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PIB dos EUA recua 0,1% no 4º trimestre

Publicado em 28/01/2013 16:13 e atualizado em 17/05/2013 15:11 1573 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

PIB dos EUA recua 0,1% no 4º trimestre

Xiii… Darão um jeito de culpar os republicanos e sua mania de se comportar como partido de oposição… Que falta fazem aos EUA o PMDB, o Renan, o Sarney… Leiam o que vai na VEJA.com:

A economia dos Estados Unidos recuou inesperadamente no quarto trimestre de 2012, sofrendo seu primeiro declínio desde a recessão provocada pela crise financeira iniciada em 2008. O governo americano atribuiu o resultado às reduções de estoques das empresas e aos cortes de gastos do setor público. O Produto Interno Bruto (PIB) teve uma queda de 0,1% entre outubro e dezembro, em uma taxa anual, após crescer 3,1% no terceiro trimestre, informou o Departamento do Comércio nesta quarta-feira. No acumulado de 2012, a economia cresceu 2,2%.

Trata-se da primeira queda trimestral desde 2009 – e do segundo pior resultado desde aquele ano, marcado pela retomada do crescimento americano. O resultado mostra, portanto, que a economia americana entra em 2013 sem força.

A contração, diante de um cenário de aperto da política fiscal, pode provocar temores de uma nova recessão e criar urgência entre autoridades para lidar com as questões do orçamento. Economistas esperavam que o PIB crescesse a uma taxa de 1,1% – e nenhuma projeção de analistas previa contração. A melhora nos gastos do consumidor e a recuperação no investimento empresarial, no entanto, limitaram a queda da produção e oferecem alguma esperança para a recuperação.

O dado foi publicado pouco antes de autoridades do Federal Reserve, o banco central americano, encerrarem uma reunião de dois dias. Os dados provavelmente garantirão munição a eles para manter sua postura de política monetária expansiva, caracterizada pela injeção de dinheiro na economia por meio da compra de títulos públicos.Economistas dizem que será necessário um ritmo de crescimento acima de 3% durante um longo período para reduzir de forma significativa o alto desemprego. E a economia tem enfrentado problemas para ficar acima de um crescimento de 2%.

Por Reinaldo Azevedo

 

Abaixo-assinado contra Renan da Presidência do Senado chega a 120 mil assinaturas. Se quiser, veja como assinar

A petição pública contra a recondução de Renan Calheiros (PMDB-AL) à Presidência do Senado chega às 120 mil assinaturas. Lançada na quinta-feira passada na AVAAZ, a maior plataforma de abaixo-assinados do mundo, a campanha pegou fogo na rede. Enquanto escrevo, são 119.697 assinantes. A adesão cresce espantosamente a cada minuto.

Se quiser assinar, clique aqui.

Este é o texto que compõe a petição:
O Senador Renan Calheiros, que acaba de ser denunciado criminalmente ao STF pelo Procurador-Geral da República, é o favorito para ser o próximo presidente do Senado. Somente uma mobilização gigantesca pode impedir esta vergonha. 

A última vez que Renan Calheiros foi Presidente do Senado, em 2007, ele teve que renunciar após sérias denúncias de que um lobista pagava suas despesas pessoais, paralisando o Senado por meses. A denúncia agora é que, para se defender daquelas acusações, ele apresentou notas falsas. Após a aprovação da lei da Ficha Limpa e do julgamento do Mensalão, o país precisa deixar claro que não aceita mais que a moralidade pública fique em segundo plano. 

Antes da denúncia ao STF, Renan era franco favorito, mas agora está surgindo uma forte articulação entre os Senadores contra sua candidatura e uma mobilização popular gigantesca nas próximas 48 horas — antes da eleição na sexta-feira  — pode enterrar de vez os Planos de Renan. Assine agora essa petição, que foi criada pela ONG Rio de Paz, e, ao atingirmos 100.000, assinaturas ela será lida no plenário do Senado por Senadores que se opõem a Renan.

Por Reinaldo Azevedo

 

Manifestantes são impedidos de lavar rampa do Congresso contra candidatura de Renan à presidência do Senado

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:
Cerca de 20 manifestantes fizeram hoje um protesto no gramado em frente ao Congresso Nacional contra a candidatura de Renan Calheiros (PMDB-AL) à Presidência do Senado. Impedidos pela segurança do Congresso de “lavarem” a rampa numa “faxina” para limpeza da Casa, os manifestantes fizeram a lavagem simbólica no lago em frente à sede do Legislativo. O grupo desenhou uma cruz no gramado principal formada com baldes e vassouras. O gesto, segundo o coordenador do movimento, representa a necessidade do Senado “limpar” sua imagem, elegendo um candidato “ficha limpa” para o comando da instituição.

“Pretendíamos fazer um ato simbólico de lavagem da rampa. Seria uma experiência lúdica de uma demanda da sociedade, que não quer ter um presidente ficha suja”, disse o presidente da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa. A organização não-governamental é responsável por recolher assinaturas, em uma petição eletrônica, contra a candidatura de Renan. O grupo argumenta que a eleição do líder do PMDB para a Presidência do Senado representa um “tapa na cara da sociedade brasileira e mais um passo das lideranças políticas que hoje controlam o Congresso Nacional para a desmoralização do parlamento”.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo


Há exatos 80 anos, ele chegou ao poder. Em nome da reparação e da igualdade, exterminou milhões de vidas. E a marcha do terror se fez no silêncio cúmplice

Há exatos 80 anos, Adolf Hitler se tornava o chanceler da Alemanha. O resto é horror, perpetrado, em boa parte, sob o silêncio cúmplice do povo alemão e das demais nações.

Antes que se tornasse um homicida em massa, ele já havia atentado contra a ordem democrática, mas o regime o anistiou. Deram a Hitler em nome dos valores democráticos o que ele jamais concederia a seus adversários em nome dos valores nazistas.

Antes que se tornasse um homicida em massa, ele fundiu a chancelaria com a Presidência da República. E se fez silêncio.

Antes que se tornasse um homicida em massa, ele anexou a Áustria e a Renânia. E se fez silêncio.

Antes que se tornasse um homicida em massa, ele já havia ordenado, em 1933, a conversão de uma antiga fábrica de pólvora, em Dachau, num campo de concentração. E se fez silêncio.

Antes que se tornasse um homicida em massa, a França e a Inglaterra aceitaram que anexasse a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia. Assinaram com ele um “acordo de paz”. E se fez silêncio. No ano seguinte, ele entrou em Praga e começou a exigir parte da Polônia. Depois vieram Noruega, Dinamarca, Holanda, França… É que haviam feito um excesso de silêncios.

– Silêncio quando, em 1º de abril de 1933, com dois meses de poder, os nazistas organizaram um boicote às lojas de judeus.
– Silêncio quando, no dia 7 de abril deste mesmo ano, os judeus foram proibidos de trabalhar para o governo alemão. Outros decretos se seguiram — foram 400 entre 1933 e 1939.
– Silêncio quando, neste mesmo abril, criam-se cotas nas universidades para alunos não alemães.
– Silêncio quando, em 1934, os atores judeus foram proibidos de atuar no teatro e no cinema.
– Silêncio quando, em 1935, os judeus perdem a cidadania alemã e se estabelecem laços de parentesco para definir essa condição.
– Silêncio quando, neste mesmo ano, tem início a transferência forçada de empresas de judeus para alemães, com preços fixados pelo governo.
– Silêncio quando, entre 1937 e 1938, os médicos judeus foram proibidos de tratar pacientes não judeus, e os advogados, impedidos de trabalhar.
– Silêncio quando os passaportes de judeus passaram a exibir um visível “j” vermelho: para que pudessem sair da Alemanha, mas não voltar.
  – Silêncio quando homens que não tinham um prenome de origem judaica foram obrigados a adotar o nome “Israel”, e as mulheres, “Sara”.

Os milhões de mortos do nazismo, muito especialmente os seis milhões de judeus, morreram foi de… SILÊNCIO. Morreram porque os que defendiam a ordem democrática e os direitos fundamentais do homem mostraram-se incapazes de denunciar com a devida presteza o regime de horror que estava em curso.

Nos nossos dias
É pouco provável que aquelas barbaridades se repitam. Mas não se enganem. Oitenta anos depois, a democracia ainda é alvo de especulações as mais destrambelhadas. Cometei aqui a tese delinquente de certa senhora, estudiosa do Islã e aboletada na Universidade Harvard, segundo quem os islâmicos estão dando à luz uma nova democracia, que ela classifica de “iliberal”. Pois é… Em 1938, um ano antes do início da Segunda Guerra, cogitou-se o nome de Hitler para o Nobel da Paz. As leis raciais contra os judeus já estavam em vigência…

Aquela tal senhora — Jocelyne Cesari — escreve, como quem diz “Bom dia!”, que essa forma particular de democracia não implica necessariamente o fim da discriminação religiosa ou de gênero. Dona Jocelyne acha possível chamar de “democrático” um regime que segregue as pessoas por sua religião e gênero…

Um “intelectual” como Salavoj Zizek dedica-se a especular sobre as virtudes do moderno terrorismo, conquista admiradores mundo afora, inclusive no Brasil, e passa a ser uma referência do pensamento de esquerda. Reitero: ele não está a falar na tal “redenção dos oprimidos”. Ele empresta valor afirmativo a ações terroristas.

Mundo afora, direitos individuais são solapados pelo Estado — em nome da igualdade ou da reparação —, e a criação de leis que discriminam homens segundo a cor de sua pele ou sua origem é vista como um avanço.

Programa
Não custa lembrar aqui algumas “exigências” do programa que os nazistas tinham para a Alemanha, que certamente deixam encantados alguns dos nossos esquerdistas ainda hoje — especialmente aqueles que defendem, como é mesmo?, o controle social da mídia. Eis aqui parte do que eles queriam para a Alemanha:
(…)
11. A supressão dos rendimentos a que não corresponda trabalho ou esforço, o fim da escravidão do juro;

12. Levando-se em conta os imensos sacrifícios em bens e em sangue derramado que toda guerra exige do povo, o enriquecimento pessoal graças à guerra deve ser qualificado de crime contra o povo. Exigimos, portanto, a recuperação total de todos os lucros de guerra;

13. Exigimos a nacionalização de todas as empresas (já) estabelecidas como sociedades (trustes);

14. Exigimos participação nos lucros das grandes empresas;

15. Exigimos que se ampliem generosamente as aposentadorias;

16. Exigimos a constituição e a manutenção de uma classe média sadia, a estatização imediata das grandes lojas, e o seu aluguel a preços baixos a pequenos comerciantes, cadastramento sistemático de todos os pequenos comerciantes para atender às encomendas do Estado, dos Länder e das comunas;

17. Exigimos uma reforma agrária apropriada às nossas necessidades nacionais, a elaboração de uma lei sobre a expropriação da terra sem indenização por motivo de utilidade pública, a supressão da renda fundiária e a proibição de qualquer especulação imobiliária;

18. Exigimos uma luta impiedosa contra aqueles cujas atividades prejudicam o interesse geral. Os infames criminosos contra o povo, agiotas, traficantes etc. devem ser punidos com pena de morte, sem consideração de credo ou raça;

19. Exigimos que se substitua o direito romano, que serve à ordem materialista, por um direito alemão;

20. Com o fito de permitir a todo alemão capaz e trabalhador alcançar uma instrução de alto nível e chegar assim ao desempenho de funções executivas, deve o Estado empreender uma reorganização radical de todo o nosso sistema de educação popular. Os programas de todos os estabelecimentos de ensino devem ser adaptados às exigências da vida prática. A assimilação dos conhecimentos de instrução cívica deve ser feita na escola desde o despertar da inteligência.  Exigimos a educação, custeada pelo Estado, dos filhos – com destacados dotes intelectuais – de pais pobres, sem se levar em conta a posição ou a profissão desses pais;

21. O Estado deve tomar a seu cargo o melhoramento da saúde pública mediante a proteção da mãe e da criança, a proibição do trabalho infantil, uma política de educação física que compreenda a instituição legal da ginástica e do esporte obrigatórios, e o máximo auxílio possível às associações especializadas na educação física dos jovens;

22. Exigimos a abolição do exército de mercenários e a formação de um exército popular;

23. Exigimos que se lute pela lei contra a mentira política deliberada e a sua divulgação através da imprensa. Para que se torne possível a constituição de uma imprensa alemã, exigimos:
a) que todos os redatores e colaboradores de jornais editados em língua alemã sejam obrigatoriamente membros do povo (Volksgenossen); 
b) que os jornais não-alemães sejam submetidos à autorização expressa do Estado para poderem circular. Que eles não possam ser impressos em língua alemã;
c) que toda participação financeira e toda influência de não-alemães sobre os jornais alemães sejam proibidas por lei, e exigimos que se adote como sanção para  toda e qualquer infração o fechamento da empresa jornalística e a expulsão imediata dos não-alemães envolvidos para fora do Reich. 
Os jornais que colidirem com o interesse geral devem ser interditados. Exigimos que a lei combata as tendências artísticas e literárias que exerçam influência debilitante sobre a vida do nosso povo, e o fechamento dos estabelecimentos que se oponham às exigências acima.

(…)

Começando a encerrar
Não, senhores! Qualquer semelhança com um programa de esquerda — e me digam quais esquerdistas não endossariam ainda hoje o que vai acima — não é mera coincidência. O fascismo, também na sua vertente nazista, sempre foi de esquerda nos seus fundamentos mais gerais. Erigiu, sim, uma concepção de poder e de organização de estado diferente daquelas estabelecidas pela Internacional Comunista e repudiava o entendimento que tinha esta do “internacionalismo”. Mas o ódio ao liberalismo econômico, à propriedade privada e às liberdades individuais era o mesmo.

Essa cultura da “engenharia social”, que cassa direitos individuais em nome de um estado reparador, ainda está muito presente no mundo. Como se percebe, ela se estabelece oferecendo o paraíso na terra, um verdadeiro reino de justiça e igualdade. Deu no que deu.

Neste ponto, alguém poderia objetar: “O Reinaldo agora acha que a luta por justiça resulta em fascismo…”. Não! O Reinaldo não acha isso. Pensa, isto sim, que as tentações totalitárias manipulam o discurso da igualdade para criar um ente de razão, estado ou partido, que busque substituir a sociedade.

E não se enganem: oitenta anos é quase nada na história humana. Não faz tanto tempo assim. Em 1933, a humanidade já dispunha de boa parte da literatura que vale a pena, de boa parte do pensamento que vale a pena, de boa parte até mesmo do conhecimento científico que ainda hoje serve de referência.

No entanto, o mundo viveu sob o signo da besta.

Por Reinaldo Azevedo

 

Gurgel: acusação contra Lula vai ao MP esta semana

Na VEJA.com:
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta terça que poderá remeter ainda nesta semana para o Ministério Público que atua na Justiça de Primeira Instância as acusações do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Acredito que isso será feito nos próximos dias”, afirmou. “Estou apenas concluindo a análise para que possa efetivamente verificar se não há qualquer pessoa com prerrogativa de foro envolvida e, em não havendo, como o ex-presidente já não detém essa prerrogativa, a hipótese será de envio à Procuradoria da República em primeiro grau”, disse. No Brasil, autoridades têm direito à prerrogativa de foro e somente podem ser denunciadas pelo procurador-geral e julgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em depoimento prestado em setembro do ano passado, Marcos Valério afirmou que Lula sabia do esquema do mensalão. Na ocasião, o STF estava julgando os acusados de envolvimento com o esquema. Lula não estava entre os réus. Em dezembro, o tribunal concluiu o julgamento e condenou 25 pessoas, entre as quais Marcos Valério e o ex-ministro José Dirceu.

A remessa para a primeira instância do Ministério Público confirma informação publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo que Gurgel decidira, ainda em dezembro, enviar o caso para investigação. Como o próprio Gurgel identificou novidades no depoimento, uma investigação preliminar será aberta.

Por Reinaldo Azevedo

 

Petrobras reajusta gasolina em 6,6% nas refinarias

Na VEJA.com:
A Petrobras anunciou nesta noite de terça-feira um reajuste de 6,6% para a gasolina e de 5,4% para o diesel nos preços de venda nas refinarias. Os novos preços entram em vigor à 0h desta quarta-feira. Os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado, não incluem os tributos federais Cide e PIS/Cofins, e o tributo estadual ICMS. Segundo a nota da Petrobras, o reajuste foi definido levando em consideração a política de preços da companhia, que busca alinhar o preço dos derivados aos valores praticados no mercado internacional em uma perspectiva de médio e longo prazo.

Impacto
Especialistas acreditam na possibilidade de o repasse não chegar integralmente ao consumidor. “O impacto na bomba é menor e é amortecido pela mistura de biocombustíveis – no caso da gasolina, o álcool, e no caso do diesel, o biodiesel”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alisio Vaz.

A gasolina recebe, atualmente, uma mistura de 20% de etanol, enquanto a do biodiesel no diesel é de 5%. Para Vaz, o impacto do aumento também pode ser amenizado por eventuais mudanças nas margens de distribuição e comercialização de cada distribuidora.

O economista e sócio da Tendências Consultoria, Juan Jensen, calculou que o aumento poderá ser equivalente a 4,2% na bomba dos postos. Como o peso da gasolina dentro do IPCA é de 3,89%, isso deve provocar um impacto total na inflação de 0,16 ponto porcentual. “Dado que o aumento vale a partir da zero hora do dia 30, o impacto será assim distribuído: 0,01 ponto porcentual em janeiro e 0,15 ponto porcentual em fevereiro”, afirmou Jensen.

De acordo com esses novos números, é provável que as projeções para o IPCA de janeiro e fevereiro sejam alteradas. A consultoria estimava uma alta do índice de 0,86% neste mês, que poderá subir para 0,87%. Para fevereiro, Jensen avalia que a projeção de 0,02% de alta para o IPCA para algo próximo a 0,17%. “O aumento dos combustíveis anunciado pela Petrobras é correto, pois visa corrigir defasagens antigas dos preços internos”, afirmou o economista.

Por Reinaldo Azevedo


Por que mesmo Renan Calheiros se enrolou e foi obrigado a renunciar à presidência do Senado? Hora de voltar meros seis anos no tempo

A Procuradoria-Geral da República ofereceu denúncia contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ao STF porque encontrou muitos problemas — o procurador-geral não diz quais porque o inquérito está protegido por segredo de Justiça — ao analisar a sua tentativa de comprovar a origem da renda. Muito bem!  Já lá se vão quase seis anos desde que estourou o escândalo Renan. Vamos relembrar os fatos. Leiam reportagem de VEJA, de Policarpo Júnior, publicada na edição nº 2010.

Eis o homem que pode voltar à Presidência do Senado.
*

Desde que a Operação Navalha foi deflagrada, o senador Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, tem sido instado a explicar suas relações com o empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama. O senador tem dito que são apenas conhecidos, mas são mais do que isso. Em 1990, o empreiteiro bancou sorrateiramente a campanha do senador ao governo de Alagoas e, embora tenha terminado em derrota, a eleição serviu como marco de uma amizade sólida. Sólida mesmo, a ponto de o empreiteiro freqüentar a residência oficial do presidente do Senado. A situação de Renan Calheiros, porém, é mais complicada do que sua intimidade com Zuleido Veras. É que o senador tem outro amigo explosivo no submundo da empreita que, tal como Zuleido, freqüenta sua casa e, tal como Zuleido, é seu dileto amigo. O amigo de alta octanagem é Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior, uma das maiores do país. Nos últimos anos, Gontijo, mais do que um amigo, tem se apresentado no papel de mantenedor do senador. VEJA apurou os laços financeiros entre os dois:

• O lobista da Mendes Júnior coloca à disposição do senador um flat num dos melhores hotéis de Brasília, o Blue Tree. O flat, número 2 018, é usado para compromissos que exijam discrição. Está em nome de Cláudio Gontijo.

• O lobista da Mendes Júnior pagou, até março passado, o aluguel de um apartamento em Brasília para o senador. O imóvel tem quatro quartos e fica em uma área nobre da capital federal. O aluguel saía por 4.500 reais.

• O lobista pagava 12.000 reais mensais de pensão para uma filha do senador, de 3 anos de idade. A pensão foi bancada por Cláudio Gontijo de janeiro de 2004 a dezembro do ano passado.

• O lobista ajuda nas campanhas do senador Renan Calheiros e nas de sua família. Já ajudou o próprio senador, seu filho e seu irmão.

Tal como Zuleido, Gontijo opera nas sombras. Oficialmente, ele é assessor da Diretoria de Desenvolvimento da Área de Tecnologia da Mendes Júnior há quinze anos. Na realidade, sua função é defender os interesses da empresa junto ao governo. A Mendes Júnior constrói aeroportos, metrôs, linhas de transmissão de energia e estradas. Tem fortes interesses no governo. Hoje, participa, entre outras obras, de um consórcio responsável pela construção do aeroporto de Vitória e fechou vários contratos com a Petrobras para a construção de tubulações e manutenção industrial. Tal como a Gautama, a Mendes Júnior também orbita no Ministério de Minas e Energia, do qual foi demitido o ministro Silas Rondeau. Foi a partir desse ministério que Gontijo estendeu sua área de influência a outros setores do governo nos últimos anos. Com a ajuda de Renan, chegou a indicar nomes para cargos públicos, como o do engenheiro Aloísio Vasconcelos Novais, que assumiu a Eletrobrás quando Rondeau deixou o cargo para ser ministro de Minas e Energia.

O senador Renan Calheiros caiu nas graças do lobista. Nos últimos três anos, a pedido de Renan, o lobista pagou os 4.500 reais de aluguel do apartamento de quatro quartos. No imóvel, até recentemente, morava a jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha de 3 anos, que recebe a pensão do lobista. Todos os meses, a jornalista ia ao escritório da Mendes Júnior, no 11º andar do Edifício OAB, situado na Asa Sul, onde pegava um envelope branco, timbrado, com o endereço, os telefones e o nome de Cláudio Gontijo. O envelope era identificado com suas iniciais – MV. Dentro havia sempre 16.500 reais. Era o aluguel mais a pensão de 12.000 reais para a criança. VEJA teve acesso ao contrato de locação do imóvel. Nele, Gontijo assina como fiador. Seguindo orientação do senador, o lobista contratou uma empresa de vigilância para garantir a segurança de Mônica Veloso e sua filha. A direção da Mendes Júnior diz que isso tudo é “questão pessoal” de Gontijo e que desconhece esses pagamentos. Procurada por VEJA, Mônica Veloso preferiu não se manifestar.

Cláudio Gontijo também cedia ao senador um flat no hotel Blue Tree, em Brasília. A VEJA, ele confirmou que conhece Renan Calheiros. “Ele é meu amigo, nada mais.” Ele diz que classifica como maldade as insinuações de que freqüenta a casa do senador e que, por interesse, lhe presta favores. “Parei de ir à casa dele desde que ele virou presidente do Senado para evitar problemas”, disse Gontijo. O lobista admite que entregava dinheiro para quitar as despesas de Mônica Veloso, mas ressalva que o dinheiro não era nem dele nem da empreiteira. De quem era? “Só posso dizer que não era meu”, responde. O senador Renan Calheiros diz que ele mesmo era o dono dos recursos. “O dinheiro era meu”, afirmou. Se era seu, por que o lobista fazia a intermediação? Nesse ponto, Renan diz que não falará mais sobre um assunto que está sob segredo de Justiça. Renan ganha 12.700 reais brutos por mês como senador, que complementa, nas palavras dele, com “rendimentos agropecuários”. Pensão e aluguel, como se viu anteriormente, somam 16.500 reais. A vida íntima do senador Renan Calheiros diz respeito apenas a ele próprio. Não é um assunto público. Mas, quando essas relações se entrecruzam com pagamentos feitos por um lobista, o caso muda de patamar.

O lobista Gontijo nega que a Mendes Júnior tenha se beneficiado da proximidade com Renan Calheiros para conseguir contratos com o governo: “Não temos nenhuma obra sendo executada no governo federal”. Lembrado de que tem contratos com Infraero, Petrobras e Eletrobrás (todas áreas sob influência do senador), o lobista retruca: “Para nós, isso é obra privada”. Perguntado sobre o flat que empresta ao senador, encerra a conversa: “Não vou responder mais nada”. O lobista também ajudou a família Calheiros em campanhas políticas. Nas eleições de 2004, sempre por trás da contabilidade oficial, contribuiu com as campanhas de Renan Calheiros Filho (filho do senador), de Robson Calheiros (irmão do senador) e de José Wanderley (afilhado político do senador). Certa vez, o lobista chegou a reclamar que os pedidos financeiros de Renan Calheiros estavam exagerados. “Cláudio, arruma aí, pede emprestado”, solicitava o senador, de acordo com a versão contada pelo lobista a um interlocutor que conversou com VEJA. Não se sabe o tamanho da ajuda que o lobista deu. Renan Filho foi eleito prefeito de Murici, Robson Calheiros ganhou a suplência de vereador e o médico José Wanderley não se elegeu. No ano passado, emplacou como vice do tucano Teotonio Vilela, governador de Alagoas.

As relações empreiteiro-familiares do clã Calheiros também envolvem o deputado Olavo Calheiros, outro irmão de Renan. No âmbito da Operação Navalha, a polícia captou um diálogo entre Zuleido e Fátima Palmeira, diretora da Gautama, em que eles conversam sobre uma emenda que teria sido oferecida pelo deputado Calheiros, que beneficiaria a empresa. “É o seguinte: aqui, o Olavinho passou aquela emenda que ele tem para a gente”, diz Zuleido. “Empreiteiro é bravateiro, quer vender prestígio”, justifica Olavo Calheiros, informando que a emenda foi apresentada há dez anos. Pode ser mesmo uma bravata, mas o deputado Olavo Calheiros sempre atuou como uma espécie de abre-alas para empreiteiros amigos. Zuleido, quando tinha dificuldades para se encontrar com ministros para tratar de licitações de obras e liberações de recursos, acionava Olavo Calheiros. O deputado marcava audiência com o ministro e levava o empreiteiro na bagagem. Dois ex-ministros de Lula relataram a VEJA que receberam Olavo Calheiros em audiências às quais ele, de surpresa, apareceu acompanhado pelo empreiteiro Zuleido Veras.

As investigações sobre a Gautama de Zuleido Veras também mostram que os tentáculos do empreiteiro chegavam ao Tribunal de Contas da União. Em uma conversa captada pela polícia, Zuleido insinua ter acesso privilegiado a pelo menos dois ministros do TCU – Augusto Nardes e Guilherme Palmeira, parente de uma personagem importante do escândalo, Maria de Fátima Palmeira, diretora comercial da Gautama. Renan Calheiros também é íntimo de Guilherme Palmeira. Em 2004, Palmeira chegou a informar o senador a respeito do curso do processo que tramitava no Tribunal Superior Eleitoral sobre a cassação do então governador de Alagoas, Ronaldo Lessa – assunto que interessava a Renan Calheiros. A VEJA, o ministro Guilherme Palmeira confirma que é amigo de Renan, conhece Zuleido Veras, mas diz que nunca atuou em processos de interesse da Gautama. “Ao menos que eu me lembre, não!” Conta que chegou até a receber algumas vezes Fátima no gabinete, mas encaminhou-a ao relator dos processos. O ministro, de fato, tem memória fraca. Ele foi relator do processo número 008 887/2002, que apura irregularidades num contrato da Gautama com a prefeitura de Porto Velho. Consultado por VEJA, mas sem conhecer o caso concreto, o advogado Roberto Caldas, membro da Comissão de Ética Pública da Previdência, diz que a relação financeira entre um parlamentar e um lobista de empreiteira é condenável. Diz ele, falando em tese: “Evidentemente, esse tipo de relação é inaceitável para alguém que ocupe um cargo público”.

Por Reinaldo Azevedo

 

A Procuradoria-Geral da República e Renan – Vamos botar ordem na bagunça

Vamos botar um pouco de ordem na orgia dos fatos, como pediria certo marquês maluquete. Uma empreiteira arcava com os custos de uma pensão que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pagava à ex-amante e mãe de um filho seu. Sobre isso não há controvérsias, não é mesmo? Ou alguém está disposto a ver alguma?

Não. Não há. As coisas são o que são. Renan tentou demonstrar que tinha renda para arcar com aquelas despesas, coisa da qual nunca duvidei. Segundo sei, poderia financiar creches inteiras ou um harém… Só que optou pelo auxílio da empreiteira.

Ao apresentar as provas de que tinha renda, apareceu lá a grana da venda de uns boizinhos… Muito bem! A Procuradoria-Geral da República ofereceu denúncia ao STF porque viu problemas nessa prestação de contas. E começou a grita contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. “Por que só agora?” Gurgel conversou com Felipe Seligman,  da Folha.
Responde: “Não houve e não há qualquer intenção de que isto tenha sido feito por esta ou aquela motivação no momento que se aproxima a eleição para a presidência do Senado. O Ministério Público não pode ficar subordinado a essas questões de conveniência política. Eu procuro ao máximo evitar esse tipo de repercussão das iniciativas do Ministério Público. Por outro lado, não posso ficar subordinado de forma que uma denúncia só possa ser oferecida quando haja qualquer inconveniente político”.

Retomo
É uma boa resposta. O que querem? Que o Ministério Público só denuncie os políticos quando isso não lhes for atrapalhar a vida? De resto, meus caros, acho que até é pertinente que se discuta a demora no oferecimento da denúncia, que se considere ser esse mais um fator que acaba concorrendo para a impunidade, que se proponham maneiras de acelerar esses procedimentos. No limite, pode-se até criticar a Procuradoria-Geral da República pela morosidade… Tudo aceitável.

O que é inaceitável é deixar que essas especulações e considerações omitam o essencial: as justificativas apresentadas por Renan. Convenham, né? Numa democracia convencional, sem muitas jabuticabas, este senhor já teria sido aposentado pelos fatos. Voltar a disputar a presidência do Senado depois de ter sido obrigado a renunciar a ela? Isso seria impensável.

Querem criticar a Procuradoria-Geral da República pela demora? Vá lá. Também acho que a coisa poderia ter sido feita antes. Usar, no entanto, essa consideração para tentar negar os fatos, aí não dá.

Por Reinaldo Azevedo

 

Por que Renan deve ser o presidente do Senado pela segunda vez? Ou: Um homem e as NOSSAS circunstâncias

Por que Renan Calheiros (AL), apesar de sua biografia — e temo que possa ser “por causa dela” —, deve ser o presidente do Senado pela segunda vez? Uma coisa se pode dizer com absoluta certeza: essa cadeira ele não vai roubar de ninguém. Se chegar ao posto, mesmo depois de ter sido obrigado a renunciar a ele, não será como um usurpador, senão, isto sim, como um ungido pela maioria — que, então, merece tê-lo naquele lugar. E essa maioria também não foi nomeada por um ditador; não é constituída pelos famigerados “senadores biônicos” do Pacote de Abril, de Geisel (quem ainda se lembra?). Nada disso! Os eleitores de Renan foram eleitos por Sua Majestade o povo. Nas democracias, no que concerne à política, é raro que o povo tenha menos do que aquilo que merece, entendem?

Eu já disse mais de uma vez o que penso de Renan Calheiros. Também expliquei por que as oposições, o PSDB em particular, só têm uma coisa decente a fazer  — votar em Pedro Taques (PDT-MT), mesmo para perder. Parece que os tucanos podem ir por esse caminho; podem votar em Taques, mas notem que o partido não move uma palha para criar, assim, uma espécie de movimento. É que, se Renan vencer, também não é tão mau assim. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) o convidou a retirar a sua candidatura. Renan agradeceu, mas não aceitou o convite…

A verdade dramática, meus caros, é que, independentemente do que achemos de Renan e do que sabemos de sua trajetória, ele não é uma marginal na Casa. Ao contrário: é uma de suas estrelas mais reluzentes. Isso fala um tanto sobre o Senado, mas também sobre a política e as escolhas populares, ora essa! Jaqueira não dá maçãs. E Renan está aí não é de hoje, certo? Foi homem forte de Fernando Collor por algum tempo. Rompeu. Chegou a ser ministro de FHC — da Justiça! Quando o PMDB se bandeou para o petismo, procurou ser um fiel escudeiro da causa, mas sem jamais se descuidar dos interesses do seu partido.

Presidencialismo de coalização
Renan Calheiros presidindo o Senado pela segunda vez é fruto desse tal “presidencialismo de coalizão”, que seduz tantos pensadores no Brasil e é considerado um fator de estabilidade da política. “Pô, mas não poderiam ter arrumado um nome melhor?” Bem, é ele que unifica os interesses da federação peemedebista, um dos pilares do governo federal no Congresso — mais importante para o PT do que era para FHC, que tinha um PFL forte.

Muitos dos analisas que ficam horrorizados com Renan — e por bons motivos — são, por exemplo, críticos azedos dos republicanos dos EUA, que estariam interessados em impedir Santo Barack Obama de governar. Pois é… Por lá, os Renans e Sarneys não rendem frutos porque a política é pão, pão, pasta de amendoim, pasta de amendoim. Por aqui, temos a conciliação como um vício, e a clareza é considerada coisa de gente de maus bofes. No Brasil, a raposa política que sempre se dá bem, que sempre está no poder, que sempre está por cima é vista como expressão da sagacidade.

Vejam o tratamento que certa imprensa tem dispensado a José Serra, por exemplo. Há quem goste dele, há quem não goste — e não há novidade nisso; assim é com todo mundo. Mas não se pode dizer que o homem ora está lá, ora está cá. Ao contrário: certa fama de intransigência o acompanha. Perdeu e ganhou eleições. Quando perde, fica fora do poder. Quando ganha, ele o exerce. Nunca pôde ser um Sarney — que é governo desde a era a Juscelino — ou mesmo um Renan Calheiros. Dia desses, uma charge bucéfala num jornal o caracterizava entre as coisas fora de moda. A convicção caiu da moda. Não é coisa de espertos.

Eu posso, sim — e mais alguns tantos, mas não muitos — , lastimar que Renan chegue à Presidência do Senado pela segunda vez porque, em política, eu acho que a ausência de confronto e a permanente conciliação criam o ambiente ideal para a prosperidade dos maus representantes do povo. Eu gosto de clareza e de gente que ou é palmeirense ou é corintiana; ou é vascaína ou é flamenguista. Acredito, aliás, e já disse isto aqui, que o pluripartidarismo é mais expressão de atraso do que de progresso. “Ah, gostava da ditadura, com Arena e MDB”. Não gostava, não! Apanhei e fui fichado. Eu defendo a polarização em regimes democráticos. Podem ver: países atrasados costumam ter partidos e instrumentos de percussão em excesso…  Pronto! Lá vem bronca de gente que não entende piada…

Eu lamento a possibilidade, quase a certeza, de que Renan chegue à Presidência do Senado pela segunda vez. Mas ele não surge do nada. É a expressão do que os brasileiros fizeram até aqui com a sua democracia.

Por Reinaldo Azevedo

 

A classe dos estúpidos é internacional! Ou: “Ave, Obama, os que vão morrer o saúdam!”

A estupidez até  pode encontrar um terreno fertilíssimo no Brasil e, às vezes, chegar a altitudes inigualáveis. Mas não é uma exclusividade nossa, não! Os idiotas estão soltos e, como lembrou um ex-ministro, perderam completamente a modéstia.

Mohamed Morsi, presidente do Egito, teve uma ideia para conter os protestos populares, que entram pelo quinto dia: Lei Marcial — instrumento a que recorreu o agora encarcerado e quase morto Hosni Mubarak. Nesses cinco dias, já são 58 os mortos em várias cidades do país. O Ocidente assiste atônito e mudo. Quem é que está na rua agora? Os traídos de sempre das “revoluções islâmicas”: as facções laicas e realmente democráticas que acreditam poder, porque mais racionais e informadas, dar um truque na truculência religiosa. É incrível! EUA e Europa caíram, em 2011 e 2012, na mesma conversa de 1979, com a revolução iraniana. Até o comportamento do democrata da hora que ocupa a Casa Branca foi o mesmo: Jimmy Carter, certamente o mais patético presidente da história americana, puxou o tapete do xá Reza Pahlevi e entregou o Irã a Khomeini. Alguns meses depois, o barbudo de olhar maligno estava matando e esfolando. Barack Obama puxou o tapete de Mubarak e de outros ditadores e entregou o Egito à Irmandade Muçulmana e o Norte da África aos terroristas. Uma obra que vai ficar para a história. E ele o fez com o auxílio luxuoso de um conservador que havia virado socialite, Nicolas Sarkozy, então presidente da França, que perdera o eixo, e de outro conservador meio burrinho, David Cameron, primeiro-ministro britânico.

George W. Bush, o odiado “jorjibúsxi”, diz-se, achava que podia sair por aí derrubando ditadores inimigos. Uma coisa realmente muito feia de fazer e que lhe rendeu o repúdio dos politicamente corretos mundo afora, especialmente no Brasil. Essas mesmas mentalidades, no entanto, acham que os americanos cumprem uma missão civilizadora e civilizatória quando saem por aí derrubando ditadores… amigos. É um jeito de ver o mundo, com o qual não concordo num caso e noutro. A Irmandade Muçulmana, obviamente, deu um passa-moleque nos seus “aliados” ocidentais, e os terroristas levaram a melhor na Líbia — e isso quer dizer levar a melhor em todo o Norte da África.

Mas é muito pequena a possibilidade de ler o óbvio na imprensa brasileira ou estrangeira. O Estadão traz nesta terça um texto estupefaciente, escrito por Jocelyne Cesari, publicado no Washington Post. Ela é pesquisadora sênior do programa “Islam in the West”, do Centro Berkley, da Universidade Harvard.

Contra os fatos, contra as evidências, dona Jocelyne vê “a firme marcha dos movimentos islâmicos rumo à democracia”. Mas aí ela se sentiu na obrigação de adjetivar um pouco essa democracia. E escreveu esta maravilha: “Entretanto, isso não significa que as transições em curso levarão necessariamente a democracias liberais no estilo ocidental. O mais provável é que estejamos testemunhando a ascensão de democracias iliberais, nas quais o respeito aos resultados eleitorais não significa automaticamente o fim da discriminação com base no gênero ou na religião entre os cidadãos”.

Parece um pensamento original, mas é pistolagem intelectual. Como esses vigaristas se encantaram com a dita Primavera Árabe, assegurando o seu caráter democrático — estupidez na qual este blog nunca caiu —, faz-se necessário agora inventar uma categoria em que encaixar aquele troço. Surge, assim, a “democracia iliberal”, que se resumirá, então, ao “respeito aos resultados eleitorais”. Por esse critério, a Venezuela e o Irã são democracias — “iliberais”, por certo! Como “democracias iliberais” eram alguns fascismos europeus.

Segundo Jocelyne, o verdadeiro teste para esse novo modelo democrático será a persistência do “sistema eleitoral”. Duvido que esta senhora não tenha lido Gramsci. Tendo lido, é mesmo uma farsante. Na hipótese de que não tenha, é uma ignorante essencial. Modelos autoritários, islâmicos ou não, recorrem cada vez mais a eleições para se legitimar. Perceberam que isso é mais eficiente do que as armas. Por intermédio de leis votadas em Parlamentos sob o controle de “partidos populares” ou de “partidos religiosos”, estabelecem as condições da devida desigualdade da disputa. A nova Constituição votada no Egito dá aos religiosos a última palavra até sobre sentenças judiciais. Nas eleições egípcias, membros da Irmandade Muçulmana acompanhavam os eleitores até a urna. E não havia o que fazer — e não haverá.

Jocelyne sente a incontornável necessidade de inventar uma democracia diferenciada para poder justificar as brutalidades do novo regime. Reparem nas consequências práticas de sua tese. Os cinquenta e oito cadáveres, então, que se contam no Egito em cinco dias já são cadáveres da democracia — “iliberal”, é bem verdade, mas democracia ainda assim, segundo esse pensamento. Os mortos de Mubarak eram expressão da truculência. Os mortos de Morsi são consequência do poder popular.

Sigamos ainda para onde aponta o nariz de dona Jocelyne. Notem que ela é pesquisadora sênior do programa “Islã no Ocidente”. Isso quer dizer que esta senhora vê, certamente, com bons olhos a força crescente dos companheiros de turbante na Europa, por exemplo. Se democracia é democracia, ainda que “iliberal”, é de supor que também os ocidentais acabem, vamos dizer assim, se contaminando com esses novos valores. Se, daqui a 50 anos, a França estiver de burca — e se for isso o que querem as urnas —, fazer o quê?

Esta senhora desidrata a democracia de seu conteúdo e de sua história e a converte num mero sistema de escolha de governantes. Nas democracias iliberais, as maiorias se impõem pelo voto e, se preciso, esmagam as minorias. Nega-se, assim, o fundamento que fez da democracia ocidental um regime realmente acima de qualquer outro que o mundo tenha tentado: o seu valor negativo — vale dizer: a proteção às minorias.

Apontei aqui outro dia que nenhum lobby era tão eficiente e poderoso em escala planetária como o lobby islâmico (na imprensa paulistana, só o do Supercoxinha é mais forte). Eis aí.

É certo que nem tudo é treva e se pode ler ainda o que presta. Na edição de VEJA da semana passada, Mario Sábino, correspondente em Paris, escreveu sobre a necessária intervenção francesa no Mali (em azul):

(…)
Aplaudida pelos aliados, a França, no momento, está como a Estátua da Liberdade: sozinha, com a tocha na mão. Afora as palavras de solidariedade e algum apoio logístico, as nações amigas relutam em formar uma coalizão semelhante àquela que derrubou o ditador líbio Muamar Kadafi na Líbia, em 2011. A crise econômica levou a que todos cortassem na bucha dos canhões e ninguém parece disponível para lutar na África depois da aventura na Líbia, em que a geopolítica deu lugar ao geoproselitismo.
A encrenca no Mali é consequência direta do que ocorreu na Líbia. Ou, em outras palavras, Hollande está limpando o lixo que seu predecessor, Nicolas Sarkozy, deixou que se esparramasse, ao começar uma guerra contra Kadafi na qual o resto do Ocidente embarcou. Na última década, o ditador, um dos mais sanguinários e pitorescos de que se tem notícia mesmo para os largos padrões africanos, conseguiu segurar, a bom preço pago pela Europa, a ação de terroristas islâmicos e os anseios irredentistas dos tuaregues, povo seminômade que se espalha no miolo formado por Argélia, Mali, Níger, Chade, Burkina Faso, Nigéria e, claro, Líbia. Com a queda de Kadafi e a  “primavera árabe” no Magreb, que destituiu tiranos na essência laicos por tiranos muçulmanos só na aparência moderados, os terroristas viram-se à vontade para agir na região adjacente do Sahel — a faixa de terra que se interpõe entre o deserto magrebino (o Saara) e o sul equatorial, com populações já predominantemente negras.
(…)

Volto
Na mosca! A bobagem que as potências ocidentais fizeram e ainda fazem em relação à dita “Primavera Árabe”, segundo a lógica dos fatos, era e é praticamente autodemonstrável. É a marcha da “democracia iliberal”… No caso da Líbia, aí houve a mistura explosiva dos bons sentimentos com a irracionalidade. Obama, Sarkozy e Cameron não viram mal nenhum em que a Otan, ao menos naquele empreendimento, se juntasse aos jihadistas.

Pois é… Dona Jocelyne, a tal, à sua maneira torta, ajuda-nos a entender o mundo. Os autoritários resolveram adotar o método ocidental — as eleições —, mas dispensando os seus valores. Trata-se de um bom modo de eternizar ditaduras. Já os ocidentais à moda Jocelyne fizeram o contrário: começam a admirar os valores dos autoritários. Nessa toada, adivinhem quem  está condenado à derrota.

Repito para o presidente dos EUA a saudação que se fazia aos Césares: “Ave, Obama, os que vão morrer o saúdam!”.

Por Reinaldo Azevedo


Serra, o voto distrital e o gosto de cada um. Ou: Quem pede a aposentadoria de quem

Apontei aqui ontem, analisando um texto opinativo da Folha, a histeria anti-Serra e anti-Alckmin que toma conta de setores da imprensa paulistana. Não me lembro de ter visto coisa parecida. Os dois políticos são tratados por certos “analistas” como se fossem usurpadores do mandato popular e nunca tivessem sido eleitos por ninguém. Essa gente nunca pediu a aposentadoria de Paulo Maluf. Essa gente nunca pediu a aposentadoria de José Sarney — era colunista da Folha até outro dia, se a memória não me trai. Essa gente nunca pediu a aposentadoria de Lula, que decide candidaturas e dá aulas de gestão para o prefeito Fernando Haddad e para auxiliares de primeiro escalão de Dilma. Mas praticamente exige, como se houvesse alguma legitimidade ou sentido, a aposentadoria de Serra.

Além do petismo quase militante presente nas redações, há, claro, as frações do tucanato que se dedicam à fofoca e à delinquência política. Até parece que o PSDB está em condições de hostilizar um dos fundadores do partido e um dos políticos mais tecnicamente preparados do país. Mas a hostilidade existe, sim, em certos nichos e se converte em maledicência nas colunas de notas. Petistas podem se odiar — e há ódios incontornáveis por lá, saibam disso. Mas evitam a prática do tiro ao alvo contra aliados de partido, esporte predileto de alguns tucanos. O resultado é o que se vê. Adiante.

No texto que comentei ontem, o autor, Ricardo Mendonça, emprestava quase tom de denúncia ao fato de que Serra havia sido convidado para dar uma palestra sobre sistema eleitoral brasileiro na sede do diretório estadual do partido. Por alguma, razão, Mendonça achou o convite descabido. Por alguma razão, pareceu-lhe impróprio o convite feito a um dos fundadores do PSDB, deputado constituinte, senador, ministro, prefeito da capital, governador e duas vezes candidato à Presidência. Onde já se viu uma coisa dessas?

É que ele estava anunciando uma descoberta, tanto que exclamou: “Bingo!”. Segundo disse, no encontro de hoje, os aliados de Serra o lançariam como pré-candidato à Presidência, e Mendonça, que não censura Lula por ter disputado cinco vezes a Presidência (e uma o governo de São Paulo), acha que Serra já foi candidato demais! Como antevi aqui, no encontro desta segunda, nem se tocou em 2014, e o ex-governador, indagado a respeito, se negou a falar sobre o assunto.

Voto distrital
Serra falou, isto sim, em defesa do voto distrital, uma tese abraçada por este blog há muito tempo, como sabem. Fez o elenco das vantagens do modelo: 1) barateia as campanhas uma vez que o deputado disputa a eleição num colégio menor de eleitores; 2) aproxima o representante do representado; 3) torna a representação mais justa.

G1 tem de fazer uma correção
Portal G1 publicou uma reportagem correta sobre a intervenção do tucano, mas cometeu um erro. Está escrito lá:
“Por último, a representatividade regional, no caso Brasil, acaba sendo desproporcional, já que um estado como São Paulo, por exemplo, tem metade do eleitorado do país, mas elege apenas um quarto dos deputados, segundo Serra.”

Serra, evidentemente, não disse isso porque o estado de São Paulo nem tem metade do eleitorado nem um quarto da Câmara. Fosse assim, em vez de 513 deputados, haveria apenas 280… O ex-governador afirmou outra coisa: a Grande São Paulo tem metade do eleitorado do estado e elege apenas um quarto da Assembleia Legislativa.

É a primeira intervenção pública de Serra depois da eleição municipal. Aos jornalistas, disse estar em “fase de descanso e arrumação” e afirmou que voltará a tratar de política em março ou abril. Os que apreciam a biografia de Maluf, Sarney e Lula nunca lhes pediram que se aposentassem. Eu, com ênfase, cobro que Serra não se aposente.

Cada um com seu gosto.

Por Reinaldo Azevedo


Dilma e a promessa de realizar quatro anos em oito!!!

Ai, ai…

Dilma esteve ontem no tal encontro de prefeitos, conforme relata reportagem abaixo, da VEJA.com. Prometeu liberar uma bolada de R$ 66,8 bilhões aos municípios. Já é a campanha eleitoral. Estão na lista das prioridades até as 6 mil creches que, ela jurou em 2010, estariam prontas em 2014. Não estarão nem com a ajuda do Padre Eterno. Construíram até agora menos de 30.

A agenda, obviamente, é eleitoral. Dilma passará boa parte dos próximos dois anos elaborando as propostas para um eventual segundo mandato, e a agenda de promessas será muito parecida com a de… 2010! É isso aí… “Four more years” para ver se a governanta consegue fazer quatro anos em… oito. Leiam reportagem d e Gabriel Castro e Marcela Mattos, da VEJA.com.
*

A presidente da República Dilma Rousseff anunciou nesta segunda-feira, durante 2º Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas, em Brasília, a liberação de 66,8 bilhões de reais para áreas como educação, infraestrutura e saúde. Desse total, 35,5 bilhões de reais devem ser liberados em fevereiro. O restante depende da elaboração de novos projetos pelos municípios.

Em um discurso de quase 50 minutos, usando um tom pré-eleitoral, Dilma prometeu a construção de mais 1,1 milhão de moradias pelo programa Minha Casa, Minha Vida, além do 1,3 milhão anunciado no início do governo. Dos novos recursos, 3,6 bilhões de reais serão destinados a municípios com menos de 50.000 habitantes.

Dilma afirmou que o governo vai reabrir prazo para que os novos prefeitos se cadastrem no programa de construção de 6.000 creches. Uma das principais promessas da campanha da presidente, o projeto avança a passos lentos. Ainda na educação, Dilma anunciou a flexibilização das regras de outro projeto atrasado: a construção de quadras esportivas em escolas públicas. O plano beneficiava apenas escolas com mais de 500 alunos; este limite caiu para 100 estudantes. 

O governo também disponibilizará 12 bilhões de reais para investimentos em saneamento e 5 bilhões de reais para pavimentação de ruas. Outra meta é construir 1.500 unidades de novos postos de saúde. O gasto total de 1,2 bilhão de reais com a saúde custeará também a compra de novos equipamentos. 

Apesar do tom otimista, a presidente admitiu que muitos empreendimentos de seu governo não avançam no ritmo adequado: “Ainda há um grande número de obras atrasadas, paralisadas e outras que não foram iniciadas. Nós precisamos superar essa situação.” Tratando do programa Brasil Sem Miséria, Dilma afirmou que seu governo vai tirar 36 milhões de pessoas da pobreza extrema até 2014.

Ao encerrar o discurso, Dilma pediu que a União e os municípios trabalhem juntos. “A gente pode divergir em um processo eleitoral, os ânimos podem se acirrar. Mas depois que passa nós temos de trabalhar juntos. E isso significa que nos respeitamos e fomos eleitos para trabalhar por todos”, afirmou. 

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Organizado pelo governo federal, o encontro em Brasília reuniu milhares de prefeitos de todo o país. A parceria com os municípios é essencial para que a presidente Dilma cumpra suas metas de campanha e sustente sua candidatura à reeleição em 2014.

Por Reinaldo Azevedo

 

Discursos surrealistas 2 – O PSDB, por enquanto, está firme como um pudim

Já disse o que penso a respeito: o PSDB só tem uma decisão decente a tomar na disputa pelo Senado: apoiar o senador Pedro Taques (PDT-MT).  Os petistas sabem do que falo: sempre apresentaram candidatos alternativos, mesmo para perder. Do mato da oposição, no entanto, não sai coelho, não.

Leio na Folha uma consideração do senador Aécio Neves (PSDB-MG), apontado como “o” candidato do partido à Presidência da República e cotado para presidir também a legenda. Volto em seguida.

“O senador Renan, como líder do partido, deve ser o maior interessado em conduzir a indicação do PMDB para um nome que possa ser tranquilamente aceito por todo o Congresso e não apenas pela bancada do seu partido”, afirmou, durante a inauguração de um complexo prisional em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte.
(….)
Aécio disse hoje que a bancada do PSDB e outros partidos de oposição irão se reunir na quinta-feira (31) para avaliar a situação. “Mas acho que cabe ao PMDB, como partido majoritário, criar facilidades para que possamos ter um nome que agregue a todas as forças políticas do Congresso, para que o Senado inicie uma nova fase”, afirmou.

Voltei
“Cuma???” É a pergunta clássica de Didi Mocó. É a oposição com aquele discurso de consistência flan, firme como um pudim.  “Renan é o maior interessado” num nome alternativo a… Renan??? Isso é pura retórica da conciliação, só que sem a fase anterior: a do confronto. Não! Ele não é o maior interessado. Os maiores interessados, senador, são os brasileiros decentes.

Aécio sabe muito bem que políticos não abrem mão de posições de poder, a menos que a tanto sejam forçados. O senador Álvaro Dias (PR), oposicionista de fato e líder do partido na Casa, afirmou que o partido pode votar em bloco em Taques. Vamos ver. Uma coisa é certa: ou se tem uma posição do partido como um todo, ou não se tem é nada.

Por Reinaldo Azevedo


Discursos surrealistas 1 – Presidente do PMDB diz que denúncia da Procuradoria contra Renan não constrange o partido. Ora, claro que não!

Que momento lindo! O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), afirmou que a denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República ao STF contra Renan Calheiros (PMDB-AL) não constrange o PMDB de modo nenhum. Tenho absoluta certeza disso. Com algumas exceções (sempre as há), os peemedebistas podem estar até orgulhosos: “Este é mesmo um dos nossos!”. Na Folha, leio a seguinte declaração deste patriota:

“De maneira nenhuma [há constrangimento]! O papel do Ministério Público é denunciar. É uma coisa muito antiga. Mas, com todo respeito ao nosso procurador, o que nos causou estranheza foi uma coisa em cima da hora, na véspera de uma eleição. Nada foi comprovado. Se tivesse ocorrido alguma condenação, mesmo que em uma única instancia, aí tudo bem. Mas não houve. Não tinha nenhuma prova concreta, como não tem ainda hoje”. A PGR acusa Renan de ter apresentado notas fiscais frias para esconder o fato de que teve contas pagas por um lobista.

Pois é… A fala de Raupp é mesmo uma síntese e o sumo do atual comando do PMDB. Ele nem se ocupa tanto de dizer que Renan não fez isso ou aquilo. É o de menos. Prefere insistir no que considera fragilidade ou ausência de provas. É mesmo um homem de juízos encantadores. Segundo entendi, a Procuradoria não deveria ter enviado agora a denúncia por causa da disputa. Deveria, pelo visto, ter esperado Renan se tornar presidente do Senado…

Que coisa!

Por Reinaldo Azevedo


Acordo de Cristina Kirchner com o Irã é uma indignidade e um tapa na cara da comunidade judaica argentina e mundial

Cristina Kirchner, a “Louca de Buenos Aires”, pode ser pior do que parece. E olhem que a competição consigo mesma é das mais severas. Ela é daquelas pessoas determinadas, que podem ser hoje piores do que foram ontem e melhores do que serão amanhã… Até o desastre — que é para onde ela tenta empurrar o seu país! Não sem antes multiplicar a riqueza da família com impressionante celeridade. Qual é a última estupidez desta senhora? Celebrou um acordo com o Irã para empreender uma investigação conjunta do atentado praticado contra a entidade judaica Amia (Associação Mutual Israelita Argentina), em 1994, em Buenos Aires. Morreram 85 pessoas, a maioria crianças.

A polícia e os órgãos de segurança argentinos já investigaram o caso e descobriram as patas do governo iraniano no atentado. Nenhuma surpresa. O país patrocina ações terroristas em Israel, no Irã e no Líbano, só para começo de conversa. A Justiça argentina pede a extradição de oito iranianos envolvidos na ação. Entre eles, estão o atual ministro da Defesa, Ahmad Vahidi, e o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani. O regime dos aiatolás nega, claro!, o envolvimento no episódio e não prende ninguém. Ao contrário: como se vê, eles ocupam os mais altos postos do país.

Agora, dona Cristina Kirchner decidiu formar uma comissão conjunta com aqueles que são formalmente acusados pelo atentado para “investigar” o caso. É um escárnio! É um acinte! A troco de quê, dona Cristina, e com que propósito? É impressionante o mergulho vertical desta senhora na delinquência política, externa e interna. O Irã tem um amigo íntimo na América Latina: o ditador Hugo Chávez. Lula entrou na fila para ser parceiro, mas não conseguiu ir tão longe quanto pretendia. A presidente argentina, agora, resolveu entrar de cabeça nessa “relação”.

Segundo o acordo, representantes da Justiça argentina ouvirão os acusados em Teerã, naquele paraíso de liberdade e independência. A coisa é uma farsa em si e nem mesmo se ocupa em criar uma fachada de decência. “Não poderíamos estar menos consternados. Isso é ilegal e ignora o trabalho da Justiça nesses últimos 18 anos. Tomar os depoimentos em Teerã é inconstitucional”, reagiu Guillermo Borger, presidente da AMIA.

Em março de 1992, um atentado à embaixada de Israel em Buenos Aires já havia matado 29 pessoas e deixado 200 feridos.

Ah, sim…
Antes que comece o papo-furado, vamos deixar claras algumas coisinhas. Cristina Kirchner é de origem judaica. Héctor Timerman, ministro das Relações Exteriores, que ajudou a costurar esse acordo com o Irã, é judeu. O porra-louca Axel Kicillof, homem forte de Cristina e da economia (e seus desastres), também. E daí?

Isso não muda uma vírgula do que escrevi nem a natureza do acordo. Não estou dizendo que seja o caso da turma, mas o fato é que, como bem sabe a comunidade judaica, judeu também podem tomar decisões pautadas pelo antissemitismo. Infelizmente, nem isso é uma garantia absoluta contra esse mal. 

Haver judeus no governo de Cristina e o fato de ela própria ter origem judaica não tornam moral seu acordo com o Irã. Não se pede a assassinos que ajudem a investigar as circunstâncias em que morreram suas vítimas. É simples assim. Esse acordo cheira mal, e Cristina não tem um passado político abonador. É bom lembrar que, na campanha à sua primeira eleição, recebeu uma mala de dólares ilegais enviados por Hugo Chávez.

Por Reinaldo Azevedo


CGU abre processo administrativo contra “amiga íntima” de Lula

Por Laryssa Borges e Marcela Mattos, na VEJA.com:
A Controladoria-Geral da União (CGU) abriu um processo administrativo disciplinar nesta segunda-feira para punir Rosemary Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência em São Paulo e mulher de confiança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apontada como o braço político de uma quadrilha que fraudava e vendia pareceres técnicos do governo, Rose, como é conhecida, teve suas ações desbaratadas pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, e foi indiciada pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, falsidade ideológica e tráfico de influência. 

O pedido de abertura do processo foi encaminhado pela Casa Civil da Presidência da República. “Sobre a comissão de sindicância, nós já encaminhamos à CGU e acatamos todas as determinações da comissão. Foi para a CGU para a instauração de procedimento administrativo”, informou a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

A Casa Civil investigou o caso por meio de uma sindicância aberta no final de novembro para apurar a participação de servidores da Presidência da República no esquema de venda de pareceres técnicos. O grupo de investigação produziu um relatório sigiloso no início de janeiro em que recomenda a abertura do processo contra Rose. Entre as penalidades previstas estão a proibição de ocupar cargo público federal.

As investigações da Polícia Federal apontaram que Rose, ex-assessora do petista José Dirceu e muito próxima do ex-presidente Lula, negociava favores em troca dos serviços prestados à quadrilha. Lotada no gabinete da Presidência em São Paulo, ela fazia, conforme a PF, a intermediação entre empresas que queriam comprar pareceres fraudulentos de órgãos do governo e os servidores que poderiam consolidar a prática criminosa. Também foi detectada como de sua responsabilidade a nomeação dos irmãos Paulo e Rubens Vieira para diretorias da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ambos chegaram a ser presos pela PF.

Comissão de Ética
Paralelamente ao processo administrativo, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República também analisa a conduta de servidores federais no esquema revelado pela Operação Porto Seguro. Além de Rosemary Noronha, que já prestou informações formais ao órgão de aconselhamento da presidente Dilma Rousseff, são alvos do colegiado o ex-número dois da Advocacia-geral da União (AGU), José Weber Holanda, e os ex-diretores Paulo e Rubens Vieira. Nesta segunda-feira, a ex-juíza Suzana de Camargo Gomes foi designada relatora do caso na comissão.

Por Reinaldo Azevedo

 

Velocidade dos negócios de Zé Dirceu exige que se desloque só por ar; a terra já não dá conta

Abaixo, publico um post sobre uma frase realmente estupefaciente dita por Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, em encontro com petistas. O Estadão publica nesta segunda uma impressionante reportagem de Bruno Boghossian e Fausto Macedo. Leiam. Volto em seguida.

A Operação Porto Seguro revelou que o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) mantém relação próxima com o empresário e ex-senador Gilberto Miranda – denunciado por corrupção ativa e apontado como principal beneficiário do suposto esquema de compra de pareceres técnicos em órgãos federais.

Telefonemas gravados pela Polícia Federal, em novembro de 2012, mostram que Dirceu e Miranda marcaram pelo menos duas reuniões às vésperas da deflagração da operação e que um assessor do petista chegou a pedir emprestado um jato particular do ex-senador para voar até a Bahia no feriado da República – viagem que Dirceu fez com a namorada e com Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo. A voz do ex-ministro do governo Lula não aparece nos áudios. Ele não era alvo da missão policial, mas Miranda estava sob vigilância permanente.

Em uma ligação gravada três semanas depois que Dirceu foi condenado no julgamento do mensalão, seu auxiliar diz que o petista se recusava a desembarcar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, em horários de grande movimento. “Correr risco agora é besteira, né?”, recomenda Miranda ao assessor. Os 25.012 telefonemas gravados pela PF no decorrer da Porto Seguro detalham a intimidade com o poder mantida por Miranda e outros integrantes do grupo. Eram frequentes os diálogos com deputados, senadores, governadores, prefeitos e diretores de órgãos técnicos. Foi com a ajuda de algumas dessas autoridades que Miranda conseguiu benefícios para empreendimentos de suas empresas, como a construção de um porto privado na Ilha de Bagres, em Santos, litoral paulista.

A PF não envolve Dirceu com os negócios sob suspeita de Miranda. Mas as ligações interceptadas a partir de um grampo no telefone do ex-senador revelam que os dois tinham interesses em comum e uma relação que permitia ao petista pedir até empréstimo de um avião particular. As escutas mostram que Dirceu e Miranda tiveram um encontro no início da tarde de 8 de novembro. O assessor do petista telefona para a secretária do empresário às 11h59 para avisar que ele se atrasaria porque havia sido convocado para uma “reunião de urgência”.

“Eu só queria te pedir o seguinte: é que o Zé foi chamado para uma reunião de urgência, então a Evanise, a companheira dele, vai chegar um pouco antes no horário combinado e ele, se atrasar, ele chega uns minutos depois. Você pode avisar o Gilberto?”, pede o auxiliar de Dirceu.

Risco
No dia seguinte, o assessor de Dirceu começa a articular com o ex-senador reunião para 19 de novembro entre a dupla e Saulo Ramos, ministro da Justiça na presidência de José Sarney – a quem Miranda é ligado. O avião de Miranda buscaria Dirceu no litoral da Bahia para levá-lo ao encontro, em São Paulo, e depois seguiria para Brasília. “A princípio estava marcado com o ministro (Saulo Ramos) dia 19, às 16h, mas isso daí eu vou falar com ele agora, pra ver até a parte da tarde. Isso daí eu te confirmo”, diz Miranda. A reunião acabou cancelada, dias depois.

No mesmo telefonema, o assessor de Dirceu pede informações sobre um helicóptero do empresário que levaria o petista ao Rio. Os dois temem que o mau tempo obrigue a aeronave a pousar no movimentado Aeroporto Santos Dumont, no meio da tarde. “O Zé não estava querendo descer lá no Santos Dumont, entende?”, diz Miranda. “Qualquer coisa pego um avião, saio daqui no domingo, quinze para as nove da noite, chego em Santos Dumont mais vazio, entendeu?”, sugere o auxiliar do petista.

O assessor telefona mais uma vez para Miranda, em 14 de novembro, às 14h20, para pedir um favor ao ex-senador. “É só uma consulta, não é oficial. O Zé tava indo viajar para a Bahia hoje e acabaram de ligar, que o King (jato executivo) deu uma pane elétrica, que iam emprestar para ele… Por acaso o teu está por aqui e poderia levá-lo, ou não?”, pergunta o assessor. “O meu está, mas eu estou sem piloto. Eu, como não ia viajar… Eu dei folga para eles”, responde Miranda. Apesar da recusa, Dirceu foi à Bahia, na praia de Camaçari, com a namorada e Rose.

Os criminalistas José Luís Oliveira Lima e Rodrigo Dalla’Acqua, que defendem Dirceu, responderam que o ex-ministro “não mantém nenhum relacionamento profissional com o sr. Gilberto Miranda, bem como não utilizou nenhum meio de transporte de propriedade do mesmo”. Eles destacaram: “A reunião com o sr. Saulo Ramos, como evidenciam as próprias gravações obtidas pelo ‘Estado’, acabou não se realizando.”

Voltei
Uma das funções dos advogados, é da profissão, é tentar demonstrar que nem tudo o que parece é. A depender do cliente, a tarefa é mais difícil e consiste em provar que TUDO o que parece não é. Dirceu se encaixa nesse grupo. Naqueles SMSs do celular de Oliveira Lima que milagrosamente iam parar nas mãos de jornalistas, aparece um José Dirceu grato a seu advogado, comovido mesmo. Não é pra menos. A gente nota que ele atua como um difícil porta-voz do outro.

O relato acima fala por si. Vejam com que desenvoltura os homens do Zé negociam aviões para ele pra cima e pra baixo. Um trecho chama a minha atenção em particular — e nem é aquele dos favores de Miranda. O King Air que “iam emprestar” para o Zé dá uma pane… Quem empresta avião, assim, quem empresta a caneta BIC. Nada é corriqueiro no mundo do Zé.

E, claro, como se nota, ele parece ter especial atração por figuras da
República que se envolvem em escândalos.  Na velocidade em que evoluem os negócios do Zé, ele já não pode mais se movimentar por terra — agora, é só pelo ar. De preferência, nas asas de patriotas como Gilberto Miranda.

E assim é porque o Zé, formalmente ao menos, está fora do poder. Imaginem quando era o segundo homem mais poderoso da República. Continuasse por lá, Angola (ainda tratarei do assunto) seria um exemplo de moralidade pública para o Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

 

Nelson Motta: Mensalão, o musical

Trecho do artigo publicado no Estadão: Trinta políticos de vários partidos, com ternos brilhantes, gravatas medonhas e cabelos acaju invadem a cena cantando e dançando para Lula e Jefferson: “Ei, você aí/ me dá um dinheiro aí/ me dá um dinheiro aí…”

Leia a íntegra na seção Feira Livre.

(por Augusto Nunes)

Uma frase do Carvalho

O PT inventou a corrupção? Na página 49 do livro “Máximas de Um País Mínimo”, escrevo:“O PT não inventou a corrupção, ele apenas a desmoralizou”.Sim, essa frase é minha faz muito tempo. Não me importo que seja citada por muitos colunistas e cronistas, às vezes mudando-se o sujeito, sem atribuição de autoria…

Há uma mais antiga do que essa, que vocês encontram em vários textos deste blog se recorrerem ao arquivo: “O PT não inventou a corrupção, mas foi o único partido a transformá-la numa categoria de pensamento”. Há uma variante: “O PT não inventou a corrupção, mas fez dela um sistema”. Ou ainda: “O PT não inventou a corrupção, mas fez dela um ato de resistência.

Muito bem. Leio na Folha que Carvalho esteve num evento de prefeitos petistas e disse a seguinte pérola:
“Não podemos aceitar a pecha de que o PT foi quem inventou a boquinha”.

Alguém disse, por acaso, alguma vez que o partido de Carvalho inventou a corrupção? Ora… Ainda que muitos já tivessem praticado antes os crimes pelos quais petistas foram condenados no STF, isso os exime de culpa? Cumpre notar, no entanto, que a cadeia de ilegalidades do mensalão, com o propósito de golpear o estado e a democracia, foi, sim, coisa inédita. Golpes de estado já tinham sido tentados e efetivamente dados antes; corruptos já haviam assaltado os cofres públicos. A junção das duas coisas, e com aquele desassombro, ah, nesse caso, os petistas merecem o reconhecimento: era mesmo obra inédita. Nunca ninguém tinha testado antes a viabilidade de um golpe sem tanques, só com os cofres.

Que gente notável. A cada vez que decidem exaltar as qualidades do partido à frente do governo, temos de ouvir os petistas repetir aquele insuportável e geralmente mentiroso bordão: “Nunca antes na história destepaiz…” Quando o partido é flagrado metendo a mão no dinheiro público, vêm essas afirmações do Carvalho: “Como sempre na história destepaiz…”

O PT também não inventou a ética de ocasião. É apenas o seu mais fiel usuário.

Por Reinaldo Azevedo


Manifestantes vão lavar rampa do Congresso em ato contra Renan

Por Isadora Peron, no Estadão:

Manifestantes que organizam na internet um abaixo-assinado contra a recondução de Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado vão fazer, na quarta-feira, 30, uma faxina simbólica da rampa do Congresso – irão lavá-la com vassouras verdes e amarelas e “bastante sabão”.

O protesto começará com a instalação de vassouras, baldes e produtos de limpeza, ao nascer do sol, mas a lavagem da rampa está marcada para as 15h. A manifestação está sendo organizada por movimentos anticorrupção de diferentes Estados.

Segundo os organizadores, o abaixo-assinado, lançado na semana passada, já tem mais de 16 mil assinaturas na internet. A iniciativa é um pedido aos senadores para que elejam um presidente ficha-limpa.

Denúncias
Na última sexta-feira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal uma denúncia contra Renan, em um desdobramento do escândalo que ficou conhecido como “bois de Alagoas”. O caso, que corre sob segredo de Justiça, é o mesmo que levou o parlamentar a renunciar ao comando do Senado, em 2007, para tentar se livrar da cassação de seu mandato de senador. Renan foi acusado de permitir que um lobista de uma empreiteira pagasse suas despesas pessoais, como a pensão da filha que teve em relação extraconjugal com a jornalista Mônica Veloso.
(….) 

Por Reinaldo Azevedo

 

A histeria anti-Serra e anti-Alckmin de setores da imprensa paulistana já beira o patético

Existe um clima anti-Serra e anti-Alckmin em setores da imprensa paulistana que beira a histeria. A gente sabe quem foi o beneficiário dessa história na eleição do ano passado. O objetivo agora é colar a pecha de “velharia” no governador de São Paulo. O curioso é que os critérios empregados para criticar os tucanos parecem não valer para os petistas. Na Folha de hoje, Ricardo Mendonça escreve um texto espantoso. Segue em vermelho. Comento em azul.

Oligopólio tucano
Desde o ano 2000, antes de Lula chegar à Presidência, portanto, os únicos dois nomes que o PSDB oferece aos paulistanos em qualquer eleição para prefeito, governador ou presidente da República são José Serra e Geraldo Alckmin.
O atual governador de São Paulo foi candidato a prefeito na capital em 2000 e 2008. Serra disputou a prefeitura em 2004 e 2012. Antes, já havia tentado em 1988 e 1996. Repare: só eleitores paulistanos com mais de 37 anos de idade tiveram a chance de votar num tucano que não fosse Serra ou Alckmin para prefeito. Foi na longínqua candidatura do hoje verde Fabio Feldmann em 1992, lembra?

***A, digamos, tese de Ricardo Mendonça não é dele, mas de Humberto Dantas, cientista político do Insper. Já desmontei essa história aqui. O professor destacava, então, que o trio Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra disputou, desde 1988, quando se formou o PSDB, 12 das 13 eleições havidas em São Paulo (considerando cidade e estado) — a exceção foi Fábio Feldman, que concorreu à Prefeitura em 1992. O partido venceu seis. E no PT? Nesse período, Eduardo Suplicy disputou duas eleições majoritárias; perdeu as duas (era a sua terceira…); Luiza Erundina disputou duas, perdeu uma. Marta disputou três; perdeu duas; Mercadante disputou duas — não conseguiu. Só aí já se contaram 9 das 13 eleições. De resto, como o critério de comparação é o PT, por honestidade metodológica, Dantas deveria ter analisado o índice de renovação do PT também desde a origem do partido. Cairia ainda mais.

É tão alto assim esse índice no petismo? As únicas exceções no repeteco, de 1988 até 2012, foram Plínio de Arruda Sampaio (1990), José Dirceu (1994) e José Genoino (2002) na disputa pelo governo do Estado. Exceção feita a este último, os outros eram quase anticandidatos. Pura falta de opção. Em 2012, o partido emplacou Fernando Haddad. Esse debate é espantoso! O pior é que alguns tucanos o levam a sério. Mais estúpido ainda: muitos deles ficam plantando essas bobagens na imprensa e ainda se acham muito sagazes…

Nas eleições para o Planalto ou para o Bandeirantes, a situação é parecida. Em 2002, Serra saiu para presidente, Alckmin para governador. Em 2006, inverteram: Alckmin para presidente, Serra para governador. Em 2010, desinverteram: Serra novamente para presidente, Alckmin novamente para governador.
Desde 1989, os “dois únicos” nomes que o PT ofereceu para a disputar a Presidência da República foram Lula e Dilma. Ele foi candidato em cinco eleições seguidas, um recorde. Ela disputará a reeleição. Assim, em 2014, apenas dois nomes petistas terão sido candidatos ao longo de… 25 anos!!!

Petistas que tinham 18 anos em 1989 chegarão aos 43, em 2014, tendo votado em Lula ou em Dilma. Atenção! Ele só não será candidato de novo daqui a dois anos porque a governanta bateu o pé. Como o PT é chegado a uma “novidade”, o Apedeuta já se autodeclarou coordenador político do governo! Reúne-se com Fernando Haddad e o secretariado na Prefeitura de São Paulo para estabelecer as diretrizes da gestão. Num seminário, chama o alto escalão de Dilma para dar algumas lições. Isso não parece preocupar Ricardo Mendonça. Não vê nada de velho nem de estranho.

Hoje acontece a abertura do congresso estadual do PSDB paulista. A expectativa é que Serra apareça e faça seu primeiro discurso após a eleição municipal de outubro. Os tucanos devem aproveitar para discutir estratégias para 2014. Qual é a grande articulação em curso?
Bingo. Dar um jeito para lançar Serra para presidente (a tática agora é falar em prévias ou primárias); e garantir as condições para a reeleição de Alckmin governador.

Duvido que haja o “lançamento” a que ele se refere. Mas ainda que aconteça, é faltar escandalosamente com a verdade afirmar que a “tática agora é falar em prévias ou primárias”. Como assim? “Agora”??? Serra já disputou prévias na eleição do ano passado. Teria havido a consulta em 2010 se Aécio não tivesse desistido.

Nem é justo dizer que o PSDB tem problemas para formar quadros competitivos. Depois do petista Fernando Haddad, o maior vencedor da eleição paulistana foi o neopeemedebista Gabriel Chalita, tucano até outro dia. O Rio de Janeiro reelegeu o prefeito com a segunda maior votação proporcional em capitais, Eduardo Paes, tucano até outro dia. Em Curitiba, a surpresa foi a vitória de Gustavo Fruet (PDT), tucano até outro dia.
Mendonça tentou ser irônico, mas só falou uma grande, uma escandalosa bobagem. O raciocínio faria algum sentido se esses políticos tivessem mudado só de partido, mas não de lado. E eles mudaram. Chalita deixou de ser tucano para ser socialista e é agora peemedebista. Paes jamais se elegeria prefeito no Rio no PSDB, ainda que tivesse conseguido tomar a máquina das mãos do grupo de Marcelo Alencar. Fruet encontrou em confronto com o governador Beto Richa, também por questões locais. O prefeito do Rio teve o apoio das máquinas estadual e federal. O de Curitiba foi eleito pela rejeição a Ratinho Jr.

Por que eles só conseguiram subir ao primeiro escalão da política após sair do PSDB? Poderia ser um tema para o congresso de hoje. Mas não é.
A resposta é simples: porque isso não tem a menor importância. O grau de renovação no PSDB não é menor do que nas duas grandes legendas: PT e PMDB — ou o analista vê um peemedebismo fervilhante com Renan Calheiros voltando à Presidência do Senado, apoiado por Michel Temer e José Sarney?

Ainda que Serra queira e eventualmente consiga ser o candidato do PSDB à Presidência, estaria disputando o cargo pela terceira vez — distante ainda das cinco de Lula, que perdeu três. Mas o petismo, nessa formulação, parece ser uma máquina de renovação. Se Aloizio Mercadante conseguir, como pretende, emplacar a sua candidatura ao governo de São Paulo em 2014, será a sua terceira jornada.

Desde já se tenta caracterizar a eventual reeleição de Alckmin como mais do mesmo, mero repeteco, buscando reproduzir, em escala estadual, a onda que elegeu Fernando Haddad. São os petistas trabalhando a massa…

A imprensa paulistana, com as exceções de praxe, vive mesmo um momento encantador. Sob seu silêncio cúmplice, Lula, que não foi eleito por ninguém, atua ora como prefeito de São Paulo, ora como chefe de estado — além de dar murro na mesa e decidir quem é e quem não é candidato. Prova de modernidade!!! Serra e Alckmin, no entanto, segundo entendi, deveriam se aposentar e não disputar mais eleições. Parece que eles não atendem ao particularíssimo senso de renovação de alguns analistas…

Por Reinaldo Azevedo

 

Drauzio Varella vai ao ponto: Contestação nos jornais da internação compulsória de viciados é “ridícula”, “ideologizada”, “vazia” e “cheia de jargões”

Escrevi já alguns textos sobre a internação compulsória de viciados em crack. Apontei a estupidez dos que criticam a medida e acusam de ferir a dignidade humana. Demonstrei que certas figuras carimbadas do pensamento “politicamente correto” — e estupidamente incorreto —, como o tal padre Júlio Lancelotti, estão é fazendo guerrinha ideológica. Mas eu, como sabem, sou apenas um jornalista. Leiam, então, trecho da entrevista concedida pelo médico Dráuzio Varella a Cláudia Collucci, na Folha:

*
Revoltado. É assim que o médico e colunista da Folha Drauzio Varella, 69, diz se sentir com a polêmica envolvendo a internação compulsória de dependentes de crack, adotada há uma semana pelo governo Alckmin. Cancerologista de formação e com profundo conhecimento em dependência química, Varella considera a discussão “ridícula”. “Que dignidade tem uma pessoa jogada na sarjeta? Pode ser que internação compulsória não seja a solução ideal, mas é um caminho que temos que percorrer. Se houver exagero, é questão de corrigir.” Ele defende que as grávidas da cracolândia também sejam internadas mesmo contra a vontade. “Eu, se tivesse uma filha grávida, jogada na sarjeta, nem que fosse com camisa de força tiraria ela de lá.”
(…)
Folha – Muito se discute sobre a ineficácia das internações compulsórias. Na opinião do sr., elas se justificam?
Drauzio Varella - Não conhecemos bem a eficácia ou a ineficácia porque as experiências com internações compulsórias são pequenas no mundo. Mesmo as de outros países não servem para nós. O Brasil tem uma realidade diferente. Neste momento, temos uma quantidade inaceitável de usuários. E muitos chegando aos estágios finais. Estão nas ruas, nas sarjetas. O risco de morte é muito alto, e nós estamos permitindo isso.

Qual o tratamento ideal?
Depende da fase. Você tem usuários que usam dois ou três dias e param. Tem gente que usa um, dois dias, repete e nunca mais fica livre. E você tem os que chegam à fase final. A gente convive com essa realidade, e quando o Estado resolve criar um mecanismo para tirar essas pessoas da rua de qualquer maneira começa uma discussão política absurda. Começam a falar que essa medida não respeita a dignidade humana. Que dignidade tem uma pessoa na sarjeta daquela maneira? Está na hora de parar com essa discussão ridícula. Pode ser que internação compulsória não seja a solução ideal, mas é um caminho que temos que percorrer. Se houver exagero, é uma questão de corrigir. Vai haver erros, vai haver acertos. Temos que aprender nesse caminho porque ninguém tem a receita.

O debate está ideologizado?
Totalmente. É uma questão ideológica e não é hora para isso. Estamos numa epidemia, quanto mais tempo passa, mais gente morre. Sempre faço uma pergunta nessas conversas: ‘Se fosse sua filha naquela situação, você deixaria lá para não interferir no livre arbítrio dela?’ Eu, se tivesse uma filha grávida, jogada na sarjeta, nem que fosse com camisa de força tiraria ela de lá. Quando vemos essa discussão nos jornais, parece que estamos discutindo o direito do filho dos outros de continuar usando droga até morrer. É uma argumentação frágil, jargões vazios, de 50 anos atrás. Eu fico revoltado com essa discussão inútil.
(…)

Por Reinaldo Azevedo


Sob domínio do PMDB, Senado amplia gastos com pessoal em 57% em 10 anos

Por Daniel Bramatti, no Estadão:

José Sarney (AP), Renan Calheiros (AL) e Garibaldi Alves Filho (RN), os três peemedebistas que presidiram o Senado nos últimos dez anos, deixam como legado de suas gestões um aumento real de 57% nos gastos com pessoal e uma  ampliação de 741% no número de cargos comissionados, aqueles ocupados por servidores não concursados.

Sob o domínio do PMDB – partido que deve manter sua hegemonia no comando do Senado nos próximos dois anos, com a volta de Renan à presidência -, a instituição viveu ainda seu maior escândalo administrativo: a nomeação irregular de funcionários por meio de atos secretos, não publicados nos Boletins de Pessoal. O episódio ensejou inúmeras promessas não cumpridas de reformas administrativas.

A folha de pagamentos de pessoal consome anualmente R$ 2,88 bilhões. Há uma década, o custo era de pouco mais de R$ 1 bilhão – em valores corrigidos, a cifra chega a R$ 1,83 bilhão. Os números, publicados em boletim do Ministério do Planejamento, não incluem o pessoal terceirizado. A expansão salarial acima da inflação que ocorreu desde 2003 supera em quase 20 pontos porcentuais a verificada na Câmara dos Deputados (38%) no mesmo período. Também é maior que a do governo federal (45%).

Somados os efetivos e comissionados, o Senado tinha, no final de 2012, 6.427 pessoas em sua folha de servidores ativos – no início de 2003, eram 3.955 (aumento de 62% desde então). Os não concursados somavam apenas 379 há 10 anos, e hoje são 3.194. Segundo a assessoria de imprensa do Senado, esse crescimento se deve a dois fatores: possibilidade de desmembramento de um único cargo em vários, desde que mantido o salário total pago, e criação de novas lideranças de blocos e de partidos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Rio: Cabral e Beltrame já pacificaram bandidos o bastante; chegou a hora de prendê-los, excelências! Ou: Imaginem o quiproquó se isto tivesse acontecido em SP…

A VEJA desta semana traz uma reportagem espantosa sobre a crime organizado no Rio. Na VEJA.com, há uma vídeo de assustar. Antes que trate dos detalhes, algumas considerações importantes.

Entre todas as opiniões que já emiti neste blog em seis anos e meio, a mais estupidamente incompreendida e distorcida é o que penso sobre as tais UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) do Rio. Não raro, respondem ao que não escrevi para que possam ignorar o que escrevi. Alguns tolos insistem em me acusar de ser contra as ditas-cujas. É uma mentira e uma vigarice. É claro que elas são necessárias. Até porque a UPP nada mais é do que o policiamento comunitário. Reagi a alguns estúpidos, inclusive do governo federal, que sustentaram que São Paulo precisava copiar o modelo do Rio. Trata-se de uma tolice e de uma fraude política. O que o governo Cabral fez foi levar um pouco de segurança a locais onde os policiais não pisavam porque não podiam. Inexistem áreas assim em São Paulo. A polícia chega aonde quiser. Então, meus caros, atenção para a primeira e relevante questão sobre as UPPs: 1) ELAS PODEM SER UMA NOVIDADE EM VÁRIAS ÁREAS DO RIO, MAS NÃO SÃO UMA INOVAÇÃO. Absurdo é haver territórios na cidade onde a polícia não entra. Fiquem agora com a segunda questão relevante: 2) a maior parte da área dominada pelos tráfico quando Cabral chegou ao poder continua… dominada pelo tráfico! A UPP é a exceção, não a regra. Ainda há extensões imensas da capital fluminense e cidades adjacentes imunes ao estado de direito. Sigamos.

Não gosto, é certo, do nome “Unidade de Polícia Pacificadora” porque revela má consciência. A “paz”, por óbvio, é um vocabulário que pertence à guerra e, pois, à noção de que existe uma contenda entre dois ou mais litigantes legítimos que decidiram abrir mão de algumas de suas exigências. Os policias que chegam ao morro foram “pacificar” quem exatamente? Por certo, não se está falando da população local. Polícia que “pacifica” bandido se torna cúmplice dele. Sim, aqui vai a minha 3) terceira questão relevante sobre as UPPs de Cabral: transformar os bandidos numa espécie de força beligerante legítima.

Notem bem: não estou acusando os policiais dessas unidades de serem, em regra, coniventes com o crime por determinação pessoal — há casos, mas prefiro pensar que sejam exceções. Estou, isto sim, afirmando que há uma política de segurança pública, comandada por José Mariano Beltrame — transformando em Demiurgo pela imprensa mistificadora —, que, sob o pretexto da “pacificação”, evita o confronto com os marginais. E aqui está a minha 4) quarta objeção relevante não precisamente às UPPs, mas a essa política: ao evitar o choque com os bandidos, a Polícia do Rio também não os prende — há um caso ou outro que servem ao espetáculo. Os bandidos mais perigosos deixaram as áreas ditas “ocupadas” e se mandaram para as zonas que continuam “liberadas” — e elas ainda são a maioria.

Ora, cabe uma pergunta óbvia a esta altura: qual é a relação de causa e efeito entre a chegada das UPPs e essa política que chamo de “espalha-bandido”? Resposta: nenhuma! Até hoje ninguém conseguiu me explicar por que o policiamento comunitário não pode chegar com a efetiva prisão dos vagabundos que estavam dando as ordens no terreiro. Cabral não tem resposta para isso. Beltrame não tem resposta para isso. A imprensa adoradora de mitos não tem resposta para isso.

Os arquivos estão aí. O que venho afirmando desde que teve início essa política é que a sua consequência óbvia seria provocar a migração da bandidagem mais barra-pesada, especialmente os chefões do tráfico. Que se note: em todas as áreas em que há UPPs, a venda de drogas opera normalmente, sem dificuldades — e agora sem risco de invasão  de facções inimigas ou das milícias. Acabou, no entanto, aquele desfile acintoso de armas. A presença da polícia força o crime a ser mais discreto. É claro que já é um ganho. Só isso já justificaria a medida — que, insisto, é a regra. São raros os territórios do país realmente dominados pelo crime, como essas áreas do Rio.

A reportagem
A VEJA desta semana traz uma reportagem espantosa de Leslie Leitão — um repórter que certamente torce pela paz no Rio, sem, no entanto, perder a objetividade. Bandidos que Beltrame não prendeu nas favelas ditas “pacificadas” foram parar, entre outros destinos, no Complexo do Lins, hoje um dos QGs do narcotráfico. Um vídeo (clique aqui) traz o desfile do exército de  Paulo César Souza dos Santos, 41 anos, o “Paulinho Muleta”. À luz do dia, exibem fuzis, pistolas e munição pesada.

Até o fim do ano, consta, uma UPP chegará também ao Complexo do Lins. Tudo será feito conforme o decoro que tanto encanta os “amigos da paz”. Cabral e Beltrame anunciarão a data da “ocupação”. Paulinho Muleta e seus seguidores terão tempo se escafeder e de se aboletar em uma das quase 1200 favelas (deve-se falar “comunidades”, na linguagem político-cariocamente correta) aonde a Polícia ainda não chegou. Digamos que essa política se universalizasse e se estendesse a todo o estado… Bem, num raciocínio puramente lógico, deve-se inferir que o Rio passaria a ser exportador de bandidos…

Não! Eu não sou contra as UPPs. UPPs nada mais são do que o velho e bom policiamento comunitário. Não! Eu não acho que uma polícia deva ser pacificadora de bandidos. Sou daqueles que acreditam que ela tem de prender bandidos. Não! O Rio não é modelo se segurança pública para ninguém — ainda que conseguisse levar essas unidades a todas as favelas, o que não vai acontecer porque não há contingente pra isso. E, convenham, se o que se viu por lá tivesse ocorrido em São Paulo, os “especialistas” inundariam os jornais e sites para denunciar uma segurança pública está fora do controle. “Isso é chute, Reinaldo! Como você sabe o que diriam?” Com base na lógica! Mata-se no Rio mais do que o dobro do que se mata em São Paulo. Mas se diz por aí que Alckmin tem muito a aprender com Sérgio Cabral. Talvez na área de marketing…

Sim, eu torço por uma UPP no Complexo do Lins. E torço ainda mais para que Beltrame, este santo, comece a prender bandidos. Segue o texto de Leslie Leitão. Volto para encerrar.
*

O Complexo do Lins, um conjunto de onze favelas encravado na banda mais pobre da Zona Norte carioca, está sob o domínio da bandidagem há quatro décadas. Até recentemente, cumpria papel apenas secundário na organização da principal facção criminosa do Rio de Janeiro, o Comando Vermelho. Mas os tempos agora são outros – e ainda mais nefastos. Um vídeo gravado no início do mês pela polícia e obtido com exclusividade por VEJA mostra que o lugar se converteu em um grande bunker do tráfico, servindo de abrigo a marginais refugiados de vários morros do Rio. Eles se bandearam para o Complexo do Lins justamente depois que o estado fincou em seus enclaves bases permanentes – as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) -, dificultando suas atividades. Preferiram assim se encastelar em um naco da cidade onde os bandidos é que dão as ordens.

As cenas trazidas a público espantam pela naturalidade com que a quadrilha perambula pelas vielas do novo QG do crime à luz do dia, promovendo um desfile de pistolas, granadas e fuzis, e espalhando o terror por onde passa. No vídeo, de cinco minutos e quarenta segundos, um dos bandidos ainda deixa entrever em um saco de lixo papelotes de cocaína, evidência inconteste de que as atividades da gangue só mudaram mesmo de endereço. Em outro trecho, o comboio armado cruza com um morador da favela, que não desgruda os olhos de uma pipa, obedecendo com disciplina à regra elementar da convivência com os criminosos: jamais encará-los. A cena, segundo a polícia, mostra a escolta de um dos chefões do tráfico na cidade, Paulo César Souza dos Santos, 41 anos, o PL, também conhecido como Paulinho Muleta, por ser manco da perna esquerda. Foragido desde 2009, esse marginal alastrou seu raio de poder por sete morros, entre a Zona Norte e a Baixada Fluminense. Mesmo longe de sua favela de origem, o Morro da Formiga (ocupado pela polícia em 2010), Muleta continua na ativa, agora reinando no Complexo do Lins, como revela de forma inequívoca o vídeo obtido por VEJA.

As imagens foram captadas a distância pelo Serviço Reservado do Batalhão de Choque da Polícia Militar e chegaram às mãos da Secretaria Estadual de Segurança, que determinou a instauração de um inquérito na delegacia da região. Nas últimas semanas, o Complexo do Lins foi palco de uma dezena de operações policiais – uma delas logo depois do Natal, quando uma menina de 10 anos foi atingida na cabeça por uma bala perdida e acabou morrendo no hospital por falta de atendimento médico. Nenhuma dessas ações recentes, no entanto, pôs um ponto final na farra da bandidagem. A geografia da área é um grande obstáculo, com seu emaranhado de becos e vielas e uma infinidade de acessos que se descortinam por matagais que só os bandidos conhecem como a palma da mão. A polícia está convicta de que muitas outras quadrilhas egressas de favelas com UPPs estão entocadas ali. “Essas imagens são apenas a ponta do iceberg. Sabemos que há um enxame de bandidos refugiado naquele complexo de favelas”, afirma um inspetor da 26ª DP, envolvido nas investigações.

O governo do estado já inaugurou trinta UPPs desde 2008. Se o cronograma for seguido à risca, as favelas do Lins também serão ocupadas pela polícia até o fim do ano. É boa notícia. A retomada de territórios do tráfico vem cumprindo o essencial papel de levar serviços básicos a cidadãos de bem que viviam à margem do poder público. Mas o atual vídeo deixa claro que essa é apenas uma de muitas etapas a ser percorridas. A estratégia oficial de não manter segredo sobre as ocupações, com o objetivo de reduzir os riscos de confrontos sangrentos, produz como efeito colateral a fuga maciça de traficantes que escapam com seus arsenais. “É preciso investir mais pesadamente na área de inteligência para rastrear os esconderijos dos traficantes, minar seu poderio bélico e capturá-los”, enfatiza o antropólogo e especialista em segurança Paulo Storani. Sem o cerco implacável à bandidagem, os cartões-postais do crime só vão mudar de cenário.

Encerro
Cabral e Beltrame já pacificaram bandidos o bastante; chegou a hora de prendê-los, ainda que também eles se deixem contaminar pelo barquinho que vai e pela tardinha que cai.

Por Reinaldo Azevedo

 

Um governo que nunca erra o caminho porque não sabe para onde vai – O caso dos aeroportos que já vão nascer fantasmas

Quem não sabe para onde vai nunca erra o caminho. É o caso do governo Dilma. Reportagem de Ana Clara Costa publicada na VEJA.com sobre o programa do governo para a construção e reforma de aeroportos regionais é impressionante. Corrijo-me: não é exatamente um “programa”. Está em curso um misto explosivo de voluntarismo, ignorância e irresponsabilidade com o dinheiro público.

Dilma decidiu sair construindo aeroportos por aí. A iniciativa envolve municípios e estados, que não foram ouvidos — um hábito na gestão da governanta. Pra quê? Nem a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) conseguiu dar um pitaco. Nos bastidores, gente do próprio governo aponta o despropósito, mas quem se atreve a contestar? Leiam a reportagem.

Em um país sério, qualquer plano de investimentos elaborado pela Presidência da República que envolva a participação de estados, municípios e empresas privadas é amplamente discutido e ajustado com as partes envolvidas, antes de ser divulgado. A sensatez nos gastos públicos dita que o dinheiro da população não pode ser despejado a rodo em obras de infraestrutura que correm o risco de se tornar inúteis. Mas não no Brasil. Exemplo de tal prática é o pacote de investimentos no setor aeroportuário anunciado pela presidente Dilma Rousseff pouco antes do Natal. O plano prevê o aporte de 7,3 bilhões de reais em recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para turbinar 270 aeroportos pequenos,  que servem cidades com população inferior a um milhão de habitantes. Um olhar mais detalhado sobre o projeto descortina erros e indícios de mau planejamento. Há cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes, que receberão recursos para reformar seus aeroportos – e que ficam separadas por distâncias inferiores a 50 quilômetros de outros municípios também beneficiados pelo pacote do governo.

A distância mínima sugerida entre dois aeroportos em áreas que possuem demanda média de passageiros é de 100 quilômetros, segundo normas da Comissão Europeia que são adotadas por grande parte dos países. Em locais de difícil acesso rodoviário, sem pavimento ou estradas, o regulamento europeu admite uma distância de 75 quilômetros. Porém, no plano elaborado pelo governo, municípios de pouca relevância econômica e próximos de metrópoles já servidas por grandes aeroportos passarão a ter aeródromos aptos à operação de voos regulares. A expectativa do Palácio do Planalto é de que a existência de um aeroporto seja suficiente para trazer desenvolvimento a regiões carentes de infraestrutura. “Efetuamos uma análise de cobertura territorial para mais de 94% da população brasileira. Fizemos consultas ao Ministério do Turismo, IBGE, governo e empresas aéreas. O objetivo é beneficiar a população”, afirmou o secretário-executivo da Secretaria de Aviação Civil (a SAC), Guilherme Ramalho.

Contudo, as coisas não ocorreram exatamente assim. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), órgão que regula o setor e dispõe de conhecimento técnico para abastecer a SAC, sequer participou da elaboração do plano. As companhias aéreas foram avisadas menos de uma semana antes da divulgação do pacote. Elas foram chamadas a Brasília para uma reunião com membros da Casa Civil, da SAC e, em alguns casos, até mesmo com a presença do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin – que tem funcionado como uma espécie de “banqueiro” do Palácio do Planalto, financiando a maior parte dos pacotes de bondades da gestão petista. Durante a reunião, as empresas apenas ouviram dos interlocutores da presidente que haveria um pacote para estimular a aviação regional. Seus executivos não foram convidados a opinar, dar contribuições ou manifestar qualquer interesse nos destinos que seriam beneficiados pelo governo. “O governo não pré-define rotas. Vamos prover infraestrutura para que elas sejam criadas. O plano é fomentar voos para localidades ainda não atendidas”, afirmou Ramalho.

O governo sustenta a tese de que a descentralização da economia garantirá o sucesso dos aeroportos. A crença no fato de empresas migrarem dos grandes centros em direção a cidades médias em busca de mão de obra barata e menores custos é o argumento utilizado para explicar a escolha de cidades como Lages, em Santa Catarina, como destino de recursos do pacote. Com cerca de 160 mil habitantes, o município está a 32,8 quilômetros de distância de Correia Pinto – outro local que receberá dinheiro público para seu aeródromo. Correia Pinto tem 14 mil habitantes. “Essa tese do desenvolvimento regional é uma falácia. É como se o deslocamento dos investimentos para cidades de porte médio e pequeno fizesse com que os aeroportos, da noite para o dia, se tornassem estruturas essenciais”, afirma um interlocutor do governo que preferiu não ter seu nome citado.

O site de VEJA conversou com funcionários de órgãos envolvidos na elaboração do plano – e, mesmo dentro governo, poucas são as vozes que não têm restrições ao pacote. “Essas medidas ignoram aspectos técnicos. É como distribuir uma infinidade de impressoras sem a menor garantia de que haja cartuchos para que elas sejam usadas. É a ideologia que se sobrepõe à razão”, afirmou uma das fontes. O governo parece desconsiderar que, depois de prontos, tais aeroportos terão de ser geridos por prefeituras e estados – e poderão se converter em fardo, caso não sejam lucrativos. “A construção ou reforma de um aeroporto é o menor problema. O mais caro é a manutenção e a operação. Se o plano não prevê um aeroporto que se sustente, alguém tem de pagar essa conta”, afirma o consultor de aviação João Eduardo Tabalipa.

O governo de Minas Gerais, que desde 2003 executa seu próprio programa aeroportuário (o ProAero), destacou que alguns aeroportos contidos no pacote do governo federal já estão sendo ampliados ou reformados pelo estado – o que mostra o nível superficial de conversas entre as duas esferas na elaboração do plano. Há cerca de duas semanas, o governador Antonio Anastasia (PSDB-MG) anunciou mais 235 milhões de reais para o ProAero e ainda afirmou que tentará ajustar melhor a lista de aeroportos mineiros que constam no pacote. A ideia é direcionar os recursos liberados pelo Fnac para aeródromos que não estejam sendo reformados pelo programa estadual de investimentos.

O governo federal ainda não detalhou como tornará os aeroportos atrativos para as companhias aéreas nacionais. Afirmou, sem dar muitos detalhes, que subsidiará tarifas aeroportuárias e, até mesmo, assentos em voos, como forma de incentivá-las. João Eduardo Tabalipa se junta ao outros especialistas do setor que enxergam a medida como uma forma de protecionismo que poderá, em vez de beneficiar, dizimar as empresas de aviação. “Muitos acreditam que as companhias aéreas brasileiras, como a Varig, não sobreviveram justamente por causa disso. Havia a obrigatoriedade de ter rotas regionais e os subsídios prometidos nem sempre chegavam”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Rosegate – Íntegra de áudios mostra intimidade de acusados na Porto Seguro com o poder

Por Fausto Macedo e Bruno Boghossian, no Estadão:

O universo de grampos da Operação Porto Seguro revela as relações de amizade e os bastidores das negociações conduzidas pela organização acusada de se infiltrar no governo federal para comprar pareceres técnicos. É uma coleção de 25.012 telefonemas capturados pela Polícia Federal em nove meses de investigação que levou 24 suspeitos à Justiça, denunciados por formação de quadrilha, corrupção, tráfico de influência e falsidade ideológica.

As escutas da PF apontam conluios e troca de favores envolvendo autoridades, inclusive nomeações de parentes e apadrinhados. Os diálogos telefônicos também deixam transparecer relações próximas entre políticos, empresários e servidores públicos. Parceiros de negócios que estão na mira da investigação.

A partir deste sábado, 26, estão disponíveis no site estadão.com.br áudios de diálogos da ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha – que chegou ao cargo pelas mãos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva –, do ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Vieira, e do ex-senador Gilberto Miranda. As conversas que sustentam o inquérito da PF indicam os passos do grupo nas entranhas do poder.

Até o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi gravado. A Polícia Federal o pegou indiretamente, porque monitorava Miranda naquele 1.º de novembro de 2012. Sarney ligou para o ex-senador. Combinaram um jantar – à mesa, o vinho francês Château Haut Brion 1989, mais de 1.000 a garrafa. “Querido presidente, seja bem-vindo a São Paulo”, saúda Miranda, a quem a PF atribui o papel de principal beneficiário da trama dos laudos forjados.

Tão frequentes eram os contatos entre Rose e Paulo que a PF juntou os diálogos em pastas e formou um dossiê. Uma ligação foi a 15 de maio. Rose diz a Paulo que vai entregar um documento de interesse dele ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Paulo é dono de uma faculdade em Cruzeiro (SP) que buscava recredenciamento no ministério.

Os dois tratavam com frequência de assuntos do interesse da cúpula do PT. Em 29 de maio, às 12h25, a dupla conversa sobre a notícia de que Lula teria se reunido com Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir o adiamento do julgamento do mensalão.

“O presidente pode ter falado assim: ‘Olha, eu acho que se você… manter (sic) o julgamento agora em setembro, agosto… você vai prejudicar as eleições do PT’. O Lula pode falar isso”, ela diz. Paulo sugere “parar o Brasil”, que o PT faça protestos contra o julgamento, que bloqueie a Avenida Paulista e tome a Sé. “Tinha que fazer um protesto nacional pela transparência na Justiça”, insiste Paulo. “Quantos processos tem no Supremo muito anteriores a esse que está lá parado já 20 anos, há 15 anos? Por que é que esse tem que furar a fila?”. Rose diz que levará as sugestões a Lula.

Na Presidência. Os grampos confirmam que Paulo dava expediente no escritório da Presidência em São Paulo até para fazer favores ao deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). Em 4 de junho, às 16h50, o deputado liga para Paulo e diz que um amigo precisa “de um negócio seu”. Valdemar diz que o amigo “precisa falar pessoalmente”. “Eu vou atender ele lá no escritório da Presidência onde geralmente o pessoal do governo despacha”, responde Paulo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Gurgel apresenta denúncia contra Renan Calheiros no STF

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apresentou denúncia contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Calheiros é acusado de ter apresentado notas fiscais frias para justificar seu patrimônio. A acusação foi entregue na sexta-feira, mas o escritório de Gurgel não quis dar detalhes do caso, porque o inquérito está sob segredo de Justiça.

No caso de a denúncia da Procuradoria ser aceita, Calheiros se tornará réu em processo do STF. O caso tramita desde 2007, ano em que Calheiros renunciou à presidência do Senado, evitando perder o mandato. Este ano, o senador tenta novamente ser eleito presidente da Casa.

Em nota, o senador criticou o envio da denúncia ao STF. “A investigação foi aberta em agosto de 2007 e, apesar de se encontrar parada na Procuradoria desde fevereiro de 2011, a denúncia foi apresentada justamente na sexta-feira anterior à escolha para presidente do Senado Federal”, diz o texto, acrescentando que a atitude tem “natureza nitidamente política”.

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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2 comentários

  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    VAMOS ESPULSAR ESSE RENAM DO NOSSO PAIS PMDB NÃO É CHEIO DE ÉTICA

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  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    requião acabou com José richa por causa de aposentadoria agora ele tambem se aposentou como governador do parana abram os olhos cuidado que esses que estão criticando ou mandando criticar recebem mais que josé serra ou alkimin

    queria saber o patrimonio de LULA E DE JOSÉ DIRCEU POS MAIORES CORUPTOS QUE O BRASIL JA TEVE E DÃO COMO SE FOSEM DA MAIOR ETICA QUE JA EXISTIU NO MUNDO

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