Na Folha: Lula e Rosemary, no centro do novo escândalo, eram amantes desde 1993

Publicado em 01/12/2012 07:20 e atualizado em 05/03/2020 08:04 9341 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Um homem público ter uma amante é ou não assunto relevante? Nos EUA, basta para liquidar uma carreira política, como estamos cansados de saber. Foi um caso extraconjugal que derrubou o todo-poderoso da CIA e quase herói nacional David Petraeus.

Desde quando estourou o mais recente escândalo da República, todos os jornalistas que cobrem política e toda Brasília sabiam que Rosemary Nóvoa Noronha tinha sido — se ainda é, não sei — amante de Lula. Assim define a palavra o Dicionário Houaiss: “Amante é a pessoa que tem com outra relações sexuais mais ou menos estáveis, mas não formalizadas pelo casamento; amásio, amásia”.

Embora a relação fosse conhecida, a imprensa brasileira se manteve longe do caso. Quando, no entanto, fica evidente que a pessoa em questão se imiscui em assuntos da República em razão dessa proximidade e está envolvida com a nomeação de um diretor de uma agência reguladora apontado pela PF como chefe de quadrilha, aí o assunto deixa de ser “pessoal” para se tornar uma questão de interesse público.

O caso, com todos os seus lances patéticos e sórdidos, evidencia a gigantesca dificuldade que Lula sempre teve e tem de distinguir as questões pessoais das de Estado. Como se considera uma espécie de demiurgo, de ungido, de super-homem, não reconhece como legítimos os limites da ética, do decoro e das leis.

Outro dia me enviaram um texto oriundo de um desses lixões da Internet em que o sujeito me acusava de “insinuar”, de maneira que seria espúria, uma relação amorosa entre Rose e Lula. Ohhh!!! Não só isso: ao fazê-lo, eu estaria, imaginem vocês!, desrespeitando Marisa Letícia, a mulher com quem o ex-presidente é casado. Como se vê, respeitoso era levar Rose nas viagens a que a primeira-dama não ia e o contrário.

Mas isso é lá com eles. A Rose que interessa ao Brasil é a que se meteu em algumas traficâncias em razão da intimidade que mantinha com “o PR”. Lula foi o presidente legítimo do Brasil por oito anos. A sua legitimidade para nos governar não lhe dava licença para essas lambanças. Segue trecho da reportagem da Folha. Volto para encerrar.
*
A influência exercida pela ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, no governo federal, revelada em e-mails interceptados pela operação Porto Seguro, decorre da longa relação de intimidade que ela manteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rose e Lula conheceram-se em 1993. Egressa do sindicato dos bancários, ela se aproximou do petista como uma simples fã. O relacionamento dos dois começou ali, a um ano da corrida presidencial de 1994.

À época, ela foi incorporada à equipe da campanha ao lado de Clara Ant, hoje auxiliar pessoal do ex-presidente. Ficaria ali até se tornar secretária de José Dirceu, no próprio partido. Marisa Letícia, a mulher do ex-presidente, jamais escondeu que não gostava da assessora do marido. Em 2002, Lula se tornou presidente. Em 2003, Rose foi lotada no braço do Palácio do Planalto em São Paulo, como “assessora especial” do escritório regional da Presidência na capital. Em 2006, por decisão do próprio Lula, foi promovida a chefe do gabinete e passou a ocupar a sala que, na semana retrasada, foi alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal.

Sua tarefa era oficialmente “prestar, no âmbito de sua atuação, apoio administrativo e operacional ao presidente da República, ministros de Estado, secretários Especiais e membros do gabinete pessoal do presidente da República na cidade de São Paulo”. Quando a então primeira-dama Marisa Letícia não acompanhava o marido nas viagens internacionais, Rose integrava a comitiva oficial. Segundo levantamento da Folha tendo como base o “Diário Oficial”, Marisa não participou de nenhuma das viagens oficiais do ex-presidente das quais Rosemary participou.
(…)
Procurado pela Folha, o porta-voz do Instituto Lula, José Chrispiniano, afirmou que o ex-presidente Lula não faria comentários sobre assuntos particulares.

Encerro
Como se vê, Lula considera Rosemary um “assunto particular”, o que soa como confissão. Só que ela era chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo. O Brasil pagava o salário do “assunto particular” do Apedeuta. Ainda assim, ela poderia ter sido uma funcionária exemplar. Não parece o caso…

É um modo de ver a República. O mesmo Lula que classifica a chefe de gabinete da Presidência em São Paulo de “assunto particular” não distingue a linha que separa o interesse público de seus impulsos privados.

PS – Não deixem que a sordidez da história contamine os comentários. Há sempre o risco de se ultrapassar a linha do decoro em temas assim. Façam o que Lula não fez.

Texto publicado originalmente às 4h47

Por Reinaldo Azevedo

 

O falante Lula está em silêncio. E quando fala…

Lá vou eu fazer uma provocação… Depois que o “neoliberalismo de esquerda” — sim, o Brasil inventou essa outra jabuticaba — transformou pobre em “classe média”, decretou-se o fim do pecado ao sul do Equador. Tudo é permitido. Por que essa introdução?

Luiz Inácio Apedeuta da Silva participou ontem de uma solenidade com catadores de papelão. É um homem do povo, vocês sabem. Desde que estourou o mais novo escândalo da República — este que tem a sua amiga Rose como uma das protagonistas —, o normalmente loquaz e buliçoso líder petista se calou. Indagado por jornalistas sobre a lambança, ele afirmou:
“Muita gente não quer entender por que nós tiramos 28 milhões de pessoas da miséria, por que se levou (sic) 40 milhões de pessoas para a classe média, por que se gerou (sic) quase 20 milhões de empregos nesse país. As notícias ruins são manchetes, as notícias boas saem pequenininhas assim”.

É a ladainha de sempre — e mentirosa, como sempre. A verdade está justamente no contrário. O noticiário comprou, por exemplo, a balela desta pujante “classe média” espalhada por cortiços e favelas. O Brasil está prestes a extinguir a pobreza por decreto. Basta mais um mandato petista…

Aí, seguindo a lógica lulo-petista, basta colher uma nova safra de escândalos.

Por Reinaldo Azevedo

 

O Lula da Rosemary já estava no Lula que caçava viuvinhas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo; lá já se revelava uma natureza

Já escrevi aqui um post sobre os aspectos mesquinhos, “petequeiros”, jocosos e até grotescos que envolvem as relações de Rosemary Nóvoa Noronha, um cacho amoroso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a coisa pública. Eles acabam desviando a nossa atenção do essencial. À sua maneira, as tentações ancilares do ex-mandatário retiram a óbvia gravidade de mais um escândalo. Atrevo-me a dizer que a lambança que ora vem à luz constitui, mais do que o próprio mensalão, um emblema do jeito petista de fazer política — ainda que possa não ter o mesmo alcance. Por quê? Porque, desta feita, além de todos os escrachos, encurta-se o caminho que separa o que deveria ser a alta política das urgências ou incontinências do baixo ventre.

Lula levou para o ambiente palaciano o que era, segundo ele próprio confessou em uma antológica entrevista, a sua rotina no mundo sindical. Falando à revista Playboy em 1979, este gigante moral confessou como atuava quando trabalhava na área de seguridade social do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Ficava de olho nas viúvas. Mal um companheiro batia as botas, ele se apresentava para o trabalho de consolação.

Foi com essa disposição, ele próprio contou, que conheceu sua atual mulher, Marisa Letícia. Um taxista lhe contara que o filho havia sido assassinado e que sua nora havia prometido jamais se casar. E Lula, este ser, como direi?, verdadeiramente aristotélico, orientado teleologicamente para o bem, pensou com aquela dignidade que lhe é imanente: “Qualquer dia ainda voou papar a nora desse velho”. Eu não estou fazendo caricatura, não! A fala é dele mesmo!  A “nora” era Marisa. Ela deu certo. Miriam Cordeiro nem tanto. Deixemos que ele mesmo fale, com o seu estilo inconfundível:

“Nessa época, a Marisa apareceu no sindicato. Ela foi procurar um atestado de dependência econômica para internar o irmão. Eu tinha dito ao Luisinho, que trabalhava comigo no sindicato, que me avisasse sempre que aparecesse uma viúva bonitinha. Quando a Marisa apareceu, ele foi me chamar”.

O que diz mesmo Aristóteles no Capítulo I do Livro I de “Política”? Isto: “A natureza de uma coisa é o seu estágio final, porquanto o que cada coisa é quando o seu crescimento se completa nós chamamos de natureza de cada coisa, quer falemos de um homem, de um cavalo ou de uma família”. Como se nota, na consideração do filósofo, o Apedeuta se encaixa também na espécie. O Lula da Rosemary já estava no Lula das viúvas dos companheiros metalúrgicos. O Lula do Palácio já estava no Lula do sindicato como a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos… Aristóteles, Machado de Assis… Eu faço um esforço danado para fazer Lula parecer mais interessantes do que é…

As folias de alcova são uma espécie de ilustração e de emblema dos que se esbaldam no poder. Suetônio (mais um esforço!), com os “Os Doze Césares”, nos legou certamente uma leitura distorcida dos interiores do Império Romano, com os imperadores meio afrescalhados dos filmes de Hollywood. Mas ilustrou como ninguém a corrupção de caráter a que pode conduzir o poder. Sempre que Lula faz tábula rasa do passado e se coloca como o ser inaugural da civilização, penso, por exemplo, em Calígula, que mandou tirar do Capítólio e destruir as estátuas de homens ilustres que Otávio Augusto mandara lá instalar. Tentou banir de Roma os poemas de Homero (!!!), afirmando que o próprio Platão quisera expulsar os poetas da República. Mandou cassar das bibliotecas as obras de Virgílio e Tito Lívio; ao primeiro faltariam engenho e saber; o segundo seria loquaz demais e inexato. As almas tiranas não se contentam em comprometer o futuro. Também querem reescrever o passado.

Nosso Calígula não papou só viuvinhas. Como escrevi em 2009, olhou um dia para Brizola e Arraes e pensou: “Ainda vou papar a base política deles”. No governo, olhou para FHC e pensou: “Ainda vou papar o Plano Real dele”. Lula é assim: vai papando o que encontra pela frente: as viúvas, as biografias alheias, a história… Na entrevista à Playboy, ele também aborda folguedos sexuais com animais — mas não me alongo a respeito

Antes que continue, respondo a alguns tontos que resolveram invadir o blog para, claro!, atacar… FHC! Então este também não tivera um caso amoroso fora do casamento? Não acabou assumindo um filho, que depois se comprovou não ser seu? Tudo verdade! Só que há uma diferença essencial: o ex-presidente tucano não alojou uma amante, que depois passou a atuar em benefício de uma quadrilha, num cargo público. Ora, a imprensa brasileira jamais se ocupara antes das namoradas de Lula. O nosso jornalismo é muito diferente do americano ou do inglês. Se os jornalistas contassem 10% do que sabem das festinhas de Brasília, a República cairia algumas vezes por ano. Mas se calam. Há um pacto de silêncio que, às vezes, milita contra a verdade e contra o interesse público. Jornais à moda dos tabloides ingleses fariam a farra por aqui. E não precisariam cometer nenhum dos crimes do News of the World. Tendo a achar que fariam um bem aos brasileiros.

Na imprensa americana, casos amorosos de autoridades são notícia, esteja ou não o interesse público envolvido. Entende-se que aqueles que se apresentam para representar a sociedade — presidentes, congressistas, juízes — têm de comungar de alguns de seus valores médios. Talvez fosse o caso de lembrar Aristóteles outra vez: a “cidade tem precedência sobre cada um de nós individualmente”. Na sua vertente maligna, o princípio justifica ditaduras; na sua vertente benigna, faz as grandes democracias. Se o sujeito quer ter o poder da representação, obriga-se a acatar certas noções de decoro — e, nesse caso, amantes nunca são uma questão privada; são questões sempre públicas. Desconfio daqueles que acusam o “excesso de moralismo” do povo americano nessas questões. Acho que se trata apenas de uma República que leva a sério seus fundamentos. Por aqui, um ministro do Supremo tem o topete de defender na corte que criminosos do colarinho branco não cumpram pena em regime fechado.

Em Banânia, mais lassos, mas relaxados, mais tolerantes, fazemos esta distinção: se a(o) amante nada tem a ver com a administração pública, então não há notícia. Notem que o caso Rosemary circulou por alguns bons dias sem que se desse o devido nome às coisas — ou às relações. O que os petistas queriam desta vez? Calígula resolve misturar os seus folguedos com as questões da República — sua amante está no centro de um escândalo —, e o país deve fazer de conta que se trata de “questão pessoal”? Tenham paciência. O Babalorixá de Banânina já chamou de “questão privada” os milhões que a Telemar (hoje Oi) investiu na empresa de um seu filho — a gigante da telefonia tem entre seus sócios o BNDES e foi beneficiada por decisão pessoal do então presidente. Tudo questão privada!!!

Chega, né, Fanfarrão Minésio? A coisa já foi além da conta! Perguntem, por exemplo, se a televisão americana noticiou ou não o caso entre Bill Clinton e aquela estagiária. Ora… E ele estava no exercício da Presidência. Não tentem me provar que somos mais sábios por aqui. Acho que não! Tanto não somos que mal um escândalo chega a termo na Justiça, outro já surge.

Caso grave
A coisa é grave, sim, por qualquer ângulo que se queira. Rosemary até podia não reivindicar para si somas fabulosas  — uma Pajero em que ela circula pertence ao esquema criminoso —, mas aqueles em favor dos quais atuava mexiam com interesses bilionários. Tanto ela como Paulo Vieira, apontado como o chefe da quadrilha, estavam em seus respectivos postos por vontade de Lula — aquele que nunca sabe de nada. Nunca antes nestepaiz tantas pessoas traíram tanto um só homem, não é mesmo?

Não dá! A VEJA desta semana traz uma foto da decoração que Rosemary escolheu para o escritório da Presidência em São Paulo. Há um painel gigantesco de Lula brincando com uma bola. As almofadas dos sofás trazem impressas a imagem de… Lula! É a perfeita ilustração da captura do bem público por interesses privados.

Texto publicado originalmente às 7h25

Por Reinaldo Azevedo

 

Fux vira alvo da artilharia pesada de Dirceu e admite que levou seu currículo para aquele que o STF, inclusive o próprio ministro, considerou corruptor e quadrilheiro

Se querem saber por que o Brasil ainda está longe de ser uma República, leiam o vasto material que há hoje da Folha sobre a indicação do ministro Luiz Fux para o Supremo Tribunal Federal. Ele próprio fala longamente e diz coisas constrangedoras. Patéticas até. Fux decidiu falar porque os petistas estão fazendo a sua caveira nos bastidores, especialmente junto à imprensa. O mínimo que dizem é que ele foi nomeado porque havia prometido inocentar os mensaleiros. Uma vez no cargo, fez o contrário: é o único membro da corte que praticamente não divergiu do relator e agora presidente do Supremo, Joaquim Barbosa.  Fux esteve com José Dirceu e com João Paulo Cunha, dois dos condenados à cadeia, à época apenas réus. Admite que a sua possível nomeação foi debatida. Mais: encontrou-se também com a mulher de Dirceu, que é diretora do jornal “Brasil Econômico”. Agendou-se uma entrevista de cinco páginas… Vou criticar as falas de Fux, mas, antes, vai um elogio.

Se os petistas estavam absolutamente certos de que Fux votaria com eles e se só pressionaram por sua nomeação com esse objetivo, impõem-se duas conclusões ditadas pela lógica:
a: dado que ele era considerado um dos candidatos possíveis para o cargo e que tinha currículo para tanto, não teria sido nomeado se não tivesse feito, então, a cena;
b: se nomeado foi e se não está votando conforme os petistas esperavam, deve-se concluir, ao menos, que os companheiros não têm como chantageá-lo, o que não deixa de ser um boa notícia.

Máquina de desqualificação
Alertei aqui, outro dia, que os ministros do STF tinham de se cuidar porque teria início uma onda de desqualificação. Luiz Fux é só primeiro. Outros virão. O que é mais espantoso nessa história toda é que petistas afirmam ou sugerem que o mensalão foi, sim, tema do encontro com Fux. Vale dizer: antes mesmo que o ministro fosse indicado, já se cuidava de tentar fraudar a Justiça.

Reproduzo trechos da entrevista que Fux concede a Mônica Bergamo na Folha de hoje. Tudo é bastante vexatório para ele, para o STF, para a Justiça brasileira, para o país. Leiam. Volto em seguida.

(…)
ANTÔNIO PALOCCI
“Na primeira vez que concorri, havia um problema muito sério do crédito-prêmio do IPI que era um rombo imenso no caixa do governo. Ele era ministro da Fazenda e foi ao meu gabinete [no STJ]. Eu vi que a União estava levando um calote. E fui o voto líder desse caso. Você poupar 20 bilhões de dólares para o governo, o governo vai achar você o máximo. Aí toda vez que eu concorria, ligava para ele.”

DELFIM NETTO
“Em 2009, participei com ele de um debate sobre ética, sociedade e Justiça. Fizemos uma amizade, batemos um papo. E aí comecei a estreitar. Porque, claro, alguém me disse: “Olha, o Delfim é uma pessoa ouvida pelo governo”. Aí eu colei no pé dele [risos].”

STEDILE
“Ele me apoia pelo seguinte: houve um grave confronto no Pontal do Paranapanema e eu fiz uma mesa de conciliação no STJ entre o proprietário e os sem-terra. Depois pedi a ele para mandar um fax me recomendando e tal. Ele mandou.”

SERGIO CABRAL
“Eu sou amigo dele e também da mulher dele. E ele levou meus currículos [para Dilma]. Você tem que ter uma pessoa para levar seu perfil e seu currículo a quem vai te nomear. Senão, não adianta. Agora, também não posso me desmerecer a esse ponto: eu tinha um tremendo currículo, 17 livros publicados.”

Voltei
É patético ter de ler um ministro do Supremo a confessar que ficou cabalando votos junto a pessoas influentes para que, afinal, seu currículo fosse considerado. É evidente que jamais deveria ter pedido o auxílio de Dirceu. É evidente que jamais deveria ter se reunido com João Paulo…

O dado mais espantoso dessa história toda é que os próprios petistas admitem, por linhas tortas, que estavam tentando fraudar a independência do STF. A assessoria de Dirceu vaza que houve mais de um encontro. O deputado Cândido Vaccarezza, presente ao encontro do agora ministro com João Paulo, dá a entender que se tratou, sim, do mensalão!

Os petistas estão num operação para desmoralizar Fux e pespegar nele a pecha de traidor. E não têm nenhum receio de confessar que estavam armando uma conspirata para fraudar a evidência dos autos e dos fatos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ex-diretor atuou para “anistiar” dívida de R$ 120 mi de empresa com porto

Por Julia Duailibi, no Estadão:
O ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Vieira, indiciado na Operação Porto Seguro, atuou para aprovar uma “anistia” a uma empresa que operava um terminal no Porto de Santos. Então presidente do Conselho Fiscal da Companhia Docas de São Paulo (Codesp) em 2005, Vieira articulou um acordo que previa um aditivo ao contrato da Libra Terminais que perdoaria quase 85% da dívida – cerca de R$ 120 milhões.

A Polícia Federal deflagrou a Porto Seguro após o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Cyonil Borges ter dito que Vieira lhe encomendou por R$ 300 mil um parecer para beneficiar a Tecondi, que também opera no porto. Para a PF, o ex-diretor da ANA comandava uma quadrilha que vendia pareceres públicos.

A negociação com a Libra teve o apoio do então presidente da Codesp, José Carlos Mello Rego, indicado pelo deputado Valdemar Costa Neto (PR), com o aval do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR). Na época, a Codesp era institucionalmente ligada a esse ministério.

Indicado pelo PT para atuar no porto, Vieira articulou em 2005 uma nota técnica com o então presidente do Conselho de Administração, o petista Danilo de Camargo, para embasar o aditivo da Libra. Ele chegou a procurar a Advocacia-Geral da União (AGU) para tratar do assunto. Um parecer da instituição defendeu o acordo.

“Salta aos olhos no presente caso a necessidade de reequilíbrio consensual do pacto em análise, até por ser, em última análise, a solução mais eficaz e menos dispendiosa disponível”, disseram integrantes da AGU que atuavam nos Transportes.

Vieira foi ao Conselho de Administração defender o acordo, que teria de ser apreciado anteriormente pela diretoria. Na ocasião, foi questionado se o assunto havia sido analisado pelo Conselho Fiscal. Disse que sim. Semanas depois, teve de se corrigir. “O conselheiro Paulo Rodrigues Vieira solicita que seja feita retificação ao registrado, declarando que o assunto relativo à nota técnica sobre o aditamento com a Libra não foi apreciado pelo Conselho Fiscal”, diz a ata da reunião do Conselho Fiscal de outubro de 2005.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

Pajero de R$ 55 mil usado por Rose pertencia a esquema de Paulo Vieira

Por Alfredo Junqueira, no Estadão:
Relatório da Operação Porto Seguro indica que o Mitsubishi Pajero TR4 de Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, pertenceu à organização que negociava pareceres técnicos desmantelada pela Polícia Federal e que era comandada pelos irmãos Vieira, ex-diretores de agências reguladoras. Os e-mails e documentos obtidos pela investigação sugerem que despesas do veículo podem ter sido pagas por Paulo Vieira, apontado pela PF como chefe do esquema.

Em um capítulo dedicado aos bens associados a Paulo Vieira, o relatório descreve um Pajero fabricado em 2010 e registrado em nome de Patricia Baptistella, funcionária da faculdade em Cruzeiro (SP) pertencente à família do ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA). Em e-mail de 2 de maio de 2011, Rose cobra de Vieira a transferência do veículo para seu nome e a quitação de despesas como seguro e licenciamento.

“Estou muito preocupada com a questão da Pajero. Fiz todos os trâmites necessários do Controlar. E o seguro, licenciamento, vc (sic) fez?”, pergunta Rose. “Vc renovou o seguro? Quando pretende passar o carro para o meu nome?” Em 26 de abril de 2012, os investigadores checaram o registro do veículo no Infoseg, sistema integrado de informações de segurança pública. O Pajero está em nome de Rosemary Noronha. O relatório não diz quando ocorreu a transferência. Não há, nos e-mails interceptados pela PF, menções a pagamentos ou compra e venda do Pajero. Pela tabela Fipe, o carro vale hoje cerca de R$ 55 mil. Em maio de 2011, o preço estimado era de R$ 61 mil. Um modelo zero-km sai por R$ 73,4 mil.

No mesmo e-mail, Rose cobra de Vieira um depósito de R$ 5 mil em sua conta para cobrir despesas relacionadas a um sofá e uma estante para o apartamento de sua filha Mirelle, ex-assessora técnica da Diretoria de Infraestrutura da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), exonerada na terça-feira. O irmão de Paulo, Rubens Vieira, era diretor de Infraestrutura desse órgão.

“Conforme combinado, comprei o sofá e a estante para a Mirelle e o Sadao. Já foi entregue no sábado. Ficou tudo em R$ 5.000,00, vc (sic) pode fazer o depósito?”, pede Rose, fornecendo os dados de sua conta. Na resposta enviada algumas horas depois, Paulo procura tranquilizar Rose.

“Sobre o seguro, não me lembro de ter renovado. Vou verificar com o banco, pois todos os meus seguros são renovados automaticamente, mas esse talvez não foi, pois foi feito no seu nome, mas não impedimento (sic) para você mesmo fazer se necessário”, escreve Paulo Vieira.

Multa. Embora o Pajero esteja em nome de Patricia, e-mails de Paulo Vieira indicam que era ele quem ordenava o pagamento das despesas do veículo à subordinada. Em 18 de novembro de 2010, Patricia envia ao ex-diretor da ANA um e-mail com o valor do IPVA do veículo e uma infração de trânsito. Ela também pede que Vieira envie o “documento de transferência” para “fazer a transferência URGENTE, pois a multa vai para minha carteira”.

A multa apontada no documento é uma infração à lei do rodízio municipal em São Paulo. Em 12 de abril de 2010, uma segunda-feira, o Pajero foi autuado às 8h17 na Rua 13 de Maio, na altura do número 1.854. Rose mora a 20 metros desse local, como indica a base de dados do Infoseg consultada pela PF.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

PF planejou operação dentro da sala de Rosemary em SP

Por Fernando Mello, na Folha:
Os menos de dez minutos entre a chegada ao prédio na av. Paulista e a subida ao 17º andar foram suficientes para dar início ao plano de ação. A partir dos dados levantados foram definidos qual dos quatro elevadores que servem do 3º ao 19º andar seria usado, como lidar com a segurança local e quais salas seriam vasculhadas em busca de computadores e papéis.

Três semanas antes da deflagração da Operação Porto Seguro, policiais federais estiveram na sede da Presidência em São Paulo. No último dia 23, esse foi um dos pontos de busca e apreensão feitas pela PF, cujo alvo foi Rosemary Noronha, então chefe de gabinete da Presidência. No começo de novembro, no entanto, o motivo oficial da visita dos policiais à sede da Presidência em São Paulo era outro: uma reunião para discutir a onda de violência no Estado. Quem recebeu os delegados foi justamente Rose, como ela se apresentou.

A agenda com os temas de segurança pública transcorreu normalmente. Mas os policiais usaram o encontro para levantar dados e programar a busca e apreensão. A operação ainda era sigilosa mesmo dentro da PF. Ela era tocada pelo Núcleo de Inteligência, que tem interlocução direta com a Diretoria de Inteligência em Brasília.

Poucas pessoas dentro da PF sabiam do caso. O momento da deflagração teria de ser negociado com o Ministério Público Federal e aprovado pela Justiça, levando em conta a possibilidade de fugas ou o vazamento de informações. A ação de busca que se aproximava gerou uma certa tensão entre os investigadores, por conta do aparato de segurança na sede da Presidência em São Paulo.

Os policiais queriam conhecer o local para evitar um confronto com agentes do Gabinete de Segurança Institucional ou com seguranças do prédio do Banco do Brasil. Também queriam impedir escândalos ou discussões burocráticas na entrada no prédio, já que portariam um mandado judicial. Rose começou a trabalhar no prédio da Paulista no início do governo Lula. Ela foi nomeada em 2003 para o cargo de assessora especial no gabinete pessoal do presidente. 
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Faz e não discute: o dia em que Lula quis por que quis nomear um dos irmãos Vieira

Jobim: ordens são ordens

Em 2010, assim que soube da indicação do agora notório Rubens Vieira para uma diretoria da Anac,Nelson Jobim, então ministro da Defesa, ligou para Dilma Rousseff. Alertou-a dizendo que Vieira não tinha qualificação para o posto. A chefe da Casa Civil foi curta e grossa:

- O Lula quer.

Assim foi feito. Deu no que deu.

Por Lauro Jardim

 

Rosegate – Investigada intermediou operação de crédito no Banco do Brasil

Por Fábio Fabrini e Alana Rizzo, no Estadão:
Do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha operou para que uma das empresas envolvidas no esquema de compra de pareceres obtivesse crédito de R$ 48 milhões no Banco do Brasil (BB). Acusada pela Polícia Federal de tráfico de influência no governo federal, a ex-chefe de gabinete conseguiu ainda que uma subsidiária da instituição contratasse construtora de sua família por R$ 1,12 milhão.

O inquérito mostra que Rosemary marcou reunião do empresário Carlos César Floriano, do grupo Formitex, com o ex-vice-presidente de crédito do banco, Ricardo Flores. O objetivo era facilitar a ampliação das linhas de financiamento do grupo, que controlava a empresa Tecondi, envolvida na compra de relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) para ocupar áreas do Porto de Santos.

A PF interceptou e-mails nos quais Rosemary acerta com o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Vieira a aproximação do empresário com o banco. Numa das mensagens, de 25 de abril de 2009, ele explica que o Formitex mantinha no BB crédito de R$ 85 milhões, mas pretendia ampliá-lo.
(…)
Flores é amigo de Rosemary e, assim como ela, militante do PT. Ele ocupa hoje a presidência da Brasilprev, companhia de previdência privada do BB. De acordo com o inquérito, o encontro de fato ocorreu na data combinada. Em e-mail enviado a Floriano 12 dias depois, Vieira pede informações sobre a reunião, “ocorrida na terça-feira”, recebendo a seguinte resposta: “Esta semana é que deveremos ter alguma manifestação sobre a reunião da semana passada”.

Quando as negociações começaram, Flores ainda era vice-presidente de governo do banco. Ele assumiu a área de crédito em 23 de abril de 2009. Na véspera, Rosemary explicava a Vieira que seus pleitos seriam atendidos após a nomeação: “Seus dois pedidos não dependem de mim, mas estão muito bem encaminhados. Eu já te avisei que só serão resolvidos após a posse na nova diretoria, que é amanhã”.

Questionado, o BB não se pronunciou, alegando que operações dessa natureza são protegidas por sigilo. Fontes da instituição, no entanto, confirmam que Flores deu entrada no pedido da Formitex. Mas o crédito foi negado, em decisão colegiada. Segundo a PF, Rosemary recebia vantagens para prestar favores a Paulo. Na mesma época da negociação no banco, o ex-diretor providenciava viagem de cruzeiro para ela.

Em maio de 2010, a Cobra Tecnologia, do grupo BB, firmou contrato, sem licitação, com a construtora New Talent, registrada em nome de Carlo Alexandro Damasco Torres e Noêmia Oliveira Vasconcelos, genro e sogra da ex-chefe de gabinete. À época da contratação, o presidente da empresa era Luiz Carlos Silva, ligado a Flores.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

“Rosegate” – Íntima de Lula foi elo entre Jaques Wagner e empresários

Por Bruno Boghossian, no

Rosemary Noronha usou seu cargo como chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo para agendar uma reunião do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), com empresários ligados a Paulo Vieira – diretor afastado da Agência Nacional de Águas, apontado pela Polícia Federal como chefe de uma quadrilha que comprava pareceres técnicos.

Rose foi indiciada por tráfico de influência na Operação Porto Seguro, por articular reuniões entre autoridades e pessoas ligadas a Paulo. Em troca de audiências com o governador baiano e outros ocupantes de cargos públicos, segundo a investigação, a ex-chefe de gabinete recebeu “favores”, como viagens de navio.

E-mails interceptados pela PF mostram que Paulo pediu a Rose que marcasse uma audiência com Wagner em fevereiro de 2009 para Carlos Cesar Floriano, do grupo Tecondi, e Alípio José Gusmão, do grupo Formitex. Os dois estavam interessados em pedir incentivos fiscais ao governo baiano para reativar uma fábrica do setor químico no Centro Industrial de Aratu, na região metropolitana de Salvador. O negócio não se concretizou, segundo o gabinete de Wagner.

“Compramos uma área na Bahia. É uma área grande, onde funcionava a fábrica da Dow Química. Temos intenção de reativá-la e também ampliá-la. O presidente do nosso grupo gostaria de uma audiência com o governador. Você tem como ajudar nesse agendamento?”, pede Floriano a Paulo em 9 de janeiro de 2009. Rosemary levou 19 dias para agendar a reunião. “Acertei com o governador Jaques Wagner a audiência com o sr. Alípio (TECONDI). Pode falar em meu nome”, afirmou Rose por e-mail.

Nos dias seguintes, Paulo diz a Floriano que a audiência foi “pedida diretamente” ao governador. “A agenda com o senhor governador da Bahia foi marcada para a próxima quarta (04/02/09). A audiência foi pedida diretamente ao senhor governador da Bahia pela Dra. Rosemary Nóvoa de Noronha”, escreveu Paulo.

Wagner recebeu Alípio e Floriano às 16h do dia 4 de fevereiro de 2009, na sede do governo baiano, em Salvador. Na mesma noite, César Floriano comemorou o resultado da reunião. “Os diretores do nosso grupo ficaram muito bem impressionados com a visita. Nosso projeto foi muito bem recebido e está em linha com investimentos que o governo deseja”, escreveu Floriano em e-mail a Paulo. “Também gostaria de agradecer a Rose. Aliás, se você achar conveniente, gostaria de agradecê-la pessoalmente.”

No mês seguinte, Paulo ofereceu a Rosemary uma viagem em um cruzeiro que tinha apresentações da dupla sertaneja Bruno & Marrone. A investigação aponta que a empresa responsável pelas passagens pertence a Floriano.
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Por Reinaldo Azevedo

 

Telefonema mostra acerto de propina entre ex-braço direito de Adams e Vieira

Por Cleide Carvalho, no Globo:
Conversas gravadas pela Polícia Federal revelam que o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Rodrigues Vieira e José Weber Holanda Alves, adjunto da Advogacia Geral da União (AGU), tiveram pelo menos dois encontros para acerto de contas. Segundo a Polícia Federal, Weber recebia dinheiro para dar pareceres favoráveis à quadrilha coordenada por Vieira, que obtinha vantagens para empresas junto à Advocacia Geral da União, à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). No jargão do grupo, a propina era chamada de “livros”, e o termo é usado em diversas conversas gravadas entre os dois pela Polícia Federal dentro da Operação Porto Seguro.

Na avaliação do Ministério Público Federal, Paulo pagava a Weber em troca de seu auxílio no parecer que fundamentaria dois empreendimentos de interesse de Miranda em áreas da União, a Ilha das Cabras, em Ilhabela, e a licença de construção de um complexo portuário na Ilha dos Bagres, no Porto de Santos, pela São Paulo Empreendimentos Portuários. Em 2010, a empresa obteve da SPU o domínio da Ilha de Bagres, por meio de um aforamento estimado em R$ 15 milhões.

O primeiro encontro para entrega de “livro” a Weber foi em abril. O adjunto da AGU liga para Vieira, que logo se justifica: “É que eu não retornei de São Paulo e eu preciso te entregar o material que você pediu para comprar, aquelas matérias de São Paulo”. E emenda: “Está em falta o livro sobre terras da União. Eu trouxe aquele volume resumido. Tem o volume resumido aqui que eu mandei comprar pra você, e preciso te entregar”.

Weber: “Eu vou viajar quinta-feira. Paulo, eu só estou aqui amanhã. Você volta quando?” Vieira: “Volto amanhã à noite.” Weber: “Amanhã, quando você chegar, me liga.” Vieira: “Você viaja na quinta-feira a que horas?” Weber: “Eu viajo na quinta de madrugada, 5h, 6h da manhã.” Vieira: “Ah tá. Então temos que providenciar. Amanhã, assim que eu chegar eu te ligo.” Weber: “Tá bom. Tá legal. Meu celular fica ligado. É que amanhã eu vou fazer uma trilha de moto de manhã com os meninos, e, aí, de tarde eu estou liberado.”

O encontro é combinado e, segundo o MPF, Weber afirmou que levaria o “livro” na viagem para dar uma lida. Em maio, Weber e Vieira marcam um café. O convite parte de Vieira: “Vamos marcar para tomar um café, por causa que (sic) eu te passo o livro lá que eu quero publicar na revista da escola, e em seguida a gente troca uma ideia.”

Por Reinaldo Azevedo

 

Advogado-geral da União ampliou poder de assessor suspeito

Por Dimmi Amora e Andreza Matais, na Folha:
O advogado-geral da União, ministro Luís Inácio Adams, assinou a ordem que ampliou os poderes de José Weber Holanda dentro da AGU (Advocacia-Geral da União). Weber, tido como o ex-braço direito de Adams na instituição, é acusado de envolvimento no esquema de venda de pareceres públicos para empresários. Em entrevista anteontem, o ministro havia dito que Weber “não tinha poder de decisão” na AGU, omitindo que o havia designado como substituto do número dois do órgão, com poderes de nomear, exonerar, aprovar custos de eventos e revogar decisões do próprio Adams, o que ele fez.

Essas atribuições eram, até a portaria assinada por Adams, exclusivas do secretário-geral da Consultoria da AGU, cargo considerado o segundo mais importante na hierarquia do órgão e ocupado por Fernando Luiz Albuquerque Faria. Indiciado pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro, Weber foi exonerado do cargo de confiança que ocupava na AGU. Na quinta-feira passada, ao admitir que nomeou Weber mesmo ciente de que ele já respondia a um processo mais antigo que estava trancado na Justiça, Adams justificou as funções dele no órgão: “Eu não tinha preocupações maiores porque ele [Weber] não é chefe, não tem hierarquia. Ele não tinha poder de decisão”, afirmou o ministro na entrevista.
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Por Reinaldo Azevedo

 

Decisão sobre royalties do petróleo expõe, mais uma vez, um Congresso de cócoras e o baguncismo institucional. Parlamento se deixa humilhar mais do que durante a ditadura

Se não fui o primeiro, certamente estive entre os três primeiros que reagiram mal quando o Congresso decidiu mudar a distribuição dos royalties dos campos já licitados. Sim, tratava-se mesmo de um absurdo — que o governo Lula e a então ministra e já pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, deixaram prosperar porque não queriam comprar briga com a maioria do Parlamento (afinal, há mais estados não produtores e brasileiros que neles vivem do que o contrário) e com a maioria dos eleitores. Ou por outra: por questões primeiro eleitorais e, depois, para “manter unida a base”, os petistas decidiram não decidir nada para ver no que a coisa daria. Por um misto de covardia, populismo e cálculo, o governo se negou a fazer política. Se o Rio — estado que, de fato, conta na mobilização de opiniões — e o Espírito Santo tivessem se limitado ao mero muxoxo, menos mau… Ocorre que setores influentes da imprensa compraram “a causa do Rio”, como de hábito. Sim, eu a considero uma boa causa (ocorre que também se compram as más, mas deixo pra outra hora…). E Dilma teve de se mexer. Ao fazê-lo, constatamos que o Congresso Brasileiro está de cócoras, não serve pra nada, tornou-se mero caudatário tanto das hesitações como dos arroubos do governo. Tem menos voz hoje do que tinha durante a ditadura, quando o país era governado por decretos-lei. Por que afirmo isso?

Mais uma vez, Dilma Rousseff humilha o Congresso, que, não obstante, se deixa humilhar. Repete-se agora, com o veto sobre os royalties do petróleo, o procedimento empregado no caso do Código Florestal. Vejamos. Nos dois casos, o governo não mobilizou adequadamente a folgada maioria de que dispõe; nos dois casos, os líderes do governo e do partido oficial nas duas Casas não sabiam que orientação dar porque, a rigor, não tinham orientação nenhuma; mais uma vez, o Planalto não lutou claramente por uma proposta, limitando-se a expressar seus desejos pelos jornais. Vamos ver, então, como ficam as coisas.

O Congresso aprova uma coisa. Dilma veta — e tal veto, por óbvio, pode ser apreciado e derrubado pelo próprio Congresso. Antes, no entanto, que isso aconteça, a Magnífica edita uma Medida Provisória e, só aí, sem negociar com ninguém, faz valer a sua vontade. Entenderam, então, a sequência? Ora, Congresso pra quê? E se, na vigência de uma Medida Provisória, o Congresso derrubar o veto presidencial? A oposição, que já costuma ser pouco atuante — com as exceções de praxe —, fica ainda mais vendida em casos assim porque são temas que não obedecem à clivagem do governismo e do antigovernismo; também ela se divide em assuntos assim.

Sai arranhada é a imagem de uma instituição, de um Poder: o Legislativo. Dilma acaba tendo, assim, um instrumento ainda mais efetivo de governo do que o decreto-lei.

E pode ser pior
Temos, enfim, um Parlamento que não se respeita. Quando não é “trolado”, para usar uma expressão da moda, pelo Executivo, pode ser desmoralizado por alguns de seus senhores feudais. Vejam o caso de Paulo Vieira, o diretor da ANA que está preso, acusado de ser chefe de quadrilha. Seu nome foi submetido uma primeira vez ao plenário do Senado: houve empate — não poderia ser nomeado. Foi submetido uma segunda vez: foi rejeitado. O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), a pedido de Lula, esperou quatro meses e promoveu uma terceira votação. Conseguiu nomeá-lo. O resultado está aí.

E não que o Senado precise de auxílio externo para fazer barbeiragens. Sim, sim, eu sou favorável, por exemplo, a que os professores ganhem 10 vezes mais do que ganham e coisa e tal. O Senado aprovou um piso salarial para a categoria e decidiu que o reajuste será feito por um tal “Índice Fundeb”, que corresponde à variação anual do valor que o governo federal investe por aluno das séries iniciais.

Tudo excelente! Só que o Senado se esqueceu de indagar se os estados teriam dinheiro para tanto. Boa parte não tem. Governadores recorreram ao Supremo alegando que a medida tira dos estados o direito de gerir seus gastos, o que me parece fato. Ora, se os governadores terão de pagar um reajuste de salário que fica na dependência do quanto o governo federal vai desembolsar, resta evidente que o governo federal passou a ser o gestor da folha de pagamento que será paga por outro ente da federação. E aí? Um dos signatários da ação é o petista Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, do PT. Quando governadora, a tucana Yeda Crusius havia recorrido à Justiça. Os petistas a demonizaram. Coerência é isso!

Encerrando
Notem que não estou entrando propriamente nas questões de mérito. Limito-me a apontar o que chamo de baguncismo institucional. Com frequência, o Executivo simplesmente anula a vontade de um Poder da República, negando-se a fazer política para depois governar por MPs. Quando não é assim, os “donos” do Senado, como Sarney, fazem gato e sapato do plenário. Não sendo nem uma coisa nem outra, prosperam, então, os poetas da generosidade, que acabam aprovando uma medida que quebra os próprios estados que representam.

Sim, há exceções, como em tudo. Em regra, nunca tivemos um Poder Legislativo tão fraco e desmoralizado.

Por Reinaldo Azevedo

 

O poeminha do canibalismo e sua ilustração. Ou: Barbosa veste ternos ingleses, não saiotes da caricatura colonialista

Sabem aquele poeminha publicado no site da tal Renajune (Rede Nacional da Juventude Negra) — aquele texto que faz a apologia do estupro das mulheres brancas (ver post)? Então… A obra de arte vem acompanhada de uma ilustração bastante eloquente. Esta.

 

“É só uma metáfora”, poderia dizer alguém. Basta ler o texto para constatar que não.

O que mais me encanta na ilustração acima é seu caráter passadista e descolado da história do Brasil. Vejam o branco com as botinas do explorador europeu na África do século… 19 — uma realidade que nada tem a ver com a história brasileira. Os “nativos” negros, por sua vez, traduzem a pior caricatura feita pelo colonialismo. Em nosso país, jamais envergaram essas vestes. Publica-se uma besteira como essa quando um negro que fala  inglês, francês e alemão preside a corte suprema no Brasil. Barbosa não veste esses saiotes. Prefere os ternos ingleses.

Os colonizadores portugueses dos séculos 16 e 17 não tinham botinas, não. Andavam descalços. Os pés, como o dos bandeirantes, eram cascão e carne viva. Sua alimentação, já demonstrou Gilberto Freire, era mais pobre do que a dos escravos negros. Nada disso torna a escravidão melhor do que foi. Apenas substitui a fantasia pela realidade.

Esse branco de botinas e esse negro barrigudo e tetudo, com esses saiote, são coisa dos gibis e dos filmes de Tarzan. O racialismo que se tenta implementar por aqui é, ele sim, produto passivo — e burro — da caricatura colonialista mais tonta. Importa-se uma história que não tivemos para alimentar a linguagem do ódio.

Por Reinaldo Azevedo

 

Deu no Financial Times: “Guido Mantega errou feio”. Pois é… Eu já sabia!

Pois é… Não sou só eu que anda incomodado com o lado “Mãe Dinah” de Guido Mantega. Leiam o que informa a VEJA.com:

Em reportagem publicada na tarde desta quarta-feira, o jornal britânico Financial Times afirmou que o desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre – com alta de apenas 0,6%, abaixo da expectativa do mercado e do próprio Banco Central – foi, no mínimo, frustrante. O diário destacou que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) nacional ficou aquém do crescimento de todos os países emergentes e que o ministro Guido Mantega “errou feio”.

Duas foram as principais falhas do economista: em primeiro lugar, o fato de ter espalhado aos “quatro ventos” que a atividade estava em franca recuperação e, em segundo lugar, por ter afirmado a jornalistas, poucos dias antes do anúncio do IBGE, que o crescimento do PIB anualizado entre julho e setembro seria de cerca de 4%. “Os números apresentados hoje fazem com que as afirmações do ministro Mantega tenham um caráter desconcertante”, afirma o FT.

O diário reconhece que há uma leve retomada em curso no país. “Em números anualizados, a economia está crescendo 2,4%”, afirma. Contudo, a economia não está se recuperando num ritmo acelerado. “Talvez, Mantega tenha prestado excessiva atenção à projeção de PIB divulgada pelo boletim Focus, do Banco Central, em 14 de novembro, que previa um crescimento de 1,15% no terceiro trimestre – e uma taxa de crescimento anualizada de 4,6%”, diz o jornal.

Protecionismo
O FT ainda apontou que o Brasil pode estar combatendo o inimigo errado ao criar inúmeras medidas protecionistas, como o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados e a fixação do Palácio do Planalto por enfraquecer o real. “Muito da retórica do governo tem foco na taxa de câmbio, com Mantega acusando os Estados Unidos de inflarem o valor do real contra o dólar por meio de uma política monetária expansionista. Mas economistas argumentam que muito mais precisa ser feito”, afirma o FT. “Esse desempenho fraco abre espaço para a presidente Dilma introduzir medidas de urgência nas tão necessárias reformas que empurrarão o investimento em infraestrutura no país”, acrescenta.

México
O jornal comparou novamente o desempenho do Brasil com o do México. “O México, por exemplo, tem uma economia muito mais aberta ao comércio internacional e está crescendo muito mais rápido que o Brasil.” “É preciso ver o que o México fez em termos de contenção de custos”, disse ao FT o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs. “Ao não conter gastos, o Brasil é precificado fora da economia global. O país não tem problema cambial, e sim um problema de competitividade”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

 

Xiii… Comecei a me preocupar com o PIB de 2013! Mantega prevê 4%; sua margem de erro anda em 3 pontos para menos!

Xiii… Comecei a ficar preocupado com o crescimento de 2013. Nesta sexta, o ministro Guido Mantega manteve a sua previsão: 4% para o ano que vem. E o fez num dia em que foi obrigado a declarar a sua decepção com o PIB do terceiro trimestre, apesar de toda a intervenção do governo para vitaminá-lo. Em 6 de março deste ano, eis o título e o lead de uma reportagem da Agência Brasil (em vermelho):
PIB brasileiro crescerá entre 4% e 4,5% em 2012, estima Mantega
Apesar de o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no País, ter sido menor do que o esperado pelo governo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve o tom otimista e prevê, para 2012, um crescimento médio próximo a 4,5%.

Notem bem: no fim do primeiro trimestre deste ano, Guido Mantega fez uma previsão que viria a se mostrar errada em quase três pontos… Dois mil e doze ainda está em curso, e ele já crava os 4% de 2013! Não acho que seja papel de um ministro da Fazenda ficar fazendo previsão pessimista. Mas também cumpre não se deixar desmoralizar permanentemente pela realidade. Leia texto publicado hoje na VEJA.com. Volto para encerrar.

Mantega se diz surpreso com mau desempenho do PIB

Mesmo dizendo-se “surpreso” com o mau desempenho da economia no trimestre passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira que a economia está em trajetória de recuperação e deve fechar 4% ano que vem, uma vez que as medidas de estímulo adotadas pelo governo ainda não surtiram pleno efeito.

“Ninguém acertou (o resultado do PIB no trimestre passado). Acho que todo mundo se descuidou do setor de serviços. Mas posso afirmar que economia está em trajetória de aquecimento, embora não tanto como gostaríamos”, afirmou Mantega a jornalistas.

A economia brasileira cresceu apenas 0,6% no terceiro trimestre deste ano quando comparada com o segundo trimestre, metade do esperado pelo mercado, com a pior retração dos investimentos em mais de três anos e estagnação no setor de serviços. Para piorar, o crescimento do PIB no segundo trimestre ante o primeiro trimestre foi revisado para baixo, a 0,2%, ante os 0,4% divulgados anteriormente.

Estímulos
Mantega disse ainda que o governo deverá continuar com a adoção de medidas para estimular a economia. “Vamos continuar com a desoneração da folha de pagamento em 2013″, destacou. As novas ações oficiais devem ser anunciadas na próxima semana. Entre elas, estaria a redução de juros para financiamentos, mas o ministro não deu mais detalhes sobre as medidas.

Há especialistas que cogitam que o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) poderá ter mudanças em breve. Nesse programa, o BNDES concede financiamentos para a compra de máquinas e equipamentos com taxas nominais de 2,5% ao ano, o que significa uma taxa real negativa.

Serviços
Ao comentar o comportamento do PIB no terceiro trimestre, o ministro destacou a menor oferta de crédito feita pelos bancos privados e os efeitos sobre o segmento de serviços. De acordo com ele, o governo reduziu a taxa de juros e forçou a redução do spread bancário, mas os bancos ofertaram menos crédito. “O crédito não compensou a queda de juros com mais empréstimos e afetou os serviços”, disse.

De acordo com Mantega, a redução de juros e a do spread bancário são duas coisas positivas, mas que no curto prazo podem parecer negativas. No entanto, o ministro mantém a expectativa de que o crédito será retomado a partir do último trimestre deste ano.

Encerro
Mantega, por alguma razão, ainda decide mangar dos outros: “Ninguém acertou o PIB do trimestre passado…” Epa! Se há alguém que não pode falar de erro sem fazer um mea-culpa, esse alguém é o próprio Mantega, não? Quando, em meados do ano, surgiu a primeira projeção de um crescimento abaixo de 2%, ele estrilou e tentou desmoralizar os dados. Há nove meses, fazia previsões que, como escreveu o jornalista Sandro Vaia, operavam com margem de erro de três pontos para menos… 

Pois é…

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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