado às 4h59

Por Reinaldo Azevedo

 

A FOBIA DA LIBERDADE – Os seguidores de Maomé e os racialistas recriam a censura no Brasil, com participação da Justiça Ou: O fato de um filme ser um lixo não dá a ninguém o direito de matar ou de impor aos outros a sua vontade

Caros, um texto dos grandes. Espalhem e debatam. Algo de muito grave está presente entre nós. Querem nos colocar sob o tacão de novas ditaduras.

Tenho 51 anos. Integrei a jovem geração que lutou por liberdade de pensamento e expressão. E que a conquistou, junto com os mais velhos, que se dedicaram à luta institucional. Aqui, abro parênteses para uma pequena digressão. Depois retorno ao leito do rio. Dia desses, na sua loquacidade bruta, sempre estúpida, Lula sugeriu que o regime democrático é uma conquista do PT. Uma ova! Tivesse o sistema político seguido a sua orientação, o Regime Militar teria elegido (e não “eleito” nesse caso…) Paulo Maluf, hoje um aliado dos petistas (era premonição?), presidente da República. Tivesse o sistema político seguido a sua orientação, a Constituição de 1988 teria ficado sob a sombra da ilegitimidade, já que os petistas se negaram a participar da sessão de homologação da Carta. E muitos foram os outros boicotes do partido à ordem legal. A Lei de Anistia, fundamental para a transição para a democracia, nada deveu ao petismo — o partido só seria fundado em 1980. Tampouco tem qualquer vínculo com o movimento sindical do ABC. Ao contrário até: a pauta do lulismo, até ali, tinha pouquíssimo apelo de natureza institucional. O desejo de liberdade que a muitos movia, só vim saber depois, só poderia ser garantido por uma sociedade democrática, de mercado e laica.

O que me levou, aliás, aos 15 anos, a me ligar a um grupo de esquerda foi justamente não me conformar com a possibilidade de que um estado onipresente dissesse o que eu poderia ou não fazer. O vocabulário era outro. Falávamos então “o sistema”. Éramos contra “o sistema”. É claro que, se era liberdade o que eu queria, a esquerda não era o caminho, como descobri depois. Mas, já escrevi, não me arrependo dos meus impulsos de então nem do meu equívoco. É evidente que a ditadura tinha de acabar.

Trinta e seis anos depois, pego-me aqui a noticiar que a Justiça determinou que o Google, a pedido da União Nacional Islâmica (UNI), retire do Youtube, no Brasil, qualquer trailer do filme “Inocência Islâmica”. Não vi esse troço nem tentarei. O que li a respeito já me basta. É um lixo! Suponho que a UNI, para pedir a censura, o tenha visto. E agora pretende impor ao conjunto dos brasileiros — como, parece, boa parte dos islâmicos querem impor ao mundo — os seus valores e a sua leitura da realidade. A síntese é a seguinte: a UNI já viu o filme por nós todos e decidiu que não temos o direito de formular o nosso próprio juízo — inclusive constatar que é um lixo. O Departamento Nacional de Censura, durante a ditadura militar, fazia rigorosamente isto: via antes os filmes. Se julgasse que eles poderiam trazer qualquer ameaça à ordem interna ou à índole pacífica do nosso povo, proibia. Nos tempos mais severos, os autores poderiam ser perseguidos.

O valor da democracia é outro. As maiores conquistas da humanidade se deram num ambiente de liberdade, de livre exame dos fatos e da história. Por mais odioso ou errado — no sentido de que possa estar em desacordo com os fatos — que seja um pensamento, é na liberdade de apontar o erro que reside a nossa grande qualidade. Se há mesmo, no tal filme, discriminação de uma religião e incitamento ao preconceito, práticas vetadas pela nossa Constituição, é preciso que se proceda a uma exame objetivo do caso em questão. A Constituição aboliu — e isso nos custou bastante — a censura prévia. A UNI não pode ter a pretensão, não numa democracia, de decidir ela própria, com o concurso de juízes brasileiros, o que podemos ou não ver. E isso vale, obviamente, para qualquer religião.

Duas das novelas que estão no ar, na Globo, ridicularizam impiedosamente personagens católicos — avançando para a caricatura grotesca. Carminha, a Megera de “Avenida Brasil”, diz-se uma católica fervorosa. Tem uma ONG, que administra em parceria com um padre idiota e comilão, só para roubar dinheiro de Tufão, o Cornão. Em público, exibe seus dotes de carola, persignando-se, fazendo tabula rasa de valores que são caros a milhões de pessoas. É evidente que essa história acaba tendo uma moral: o católico fervoroso é sempre um santarrão do pau oco, alguém que, no escurinho, pratica o contrário da fé que prodigaliza.

Em Gabriela, um padre afrescalhado, que gosta de virar os olhinhos quando fala, é só um contínuo idiota dos coronéis: nega-se a casar Gabriela porque já vivia com o noivo, mas celebra o casamento de um assassino confesso. As beatas que vivem ao redor do altar são exemplos notáveis de hipocrisia, vigarice moral e parvoíce. Sim, como católico, confesso, ofendem-me as duas reduções grosseiras da religião. Não é a crítica em si, não — eu sou apaixonado, por exemplo, por “O Vermelho e O Negro”, de Stendhal —, mas a simplificação rasteira. Mas vou fazer o quê? Os católicos farão o quê?

Podem protestar, fazer abaixo-assinados, mandar cartinhas à emissora, essas coisas muito próprias das democracias. E só! Não se concebe que, vendo ofendidos seus valores ou sua igreja, saiam por aí a botar fogo no mundo, a matar pessoas, a impor aos não-católicos a sua visão de mundo.

Lembram-se da campanha antiaborto em 2010
Não precisamos ir muito longe, não. Recuemos modestos dois anos. Este país — e a maior parte de sua imprensa — assistiu calado a uma clara agressão à liberdade religiosa e a liberdade de expressão quando foram apreendidos panfletos impressos por católicos pregando a seus fiéis que não votassem em candidatos favoráveis ao aborto. O PT recorreu à Justiça, e o TSE determinou que a Polícia Federal os recolhesse. Pessoas foram detidas por portar o papel. O texto não citava o PT. O texto não citava Dilma. O texto tratava apenas de valores. Fazia uma recomendação pacífica — VOTO!!! — a seus fiéis. Nada mais do que isso.

A imprensa assistiu calada àquele absurdo e, em muitos aspectos, até estimulou a decisão, à medida que passou a considerar a expressão de uma opinião de uma parcela da Igreja uma interferência indevida no processo eleitoral. Como se a manifestação de religiosos trouxesse, em si mesmo, o mal. A questão alcançou 2012. E de maneira dramática. Antes mesmo que o PSDB ensaiasse os seus primeiros passos eleitorais, o “jornalismo independente” arrancou do partido uma espécie de promessa de que jamais se tocaria nesse assunto — ou no kit gay. Esses setores do jornalismo só se esqueceram de combinar com Celso Russomanno e com a Igreja Universal. Mas não vou tomar o atalho. Volto ao meu leito.

Uma carta de uma página — pacífica, respeitosa, decente — foi tratada como manifestação do obscurantismo, das trevas, da religiosidade tacanha. Agora, a censura imposta pelos islâmicos — mundo afora, na pancadaria; entre nós, com o auxílio da Justiça — é recebida sob um silêncio reverencial, com medo. São os setores que adoram odiar os cristãos, que não ameaçam ninguém, mas que reconhecem aos muçulmanos uma espécie de “direito natural” de impor mundo afora os seus valores e as suas crenças. A ironia perversa é que, no dia em que a Justiça brasileira volta a aplicar a censura prévia, a presidente brasileira, na ONU (ver posts abaixo), acusou a existência de “islamofobia” no Ocidente, como se os crentes dessa religião estivessem impedidos de exercer livremente as suas convicções.

Imaginem, reitero, se católicos tivessem tentando impor quaisquer limites ao catolicismo vigarista da Carminha ou à moral torta e saltitante do padre de “Gabriela”. Ainda que tivessem se manifestado apenas por intermédio de um texto, ouviríamos a gritaria: “Censura!”  Uma ação judicial, então, não teria chance de prosperar — e é bom que assim seja. Os católicos têm de aprender a defender os seus valores sem esperar que o estado ou os meios de comunicação façam isso por eles. Até porque o que está realmente em curso no Ocidente e, desde sempre, em vários países islâmicos é outra fobia: a “Cristofobia”, que é título de um dos capítulos de “O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo”.

Já escrevi posts aqui tratando de suas situações curiosas. O New York Times publicou um anúncio conclamando as pessoas a abandonar o catolicismo, apontando as suas mazelas. Uma leitora teve uma ideia: fez peça idêntico, mas convidando fiéis a abandonar o islamismo. O anúncio foi recusado. Mark Thompson, então chefão da BBC, admitiu no começo deste ano que a rede jamais zombaria de Maomé como zombava de Cristo e explicou as razões: os muçulmanos consideram isso uma ofensa. Já os cristãos não se importavam muito. Entendo. No mês passado, Thompson mudou de continente e foi ser CEO do New York Times. Pelo visto, o jornal continuará a publicar anúncios incitando católicos a abandonar a sua religião e continuará a não publicar os que conclamam os islâmicos a fazer o mesmo.  Pelo visto, quem tem o argumento da força a utiliza como força do argumento.

Não, não vi o filme e não vou ver. Aliás, o mundo o teria ignorado não tivesse sido ele transformado numa causa pelos radicalismo islâmico, que agora faz a sua pauta chegar ao Brasil.

Um entrevistado presidente do Egito
No domingo, o New York Times, aquele de que Thompson é agora o chefão, publicou uma entrevista com o presidente do Egito, Mohamed Mursi, um dos líderes da Irmandade Muçulmana. Mais do que apoiado, ele tem incentivado manifestações de protesto contra o tal filme. Para provar a sua notável compreensão sobre o mundo moderno, afirmou esta maravilha:
“Se você quer avaliar as ações do povo egípcio segundo o padrão cultural alemão, chinês ou americano, então não há o que fazer. Quando os egípcios decidem alguma coisa, provavelmente isso não é apropriado para os Estados Unidos. Quando os americanos decidem alguma coisa, isso, evidentemente, não é apropriado para o Egito”.

Certo! Os povos têm, segundo ele, sua identidade, suas necessidades, sua visão de mundo. Isso não pode servir de pretexto, claro!, para que tiranias sanguinolentas se imponham ao arrepio de qualquer ordem internacional, mas é fato que um povo não pode dizer ao outro o que fazer. Ora, no Ocidente — nos Estados Unidos e nos demais países compreendidos sob essa designação —, a liberdade de expressão, de pensamento e de crítica é um valor, um fundamento. Que se note: não é a crítica aos muçulmanos ou a ironia com Maomé que têm ser protegidos, mas a possibilidade de expressar um ponto de vista. Se os egípcios podem e devem viver sob seus valores, por que seria diferente nas democracias ocidentais? O New York Times não lhe fez essa pergunta. Vai ver era para não ofender o entrevistado.

O mal está entre nós
O mal da censura está entre nós. Por incrível que possa parecer, por mais estúpido que isso se nos afigure, Monteiro Lobato, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos — e era mesmo, acreditem! — estará sob julgamento no STF. Terminou sem acordo ontem uma reunião entre o Ministério da Educação e representantes de um tal Instituto Advocacia Racial e Ambiental (Iara), que quer impedir a distribuição do livro “Caçadas de Pedrinho” em escolas públicas. O Iara submeteu a obra a um tribunal racial e exige que se acrescente a ela um adendo apontando os trechos considerados racistas.

Em 2010, depois de denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho Nacional de Educação (CNE) determinou o banimento do livro das escolas. O MEC pediu reconsideração, e o veto foi anulado. A Iara impetrou um mandado de segurança em nome do, calculem!,  técnico em gestão educacional Antônio Gomes Neto. No dia 11, o ministro Luiz Fux convocou uma audiência entre as partes, mas não houve acordo. A matéria agora deve ser analisada pelo plenário.

Adami já deixou claro que só aceita um resultado. Promete recorrer a “cortes internacionais” — como se a elas o STF fosse subordinado — caso não consiga o seu intento. Animado com a sua compulsão para censor, já pôs outro livro de Lobato na mira: “Negrinha”, que reúne 22 contos do autor. O Iara protocolou na manhã desta terça uma ação administrativa na Controladoria Geral da União (CGU) questionando a distribuição da obra em escolas públicas.

Vamos ver
Meu primeiro livro, “Contra o Consenso”, traz um pequeno ensaio sobre Monteiro Lobato. Está publicado aqui, na seção “Avesso do Avesso”. Noto ali o óbvio (embora o tema do meu texto seja outro): Lobato não é, com efeito, uma referência para o debate racial, nos termos em que as pessoas civilizadas entendem hoje a questão. Era um homem com todas as deformações do seu tempo — como todos nós. Por isso existem os professores. Por isso existem as escolas. Aliás, quem dera Lobato fosse hoje um autor trabalhado em sala de aula! Não é, com ou sem distribuição de livros pelo MEC. Seu vocabulário, mesmo na obra infantil, se tornou dramaticamente distante da indigência de nossas escolas. Que Lobato o quê! Hoje o que se leva à sala de aula, não raro, são as referências do que Paulo Freire (Deus meu!) chamava “educando”: RAP e funk! Trinta e dois por cento dos nossos universitários não são plenamente alfabetizados. Quatro por cento são analfabetos. O Jeca Tatu de Lobato era só um coitado! Os nossos Jecas estão no poder.

Imaginem se a Itália ousaria acrescentar à Divina Comédia, de Dante, uma advertência, chamando a atenção para o caráter anti-islâmico e antissemita da obra — porque há passagens que permitem essa leitura. Ou se a Inglaterra faria o mesmo com peças de Shakespeare, proibindo Otelo (o escuro incontido) ou “O Mercador de Veneza” (por antissemitismo). Ou se os EUA acrescentariam um “cuidado” por causa das inclinações fascistas de Ezra Pound! Ou se Portugal deveria censurar Alexandre Herculano em razão de “Eurico, o Presbítero”, para não mexer com susceptibilidades da Espanha (que apanha na obra) e dos muçulmanos.

O que é a educação numa sociedade livre senão a aquisição do pensamento científico e a formação do espírito crítico e de convicções no confronto livre de ideias? A ser como querem esses do tal Iara, toda obra deveria estar sempre em constante reescritura para adaptá-la aos valores contemporâneos. Não posso imaginar delírio totalitário maior do que esse — porque isso significaria, de fato, o fim da história.

Encerrando
Volto aos meus 15 anos, ao meu inconformismo com o “sistema”, o tal que ousava dizer o que eu podia ou não fazer, o que eu podia ou não ler, o que eu podia ou não pensar. Ao alcance do braço, em razão da disposição da estante em que estão estes livros, pego aqui ‘Trotski – Escritos Sobre Sindicato”. É uma publicação de outubro de 1978. Foi impresso antes ainda do fim do AI-5, que foi extinto no dia 13 daquele mês. Duas prateleiras abaixo, “Gramsci e o Bloco Histórico”, da Editora Paz e Terra. Ano de publicação: 1977 — na vigência ainda da ditadura, com todos os seus instrumentos.

Em 2012, os “novos iluminados”, agora divididos  em corporações do ofício do pensamento, resolvem impor a censura prévia ao país e tirar livros de circulação. Tudo em nome da democracia! É a fobia da liberdade!

Texto publicado originalmente às 3h50

Por Reinaldo Azevedo

 

Mais Dilma na ONU: A mulher que falava em nome da democracia fez uma defesa enfática de uma tirania e adulou protoditaduras

A presidente Dilma Rousseff fez ontem na ONU o pior discurso dos dez anos de poder petista sob qualquer aspecto que se queira. Já escrevi dois posts a respeito. E faço este outro — e ainda não entrarei no mérito das questões domésticas, sob as quais não faltaram palavras impressionantemente insensatas e em desacordo com os fatos. Volto-me neste post ainda à política externa.

Sabem por que a presidente de um país como o Brasil pode dizer aquelas sandices — como, na prática, acusar Israel de ser o responsável pelos problemas no Oriente Médio? Porque isso, na ordem das coisas, não cheira nem fede. Porque isso, no concerto (é com “c” mesmo!) do mundo é irrelevante. Aliás, Mahmoud Ahmadinejad nos ensina que, quanto menor a influência de um país — não confundir “influência” com “risco” —, mais inflamada e irresponsável é a sua retórica. Se o Brasil realmente apitasse alguma coisa, o establishment obrigaria Dilma a ter outra fala. Como não apita nada, então “deixa que digam, que pensem, que falem”, como cantava Jair Rodrigues há quase 50 anos.

Dilma falou indiretamente contra qualquer punição ao Irã? Falou! E quem se importa? Dilma se opôs a uma intervenção militar na Síria? Sim! E quem se importa? Querem ver? Peguemos o exemplo de François Hollande, o socialista que venceu a eleição presidencial na França. Seu trato com os iranianos, a despeito daquele charminho da esquerda francesa, é tão ou mais duro do que o de Nicolas Sarkozy — até porque a direita francesa sempre foi mais antiamericana do que a esquerda… Ainda que Hollande quisesse praticar antiamericanismo tosco, suas responsabilidades com a segurança mundial não deixam. Dilma só precisa, ai, ai, dialogar com Antonio Patriota e Marco Aurélio Garcia…

Aliás, consta que o Itamaraty comemorou o fato de que, desta vez, a presidente não mexeu em nada do que recebeu. Vale dizer: aquele discurso infeliz foi parido nas entranhas do Ministério das Relações Exteriores. É sabido que a diplomacia é coisa séria demais para ser deixada nas mãos de diplomatas e… do Marco Aurélio Garcia.

Cuba e a América Latina
Ao se referir à América Latina e Cuba, as sandices saíram aos borbotões. Leiam o que vai em vermelho:
Avançamos muito na integração do espaço latino-americano e caribenho como prioridade para nossa inserção internacional. Nossa região é um bom exemplo para o mundo. O Estado de Direito que conquistamos com a superação dos regimes autoritários que marcaram o nosso continente está sendo preservado e está sendo fortalecido.

Para nós, a democracia não é um patrimônio imune a assaltos, temos sido firmes, – Mercosul e Unasul – quando necessário, para evitar retrocessos porque consideramos integração e democracia princípios inseparáveis.

Reafirmo também o nosso compromisso de manter a região livre de armas de destruição em massa. E nesse ponto, quero lembrar a existência de imensos arsenais que, além de ameaçar toda a humanidade, agravam tensões e prejudicam os esforços de paz.

O mundo pede, em lugar de armas, alimentos, para o bilhão de homens, mulheres e crianças que padecem do mais cruel castigo que se abate sobre a humanidade: a fome.

Por fim, senhor Presidente, quero referir-me a um país-irmão, querido de todos os latino-americanos e caribenhos: Cuba. Cuba tem avançado na atualização de seu modelo econômico. E para seguir em frente nesse caminho, precisa do apoio de parceiros próximos e distantes.

Precisa do apoio de todos. A cooperação para o progresso de Cuba é, no entanto, prejudicada pelo embargo econômico que há décadas golpeia sua população. É mais do que chegada a hora de pôr fim a esse anacronismo, condenado pela imensa maioria dos países das Nações Unidas.

Voltei
Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela vivem um franco processo de “ditadurazição”, se me permitem o neologismo. Falar em plena vigência da democracia nesses países é um acinte à inteligência. Nas duas intervenções que o Brasil fez nos últimos tempos na América Latina, tentou, ao contrário, reforçar posições de caráter golpista. Refiro-me a Honduras e Paraguai. No primeiro caso, houve clara ingerência brasileira nos assuntos internos daquele país. Já os paraguaios foram vítimas de uma trapaça no Mercosul, estrelada por Dilma e Cristina Kirchner.

Como pode a presidente brasileira ter punido o Paraguai, acusando um golpe que não aconteceu, e defender, como fez na ONU, o regime cubano, que estaria “atualizando o seu modelo econômico”, seja lá o que isso signifique. A propósito: aquilo constitui “um modelo”? A Dilma que diz estar mobilizada contra os “assaltos à democracia” é a mesma que intercede em favor da tirania cubana — que ainda mantém presos de consciência. E eis que surge a cascata do embargo econômico, que, como é sabido, é absolutamente irrelevante para a economia do país. A ilha não funciona é por causa do “modelo”.

Finalmente, noto que a Venezuela está em contato permanente com o Irã. Os aiatolás mantêm muitas dezenas de “observadores militares” em solo venezuelano. O Beiçola de Caracas também têm recorrido à Rússia para comprar armas. Isso tudo num país cuja cúpula militar, comprovadamente, está infiltrada pelo narcotráfico.

Reitero: Lula nunca fez um discurso tão ruim quanto esse nas Nações Unidas. É constrangedor!

Texto publicado originalmente às 4h37

Por Reinaldo Azevedo

 

PT injeta R$ 14,8 milhões, mas candidatos patinam

Por Jean-Philip Struck, na VEJA. com:
A direção do PT nacional repassou mais de 14,8 milhões de reais a onze dos seus candidatos a prefeito em capitais mostra levantamento do site de VEJA feito com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (veja no mapa aqui). Apesar desse repasse, o mais alto entre todos os partidos, nenhum candidato do PT que recebeu parte do valor conseguiu assumir a liderança nas pesquisas. Outros partidos conseguiram resultados melhores recebendo menos dinheiro.

Entre as dezessete candidaturas do PT nas capitais, apenas duas lideram: a de Paulo Garcia, em Goiânia (GO), e a de Marcus Alexandre, em Rio Branco (AC). Os dois candidatos nada receberam da direção nacional do partido, segundo os dados do TSE.

Nas demais capitais – incluindo as onze em que os candidatos do PT receberam recursos do diretório nacional – os petistas não passam do terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.  Entre as candidaturas que não decolaram está a de Fátima Cleide, em Porto Velho, que recebeu 475 000 reais do partido e amarga um quarto lugar. Um dos seus adversários, o deputado federal Mauro Nazif, do PSB, recebeu pouco mais da metade da direção nacional do seu partido, 250 000 reais, e aparece em segundo lugar nas pesquisas.

Mais da metade dos 14,8 milhões de reais repassados pelo PT foram para a campanha de Fernando Haddad, em São Paulo. O ex-ministro recebeu cerca de 7,7 milhões de reais do PT Nacional. Na última pesquisa do Datafolha ele estava em terceiro lugar. Ele luta para ultrapassar o tucano José Serra e chegar ao segundo turno contra Celso Russomanno (PRB).

A candidatura do PT em São Paulo é a mais cara de todas. Até o início de setembro, a campanha de Haddad declarou que já havia gasto cerca de 16,5 milhões de reais. O líder das pesquisas, Celso Russomanno, declarou à Justiça Eleitoral ter gasto 1,3 milhão de reais, menos de 10% do valor desembolsado pela campanha petista, que contratou a empresa do marqueteiro João Santana e usa equipamentos de última geração na produção das suas propagandas para a TV.

O segundo candidato mais ‘caro’ do PT nacional é Elmano de Freitas, de Fortaleza, que recebeu 2,47 milhões de reais e está em terceiro lugar. Seu adversário, Moroni Torgan, do DEM, que recebeu 600 000 reais da direção nacional do seu partido, está na liderança.

Em Recife, o candidato e ex-ministro Humberto Costa aparece na segunda ou terceira posição – depende da pesquisa – nas duas últimas sondagens realizadas na capital pernambucana. O candidato recebeu 475 000 reais do PT nacional.

candidatura de Humberto Costa opôs o ex-presidente Lula, padrinho de Costa, e o governador Eduardo Campos, do PSB, que apoia Geraldo Júlio, o favorito na disputa. Para a campanha de Júlio, o PSB nacional mandou 3 milhões de reais, quase metade dos recursos que o partido mandou para os seus candidatos em todas as capitais. 

Nas capitais, o total repassado pelo PT aos seus candidatos é cinco vezes maior que o repasse do PSDB, que foi pouco superior a 2,7 milhões de reais, foi dividido entre nove candidatos. Três deles lideram as pesquisas ou estão empatados em primeiro lugar.

O DEM é o segundo partido que mais injetou dinheiro nas campanhas: foram 9,5 milhões de reais para seis candidatos. Três deles estão na liderança em suas capitais: ACM Neto, em Salvador, Moroni Torgan, em Fortaleza, e João Alves, em Aracaju.

O mesmo ocorre com o PSB. A direção nacional do partido investiu 6,2 milhões de reais em quatro candidatos. Três deles lideram – em Recife, Cuiabá e Belo Horizonte.

Por Reinaldo Azevedo

 

Por que a sabatina de Teori foi adiada no Senado

Faltou quórum governista para votar

O receio do impacto do julgamento do mensalão na reta final da campanha eleitoral falou mais alto na base governista, ontem à tarde, quando José Sarney comunicou à oposição a decisão de adiar a sabatina de Teori Zavascki para outubro.

O governo temia que a oposição (amplificada por alguns senadores da bancada dos independentes) transformasse a sabatina de Teori em um longo debate do mensalão (transmitido ao vivo pela TV Senado).

Para os senadores da base, forçar a votação de Teori no plenário do Senado poderia alimentar os rumores de uma manobra para favorecer os mensaleiros no julgamento do STF e daria discurso para a oposição defender a rejeição do ministro.

Como apenas 61 senadores estavam em plenário, os governistas fizeram as contas: a oposição poderia reunir até vinte votos contra a indicação e o governo arriscaria a não alcançar os 41 votos necessários para sacramentar a aprovação de Teori. Diante do risco, o adiamento tornou-se inevitável.

Por Lauro Jardim

 

Congresso

Zavascki: a oposição ficou desconfiada

Sabatina tensa na CCJ

A sabatina de Teori Zavascki na CCJ do Senado pode ter ficado para depois das eleições, mas a desconfiança da oposição não diminuiu com as primeiras declarações do escolhido de Dilma Rousseff. Longe disso.

O fato de Teori ter se recusado a declarar com todas as letras que não votará no mensalão fez alguns senadores lembrarem a teoria da conspiração que circula associada ao nome do ministro (ele votaria no mensalão e salvaria os mensaleiros).

Para a oposição, com todas as voltas jurídicas dadas nas respostas, Teori passou a impressão de que estava tomando cuidados para evitar analisar o mensalão e, com isso, provocar seu próprio impedimento no julgamento.

Por Lauro Jardim

 

Congresso

Teori escorregou ao mostrar irritação com as perguntas dos senadores

Dias: Teori não gostou das perguntas

A irritação de Teori Zavascki com a pergunta de Alvaro Dias sobre o mensalão também contribuiu para a avaliação negativa do substituto de Cezar Peluso no STF.

É ponto pacífico no Senado que a pergunta é a ferramenta que o parlamentar tem para questionar qualquer autoridade sabatinada. Um indicado a cargo público pode até não gostar das perguntas, mas tem de respondê-las.

Ao reclamar das perguntas, Teori acabou por desagradar senadores da chamada bancada independente que até poderiam ajudar a engrossar os votos em uma eventual rejeição do seu nome no plenário.

Por Lauro Jardim

 

Da coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

‘Adeus, Lula’, por Marco Antonio Villa

Transcrevo o esplêndido artigo de MARCO ANTONIO VILLApublicado no Globo desta terça-feira. É um texto que eu gostaria de ter escrito: 

A presença constante no noticiário de Luís Inácio Lula da Silva impõe a discussão sobre o papel que deveriam desempenhar os ex-presidentes. A democracia brasileira é muito jovem. Ainda não sabemos o que fazer institucionalmente com um ex-presidente. Dos quatros que estão vivos, somente um não tem participação política mais ativa. O ideal seria que após o mandato cada um fosse cuidar do seu legado. Também poderia fazer parte do Conselho da República, que foi criado pela Constituição de 1988, mas que foi abandonado pelos governos ─ e, por estranho que pareça, sem que ninguém reclamasse.

Exercer tão alto cargo é o ápice da carreira de qualquer brasileiro. Continuar na arena política diminui a sua importância histórica ─ mesmo sabendo que alguns têm estatura bem diminuta, como José Ribamar da Costa, vulgo José Sarney, ou Fernando Collor. No caso de Lula, o que chama a atenção é que ele não deseja simplesmente estar participando da política, o que já seria ruim. Não. Ele quer ser o dirigente máximo, uma espécie de guia genial dos povos do século XXI. É um misto de Moisés e Stalin, sem que tenhamos nenhum Mar Vermelho para atravessar e muito menos vivamos sob um regime totalitário.

As reuniões nestes quase dois anos com a presidente Dilma Rousseff são, no mínimo, constrangedoras. Lula fez questão de publicizar ao máximo todos os encontros. É um claro sinal de interferência. E Dilma? Aceita passivamente o jugo do seu criador. Os últimos acontecimentos envolvendo as eleições municipais e o julgamento do mensalão reforçam a tese de que o PT criou a presidência dupla: um, fica no Palácio do Planalto para despachar o expediente e cuidar da máquina administrativa, funções que Dilma já desempenhava quando era responsável pela Casa Civil; outro, permanece em São Bernardo do Campo, onde passa os dias dedicado ao que gosta, às articulações políticas, e agindo como se ainda estivesse no pleno gozo do cargo de presidente da República.

Lula ainda não percebeu que a presença constante no cotidiano político está, rapidamente, desgastando o seu capital político. Até seus aliados já estão cansados. Deve ser duro ter de achar graça das mesmas metáforas, das piadas chulas, dos exemplos grotescos, da fala desconexa. A cada dia o seu auditório é menor. Os comícios de São Paulo, Salvador, São Bernardo e Santo André, somados, não reuniram mais que 6 mil pessoas. Foram demonstrações inequívocas de que ele não mais arrebata multidões. E, em especial, o comício de Salvador é bem ilustrativo. Foram arrebanhadas ─ como gado ─ algumas centenas de espectadores para demonstrar apoio. Ninguém estava interessado em ouvi-lo. A indiferença era evidente. Os “militantes” estavam com fome, queriam comer o lanche que ganharam e receber os 25 reais de remuneração para assistir o ato ─ uma espécie de bolsa-comício, mais uma criação do PT. Foi patético.

O ex-presidente deveria parar de usar a coação para impor a sua vontade. É feio. Não faça isso. Veja que não pegou bem coagir: 1. Cinco partidos para assinar uma nota defendendo-o das acusações de Marcos Valério; 2. A presidente para que fizesse uma nota oficial somente para defendê-lo de um simples artigo de jornal; 3. Ministros do STF antes do início do julgamento do mensalão. Só porque os nomeou? O senhor não sabe que quem os nomeou não foi o senhor, mas o presidente da República? O senhor já leu a Constituição?

O ex-presidente não quer admitir que seu tempo já passou. Não reconhece que, como tudo na vida, o encanto acabou. O cansaço é geral. O que ele fala, não mais se realiza. Perdeu os poderes que acreditava serem mágicos e não produto de uma sociedade despolitizada, invertebrada e de um fugaz crescimento econômico. Claro que, para uma pessoa como Lula, com um ego inflado durante décadas por pretensos intelectuais, que o transformaram no primeiro em tudo (primeiro autêntico líder operário, líder do primeiro partido de trabalhadores etc, etc), não deve ser nada fácil cair na real. Mas, como diria um velho locutor esportivo, “não adianta chorar”. Agora suas palavras são recebidas com desdém e um sorriso irônico.

Lula foi, recentemente, chamado de deus pela então senadora Marta Suplicy. Nem na ditadura do Estado Novo alguém teve a ousadia de dizer que Getúlio Vargas era um deus. É desta forma que agem os aduladores do ex-presidente. E ele deve adorar, não? Reforça o desprezo que sempre nutriu pela política. Pois, se é deus, para que fazer política? Neste caso, com o perdão da ousadia, se ele é deus não poderia saber das frequentes reuniões, no quarto andar do Palácio do Planalto, entre José Dirceu e Marcos Valério?

Mas, falando sério, o tempo urge, ex-presidente. Note: “ex-presidente”. Dê um tempo. Volte para São Bernardo e cumpra o que tinha prometido fazer e não fez. Lembra? O senhor disse que não via a hora de voltar para casa, descansar e organizar no domingo um churrasco reunindo os amigos. Faça isso. Deixe de se meter em questões que não são afeitas a um ex-presidente. Dê um bom exemplo. Pense em cuidar do seu legado, que, infelizmente para o senhor, deverá ficar maculado para sempre pelo mensalão. E lá, do alto do seu apartamento de cobertura, na Avenida Prestes Maia, poderá observar a sede do Sindicato dos Metalúrgicos, onde sua história teve início. E, se o senhor me permitir um conselho, comece a fazer um balanço sincero da sua vida política. Esqueça os bajuladores. Coloque de lado a empáfia, a soberba. Pense em um encontro com a verdade. Fará bem ao senhor e ao Brasil.

(por Marco Antonio Villa)

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (veja)

4 comentários

  • Daltro Fogaça Scherer São Leopoldo - RS

    De longe é visto que estes últimos governantes jogaram imensas montanhas de pedras no telhado dos seus antecessores, e esqueceram o seu. Como passivo resultou no MENSALÃO. E COMO FICAM OS SEUS ELEITORES (eu, nos e eles). A banca paga a conta para deixar de ser besta.

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  • JUSTINO CORREIA FILHO Bela Vista do Paraíso - PR

    De pejorativo, mequetrefe, virou categoria de pensamento. Detalhe tem ministros que parecem se orgulhar desta categoria.

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  • JOSE ALUISIO DE BARROS VIDEIRA RIBEIRÃO PRETO - SP

    Repassando...

    SE SÃO FRANCISCO DE ASSIS LESSE ISSO, COM CERTEZA VOLTARIA!!!

    LULA REZANDO...

    QUEM SERÁ QUE ESCREVEU

    ESSA PÉROLA?

    ORAÇÃO DO LULA

    SENHOR...

    Fazei de mim o instrumento do golpe na Constituição...

    para garantir mais uma reeleição.

    Onde houver mutreta... que eu mostre a maleta;

    Onde houver gorjeta... que seja minha teta;

    Que eu tenha dor na munheca... de tanto encher a cueca;

    Em cada licitação... que alguém molhe a minha mão;

    E que no meu endereço, vença o meu preço;

    Onde houver crachá... que não falte o jabá;

    Onde houver ócio... que eu feche o negócio;

    Onde houver propina... que reservem o da vila campesina;

    Mas sem esquecer do MST, das ONGs e do PT;

    Onde houver colarinho branco...que dobre o lucro do banco;

    Onde houver esquema... cuidado com o telefonema;

    E quando tocar o sino... chamem o Genoíno;

    Se mexerem no meu... que venha o Zé Dirceu;

    E, se a proposta for chula... lembrai do custo do Lula.

    Ó Mestre!

    Que eu tenha poder para corromper e ser corrompido;

    Porque é sonegando que se é promovido;

    É mentindo que se vai subindo;

    Pois enquanto o povo sofre com imposto e inflação,

    o índio passa o facão, o sem terra faz a invasão,

    a base aliada entra na negociação

    e a gente vai metendo a mão...

    E que a pizza seja feita pela vossa vontade

    enquanto a grana da publicidade

    levar o povo a aceitar nossa desonestidade

    como se fosse genialidade...

    AMÉM !

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  • JOSE ALUISIO DE BARROS VIDEIRA RIBEIRÃO PRETO - SP

    CAROS BRASILEIROS VEJAM O QUE DESCOBRIRAM !!!! "LULA REZANDO" VEJAM A SEGUIR

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