MP de São Paulo recebe nesta segunda acusações que Marcos Valério faz a Lula.

Publicado em 01/02/2013 07:12 e atualizado em 17/05/2013 14:27
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por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

MP de São Paulo recebe amanhã acusações que Marcos Valério faz a Lula. Ou: O dia em que Marilena Chaui comparou o Apedeuta a uma deusa grega

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminha amanhã à seção paulista do Ministério Público Federal as acusações que o empresário Marcos Valério, principal operador do mensalão, faz a Lula. Não é pouca coisa. Valério não só diz que o Apedeuta sabia de tudo e sempre esteve no controle do mensalão como sustenta que foi um dos seus beneficiários. O dinheiro para seu uso pessoal teria sido depositado na conta do faz-tudo Freud Godoy. Com efeito, a CPI dos Correios encontrou repasse da agência de Valério para  o carregados de malas.

Muito bem! O procurador que receber o papelório vai decidir se abre investigação ou se pede o arquivamento do caso. Os petistas tratam como um atentado à democracia a possibilidade de Lula vir a ser investigado e se tornar réu numa ação criminal.

Há nisso muito de politicagem vulgar, mas também há uma espécie de crença, em vários setores do PT, na infalibilidade de Lula, quem sabe na sua divindade. E ele não faz por menos, como é sabido: expõe-se à adoração. Tivesse atravessado o Mar Vermelho com Moisés, não duvidem: teria liderado a turba contestadora, impaciente com a demora do Patriarca, e seria o primeiro a propor um de ídolo de ouro: em vez do bezerro, ofereceria a si mesmo como modelo. Se não conseguisse destituir Deus, daria um jeito de, quando menos, tirar Moisés da história…

Não pensem que isso começou com o, como chamarei?, “petismo popular”. De jeito nenhum! O povo é muito menos mistificador do que aqueles que se dizem “intelectuais petistas”, essa contradição dada pelos termos. Contradição? Não pode haver petista culto? Claro que sim! Eu me refiro a “intelectuais” como pessoas comprometidas com a ciência e com o pensamento. Ou bem se busca servir à verdade ou bem se busca servir a um partido.

Muito bem! Em julho de 2003, Marilena Chaui — uma das inventoras da tese vigarista de que a denúncia do mensalão era uma tentativa de golpe — concedeu uma entrevista à revista Primeira Leitura, que eu dirigia. Conversou com o jornalista Fernando Eichenberg, em Paris. Ele lhe dirigiu, então a seguinte pergunta:

A sra. não acha que Lula despolitiza talvez em demasia sua própria trajetória, repisando o mito do homem milagreiro, do político milagreiro, do evento milagreiro, mais ou menos nos termos pela sra. apontados no livro “Brasil, Mito Fundador e Sociedade Autoritária”?

A resposta de Marilena, aquela que já afirmou que, quando Lula fala, o mundo se ilumina, foi fabulosa. Ela comparou seu líder à deusa grega Métis (vocês saberão detalhes). Vale a pena ler a íntegra da resposta. Volto depois.
*
Há no Lula um traço que é a marca ocidental do homem político. Há um trabalho feito nos anos 80, pelo Jean Pierre Vernant, sobre um aspecto da cultura grega clássica, segundo o qual os gregos consideravam a prática, contraposta à inteligência teórica. Essa inteligência prática ficava sob a proteção de uma deusa chamada Métis. As características da pessoa dotada de Métis, ou dessa inteligência prática, eram as seguintes: golpe de vista certeiro, ou seja, ela era capaz de, num único golpe de vista, perceber o todo; tinha o senso da oportunidade, ou o sentimento do kairós, do momento oportuno, em que momento intervir, em que a ação seria eficaz; tinha a capacidade de encontrar ou de criar um caminho onde não havia caminho: diante da aporia, do aporós, abre um caminho; e era dotada da capacidade da espreita, de saber observar de longe, de espreitar e de produzir uma estratégia para intervir.

Os gregos consideravam que havia alguns tipos sociais que eram dotados de Métis: os capitães de navio, os médicos, os caçadores e os estrategistas militares. Mas a figura que reunia todos os traços da Métis, que era a Métis praticamente encarnada, era o político. O homem político grego era dotado dessas características da Métis. Eu considero o Lula um animal político. Na medida em que ele é dotado dessas características que são constitutivas da figura ocidental do político, ele não pode despolitizar, mesmo que ele queira, porque o modo de ver o mundo é um modo político. É vê-lo como totalidade, como tempo aberto, como conjunto de dificuldades e de aporias, como aquilo que se tem de observar e sobre o que se tem de intervir.

Em relação ao discurso do Lula, alguns dizem que é um discurso populista. Ora, o líder populista é aquele que pertence ou à classe dominante ou ao setor aliado da classe dominante. E é aquele que se apresenta para o povo como o protetor, o guardião, como se esse povo fosse imaturo, vivesse na minoridade, incapaz de se conduzir a si mesmo. Isso é o populismo. Nenhuma dessas características se pode atribuir ao Lula. Ele não vem da classe dominante; ele não se dirige a um povo imaturo e incapaz de se dirigir; ele não se propõe a ensinar a esse povo esse bom caminho, porque, se ele tivesse de fazer isso, não teria sido eleito presidente, na medida em que ele é a expressão desse povo. Então, há uma impossibilidade lógica, para usar uma expressão do Paulo Arantes, de que ele seja um líder populista. É dito também que ele é um líder messiânico. O messianismo possui duas grandes características no Brasil. Primeiro, é milenarista, coisa ausente do discurso ou da ação do Lula. A segunda característica é a componente teológico-política, ou seja, de que o governante é um representante de Deus, que ele transcende a sociedade e a controla por mandato divino, o que Lula também não diz.

O fato de que, no discurso, Lula invoque Deus, é porque ele é um homem religioso. Nem é uma invocação ao reino de mil anos de felicidade, produzido pela ação justiceira dos santos, nem é ele representante de Deus na Terra. É má-fé dizer que ele é messiânico, sobretudo porque é chamado de messiânico por quem faz ciências sociais e que, portanto, sabe o que é o messianismo. O Lula tem uma estrutura discursiva que vi sendo empregada por ele desde 1978. É a maneira que tem de se exprimir. Sobretudo, quando se diz que ele improvisa, não lê, vai falando qualquer coisa. Uma vez, conversei com ele, e ele me disse que, para poder realmente se dirigir a um interlocutor, precisa perceber o que o está pensando, sentindo, precisa do olhar do interlocutor. A escrita rompe a relação. Isso é uma das coisas mais definidoras do discurso político, porque é aquele que se dirige diretamente ao outro; não é à toa que a política nasceu na assembleia democrática. O Lula fala a interlocutores determinados, estabelece o vínculo típico de quem fez aprendizado na assembleia, porque é assim que ela funciona. Isso é uma característica muito marcante dele.

Outra coisa é o fato de ele usar metáforas e provérbios. Qualquer um de nós que tenha nascido e vivido no interior do país sabe que o homem do interior, seja o sertanejo ou o caipira paulista, por exemplo, fala por provérbios. A minha bisavó, que era baiana, falava por provérbios e metáforas. O [Monteiro] Lobato, falando do caipira paulista, fala por provérbios. Peguem-se as grandes personagens do Guimarães Rosa, elas falam por sentenças, máximas e provérbios. Isso é constitutivo da cultura popular brasileira. Quando eu era ainda adolescente, li, em algum lugar, o [Jean-Paul] Sartre dizendo que sempre ficou muito impressionado com os provérbios e as máximas populares porque exprimem uma sabedoria pessimista sobre o ser humano. Não necessariamente, mas, de um modo geral, sim. Vou usar um provérbio. O provérbio “é confiar desconfiando”. Há uma maneira popular de se exprimir, universal, e é por provérbios e por máximas. Depois, essa é uma maneira pela qual a cultura popular no Brasil se exprime. Então, tem-se um nordestino, do interior do país, que é formado nessa cultura e exprime por meio dessa cultura. Portanto, dizer que é um discurso imbecilizante, paralisante, estúpido, ignorante, é repetir o preconceito, a exclusão e a divisão levada ao seu extremo. O que se exige dele é que se desfaça do direito de se exprimir a partir de onde se formou. Penso que, das críticas preconceituosas feitas ao Lula, essa tem sido para mim a mais chocante, porque ignora de onde ele veio. Como ele não produz uma frase em francês, um conceito em inglês ouboutade em alemão, diz-se que é um inculto que diz coisas imbecis, quando, na verdade, é uma maneira de organizar o mundo.

É interessantíssimo, porque Guimarães Rosa é valorizadíssimo por ter sabido operar com isso. Aquele mesmo que se desvanece diante do trabalho que Guimarães fez sobre esse modo de falar fica horrorizado quando encontra alguém que fala como o Riobaldo. Acho isso inacreditável. Uma pesquisadora portuguesa fez um estudo sobre as discriminações sociais no Brasil pelo uso dos provérbios, das sentenças e das máximas. Ela diz que a classe dominante se dá o direito de produzir máximas, mas não admite a produção nem de máximas nem de sentenças pelos dominados e repudia os provérbios. Quando se ouve intelectuais de esquerda a dizer isso, dói. Dói no estômago.

Voltei
Marilena, a douta professora de filosofia, como se vê, transforma, literalmente, Lula numa divindade, dotado de um saber natural, que ele extrai das pessoas. Não tendo como negar os aspectos obscurantistas da fala do seu líder, ela os atribui, então, ao “povo”. Tem-se, pois, como corolário, e isto está mais do que sugerido na resposta, que criticar Lula corresponde a rejeitar o próprio povo.

Escrevi, à época, um textinho na revista explicando quem era, afinal, a tal Métis. Reproduzo em azul:

Há algo de curioso, até engraçado, na associação que a professora Marilena Chaui faz entre a deusa Métis e Lula. Talvez seja preciso cavoucar um pouco os simbolismos. Métis é o nome grego de Prudência, a versão latina da deusa que foi a primeira mulher de Zeus (Júpiter). Foi ela quem deu uma poção a Cronos (Saturno), que o fez vomitar, junto com uma pedra, todos os filhos que houvera engolido. Zeus a seduziu. Ao saber que estava grávida e que estava destinada a ter um filho que seria rei dos deuses e dos homens, ele não teve dúvida: engoliu a mulher grávida. Passou mal, com uma terrível dor de cabeça. Pediu a Hefestos (Vulcano) que lhe abrisse o cérebro, e, de dentro, brotou Palas Atena (Minerva), deusa da sabedoria, da guerra, da ciência e das artes, que tomou assento no conselho dos deuses e passou a ser a principal conselheira do pai. O pássaro predileto de Palas Atena é a coruja. Assim como a inteligência ilumina os problemas, os olhos da ave atravessam a escuridão. Se Lula é mesmo Métis, tomara que se deixe “engolir”, no melhor sentido possível, pelas instituições e que seja a democracia o resultado dessa fusão. Por enquanto, o risco de que se torne mero petisco dos antigos vícios políticos parece grande. Por enquanto, como Cronos, Lula só engole os próprios filhos — no pior sentido possível.

Concluindo
Era julho de 2003. Lula estava no poder havia apenas sete meses, e a maquinaria ideológica que tentaria transformá-lo num ente acima da política e das paixões humanas já estava em curso — Primeira Leitura estava atenta a ela. Naquele primeiro ano de governo, o Apedeuta enfrentava mesmo era a oposição do petismo, e os principais esteios de Antonio Palocci no Congresso, acreditem!, eram o PSDB e o PFL… Não sem certa razão: os dois partidos resistiam ao PT mais rombudo, que queria fazer bobagem na economia. A oposição fazia bem em dar apoio ao que, afinal, era o mais racional em economia, mas já errava brutalmente ao não politizar as promessas que Lula, felizmente, ia quebrando.

Mas volto a Marilena e ao mito. Aquele que a petista vê como uma divindade está associado ao que há de pior na política brasileira e é, em último caso, o arquiteto da chegada de Renan Calheiros à Presidência do Senado. Vamos ver se o Ministério Público e a Justiça lhe devolvem a humanidade e o confrontam, finalmente, com parte de sua obra.

Por Reinaldo Azevedo

 

Onde está a oposição que vai dizer: “isso não”? Para dizer “isso sim” já existe a situação!

Duas palavras servem para definir a democracia: “Isso não!”. Alguém poderia, “caetaneando o que há de bom”, como naquela música, indagar: “Ora, Reinaldo, coragem grande é poder dizer ‘sim’ mesmo quando se é oposição.” Pode ser. O “isso sim” só não define a democracia porque, nas ditaduras, também é permitido concordar, entenderam? O regime democrático só é mesmo testado e aprovado quando se pode dizer “não” sem que, por isso, aquele que resiste seja privado de direitos, de opinião, de voz. Refiro-me, é óbvio, ao direito de discordar sobre o andamento das questões de natureza pública, não à transgressão das leis democraticamente pactuadas.

Volto ao tema de que tratei aqui anteontem: se, no limite, não temos uma oposição para dizer “isso não”, então temos oposição para quê? Para dizer “isso sim” já existem as forças do oficialismo. E noto: no que concerne à independência entre os Poderes da República e ao brio das instituições, mesmo legendas governistas — ou parte de seus membros — podem resistir à orientação do Executivo. Volto ao caso dos EUA: não é verdade que só os republicanos deram combate ao programa original de Barack Obama para o sistema de saúde. Uma boa parcela de democratas também se opôs.

É preciso, este é o meu ponto, entender quando se está diante de uma situação-limite. Ora, é tal a penúria das oposições na esfera federal — e não porque tenham apostado no “quanto pior, melhor” e sido derrotadas; isso não aconteceu — que lhes caberia, insisto, na eleição das respectivas Mesas do Senado e da Câmara, enviar uma mensagem clara e firme à sociedade: “Isso não!”. Ou, para aplicar o conceito à espécie: “Esses não!”.

Não é aceitável que as duas Casas do Congresso Nacional sejam presididas por lideranças que são, quando menos, controversas. Não, senhores! Não quero prejulgar ninguém e defendo o fundamento de que ninguém pode ser considerado culpado a menos que seja essa a decisão irrecorrível da Justiça. Não estava, ou não estou, querendo cassar de Renan ou de Alves um direito em exercício: presidir o Senado e a Câmara, respectivamente. Sendo quem são, tal função era apenas uma possibilidade. O que eu estava e estou a dizer é que eles não reúnem condições políticas para tanto. Não quando um é investigado por enriquecimento ilícito, e o outro pode ser réu a qualquer momento.

O exercício da política, isto é sabido, é mais amplo do que o terreno da legalidade — o que não quer dizer que eu aprove ações políticas que transgridam as leis. O que estou a afirmar é que a política lida com valores, com conceitos, com sentimentos, com aspirações que vão além do que podem prever os códigos legais. Ora, fiquemos num exemplo de apelo quase circense, embora a coisa não tenha graça nenhuma: não há lei brasileira que impeça hoje Paulo Maluf de ser deputado — e isso indica que devemos, é evidente, rever os nossos códigos, e há leis que disciplinam essa revisão. Esse mesmo Maluf, no entanto, não pode pisar em vários países porque a Interpol o trancafiaria. O fato de a legalidade permitir que seja deputado não altera a sua biografia. Continuará a ser quem é.

E é, então, de valores que estou a falar aqui. Em que terreno vai operar a oposição? “Vale a pena, Reinaldo, correr o risco de ficar fora da Mesa da Câmara só para expressar um protesto?” O Congresso tem segredos arcanos para a esmagadora maioria dos brasileiros. Ainda que milhões votem em deputados e senadores a cada quatro anos, a atividade, infelizmente, não é bem-vista. O escândalo do mensalão, por exemplo, embora tivesse como chefe da quadrilha um ministro do Estado e tenha sido operado, agora já se sabe, de dentro do Palácio do Planalto, recaiu sobre as costas do Parlamento. A imagem de Lula quase não sofreu arranhões.

Ocupar esse lugar na Mesa (ainda que ocorresse a retaliação) é mais importante do que dizer com clareza “esses não”??? Bem, não sou político. Não me obrigo, assim, a fazer escolhas que eventualmente não sejam do meu gosto em nome do realismo; não preciso fazer isso. Em muitos aspectos, reconheço, sou mais livre do que um deputado ou senador, governistas ou oposicionistas. É necessário, no entanto, que se reconheça que esse realismo bem pouco criativo das oposições não tem rendido nada de grandioso ou de útil.

Querem ver? Eu estou entre aqueles que não acreditam — e tomara que esteja errado! — que o governador Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, se aventure a disputar a Presidência em 2014. Ainda que não dispute, o fato é que ele está, quando menos, testando o terreno. O fato de haver um candidato do PSB à Presidência da Câmara — Júlio Delgado, de Minas — acena com algum inconformismo.

As oposições, o PSDB em particular, não poderiam, sob nenhuma hipótese, estar a reboque nesse processo. Menos, insisto neste aspecto, pelo fato de Henrique Eduardo Alves ser o candidato de Dilma do que por ser… Henrique Eduardo Alves. Tomo essa incapacidade de exercitar uma voz reconhecível como, lamento dizer, uma incapacidade de ler as aspirações de milhões de brasileiros. Esse é um dos momentos que deveriam servir para que se começasse a plasmar uma identidade não só reativa, mas também afirmativa.

É preciso dar ao eleitorado motivos para desembarcar do governismo, ora! Esses “motivos”, nas democracias, não são oferecidos apenas pela árvore dos acontecimentos. A mediocridade militante tende a reduzir tudo aos resultados disso ou daquilo: “Se a economia estiver bem, se os programas sociais funcionarem…”. Fosse assim, governos bem-sucedidos ou que exibissem bons resultados jamais perderiam eleições. A história é rica em exemplos contrários.

Ao longo desses dez anos de governo petista, as oposições, os tucanos em particular, não têm conseguido criar uma pauta que mobilize minimamente a sociedade. É difícil, dadas as circunstâncias? É, sim! Mas também se verifica que, mesmo quando há a oportunidade, o que se tem é silêncio.

Na última edição da VEJA de 2010, escrevi um longo artigo sobre o que eu entendia serem os erros da oposição e tratava de uma agenda que me parecia pertinente. Assinaria aquele texto ainda hoje. Não é um programa porque esse não é meu papel nem tenho competência pra isso. Espantava-me então, e me espanta ainda hoje, reitero, a dificuldade que têm as oposições, os tucanos em particular, de ouvir os anseios de milhões de brasileiros — anseios que, e isto é espantoso, não coincidem com os do petismo em muitos quesitos.

Se o que eu escrevo agora tiver algum sotaque populista, será por incompetência do redator, que não terá sabido se expressar. Mas lá vou eu: os tucanos precisam ser menos burocráticos, menos congressuais, menos palacianos e ouvir mais as ruas. Não! Não se trata de aderir ao palanquismo desenfreado e à retórica tola das soluções fáceis e erradas para problemas difíceis. Trata-se de entender — e se deixar mover um pouco por eles — certos anseios que estão na praça. E um deles é, sim, por mais ética na política — bandeira que o petismo, quem diria?, já empunhou.

Não será silenciando diante da ascensão de Renan e Alves ao comando do Congresso que se vai chegar a algum lugar. Um tucano mais cético, que pode me achar meio bobo por escrever essas coisas, até poderia dizer: “Ah, quem liga para isso? A maioria do povão nem sabe o que está acontecendo…”. Digamos que assim seja: ocorre que há, então, uma minoria importante que sabe. E essa minoria está levando uma banana das oposições, sem que, em razão disso, elas tenham descoberto um modo de chegar àquele tal povão…

Por Reinaldo Azevedo


Alves, investigado por enriquecimento ilícito, pode se eleger hoje presidente da Câmara; é o 2º na linha sucessória, depois de Temer; o 3º é Renan… O resto é silêncio

Corre na Justiça Federal de Brasília, em sigilo, uma investigação contra o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) por enriquecimento ilícito. Ele concorre hoje à Presidência da Câmara. É o favorito. Seus adversários são Rose de Freitas (ES), também uma peemedebista, e Júlio Delgado, do PSB de Minas. Pipocou um monte de denúncias contra Alves nos últimos tempos, o que ele atribui à manobra de adversários e coisa e tal. Mas sua maior antípoda, nessa área, é Mônica Infante de Azambuja, sua ex-mulher. Numa ação que pedia aumento da pensão alimentícia, ela o acusou, em 2002, de manter UR$ 15 milhões em contas no exterior, dinheiro que, se existente, ele jamais declarou. “Tudo ressentimento de ex…”, dirão alguns. Pode ser.  Os casos recentes, vejam no arquivo, evidenciam que o deputado não é, assim, um exemplo de ortodoxia.

Com o apoio do governo, é o franco favorito. Mas não é só. Ele conta também com a simpatia de uma boa parcela de parlamentares da oposição. Em tempos em que se fala em renovação, vejam que graça!, Alves é o mais antigo deputado da Câmara: está lá desde 1971. Como se de diz por aí, o diabo é diabo porque é velho, mas porque é sábio. É bem verdade que ele é bastante sabido nas artes em que se especializou o PMDB.

O Congresso brasileiro, assim, será mesmo papa-fina. Se eleito presidente da Câmara, Alves, investigado por enriquecimento ilícito, passa a ser o segundo homem na linha sucessória — só atrás do vice, Michel Temer. O terceiro é o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que pode se tornar réu no STF. Sim, eu me lembro: o relator é o ministro Ricardo Lewandowski, que já avisou, em outras palavras, que ele pode demorar a decidir.

Num país em que o Executivo é hipertrofiado por tradição e, não há como negar, por causa da Constituição de 1988, um Congresso com esse comando é o sonho de consumo de qualquer chefe do Executivo. Quanto a presidente é uma Dilma Rousseff, então, é o caso de soltar rojões.

Não é segredo para ninguém que uma das razões do prestígio popular de Dilma, que é inegável, é sua fama de durona com a corrupção — sim, ela apoia Alves. Num eventual embate entre o Executivo e o Legislativo, será a “incorruptível” de um lado contra tipos como Renan e Alves do outro. Adivinhem com quem ficará a opinião pública, ainda que o Congresso possa estar certo…

Oposições
Também nesse caso, insisto, as oposições, se unidas e atentas ao que se passa em parcelas importantes do Brasil, deveriam propor um nome alternativo, ainda que certa da derrota. “Ah, mas e os cargos na Mesa?” Bem, aí é preciso saber com quem os oposicionistas querem e precisam falar. Em tempo de Ficha Limpa (a lei é torta, mas a intenção é louvável) e de condenação de mensaleiros no STF, também essa eleição não poderia se dar no ambiente que o senador Pedro Taques (PDT-MT) classificou de silêncio cúmplice.

Insisto neste aspecto: as oposições teriam de perceber que não se vive um tempo qualquer e que Renan e Alves não são homens quaisquer.

Por Reinaldo Azevedo

 

Eduardo Cunha é o novo líder do PMDB

Por Isabel Braga e Guilherme Amado, no Globo:
Terminou na noite deste domingo a votação na bancada do PMDB na Câmara para a escolha do novo líder do partido. Eduardo Cunha (RJ) foi eleito, em segundo turno, com larga vantagem. Ele obteve 46 votos, contra 32 de Sandro Mabel e duas abstenções. Na primeira votação, Eduardo Cunha teve 40 votos contra 26 de Sandro Mabel e 13 de Osmar Terra (RS).

Antes da eleição, dos três discursos, o mais contundente foi o de Eduardo Cunha, o último a falar, após Mabel e Terra. Sua fala costurou promessas e críticas ao espaço que o PMDB tem no governo, considerado por ele insuficiente. Cunha afirmou que, uma vez eleito, marcará para 4 de fevereiro de 2014, às 18h, a eleição do próximo líder do PMDB, acenando com a renovação na liderança. Agradecendo nominalmente apoios de diversos parlamentares, o deputado voltou a defender que as emendas parlamentares se tornem impositivas, bandeira também defendida pelos outros candidatos. No fim do discurso, sua voz embargou e os olhos encheram de lágrimas, ao dizer que tem honra de integrar o PMDB.

Vamos ter emendas impositivas queira ou não queira. Briguei e vou continuar brigando para que o PMDB, que é da base aliada, seja respeitado como tal, participando de tudo e sendo consultado sobre tudo. Tenho honra de tudo o que passei com os senhores”, finalizou, sendo o mais aplaudido.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

Caso de Polícia – A Petrobras, a compra escandalosa de uma refinaria e um prejuízo bilionário para a estatal: Ministério Público decidiu investigar a lambança

Vocês se lembram de um post publicado no dia 15 de dezembro intitulado ESCÂNDALO BILIONÁRIO NA PETROBRAS – Resta, agora, saber se, ao fim da apuração, alguém vai para a cadeia! Ou: Quem privatizou a Petrobras mesmo? “Mais ou menos? Ok. Recupero a história em 13 passos e avanço depois, porque já há novidades. Quem tem tudo na memória pode ir direito para o entretítulo “Voltei”.

1: Em janeiro de 2005, a empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria americana chamada Pasadena Refining System Inc. por irrisórios US$ 42,5 milhões. Por que tão barata? Porque era considerada ultrapassada e pequena para os padrões americanos.

2: ATENÇÃO PARA A MÁGICA – No ano seguinte, com aquele mico na mão, os belgas encontraram pela frente a generosidade brasileira e venderam 50% das ações para a Petrobras. Sabem por quanto? Por US$ 360 milhões! Vocês entenderam direitinho: aquilo que os belgas haviam comprado por US$ 22,5 milhões (a metade da refinaria velha) foi repassado aos “brasileiros bonzinhos” por US$ 360 milhões. 1500% de valorização em um aninho. A Astra sabia que não é todo dia que se encontram brasileiros tão generosos pela frente e comemorou: “Foi um triunfo financeiro acima de qualquer expectativa razoável”.

3: Um dado importante: o homem dos belgas que negociou com a Petrobras é Alberto Feilhaber, um brasileiro. Que bom! Mais do que isso: ele havia sido funcionário da Petrobras por 20 anos e se transferiu para o escritório da Astra nos EUA. Quem preparou o papelório para o negócio foi Nestor Cerveró, à frente da área internacional da Petrobras. Veja viu a documentação. Fica evidente o objetivo de privilegiar os belgas em detrimento dos interesses brasileiros. Cerveró é agora diretor financeiro da BR Distribuidora.

4: A Pasadena Refining System Inc., cuja metade a Petrobras comprou dos belgas a preço de ouro, vejam vocês!, não tinha capacidade para refinar o petróleo brasileiro, considerado pesado. Para tanto, seria preciso um investimento de mais US$ 1,5 bilhão! Belgas e brasileiros dividiriam a conta, a menos que…

5:… a menos que se desentendessem! Nesse caso, a Petrobras se comprometia a comprar a metade dos belgas — aos quais havia prometido uma remuneração de 6,9% ao ano, mesmo em um cenário de prejuízo!!!

6: E não é que o desentendimento aconteceu??? Sem acordo, os belgas decidiram executar o contrato e pediram pela sua parte, prestem atenção, outros US$ 700 milhões. Ulalá! Isso foi em 2008. Lembrem-se que a estrovenga inteira lhes havia custado apenas US$ 45 milhões! Já haviam passado metade do mico adiante por US$ 360 milhões e pediam mais US$ 700 milhões pela outra. Não é todo dia que aparecem ou otários ou malandros, certo?

7: É aí que entra a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Ela acusou o absurdo da operação e deu uma esculhambada em Gabrielli numa reunião. DEPOIS NUNCA MAIS TOCOU NO ASSUNTO.

8: A Petrobras se negou a pagar, e os belgas foram à Justiça americana, que leva a sério a máxima do “pacta sunt servanda”. Execute-se o contrato. A Petrobras teve de pagar, sim, em junho deste ano, não mais US$ 700 milhões, mas US$ 839 milhões!!!

9: Depois de tomar na cabeça, a Petrobras decidiu se livrar de uma refinaria velha, que, ademais, não serve para processar o petróleo brasileiro. Foi ao mercado. Recebeu uma única proposta, da multinacional americana Valero. O grupo topa pagar pela sucata toda US$ 180 milhões.

10: Isto mesmo: a Petrobras comprou metade da Pasadena em 2006 por US$ 365 milhões; foi obrigada pela Justiça a ficar com a outra metade por US$ 839 milhões e, agora, se quiser se livrar do prejuízo operacional continuado, terá de se contentar com US$ 180 milhões. Trata-se de um dos milagres da gestão Gabrielli: como transformar US$ 1,204bilhão em US$ 180 milhões; como reduzir um investimento à sua (quase) sétima parte.

11: Graça Foster, a atual presidente, não sabe o que fazer. Se realizar o negócio, e só tem uma proposta, terá de incorporar um espeto de mais de US$ 1 bilhão.

12: Diz o procurador do TCU Marinus Marsico: “Tudo indica que a Petrobras fez concessões atípicas à Astra. Isso aconteceu em pleno ano eleitoral”.

13: Dilma, reitero, botou Gabrielli pra correr. Mas nunca mais tocou no assunto.

Voltei
José Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras e hoje ocupando uma secretaria no governo baiano, chegou a emitir uma nota dizendo que não havia nada de errado com a negociação, mas preferiu não explicar a mágica. Felizmente, o Ministério Público se interessou pelo assunto, segundo informa Danilo Fariello, no Globo. Leiam trechos. Encerro depois.

*
O Ministério Público Federal (MPF) deve abrir uma investigação criminal para apurar irregularidades no processo de aquisição, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006, com base em indícios levantados por procuradores do MPF que atuam no Tribunal de Contas da União (TCU). Desde a compra da refinaria, a petrolífera investiu US$ 1,18 bilhão nesse negócio, apesar de ela não processar um só barril de petróleo brasileiro e de a estatal não conseguir obter um retorno significativo do investimento feito.

Em novembro, os procuradores solicitaram à Petrobras esclarecimentos sobre o processo de aquisição. Após um pedido da Petrobras de prorrogação de prazo para resposta, que foi aceito pelo órgão de controle, a estatal entregou cerca de 700 páginas com documentos, dos quais boa parte já foi analisada. Segundo uma fonte que teve acesso ao conteúdo entregue pela empresa ao TCU, durante o recesso de fim de ano, até agora não apareceram argumentos convincentes para justificar o investimento, tanto do ponto de vista financeiro quanto pelo aspecto estratégico.

“Há várias decisões questionáveis, que podem levar o MPF a abrir um procedimento para verificar se há ocorrência de crime. Pode até pedir auxílio à Polícia Federal, uma vez que havia uma pessoa ligada à Petrobras que fazia parte da empresa belga (Astra Oil, de quem a estatal brasileira foi sócia na refinaria)”, disse a fonte.
(…)

Encerro
Os números da operação são aqueles que vocês viram, nunca contestados pela Petrobras. Alguém tem alguma dúvida de que estamos diante de um óbvio caso de polícia?

Por Reinaldo Azevedo

 

Sob a égide da ética do crime. Ou: A ética dos Renans, dos Dirceus e um livro. Ou: É permitido matar a velha a machadadas?

Resolvi manter este texto, publicado às 18h42 de ontem, no alto da home. Abaixo dele, há os posts da madrugada deste sábado.

Renan Calheiros (PMDB-AL), reconduzido à Presidência do Senado, resolveu exibir musculatura filosófica no discurso oficial como candidato ao posto. E disparou: “A ética não é um objetivo em si mesma. O objetivo em si mesmo é o interesse nacional. A ética é meio, não é fim”. Que coisa! O candidato falava, então, em termos abstratos, conceituais, e a paixão especulativa poderia nos devolver lá a Aristóteles, passando por Kant e chegando a Spinoza — depois de devidamente desprivatizado, já que, no Brasil, Marilena Chaui se quer a intérprete oficial do autor; se a obra de Spinoza fosse “A Valquíria”, Marxilena se apresentaria como Maria Callas… Mas que se deixe a abstração de lado. O voo teórico de Renan se fez ética encarnada na voz do senador Lobão Filho (PMDB-MA), que chegou à Casa como suplente de Lobão Pai, hoje ministro das Minas e Energia: “Nessa Casa não há nenhuma vestal. A última vestal que tentou ser vestal nessa Casa foi desossado pela imprensa. Não há ninguém a levantar o dedo para o senador Renan Calheiros”. O Lobinho é o homem do Lobão!

Ele se referia certamente a Demóstenes Torres, defenestrado por bons motivos do Senado, como todo mundo sabe. Mas que se note: Demóstenes não perdeu o mandato porque se apresentasse como vestal; ele foi cassado porque não praticava, na vida pública, aquilo que enunciava e anunciava. Quando aquele senador caiu, os valores éticos não caíram com ele. É espantoso! Hoje em dia, intelectuais de esquerda, os petistas e tipos como Lobinho passaram a demonizar o discurso da ética e da moralidade públicas. Ele seria sempre e necessariamente falso; só poderia se exercer como moralismo de fachada. Nessa perspectiva, não se deve mais censurar este ou aquele pelo crime cometido; cumpriria, então, indagar: “Mas por que ele fez tal coisa? O fim é nobre?”.

De fato, a ética não é uma finalidade em si, mas um instrumento. Só que há uma consideração que certamente não passa pelo amoralismo de Renan Calheiros e dos setores da esquerda que são hoje seus aliados: os meios empregados qualificam os fins. Se Maquiavel retirou a política da esfera quase celeste e a devolveu à terra ao constatar que, na vida real, os fins acabam justificando os meios, tomada tal perspectiva como um norte ético, mergulha-se, então, no vale-tudo.

Não, meus caros! Nem Aristóteles, nem Espinosa, nem Kant. O livro que trata de forma mais viva e cruenta a questão da ética é o magistral “O Zero e o Infinito”, escrito pelo ex-comunista Arthur Koestler, que veio à luz em 1941. Ele precisou de muito menos tempo do que outros para constatar os crimes do comunismo. O centro da obra é justamente um questionamento ético. Entre 1936 e 1938, Stálin — tratado no livro como o “Nº 1” — liquida boa parte da velha-guarda revolucionária no curso dos chamados “Processos de Moscou”, uma farsa judicial espantosa para se consolidar como a única fonte de poder da União Soviética. Os “processos” são especialmente espantosos porque conduzidos de forma a criar uma maquinaria argumentativa que levava os acusados a confessar a sua culpa, embora soubessem que isso não os livraria da morte, à qual já estavam condenados. A acusação essencial: conspirar contra o estado soviético, a revolução socialista e o partido.

É esse clima que Koestler reproduz em seu livro. Rubachov é um comunista revolucionário de primeira hora que está preso, acusado de conspiração e traição. Somos apresentados a seus diálogos com seus algozes, todos eles a serviço do partido e da causa. Ocorre que se formara ele também na certeza de que o partido não errava nunca e de que não se iria construir uma nova humanidade sem cometer alguns atos condenados pela moral burguesa.

Um trecho do livro é particularmente significativo. Rubachov conversa com Ivanov, um policial do regime com certas pretensões filosóficas. Este faz algumas considerações sobre Raskolnikov, o jovem assassino de “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, aquele que mata uma velha exploradora a machadadas para supostamente usar o seu dinheiro em benefício da humanidade. Raskolnikov acaba confessando a sua culpa e busca a reabilitação.

Para Ivanov, o policial, “Crime e Castigo” é um livro que deveria ser queimado porque não propõe nenhuma questão relevante. Entende que Raskolnikov “é um louco, um criminoso, não porque se comporte logicamente ao matar a velha, mas porque está fazendo isso por interesse pessoal”. E acrescenta: “O princípio de que o fim justifica os meios é e continua sendo a única regra da ética política. Tudo o mais é conversa fiada e se derrete, escorrendo por entre os dedos. Se Raskolnikov tivesse matado a velha por ordem do Partido (por exemplo, para aumentar os fundos de auxílio às greves ou para instalar uma imprensa clandestina), então a equação ficaria de pé, e o romance, com seu problema ilusório, nunca teria sido escrito, e tanto melhor para a humanidade”.

Como vocês percebem, para Ivanov, o assassinato mais torpe se enobrece se a causa é considerada não exatamente justa, mas útil.  O programa do computador deu pau (daí a demora em voltar…), e estou digitando trechos do livro. Rubachov responde que, no poder, os revolucionários conseguiram criar uma sociedade pior do que aquela que buscavam substituir, que as condições de vida se deterioram dramaticamente em todas as áreas, que as pessoas sofrem muito mais.

Ivanov então responde: “Sim, e daí? Não acha maravilhoso? Alguma vez já aconteceu algo mais prodigioso na história? Estamos tirando a pele velha da humanidade e lhe dando uma nova. Não é uma ocupação para gente de nervos fracos”. O policial já havia dito ao líder comunista que caíra em desgraça que só há duas éticas no mundo, opostas e inconciliáveis: uma é a cristã e humana, que declara que o homem é sagrado e que os princípios da aritmética não podem ser aplicadas a unidades humanas; a outra é a coletiva, que subordina cada homem às necessidades do coletivo; esta outra, que é a sua, diz ele, “não somente permite como pede que o indivíduo seja de todas as maneiras subordinado e sacrificado à humanidade”.

De volta a Renan
E o que Renan tem com isso? É um legítimo representante ou herdeiro da esquerda, por acaso? Até namorou com o PC do B quando jovem, mas isso não tem importância. Relembro “O Zero e o Infinito” porque nenhuma  obra levou tão longe e de maneira tão viva o questionamento ético. A elite dirigente que hoje comanda o país transformou em norte moral a máxima de que o fim justifica, sim, os meios empregados. Essa visão de mundo contamina setores da imprensa. Quantos não são aqueles que justificam a aliança da velha com a nova oligarquia em nome do interesse nacional?

A “ética” de que fala Ivanov é aquela que entrega a um partido, a um ente, o destino da humanidade e de cada homem. Sim, ele está certo na constatação, entendo eu, de que, a rigor, só existem duas éticas: a que sacraliza o indivíduo e a que o transforma em peça de uma narrativa contada por aquele ente de razão. O que nos distingue, por óbvio, é que fico com a primeira, e ele, com a segunda.

O Brasil passa por um momento particularmente infeliz no que diz respeito à ética porque, com efeito, o PT é herdeiro moral do vale-tudo bolchevista — sem mais ser, por óbvio, comunista. E, em nome do que vende como “causa da humanidade”, não só pratica os piores crimes como os transforma em ferramenta de progresso social, como faz Ivanov. Esse amoralismo redentor, que apela a amanhãs gloriosos, se casou perfeitamente com os interesses das elites reacionárias brasileiras, de que são expressões os Renans, os Sarneys etc.

Se uns nunca tiveram têmpera revolucionária, os outros a empregam como farsa. Porque, de fato, se os reacionários nunca tiveram como perspectiva um novo mundo, os supostamente revolucionários queriam era dividir o comando da reação. E conseguiram. Os dois grupos se dizem hoje irmanados na defesa do bem comum, em nome do qual tudo é permitido.

O conjunto explica por que José Dirceu sai proclamando aos quatro ventos que as críticas a Renan derivam do moralismo udenista. Dirceu é o candidato a Ivanov dessa nova ordem. E Ivanov já disse: Raskolnikov, o que matou a velha a machadadas, só não era um herói porque não agiu sob o comando do partido, de uma causa.

Não sei se daqui a dois, seis, 10, 14 ou mais anos… Um dia essa gente será apeada do poder. E poderemos, ou outros poderão, refletir com ainda mais rigor sobre a era em que vivemos sob a égide do crime sem castigo. Os que chamamos as coisas por seus respectivos nomes fazemos a crônica de um tempo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Tucanos pra quê?

Não tem jeito, não! As coisas não acontecem por acaso. A oposição não chega ao estado miserável a que chegou no Congresso por acidente. É preciso muito esforço para isso. É preciso haver muita dedicação. E nisso, convenham, os tucanos são de uma aplicação comovente. Pelo critério da proporcionalidade, ao PSDB caberia, como coube, a Primeira Secretaria da Mesa Diretora do Senado, mas a turma de Renan Calheiros (PMDB-AL) poderia ter retaliado e negado a vaga ao partido. Não é lei, mas acordo. Já que, oficialmente, o partido havia se alinhado com a candidatura adversária, não haveria por que cumprir compromisso. E os patriotas de Renan até chegaram a pensar nisso. Quando, no entanto, foram computados os votos, tiveram uma certeza: parte da bancada, os bons de bico, traiu o compromisso e deixou Pedro Taques (PDT-MT) na mão. E aqueles que o fizeram certamente deram um jeito de fazer chegar ao rei posto a sua (in)fidelidade.

Eu já havia escrito aqui que o coração de muitos tucanos pulsava mesmo é pelo peemedebista. Assim, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) assumiu a Primeira Secretaria sem medo se ser feliz. Ele também é investigado pelo Ministério Público Federal. Temos uma Mesa Diretora formada por heróis.

Os 11 tucanos poderiam vir a público para declarar o seu voto. Não se trata de patrulha, não, mas de vergonha na cara. Já que se anunciou à sociedade o apoio ao adversário de Renan, cumprira agora deixar claro quem fez o quê. Notem: ninguém é obrigado a abrir o voto. Mas todos podem se dispensar de mentir. Se havia senadores contrários ao apoio a Taques, que dissessem, ora.

Aécio Neves (PSDB-MG), cotado para ser presidente do partido e apontado como candidato à Presidência da República, havia acenado com a possibilidade de fazer um discurso em defesa da candidatura de Taques. Discurso não houve. O senador se limitou, há alguns dias, a fazer uma espécie de convite-apelo a Renan para que retirasse a sua candidatura. O alagoano não topou, claro… O apoio ao opositor de Renan, no fim das contas, foi uma operação de marketing que acabou saindo pela culatra. Agora, resta  suspeita da farsa, do adesismo e da traição, tudo misturado. Se era para fazer esse papelão, melhor teria sido defender que a presidência coubesse à maior bancada e fim de papo. Melhor a sabujice franca do que a dissimulada.

No dia 3 de setembro de 2012, escrevi aqui um texto afirmando que a greve que realmente faz mal ao Brasil é a greve da oposição, que está paralisada há sete anos, caminhando para oito, desde quando ficou com medo das consequências e recuou diante da possibilidade de pedir o impeachment de Lula, na crise do mensalão. Depois disso, não se encontrou mais.

É claro que há líderes regionais importantes do partido. No próprio Congresso, há deputados e senadores que fazem um trabalho sério e não temem confrontar o governismo em questões relevantes. Já destaquei aqui o trabalho, por exemplo, de Álvaro Dias (PR) e Aloysio Nunes (SP) — espero que estejam entre aqueles que votaram em Taques. O que falta, no entanto, é uma diretriz partidária. Que cara tem, afinal, o “maior menor” partido de oposição do país? Quer o quê? Acena com quais valores? Não se sabe. Há um vazio de mensagem, há um vazio de propostas, há um vazio de liderança.

Assim, cabe a pergunta: “Tucanos pra quê?”.

Não é um qualquer
A eleição de Renan Calheiros é uma porrada na cara da nação. Estou entre aqueles que acham que a oposição tinha a obrigação política de apresentar uma alternativa, ainda que o PMDB tivesse apresentado como candidato uma vestal. Mas não! Tratava-se de Renan Calheiros, que já teve de renunciar a esse posto. Assume a cadeira denunciado por três crimes. “Ah, mas ele é inocente até não ser condenado pela Justiça…” Fato. Ocorre que estamos falando de política, não de polícia — ainda que essas duas palavras sejam quase anagramáticas. A Justiça vai, sim, decidir se ele cometeu crimes ao tentar provar que pagava pensão à ex-amante e a um filho com recursos próprios. O que é incontroverso é que uma empreiteira arcava com as despesas.

Um partido ou um grupo que tem a ambição de chegar ao poder tem de escolher uma mensagem, tem de mobilizar fatias da sociedade, tem de definir com quem quer falar. Há dez anos — notadamente dos últimos sete! —, o PSDB, como voz institucional, foge miseravelmente de todos os embates e se expõe ao descrédito e à chacota daqueles que entendem que a democracia é o regime das alternativas, não do discurso único.

Eu não sei a resposta. Se os tucanos sabem, poderiam nos dizer: “PSDB pra quê?”.

Por Reinaldo Azevedo


A verdade é que a imprensa brasileira sempre foi tolerante com as besteiras de Lula e ajudou a criar o mito fanfarrão. Ou: Bobeou, Lula “passa o pente”…

Luiz Inácio Apedeuta da Silva foi a Havana participar de um troço chamado “Conferência pelo Equilíbrio Mundial”. Atacou aquela velha senhora, a Dona Zelite, especialmente a imprensa, que perseguiria democratas e humanistas como Cristina Kirchner, Evo Morales, Hugo Chávez… No Brasil, disse ele, a “mídia” não gosta de ver pobre andando de avião. Vai ver é por isso que o fanfarrão tentou reinstaurar a censura no Brasil: para que passássemos a elogiar aeroportos fedorentos, caindo aos pedaços, entregues a uma gestão ineficiente, lotada de larápios. Vai ver ele e Dilma retardaram em quase dez anos a privatização do setor para dar uma lição aos jornalistas: “Vocês vão ter de aguentar o povo!” Como é mesmo? “País rico é país sem conforto”.

Em peregrinação pelo Brasil, José Dirceu ataca o Ministério Público, o Judiciário e, claro!, a imprensa — que estaria disposta a instaurar uma ditadura no Brasil. Não uma ditadura qualquer, mas do tipo nazifascista, segundo Rui Falcão, este democrata exemplar. Pois é… A verdade, no entanto, é bem outra. Ao longo dos anos, ao longo das décadas, o jornalismo brasileiro foi é complacente com Lula e sempre relevou — quando não promoveu — sua pletora de bobagens na suposição de que ele, afinal, era um autêntico representante do povo e tinha, por isso, licença especial para dizer tolices.

Raramente Lula foi visto como aquilo que de fato era: um político empenhado na construção de um partido para disputar o poder. Era tratado como uma força da natureza; como o bom selvagem que vocalizava não um conteúdo político, mas uma mensagem vinda das entranhas da Terra. Seus juízos eram, sim, meio toscos —“mas ele não teve estudo, coitado!” Suas soluções eram simplistas, primárias, notavelmente ignorantes — “mas ele é um representante das massas, e apontar suas burrices é manifestação de preconceito”. E se foi criando, então, o mito do homem que sabia tudo sem estudar nada. Numa entrevista à revista “Primeira Leitura”, que eu dirigia, Marilena Chaui comparou o chefão petista à deusa grega Métis (ainda vou recuperar a passagem; é notável).

Voltemo-nos àquela entrevista que o então já bastante poderoso e influente Lula concedeu à revista Playboy em 1979. Que outra figura pública teria resistido à confissão de que iniciou sua vida sexual com animais? Que outra personalidade teria sobrevivido à admissão de que ficava de olho nas viuvinhas que entravam no sindicato para, recorrendo a seu vocabulário iluminado, “papá-las”? Atenção! Aquele notável líder da classe trabalhadora se aproveitava-se da morte de um companheiro e da fragilidade da mulher — que tinha ido ao órgão de classe para cuidar da pensão — para, como se diz por aí, “passar o pente”. Que outra expressão do sindicalismo ou da política teria superado a revelação de que tinha na galeria dos homens admiráveis e admirados Hitler e khomeini. Por quê? “Porque estavam do lado dos menos favorecidos…”, ele explicou.

“Lá está o Reinaldo querendo ressuscitar velharias…” Não! Já demonstrei que não são velharias. As escolhas que Lula fez na política externa, por exemplo, indicam que coerência com seu passado. As escolhas que faz na política interna são compatíveis com aquela visão de mundo. E ousaria mesmo dizer que certos sucessos de sua vida privada — com repercussões na esfera pública — remetem àquela espreitador de viuvinhas. No Sindicato, na Presidência e no partido, ele nunca soube distinguir suas necessidades privadas das questões coletivas. Isso está dado pelos fatos.

A mentira
É mentira, das mais escancaradas, essa história de que a imprensa persegue Lula, o PT e os petistas. Ao contrário: há mais de 30 anos, essa gente está entre os pauteiros mais influentes do jornalismo. Com muita frequência, em razão de alinhamentos ideológicos e afinidades eletivas, é poupada das críticas..

Não se trata aqui de apelar ao escatológico ou ao que parece anedótico para definir um homem inteiro. Usar um cargo num órgão de representação de classe para “papar” viúvas fragilizadas não define apenas um gosto sexual; define também um caráter. Afirmar que Hitler é um homem admirável, ainda que discorde de sua ideologia, por causa do “fogo de se propor a fazer alguma coisa” é mais do que a mera expressão de um juízo torto; Lula conseguiu atravessar a camada do horror para descobrir no facínora o ardor da transformação.

O Lula de 1979 está presente no Lula de 2013 e, de fato, jamais o abandonou. A cada vez que confunde o público com o privado, em que toma a sua própria vida como metro de todas as coisas, quem se manifesta é o molestador de viúvas. A cada vez que justifica os crimes dos companheiros (os petistas ou os governantes delinquentes da América Latina), ouve-se a voz do admirador de Hitler e Mussolini. Não especulo se aquele Lula escatológico tem expressão ainda hoje em dia porque minha imaginação se nega a visitar certas paragens…

Ataque à imprensa por quê? Com raras exceções, noticiou-se a sua óbvia e indevida intromissão na Prefeitura de São Paulo e mesmo no governo Dilma como se fosse algo natural, corriqueiro, aceitável. Lula decide na base do dedaço quem é e quem não é candidato no partido, e se considera isso muito normal porque, afinal de contas, ele é mesmo o líder inconteste no partido. Os mais sabujos veem nisso um “saudável processo de renovação” do partido. Num seminário, os porta-vozes do Apedeuta anunciam quem será o verdadeiro articulador do governo Dilma, e ninguém se ocupa de indagar: “Mas com quais credenciais que a tanto o habilitem, se não é deputado, não é senador, não é ministro, não é assessor da Presidência?”

Mas ao petismo não basta. Se o partido conseguisse cooptar todos os meios de comunicação menos um, seguiria reclamando e denunciando o “complô” da mídia contra as forças do povo, como naquela carta-programa dos nazistas… A imprensa que Lula agora ataca, tudo bem pensado, praticamente o inventou como líder e segue tendo com ele uma generosidade que a nenhum outro político é dispensada.

Aquele que é hoje um dos homens mais poderosos do país ainda é visto por muitos como o ignorante amoroso, de bom coração, cheio de boas intenções, dono de uma intuição genial, interessado apenas na redenção do seu povo. Não há o que perguntar às cabras. A indagação teria de começar pelas viúvas…

Por Reinaldo Azevedo

 

56 a 18, e Renan, denunciado por três crimes, volta à Presidência do Senado. Ou: Quem prometeu voto a Taques e não entregou? Em troca de quê?

Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito presidente do Senado com 56 votos. Era o placar esperado. Pedro Taques (PDT-MT) ficou com 18, abaixo do que lhe foi prometido. Haviam fechado com o opositor de Renan os 11 do PSDB, os 5 do PDT, os 4 do DEM e 1 do PSOL. Só nessa primeira conta, já ficaram faltando três votos. Na reta final, o PSB também lhe prometeu os 4 votos que tem, elevando o número para 25. Além desses, Taques contava também Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Na urna, ficaram faltando nove… No texto da manhã, informava que os partidários de Renan apostavam nas traições. Não foram tantas quantas esperavam, mas houve.

Seria interessante que se procedesse a uma confirmação de voto — como é secreto, é impossível saber com certeza. Os que prometeram ficar com Taques deveriam vir a público para dizer: “Não fui eu”. No texto desta manhã, escrevi: “Há corações tucanos e democratas que batem por ele [Renan]. No próprio PDT, que está na base do governo, havia quem preferisse que o colega de partido ficasse fora dessa”. O apoio do PSB, como se viu, também foi claudicante.

O senador tem a prerrogativa de votar em quem quiser — até mesmo de se rebelar contra a orientação da bancada. Mas mentir é uma coisa feia. Esconder-se no voto secreto numa questão como esta é evidência de covardia.O senador Renan Calheiros volta, assim, à Presidência do Senado, arrastando, desta feita, uma denúncia do Ministério Público, que está no STF, de três crimes. É grande a chance de se ter um presidente do Congresso réu num processo criminal.

Leiam trechos da reportagem de Laryssa Borges, Marcela Mattos e Gabriel Castro, publicado na VEJA. Volto para encerrar. No próximo post, comento uma declaração de Renan, o eleito, segundo quem a ética não é um fim, mas um meio. Daqui a pouco eu volto para destrinchar seu pensamento profundo.
*
O Senado Federal confirmou nesta sexta-feira sua disposição em manter o velho histórico de corporativismo e elegeu o alagoano Renan Calheiros, do PMDB, para presidir a Casa nos próximos dois anos. Ele derrotou com facilidade o novato Pedro Taques (PDT-MT), por 56 votos a 18. Houve dois votos em branco e duas abstenções.
(…)
Para angariar votos, Renan usou da conhecida habilidade em negociar cargos na Mesa Diretora e promessas de arranjos políticos futuros na Casa. Roberto Requião ganhou a presidência do braço brasileiro do Parlamento do Mercosul, e Eduardo Braga virou líder do governo. Também cobrou a “fatura” pela blindagem que ofereceu ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), na naufragada CPI do Cachoeira.

Denúncias
O arsenal de denúncias contra Renan Calheiros, que motivou seu afastamento do cargo de presidente do Senado em 2007, foi revitalizado com a proximidade das eleições para a presidência da Casa. Em 2007, VEJA revelou que o senador se valia do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar a pensão alimentícia da filha que teve com a jornalista Mônica Veloso. Em sua defesa, Renan argumentou que tinha obtido lucro espantoso com a venda de gado. As investigações, entretanto, concluíram que as notas fiscais apresentadas eram falsas.

Nesta sexta-feira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, confirmou que apresentou denúncia contra Renan ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de falsidade ideológica, peculato e uso de documentos falsos.

O senador Pedro Simon, dissidente do PMDB e contrário à candidatura de Renan, foi o mais enfático e o primeiro em plenário a escancarar a possibilidade de o futuro presidente do Senado gerir a Casa ao mesmo tempo em que pode se tornar réu na mais alta corte do país. “O ilustre senador Renan Calheiros está sendo processado pelo procurador-geral. Ele se elege hoje e na quarta ou quinta-feira o STF aceita a denúncia e se inicia um processo lá. Se iniciar um processo lá, evidentemente que se inicia um processo aqui. Vai se repetir o filme”, declarou Simon.

Aliados
Renan Calheiros chegou ao Senado às 9h30 acompanhado do presidente do Senado, José Sarney. Certo da vitória, o político alagoano ironizou, a seu modo, a candidatura alternativa costurada por setores da oposição e por senadores que se intitulam independentes. “Pedro Taques é candidato mesmo?”, questionou. Em seguida, ainda minimizou o risco de traições de senadores que lhe prometeram apoio: “eleição é como mineração. Ninguém sabe onde vai ter ouro”.

Na sessão que consagrou o nome de Calheiros como novo presidente do Senado, coube ao senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) anunciar em plenário a candidatura do peemedebista à mais alta cadeira do Congresso. Com um discurso torto, Vital teceu elogios ao poderio do PMDB, à forte bancada de 20 dos 81 senadores e resumiu: a continuidade de uma gestão marcada pela “modernidade”, “inovação” e “transparência”, como diz ter sido a de José Sarney, só poderia ser garantida com a presidência de Renan Calheiros.

“O PMDB é um partido que não pediu favores para estar aqui. É o partido que representa maior liderança do país em termos proporcionais e legislativos, porque foi eleito pela vontade do povo brasileiro”, afirmou Vital do Rêgo.

Até senadores sem nenhum voto, como os suplentes Sérgio Souza (PMDB-PR) e Lobão Filho (PMDB-MA) – que devem as vagas à nomeação de Gleisi Hoffmann e Edison Lobão como ministros – saíram em defesa de Renan Calheiros em plenário. “Sabemos que existe um processo que se iniciou há poucos dias no STF. São fatos de 2007 e muito mais ligados à vida particular deste senador do que à vida pública desse homem que começou sua vida pública há mais de 30 anos”, disse Souza.

“Nessa Casa não há nenhuma vestal. A última vestal que tentou ser vestal nessa Casa foi desossado pela imprensa. Não há ninguém a levantar o dedo para o senador Renan Calheiros”, completou Lobão.

Encerro
O discurso que traduziu melhor o espírito da coisa foi, como veem, o de Lobão Filho (PMDB-MA, filho, como se presume, de Lobão pai. O rapaz está lá sem voto nenhum porque era suplente do pápi, que virou ministro. Referindo-se a Demóstenes Torres, que teve o mandato cassado, negou que haja vestais na Casa.

Pois é…  Numa Casa em que ninguém é vestal, é preciso tomar cuidado para que não se considere que todos são, então, bandidos. Certamente não foi isso o que quis dizer o Lobinho, filho do Lobão.

Por Reinaldo Azevedo

 

Sob a égide da ética do crime. Ou: A ética dos Renans, dos Dirceus e um livro. Ou: É permitido matar a velha a machadadas?

Renan Calheiros (PMDB-AL), reconduzido à Presidência do Senado, resolveu exibir musculatura filosófica no discurso oficial como candidato ao posto. E disparou: “A ética não é um objetivo em si mesma. O objetivo em si mesmo é o interesse nacional. A ética é meio, não é fim”. Que coisa! O candidato falava, então, em termos abstratos, conceituais, e a paixão especulativa poderia nos devolver lá a Aristóteles, passando por Kant e chegando a Espinosa — depois de devidamente desprivatizado, já que, no Brasil, Marilena Chaui se quer a intérprete oficial do autor; se a obra de Espinosa fosse “A Valquíria”, Marxilena se apresentaria como Maria Callas… Mas que se deixe a abstração de lado. O voo teórico de Renan se fez ética encarnada na voz do senador Lobão Filho (PMDB-MA), que chegou à Casa como suplente de Lobão Pai, hoje ministro das Minas e Energia: “Nessa Casa não há nenhuma vestal. A última vestal que tentou ser vestal nessa Casa foi desossado pela imprensa. Não há ninguém a levantar o dedo para o senador Renan Calheiros”. O Lobinho é o homem do Lobão!

Ele se referia certamente a Demóstenes Torres, defenestrado por bons motivos do Senado, como todo mundo sabe. Mas que se note: Demóstenes não perdeu o mandato porque se apresentasse como vestal; ele foi cassado porque não praticava, na vida pública, aquilo que enunciava e anunciava. Quando aquele senador caiu, os valores éticos não caíram com ele. É espantoso! Hoje em dia, intelectuais de esquerda, os petistas e tipos como Lobinho passaram a demonizar o discurso da ética e da moralidade públicas. Ele seria sempre e necessariamente falso; só poderia se exercer como moralismo de fachada. Nessa perspectiva, não se deve mais censurar este ou aquele pelo crime cometido; cumpriria, então, indagar: “Mas por que ele fez tal coisa? O fim é nobre?”.

De fato, a ética não é uma finalidade em si, mas um instrumento. Só que há uma consideração que certamente não passa pelo amoralismo de Renan Calheiros e dos setores da esquerda que são hoje seus aliados: os meios empregados qualificam os fins. Se Maquiavel retirou a política da esfera quase celeste e a devolveu à terra ao constatar que, na vida real, os fins acabam justificando os meios, tomada tal perspectiva como um norte ético, mergulha-se, então, no vale-tudo.

Não, meus caros! Nem Aristóteles, nem Espinosa, nem Kant. O livro que trata de forma mais viva e cruenta a questão da ética é o magistral “O Zero e o Infinito”, escrito pelo ex-comunista Arthur Koestler, que veio à luz em 1941. Ele precisou de muito menos tempo do que outros para constatar os crimes do comunismo. O centro da obra é justamente um questionamento ético. Entre 1936 e 1938, Stálin — tratado no livro como o “Nº 1” — liquida boa parte da velha-guarda revolucionária no curso dos chamados “Processos de Moscou”, uma farsa judicial espantosa para se consolidar como a única fonte de poder da União Soviética. Os “processos” são especialmente espantosos porque conduzidos de forma a criar uma maquinaria argumentativa que levava os acusados a confessar a sua culpa, embora soubessem que isso não os livraria da morte, à qual já estavam condenados. A acusação essencial: conspirar contra o estado soviético, a revolução socialista e o partido.

É esse clima que Koestler reproduz em seu livro. Rubachov é um comunista revolucionário de primeira hora que está preso, acusado de conspiração e traição. Somos apresentados a seus diálogos com seus algozes, todos eles a serviço do partido e da causa. Ocorre que se formara ele também na certeza de que o partido não errava nunca e de que não se iria construir uma nova humanidade sem cometer alguns atos condenados pela moral burguesa.

Um trecho do livro é particularmente significativo. Rubachov conversa com Ivanov, um policial do regime com certas pretensões filosóficas. Este faz algumas considerações sobre Raskolnikov, o jovem assassino de “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, aquele que mata uma velha exploradora a machadadas para supostamente usar o seu dinheiro em benefício da humanidade. Raskolnikov acaba confessando a sua culpa e busca a reabilitação.

Para Ivanov, o policial, “Crime e Castigo” é um livro que deveria ser queimado porque não propõe nenhuma questão relevante. Entende que Raskolnikov “é um louco, um criminoso, não porque se comporte logicamente ao matar a velha, mas porque está fazendo isso por interesse pessoal”. E acrescenta: “O princípio de que o fim justifica os meios é e continua sendo a única regra da ética política. Tudo o mais é conversa fiada e se derrete, escorrendo por entre os dedos. Se Raskolnikov tivesse matado a velha por ordem do Partido (por exemplo, para aumentar os fundos de auxílio às greves ou para instalar uma imprensa clandestina), então a equação ficaria de pé, e o romance, com seu problema ilusório, nunca teria sido escrito, e tanto melhor para a humanidade”.

Como vocês percebem, para Ivanov, o assassinato mais torpe se enobrece se a causa é considerada não exatamente justa, mas útil.  O programa do computador deu pau (daí a demora em voltar…), e estou digitando trechos do livro. Rubachov responde que, no poder, os revolucionários conseguiram criar uma sociedade pior do que aquela que buscavam substituir, que as condições de vida se deterioram dramaticamente em todas as áreas, que as pessoas sofrem muito mais.

Ivanov então responde: “Sim, e daí? Não acha maravilhoso? Alguma vez já aconteceu algo mais prodigioso na história? Estamos tirando a pele velha da humanidade e lhe dando uma nova. Não é uma ocupação para gente de nervos fracos”. O policial já havia dito ao líder comunista que caíra em desgraça que só há duas éticas no mundo, opostas e inconciliáveis: uma é a cristã e humana, que declara que o homem é sagrado e que os princípios da aritmética não podem ser aplicadas a unidades humanas; a outra é a coletiva, que subordina cada homem às necessidades do coletivo; esta outra, que é a sua, diz ele, “não somente permite como pede que o indivíduo seja de todas as maneiras subordinado e sacrificado à humanidade”.

De volta a Renan
E o que Renan tem com isso? É um legítimo representante ou herdeiro da esquerda, por acaso? Até namorou com o PC do B quando jovem, mas isso não tem importância. Relembro “O Zero e o Infinito” porque nenhuma  obra levou tão longe e de maneira tão viva o questionamento ético. A elite dirigente que hoje comanda o país transformou em norte moral a máxima de que o fim justifica, sim, os meios empregados. Essa visão de mundo contamina setores da imprensa. Quantos não são aqueles que justificam a aliança da velha com a nova oligarquia em nome do interesse nacional?

A “ética” de que fala Ivanov é aquela que entrega a um partido, a um ente, o destino da humanidade e de cada homem. Sim, ele está certo na constatação, entendo eu, de que, a rigor, só existem duas éticas: a que sacraliza o indivíduo e a que o transforma em peça de uma narrativa contada por aquele ente de razão. O que nos distingue, por óbvio, é que fico com a primeira, e ele, com a segunda.

O Brasil passa por um momento particularmente infeliz no que diz respeito à ética porque, com efeito, o PT é herdeiro moral do vale-tudo bolchevista — sem mais ser, por óbvio, comunista. E, em nome do que vende como “causa da humanidade”, não só pratica os piores crimes como os transforma em ferramenta de progresso social, como faz Ivanov. Esse amoralismo redentor, que apela a amanhãs gloriosos, se casou perfeitamente com os interesses das elites reacionárias brasileiras, de que são expressões os Renans, os Sarneys etc.

Se uns nunca tiveram têmpera revolucionária, os outros a empregam como farsa. Porque, de fato, se os reacionários nunca tiveram como perspectiva um novo mundo, os supostamente revolucionários queriam era dividir o comando da reação. E conseguiram. Os dois grupos se dizem hoje irmanados na defesa do bem comum, em nome do qual tudo é permitido.

O conjunto explica por que José Dirceu sai proclamando aos quatro ventos que as críticas a Renan derivam do moralismo udenista. Dirceu é o candidato a Ivanov dessa nova ordem. E Ivanov já disse: Raskolnikov, o que matou a velha a machadadas, só não era um herói porque não agiu sob o comando do partido, de uma causa.

Não sei se daqui a dois, seis, 10, 14 ou mais anos… Um dia essa gente será apeada do poder. E poderemos, ou outros poderão, refletir com ainda mais rigor sobre a era em que vivemos sob a égide do crime sem castigo. Os que chamamos as coisas por seus respectivos nomes fazemos a crônica de um tempo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Repúdio a Renan já reúne mais de 360 mil assinaturas. Parar por quê?

A petição de repúdio à eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) para a Presidência do Senado conta, neste momento, com quase 362 mil assinaturas. Todos sabiam, desde o primeiro momento, que ele tinha votos para se eleger com folga. As pessoas não se mobilizaram com o objetivo de impedir a eleição. Queriam demonstrar seu desagrado.

Nada impede, pois, que continuem a repudiar o fato consumado. Aliás, esta é uma das qualidades do regime democrático: permitir que os cidadãos digam “não” mesmo a o inevitável. Assim, se você ainda quiser assinar a petição, ela está aqui.

Entendo que os autores originais deveriam adaptar o texto à nova realidade. Os que já são signatários certamente não se oporão. Se repudiavam um Renan candidato, tanto mais repudiam um Renan eleito.

Por Reinaldo Azevedo

 

Problemas de caixa da Petrobrás começam a contaminar parceiros

Da Reuters:
Alguns dos fundos de investimento dedicados exclusivamente aos fornecedores da Petrobrás registraram aumento da inadimplência. Há também o atraso de pagamento para fundos de recebíveis criados para financiar esses prestadores de bens e serviços, disseram fontes à  Reuters.  junto à Comissão de Valores Mobiliários. Ao longo dos últimos dois anos a Petrobrás aportou cerca de R$ 7 bilhões para ajudar os fornecedores., observando que a estatal alterou sua política de pagamentos recentemente e vem olhando com mais rigor os contratos.

Com isso, tem demorado mais tempo para liberar os recursos. Em uma espécie de efeito dominó, os prestadores de serviços também atrasam seus compromissos financeiros. ”Não vou dizer que a Petrobrás é inadimplente, mas que está em atraso. Enquanto algumas companhias estão sofrendo, estou confiante que os pagamentos serão feitos”, disse à Reuters Fernando Werneck, gestor de um portfólio de fundos creditórios na BI Invest, exclusivos de fornecedores da Petrobras.

Problemas financeiros já empurraram algumas empresas menores fornecedoras da estatal, como a GDK, a um processo de recuperação judicial. Grandes empresas, tais como a Lupatech, tiveram que vender ativos e levantar capital novo para evitar o pior. Preocupações sobre como fazer negócios no Brasil, onde a Petrobrás é responsável por mais de 90% da produção de petróleo, levaram a uma queda de 34% nas ações da italiana Saipem na quarta-feira.

Por Reinaldo Azevedo

 

Símbolos religiosos – O procurador insiste em desperdiçar nosso dinheiro…

O procurador  Jefferson Aparecido Dias está de volta. Não sei se ele não entende mesmo o que é uma democracia ou se gosta de aparecer. Talvez as duas coisas. Volto ao assunto mais tarde. Leiam o que informa Fausto Macedo no Estadão:

O Ministério Público Federal anunciou nesta quinta-feira, 31, que recorreu da decisão judicial de primeira instância que negou a retirada de todos os símbolos religiosos de repartições públicas federais no Estado de São Paulo. O recurso foi apresentado pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão. Segundo a apelação, a ostentação dos símbolos religiosos “ofende a laicidade do Estado e atenta contra os princípios constitucionais da liberdade, da igualdade e da impessoalidade”.

“O princípio da laicidade do Estado, expressamente adotado pelo Brasil, e a liberdade religiosa impõem ao Poder Público o dever de proteger todas as manifestações religiosas, sem tomar partido de nenhuma delas”, defende o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias. Para Dias, a presença de símbolos religiosos em prédios públicos “é prejudicial à noção de identidade e ao sentimento de pertencimento nacional aos cidadãos que não professam a religião a que pertencem os símbolos expostos”.

Na apelação, o procurador deixa claro que respeita a opção do servidor público que manifesta sua liberdade religiosa e coloca na parede do seu espaço de trabalho um símbolo religioso. “O que não se pode admitir é que em salas destinadas ao público, como é o caso da sala de audiência ou mesmo do hall de entrada dos edifícios forenses, alguém esteja autorizado a colocar este ou aquele símbolo religioso.”

A discussão sobre a retirada dos símbolos religiosos das repartições públicas federais teve início em julho de 2009, quando foi protocolada a ação. Na sentença, de novembro de 2012, a juíza federal Ana Lúcia Jordão Pezarini considerou o pedido “por demais genérico” já que “nem sequer permite discutir e avaliar quais os símbolos e a relevância de sua expressão histórico-cultural e a necessidade de sua preservação”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma vai, pouco a pouco, aderindo à contabilidade criativa que faz a fama de sua colega argentina, Cristina Kirchner…

Ninguém mais conhece direito os números das contas públicas no Brasil. A nossa sorte é que a institucionalidade avançou o bastante no país. O governo pode manipular os dados, mas a gente fica sabendo. Fosse na Argentina, a nossa governanta, pelo visto, faria o que faz a deles: maquiaria até os números de inflação.

A gestão de Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda é, cada vez, mais uma realidade de papel. A cada novo procedimento, a realidade diz uma coisa, e o papelório de Guido, outra. Leiam o que informa Lu Aiko Otta, no Estadão. É mesmo uma sorte a Soberana não governar os EUA, não é?, e Guido não ser o chefão da economia naquele país atrasado, coalhado de republicanos. Por aqui, como lembram o vice-presidente da República, Michel Temer,  e Renan Calheiros (AL), provável novo presidente do Senado, o PMDB “garante a estabilidade”… Maquiagem de contas naquele país atrasado daria demissão; no Brasil, rende fama de esperteza e habilidade. Leiam:
*
O governo adicionou mais um item ao seu kit de maquiagem do resultado das contas públicas de 2012. Além de sacar recursos do Fundo Soberano, receber antecipadamente dividendos das estatais e inflar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Tesouro Nacional empurrou cerca de R$ 5 bilhões em despesas de dezembro para janeiro. Dessa forma, reduziu os gastos e engordou o saldo do ano.

Técnicos da Fazenda admitem que houve um “remanejamento” de despesas, mas não informaram o valor. O cálculo de R$ 5 bilhões foi feito pelo economista-chefe da corretora Convenção Tullet Prebon, Fernando Montero. O economista chegou a essa conclusão analisando o comportamento dos gastos ao longo de 2012. Ele verificou que, em comparação ao ano anterior, as despesas vinham crescendo a um ritmo de 6,9% até novembro, mas deram uma freada em dezembro, fechando o ano com uma alta de 5,4%. Isso é justo o contrário do que ocorre tradicionalmente. Normalmente os gastos, principalmente os de investimento, dão um pulo em dezembro.

Outras despesas
Analisando mais a fundo os principais componentes do gasto, ele verificou que as despesas com pessoal subiram 3,8%, os gastos com a previdência subiram 12,5%, puxados pelo aumento do salário mínimo. A contração das despesas ocorreu em dezembro e ficou concentrada nas chamadas “outras despesas de custeio e capital”.

Elas incluem investimentos e compra de material de escritório, por exemplo, que não seguem um calendário rígido como o dos salários e aposentadorias. Por isso, são os alvos preferenciais dos economistas do governo quando é necessário fazer cortes e outros ajustes nas contas públicas.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

… E Dirceu, acreditem, se gruda a Renan e Alves para ver se melhora a própria reputação!!!

O Zé Dirceu tem um blog. Opina sobre tudo. No dia em que houver o Sindicato dos Corruptores e Quadrilheiros Condenados pelo STF, ele, sem dúvida, será o chefe. Tem vocação para ser chefe, a gente nota.

Depois de ter pregado ontem o controle da imprensa e de acusá-la de golpista — tudo na sede da ABI!!! —, ele sai hoje em defesa de Renan Calheiros (PMDB-AL) e de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), candidatos, respectivamente, a presidentes do Senado e da Câmara.

Segundo o quadrilheiro e corruptor (conforme sentença da maioria dos ministros do STF), o noticiário que cerca os dois políticos não passa de falso moralismo e de udenismo, semelhante, diz, aos movimentos que levaram Jânio Quadros e Fernando Collor à Presidência.

Entendi! Todo não-petista que protestar contra a corrupção é um udenista reacionário. Os únicos que teriam legitimidade para fazer esse discurso seriam os moralistas do PT. Quando o partido criou uma lista de 45 acusações contra o governo FHC — uma verdadeira pilantragem política —, era por patriotismo que o fazia.

Ademais, pergunto: que mal há em ser udenista no que concerne ao combate à corrupção? O PT é contra o lado bom da UDN!!! Renan e Alves devem estar fulos da vida com Dirceu. O apoio do condenado não lhes dá um miserável voto e ainda os empurra mais para um pântano do qual eles querem sair. O Zé, hoje, é uma espécie de beijo mortal no que concerne à moral e à ética. Ademais, ter o seu apoio e privar de sua intimidade implicam a proximidade com um sujeito que quer censurar a imprensa (embora diga que não), que acusa a Justiça de não cumprir o seu papel e que é objeto da  repulsa da esmagadora maioria dos brasileiros.

Entendam a situação a que chegou o companheiro: ele se gruda a Renan e a Alves para ver se consegue melhorar a sua reputação! Não sei se vocês atentaram para o sabor da coisa.

Por Reinaldo Azevedo

 

Um Supercoxinha entre o hiper-realismo e o surrealismo

O Supercoxinha do leitor Daniel é, a um só tempo, hiper-realista e surrealista. Vejam.

Por Reinaldo Azevedo

 

Nos 80 anos da chegada de Hitler ao poder, vamos aos homens admirados por Lula. Ou: Então tá, petralhada! Vamos aos fatos!

Aconteceu o esperado. Juan Arias, do jornal espanhol El País,  comentou em seu blog, em tom elogioso, o post que escrevi aqui sobre os oitenta anos da chegada de Hitler ao poder. A canalha petralha, então, fez o que sabe fazer: resolveu invadir a área de comentários do seu blog para me atacar, mentindo, como de hábito, sobre a minha biografia, o meu pensamento, os meus textos etc.

Não há nada de espantoso nisso. O meu artigo acusava justamente a canalha nazifascista. E é natural, então, que a canalha nazifascista reaja, não é mesmo? Essa gente vem de longe. E seus guias espirituais têm pensamento conhecido.

Em 1979, o então ainda apenas sindicalista Lula concedeu uma entrevista à revista Playboy. O político já estava lá, ainda entranhado, mas já botando as manguinhas de fora. Disse coisas espantosas. E nessa conversa que revela, por exemplo, que, quando atuava na área previdenciária do sindicato, antes de chegar à presidência da entidade, ficava de olho nas mulheres dos companheiros que morriam. O seu negócio, ele confessou, era papar as viuvinhas, que se tornavam suas amigas íntimas… Foi assim que ser aproximou de Marisa Letícia, cujo marido havia morrido. Era só para “papar”. Parece que ela deu sorte — ou nem tanto, sei lá.

Lula tratou de tudo naquela conversa, inclusive de, como vou chamar?, zoofilia. E também elencou os políticos que admirava. Reproduzo trecho. Notem quantos democratas estavam na sua lista. Volto para encerrar.

(…)
Playboy – Há alguma figura de renome que tenha inspirado você? Alguém de agora ou do passado?

Lula [pensa um pouco]- Há algumas figuras que eu admiro muito, sem contar o nosso Tiradentes e outros que fizeram muito pela independência do Brasil (…). Um cara que me emociona muito é o Gandhi (…). Outro que eu admiro muito é o Che Guevara, que se dedicou inteiramente à sua causa. Essa dedicação é que me faz admirar um homem.

Playboy – A ação e a ideologia?

Lula – Não está em jogo a ideologia, o que ele pensava, mas a atitude, a dedicação. Se todo mundo desse um pouco de si como eles, as coisas não andariam como andam no mundo. (…)

Playboy -Alguém mais que você admira?

Lula –  [pausa, olhando as paredes] – O Mao Tse-Tung também lutou por aquilo que achava certo, lutou para transformar alguma coisa.

Playboy -Diga mais…

Lula – Por exemplo… O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer.

Playboy -Quer dizer que você admira o Adolfo?

Lula –  [enfático] Não, não. O que eu admiro é a disposição, a força, a dedicação. É diferente de admirar as idéias dele, a ideologia dele.

Playboy - E entre os vivos?

Lula – [pensando] – O Fidel Castro, que também se dedicou a uma causa e lutou contra tudo.

Playboy - Mais.

Lula –  Khomeini. Eu não conheço muito a coisa sobre o Irã, mas a força que o Khomeini mostrou, a determinação de acabar com aquele regime do Xá foi um negócio sério.

Playboy – As pessoas que você disse que admira derrubaram ou ajudaram a derrubar governos. Mera coincidência?

Lula – [rápido] – Não, não é mera coincidência, não. É que todos eles estavam ao lado dos menos favorecidos.

(…)

Playboy – No novo Irã, já foram mortas centenas de pessoas. Isso não abala a sua admiração pelo Khomeini?

Lula –  É um grande erro… (…) Ninguém pode ter a pretensão de governar sem oposição. E ninguém tem o direito de matar ninguém. Nós precisamos aprender a conviver com quem é contra a gene, com quem quer derrubar a gente. (…) É preciso fazer alguma coisa para ganhar mais adeptos, não se preocupar com a minoria descontente, mas se importar com a maioria dos contentes.

Voltei
Os cascudos dirão, claro!, que a entrevista já tem 34 anos e que o pensamento do Lula de hoje é diferente do daquele do passado. Então vamos pensar.

Sobre Che e Fidel Castro, o Apedeuta segue sendo o mesmo, tanto que está em Cuba, fazendo festa para uma tirania. Na Presidência, comparou os presos de consciência da ilha a delinquentes comuns no Brasil. Vale dizer: para ele, opor-se aos irmãos Castro é um ato de banditismo. Não consta que tenha mudado de opinião sobre o facínora Mao Tse-tung.

Em relação ao Irã, Lula regrediu ainda mais. Acima, ele diz ser um erro eliminar os adversários. Quando iranianos revoltados com as óbvias fraudes eleitorais praticadas por Ahmadinejad (até os aiatolás reconheceram) foram às ruas — pessoas foram assassinadas pelas forças de segurança —, ele comparou o protesto com uma torcida de futebol que está descontente porque o seu time perdeu.

Quanto a Hitler, aí não sei, né? Que eu me lembre, seu governo votou sistematicamente contra Israel na ONU, mas a favor do Irã, cujo governante nega a existência do Holocausto. Afinal,  todos os seus heróis, segundo disse, “estavam ao lado dos menos favorecidos”…

De nazifascismo e defesa de ditaduras, os petralhas, que foram lá patrulhar Juan Arias, entendem. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Dia da Vergonha para a ABI – Associação de jornalistas abre as portas para Dirceu atacar a imprensa livre e o Judiciário. Quando será a vez de Fernandinho Beira-Mar e de Marcola?

A fascistada está inquieta. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), de tão sólida tradição democrática, mergulhou ontem na abjeção e abriu suas portas para um ato intitulado “Pela Anulação do Julgamento do Mensalão”. A estrela da noite: José Dirceu! Antes que continue, vamos botar os pingos nos “is”. O evento ocorreu no auditório da ABI, no Rio. Alguém dirá que a entidade apenas cedeu o espaço sem se comprometer com o conteúdo do evento. É mesmo? A associação agora virou salão de festa? Aluga para quem paga? Virou meretriz da história política? Abriga qualquer um que tenha uma versão a oferecer, ainda que a despeito dos fatos? Uma ova! A ABI, palco de atos contra a ditadura, recepcionou ontem um ato contra a democracia. Lixo!

Leio o que informa Felipe Werneck no Estadão. Os principais alvos do corruptor e quadrilheiro José Dirceu — segundo decidiu a Justiça —, com vaga já reservada na cadeia, foram a imprensa independente — NO AMBIENTE DE UMA ASSOCIAÇÃO QUE CONGREGA JORNALISTAS — e a Justiça. E, como de hábito, esse filhote indolente de Stálin (indolente porque, segundo contemporâneos, sua têmpera revolucionária não resiste à sua compulsão para a vida folgazã; comunistas de verdade são obcecados pela causa; Dirceu é obcecado por si mesmo) pregou a “regulação da mídia”, expressão a que “eles” recorrem para defender a censura.

Segundo o corruptor e quadrilheiro, a imprensa ataca a classe política para se proteger da tal regulação: “É o caminho das ditaduras, uma tentativa de desmoralizar a política, os políticos e o Congresso”. Para ele, “no dia em que o Congresso não tiver medo da Globo, da mídia, faz a regulação”. Isso é música para os ouvidos da esquerda cascuda e dos venais do subjornalismo disfarçados de esquerdistas, que hoje se penduram nos países baixos do estado e vivem à custa do financiamento de estatais. Relevo este aspecto em particular: se essa gente fizesse o que faz por convicção genuína, não deixaria de ser asquerosa, mas eu ainda lhe reservaria uma réstia de respeito. Mas quê… Estamos falando de vagabundos que não sobreviveriam de outra maneira. Sigamos.

Para Dirceu, existe, pasmem!, uma “ofensiva da direita no Brasil”, de que o julgamento dos mensaleiros no STF teria sido um exemplo. Uau! Este senhor poderia dar o endereço “da direita” para que pudéssemos ir lá entrevistá-la. Voltou à ladainha de que os condenados não tiveram direito de defesa, o que é uma mentira estúpida, e conclamou a sociedade à resistência. Disse ainda que um ato como aquele era só o começo de uma longa trajetória. Ufa!

Denunciou a existência de uma suposta campanha contra Lula — o totem, agora, está entrando na fase do tabu, como diz meu amigo Jeffis Carvalho… — e… contra Dilma!!! Dirceu faz um esforço danado para arrastar o governo para a sua pantomima pessoal. O condenado e os de sua estirpe estão furiosos com a presidente porque, até agora, ela não abraçou a tese do “controle da mídia”. Ela sabe que não precisa comprar confronto nenhum porque tem uma imprensa que, no extremo oposto àquele pretendido pelo governo, é, no máximo, correta e técnica, fazendo seu trabalho com isenção. Boa parte, no entanto, se comporta como gosta o Planalto: com lhaneza subserviente. Dirceu cobra um arroubo chavista de Dilma para satisfazer seu próprio rancor.

O ataque à imprensa e ao Judiciário é concertado. À tarde, na Câmara dos Deputados, na presença de José Genoino (outro condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha), Rui Falcão, presidente do PT, atacou os mesmos alvos. Igualmente alertou para o risco de uma ditadura — de caráter nazifascista, segundo ele!!!

Entendi! Quando os petistas massacravam a reputação de homens inocentes, como fizeram com Eduardo Jorge Caldas Pereira, secretário-geral da Presidência do governo FHC, estavam apenas exercitando a democracia — e Dirceu compôs a linha de frente do ataque. Agora que o STF condenou a petezada por peculato, formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva etc., de posse de uma pletora de provas, a democracia está em risco. Corolário: quando os petistas lincham inocentes, a civilização sorri; quando a civilização pune petistas, segundo a lei e o estado de direito, a democracia está em risco.

Falei em peculato? Na primeira fila do ato na ABI, estava Henrique Pizzolato, a rima.

A ABI tem história. No dia 10 de setembro de 1992, por exemplo, o então presidente da OAB, Barbosa Lima Sobrinho, e o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcelo Lavenère, entregaram ao presidente da Câmara o pedido de impeachment do então presidente da República, Fernando Collor. A ABI deve, quando menos, respeito à memória de seu lendário presidente.

Agora falta a ABI ceder o salão para tipos como Marcola e Fernandinho Beira-Mar. Eles também devem ter restrições a fazer ao Judiciário brasileiro e à cobertura da imprensa. Marcola, inclusive, mostrou-se, nas vezes em que conseguiu fazer chegar a público seu discurso, um homem lido, culto, apreciador de Nietzsche. É bem verdade que o PCC comete alguns crimes, né? “Mas quem não comete?”, perguntaria um militante do PTT.  Do ponto de vista da honorabilidade, a ABI nem ganha nem perde no cotejo com o evento de ontem. E ainda há a possibilidade de haver uma elevação na qualidade das referências literário-filosóficas…

Encerro
A ABI não pode ter preconceitos. Tem de se lembrar do Sermão do Bom Ladrão, de Padre Vieira, onde aparece a pergunta que um pirata fez quando Alexandre, o Grande, decidiu lhe passar uma descompostura — cito de memória (depois vocês conferem): “Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Não podemos mudar Deus, mas podemos mudar os homens

O jornalista Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal espanhol “El País”, comenta hoje em seu blog o post que escrevi aqui ontem sobre os 80 anos da chegada de Hitler ao poder na Alemanha. Reproduzo trechos. Volto para encerrar.

Hace ahora 80 años que Hitler llegó al poder. En él fue arropado cómplicemente por una serie infame de silencios de los que entonces se decían demócratas, que le permitieron culminar su horror nazi y el Holocausto de seis millones de judíos.

El analista político brasileño, Reinaldo Azevedo, en su blog con 24 millones de visitas en 2012, alerta sobre el hecho de que 80 años no son nada en la historia humana.

“No hace tanto tiempo. En 1933 la humanidad ya disfrutaba de buena parte de la literatura que vale la pena, de buena parte del pensamiento que vale la pena, de buena parte incluso del conocimiento científico que nos sirve aún hoy de referencia. Y sin embargo, el mundo vivió bajo el signo de la bestia”, escribe.

Cuando se habla del Holocausto, los creyentes hablan del “gran silencio de Dios”. ¿Donde estaba? ¿ Por qué no gritó?

Azevedo pone el acento, sin embargo, en el magnífico post de su blog, sobre el “silencio de los hombres”, del mundo político, del de la cultura y de la inteligencia de entonces.
(…)
Según Azevedo “esa cultura de ingeniería social, que anula los derechos individuales en nombre de un estado reparador, aún está presente en nuestro mundo. Se establece ofreciendo un paraíso en la tierra, un verdadero reino de justicia e igualdad. Y ya vimos lo que ocurrió”.

Y añade: “las tentaciones totalitarias manipulan el discurso de la igualdad para crear un ente de razón, estado o partido que busca substituirse a la sociedad”.

Si toda historia acaba siendo maestra de la actualidad, la terrible historia del nazismo y de su líder, de hace sólo 80 años, interpela hoy a todos aquellos tentados de imponer gobiernos populistas o nacionalistas que, en nombre de la justicia y de la defensa del pueblo, acaban asesinando los valores de la libertad. Y, en definitiva, de la sociedad, verdadero y legítimo sujeto político.

Voltei
Fico contente por ter Juan Arias como leitor — e dos bons. O jornalista explicita a referência oculta no meu post: importa pouco saber por que Deus silenciou no caso do nazismo — não temos como mudar o Altíssimo. O que importa é saber por que milhões de homens silenciaram. E nós temos como mudar os homens.
*
PS – Uma correção factual apenas no generoso post de Arias: em 2012, este blog teve 32 milhões de visitas.

Por Reinaldo Azevedo

 

da coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

Os 18 do Senado se livraram da lata de lixo da História reservada ao bando vitorioso

Tanto a Câmara quanto o Senado ofereceram ao país que presta, nesta sexta-feira, uma notícia boa e outra má. Depois de dois anos na presidência, o companheiro gaúcho Marco Maia voltou ao baixo clero e ao convívio com a multidão de nulidades condenadas à obscuridade. É a boa notícia. A má: o novo gerente do Feirão da Bandidagem é Henrique Alves, que tentou livrar-se do último escândalo em que se meteu com a demissão do bode Galeguinho. É bom saber que o senador José Sarney acabou de deixar o comando da Casa do Espanto. Ruim é saber que o sucessor é Renan Calheiros.

Como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, o Congresso mudou para que tudo fique igual: sairam dois casos de polícia, entraram dois prontuários que fariam bonito em qualquer reunião do PCC. Todos estão lá por decisão de milhões de eleitores que votam como se estivessem escolhendo sócios de algum clube dos cafajestes. O bando que controla o Poder Legislativo faz o que quer por confiar na mansidão bovina do grande rebanho. Enquanto os brasileiros elegerem os sarneys, renans, maias ou alves, não haverá perigo de melhorar.

Políticos são todos iguais, recitam os omissos vocacionais, os cansados de nascença ou os que simulam ceticismo para manter em segredo o voto em figuras abjetas. Não são iguais. Os 11 senadores que há dois anos se recusaram a engolir José Sarney são muito diferentes dos que se ajoelharam diante de Madre Superiora. Além de reiterar tal diferença, a eleição desta sexta-feira comprovou o crescimento da bancada dos acreditam que a atividade política não é incompatível com a honradez. Os 18 senadores que votaram em Pedro Taques, do PDT de Mato Grosso, são diferentes dos que devolveram à presidência o candidato apeado do cargo há cinco anos por ter feito sem a devida cautela o que continua fazendo com mais prudência.

No discurso em que justificou a candidatura sem chances de vitória, Pedro Taques evocou a lição extraída por Darcy Ribeiro dos fracassos que acumulou. Ele tentou e não conseguiu, por exemplo, fazer uma universidade de sonho. Nem por isso sucumbiu à amargura. E jamais capitulou. “Os fracassos são minhas vitórias”, ensinou Darcy Ribeiro e repetiu Pedro Taques. “Eu detestaria estar no lugar de quem venceu.” A resistência democrática tem de decorar a mensagem e entender que não tem o direito de render-se.

Dos 78 presentes, 56 senadores  ignoraram o recado do candidato do Brasil decente. As imagens de Renan Calheiros confraternizando com seus eleitores gritam que cangaceiro governista e o bando de parceiros se merecem. É natural que estejam juntos agora. Não importa quanto tempo demore, acabarão juntos para sempre na mesma lata de lixo da História. Desse destino escaparam os 18 do Senado.

(por Augusto Nunes)

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Fonte: Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

2 comentários

  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Sobre Marilena e Lula eu tenho o seguinte:
    1 - Quando se promete cumpre !
    2 - Não caiu a ficha dessa mulher a respeito ??
    3 - O cara só fez aquilo e não terminou nada que prometeu
    e em alguns casos nem saiu do papel, se é que
    escreveu.
    4 - Desrespeitar as leis e fazer desvios êle e sua
    turma fizeram de monte. Os próprios jornalistas já
    registraram !!
    5 - Ela é aquele que não quer ver, o maior cego ???

    0
  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Este país só vai mudar quando safados travestidos de "defensores dos pobres" passarem a dividir com êles suas garrafas de "num sei o que Ponty de R$ 9.500,00 a garrafa e cigarrilhas cubanas de R$ 350,00 cada. E o Hospital Sirio Libanes da Zelite, com êles. Quando rico se ajunta com pobre é para ferrar outros pobres. Esses doadores do PT só fazem isso. Aproveitando da ganancia e falta de moral dêsses estupídos e semianalfas seguidores do Midas da Sujeira !!!!.

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