Mercadante queria que estudantes fizessem o que ele fez em seu “doutorado”: puxar o saco de Lula.

Publicado em 30/10/2012 21:47 e atualizado em 24/05/2013 16:41 2466 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Mercadante queria que estudantes fizessem o que ele fez em seu “doutorado”: puxar o saco de Lula. Demonstro!

Não pensem que a prova de redação é o único absurdo patrulheiro do Enem. Não é não! Há coisa que só não é pior porque não tem a mesma importância dessa prova, que representa 50% da nota total do exame. Um candidato pode acertar, sei lá, 90% das questões, mas “desrespeitar os direitos humanos” segundo o juízo do examinador. Já era! Um candidato que seja considerado um humanista exemplar, no entanto, ainda que notavelmente ignorante, pode suplantar o outro… Prova que permite esse tipo de coisa, entregando ao examinador tal poder discricionário, tem viés totalitário, ainda que não se perceba à primeira vista. Mas vamos ao ministro Aloizio Mercadante.

Ele decidiu fazer a sua própria redação, revelando, no fim das contas, qual era a intenção da prova. Leiam o que disse sobre a escolha do tema da redação:
“Temos uma comissão competente que considerou, entre tantas sugestões de tema, este o mais adequado. Ele pressupõe a capacidade de articular informações e refletir sobre o momento que o Brasil está vivendo. O Brasil é um país que teve uma diáspora, mas, com a estabilidade, a democracia, hoje atrai povos. Acho que é um tema bastante contemporâneo, desafiador e não previsto”.

Voltei
Eis aí. O objetivo era cantar as glórias do governo Lula, a exemplo do que fez Mercadante com sua tese mandraque de doutorado, feita no joelho, lá nos corredores da Unicamp. Já falo um pouco mais a respeito. O Brasil nunca viveu diáspora nenhuma! Isso é uma grande bobagem, mero exagero de retórica.

É a “democracia” que atrai os haitianos para o Brasil ou o fato de que o país entrou no radar daquela pobre gente depois da infeliz intervenção que promove por lá? É a estabilidade que atrai os bolivianos ou a miséria a que está condenada boa parte da população daquele país, que vai perdendo chance de futuro, com Evo Morales, o “querido de Lula”, dia após dia?

A realidade não importa. Ao fazer a sua própria redação, Mercadante — sem limites, como sempre — estabelece, inclusive, aquele que deve ser o norte dos corretores, que ele parece querer transformados num batalhão a serviço de uma causa. Já temos o nosso Ministério da Ideologia.

Tudo é história
No dia 16 de agosto de 2006, peguei Mercadante no pulo aqui no blog. Ele era candidato ao governo de São Paulo. É aquela eleição em que Hamilton Lacerda, seu braço direito, foi flagrado transportando R$ 1,7 milhão para pagar o dossiê dos aloprados. O preclaro contou no ar uma inverdade. Transcrevo trecho ( em azul):
(…)
No debate da TV Gazeta, aquele que ninguém viu — ou quase, hehe —, o candidato do PT ao governo de São Paulo disse: “Fiz mestrado e doutorado [em economia] na Unicamp”. Ops! Não fez, não. Vai ter de mostrar o canudo. Mas, para mostrar, terá de fabricar um primeiro. Busquem lá as informações na universidade: ele até acompanhou algumas aulas do doutorado, mas, como não apresentou a tese, foi desligado do programa. Vaidoso que é, até pode se considerar um doutor honorário — em economia ou no que quer que seja (ele sempre fala com igual convicção sobre qualquer assunto, especialmente os que desconhece). Mas doutor em economia pela Unicamp, ah, isso ele não é. Esses petistas… Ou fazem a apologia da ignorância, como o Apedeuta-chefe, ou tentam exibir galardões intelectuais que não têm.

É isso aí. O “doutor” doutor não era, entenderam? A sua, por assim dizer, tese foi defendida bem mais tarde, só em dezembro de 2010. Redigiu um calhamaço cantando as glórias do governo Lula — o que ele espera que os alunos tenham feito na prova de redação. Convidou para a banca Delfim Netto, João Manoel Cardozo de Mello, Luiz Carlos Bresser Pereira e Ricardo Abramovay. E deitou falação em defesa das conquistas da gestão petista em tom de comício, atacando, claro!, o governo FHC. Até os camaradas ficaram um tanto constrangidos e se viram obrigados a algumas ironias. Destaco, em vermelho, um trecho de uma reportagem, então, da Folha. Vejam que divertido:

Coube ao ex-ministro Delfim Netto, professor titular da USP, a tarefa de dar o primeiro freio à pregação petista. “Esse negócio de que o Fernando Henrique usou o Consenso de Washington… Não usou coisa nenhuma!, disse, arrancando gargalhadas. “Ele sabia era que 30% dos problemas são insolúveis, e 70%, o tempo resolve.” Irônico, Delfim evocou o cenário internacional favorável para sustentar que o bolo lulista não cresceu apenas por vontade do presidente. “Com o Lula você exagera um pouco, mas é a sua função”, disse. “O nível do mar subiu e o navio subiu junto. De vez em quando, o governo pensa que foi ele quem elevou o nível do mar…”
“O Lula teve uma sorte danada. Ele sabe, e isso não tira os seus méritos”, concordou João Manuel Cardoso de Mello (Unicamp), que reclamou de “barbeiragens no câmbio” e definiu o Fome Zero como “um desastre”. À medida que o doutorando rebatia as críticas, a discussão se afastava mais da metodologia da pesquisa, tornando-se um julgamento de prós e contras do governo. Só Luiz Carlos Bresser Pereira (USP) arriscou um reparo à falta de academicismo da tese: “Aloizio, você resolveu não discutir teoria…”. Ricardo Abramovay (USP) observou que o autor “exagera muito” ao comparar Lula aos antecessores. “Não vejo problema em ser um trabalho de combate”, disse. “Mas você acredita que o país estaria melhor se as telecomunicações não tivessem sido privatizadas?”

Entenderam?
Esses eram aqueles que o próprio Mercadante chamou para avaliá-lo, hein!? Eram os “de confiança”. O que vai acima é o relato de uma humilhação intelectual para quem tem parâmetros para entendê-la. Mercadante, um homem destemido, comprovadamente sem medo do ridículo, não teve dúvida: respondeu a questão — ou melhor: não respondeu — atacando o preço dos pedágios em São Paulo!!! E saiu de lá com o título de “doutor”, conquistado com uma peroração de caráter puramente político. 

A época, reproduzi trecho de um post do economista Alexandre Schwartsman (em azul). Relembro:
[para um doutorado] Basta colocar no papel uns tantos elogios ao governante de plantão, juntar meia dúzia de compadres dispostos a participar da farsa, achar um departamento que se sujeite a este tipo de coisa e, parabéns, você é o mais novo doutor em Economia do Brasil, sem ter feito qualquer, minúscula, mísera migalha de contribuição para o desenvolvimento da ciência. De quebra, desmoralizou um título que muita gente boa teve que trabalhar duro para conquistar.
Talvez dê para descer um pouco mais, mas, sinceramente, vão ter que se esforçar.

Encerro
É isso aí. Mercadante arranjou seu doutorado praticamente sem fazer pesquisa, sem lidar com a teoria, sem apelar à ciência. Produziu só ideologia encomiástica.

Assim, que importa que a tese da redação do Enem seja uma bobagem, contestada por 10 entre 10 especialistas com um mínimo de seriedade? De uma tese de doutorado à redação de um aluno do ensino médio numa prova oficial, a ordem é cantar as glórias do regime.

Por Reinaldo Azevedo

 

Eis a tal prova…

Abaixo, transcrevo a prova de redação do Enem. Algumas pessoas estão se esforçando para fazer uma leitura benigna do que vai abaixo. Ok. Cada um ache o que quiser. Daqui a pouco, vou postar mais uma fala deste incrível Aloizio Mercadante, e vocês verão como o tema da prova não deixa de ser uma espécie de desdobramento de sua, digamos, “tese de doutorado”, defendida na Unicamp, na última hora, sob escárnio de Delfim Netto, um dos neoaliados do petismo. A prova segue em vermelho.

Atenção! No manual, a exemplo do que se vê abaixo, não há qualquer marca deixando claro que o segundo parágrafo já integra um dos três “textos motivadores”. Fica tudo misturado. Nas instruções, brilha a quinta: “A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero”. Leiam. Volto neste mesmo post para encerrar e no seguinte para analisar a fala de Mercadante.

PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema O MOVIMENTO IMIGRATÓRIO PARA O BRASIL NO SÉCULO XXI, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Ao desembarcar no Brasil, os imigrantes trouxeram muito mais do que o anseio de refazer suas vidas trabalhando nas lavouras de café e no início da indústria paulista. Nos séculos XIX e XX, os representantes de mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de “fazer a América” e acabaram por contribuir expressivamente para a história do país e para a cultura brasileira.
Deles, o Brasil herdou sobrenomes, sotaques, costumes, comidas e vestimentas. A história da migração humana não deve ser encarada como uma questão relacionada exclusivamente ao passado; há a necessidade de tratar sobre deslocamentos mais recentes.
Disponível em: http://www.museudaimigracao.org.br. Acesso em: 19 jul. 2012 (adaptado).

Acre sofre com invasão de imigrantes do Haiti


Nos últimos três dias de 2011, uma leva de 500 haitianos entrou ilegalmente no Brasil pelo Acre, elevando para 1400 a quantidade de imigrantes daquele país no município de Brasileia (AC). Segundo o secretário-adjunto de Justiça e Direitos Humanos do Acre, José Henrique Corinto, os haitianos ocuparam a praça da cidade. A Defesa Civil do estado enviou galões de água potável e alimentos, mas ainda não providenciou abrigo. 
A imigração ocorre porque o Haiti ainda não se recuperou dos estragos causados pelo terremoto de janeiro de 2010. O primeiro grande grupo de haitianos chegou a Brasileia no dia 14 de janeiro de 2011. Deste então, a entrada ilegal continua, mas eles não são expulsos: obtêm visto humanitário e conseguem tirar carteira de trabalho e CPF para morar e trabalhar no Brasil.
Segundo Corinto, ao contrário do que se imagina, não são haitianos miseráveis que buscas o Brasil para viver, mas pessoas da classe média do Haiti e profissionais qualificados, como engenheiros, professores, advogados, pedreiros, mestres de obras e carpinteiros.  Porém, a maioria chega sem dinheiro.
Os brasileiros sempre criticaram a forma como os países europeus tratavam imigrantes. Agora, chegou a nossa vez – afirma Corinto.
Disponível em : http://www.dpf.gov.br

Trilha da Costura
Os imigrantes bolivianos, pelo último censo, são mais de 3 milhões, com população de aproximadamente 9,119 milhões de pessoas. A Bolívia em termos de IDH ocupa a posição de 114º de acordo com os parâmetros estabelecidos pela ONU. O país está no centro da  América do Sul e é o mais pobre, sendo 70% da população considerada miserável. Os principais países para onde os bolivianos imigrantes dirigem-se  são: Argentina, Brasil, Espanha e Estados Unidos. 
Assim sendo, este é o quadro social em que se encontra a maioria da população Boliviana, estes dados já demonstraram que as motivações do fluxo de imigração não são políticas, mas econômicas. Como a maioria da população tem baixa qualificação, os trabalhos artesanais, culturais, de campo e de costura são os de mais fácil acesso.

OLIVEIRA, R.T. Disponível em: http://www.ipea.gov.b

Encerro
Quem decide o que é e o que não é “respeito aos direitos humanos”? É o examinador, por intermédio de seu braço operacional: os corretores. Um estudante que defendesse, por exemplo, o repatriamento de imigrantes ilegais em defesa da mão de obra brasileira estaria respeitando ou desrespeitando os tais “direitos humanos”? No próximo post, Mercadante entrega o serviço.

Por Reinaldo Azevedo

 

Aloizio Mercadante dá à luz a “Nossa Senhora do Enem”

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, acabou de criar a “Nossa Senhora do Enem”, do mesmo grupo de santas a que pertence “Nossa Senhora de Forma Geral”, criada por Dilma Rousseff numa entrevista ao apresentador Datena — à época, revolucionando a cultura monoteísta cristã, a então candidata petista chamou Nossa Senhora de “deusa”.

Por que isso? Leiam o que vai no Portal G1. Volto em seguida.
A candidata Pâmela de Oliveira Lescano, de 17 anos, que deu à luz momentos antes de prestar prova no segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), neste domingo (4), disse ao G1 MS que recebeu uma ligação do ministro da Educação, Aloízio Mercadante. Segundo a jovem, o ministro afirmou que ela terá uma nova chance de prestar o exame, e que espera conhecê-la pessoalmente, com o filho, quando estiver em viagem ministerial por Mato Grosso do Sul. “Fiquei nervosa na hora, mas ele me disse que dará uma nova chance”, disse a candidata.

Por meio da assessoria de imprensa, o Inep confirmou que o ministro Mercadante entrou em contato com a candidata e que ela poderá fazer a prova entre os dias 4 e 5 de dezembro. Estas são as datas em que o exame será aplicado nos presídios e unidades socioeducativas no país. O caso aconteceu em uma escola pública de Sidrolândia, a 70 km de Campo Grande. Pâmela, que mora com a família em um assentamento rural e cursa o 3º ano do Ensino Médio, conta que não sabia que estava grávida, e que não percebeu qualquer mudança em seu corpo.

“Foi um grande susto para mim, porque sempre tive a menstruação desregulada e tomava injeções de anticoncepcional. Senti muitas cólicas na quinta-feira e fui ao médico, fiz exames mas nem ficaram prontos ainda”, diz. A jovem afirma que o pai da criança é o namorado, com quem vive no assentamento rural.

Pâmela relata que, antes de entrar em sala para prestar o exame, começou a sentir fortes dores e pediu para ir ao banheiro. Lá, instintivamente começou a fazer força até que sentiu a cabeça do bebê. A estudante gritou por socorro e logo foi atendida por uma técnica de enfermagem, que a auxiliou. Minutos depois chegou a ambulância do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu), que levou mãe e filho para o hospital da cidade. De acordo com o Samu, a central foi acionada por volta das 11h40 (horário de MS) pelo diretor da escola. O bebê nasceu sadio, com 3,05 quilos, e se chamará Everton.

Em entrevista coletiva após o término do segundo dia de exames do Enem, o ministro Aloízio Mercadante relatou o caso da candidata sul-mato-grossense. “Um pouco antes do início da prova, ela foi para o banheiro e a coordenadora verificou que tinha lá uma poça de sangue e um bebê chorando. Foi verificar e ela [a candidata] estava com uma criança no colo que tinha acabado de nascer. Tinha uma assistente de enfermagem na escola que deu as orientações, cortou o cordão umbilical e aqueceu a criança. Imediatamente foi acionado o Samu, e foi também fazendo as orientações”.

O ministro também comentou que ligou para Pâmela, para comunicar que o edital previa, no caso dela, o direito de fazer novamente o Enem, daqui a um mês. “Ela é o próprio símbolo desse Enem, e ela mostra também um nível de dedicação e esforço de uma parcela importante desses mais de quatro milhões de brasileiros, do que o Enem representa em termos de oportunidade na vida deles”.

Voltei
Tudo certo! Fico contente, sem ironia, pelo desfecho feliz no caso de Pâmela. A legislação lhe permite fazer a prova em nova data? Ótimo! Mas por que ela seria um “símbolo do Enem”? O “símbolo”, fosse o caso de eleger um, não poderia ser uma dos milhões de outros alunos? Ah, não! O caso Pâmela já vem com todos os ingredientes do proselitismo, não é?

O Enem é, ou deveria ser, um exame para testar proficiência intelectual. Dar à luz no meio da prova pode até compor uma histórica interessante, mas nada diz sobre a condição da estudante. Sendo, aliás, verdadeira a história que ela conta, é preciso ver quem lhe administrava os anticoncepcionais injetáveis e tentar entender por que falhou.

O “símbolo” do Enem (segundo Mercadante) alega nem mesmo saber que estava grávida — o bebê nasceu com mais de três quilos… Sendo isso também verdade, temos aí, isto sim, um exemplo terrível de desinformação e de desconhecimento do próprio corpo. Pâmela seria um símbolo de condições que o Brasil precisa superar.

Mas Mercadante, um dos pré-candidatos do PT ao governo de São Paulo, não resistiu aos holofotes. Acho que ainda não posou ao lado do bebê, mas deve ser grande a tentação de fazê-lo. Em seguida, Alexandre Padilha poderia fazer a sua fotinho, alegando que o atendimento foi feito pelo SAMU. Para não ficar atrás, Marta Suplicy mandaria bater o retrato ao lado de um “ícone da mulher brasileira” — ou algo assim.

Patético!

Por Reinaldo Azevedo

 

PPS cobra da AGU ação para reaver recursos desviados no mensalão

Por Cristina Jungblut, no Globo:
O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), vai apresentar, na próxima terça-feira, pedido de informações na Câmara para cobrar do ministro da Advocacia Geral da União, Luís Adams, explicações sobre o que pasta fez em relação aos desvios de recursos públicos da União relacionados ao escândalo do mensalão. Em nota, o PPS disse que quer informações detalhadas sobre o que foi feito para “reparar financeiramente o Estado, nos casos em que órgãos de fiscalização, como o Tribunal de Contas da União (TCU), identificaram desvio de recursos públicos. A partir do recebimento, a AGU terá 30 dias para responder à Câmara.

Reportagem de O GLOBO publicada neste domingo mostra que a União é lenta nos processo para reaver verbas desviadas. A União teve pelo menos sete oportunidades de recuperar parte do dinheiro público desviado pelo esquema do mensalão, mas os processos abertos pelo TCU não conseguiram levar à recuperação dos recursos. A AGU, conforme O GLOBO, não tentou recuperar os recursos, alegando que “a reparação pecuniária decorrente do esquema já é objeto de ação cível proposta pelo Ministério Público e que tramita na Justiça Federal de 1ª instância”.

“Precisamos saber por que há uma certa lentidão do órgão responsável por representar os interesses jurídicos da União no caso do mensalão. Sobre este episódio, o Brasil acompanha ao longo dos últimos anos o brilhante trabalho do Ministério Público da União e do próprio Supremo. E a AGU? O que fez? “, cobrou Rubens Bueno.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

STF manda apurar ação de Valério no Banco Central

A situação de Marcos Valério vai se complicando a cada dia. Seus quarenta anos de cadeia poderiam lhe acenar com uma possibilidade já nada confortável: cumprir um sexto da pena em regime fechado, depois o semiaberto… Mas ele, definitivamente, não é um réu qualquer — e não só pelo tamanho da pena.  À diferença do que afirmou Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, o mensalão NÃO É uma página virada. Continua agora em processos que correm na primeira instância. Leiam o que informa Flávio Ferreira na Folha. Volto depois.

O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a abertura de investigação para apurar se Marcos Valério de Souza, apontado como o operador do mensalão, realizou tráfico de influência no Banco Central em favor dos bancos Rural e Econômico. A nova apuração, encaminhada para a Justiça Federal do Distrito Federal, foi decidida em agosto pelo ministro Joaquim Barbosa, após a Procuradoria-Geral da República dizer que há “indícios de que foram praticadas condutas ilícitas” nas gestões feitas por Valério no BC — que avaliava processos de socorros financeiros às instituições.

Marcos Valério já foi condenado no julgamento do mensalão a mais de 40 anos de prisão e, nas últimas semanas, tem aventado a possibilidade de revelar mais detalhes sobre esse e outros casos envolvendo petistas. A defesa do empresário enviou um fax ao STF pedindo para ele ser ouvido e relatando temer por sua vida. Ministros entenderam que a movimentação faz parte de uma estratégia de Valério para tentar reduzir as penas.

A defesa de Valério receia que a situação dele se agrave ainda mais, no futuro, com investigações desmembradas do processo do mensalão e enviadas para as primeiras instâncias das Justiças de SP, Minas e Distrito Federal. Essas apurações não ficam no STF por não envolver pessoas com foro privilegiado.
(…)
Relatório da PF (entregue em 2011) afirma que as investidas de Valério tinham como alvo os socorros financeiros ao Banco Mercantil de Pernambuco, do qual o Rural era um dos donos, e ao Banco Econômico. Esses processos estavam em curso no BC na época do mensalão. O trabalho da PF aponta que Valério fez 17 reuniões no BC entre 2003 e 2005, oito delas sobre o levantamento da liquidação extrajudicial do Banco Mercantil de PE, nas quais se apresentava como representante do Rural.

Voltei
Cumpre voltar ao processo de julgamento no Supremo. Essas reuniões de Valério, que negociava em nome do Banco Rural ajudaram a condenar por corrupção ativa a banqueira Katia Rabello e o ex-ministro José Dirceu.

Que instituição era o Banco Central do Brasil para receber por 17 vezes um lobista como Marcos Valério? É um vexame — para dizer pouco.

Por Reinaldo Azevedo

 

Um cadáver volta a assombrar a República petista: o de Celso Daniel. Partido decide adiar seu manifesto contra o STF e a “mídia golpista”

Sempre que está acuado, não importa o assunto – uma disputa eleitoral ou uma investigação policial –, o PT parte para o ataque. Infelizmente – para o país e para a ordem dos fatos –, costuma ser bem-sucedido. Vimos isso recentemente, na disputa eleitoral em São Paulo. Desde que Lula decidiu que o candidato seria mesmo Fernando Haddad, o partido iniciou uma intensa campanha acusando forças supostamente obscurantistas e a oposição de explorar a questão do kit gay. Quem quer que faça uma pesquisa vai constatar que os adversários do partido mal tocavam no assunto. Era só uma reação preventiva para conquistar, como conquistou, a imprensa. Tocar no tema passou a ser visto como coisa reacionária, conservadora, religiosa. Mais ainda: inverteu-se o ônus do tema. O tucano José Serra é que passou a ser literalmente perseguido por jornalistas para se posicionar a respeito, sendo acusado de explorar um tema que não diria respeito à cidade – o que, de resto, é falso porque há milhares de alunos da rede municipal de ensino.

Muito bem! Qual foi a consequência? O kit gay ficou longe da campanha. O tema não foi levado ao horário eleitoral gratuito ou aos debates na TV. A questão ficou circunscrita aos jornais, que atingem uma fatia mínima do eleitorado, e mal chegou às rádios. O PT conseguiu, assim, com o barulho que fez junto aos chamados “setores formadores de opinião”, blindar Fernando Haddad, preservando-o de sua própria obra. O ministro que autorizou a produção de um material – destinado a alunos a partir de 11 anos – que sustentava a superioridade da bissexualidade no cotejo com a heterossexualidade e que estimulava o debate sobre pessoas insatisfeitas com seu órgão genital não teve de responder por suas escolhas. O mais impressionante: Serra, que não tocou no assunto, foi acusado de estimular o preconceito. Um sedizente “cientista social” afirmou que sua campanha estaria contaminada pelo “ódio”. O PT, em suma, fez um movimento preventivo e se deu bem. Até alguns tucanos de alta plumagem, para não variar, falaram besteira a respeito, apontando o erro de uma suposta campanha contaminada pela religião.

O caso da CPI do Cachoeira
Enquanto o ministro Ricardo Lewandowski permanecia sentado sobre a revisão do processo do mensalão – Lula havia prometido aos seus e a Marcos Valério que o julgamento jamais ocorreria; talvez “em 2050”, ele profetizou –, o próprio Apedeuta e José Dirceu urdiram pelas costas até da presidente Dilma a CPI do Cachoeira. Alguém buzinou informações erradas ao ouvido dos dois patriotas, sustentando que a Operação Monte Carlo tinha potencial para liquidar com a oposição, com a imprensa independente, com o procurador-geral da República e até com ministros do Supremo. No dizer de Rui Falcão, presidente do PT e pensador refinado, a bancada do PT na Câmara e no Senado defendia uma CPI “para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”. Tudo parecia caminhar bem até que surgiram na mesa os nomes de Fernando Cavendish e Sérgio Cabral. Aí os petistas precisaram correr com o rabo enfiado entre as pernas. Afinal, ficou claro, Carlinhos Cachoeira era só um peixe pequeno de um escândalo gigantesco, que iria estourar no Palácio do Planalto. Mas, como resta evidente, houve, sim, a tentativa de usar a CPI para melar o julgamento. Parte da imprensa aderiu inicialmente à farsa.

Depois da condenação…
Condenado Marcos Valério, o PT passou a viver o pânico da concessão do benefício da delação premiada ao empresário. Sabe que os 40 anos de cadeia não são coisa trivial e que seu antigo aliado está injuriado. Alguém na sua situação pode, sim, decidir se safar contando o que sabe. Então o PT resolveu correr de novo para a galera. Passou a acusar nada menos do que o próprio STF de se comportar como tribunal de exceção. De quebra, promete levar adiante a luta pela “regulamentação da mídia golpista” e discutir o financiamento público de campanha. O partido havia prometido um manifesto para quinta-feira, mas parece ter adiado em face das notícias que começaram a circular sobre o depoimento de Valério.

Agora ao ponto
Recuperem o noticiário de janeiro de 2002, por ocasião do assassinato do prefeito Celso Daniel. Antes que qualquer pessoa aventasse publicamente a possibilidade de que o PT pudesse ter algum envolvimento com a morte, os petistas botaram a boca no trombone e saíram acusando a suposta tentativa de incriminar o partido, exigindo, em tom enérgico, que a polícia fizesse alguma coisa. Montou-se uma verdadeira operação de guerra para controlar o noticiário. No arquivo do blog, vocês encontram alguns textos a respeito. Celso foi o primeiro de uma impressionante fila de oito cadáveres relacionados ao caso. O prefeito morto era já o coordenador do programa de governo do então pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. O partido seria o primeiro a ter motivos para desconfiar de alguma motivação política para o sequestro e imediato assassinato. Deu-se, no entanto, o contrário: o partido praticamente exigia que a polícia declarasse que tudo não havia passado de crime comum.

O último morto, por causa desconhecida (!), foi o legista Carlos Delmonte Printes, que assegurou que Celso fora barbaramente torturado antes de ser assassinado. Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do PT que acompanhou o caso em nome do partido e teve acesso ao cadáver, assegurou à família de Celso, no entanto, que não havia sinais de tortura. O fato é conhecido porque foi denunciado pela família do prefeito.

Gilberto Carvalho, braço direito de Celso na Prefeitura, movimentou-se freneticamente logo após a morte do “amigo” para que prevalecesse a versão do partido: crime comum. O esforço deixou um rastro de conversas gravadas que vieram a público. Tudo muito impressionante. Leiam, por exemplo, este diálogo em que Sérgio Sombra, acusado de ser ao assassino de Celso, entra em pânico e pede para falar com Carvalho. Alguém garante que está sendo montado “um esquema”. Sombra, no diálogo abaixo, é o “personagem A”.

A – Ô Dias!
B – Oi chefe!
A – Onde é que você está cara?
B – Tô na avenida (…). Eu tô saindo, to indo praí.
A – (…) Fala prá ligá nesse instante (…) Pará de fazer o que está fazendo.
B – Peraí, Peraí, Perai. Ei! Oi! Escuta o (…) Já está aí onde está todo mundo (…) Alô!
A – Ô meu irmão!
B – Cara cê está no sétimo? 
A – Ô meu! O cara da Rede TV está me escrachando, meu chapa! Tá falando que… Tá falando que é tudo mentira, que o carro tá pegando, que não destrava a porta, que sou o principal suspeito.
B – Ô cara! Deixa eu te falar. O que hoje tá pegando contra você é esse negócio do carro. Nós temos que fazer é armar um esquema aí: “porque as empresas de (…) junto com a Mitsubishi, por razões óbvias de mercado, se juntaram para dizer que você está mentindo, que o câmbio está funcionando”…Entendeu? Então é o seguinte…
A – Peraí. Perai, péra um pouquinho.
B – (…) Pô! Pegá o que Porra?
A – Chama o Gilberto aí! Chama o Gilberto! Tem que armar alguma coisa!
B – Calma!
A- Eu tô calmo. Quero é que as coisas sejam resolvidas.

Outro diálogo: “Puta! Tá dez!”
Há outro diálogo bastante interessante. Alguém liga para Ivone, tornada pelo partido a “viúva oficial” de Celso — consta que era sua “namorada” à época… E lhe dá nota dez por sua performance como “viúva” numa entrevista. Vocês entenderam direito. Leiam. Ivone é a personagem B.

A – Oi!
B – Oi meu amor. O Xande quer falar com você. Tá bom?
A – Ok.
B – Tchau.
C – Como vai minha querida?
A – Vou assim. Arrastando.
C – Ótima a sua entrevista! Viu?
A – Você gostou Xande?
C – Eu gostei muito mesmo.
A – É importante a sua opinião pra mim porque estou totalmente sem referência. Né?
C – Eu achei muita boa. Entendeu. Tá super. Tem coisas… tá perfeito!
(…)
B – Hoje tem uma coisa. Programa pra ir na Hebe.
A – É. Porque vai a mulher… a viúva do Toninho.
B – Sabe que o Genoino quer. E é uma merda né. Uma merda.
A – Olha. Se você falar o que falou ai está 10. Puta! Tá 10, não parece estrela, a dor de uma viúva. Tá dez!

Como se nota, a morte do “companheiro” havia se transformado apenas numa questão de marketing e de guerra para ganhar a “mídia”. Com direito a nota pela performance da, sei lá como chamar, “atriz” talvez.

Retomo
Já lhes contei aqui. Mesmo a ala petista da família Daniel rompeu com o PT. Um dos irmãos, Bruno, teve de se exilar na França com mulher e filhos. Estavam sendo ameaçados de morte no Brasil. Outro irmão relatou que Celso havia lhe contando que Carvalho era o portador de malas de dinheiro de um propinoduto de Santo André para o então presidente do PT, José Dirceu. Os dois negam.

Vale a pena, reitero, por curiosidade quase científica, voltar ao noticiário daqueles dias para constatar a frenética movimentação preventiva do partido, certo de que poderia conduzir para onde quisesse a opinião pública. Passada uma semana, quem estava na defensiva era a polícia paulista… Agora, Marcos Valério denuncia ao Ministério Público que o PT tentou fazê-lo participar de uma esquema para silenciar. com dinheiro, pessoas que estariam chantageando Lula e Carvalho, podendo implicá-los no assassinato de Celso. Valério diz que não participou, mas dá a entender que tem mais detalhes da operação, que teria sido realizada. Diz que sabe até que banco foi usado na operação.

Vamos ver. Uma coisa é certa: o cadáver de Celso Daniel volta a se agitar no armário. E o PT decidiu adiar o seu manifesto contra o STF e a “mídia golpista”.

*
PS – Reitero: a vida de Marcos Valério vale mais a cada dia. E, por isso mesmo, também vale menos… Se o STF não tomar as devidas precauções, o óbvio acontece. Porque o óbvio sempre acontece.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ministros do STF defendem proteção para Marcos Valério

Na Folha:
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvidos pela Folha defendem que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, operador do mensalão e condenado pelo tribunal a mais de 40 anos de prisão, receba algum tipo de proteção do Estado. Para eles, se Valério afirma temer pela sua vida, isso não pode ser subestimado. O empresário se diz disposto a revelar ao Ministério Público detalhes inéditos sobre o esquema que ajudou a organizar durante o governo Lula.

Novos depoimentos não terão interferência no julgamento do mensalão, que está na fase final. Mas podem resultar em novas investigações ou contribuir para outros inquéritos em curso. Os ministros do STF não descartam a possibilidade de que Valério esteja apenas tentando tumultuar o julgamento. Um deles, que pediu reserva, afirmou que não há mais espaço para suas promessas. Já o ministro Marco Aurélio Mello afirma que está na hora de o operador do mensalão “desembuchar, não falar em doses homeopáticas”.

O ministro defendeu que o Estado “proporcione aparato de segurança” a quem “se mostrar disposto a colaborar”. “Depois da porta arrombada, não adianta colocar cadeado”, justificou. “Na área da delinquência, falo de forma geral, o jogo é pesado.” Caberá ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, analisar o caso. Valério poderia ser incluído no Sistema Nacional de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, podendo mudar de cidade e trocar de nome.

Gurgel também poderia pedir auxílio à Polícia Federal, que passaria a monitorar o réu constantemente e analisar se o risco de vida é real. Já na prisão, ele poderia ainda ter tratamento diferenciado, como ficar em cela isolada. Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, Valério prestou um depoimento a Gurgel no fim de setembro, quando teria mencionado Lula e o ex-ministro Antonio Palocci.

Reportagem da revista “Veja” desta semana afirma que Valério também teria informações sobre o envolvimento do PT com o assassinato do prefeito petista de Santo André, Celso Daniel, em 2002. Segundo a revista, Valério diz que o PT pediu dinheiro, em 2003, para silenciar pessoas que ameaçavam implicar no crime o ex-presidente Lula e o ministro Gilberto Carvalho, que chefiou o gabinete de Lula e hoje chefia a Secretaria-Geral da Presidência. Os dois teriam sido extorquidos pelo empresário Ronan Maria Pinto, apontado como integrante de uma quadrilha que desviava recursos da Prefeitura de Santo André. Valério diz ter sido contatado pelo então secretário-geral do PT, Silvio Pereira, e que um banco arranjou o dinheiro.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

Oposição cobra que Procuradoria Geral da República investigue denúncias de Marcos Valério

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Lideranças da oposição reagiram neste sábado às novas revelações do operador financeiro do mensalão, Marcos Valério, publicadas por VEJA. A edição que chegou às bancas nesta sexta-feira mostra como o publicitário procurou o Ministério Público Federal para contar parte do que, até então, mantivera oculto – o que inclui até um elo com o caso Celso Daniel.

O presidente do PPS, Roberto Freire, diz que a reportagem torna ainda mais urgente a abertura de um inquérito na Procuradoria Geral da República para apurar os aspectos ainda desconhecidos do esquema de Marcos Valério – especialmente a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mensalão. Representantes da oposição já tinham agendado uma ida à PGR nesta terça-feira; eles pedirão que o Ministério Público abra um inquérito para investigar o papel de Lula no esquema do mensalão. ”Nós temos que nos posicionar, não podemos esperar. A cada dia surgem novos fatos. Nós precisamos que o Ministério Público abra um novo inquérito para investigar tudo isso”, disse Roberto Freire, presidente do PPS.

 O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias, diz que a caixa-preta petista deve ser objeto de apuração: “Isso é muito sério. É preciso que haja a abertura do inquérito e que se leve a fundo a investigação”, disse o senador. Líder do PPS na Câmara, o deputado Rubens Bueno (PR) diz que as novas informações sobre o caso Celso Daniel mostram, mais uma vez, a complexidade das ações criminosas envolvendo o PT:  ”Isso não vai acabar tão cedo. Cada vez que você mexe, você puxa um fio de uma meada maior. E chega ao Lula. Nada disso aconteceu sem o seu conhecimento e sem sua ordem de comandante do processo.” A ida à PGR na próxima semana não foi consenso entre os três partidos de oposição: o comando do DEM avalia que um eventual arquivamento da representação contra Lula poderia ser visto como uma absolvição do petista. O PSDB também titubeia. O PPS não: “Os outros partidos que tomem o caminho que quiserem. O PPS vai cumprir a sua obrigação”, diz Rubens Bueno.

Revelações
O relato do publicitário à PGR, feito em um depoimento prestado em setembro, dá conta de que Lula e seu braço-direito, Gilberto Carvalho (atual secretário-geral da Presidência), estavam sendo extorquidos por figuras ligadas ao crime de Santo André – em especial, o empresário Ronan Maria Pinto, apontado pelo Ministério Público como integrante de um esquema de cobrança de propina na prefeitura que fora comandada pelo petista Celso Daniel, assassinado em 2002.

Procurado por integrantes do PT para dar aos achacadores o dinheiro que eles buscavam, Valério recusou: “Nisso aí, eu não me meto”, disse ele em um encontro com Sílvio Pereira, então secretário-geral do PT, e Ronan.  Valério também contou aos investigadores ter informações sobre o papel de Lula no esquema do mensalão. Mas ainda não disse tudo o que sabe: o publicitário quer garantias de que, em troca da delação, pode ter benefícios no cumprimento de sua pena.  Valério foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 40 anos de prisão. É provável que sua delação tardia não tenha grandes efeitos sobre a pena que terá de cumprir. Mas pode ajudar o país a resolver questões que ficaram sem resposta nos últimos anos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Sobrou só Marco Maia no PT para atacar Valério? Entendo. O nome “Celso Daniel” provoca calafrios

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) anda mesmo lerdo das ideias ou só está fingindo? Pode ser qualquer ponto entre uma coisa e outra. Ele agora deu pra ser juiz do depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público Federal. Leiam o que informa a Folha, com texto do “Valor”. Volto em seguida.

Marco Maia considera lamentável depoimento de Valério que cita Lula

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), classificou nesta quinta-feira (1º) como lamentável o depoimento do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza à Procuradoria, em que ele faria novas revelações sobre o esquema do mensalão envolvendo o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Antonio Palocci.

Valério prestou novo depoimento ao Ministério Público Federal no fim de setembro e citou o ex-presidente e o ex-ministro, de acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”. O empresário é apontado como o operador do mensalão e foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“Eu colocaria essas afirmações e esse suposto novo depoimento do Marcos Valério no que nós chamamos de ‘jus sperniandi’. Depois do julgamento, de todas as análises feitas, todas as investigações feitas, eu diria que não cabe mais nenhum tipo de ilação sobre esse tema e principalmente, com essa intenção de envolver o presidente Lula nessa investigação”, afirmou o presidente da Câmara, acrescentando que a possível participação de Lula no caso já foi exaustivamente investigada.

Na avaliação do presidente da Câmara, o depoimento não deve preocupar o PT. “Isso já foi exaustivamente investigado, teve duas CPIs na Câmara dos Deputados que trataram desse tema, já foi investigado pelo Ministério Público, pelo próprio Supremo Tribunal Federal”, declarou.
(…)

Voltei
O PT ficou de lançar hoje um manifesto à nação contra o Supremo Tribunal Federal e a “mídia golpista”. Mal posso esperar. Deve ser mesmo encantador. Em matéria de “jus sperneandi”, convenham, ninguém supera a gritaria bucéfala e obscurantista que o partido vem promovendo contra a democracia.

Quanto ao mensalão, dizer o quê? Ou é lerdo das ideias ou está mal informado — ou algo entre um ponto e outro.

O mensalao não acabou. Se a Justiça de primeiro grau se levar a sério — e as instâncias seguintes, eu diria que mal começou. Marcos Valério, tudo indica, fez novas revelações. Ao Ministério Público, havendo indícios robustos, cabe a apuração preliminar e, se for o caso, o oferecimento de denúncia.

É bom lembrar que o caso do BMG, aquele que concentra a maior quantidade de atos de ofício — desta feita, ASSINADOS — por centímetro quadrado de processo, ainda pode chamar para o centro da dança ninguém menos do que o Apedeuta-chefe. E essa é a razão da gritaria.

Encerro indagando: não sobrou ninguém mais graduado no PT para tentar desmoralizar Marcos Valério? É, parece que os companheiros ficaram meio assustados.

Eu entendo. O nome “Celso Daniel” provoca calafrios e pesadelos em certas áreas do partido.

Por Reinaldo Azevedo

 

Nitroglicerina pura – Valério dá novo depoimento ao Supremo, pede para integrar programa de proteção à testemunha e cita Lula, Palocci e… o assassinato do prefeito Celso Daniel!!!

Uma possibilidade de que tratamos tantas muitas nos debates da VEJA.com pode ir tomando contornos de realidade. Marcos Valério prestou novo depoimento ao Ministério Público. Em suas revelações, cita Luiz Inácio Lula da Silva, Antonio Palocci e o assassinato do prefeito Celso Daniel. VEJA já havia revelado que ele estava interessado na delação premiada. Alguns detalhes de seu novo depoimento vêm a público no dia que o PT promete soltar uma espécie de manifesto contra o Supremo Tribunal Federal e aquilo que o partido chama “mídia”. Ontem, não se esqueçam, a primeira mulher de José Dirceu, numa entrevista obviamente consentida pelo ex-marido, afirmou que ele e Genoino estão protegendo… Lula! Leiam trechos da reportagem de Ricardo Brito e Fausto Macedo, no Estadão:

Empresário condenado como o operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza prestou depoimento ao Ministério Público Federal no fim de setembro. Espontaneamente, marcou uma audiência com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Fez relatos novos e afirmou que, se for incluído no programa de proteção à testemunha – o que o livraria da cadeia -, poderá dar mais detalhes das acusações.

Dias depois do novo depoimento, Valério formalizou o pedido para sua inclusão no programa de testemunhas enviando um fax ao Supremo Tribunal Federal. O depoimento é mantido sob sigilo. Segundo investigadores, há menção ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-ministro Antonio Palocci e a outras remessas de recursos para o exterior além da julgada pelo Supremo no mensalão – o tribunal analisou o caso do dinheiro enviado a Duda Mendonça em Miami e acabou absolvendo o publicitário.

Ainda no recente depoimento à Procuradoria, Valério disse já ter sido ameaçado de morte e falou sobre um assunto com o qual parecia não ter intimidade: o assassinato em 2002 do então prefeito de Santo André, Celso Daniel.

A “troca” proposta pelo empresário mineiro, se concretizada, poderá livrá-lo da prisão porque as testemunhas incluídas no programa de proteção acabam mudando de nome e passam a viver em local sigiloso tentando ter uma vida normal. No caso da condenação do mensalão, Valério será punido com regime fechado de detenção. A pena ultrapassou 40 anos – o tempo da punição ainda poderá sofrer alterações no processo de dosimetria. O empresário ainda responde a pelo menos outras dez ações criminais, entre elas a do mensalão mineiro.
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Por Reinaldo Azevedo

 

Sei não… Acho que a ex-mulher de Dirceu foi escalada para enviar um recado ao Apedeuta: “Ele está pagando pelo Lula. Ou você acha que o Lula não sabia das coisas…?”

É…

Interessante um texto publicado hoje no Estadão, de Débora Bergamasco.  Ela entrevista Clara Becker, 71, a primeira mulher de José Dirceu, com quem ele ficou casado quatro anos.  Só que usava nome falso: Carlos Henrique Gouveia de Mello. Veio a anistia, ele olhou pra ela, disse o famoso “eu não sou eu” e se mandou. Mas ela o perdoou, a a gente nota!  É a mãe do deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR).

Clara e Dirceu, tudo indica, estão em permanente contato. Mãe do deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), que já demonstrou ter herdado um pouco da, vá lá, esperteza do pai, é certo que ela não concederia uma entrevista sem a autorização do ex-marido. Dada a delicadeza da coisa, em casos assim, o entrevistado — ou quem negocia em seu nome… — costuma ter algum controle sobre o que sai publicado. Em suma, estou inferindo que Dirceu sabia, sim, o que Clara iria dizer. E o que ela disse? Que tal isto?

“Se ele [Dirceu] fez algum pecado, foi pagar para vagabundo que não aceita mudar o País sem ganhar um dinheiro (…) Se ele pagou, foi pelos projetos do Lula, que mudou o Brasil em 12 anos”. Referindo ao ex-marido e a Genoino, manda brasa: “Eles estão pagando pelo Lula. Ou você acha que o Lula não sabia das coisas, se é que houve alguma coisa errada? Eles assumiram os compromissos e estão se sacrificando”

Sou quase tentado a ver a mão de advogado em certas declarações: “Se ele fez algum pecado…; se é que houve alguma coisa”… Dirceu pode estar tão no controle do que foi publicado que há até passagens nas quais ele não aparece exatamente bem — ao menos segundo a, digamos, moral convencional. Um bom despiste. Querem ver?

Quando o tal Carlos falou que era Dirceu e que suas prioridades eram outras, não houve uma separação imediata. Leiam este trecho:
Para ela, o único golpe foi ir a São Paulo e encontrar cabelos pretos de mulher no banheiro. Descobriu que era traída. “O Dirceu me disse: ‘Se eu tenho outra é um problema, agora se a gente vai se separar é outra questão’. E eu: ‘Não, senhor, acabou aqui, cara’. Peguei minhas coisas, o moleque pela mão e fui embora. Hoje, me arrependo, se eu não tivesse deixado o campo limpo, estaria com ele…”, imagina.

Huuumm… O sujeito de duas caras e de dois nomes também ambicionava ter ao menos duas mulheres. Parece que ele tentou ali negociar uma relação política com a companheira, que passava pela traição consentida. Ele tinha um jeito bem pouco convencional de entender também a República… Essa frase permite algumas permutas, como esta: “Seu eu corrompi alguém, é um problema; se eu vou ser punido, é outro problema”.

A reportagem termina assim:
Em um de seus últimos encontros com o ex-marido, Clara o fez chorar: “Eu disse a ele: ‘A nossa ampulheta está acabando, você não se tocou, hein, garoto? Mas se um dia você precisar de mim, eu venho cuidar de você’. Ele ficou todo apaixonado e prometeu que ia me comprar um cordão de ouro igual ao que o ladrão me roubou. Mas não comprou, né, só falou…”

Entendo.

Algo de atrapalhado se passa nos porões do petismo. Marcos Valério, como revelou VEJA, quer discutir o benefício da delação premiada. E a mãe do filho de Dirceu, um deputado federal que nada tem de ingênuo, decide dizer que, se o ex-marido fez algo de errado, Lula sabia de tudo. Ninguém duvida disso, é evidente. A questão é saber que peso isso tem vindo de Dirceu e qual é a o preço.

Por Reinaldo Azevedo

 

CPI do Cachoeira deve ser prorrogada por apenas 48 dias

Gabriel Castro, na VEJA.com. Volto depois.

A CPI do Cachoeira deve ser prorrogada por apenas 48 dias, o que impedirá o avanço na apuração dos tentáculos da construtora Delta pelo país. Nesta quarta-feira, a maioria dos integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito decidiu adiar a votação dos requerimentos que estavam em pauta – o que abre caminho para o fim das investigações sem novos depoimentos e quebras de sigilo.

A base aliada defende apenas mais 48 dias de trabalhos. Esta é a sugestão do relator Odair Cunha (PT-MG). Já a oposição tentava recolher assinaturas para garantir a prorrogação por 180 dias para que a comissão pudesse quebrar o sigilo de empresas abastecidas por recursos da Delta. Mas os próprios oposicionistas admitem que será impossível.

“Nós estamos decretando o encerramento desta CPI. E vem à tona a lembrança de que, no início, se propalou que a CPI tinha dois objetivos: desviar as atenções da opinião pública do julgamento do mensalão e ferir de morte um partido de oposição no estado de Goiás”, afirmou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), fazendo menção ao DEM, ao qual pertencia o ex-senador Demóstenes Torres, que teve o mandato cassado por envolvimento com o contraventor Carlos Cachoeira.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que a recusa em quebrar o sigilo dessas empresas foi “uma das maiores vergonhas da história do Congresso brasileiro”.

Odair Cunha argumentou que a prioridade agora é construir o relatório final da CPI. “Há um acordo de líderes, gostem ou não alguns dos parlamentares. A questão é que há um entendimento de que a prorrogação deve ser feita para a leitura e discussão do nosso relatório”, disse o petista. “A morte da CPI seria se nós não tivéssemos condições regimentais de encaminhar toda essa documentação que a CPI tem aos órgãos permanentes de investigação.”

Se não tivesse o tempo de funcionamento prorrogado, a CPI chegaria ao prazo final de 180 dias sem um relatório. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito foi iniciada em abril. Mas, com as eleições municipais, interrompeu os trabalhos durante os últimos dois meses.

Por Reinaldo Azevedo

 

A Dança dos Sete Lenços é uma boa imagem para simbolizar o que o PT fez com a CPI do Cachoeira — Ou: A Grande Vergonha

Sérgio Côrtes, secretário da Saúde, e Carlos Wilson, secretário de governo, fazem papel ridículo em Paris ao lado de Cavendish, aquele já com a fralda (a da camisa) fora da calça

A CPI do Cachoeira (ver post anterior) vai chegando ao fim como começou: uma farsa! Nunca foi para valer. E é assim por vontade dos governistas. Lula e José Dirceu, a partir de informações fragmentadas e falsas, acreditavam que poderiam destruir a “mídia” — que é como eles chamam a imprensa independente — e a oposição. Num primeiro momento, a imprensa surfou também na onda (os arquivos não me deixam mentir) e simplesmente ignorava o óbvio: a empresa que estava no centro do escândalo chamava-se… DELTA! Demóstenes Torres, justamente punido, era apenas a personagem vistosa que desviava o escândalo do seu centro. Escrevi um post a respeito no dia 8 de abril de 2012. Reproduzo um trecho.

*
A memória seletiva de certos setores da imprensa faz lembrar, às vezes, a seletividade dos que estão vazando informações sobre a Operação Monte Carlo. A construtora Delta, a empresa que mais toca obras do PAC, aparece, segundo relatório da Polícia Federal, atuando para o esquema de Carlinhos Cachoeira.

Delta, Delta, Delta… Esse nome não nos é estranho, certo?

Como lembrei aqui no dia 2 de dezembro do ano passado, o dono da empresa, Fernando Cavendish, é um homem que tem amigos poderosos. Dois dos mais destacados são Sérgio Cabral, governador do Rio, e José Dirceu, o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR). No Rio, a Delta toca obras de R$ 600 milhões. Pelo menos R$ 164 milhões desse total foram contratados sem licitação. Naquele trágico fim de semana de junho, em que um acidente de helicóptero matou sete pessoas no litoral baiano, incluindo a nora de Cabral, o governador integrava o grupo que estava na Bahia para comemorar o aniversário de Cavendish. Cabral viajou àquele estado no avião particular de outro potentado do setor privado: Eike Batista (se quiser mais sobre o mundo cabralino, clique aqui).Adiante.

Cavendish cresceu muito durante o governo petista. Teve um “consultor” de peso: Dirceu. No começo de maio do ano passado, VEJA publicou uma reportagem sobre a meteórica ascensão de Cavendish.

Voltei
Pois é, caras e caros! Os mais de quatro milhões de acessos a este blog neste mês de outubro fazem sentido, né? Não dá pra negar que este bloguinho costuma ver com mais aguda vista, como diria Padre Vieira, a natureza do jogo. Quando escrevi o post acima, a Delta era tratada como uma personagem lateral do imbróglio. Afinal, o objetivo de Lula e Dirceu, que forçaram a mão para criar a CPI, era pegar a imprensa, a oposição e o então senador Demóstenes Torres — que foi justamente cassado à esteira da lambança.

Foi justamente cassado, mas que se reitere: era um homem de Cachoeira numa das atividades do contraventor: o jogo do bicho e seus derivados, que só às vezes se cruzavam com o imbróglio Delta. Esse era outro departamento. Cachoeira era o representante da empreiteira no Centro-Oeste. A empresa tinha outros braços, bem mais produtivos e ricos. Ficou, desde sempre, no ar a pergunta: quem era o Cachoeira de Cavendish no Rio de Janeiro, por exemplo?

Vejam lá o meu texto de 8 de abril. Ali eu já lembrava parte das folias de Cabral com Cavensih, e a dança dos Sete Lenços em Paris ainda não havia se tornado pública. Também havia certo esforço para ignorar o óbvio: Cavendish era, por excelência, o “homem do PAC”…

Com o apoio da Al Qaeda eletrônica, o PT fez o diabo para ignorar Cavendish. Queria era levar a imprensa para o banco dos réus. Não conseguiu. Mas os que se organizaram para investigar efetivamente o escândalo também não lograram sucesso.

Termina como farsa
O que começou como farsa como farsa termina. É espantoso que essa comissão chegue ao fim sem investigar a Delta e seu laranjal. Cavendish fez aparição relâmpago na CPI munido de habeas corpus para não se incriminar, é verdade, mas isso não impediria a comissão, se quisesse, de apurar a lambanças de sua empresa.

O problema é que ninguém queria investigar nada. Como ficou claro desde o início, o objetivo era jogar na fogueira a imprensa independente e a oposição. O alvo? Ora, deixemos que Rui Falcão, este notável pensador, o revele. Transcrevo trecho de sua fala num vídeo tornado público no dia 11 de abril:

“A bancada do PT na Câmara e no Senado defende uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão. É preciso que a sociedade organizada, movimentos populares, partidos políticos comprometidos com a luta contra a corrupção como é o PT, se mobilizem para impedir a operação abafa e para desvendar todo o esquema montado por esses criminosos, falsos moralistas que se diziam defensores da moral e dos bons costumes”.

Viram só? Ele deixava claro que o objetivo da CPI era, na verdade, criar uma onda que embaralhasse o julgamento do mensalão no Supremo. Não se esqueçam de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, era outro dos alvos do petismo. E vejam ali a asquerosa convocação aos “movimentos populares” e à “sociedade organizada” para impedir o que ela chamava de “operação abafa”.

A CPI do Cachoeira sempre teve uma esmagadora maioria de governistas. Como poderia a minoria organizar a “operação abafa”?

A fala de Falcão era, obviamente, uma farsa. O PT e os partidos aliados comandam, agora, o enterro da CPI sem investigar Cavendish, sem investigar a Delta, sem investigar a atuação da empreiteira no Rio, sem investigar a atuação da empreiteira no próprio governo federal. De quebra, ainda assistimos, no meio do caminho, à frenética movimentação de setores do governo para tentar vender a empreiteira-problema ao grupo JBS — de que, ora, ora, é sócio o BNDES. O troço só não prosperou porque começou a beirar a pornografia. Não que eles repudiem esse estágio da degradação. É que tudo ficou muito na vista, e, como escreveu Camões, o dano poderia ser maior do que o perigo.

Eis aí…  Cachoeira tem de pagar pelos seus crimes, é claro! Já está pagando. Mas ele, é evidente, era apenas um peixe de médio porte. Os petistas deram um jeito de acabar com a CPI para preservar os tubarões, a si mesmos e a seus aliados. É evidente que deveria ser oferecido ao bicheiro o benefício da delação premiada. Não sei se ele toparia. Ele tem motivos para ter medo. A turma não brinca em serviço.

Por Reinaldo Azevedo

 

SEGURANÇA – Governo de SP tem a prova de que pediu a colaboração do Planalto e é tratado como mentiroso em certa imprensa; Cardozo, que não tem como provar a acusação feita a SP, é tratado como fonte da verdade. O nome disso é campanha eleitoral antecipada

Espalhem este post, para debate, os que repudiam a manipulação, a mentira e o desassombro do que querem usar a vida e a segurança dos paulistas como instrumento de guerrilha eleitoral.

Vejam esta primeira página de um ofício datado de 29 de junho de 2012. Nele, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, pede a colaboração do governo federal para a implementação de alguns programas. Não recebeu resposta nenhuma! Ou melhor: recebeu! Na Folha do dia 29 deste mês, José Eduardo Cardozo, com grosseria ímpar, mandou ver: “O governo federal não é a Casa da Moeda”. Vejam parte do documento. Volto em seguida.

 

Voltei
O governo federal deflagrou, com a ajuda de setores da imprensa — infelizmente, do noticiário da Globo também (trata-se de ajuda objetiva; se é intencional, isso é outra conversa) —, a campanha eleitoral de 2014 em São Paulo antes mesmo de encerrar a de 2012. Tenta-se usar contra o governo de Geraldo Alckmin a mesma acusação que Fernando Haddad fez contra Gilberto Kassab: negar-se a fazer parcerias com o governo federal — nesse caso, na área de segurança. A principal personagem da farsa é o ministro da Justiça — apontado, pasmem!, como pré-candidato a uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Não se haviam passado ainda 24 horas do desligamento das urnas, Rui Falcão já anunciava um acordo com… Kassab!!! Ou por outra: as acusações eram mentirosas. Buscavam apenas criar um movimento de opinião pública contra a candidatura do tucano José Serra, apresentando como se fosse… Kassab, aquele que teria recusado ajuda para creches. Tanto um não era o outro que o prefeito já está no colo do PT, e Serra continua a ser satanizado pelo petismo e pela escória jornalística, tanto a velha como a renovada (já que se fala em renovação…). Nota curiosa: nos dois casos, o governo federal estaria a oferecer ajuda a São Paulo em áreas nas quais São Paulo pode dar aulas ao governo federal: creches e segurança pública. Parece piada!

Jornal Hoje levou ao ar uma reportagem nesta quarta em que, é inescapável, quem aparece como vilão é o governo de São Paulo, especialmente o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto. Há tempos eu não via a edição de um material decretar de tal maneira o desempate contra quem falta com a verdade. A reportagem começa com a notícia de novas mortes na cidade — inclusive de três moradores de rua; ocorrências envolvendo esse grupo obedece a uma dinâmica distinta de ações do crime organizado. Mas isso é o de menos. Adiante.

Ferreira é o mentiroso?
O Jornal Hoje leva ao ar um ofício em que Cardozo oferece ajuda ao governo de São Paulo. Trechos são destacados e intercalados com falas de Ferreira Pinto negando a oferta. Fica parecendo que Ferreira é um mentiroso. O telespectador, que não é obrigado a ter o olhar e a percepção treinados para entender como se fabricam notícias e salsichas, pode não ter atentando para um dado ausente da reportagem: QUAL É A DATA DO OFÍCIO DE CARDOZO? Quando ele redigiu aquele documento?

Isso é importante? É APENAS CENTRAL EM TODA A CONTROVÉRSIA. Esse documento veio à luz ONTEM!!! Atenção! A TV Globo recebeu e levou ao ar o dito-cujo, mas ele não chegou ainda, pasmem!, ao governo de São Paulo!!! Cardozo está usando a imprensa para partidarizar uma questão séria: a segurança pública. O texto cita como experiências bem-sucedidas de parcerias entre estados e governo Federal os casos do Rio e de Alagoas. O primeiro estado tem uma média de 25 homicídios por 100 mil habitantes (e já se provou que é uma estatística maquiada); o segundo, de 66 por 100 mil. Em São Paulo, são 11!  Assim como Haddad fez meia dúzia de creches e pretendeu dar aula a quem construiu 150 mil, o PT, que governa há 10 anos um país que tem 50 mil homicídios por ano, pretende ser a referência no combate à criminalidade… É ironicamente macabro!

O documento exibido sem data na Globo (foi feito ontem) é o ápice de uma escalada que precisa ser recuperada

Passo um – No dia 27 de outubro, véspera da eleição — e o pilar da campanha petista, reitero, era a conversa mole de que a cidade de São Paulo se recusava a celebrar parceria com o governo federal —, o Painel, da Folha, publicou a seguinte nota (em vermelho):

Diante da escalada na criminalidade em São Paulo, Dilma Rousseff enviou emissários para conversas com o secretário de Segurança do Estado, Antonio Ferreira Pinto, há cerca de 40 dias. Segundo interlocutores do Planalto, foi oferecida ajuda na capital, além de informações de inteligência, mas o diálogo não prosperou. Representantes de Geraldo Alckmin acusam o governo federal de omissão no combate ao narcotráfico e contrabando de armas nas fronteiras, suas prerrogativas.

Passo 2 – Como isso não havia acontecido — a verdade estava no contrário —, o secretário de Segurança, Ferreira Pinto, negou a mentira. E fez bem.

Passo 3 –  O que fez Cardozo? Saiu do off e foi para o on: concedeu uma entrevista ao próprio jornal afirmando que a ajuda foi oferecida várias vezes. É mesmo?
A: Ele tinha algum ofício? Não!
B: Ele tinha algum outro documento? Não!
C: Ele tinha alguma proposta objetivamente encaminhada? Não!

Ele só tinha, como sempre, o gogó.

Na entrevista, com grosseria incompatível com o cargo que ocupa, Cardozo disse a seguinte pérola:
“O Ministério da Justiça não é a Casa da Moeda para ser mero repassador de dinheiro. Especialmente para Estados que têm condições orçamentárias para fazer um bom trabalho na segurança pública.”

Sabem por que ele disse isso? Porque ele não tinha prova nenhuma de que havia oferecido ajuda a São Paulo, mas São Paulo tinha a prova — aquele documento lá do alto — de que havia pedido a colaboração do governo federal. E recebeu uma grande banana.

1: Quer dizer que o Ministério da Justiça agora é uma repartição informal, que oferece ajuda “de boca” ao governo de São Paulo, por meio de vários emissários?

2: Quer dizer que Cardozo apresenta um documento com data de ontem sobre oferta que teria feito “há vários meses” e merece da imprensa o tratamento de fonte da verdade? O secretário Ferreira Pinto, que não recebeu ofício nem antes nem agora  fica com a pecha de mentiroso?

3: Quem encaminhou, no dia 29 de junho, um ofício pedindo a colaboração do governo federal foi a secretaria de Segurança Pública, como está provado. Resposta de Cardozo dada por intermédio da Folha, anteontem: “O governo federal não é Casa da Moeda”.

No documento de Ferreira, os projetos da Secretaria de Segurança Pública estão devidamente detalhados. Vejam. Volto depois.

– Se a Globo e o resto da imprensa não informarem qual é a data do ofício de Cardozo, o que se tem é distorção, não reportagem. Na verdade, o que se tem é o trinfo da mentira.

– Se a Globo e o resto da imprensa não levarem ao ar o ofício enviado pela Secretaria no dia 29 de junho — e sem resposta do governo federal —, o que se tem é colaboração objetiva com o processo de satanização do governo de São Paulo.

– Um documento redigido de última hora, entregue à imprensa antes mesmo de chegar ao governo de São Paulo, não pode ser usado como prova de que houve a oferta da ajuda. Quem tem a prova de que pediu a ajuda é o governo de São Paulo.

Agora a conclusão
Essa campanha do governo federal se dá no momento em que São Paulo enfrenta, sim, um recrudescimento da violência, ainda que seus índices de homicídio sejam muito melhores do que os da maioria das demais unidades da federação. Na verdade, Segundo o Mapa da Violência, o estado está em penúltimo lugar no ranking de homicídios, e a capital, entre as 27, em último.

Não estou cobrando que a imprensa omita dados. Ao contrário. Estou cobrando que os divulgue.

Da forma como as coisas caminham, reitero, sem medo de errar, que setores da imprensa e governo federal estão fazendo uma aliança objetiva com o crime organizado — tenha ele o nome de PCC, PTT, PQP, pouco importa.

Nesse meio, pode aparecer a turma do empate: “Enquanto as autoridades brigam, a população padece…”. Uma ova! A operação foi deflagrada por José Eduardo Cardozo. Quem está passando por mentiroso é aquele que detém a prova de quem fala a verdade.

Isso tudo tem um nome e um espírito: “É preciso haver uma renovação em São Paulo…”. Parte da imprensa já atua como se fosse o João Santana… O governo de São Paulo deveria levar ao ar uma propaganda institucional em defesa da sua polícia, repudiando aqueles que decidiram fazer campanha eleitoral com a vida e a segurança dos paulistas.

É asqueroso! Estão usando a vida dos paulistas para fazer guerra de propaganda. Contra os fatos. Isso já ajudou a eleger Fernando Haddad. Agora começou a campanha em favor de Alexandre Padilha.

Por Reinaldo Azevedo

 

Paris continua uma festa – Kassab convida Haddad para viagem à Cidade-Luz. Com Dilma.

Por Evandro Spinelli, na Folha:
Gilberto Kassab (PSD) e Fernando Haddad (PT) devem passar alguns dias juntos em Paris em novembro. Kassab convidou seu sucessor para, juntos, defenderem a candidatura de São Paulo à World Expo 2020, exposição mundial de projetos urbanos na sede do Bureau Internacional das Exposições (BIE), na capital francesa. A presidente Dilma Rousseff (PT) também deve participar do evento, marcado para 20 de novembro. Dilma e Kassab acertaram a participação da presidente em um encontro no Palácio do Planalto, em julho.

Haddad informou ontem que tem a intenção de viajar. Nos próximos dias, as equipes do atual e do futuro prefeito vão acertar os detalhes. Confirmando a presença de Dilma, crescem as chances de Haddad participar da viagem e da cerimônia. As despesas do prefeito eleito, inclusive, podem ser pagas pela prefeitura. Os detalhes serão definidos até a semana que vem pela Secretaria de Relações Internacionais do município.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Antigamente, o jornalismo…

… ao ouvir a fala de um político sobre uma determinada questão legal, procuraria fazer uma consulta para saber se o que ele dizia, afinal, procedia ou não.

Hoje em dia, depende muito de quem diz. Vejam o caso de Fernando Haddad, saudado por amplos setores da imprensa e por intelectuais do nariz marrom como um homem “novo e moderno”.

Ele já anunciou que vai dar um truque nos paulistanos e que vai deixar o bilhete único mensal e o fim da taxa veicular para 2014. Alega dificuldades de ordem técnica, legislativa.

Tudo conversa mole. O caso do bilhete único é mera questão tarifária. Basta um decreto seu enviado à Câmara com cinco dias de antecedência. No caso da taxa da inspeção, sempre entendi que havia dinheiro para a Prefeitura pagar pelo serviço — afinal, a empresa que faz o trabalho tem de receber — sem cobrar nada dos donos de veículo.

Haddad também pode resolver a coisa no primeiro ano. Basta cobrar um valor simbólico dos donos de carro. Eu iria sugerir R$ 0,1, mas seria complicado por várias razões. Ora, multiplique isso por 10 e se passe a cobrar R$ 1. Qual é a dificuldade?

Mas sabem como é… Haddad é um homem bacana. Se ele disse que não é legalmente possível fazer isso já, então é o caso de acreditar.

Por Reinaldo Azevedo

 

Mais um desafio a Elio Gaspari. Ou: Em quem batem os corajosos e os covardes. Ou ainda: Quem é mesmo a elite reacionária?

Elio Gaspari não se cansa de transformar seus preconceitos em verdades universais? Também não me canso de apontar suas tolices e mistificações. Sim, ele escreve a favor do fluxo do poder, que parece dar como eterno. Escrevo no contrafluxo. Não ligo.  Não é de hoje. Não é a primeira vez que ele está com os que mandam, com ou sem farda. Não é a primeira que faço a crítica aos  poderosos, com ou sem farda. No meu caso, valeu também para o governo FHC, como sabe quem acompanhava a revista Primeira Leitura. Adiante.

Gaspari escreve hoje na Folha um daqueles artigos que podem entrar para a galeria das suas grandes tolices, para dizer pouco. O que tem me fascinado nesses tempos é que certos articulistas ou contam com o preconceito ou com a ignorância dos seus respectivos leitores. No artigo em questão, o objetivo do autor é demonstrar a relevância que teve no resultado das urnas  o Bilhete Único Mensal, proposto por Haddad — o prefeito eleito já inventou uma desculpa para empurrar a medida para 2014. Vale a pena ler o texto inteiro. Dou destaque a alguns trechos. Comento em seguida.
*
EM AGOSTO, quando o candidato Fernando Haddad prometeu a criação de um Bilhete Único Mensal, pelo qual o cidadão poderia comprar um passe livre para os ônibus municipais, a marquetagem tucana acusou-o de propor uma taxa, um “bilhete mensaleiro”.
Dividia-se o eleitorado em dois grupos. Um, que já foi a Londres, Nova York ou Paris e sabia que esse tipo de bilhete com desconto não é uma taxa, pois ninguém é obrigado a comprá-lo. Noutro grupo estava a população que usa os ônibus. Para ela, bastava fazer a conta: se o novo bilhete custar R$ 150 e o cidadão fizer duas viagens por dia, a tarifa de R$ 3 cai para R$ 2,50.
Com o início da propaganda eleitoral gratuita Haddad tinha 16% nas pesquisas, bem atrás dos 35% de Celso Russomanno, que sobrevivia ao raquitismo de seu tempo de exposição e de uma ofensiva de parte da hierarquia católica. Uma semana antes da eleição, o “fenômeno Russomanno” começou a evaporar. Na véspera, tinha 27% das preferências. Abertas as urnas, ficou com 22%, fora do segundo turno. O que houve? No final de setembro Russomanno prometera a cobrança de tarifas diferenciadas nas viagens de ônibus. Simples assim: quem anda muito pagaria mais, como quem viaja muito é o trabalhador, lá vinha tunga. Até hoje a explicação mais convincente para a implosão de Russomanno está na migração dos eleitores mais pobres. Perceberam o perigo e saltaram.
O tucanato, que condenara o Bilhete Único Mensal acordou e, no segundo turno, correu atrás, propondo a extensão da sua validade. Desde 2004, quando a prefeita Marta Suplicy foi a primeira a instituir essa modalidade de tarifa numa grande cidade brasileira, governantes e candidatos do PSDB olham para a iniciativa com cara feia. Primeiro porque criticavam-na nos seus aspectos técnicos. Depois, porque ela parecia coisa do adversário. Acordaram com oito anos de atraso.
É uma exagerada temeridade atribuir o resultado eleitoral de São Paulo ao item do Bilhete Único, mas certamente ele foi um dos ingredientes do naufrágio, pela percepção oferecida ao eleitorado. No primeiro turno uma parte dele saltou de Russomanno porque o doutor queria cobrar mais caro pelas tarifas de quem fica duas horas no ônibus para chegar ao trabalho. Não se deve esquecer que os transportecas da prefeitura defenderam a instituição do pedágio urbano para veículos sobre pneus numa cidade em que a municipalidade nada cobra pelos pousos de helicópteros. Com uma cabeça dessas, um candidato tucano poderá ganhar a eleição em Fort Worth, no Texas, pois lá está a fábrica das aeronaves Bell.
A renovação de que o PSDB precisa e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vocalizou é de nomes mas, sobretudo, de ideias. Não só de propostas novas, mas sobretudo de uma faxina nas velhas, demofóbicas. Os candidatos do PSDB deveriam ser obrigados a usar a rede de ônibus todos os dias, durante pelo menos uma semana. A experiência valeria mais que sete seminários com ex-ministros tucanos reapresentando ideias de um governo que acabou em 2002. Algo como barões do Império amaldiçoando a República em 1899, durante o governo Campos Salles.

Voltei
Gaspari apenas está aderindo a uma onda asquerosa de certo articulismo que pretende linchar a reputação do tucano José Serra, que ele tem hoje na conta de um desafeto, sabe-se lá por quê. No geral, aquele que é derrotado nas urnas desaparece por algum tempo do noticiário. Com Serra, dá-se o contrário. Parece haver certa disposição para esquartejar, salgar o corpo e distribuir pelas terras da Coroa. Raramente vi tamanho exercício de covardia. Quem está precisando de renovação, parece, é o colunismo impresso…

Que os petistas digam em campanha eleitoral — porque, a sério, nem eles são capazes de sustentar isso — que Serra seja demofóbico e só faça obras para ricos, eis algo detestável, sim, mero exercício de baixa política, mas compreensível no contexto, já que são quem são. Mas Gaspari??? Um jornalista? Marta instituiu o bilhete único, mas perdeu a eleição justamente para Serra, o que evidencia que os “pobres” têm algumas outras necessidades além de transporte. A gestão petista não conseguiu construir um único leito de hospital; fez os CEUs para a propaganda eleitoral, mas largou milhares de estudantes em escolas de lata — que acabaram na gestão Serra-Kassab.

Quando o tucano chegou à Prefeitura, havia 60 mil vagas em creches — e uma fila de credores. Haddad encontrará a Prefeitura com 210 mil e com dinheiro em caixa. A obra de Serra na Saúde — nas esferas federal, municipal e estadual — é reconhecida até por adversários. No debate da Globo, o próprio Haddad afirmou que daria continuidade ao programa Mãe Paulistana e Remédio em Casa, por exemplo. Fez-se em São Paulo, nos últimos oito anos, o maior programa de reurbanização de favelas da história. Isso não é conversa de marqueteiro.

Afirmar que o tucano — e é de Serra, sim, que ele está falando — é demofóbico porque tem crítica a uma determinada medida na área de transporte seria desonestidade intelectual num jornalista de 20 e poucos anos, formado já nas universidades petistas. Num de 68… Quando a Prefeitura de São Paulo investiu R$ 1 bilhão no metrô, era por demofobia que o fazia, senhor Gaspari? Quando os tucanos estenderam o bilhete único ao metrô, era por demofobia que o faziam, senhor Gaspari? A Rede Lucy Montoro de reabilitação serve só aos ricos, senhor Gaspari? E o Instituto do Câncer de São Paulo? E as AMAs e AMEs? Atendem aos milionários?

Que grande mal José Serra fez a essa gente toda? Qual é a folha de serviços prestados ao povo por Gaspari — mesmo sem mandato eletivo, cidadãos podem se dedicar a obras em benefício de terceiros, não? — que lhe confere autoridade moral para acusar Serra de demofobia? Desafio-o — ele nunca topa porque julga ter a superioridade que finge ter — a listar as obras “demofóbicas” do ex-governador e ex-prefeito. Eu me proponho a listar as obras “demofílicas”.

Não pode haver covardia maior do que esta:  Gaspari sabe que o objeto de seu ataque bucéfalo não tem, no momento, condições de se defender. Ao jornalista, não basta tentar provar que o outro não tem futuro político. É preciso aderir à torcida que zurra e tenta destruir também o seu passado, recorrendo a uma linguagem que consegue ser tão rasteira quanto a campanha de Fernando Haddad.

Por uma questão de caráter, desde que escrevo textos opinativos, analíticos, eu prefiro bater — quando discordo, é claro! Até faço elogios de vez em quando — em quem está no poder. Também por uma questão de caráter, há os que preferem chutar quem foi derrotado. Um caso requer um tanto de coragem e ousadia. O outro só pede uma dose adicional de covardia.

Fiz um desafio. Como Gaspari não vai aceitar, deveria usar a sua coluna na Folha e no Globo para listar as obras que Serra fez contra o povo. Seus leitores certamente gostariam de vê-lo provar uma tese. Os meus gostam quando provo as minhas.  Gaspari, como todo mundo, tem o direito de detestar quem quiser. Já a mentira é outro departamento. 

Finalmente
Associar o  nome de Serra a uma elite passadista, incapaz de entender a mudança, a exemplo do que faz no parágrafo final, é indigno. Alto lá! Serra tem biografia. Isso me obriga a lembrar que Gaspari, em 1970, na comemoração dos seis anos do regime militar de 64, escreveu a quatro mãos um texto que explicava por que o Ato Institucional nº 1, que cassava direitos políticos por dez anos, não tinha de ser enviado ao Congresso porcaria nenhuma! Afinal, na formulação de Francisco Campos, a que aderem os autores, era “a revolução que legitimava o Parlamento, e não o Parlamento, a revolução”. Gaspari chamava o golpe de “revolução” até se tornar historiador amador. Um pensamento lindamente totalitário! Enquanto ele escrevia aquilo, Serra estava exilado no Chile. Três anos depois, fugiria do Estádio Nacional por ocasião do outro golpe, o de Pinochet. De volta ao Brasil, não pediu indenização. Em matéria de convescote com a elite reacionária, Gaspari, definitivamente, não tem lições de moral a dar a Serra.

Taí. Gritei “truco!”.  Se Gaspari quiser chamar “seis!”, a gente pode ter um jogo bom. Mas ele vai correr de novo e me dar só um pontinho…

PS – É isso aí! Como sou bobo, defendo quem não tem poder. Os mais inteligentes do que eu preferem fazer o contrário. Nunca lhes faltou coragem para tanto!

Texto publicado originalmente às 5h51

Por Reinaldo Azevedo

 

Esta foto explica por que o Brasil, na fórmula famosa, é um país rico composto de uma imensidão de pobres

Vejam esta foto, de Marcos Bezerra, da Futura Press.

 

A imagem marca o encontro entre o prefeito Gilberto Kassab (PSD), em cima de quem Fernando Haddad (PT), o eleito, venceu a disputa. A campanha petista praticamente não disse por que o tucano José Serra não poderia ser eleito. As suas virtudes ou defeitos pessoais ficaram de lado. Dizia-se que não poderia ser porque continuaria a… gestão Kassab.

Agora de volta à foto. Os idiotas da… subjetividade (!) diriam que aí está uma prova de civilidade política, não é mesmo? Mas não! O que se tem acima explica por que, na formulação conhecida, o Brasil é um país rico composto de uma esmagadora maioria de pobres — embora os bate-paus da versão neoliberal do lulismo tenham inventado uma “classe média” de gente que ganha uns R$ 300 por mês… “Neoliberal por quê, Reinaldo?” Porque são supostos liberais que hoje estão a serviço do “estado forte” petista. São apenas oportunistas rematados — alguns são meros “dinheiristas” disfarçados de defensores do livre mercado… Tenho por estes mais desprezo do que pelos, sei lá, economistas do… PSOL!

Nos EUA, adversários se abraçam e se cumprimentam depois de eleições e coisa e tal. Mas republicanos sabem que seu papel é fazer oposição a democratas, e democratas sabem que seu papel é fazer oposição a republicanos. “Fazer oposição” significa vigiar o outro, em nome dos eleitores.

O que se tem acima é mero exercício de cooptação, que já estava em curso no próprio processo eleitoral, é bom deixar claro! Se o PSD não é nem de direita, de esquerda ou de centro, seus receptores estão prontos a receber quaisquer proteínas, né? Os eleitores é que não sabiam. O prefeito vencido era, ora vejam!, na verdade, o vencedor. A derrota, a julgar pela expressão de Kassab, era só de Serra. A má gestão de Kassab, a julgar pela expressão de Haddad, era só um truque para pegar os trouxas.

Haddad, claro!, tem mais sorte do que teve José Serra, quando assumiu a Prefeitura em 2005. Encontrou o caixa vazio e filas de credores. A partir de hoje, a reputação de Kassab no jornalismo que o destroçou muda. Ele agora pertence ao “campo progressista”. Também em boa parte da imprensa brasileira, pecado mesmo é fazer oposição. Como poderia dizer o tal “cientista político” Humberto Dantas, isso é coisa de gente que tem ódio no coração. Quem ama faz como Kassab: adere.  

Abaixo, reportagem de Carolina de Freitas na VEJA.com:

Agora, Kassab elogia Haddad: ‘É capacitado, inteligente e tem formação moral’

Em mais um passo rumo à franca aproximação com o PT, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), fez rasgados elogios nesta terça-feira ao seu futuro sucessor: “Fernando Haddad é uma pessoa capacitada, inteligente, com boa formação moral, boa formação técnica e experiência na vida pública”, afirmou. “São Paulo estará em ótimas mãos. Tenho certeza que, daqui a quatro anos, ele vai entregar uma cidade melhor.”

Até o domingo, Kassab apoiava a candidatura de José Serra (PSDB) à prefeitura. O tucano usava como mote de sua campanha as frases: “Haddad é ruim de serviço” e “Ele não está preparado”. Já o petista passou a campanha inteira atacando a gestão de Kassab.

Kassab e Haddad estiveram reunidos por uma hora e meia no gabinete do prefeito, no Viaduto do Chá, centro de São Paulo, para dar início aos trabalhos de transição. Os dois vestiam terno cinza e gravata vermelha. Durante o pronunciamento de Kassab aos jornalistas, Haddad o olhava, com um discreto sorriso no rosto. Enquanto Haddad falava, Kassab fitava ora os jornalistas ora o chão.

O prefeito apresentou à equipe de Haddad os secretários de Governo, Nelson Hervey, e de Planejamento, Rubens Chammas, que farão a interlocução com os representantes do novo governo. O grupo de Haddad é comandado pelo vereador Antônio Donato e pelos acadêmicos da Universidade de São Paulo (USP) Luís Fernando Massonetto, de Direito, e Ursula Peres, de Finanças Públicas.

A primeira reunião formal do comitê de transição será nesta quinta-feira. O time de Haddad tem especial preocupação com os acontecimentos do início do ano, como as enchentes de janeiro e a organização do carnaval. Os petistas pediram acesso a informações sobre a situação financeira da prefeitura e sobre os contratos e licitações em andamento. O QG de Haddad, até o dia da posse, será um escritório cedido pela Caixa, na Praça da Sé. Além disso, Kassab ofereceu a Haddad uma sala dentro da prefeitura.

“O que está em curso não será descontinuado de nenhuma maneira. Queremos promover uma passagem de governo com toda tranquilidade, sem nenhum solavanco e com os serviços públicos sendo prestados normalmente”, disse Haddad. “Pretendo manter os programas da prefeitura que vêm correspondendo aos anseios da população.”

Aliança
O encontro entre Kassab e Haddad acontece em um cenário de aproximação do prefeito com o PT. Em São Paulo, os dois políticos já deixaram clara a disposição de ter na base da administração Haddad o PSD, partido fundado e presidido por Kassab. Em Brasília, há articulações em curso para dar um ministério a Kassab quando ele deixar a prefeitura. Em entrevista ao site de VEJA publicada neste sábado, o atual prefeito afirmou que uma de suas primeiras tarefas no próximo ano será decidir junto a seu partido sobre o apoio à presidente Dilma Rousseff. Por enquanto, oficialmente, o PSD é independente.

Por Reinaldo Azevedo

 

Kassab manda seus 8 vereadores mudar de lado. Ou: A mais nova peça da lavanderia de reputações do PT

Bem, a esta altura, não há nada de surpreendente na notícia, mas vamos lá. Os oito vereadores eleitos do PSD, sob a liderança de Gilberto Kassab, já emitiram uma nota, em parecia com o PSB, de apoio ao futuro prefeito, Fernando Haddad.

Muito bem! A futura composição da Câmara é esta:
PT – 11
PSDB – 9
PSD – 8
PV – 4
PTB – 4
PMDB – 3
PR – 3
PSB – 3
PPS – 2
DEM – 2
PRB – 2
PHS – 1
PSOL – 1
PC do B – 1
PP – 1

Vamos ver. Foram eleitos na oposição ao petismo os vereadores do PSDB (9), do PSD (8), do PV (4), do PTB (4), do PR (3), do PPS (2), do DEM (2) e do PSOL (1). Só aí haveria uma bancada de 33 do total de 55.

Mas quê… O PSD, como se vê, menos de 48 horas depois do resultado, já anuncia a formação — que é chamada de “manutenção” — de um “bloco” com o PSB… Que coisa fantástica esse jogo do ganha-ganha de Kassab, não é mesmo? Vejam que o tal bloco terá 11 parlamentares e suplanta o PSDB como segunda bancada… Espero que os tucanos também tentem fazer o seu, não é?

Contra a vontade do PSDB, Kassab praticamente impôs a formação da bloco partidário também para a disputa das vagas na Câmara. E agora já fez o partido migrar para o outro lado. Dos que se elegeram na oposição ao petismo, certos mesmo são os votos do… PSDB. Talvez o do PSOL…

As forças que elegeram Haddad fizeram, contando com boa vontade, 20 vereadores. Mas há uma boa possibilidade de que ele forme uma bancada superior a 40… O PT preza tanto Kassab porque ninguém trabalha com tanta determinação para destruir os tucanos em São Paulo. 

É o que aqueles “intelectuais” que dão plantão no Estadão chamam “modernidade”…

A partir de hoje, Kassab passa a ser o mais novo patriota a ser exaltado pelo petismo e seus blogs amestrados. “E você, Reinaldo?” Eu? Ora, eu sempre escrevi aqui que sua gestão tinha sido bem melhor do que se alardeava na imprensa e nos blogs sujos, não é? E não mudei de ideia. E estou censurando, sem mudar uma vírgula do que escrevi, esse espetáculo indecoroso de adesismo.

Os petistas já achincalharam Collor e depois lavaram a sua reputação. Já achincalharam Ciro e depois lavaram a sua reputação (andam tentados a achincalhá-lo de novo!). Já achincalharam Sarney e depois lavaram a sua reputação. Já achincalharam Maluf e depois lavaram a sua reputação. Achincalharam Kassab, e chegou a hora de enviá-lo também à lavanderia de reputações. Em breve, será um homem bom, um grande realizador. O preço, em todos os casos, é um só: cair de joelhos diante do partido, ainda que todos tenham sido bem remunerados por isso.

É a modernidade identificada por aqueles tais “cientistas políticos”.

Por Reinaldo Azevedo

 

De braço dado com Kassab, Haddad alega dificuldade legislativa e agora promete bilhete mensal só em 2014. É mentira! Não há dificuldade nenhuma! Basta um decreto! Mudança de tarifa não precisa ser aprovada por vereadores!

Então vamos ver. Gilberto Kassab era o grande Judas da campanha de Fernando Haddad. Até domingo. Hoje é terça-feira, e os dois já estão de braços dados. Eis a grande mentira, vamos dizer, conceitual. Os “cientistas políticos” não estão muito interessados nela.

Agora vêm as outras mentiras. Dois dos cavalos de batalha do petista durante a campanha foram a implementação do tal Bilhete Único Mensal e o fim da taxa de inspeção veicular. Alegando dificuldades legais, o prefeito eleito diz que são promessas que ele deve cumprir só em… 2014! Ah, bom!

“Meu compromisso é remeter essas iniciativas para a Câmara no primeiro momento e orientar a bancada o quanto antes”, disse. “Eu quero crer que, no segundo ano de governo [ou seja, em 2014], isso já esteja equacionado.”

Haddad está, como posso dizer?, faltando com a verdade. Está enrolando os paulistanos. Está dando um truque.

Para fazer a mudança prometida, Haddad, uma vez empossado, precisa apenas emitir um decreto, nada além!, cinco dias antes da entrada em vigor da mudança. É o que está na lei. Se ele quiser, o modelo pode ser implementado nos primeiros dias de governo. O resto é conversa mole.

Quanto à inspeção veicular, dizer o quê? Espero que algum vereador da oposição — acho que restará alguns, não é? — apresente um projeto para extingui-la imediatamente. Vamos ver quais serão as vozes contrárias…

Haddad esteve com o governador Alckmin e disse que pretende implementar as creches nas imediações das estações do metrô, uma proposta que era de Serra. Entendo! Embora ele seja o maior planejador de creches do mundo mundial, quer incorporar o programa dos adversários, o guloso — eis um homem bom!

Ora, cumpre à oposição, então, começar a incorporar as propostas de Haddad, certo? Uma das razões por que prosperou a mentira petista na esfera federal é o fato de que os valentes iam jogando seu programa de governo no lixo, e a oposição aplaudia: “Vejam, eles estão concordando conosco!!!” Era um erro brutal! Cheguei a escrever um artigo em 2003 para a revista da Fundação Teotônio Vilela sobre esse comportamento bobo do PSDB.

A melhor maneira de enfrentar um petista é levá-lo a cumprir as próprias promessas, assim como a melhor maneira de vencê-los num debate é forçá-los a dizer o que realmente pensam.

Por Reinaldo Azevedo

 

Pornografia política: Dilma estuda que ministério dar a Kassab, que o PT considerava até domingo um péssimo prefeito. Ou: O “novo” Haddad terá o apoio dos que governaram a cidade por quase 23 anos em 24!!!

No post anterior, desmonto uma tese — que só engana jornalistas, alguns ao menos — de um professor chamado Humberto Dantas. Ele torce os números para provar uma tese do PT. Nada além. Estudiosos da política deveriam é se dedicar a outro debate. Leiam este pequeno texto, publicado na VEJA.com, de Laryssa Borges:

“O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não aceita ser contemplado com o Ministério das Micro e Pequenas Empresas na reforma ministerial, a ser conduzida pela presidente Dilma Rousseff. O PSD já tem forte ascendência sobre o Sebrae. Interlocutores de Kassab chegam ao ponto de afirmar que, se a oferta for apenas a deste ministério, o prefeito prefere continuar na presidência da sigla a se mudar para Brasília.
Como dez em cada dez ministeriáveis, Kassab sonha com a pasta das Cidades, alvo eterno de cobiça pelo orçamento bilionário. Aceitaria também outro ministério de forte peso orçamentário, como o dos Transportes.”

Não faz 48 horas que a vitória do PT foi proclamada em São Paulo. Fernando Haddad venceu a disputa demonizando — e de maneira injusta, já disse várias vezes — a gestão Kassab.

Kassab teria sido tão ruim, mas tão ruim!, que Dilma quer lhe dar um ministério — a ele ou ao partido, tanto faz. Só há um certo desacordo sobre qual…

Isso deve parecer parte do jogo aos nossos “cientistas políticos”. Deve ser a forma que tomou na cabeça deles o “presidencialismo de coalizão”. Aquele que foi o político mais espancado do Brasil — ninguém apanhou tanto quanto Kassab país afora — é tratado, desligadas as urnas, como um dos grandes vitoriosos.

Que espetáculo!
Serra arcou com o ônus, é evidente, de ser também o candidato da suposta continuidade. Petistas, os tais “cientistas sociais” e jornalistas pretendem jogar apenas no seu colo a derrota em São Paulo. Kassab não tem mais nada com isso. Agora ele já é um político “do lado de lá”.

Dantas teria uma chance gigantesca de demonstrar como tanto PT como Kassab enganaram os eleitores, não é mesmo? O PT os enganou fingindo que o prefeito fez uma gestão desastrosa, que se negou a colaborar com o governo federal, que recusou as parcerias na área da educação, que anda acompanhado de maus elementos — o candidato a vice de Serra, Alexandre Schneider, do PSD, foi tratado como bandido na campanha eleitoral petista. Pois bem… Parece que Kassab é ruim demais para ser prefeito dos paulistanos, mas bom o bastante para ser ministro de todos os brasileiros. Se isso acontecer, não descarto que Schneider integre a sua equipe — o mesmo que aparecia, de forma dolosa, com foto de “procurado” nas inserções televisivas. Mas não tenho razão para me preocupar mais com sua reputação do que ele próprio, certo?

Kassab, por óbvio, também enganou aqueles que eventualmente acreditaram no seu empenho em impedir a vitória do petismo em São Paulo. Que tipo de gente, a não ser certo tipo de político, toma tanta porrada num dia para se deixar afagar no dia seguinte? Como os afagos são reais, parece que as porradas eram parte de uma operação combinada.

Mas Dantas, o “cientista social’, não quer saber disso, não! Ele está interessado na renovação! Haddad vai administrar a cidade com o apoio, deixe-me ver, de Erundina, Paulo Maluf, Marta Suplicy e Gilberto Kassab. Vale dizer: considerando 24 anos de gestão, ele não poderá afrontar os interesses daqueles que estiveram no poder durante 22 anos e nove meses… A exceção, então, será mesmo o pouco mais de um da gestão Serra — que, na formulação do tal intelectual, é o velho!

Que conta é essa, Reinaldo? Simples! Erundina ficou quatro anos no poder; Maluf, oito (considerando Celso Pitta); Marta, quatro, e Kassab, seis anos e nove meses. Quis o destino que a “renovação” juntasse toda essa gente!

É isso aí! A maioria vai para um lado? Eu vou para outro. A maioria saúda a novidade? Eu demonstro o que há de mais do mesmo em Fernando Haddad. Ou o valente terá o apoio de toda essa gente porque conseguiu convencer esses parceiros de jornada com sua dialética?

Por Reinaldo Azevedo

 

As falácias de um “cientista social” que prova que os tucanos perdem em São Paulo por… SETE A TRÊS. Ou: A ciência que vai contra os fatos é só ideologia vagabunda

Humberto Dantas é professor do Insper — Instituto de Ensino e Pesquisa. Parece haver dois lá: ele e Carlos Mello. São os que falam. Ambos são cientistas políticos. Certo! Cientistas políticos costumam pontificar na imprensa brasileira como autoridades, como deuses ex machina, com uma autoridade empírea. Nos bons tempos, quando um “cientista” falava com jornalista, a este cumpria dialogar — no sentido socrático mesmo, não é?, tentando encontrar contradições no pensamento do mestre. A se dar crédito a Platão, Sócrates ganhava todas. E, claro!, mesmo sem ser Sócrates, Dantas e Mello poderiam ganhar todas — mas caberia aos discípulos fazer indagações. Não! Hoje, na era do jornalismo “fulano disse que”, os Sócrates não têm chance de melhorar os próprios argumentos.

Leio na Agência Estado uma, por assim dizer, análise do professor Dantas sobre o processo eleitoral. Ele aderiu à tese, lançada pela área de marketing de uma empresa de ideologia chamada PT, segundo a qual o “PSDB precisa se renovar”. Se não me engano, o Insper é uma escola que tem um forte acento nos negócios, no “marquetingue”, em coisas assim. A metafísica influente, tudo indica, acaba pautando o pensamento. O pior é que há um monte de tucanos trouxas que caem na conversa.

Na sua análise, Dantas afirma que Serra recorreu a um “discurso odioso e antipetista que costuma afundar quando a fonte não é desejada”. Não sei que diabos quer dizer “quando a fonte não é desejada”… Sei que sua análise é tão verdadeira quanto uma nota de R$ 3. Só engana jornalistas. Volto a este ponto mais adiante. Antes, vou desmoralizar tecnicamente a sua numerália, que ele pretende tratar como argumento irretorquível.

O professor destaca que o trio Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra disputou, desde 1988, quando se formou, 12 das 13 eleições havidas em São Paulo (considerando cidade e estado) — a exceção foi Fábio Feldman, que concorreu à Prefeitura em 1992. Venceu seis. Quase verdade! Nesse período, Eduardo Suplicy disputou duas eleições majoritárias; perdeu as duas (era a sua terceira…); Luiza Erundina disputou duas, perdeu uma. Marta disputou três; perdeu duas; Mercadante disputou duas — não conseguiu. Só aí já se contaram 9 das 13 eleições. De resto, como o critério de comparação é o PT, por honestidade metodológica, Dantas deveria ter analisado o índice de renovação do PT também desde a origem do partido. Cairia ainda mais.

É tão alto assim o índice de renovação petista? As únicas exceções no repeteco, de 1988 até 2012, foram Plínio de Arruda Sampaio (1990), José Dirceu (1994) e José Genoino (2002) na disputa pelo governo do Estado. Exceção feita a Genoino, os outros eram quase anticandidatos. Pura falta de opção. Emplacou agora Fernando Haddad. Esse debate é espantoso — e pobre do PSDB se o levar a sério!

Em sete eleições diretas para a Presidência (incluindo 2014), o PT terá tido dois candidatos: Lula (5 vezes) e Dilma (2). O índice de renovação, se é esse o critério, do PSDB é maior, não é? Mario Covas, Fernando Henrique, José Serra, Geraldo Alckmin e, provavelmente, Aécio Neves. Até agora, ninguém teve tanta chance de repetir o insucesso como Lula: perdeu uma eleição para o governo de São Paulo em 1982 e três para a Presidência. Não obstante, foi candidato pela quinta vez em 2002… E deu certo para eles.

Dantas esconde, na sua conta perturbada, algumas evidências escandalosas. Uma das duas vezes em que Mário Covas disputou o governo do estado era em processo de reeleição; em 2002, Alckmin, na prática, também disputou a reeleição (já que havia assumido o mandato em razão da morte do antecessor). Em quatro eleições ao menos, não cumpria falar em “renovação”. Não se estava, afinal de contas, renovando derrotados.

Vamos ver. Covas venceu duas vezes (governo de São Paulo); Alckmin, duas (governo), e Serra, duas (Prefeitura e governo). Poder-se-ia acrescentar aí a vitória de Gilberto Kassab em 2008 — não pertencia ao PSDB, mas, à época, estava no campo não petista. Quantas vitórias obteve o petismo com os seus mesmos ou com os seus novos? Incluindo Fernando Haddad, TRÊS! Menos da metade.

Eis aí, leitor! Em 13 eleições, o bloco liderado pelo PSDB venceu seis — a rigor, sete eleições! O bloco liderado pelo PT venceu três. Bastou, no entanto, Fernando Haddad conquistar a Prefeitura de São Paulo neste ano para o nosso acadêmico embarcar na “teoria da renovação”. Ora, considerando o resultado pregresso, o PSDB fez bem em não… renovar!, não é mesmo? Não é só isso, não! Levando-se em conta as sete vitórias do bloco tucano e as três do petismo, sobram três disputas. Foram vencidas por quem mesmo? Uma por Luiz Antônio Fleury, quando o PMDB tinha força em São Paulo, e duas pelo malufismo (o próprio Paulo Maluf e Celso Pitta). Maluf, aliás, está de volta ao poder, nos braços de Haddad.

Dantas ou qualquer outro têm o direito de pregar o que chamam “renovação”. Só não têm o direito de ir contra os fatos. A estratégia eleitoral do PSDB em São Paulo tem-se mostrado correta e, ora vejam!, vitoriosa.

Agora o ódio
Dantas afirmou que Serra fez uma “campanha odiosa e antipetista”. Que pecado! Começo pelo “antipetista”! É, de fato, é um absurdo! Como a gente sabe e vê, os petistas jamais praticam antitucanismo em sua propaganda. Aqueles comerciais que acusavam o PSDB de ter vendido estatais “a preço de banana” (isso numa campanha municipal) eram política maiúscula, superior. Aquelas inserções que acusavam Serra de ser “contra os pobres” era coisa da mais refinada economia política. Aquela propaganda que responsabilizava pessoalmente o tucano pela doença de um idoso era discurso do amor! De que “ódio” ele está falando? Por que não demonstra a sua tese? Por que não põe por escrito o que quer dizer, dando as devidas aspas do discurso de Serra que provam a sua afirmação? Dantas, sim, é um preconceituoso. Aliás, o antisserrismo do Insper, a julgar por essa “análise” e por outras feitas por Carlos Mello, parece beirar a patologia. Mello é abertamente simpático ao PT. Tem todo o direito. Só não pode chamar opinião e ideologia de ciência. Dantas, ainda não sei. Igualmente tem o direito de ser o que bem entende. Mas não pode torcer os números para provar uma tese que está contra a ordem dos fatos.

A ser como ele diz, a “renovação” é agora uma categoria de pensamento superior e deve se impor a despeito dos fatos. Em 1998, Covas tinha o direito a disputar a reeleição ao governo de São Paulo. Deveria ter desistido. Em 2002, Alckmin era favorito, deveria ter caído fora. Em 2004, Serra tinha grandes chances — e se elegeu. Mas fez mal em disputar. Em 2006, onde já se viu?, deveria ter entregado o governo de São Paulo a Marcadante…

Isso que Dantas faz não é ciência política. É só opinião contra os fatos — além, claro!, de estar ajustando a sua análise à metafísica influente, o que é detestável num “cientista”, mesmo que “cientista social”, uma expressão que sempre me provocou calafrios…

De resto, chama-se “novidade” à imposição de um candidato que só disputou a eleição por vontade de um coronel. A operação não deu errado por muito pouco. Considerando o conjunto do eleitorado, Haddad deve ser o prefeito eleito pela mais baixa percentagem de moradores de São Paulo aptos a votar. Não fosse a forte demonização de Celso Russomanno empreendida pelo petismo — que desconstruiu o outro em vez de construir o seu candidato —, a realidade seria outra.

Uma “ciência” que se erige dessa forma, com esse grau de urgência e na boca da urna, ciência não é. Acusar a campanha tucana de “antipetismo” (meu Deus, que absurdo!) e de veicular o ódio é só parte do processo de criminalização daqueles que se opõem ao PT. A fala de Dantas é igualzinha à de Rui Falcão.

Por Reinaldo Azevedo

 

PT quer mensaleiro solto e jornalistas e juízes na cadeia…

É isso aí. Alguns bananas da imprensa devem estar felizes, não é mesmo? Outros bananas que não são exatamente da imprensa, mas que a frequentam, idem. Acharam que o tucano José Serra fez muito mal em levar a questão do mensalão para a eleição. Há tontos rematados, se é que não lhes falta mesmo caráter, a hipótese mais provável, atribuem a isso a derrota… Não! Tratava-se apenas de dar tratamento político ao que político era. Ademais, seria preciso conhecer o resultado de uma campanha que ignorasse o mensalão para ter como comparar… Bem, o ponto é o seguinte: nesta quinta, o PT vai vomitar um manifesto contra a condenação dos mensaleiros.

Tanto o mensalão era relevante no debate público — alguém tinha alguma dúvida — que o PT esperou o fim da votação para, então, sair em defesa de seus criminosos, atacando o estado de direito. Em seu “manifesto”, vai acusar o tribunal de ter abandonado “as teses do direito pena que garantem as liberdades individuais”. É mentira! Não houve mudança nenhuma de jurisprudência no Supremo. Ocorre que o PT acha que tribunal e cadeia foram feitos para seus inimigos. Como é sabido, o partido estimula uma cultura do debate que é hostil até a cadeia para bandidos, não é mesmo? O partido gostaria mesmo é de encarcerar adversários políticos e alguns juízes.

O PT, que é um partido muito ético, vocês sabem, tem um estatuto que prevê a expulsão de membros do partido condenados em última instância em processo criminal: está previsto lá, no artigo 231, inciso XII. Não será aplicado desta vez, claro! Ao contrário, o partido quer o mensaleiro Genoino, que foi votar cercado de espancadores, na Câmara Federal.

Individualmente, o partido foi o mais votado do Brasil no primeiro turno — apenas 4% a mais do que em 2008. O eleitorado cresceu bem mais do que isso. Está hoje na Prefeitura de seis capitais; terá quatro. Organizou a máquina para fazer 800 prefeitos; chegou a 634 cidades. PSDB e DEM acabaram levando sete das 15 maiores cidades do Nordeste. No Norte do país, três capitais serão administradas por oposicionistas.

Assim, a absurda arrogância, que leva o PT a afrontar o Poder Judiciário, tem apenas um nome: São Paulo — e um sobrenome: Fernando Haddad. Não tivesse a legenda obtido êxito em São Paulo, o tal manifesto não viria a público. O partido pretende tomar a vitória na maior capital do país — onde foi sufragado por 39% dos eleitores apenas, com abstenção recorde — como absolvição nas urnas.

A se julgar pelas “análises” feitas por alguns especialistas isentos como um táxi, o tucano José Serra não deveria nem mesmo ter tocado no assunto, embora o nome do jogo sempre fosse este: mensalão! Fernando Haddad é a cara mais supostamente inocente de uma tentativa de cercar o Judiciário.

No tal manifesto, os petistas devem pedir também o “controle da mídia”. Vejam que espetáculo: nem mesmo esse jornalismo — com as exceções de praxe — rendido ao partido serve ao PT. O partido quer mais. É próprio dos tiranos e das tiranias: a sujeição do outro lhes assanha o desenho de mais subserviência.

Fico cá a pensar naquele editorial que defendeu que os mensaleiros não sejam enviados para a cadeia…  Os mensaleiros e seus amigos, por sua vez,  não desistiram de pedir cadeia para os jornalistas e para os juízes. Mas fiquem tranquilos: só para os que escreverem coisas erradas e não julgarem do modo certo…

Por Reinaldo Azevedo

 

Cuidado, governador Alckmin, com a aliança objetiva entre o governo federal, setores da imprensa e o PCC. A campanha eleitoral de 2014 já começou!

Decidi manter este texto, publicado às 20h16 de ontem, no alto na homepage. A produção da madrugada segue depois dele.

A campanha do governo federal para desestabilizar o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), à esteira do processo eleitoral, já está em curso. Como os petistas sabem que é muito fácil plantar conversa mole na imprensa porque jornalistas entendem de lógica elementar um pouco menos do que entendem de física quântica, qualquer mentira cola; qualquer plantação rende frutos.

A última patacoada influente é de José Eduardo Cardozo, este impressionante ministro da Justiça, que, num dia aparece na imprensa fazendo proselitismo político-partidário — como fez em favor de Fernando Haddad — e, no outro, afirmando que ofereceu ajuda para o governo de São Paulo para conter a violência. Numa democracia convencional, seria chutado pela imprensa. No Brasil, dão-lhe um megafone. 

É mesmo, é? O governo federal quer ajudar São Paulo? Que bom! Faço uma pausa para citar um texto. Volto depois.

Leitores me enviaram um texto de Clóvis Rossi, jornalista da Folha, que é de estarrecer. Leiam este trecho:
A julgar pelas aparências, o Brasil ou, ao menos, o Estado de São Paulo caminha para “mexicanizar-se” em termos de violência.
O que a Folha chamou, adequadamente, de “explosão de assassinatos” ocorrida em setembro tem como uma das explicações “o acirramento do confronto entre policiais e criminosos”, sempre segundo a Folha.
É a explicação que o governo mexicano sempre dá quando cobrado sobre a violência no sexênio de Felipe Calderón, prestes a se encerrar: das 55 mil mortes ocorridas no país, 80% pelo menos se deveriam ou a confrontos com as forças repressivas ou a ajuste de contas entre os carteis do narcotráfico.
O subtexto dessa explicação é sinistro: o cidadão comum, que nem veste farda nem é bandido, não tem por que ter medo porque suas chances de ser vítima são reduzidas.
Tolice pura. O medo se instalou no México, como em São Paulo, porque a violência é parte indissociável do cotidiano.
Aliás, o número de vítimas de homicídio dolosos e de latrocínio no Estado de São Paulo, de janeiro a setembro, dá 3.826. Se se pudesse extrapolar para um período de seis anos, teríamos 30 mil vítimas só em um Estado, quando, no México inteiro, foram 55 mil – o que torna os dados desgraçadamente comparáveis.
Quando se transformam os números brutos em assassinatos por 100 mil habitantes, dá um infernal empate entre México e São Paulo (10 por 100 mil, com a diferença apenas depois da vírgula). Se se tomar o Brasil inteiro, piora para o Brasil: dados do Banco Mundial para 2011 apontavam, no Brasil, 26 mortes/100 mil habitantes, contra 11/100 mil no México.

Voltei
É espantoso que alguém escreva um troço desses e depois diga de alguma contradita que lhe façam ser “tolice pura”. São Paulo, segundo Rossi, estaria a se mexicanizar, entre outras coisas, porque apresenta o mesmo índice de homicídios: 10 por 100 mil. Uau! Ele próprio lembra que o do Brasil é de 26 por 100 mil — quase o triplo.

O dado intelectualmente vigarista desse debate é que, com esse índice, São Paulo ainda está em último lugar no ranking dos homicídios — a capital também. Não é impressionante? O Estado que tem o melhor desempenho nessa área estaria a precisar de auxílio federal, entenderam? Já os demais não precisam de nada.

Rossi quer fazer contas? Eu também! Se o Brasil tivesse o índice de homicídios de São Paulo, salvar-se-iam por ano 30 mil vidas. Não! Não se trata de negar a realidade. É claro que há um recrudescimento da violência e que o crime organizado, DE OLHO NA PAUTA DA IMPRENSA, resolveu participar do processo político. Como decidiu no México, diga-se. Aliás, o terrorismo também costuma fazer isso. A sorte do México é que a maioria do eleitorado, a despeito da dor, preferiu eleger um governo que enfrenta o narcotráfico a outro que faça acordo com ele.

Polícia X bandidos
A imprensa paulistana começou a fazer uma estranha leitura do mundo, segundo a qual ninguém ganha na guerra entre polícia e bandido, como se estivéssemos falando de duas forças antagônicas, porém legítimas. Se ninguém ganha na guerra entre esses lados, supõe-se que todos ganhem na não-guerra — os bandidos também. O sonho dourado do PCC, e não é de hoje, é derrotar o PSDB em São Paulo. O governo do estado comete um único erro nessa história toda: não reconhecer a existência do crime organizado e sua influência. Existe no mundo inteiro e também aqui. A questão é saber se o crime será enfrentado ou se vai se buscar um pacto com ele.

Periferia e crime organizado
Na periferia de São Paulo, crime organizado e política se misturam de maneira escandalosa, como sabem todos os candidatos que passaram por lá — os derrotados e os vitoriosos. A decisão do PSDB tem sido, felizmente, a de confrontar os bandidos. Outras forças pretendem fazer uma aliança objetiva com o crime, que hoje já se transformou numa cultura, que tem até uma estética — eu ousaria dizer que tem até uma “poética”. A rima é ruim, o som é de lascar! Mas eles estão cheios de amanhãs sorridentes!

Rossi, vejam lá, aponta o “infernal empate” entre México e São Paulo, mas nada diz do Brasil, com um índice de quase o triplo, a exemplo do Rio; em Pernambuco, do incensado Eduardo Campos, mais do que o quádruplo… E assim vai. Basta consultar o Mapa da Violência. Rossi deveria parar de opinar a partir “das aparências”, como confessa fazer, e procurar os dados — além de se ater à lógica.

De volta a Cardozo
Agora vamos voltar a Cardozo. À Folha, este impressionante senhor afirmou que o governo federal fez uma parceria com Alagoas, estado governado pelo PSDB, e que “o projeto, em 90 dias, reduziu em 50% o índice de violência nas cidades mais perigosas…”

Que bom, né, ministro?, poder falar uma tolice como essa e não ser contradito pela lógica e pelos fatos!

Alagoas tem mais de 60 mortos por 100 mil habitantes. Algumas cidades estão tomadas por pistoleiros. Em casos assim, ações pontuais têm mesmo um efeito imediato porque espantam ou desmobilizam gangues. Isso nada tem a ver com um combate efetivo e permanente da violência. Mais: assim como o recrudescimento da violência em 90 dias não significa um dado permanente, a queda também não implica uma situação definitiva. Por que este senhor não vai combater o tráfico de armas e drogas na fronteira? Não! O governo federal prefere financiar a estrada da coca na Bolívia com dinheiro do BNDES!!!

O ministro José Eduardo Cardozo está fazendo campanha eleitoral com dois anos de antecedência. E, lamento afirmar, o crime organizado passa a ser “parceiro objetivo” — parceiro objetivo não quer dizer, necessariamente, conluio ou formação de quadrilha, mas também não quer dizer o contrário… — nessa empreitada.

Para encerrar: se um dia São Paulo tiver os mesmos 26 mortos por 100 mil do resto do Brasil, aí Clóvis Rossi pode dizer: “Pronto! Já não é mais igual ao México; agora São Paulo está igual ao Brasil!” É o que o PT promete se um dia conquistar o poder no Estado.

Por Reinaldo Azevedo

 

Mais a petralhada grita, mais animado eu me sinto para a batalha da razão!

Já me referi aqui ao enxame de vespas assassinas que tentaram invadir o blog: “Aí, hein? E agora?” E agora o quê? Agora eu vou continuar a escrever. E, como se pode notar, em quantidade até superior ao que vinha fazendo porque eventos assim me estimulam. Quando algo me desagrada — como é o caso da eleição de Fernando Haddad e da pletora de análises cretinas que li, ouvi e a que assisti —, sou mais produtivo do que quando me agrada. Aliás, acho esse um bom princípio, que faz a humanidade avançar. Há sempre um quê de ocioso, de improdutivo e até de reacionário nas celebrações, não é? O seu extremo negativo é o saque, a depredação, a razia. O seu extremo positivo é a orgia dionisíaca. Em qualquer dos dois casos, falta a razão severa que contém os apetites e o saudável pessimismo que conduz à prudência. A vida sem contratempos seria um gozo permanente e, intuo, aborrecido. Acho que as virtudes de uma existência assim se esgotam quando abandonamos o seio materno. Depois disso, queridos, é só luta renhida.

Escrevo, sim, e escrevo com gosto, na contramão de certos consensos porque não tenho satisfações a prestar àqueles que se pretendem meus juízes, ora bolas! Tampouco me deixo patrulhar pelo sentimento de culpa que os petistas pretendem inculcar nos grandes veículos de comunicação, permanentemente acusados de ter preconceito contra o partido. Intimidados pelo clamor militante, alguns deles resolvem provar, então, que seus detratores estão errados, fazendo-lhes a vontade. Comigo, esse tipo de coisa não funciona porque não reconheço a legitimidade daquele tribunal — e os petralhas, até onde se sabe, não reconhecem a legitimidade do STF, não é mesmo? Eu faço o contrário: provo que eles estão errados atuando contra a sua vontade.

Assim, além de não reconhecer a autoridade daqueles juízes e de não me sentir compelido a provar a minha “inocência”, declaro, adicionalmente, que não alimento preconceito nenhum contra o PT. Eu discordo mesmo é dos conceitos, ora essa! Rejeito é a visão de mundo do partido. Por que não posso fazer as minhas escolhas sem ter de me desculpar por isso? Em que mundo vive essa gente?

Recuso o seu entendimento do que seja Justiça, e os episódios ligados ao mensalão — incluindo a pancadaria promovida pelos fascistoides de José Genoino — deixam claro de maneira eloquente os motivos. Na sua visão de mundo, um tribunal pode se orientar de acordo com a Constituição e com os códigos legais desde que não condene seus partidários. Se o fizer, eles passam a gritar: “Tribunal de exceção!”.

Rejeito o seu modo de disputar eleições, que só entende a linguagem da sujeição dos aliados e da destruição do adversário, que pode passar a ser um amigo no dia seguinte (como ocorre agora com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab) — desde que faça tudo direitinho e que reze segundo a cartilha da hegemonia elaborada pelo partido. Excomungo o seu jeito de entender as alianças políticas. A exemplo de outras legendas, pouco importa a identidade ideológica, de propósitos, de anseios. Não inova nisso. Mas só o petismo tenta transformar esses arreganhos fisiológicos numa categoria política superior: tudo seria feito tendo em vista os mais altos propósitos do Brasil, dos brasileiros e da humanidade. Repilo a sua concepção de democracia, que entende que o partido não tem de servir à sociedade, mas o contrário. Já escrevi aqui: eles querem uma OAB do PT, um sindicalismo do PT, uma economia do PT, uma cultura do PT, uma arte do PT… Execro sua visão autoritária e intolerante, incapaz de conviver com a crítica — de longa tradição da imprensa brasileira que se respeita — e sempre ocupada em buscar mecanismos oblíquos de censura. Abomino o uso descarado que faz o partido dos bens públicos em benefício dos seus e do seu projeto de poder, como se viu outra vez nesta eleição.

Publico na homepage um texto sobre este incrível José Eduardo Cardozo, que dizem, para escândalo do bom senso, ser pré-candidato a uma vaga no Supremo Tribunal Federal. De maneira desabrida, sem limites, sem pejo, sem meios tons, usa episódios de recrudescimento de violência em São Paulo para fazer política partidária. Afirma que o estado vem recusando ajuda federal, o que é mentira, como mentirosas eram as afirmações de Fernando Haddad, que acusava a gestão Kassab de ter se negado a fazer parcerias. Isso valia, claro, até o dia 27… No dia 28, o PT já dava tratos à sua aliança com… Kassab — que já se desenhava nos bastidores.

Política e políticos assim não me servem e não servem ao país — estejam em que partido estiverem, é bom deixar claro! Se o petismo ocupa mais o meu tempo nas críticas, é porque, reitero, só essa turma tenta transformar a sem-vergonhice explícita numa categoria superior de pensamento. O fato de outros deixarem explícito o seu oportunismo não muda a sua qualidade, é evidente; o fato de o PT tentar enobrecê-lo só acrescenta hipocrisia ao que é ruim em si.

Eu me pergunto: que tipo de gente, que tipo de mentalidade, que tipo, em suma, de caráter usa um caso tão grave e tão dramático como a violência para fazer puro proselitismo e para começar a jogar o xadrez da sucessão estadual? Estamos falando de vidas humanas; estamos falando da tranquilidade (ou desassossego) das famílias; estamos falando da vida de milhares de policiais, da de seus filhos, mulheres, mães… Cardozo acha mesmo que tem o que oferecer aos paulistas? Não é pelos jornais que ele deve fazer esse debate. O PT está no poder há 10 anos. Qual é o seu grande programa, afinal, de combate à violência?

É com esse tipo de gente que alguns esperam que eu condescenda? Não há o menor perigo de isso acontecer! E eu critico, sim! Sem culpa, sem trégua, sem pedir desculpas. Para os petistas, o mundo se divide em duas categorias: os que estão com eles e se subordinam a seus desígnios e os inimigos. E eu, definitivamente, não estou com eles porque não me subordino a partido nenhum nem reconheço seus tribunais, eles sim, de exceção!

Eles podem tirar o cavalo da chuva! De onde tirei este texto, posso tirar outros 200 mil, outros 200 milhões, deixando claro por que repudio a sua física e a sua metafísica do poder.

Texto publicado originalmente às 5h53

Por Reinaldo Azevedo

 

Os erros das pesquisas de intenção de voto, o número recorde dos que não votaram em ninguém e a arrogância

Houve uma abstenção inédita em São Paulo, como todo mundo sabe: 19,99% dos que podiam votar simplesmente não compareceram às urnas no segundo turno. Somados aos que votaram em branco (4,34%) e aos que anularam o seu voto (7,26%) — e hoje ninguém mais anula sem querer —, tem-se a soma fabulosa de 31,59%. De um eleitorado composto de 8.619.170, nada menos de 2.722.795 pessoas preferiram não votar em ninguém: ou não compareceram às urnas (a maioria), ou disseram que tanto fazia um como outro (a minoria do grupo) ou que nem um nem outro (o grupo intermediário). Muito bem. Dito isso, avancemos um pouco com outro dado.

Computadas as urnas, Serra obteve 44,43% dos votos válidos, contra 55,57% de Fernando Haddad, uma diferença de 11,14 pontos percentuais. No dia da eleição, o Estadão estampou a pesquisa Ibope, com margem de erro de três pontos para mais ou para menos: o petista venceria o tucano por 59% a 41%. Sim, senhores! O Ibope errou. Errou mais feio do que parece. Segundo o instituto, o mínimo que o petista teria seria 56% — e ele teve 55,57%; o máximo que tucano teria seria 44% — e ele teve 44,43%.

Mas não é só: Serra, como sempre, ficou, de fato, acima da banda superior da margem de erro; o candidato do PT, como sói acontecer com um petista, ficou abaixo da banda inferior. Notem bem: uma diferença que, segundo o Ibope, seria de 18 pontos foi, na verdade, 11,14 — 38% menor!

Segundo o Datafolha divulgado no dia 28 , o resultado seria de 58% a 42% para o petista, com margem de erro de dois pontos para mais ou para a menos. Serra, também nesse caso, ficou acima da banda superior, e Haddad, abaixo da banda inferior.  Atenção! Quatro dias antes do pleito, no dia 24, o Datafolha havia apontado uma diferença de nada menos de 20 pontos nos votos válidos — quase o dobro daquela que se viu de fato.

Desmotivação e abstenção
Escrevi ontem que certa desordem partidária — ideológica e conceitual também — provocada pelo fator Kassab certamente responde por boa parte daquelas quase 32% que preferiram não escolher ninguém. Os motivos estão lá expostos. Não vou repisar argumentos. Mas é claro que não pesou só esse elemento.

Ora, quando jornais afirmam, a quatro dias da eleição, que há uma diferença de enormes 20 pontos entre os candidatos, tenho como certo que provocam também a deserção de muitos eleitores do candidato que será fatalmente derrotado. Muitos se perguntaram — e eu mesmo ouvi essa indagação retórica de quem preferiu usar o domingo para passear: “Votar pra quê? Já está decidido mesmo!”

Os institutos têm as tais margens de erro justamente para acomodar a possibilidade do… erro! Se as extrapolam, alguma explicação tem de ser dada. Mas não se viu uma só — nem no primeiro nem no segundo turnos. Mais: quando um candidato é beneficiado pela extrapolação do limite superior, e o outro, prejudicado pelo rompimento do limite inferior, outra explicação tem de ser dada. E só se ouviu mesmo o silêncio.

O erro de São Paulo não foi o único, mas pode ter sido o mais importante. Não é segredo pra ninguém que pesquisas ruins disparam uma espiral de eventos negativas: há desmobilização de militantes, fuga de apoiadores, bate-bocas internos, jogo de empurra para saber quem está errando mais etc.

Quero ver o resultado das urnas por seções eleitorais para saber onde a abstenção foi maior. De toda sorte, é claro que as pesquisas podem ter tido peso importante nesse resultado. Uma diferença de 11 pontos tem um determinado impacto. Ainda permite articular a resistência. Uma de 20 é francamente desmobilizadora. Além de, infiro, interferir na disposição de milhares de pessoas, pode fazer com que outras tantas escolham o barco vitorioso. Todos já cansamos de ouvir histórias de pessoas que confessam não gostar de “perder”…

Arrogância
Não estou dizendo, porque não acho isto, que os institutos decidiram a derrota de Serra. O fator decisivo foi a gestão Kassab — que já começou a ser reabraçada pelo petismo a partir desta segunda-feira; afinal, como afirmou Rui Falcão, o prefeito, agora, é um aliado…  Mas estou afirmando, sim, que erros dessa magnitude podem ter interferido no resultado de maneira importante.

Não obstante, notem que os institutos acham que não têm rigorosamente nada a dizer. Acham que não têm explicações a dar. Ser dono de um instituto de pesquisa, nessas condições, sem o compromisso do acerto, passa a ser um bom negócio. A minha sugestão para os que se aventurarem na área é regular seus números — mesmo sem ter entrevistado ninguém — pela margem de erro dos figurões do setor. Um diz que o sujeito terá 34 pontos, com margem de erro de dois para mais ou para menos? Chute 33 e estabeleça margem de erro de três… Tende a dar certo. Se o número do que serviu de referência estiver estupidamente errado, o neófito que deu o truque estará em boa companhia… Pesquisas são instrumentos de medição privados. Pesquisas eleitorais, no entanto, dizem respeito à coisa pública, ainda que feitas por particulares. Continuaremos a fingir que tudo se deu de acordo com os conformes?

Texto publicado originalmente às 4h23

Por Reinaldo Azevedo

 

PT quer Genoino (aquele dos espancadores), condenado por corrupção e formação de quadrilha, com mandato de deputado! Que tal na Comissão de Ética?

Não é que o PT apenas considere o Supremo um tribunal de exceção. O partido, pelo visto, nem mesmo reconhece a existência do Judiciário. Leiam o que informa Bernardo Mello Franco na Folha. Volto depois.

Condenado, Genoino quer assumir vaga de deputado

Condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha no julgamento do mensalão, o ex-presidente do PT José Genoino ganhou apoio do partido para reassumir uma vaga na Câmara dos Deputados a partir do início de 2013. Ele pretende herdar a cadeira do petista Carlinhos Almeida, eleito para a Prefeitura de São José dos Campos, no interior paulista. Na eleição de 2010, Genoino foi candidato a deputado federal, mas não teve votos suficientes e ficou como suplente do partido. A cúpula do PT, que já fez desagravo ao ex-dirigente depois das condenações no STF (Supremo Tribunal Federal), já decidiu dar respaldo à sua posse em Brasília.

“O Genoino é o suplente e vai assumir. Sem problema nenhum”, disse à Folha o presidente do PT, Rui Falcão, na festa da vitória do prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad. Apesar do impacto negativo das condenações na opinião pública, deputados petistas têm manifestado internamente que sairão em defesa da volta do ex-dirigente à vida pública.

“Genoino precisa recuperar a sua cidadania política”, diz Paulo Teixeira (PT-SP), cotado para assumir a vice-presidência da Câmara em 2013, quando a Casa voltar ao comando do PMDB. A hipótese de retorno do ex-deputado vinha sendo tratada com discrição durante a campanha para não prejudicar candidatos petistas. Com a eleição de Haddad garantida, a defesa dos condenados no mensalão volta à pauta do PT, que divulgará uma nota sobre o resultado do julgamento nos próximos dias.

OBSTÁCULOS
Os planos de Genoino ainda podem esbarrar na decisão do STF. Petistas dizem que é preciso aguardar o fim do julgamento para saber se a pena de perda de função pública, aplicada a réus do processo, pode impedir a posse do ex-presidente da sigla. A defesa dele sustenta que as punições só valerão a partir da publicação do acórdão do STF, que ainda pode demorar até seis meses.
(…)

Voltei
A Folha defendeu dia desses, no editorial mais infeliz de sua história, que os mensaleiros tivessem penas alternativas, não de prisão. O PT resolveu levar a proposta a sério: quer José Genoino — aquele que foi visto em companhia de espancadores, inclusive de velhinhas — cumprindo pena como… deputado!

Eles não têm mesmo limites. O STF ainda não definiu a pena de Genoino. Se for condenado a mais de oito anos, tem de ficar em regime fechado — com direito a eventual progressão só depois de cumprir ao menos um sexto.

Aquele que a Justiça pode decidir pôr na cadeia, o PT quer na Câmara. É… Dado o partido, faz sentido.

Imagino a cena:
— Sua excelência o deputado corruptor tem de considerar que…
— Sua excelência o deputado quadrilheiro há de convir…

Mesmo processado pelo STF, o PT fez de João Paulo Cunha (SP) presidente da… COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA! Sugiro Genoino para a Comissão de Ética!

Texto publicado originalmente às 6h19

Por Reinaldo Azevedo

 

Reduto de Lula, Norte-Nordeste fortalece oposição

Por Maria Lima e Guilherme Voitch, no Globo:
O mito Luiz Inácio Lula da Silva, que em 2006 foi reeleito com 60,8% dos votos de seus conterrâneos nordestinos, e em 2010 ajudou a presidente Dilma Rousseff a fazer 70,5% dos votos na região, nestas eleições não teve forças para impedir que o Nordeste se transformasse no novo bunker do bloco PSDB/DEM. Juntas, as duas legendas levaram sete das 15 maiores cidades da região. Entre elas quatro capitais: Salvador, Aracaju, Maceió e Teresina. O mesmo fenômeno se repetiu no Norte, onde Lula teve 65,5% dos votos em 2006, e Dilma obteve 57,4% em 2010. Nas eleições de domingo, a oposição passou a controlar três capitais, com a vitória do PSDB em Manaus e Belém, e do PSOL em Macapá.

Além disso, o PSB, que já fala em alianças com os tucanos, consolidou-se nas duas regiões, com vitórias sobre o PT em Fortaleza e Recife, e em Porto Velho.

“O declínio do prestígio de Lula no Nordeste nestas eleições é um fato novo, relevante, que deve ser analisado. Ele foi a Salvador duas vezes. Em Fortaleza, foi uma vez. Gravou para o candidato do PT em Recife e não conseguiu virar as situações negativas. O que parece é que as pessoas se cansaram dessa coisa de mito, de deus. É um exagero dizer que ele foi o grande derrotado, porque ganhou São Paulo. Mas há um declínio de Lula, quer ele queira, quer não”, avaliou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que apoiou a candidatura de Geraldo Júlio, do PSB de Eduardo Campos.

Bolsa Família deixa de ser recurso eleitoral
Fora São Paulo, Lula centrou fogo no Nordeste, em comícios, carreatas e gravações para seus candidatos. Para a oposição, as derrotas de Lula se devem ao fato de grande fatia do eleitorado, beneficiada pelo o Bolsa Família, considerar o benefício uma política pública consolidada: “Lula perdeu força nessa eleição porque se exauriu um pouco essa coisa da Bolsa Família como fidelização do eleitorado”, avalia o diretor da CEF Geddel Vieira Lima (PMDB), que apoiou ACM Neto, do DEM, em Salvador.

Em Salvador, Lula usou o discurso do Bolsa Família e chamou ACM Neto de mentiroso:
“É uma mentira sórdida dizer que o avô dele (Antônio Carlos Magalhães) criou o Bolsa Família”, disse Lula no palanque de Nélson Pelegrino. Animado com a conquista de Aracaju e Salvador, o presidente do Democratas, senador Agripino Maia (DEM-RN) afirma: “Lula era uma fortaleza inexpugnável em Pernambuco, sua terra natal, uma potência no Nordeste. O exemplo mais emblemático do fim desse mito é Salvador. Ele desembarcou lá com Dilma, era Bolsa Família de ponta a ponta. Tinham obrigação de eleger o candidato deles lá. O pobre do Bolsa Família aprendeu a votar e votou em quem quis. O messianismo de Lula morreu”, disse Agripino.

No PSDB, o senador Aécio Neves (MG) ressalta o fortalecimento da oposição no Norte e Nordeste, onde estava praticamente aniquilada. E minimiza a liderança da dupla Lula/Dilma. “Com exceção de São Paulo, onde estiveram no palanque de Haddad, com um discurso muito raivoso, Dilma e Lula perderam todas. Não tem mais esse negócio de Lula ser o dono da cocada preta não! Voltamos para o jogo com muita força no Norte e Nordeste”, disse Aécio Neves.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Os puxa-sacos estão errados! Não foi a influência de Lula em SP que elegeu Haddad

Ontem, uma senhora de inteligência aparentemente avantajada cantava as glórias de Lula na televisão! Nunca antes na história destepaiz teria havido um vitorioso como ele! Ele seria o grande responsável pela eleição de Fernando Haddad em São Paulo; ele teria demonstrado a grandeza de sua influência em São Paulo, ele, ele, ele… O que posso dizer? Trata-se de uma opinião contra os fatos!

Sim, Lula tirou Fernando Haddad do bolso do colete, afastou Marta e o fez candidato. Como Haddad está eleito, a consequência vira a causa, e se pode apontar a genialidade de Lula. Vá lá… Mas terá mesmo o eleitorado paulistano votado no candidato petista porque o Apedeuta mandou? Vou fazer uma provocação: Lula foi derrotado (vou citar as cidades às quais ele especialmente se dedicou) em Manaus, Salvador, Recife, Belo Horizonte, Campinas, Diadema, Porto Alegre, Taubaté e, se querem saber, também em São Paulo!

O tamanho da influência do ex-presidente na cidade está na votação que Haddad obteve no primeiro turno. Não foi a influência positiva de Lula que o elegeu; foi a influência negativa de Kassab que deixou de eleger Serra. Fosse Lula assim tão poderoso também na capital paulista, seu candidato teria disparado, COMO JURAVAM TODOS OS ANALISTAS ISENTOS, PARTIDÁRIOS DE HADDAD, logo no primeiro turno. Não fosse a forte campanha de desconstrução da imagem de Celso Russomanno e a mobilização da máquina federal — como nunca antes… —, o rapaz não teria passado nem para o segundo turno, como todo mundo sabe.

O tamanho da influência de Lula em São Paulo, se querem saber, é MENOR — vejam como sou herético — do que o tamanho da influência do próprio PT na cidade e no estado, onde costuma ter um terço dos votos. Haddad ficou com 28,98% dos votos válidos.

Esse negócio de que Lula faz e acontece já é parte de uma estratégia eleitoral que está em curso — da qual também falarei oportunamente (vejam quantas pautas!): a disputa pelo governo de São Paulo. É claro que, no atual arranjo, Alexandre Padilha, ministro da Saúde, sai com alguma vantagem na disputa interna petista. Seria, para usar a metáfora do apedeuta, o novo “poste” com que ele pretende “iluminar o país”. O ministro, anotem aí, já é o pré-candidato predileto dos mesmos setores da imprensa que aderiram à candidatura Haddad.

Ocorre que Alckmin tem um governo aprovado pela maioria. A rejeição a seu nome é bem menos do que o eleitorado que tradicionalmente vota no PT. Por isso é preciso começar a demonizá-lo desde já. E a área escolhida é a segurança pública (também escreverei sobre isso; não vai faltar assunto, e não lhes vão faltar textos, hehe).

A tarefa número um da imprensa “pogreçista” agora é elevar a rejeição ao governador, tentando destruir a sua gestão, como destruída foi a de Kassab. Uma diferença positiva, no entanto, é que, até onde se sabe, Alckmin não está empenhado em ser base de apoio do PT…

Por Reinaldo Azevedo

 

Genealogia de uma derrota e desrespeito à inteligência

É claro que o tucano José Serra sofreu uma derrota importante na disputa pela Prefeitura de São Paulo. E ela precisa ser pensada.

Desde o começo
Sempre achei — e há textos a respeito — a sua candidatura uma operação de altíssimo risco. Como a memória, até agora, graças a Deus, nunca me falhou, sei bem o que escrevi no dia 19 de janeiro deste ano. Leiam (em azul):
Na verdade, nunca achei que [Serra]  cometeria a sandice de sê-lo [candidato à Prefeitura]. É evidente que [Serra] dispõe de todos os predicados para o cargo e fez uma excelente gestão quando prefeito – tanto é assim que se elegeu, pela primeira vez na história, governador no primeiro turno, em 2006. “Sandice” por quê? Porque seus adversários passariam a campanha cantando o samba de uma nota só: “Se for prefeito, vai renunciar para se candidatar à Presidência…” Ocupar-se-iam menos em dizer por que eles próprios deveriam estar na Prefeitura do que em dizer por que o outro não deveria. E estariam, ainda que com más intenções, vocalizando o sentimento de boa parte dos paulistanos, que acham que seu lugar é a Presidência. Uma pesquisa bem-feita e honesta revelaria esse dado, estou certo.”

Eis aí o que eu pensava e, obviamente, penso ainda. No mesmo texto, eu notava duas outras coisas:
1 – O jeito Kassab de negociar:
Negociando com os tucanos de um modo muito peculiar, o prefeito se encontrou com Lula e propôs uma aliança: indicaria o candidato a vice na chapa de Fernando Haddad. E ainda teria anunciado que levaria consigo uma penca de vereadores. Uma guinada e tanto na carreira do prefeito, não é?, que se elegeu com os votos dos não-petistas em São Paulo. Uma parte do PT reagiu mal, mas Lula mandou estudar a proposta, e o comando do Diretório Estadual diz que é preciso ver a possibilidade sem preconceitos. Imaginem só: Haddad candidato com o apoio de Kassab, restar-lhe-ia fazer oposição aos, bem…, aos tucanos do governo do Estado, suponho.”

2 – O risco PT
O cenário confuso de agora sugere, para muita gente, uma chance real de o PT vencer a eleição na cidade, o que não seria bom para ninguém – inclusive para o futuro presidenciável do PSDB, seja ele Serra, Aécio ou J. Pinto Fernandes…

De volta a outubro de 2012
Eu tenho compromisso com o que escrevo, ora! Posso ser surpreendido por decisões erradas ou insensatas deste ou daquele, mas o que interessa, para os leitores, é a natureza do jogo — e é isso que eles vêm buscar aqui. Por isso, passaremos dos 4 milhões de visitas neste mês. Adiante.

A decisão de Serra de se candidatar, dado o alinhamento, então, dos astros políticos, era arriscada e, em si, errada. Como se nota, não estou dizendo isso agora, não é? Não faço análise de ocasião. Mas Gilberto Kassab não lhe deixou outra saída. Emparedou-o com a decisão de apoiar Fernando Haddad à Prefeitura — a menos que o candidato fosse… o próprio Serra em razão da lealdade pessoal e coisa e tal… Para não ver fraturado o bloco que vinha governando a cidade o estado, lá foi o tucano para a operação arriscada, que chamei de “sandice” no dia 19 de janeiro. A questão é saber se havia alternativa. Não havia. O prefeito não aceitava nenhum outro nome do PSDB.

Então vejam que fantástico acontecimento se deu: os petistas, com o auxílio da imprensa amiga, ressuscitaram aquela cretina questão da renúncia (que só fazia sentido porque dela, supostamente, teria originado o poder de Kassab, o que é falso) e a juntaram com a rejeição ao prefeito. E passaram a atribuir a Serra um papel impossível: ele seria a um só tempo “guru” do prefeito — jornalistas usaram a palavra como informação referencial, como se fosse um dado da natureza — e continuador do pupilo; criador e criatura ao mesmo tempo… Lula impôs Fernando Haddad na base do dedaço, e esses mesmos iluministas saudaram: “Viva a novidade!”.

A armadilha
Muito bem! A decisão de Kassab de apoiar o PT a menos que Serra fosse o candidato empurrou o tucano para a disputa, que foi perdida justamente por causa do… fator Kassab! Aquele que levou Serra a se candidatar está na raiz de sua derrota. Tudo consumado, no dia, seguinte, já está negociando com…, Fernando Haddad, o vitorioso. Kassab encontrou um lugar na política que é o do “ganha ou ganha”.

Agora o futuro
Ontem, li e ouvi muitas manifestações as mais desrespeitosas sobre o futuro de Serra. Desrespeito menos à pessoa do político do que à inteligência de leitores e telespectadores. Muitos decidiram lhe dedicar um réquiem, como dedicaram a Arthur Virgílio há dois anos, quando foi derrotado na disputa por uma vaga ao Senado. Acaba de se eleger prefeito de Manaus com uma votação consagradora.

Não sei qual será o futuro político de Serra. Sei que ele continua a ser uma das cabeças mais lúcidas do país — afirmei isso no debate na VEJA.com e reitero agora — e que a propalada “renovação da política”, que teria sido revelada agora pelas urnas, é uma dessas soberbas tolices que só interessam às raposas que não renovam nada. Ainda escreverei a respeito.

O PSDB levará em conta o quadro que tem ou cairá na cascata da “renovação”? Considerando o histórico, a resposta pode não ser a mais lúcida. Ontem, não faltaram manifestações estúpidas. Há quem esteja vendo com bons olhos, sinal de enraizamento nacional do partido, a vitória em Manaus, Teresina, Maceió e Belém… Duas capitais na Região Norte, duas na Nordeste e nenhuma na Sudeste… Então tá!

Confrontando, como sói acontecer, o consenso, vejo menos renovação do que reiteração de certos arcaísmos no resultado das urnas. Terei a chance de expor os meus motivos. Afinal, se é para ler o que todo mundo anda dizendo por aí — o jornalismo brasileiro inventou o pool noticioso e o pool de opinião!!! —, por que entrar aqui, não é? Se todos têm a dizer a mesma coisa, por que haver tantos?

Por Reinaldo Azevedo

 

Conforme afirmei no debate de ontem (ver vídeo abaixo), presidente do PT já anuncia aliança duradoura com… Kassab!!!

Então, leitor…

Entre abstenções (19,99%), brancos (4,34%) e nulos (7,26%), quase 32% (31,59%) dos eleitores paulistanos deixaram de votar num candidato à Prefeitura de São Paulo. Nunca se viu algo assim na cidade. Faz sentido? Ô, se faz!

Eu lhe forneço um primeiro elemento para entender o que NÃO É um fenômeno no sentido que essa palavra pode assumir: o do evento surpreendente.

Rui Falcão, presidente do PT, já veio a público hoje. Com aquele seu modo de ser — ninguém é tão friamente indecoroso como ele —, anunciou que o PT pretende fortalecer a aliança com o PSD de… Gilberto Kassab!

Sim, a gestão Kassab foi o grande espantalho no programa eleitoral do PT. Ao prefeito se atribuiu até ter-se recusado a fazer parcerias com o governo federal, que teria oferecido recursos para projetos na cidade, supostamente recusados. Tudo isso é falso. Tudo isso é mentiroso. Essas coisas não aconteceram.

Não obstante, Falcão já está anunciando a parceria porque o PSD certamente fará parte da base de apoio de Haddad na cidade. Também estará na base no governo federal e, provavelmente, vai levar um ministério. É isto mesmo: tanto o petismo como o próprio prefeito estão a anunciar que quem perdeu ontem em São Paulo foi Serra; Kassab ganhou!!!

Falcão usa como exemplo o caso de Ribeirão Preto. Nessa cidade, Dárcy Vera, do PSD, disputou o segundo turno com Duarte Nogueira, do PSDB. Ela ganhou com margem apertada: 51,97% a 48,03%. Pois bem!

Dárcy teve o apoio do PT e, conta-nos Falcão, o que é verdade, isso se deu em troca da garantia de que ela estará no palanque de Dilma em 2014. Então vejam que coisa fabulosa: enquanto Kassab era o alvo fixo aqui em São Paulo, fazia acordo para apoiar Dilma em 2014 em Ribeirão — e, a rigor, em qualquer lugar.

De volta à abstenção
Por que tantos deixaram de votar? Em muitos casos, descrença da política, saco cheio mesmo! Vou tentar saber as zonas eleitorais de São Paulo em que a abstenção foi maior. É bem provável que seja nos bairros onde Serra e os tucanos costumam ter mais votos.

É indecoroso que Rui Falcão, o que batia, e Kassab, o que apanhava, apareçam no dia seguinte de mãos dadas, fazendo planos para o futuro, decidindo como eles continuarão no poder, a despeito do que diziam para os eleitores até o dia anterior. Fica parecendo que se tratava de uma combinação, em que um entrava com o soco, e o outro, com a cara. A recompensa viria depois.

Esse tipo de política, com essa desfaçatez e com essa falta de caráter partidário, não existe em lugar nenhum do mundo. Serra perdeu menos para Haddad do que para aqueles que deixaram de escolher um candidato em razão do tédio e da recusa de participar de um jogo que não reconheciam como válido.

Podem anotar aí: cessam as críticas de Fernando Haddad à gestão Kassab. A cada vez que anunciar um novo e miraculoso programa para a cidade, o “outro” que será permanentemente atacado será o PSDB, o governo estadual.

Por Reinaldo Azevedo

 

Fiquem tranquilos, petralhas! Não me furtarei a lhes dar motivos para babar!

Este pequeno texto, aqui no alto, é uma espécie de provocação para começar o dia. Vamos lá. A petralhada, claro! — afinal, sou o autor de “O País dos Petralhas I e II (depois falo dos próximos lançamentos) —, decidiu invadir o blog como um enxame de vespas. Os estranhos acham que estou arrasado, imobilizado, incapaz de escrever palavra. Bem, os posts que vão abaixo falam por si.

Não me conhecem! Em momentos assim, fico ainda mais animado. É uma pena que me faltem tempo e mãos para escrever de uma só vez tudo o que tem de ser escrito. Há muito a produzir a partir desta segunda e dias seguintes afora sobre essas eleições. Com tudo o que escrevi abaixo, não tive tempo ainda de me ater a questões importantes como:
– o desempenho de José Serra e a forma como foi tratado durante a campanha e no noticiário de ontem nas TVs e sites;
– a incrível situação de Gilberto Kassab, usado pelos petistas como espantalho e já o mais cobiçado futuro aliado;
– os mais de 30% de paulistanos que não votaram em ninguém;
– os tucanos que já começaram a falar bobagem sobre o passado e sobre o futuro;
– a conversa mole sobre a renovação;
– as apostas erradas sobre Eduardo Campos;
– o estranho jeito de errar sempre em favor dos mesmos das pesquisas em São Paulo;
– o dissabor de certo jornalismo com a vitória do DEM na Bahia…;
- a sonhada marcha rumo ao “Palácio de Inverno” (o dos Bandeirantes…);
- a aliança objetiva entre PCC e setores da imprensa de olho em 2014… 

E isso é só o começo. Vai aí a pauta que eu mesmo fiz para mim. E que, como sempre, vou cumprir.

É quando não gosto de um resultado, petralhas, que fico ainda mais produtivo! O contentamento é que é meio preguiçoso. De certo modo, vocês também são assim… Notem como não conseguem articular um discurso. Contentam-se com zurros de satisfação!

Fiquem tranquilos! Não lhes deixarei faltar motivos para a baba irracional costumeira!

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

11 comentários

  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Seu iletrado a Microsoft só faz "software" !!! Micros e computadores, roteadores, placas de rede, e outros bichos são "hardware" !!!!

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  • antonio carlos pereira Jaboticabal - SP

    ´Quando vc quer falar Compaq,microtec ,não esta falando nada ,fala em MICROSOFT ,vc parou no tempo !Poque foge do assunto,fala do MALUF, Quercia, Covas ,geraldão esta completamente perdido com o PCC, falou que tinha acabado kkkkkkkkkkkkkk.....pediu arrego e foi pedir PF. kkkkkkkk....

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  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Com petista idiota não perco mais meu tempo. Qto. voce recebe para postar essas m... (mercadorias) no site, hein ?? Fique sabendo que os primeiros PCs, Ats e Notebooks (Microtec, Scopus, Compaq e HP)vendidos no mercado paulista, para as grandes empresas, o foram por mim. Tenho só 19 anos de experiencia nessa área. O 1º Notebook da IBM, o Buterfly, vendido para o Dir. Pres. do grupo da Gessy Lever (Unilever), fui eu que vendi. Outros para a Philip Morris. Os primeiros desktops e notebooks vendidos (estes para área de vendas da Anderson Clayton) p/ Pirelli, Gessy Lever, Philips, etc., etc., também. Se voce e o seu filhinho estão usufruindo da internet p/ leigos (e pelo jeito muito mal) hoje devem em parte à disseminação feita por mim e outros aqui no estado de SP !! E o fim dos arcaicos Minis !!De informática eu conheço até o mega lítico dela !!! De volta ao assunto. E no assalto do Banespa feito pelo grupo dela , também estava ?? O FHC veio muito depois disso; teve o Sarnento antes que declarou moratória para o mundo !! Depois dos milita res. Voces mudam até cronologia e tempo !! Para mentir !! Quanto é 9 x 7 ??? A maior empresa deste país foi criada pelo Lula a "Mentirobras". Por que bloquearam a publicação das informações terroristas e policiais do poste 2 pelo Estadão ?? E tentaram calar o jornal com um processo, (que recentemente cancelaram)? Contrariando a nova lei sobre informações ?? Até hoje ?? Se é honesta e limpinha deixa publicar !! Tem um ditado "baianês" que diz "Quem num deve num tréme". Não adianta ficar rebatendo com bobagens as minhas colocações. Por acaso qual a justificativa para os seus erros de redação, grafia e de português ? Seus mesmo ?? É ignorancia pelo que afirmou !!! Petista é sempre assim !! Por ser menos preparado desde o nascimento (barriga ruim, berço idem, nunca sabe quem é o pai pois só a mãe é que sobra com o entulho, etc.) fica tentando desqualificar (derrubar)os outros para se nivelar com êles. E até ficar em posição melhor.

    Não procura se tornar melhor pelo esfôrço próprio. Tentando se instruir e se informar melhor das coisas. Quando faz uma afirmação como fez sobre a Dna.Ruth, no minimo está sendo rancoroso e despeitado; e mostrando o seu interior como é. Veja o teor da obra dela por inteiro !!! Ela não era uma "dondoca" como outras esposas de presidentes, frivolas e vazias !!As pessoas podem até se safar da justiça dos homens, mas da divi na "nunca !! Está guardada !!(O safadão já recebeu um aviso e não se tocou !! E se tratou no Sirio Libanes !! Por que não se tratou no SUS que segundo êle é o melhor do mundo ?? Até para dar exemplo do que vem fazendo para os pobres ??). A Marisa Leticia toda "butoxada" (dondoca pobre) já tirou passaporte e cidadania italiana a mais de 2 anos (veja jornal) para ela e seu neto. Para fugir quando a verdade vier à tona ?? Sabe lá se o safadão não os obteve na Venezue la, Bolivia, Paraguai, Cuba, Moçambique, etc ?? Só que argumento é argumento, requer conhecimentos, inteligen cia, raciocinio, cultura, e várias outras virtudes. Não ofensas e agressões !! Coisa de gente grossa e de baixo nível ! Este expediente só mostra a inteligencia curta de quem o pratica. !!! Se expondo ridiculamente para os outros !!!

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  • antonio carlos pereira Jaboticabal - SP

    Mauricio,a Dilma estava presa o FHC estava na França, quem bolou o sequestro foi ele sim, quanto o FHC ele comprou os deputados e mudou a constituição para levar mais um mandato, vc esta muito mal informado, para de ler coisas que o Reinaldo escreve,este cara mostra claramente que muito revoltado, vc é maria vai com as outra, vc precisa ter ideias próprias. De uma pensem um pouco, quantas UNIVERSIDADE o FHC fez ? Porque a esposa dele não fez ele enxergar que um Pais precisa de UNIVERSIDADES,esta mulher foi tarde.O General João Figueiredo deixou somente um apartamento para os filhos. SP teve somente um bom governador,FRANCO MONTORO, deu para vc ver como estou muito atualizado, deu para vc aprender um pouco comigo?? Ó meu filho é Mestrado em Engenharia de SISTEMA pela UNESP, vc falar que os erros são de transmissão, mostra que tu és LEIGO no assunto.

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  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Infelizmente para nós, uma geração, duas e até três, são obrigadas a passar por enormes provações para evoluir e ter o que seus avós pais e irmãos acredita vam e desjavam que teríamos. O Brasil, a cada ano, perde várias oportunidades de melhorar, pelo povo, que mal instruido, de berço ruim e barriga ruim, não contribue em nada a não ser com o seu suor e trabalho. Lá em cima do pescoço tem alguma coisa que não faz a diferença requerida !!! Mas a história deixará tudo registrado. Quem viver verá !!!

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  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Que professor, hein ??? Basta ler o que escreve para saber que é ruim em idéias e o português !!! Um professor que se preza deve ler muito,e procurar separar o que é verdadeiro do que não é !! Ter idéias e opinião própria, obtida de informações idoneas e de fonte idem !!! Se voce não tem partido, por que toma partido do PT ??? Só pelo Mensalão o PSDB teve um cara metido e lá em Minas. Os do PT são dezenas e até diretores do partido, ou base de sustentação da Mentirobras que assola o país !! É só pesquisasr na midia !!! Internet !! Está tudo lá !!! Qual a diferença, hein ??? Pela lógica estupida do safadão "virtude" e "bons costumes" já eram. Lei é "tapetão" !!

    Um absurdo !! Será que êle sabe quanto é 9 x 7 ? E voce ? Quanto é 8 x 9 ??? Mas garanto uma coisa !! Em safadeza e enganar os 70%, êles são catedráticos e pós graduados !! Fóra os simplórios aficcionados. Voce esqueceu, por acaso que a Dilma foi gerentona do Lula em 2/3 do seu mandato ??? E que tudo que está vindo à tona foi vivenciado por ela na famosa "sala ao lado", da do presidente, que não sabia de nada, nem desconfiou, e de onde cairam o anterior ao Dirceu, uma tal de Erenice e outras figuras ???

    No minimo voce não lê jornais, nem vê TV, nem explora a internet que é a maior fonte de informação à nossa disposição. Voce vê todos os lados. E tira as suas conclusões se não tiver músculos no cérebro !! Aliás só deveria opinar quem tivesse QI suficiente !! O meu é de 180 !! E o seu ?? Acho que voce errou ao dizer que foi o FHC que inventou o sequestro !! Não foi a Dilma não ?? E outra coisa não é "faz" mas "faça" !!!

    E êles, se quiserem, é só consultarem a internet !!

    Agora, fazer dossiê até contra a D. Ruth para mim é no mínimo bandidagem !!! O Pedro Malandro ia ao FMI porque o Sarney, "amigão" do Midas, quebrou o pais em 1999 e deu um calote no mundo inteiro, deixando-nos mais sujos que pau de galinheiro perante o mundo !!

    Acho que sobre isso voce não se informou e está lá na internet. É só procurar pela biografia do Sarnento e sua familia dos irmãos Metralha !!! Está tudinho lá !!! Outro detalhe !! Os erros que aparecem nas minhas mensagens são de transmissão delas. Eu nunca escreveria "cérenbro", ainda mais com "n" antes de p e b.

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  • antonio carlos pereira Jaboticabal - SP

    Mauricio eu sou Prof. e bem sucedido , me parece quem faz parte dos 70% é vc que não sabe escrever. Como bom Prof. eu não tenho partido. O STF soltou o MALUF, FHC implantou o sequestro no Brasil,já que vc é o bom, faz um bom comentário sobre os dois para mostrar aos jovem. O PEDRO MALANDRO só sabia ir no FMI. A gasolina era a mais cara do mundo, precisa baixar para 1,00, já pensou se Lula tivesse dados tantos aumentos,qual seria o preço hoje ?Vc e o Reinaldo vão ter infarte. Lula e Dilma não serão fácil tirar do poder,Fala do Sarney este sim é bom ?

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  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Oh! Antonio Carlos !! Ficou bravinho poeque se fala a verdade ??? Deveria aplaudir pois estamos com nossos comentários ajudando as pessoas que tem músculos no cérenbro a entender melhor o que é este país de verdade.

    A verdade sempre vem à tona !!! Para os fanáticos vai doer mais quando vier !!! E outra coisa importante !! Se voce se queimou por causa do canavial !! Fique sabendo que o PT e sua troupe estão mais interessados em petróleo e o cabidão de empregos que gera !! Etanol para êles é nome feio !!! Só outra dica aqui !

    a Dilma quando ministra aprovou 40 termo-elétricas só para o Nordeste !!! Que queimam GLP ou Diesel !! Nem passam perto de Etanol !! Algumas estão recebendo sem produzir nada, pois não estão funcionando !!! Pois já tem contrato assinado !!! Por que voce não cobra um plano para o etanol, que aqui concorre com o petróleo da Petrobras. Estão pouco se lixando para os canavieiros !!! Agora se voce é um dos 70% de semianalfas que é obrigado a votar mas não sabe como escolher e vota por pesquisas falsas, danou-se !!!

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  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Colocaram no Enem questóes sobre "mais valia" que o PT quer passar para semianalfas !!! Aquela do cortador de cana ! Só que defende de um lado um interresse e do outro mente e ignora ! Bem do ideário comunista !!!

    Êles sairam todos das montadoras e conseguem anualmente polpudos aumentos !! Em contrapartida para as greves detonadas quando os pátios estavam e estão cheios !!! Só que quando o país passou de 1 milhão de carros produzidos para 3 milhões êles não falaram que foi com a instalação de robôs !!

    Os funcionários da área que eram em torno dos 140 mil continuaram os mesmos !!! PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR : QUANTOS FUNCIONÁRIOS SÃO SUBSTITUIDOS A CADA ROBÔ INSTALADO ???? E o CAGED como é que deteta de verdade quantos empregos foram criados, pois não tem esse campo no formulário ?????

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  • antonio carlos pereira Jaboticabal - SP

    MAURICIO sua ANTA ,vc e o Reinaldo vão ter infarte, voces não tem filhos para cuidar ?

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  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Reinaldo !! O povo do estadao São Paulo já está em rota de submersão nesse mar de lama que se aproxima. 70% dos eleitores são semianalfas e segundo o Midas da Sujeira "só lhes interessa saber se o verdão vai cair"; resta para nós, "os de olhos azuis" salvar a pátria !!! Como somos minoria, danou-se !!! A avassaladora omissão das pessoas mais preparadas no cenário politico já está decretada. Voce deveria fazer que nem o Estadão fez, publicar poesias !! Não há nada a fazer, está tudo dominado; quanto recebem de verba ou facilidades, a TV Globo, Folha, Datafolha, etc ?? Do gov. federal ou das CNT e CNI orgão de propaganda safada do governo !!! A última é a expecta tiva de crescimento dos consumidores. A FIESP foi usada pelo Lula, com os Meireles e o vice- falecido e hoje os seus herdeiros são donos de mercado textil no país. E assim por diante !! Essa industria é insignificante, hoje !! Nos shoppings e magazines temos tudo de fóra, India, Paquistão, China, e até Vietnã !!! Mas o safadão do mineiro colocou fábrica de camisetas até nos EUA, para n/ pagar impostos. E criou muitos empregos lá fóra !! Já foi tarde !! Só um é que não vai, a praga do século !!! Meu amigo. enquanto não aparecer uma campanha "voto facultativo" e outra "pesquisa limpa" (não as que entrevistam 1/2 duzia ou 0,02 % e dizem p/ os ignorantes votarem no poste x porque milhões assim o dizem) para nos salvar estare mos indo pro brejo, com mentiras e mais mentiras !!! A maior e mais séria é a do Pré-Sal que teremos que jogar U$ 600 bi que não temos e nem teremos para ter quem sabe em 2020 ou 2040 petróleo farto e barato !!! Pano rápido !!!

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