Sobre o touro Back-Up e as manifestações... (blogs Lauro Jardim e Augusto Nunes)

Publicado em 23/06/2013 14:16 e atualizado em 26/07/2013 11:39 1120 exibições
por Lauro Jardim e Augusto Nunes (em veja.com.br)

Brasil

Exame de DNA

Backup: olhando bem, não é mesmo a cara do pai

 

Uma surpreendente análise genômica feita por pesquisadores da USP acaba de revelar que Backup, o touro brasileiro recordista de doses de sêmens vendidas — 600 000 — não é filho de Fajardo, o nelore que, aliás, detinha o recorde anterior.

A Associação Brasileira de Criadores de Zebu já foi informada do erro. Há suspeita de que outros 29 touros de grandes criadores estejam na mesma situação. Ah, ainda não se sabe quem é o pai verdadeiro de Backup.

Por Lauro Jardim

 

Brasil

“Dilma não escuta ninguém”

Dilma aceita palpites de três: Mercadante, Pimentel e Santana

Na quarta-feira passada, logo depois de depor numa audiência da Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, Gilberto Carvalho conversou com o senador Blairo Maggi (PR-MT) sobre as manifestações das últimas semanas.

Blairo quis saber quais os conselhos Carvalho estava dando para Dilma Rousseff. Ouviu uma confissão: “Não adianta, ela não escuta ninguém. Só ouve o (Aloizio) Mercadante, o (Fernando) Pimentel e o (marqueteiro) João Santana”.

Por Lauro Jardim

 

Brasil

À espreita

Marina Silva: a candidata mais beneficiada pelas manifestações

Há um consenso no Palácio do Planalto. Potencialmente, só houve um ganhador das manifestações das últimas semanas, Marina Silva.

Por Lauro Jardim

 

Direto ao Ponto

A Retirada da Paulista provou que a tropa comandada pelo general Falcão é tão apavorante quanto bandido de chanchada

Um destacamento comandado pelo general Rui Falcão é tão apavorante quanto bandido de chanchada, avisou o título do post de 6 de setembro de 2012. Naquele dia, indignado com a condenação do mensaleiro João Paulo Cunha pelo Supremo Tribunal Federal, o presidente do PT ameaçara aumentar a população flutuante de todos os municípios do Brasil com a mobilização dos militantes do partido. As tropas aquarteladas na cabeça do comandante fizeram a primeira aparição pública só na tarde desta quinta-feira, quando tentaram engrossar a manifestação de protesto em São Paulo. A julgar pelas dimensões do desastre, nunca mais entrarão em ação.

Armados de bandeiras vermelhas, os 150 companheiros combatentes demoraram meia hora para bater em retirada, assustados com a ira da multidão hostil ao PT. Rui Falcão não deu as caras na Avenida Paulista. Entrincheirado num esconderijo, travou uma patética batalha contra a verdade, ansioso por destruir as provas de que foi ele o pai da ideia que resultou no fiasco formidável. A performance do chefe e dos chefiados só serviu para conferir contornos proféticos ao texto publicado há nove meses. Confiram. Volto no fim:

Sempre orientados pelo Chefe Supremo, o comandante José Dirceu e o general Rui Falcão ─ inquietos com a condenação do tenente João Paulo Cunha pelo Supremo Tribunal Federal ─ reiteraram a ameaça: se a população carcerária continuar recrutando bandidos de estimação do Planalto, os dois oficiais de Lula mobilizarão o exército companheiro para afastá-los da rota da cadeia. Pelos rosnados da dupla, pode ser o prelúdio da ofensiva final contra a elite reacionária e a mídia golpista, agora acusadas de induzir o STF a aplicar a lei no julgamento do mensalão.

O presidente do PT acaba de aproveitar o velório político de João Paulo Cunha, disfarçado de comício de lançamento do novo candidato do partido a prefeito de Osasco, para recair na mitomania beligerante. Primeiro, qualificou os ministros do Supremo de “instrumentos de poder” ─ a serviço de uma oposição “conservadora, suja e reacionária”. Em seguida, avisou que está em curso outra tentativa de golpe contra Lula e Dilma Rousseff. Como impedir a consumação da trama que, segundo Falcão, foi costurada pelas mesmas figuras que “arquitetaram a farsa do mensalão”?

Ele mesmo declamou a resposta: convocando para a guerra “a sociedade organizada, as centrais sindicais, os movimentos populares e os partidos políticos do campo progressista”. Se o novo presidente da CUT não mentiu de novo, a sigla que identifica um viveiro de pelegos começou a recrutar combatentes no começo de julho. Assim que terminarem o curso de aperfeiçoamento de soldados do asfalto, estarão prontos para enquadrar o STF caso se atreva a fazer um “julgamento político”.Fardado com o inevitável paletó escuro, cujas dimensões informam que o dono se acha mais alto e parrudo do que é, o stalinista com jeitão de agente funerário caprichou na bazófia: “Não mexam com o PT. Porque quando o PT é provocado ele cresce e reage”.

Cresce coisa nenhuma, grita . Reage coisa nenhuma. Tropas lideradas pelo guerrilheiro de festim só conseguiriam matar de rir os inimigos. Um destacamento liderado por Rui Falcão seria tão amedrontador quanto bandido de chanchada. Para barrar o avanço do Movimento Pró-Corrupção, basta colocar no meio do caminho a foto em tamanho natural de um fuzileiro naval americano. Duas fotos fariam os guerreiros de araque recuar em desabalada carreira.

Graças à Retirada da Paulista, agora se sabe que o exército do PT nunca existiu. O que se viu foi um punhado de milicianos insuficiente para eleger um vereador de grotão. Também se descobriu que nem é preciso exibir fotografias de marines para apressar a capitulação. Basta ordenar-lhes aos berros que caiam fora do front.

(por Augusto Nunes)

 

Feira Livre

Sete notas de Carlos Brickmann

PUBLICADO NA COLUNA DE CARLOS BRICKMANN

CARLOS BRICKMANN

Millôr e a passeata
Millôr Fernandes, gênio do texto e da frase, assim sintetizava a democracia: “Todo homem tem o sagrado direito de torcer pelo Vasco na arquibancada do Flamengo”. Foi o que faltou na grande passeata quase pacífica da Avenida Paulista, quando militantes de partidos políticos foram expulsos pelos demais manifestantes, ampla maioria na demonstração.

É verdade que a postura dos militantes partidários foi provocadora. Petistas, seguindo as ordens do presidente do partido, Ruy Falcão, tentaram tomar a frente da passeata, para aparentar que a controlavam; outros grupos partidários também se uniformizaram e levaram bandeiras próprias, não as da manifestação. Mas, por provocadores que fossem, tinham esse direito, que lhes foi negado. Millôr tem razão. Mas também é verdade que quem torce pelo Vasco na arquibancada do Flamengo tem de assumir o risco.

O som do silêncio
Gritos, palavras de ordem, bombas. Mas o ruído mais estrondoso das manifestações foi o causado pelo silêncio da presidente Dilma, do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e de Lula, o ex-presidente em exercício.

Vácuo entre orelhas
O chanceler Antônio Patriota disse que o povo está ganhando mais e por isso se manifestou. Seu pensamento não revelou nada que já não se soubesse sobre ele, mas não precisava tornar tão explícito o vácuo que existe entre suas orelhas.

Constatação
A presidente e seus ministros reuniram-se no Palácio do Planalto, na sexta, para discutir a crise que já durava duas semanas.

Saíram e a sala continuou vazia.

O especialista
O governador do Rio, Sérgio Cabral, aquele que foi fotografado numa festança privada em Paris com amigos empreiteiros, todos com guardanapos na cabeça, suas esposas exibindo para as fotos caríssimos sapatos Louboutin, foi à TV dissertar sobre corrupção.

As emissoras de TV só procuram quem conhece o tema.

Bolsa-Copa
Na véspera de Dilma ser vaiada no Estádio Mané Garrincha, já com manifestações pipocando pelo país, foi publicado em edição extra do Diário Oficial a União, dia 14, o decreto 8.028/13, autorizando o pagamento de diárias a autoridades federais que queiram assistir aos jogos da Copa das Confederações.

A diária de hotel é de R$ 581,00 para ministros (mais verba para viajar a qualquer cidade-sede das partidas); para os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica, é de R$ 406,70. Outros funcionários também têm direito a esse tipo de diária, embora menos substancial. Pelo decreto, a diária ainda pode ser duplicada.

O acusado
Aquilo que se conseguiu evitar durante duas semanas de confrontos entre manifestantes e policiais, a morte de alguém, acabou acontecendo em Ribeirão Preto, SP. Alexsandro Ichisato de Azevedo teve a prisão solicitada pela Polícia sob a acusação de avançar com seu carro, um SUV Range Rover, contra 13 manifestantes que ocupavam uma esquina, atropelando-os. Houve três vítimas: duas moças feridas, uma delas gravemente, e um rapaz morto, Marcos Delefrate, 18 anos. Ao que se saiba, não houve atrito anterior: os manifestantes pediram a Azevedo que retornasse; ele ameaçou avançar duas vezes e, na terceira, avançou e matou.

 

Direto ao Ponto

O campeão da gabolice que se fantasiou de pacificador do Oriente Médio não tem coragem para mediar conflitos no Brasil

Lula se considera um extraordinário negociador desde quando o presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo fechava acertos com patrões. Depois de inaugurar a base alugada no Congresso, concluiu que o Brasil era pequeno demais para um gênio da raça. Era hora de mostrar ao mundo que não merecia menos que a secretaria-geral da ONU ou o prêmio Nobel da Paz (ou as duas coisas) um estadista capaz até de juntar na mesma mesa tribos de antropófagos rivais que já se devoravam no tempo das cavernas.

Desempenhando simultaneamente os papéis de presidente do Brasil e conselheiro do mundo, nosso Lincoln de galinheiro não perdeu nenhuma chance de intrometer-se em assuntos que ignora, dar palpites onde não fora chamado e envergonhar o país que pensa com a declamação de ideias de jerico. Ao baixar no Oriente Médio, por exemplo, tratou a mais complexa das crises como se estivesse apitando um jogo entre o Bom Retiro e a  25 de Março.

“Os turcos e judeus que vivem em São Paulo sempre se entenderam muito bem”, ensinou com a expressão superior de quem estava pronto para liquidar com meia dúzia de conversas o conflito entre árabes e israelenses. Como nunca soube direito no que se meteu, Lula jamais saberá avaliar a extensão da gabolice e o tamanho do ridículo. Fora do Planalto há dois anos e meio, continua caprichando na pose de gênio da raça. Mas a confiança sem limites no taco mágico sumiu, informa a distância que o tem separado das manifestações de rua em São Paulo.

Nesta terça-feira, por exemplo, o  padrinho de Fernando Haddad soube que um grupo de vândalos tentava invadir o prédio da prefeitura sitiado pela multidão. Em vez de correr para a área conflagrada e negociar a paz, Lula mandou dizer que confiava no poder de persuasão do companheiro prefeito. Tradução: Haddad que se virasse. A sorte do prefeito foi ter deixado o gabinete meia hora antes da chegada dos manifestantes. Lula só é solidário com Lula.

(por Augusto Nunes).

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veja.com.br

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